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[CAB] TRABALHO DE BASE E MOBILIZAÇÃO NAS RUAS CONTRA A POLÍTICA ANTI-POVO: não deixar a indignação ser capturada pelos gabinetes e organizar a resistência para uma luta prolongada.

O pacto de classes no Brasil acabou, apesar das ilusões que persistem entre certos partidos e setores da esquerda. Este pacto sustentou a convivência institucional de agentes políticos oriundos de diferentes setores ideológicos que encontraram espaços comuns para disputar o campo da política tradicional no jogo eleitoral. Embora tenha garantido alguns direitos sustentado pela Constituição Federal, este pacto nunca serviu para todo mundo – o que se prova pela criminalização da pobreza nas periferias, pelo genocídio do povo negro e a guerra contra os povos indígenas. Nunca se tocou nas estruturas de classe e poder neste país.

Com a necessidade das elites de mais ajuste fiscal para manter e aumentar lucros em um cenário mundial de crise e ascensão das direitas, a esquerda institucionalizada e domesticada no poder foi descartada. O golpe jurídico-parlamentar-midiático de 2016 é parte do avanço dos golpes nos insuficientes direitos conquistados na base de muito sangue e suor. Porém, pelo lado do povo, a ruína do pacto de classes já poderia ser antevista com as fissuras crescentes da crise de representatividade e da desconfiança generalizada nas instituições do Estado e seus agentes tradicionais. A realidade de ajustes, aumento no custo de vida e matança do povo pobre e negro não era o que o reformismo havia prometido. E a esquerda de modo geral não foi capaz de criar um novo horizonte para os anseios populares que  produzisse lutas e conquistas independentes do governo de turno.

O consenso dos poderosos contra o povo.

Sem propor nada pra além do “mais do mesmo”, a esquerda institucional perdeu a queda de braço e quem canalizou a indignação antissistema foi a direita. Certamente com manipulação da fé, mobilização do ressentimento como afeto político e alta dose de antipetismo genérico. As velhas promessas neoliberais voltaram junto com o conservadorismo através de um conluio entre vários setores, incluindo militares, líderes neopentecostais, setores da mídia, empresários, banqueiros e parte da velha oligarquia política. Contudo, ainda que seja um divisor de águas, a eleição de Bolsonaro não é o começo e nem vai ser o fim de um processo mais longo de nossa história.

Em um governo marcado por discursos caricatos, casos de corrupção, proximidade com as milícias e trapalhadas diversas, Bolsonaro segue enredado na velha política, justamente por ser um dos seus representantes, bem como por seguir alinhado aos interesses dos poderosos. Se produzem seguidos atritos com a imprensa, o congresso e o Judiciário, além de divisões entre forças e grupos que sustentaram sua candidatura. E isso não deve parar. Não existe um projeto unificado entre as elites e um trajeto precisamente definido para os rumos da política. Contudo, há um centro de gravidade em torno das pautas anti-povo com a liquidação dos bens e serviços públicos, a criminalização da pobreza e dos movimentos sociais.

No âmbito da Educação, os cortes que foram previstos estavam a serviço de estimular ainda mais a entrada de capital e modos de gestão privados, em todos os níveis. No entanto, as manifestações em 15 de Maio em defesa da educação foram massivas. Porém, ainda que tenha marcado a luta popular de rua contra o governo, é preciso dizer que estiveram fora dessa luta setores populares que sequer vislumbram a possibilidade de uma vida mais digna através da educação.

A Reforma da Previdência com seu ataque às aposentadorias e pensões é o grande consenso entre os poderosos. Uma reforma pensada e defendida pelo sistema financeiro que corta fundo na carne do povo a médio e longo prazos. A Greve Geral de 14 de Junho foi um forte dia de mobilizações, com piquetes, trancaços de vias e marchas país afora. É preciso admitir que apesar da articulação entre vários grupos e entidades da classe contra a reforma, faltou força em setores estratégicos para a construção de um dia de paralisação contundente. A fragilidade do movimento sindical e popular verificada nos coloca diante de um problema histórico, produto de décadas de burocracia distante das bases, de peleguismo parceiro da patronal e da incapacidade de renovação dos repertórios e modos de vinculação com setores precarizados da classe trabalhadora brasileira. Apesar disso, o dia 14 faz parte da ativação das mobilizações sociais nas ruas , essenciais para começarmos a construir alternativas combativas diante das políticas anti-povo.

A Vaza-Jato escancara o funcionamento do Estado.

A Vaza Jato tem dominado parte do debate político nacional desde a semana que precedeu a greve geral. A denúncia atirada em público no dia 9 de junho pelo site The Intercept Brasil pode ter mudado o curso da conjuntura brasileira. Os arquivos vazados por fonte anônima de conversas privadas de agentes da Lava Jato caracterizam conchavo judicial e o uso das técnicas do Direito para lutas de poder contra desafetos políticos.

As relações entre os promotores da operação e o então juiz Sérgio Moro tiveram diferentes impactos sobre a sociedade: a base bolsonarista não viu problemas e ainda aumentou o coro em defesa Moro, como um herói que teria feito de tudo para “combater a corrupção”. Setores liberais, especialmente da imprensa, tradicionalmente ligados à direita, fizeram críticas duras com base na suposta importância das instituições do Estado. Setores da esquerda, para além do próprio petismo, denunciaram o “escândalo” – em parte na defesa das instituições e de um ilusório Estado de Direito, em parte para tomar ou retomar a bandeira de “Lula Livre” como pauta.

Para nós, não há dúvidas que apesar do lawfare, este é o funcionamento real do Estado, e sempre foi assim para o povo negro e pobre e para a militância organizada e combativa em determinados contextos. O que mudou foi subir o degrau na direção de uma força política descartada pelo fim do pacto de classes. Vale lembrar que o agente central neste caso é o atual ministro da justiça que tenta emplacar seu pacote de mais Estado policial, racismo e criminalização da pobreza. Não há regras que garantam o tal Estado Democrático de Direito, porque o Estado é este conjunto de regras feitas para serem dobradas em prol de elites sempre que necessário. A estrutura criminal-persecutória que articula polícias, promotores e juízes não escandaliza o grosso da população, pois domina o imaginário de nossa sociedade, marcada pelo escravismo colonial e pela exceção que é aplicada para grande parcela do povo, e que vem se reforçando com cada vez mais ajuste e repressão.

Mais trabalho de base e mais mobilização nas ruas para organizar a luta contra os ataques.

A direita avança quando radicaliza, enquanto as ideias de esquerda caem na vala comum do antipetismo, porque parte da esquerda segue recuando tanto nos projetos, quanto nas formas de ação. Quanto mais domesticada a esquerda, mais cresce a direita. Os chamados “mutirões” das eleições 2018 não se transformaram em modelos de repertório de trabalho de base. Nem a indignação diante dos ataques se tornou organização de rua para enfrentar publicamente o projeto das elites. Logo após o dia 14 de Junho, o que temos visto é a continuidade de velhas táticas: uso de atos públicos como palanque para políticos profissionais em cima de verdadeiros trios elétricos, manobras de burocracias sindicais para manutenção de espaços de poder e decisão, canalização da luta para conchavos em gabinetes parlamentares e atos pífios em aeroportos diante de parlamentares em viagem.

A pauta em defesa do ex-presidente Lula não é uma pauta por justiça, mas sim uma palavra de ordem e uma tentativa de retomada de um pacto entre classes e instituições que já não é sequer possível. As centrais recuaram na tática da greve geral chamando apenas um dia de mobilização nacional para 12 de Julho. É nítido que a pauta ‘Lula Livre’ pós Vaza-Jato influenciou ainda mais neste recuo em relação à luta nas ruas (principalmente da CUT) e vem substituindo a da Greve Geral em grande parte da esquerda institucional.

Desde uma perspectiva libertária, defendemos que é nas ruas que a luta popular constrói resistência e não nas negociações com deputados ou na aposta de que um ‘grande líder’ quando liberto salvará a ‘Pátria’. A perspectiva que se apresenta é de uma luta prolongada de resistência. São muitos os ataques aos direitos e ao patrimônio público dos brasileiros. E o ajuste que Paulo Guedes executa já tem seus efeitos: o alto desemprego e a inflação eleva o custo de vida e este corrói ainda mais a renda dos mais pobres. Tudo está muito caro: comida, transporte, remédios. A carestia de vida é uma pauta muito sensível para a população e merece melhor atenção e desenvolvimento em nossa propaganda. Enquanto isso banqueiros e grandes empresários não param de enriquecer com a ‘crise’. Crise para quem? Para os de baixo, claro.

É por isso que a nossa luta para ser sólida depende muito da mobilização e trabalho de base no cotidiano dos lugares onde estamos inseridos: em nosso local de estudo, trabalho e moradia. Somente construindo e fortalecendo ferramentas coletivas de luta é que resistiremos e teremos condições de disputar o imaginário e o sentido dos acontecimentos, apontando nossos reais inimigos do andar de cima. Construir e mobilizar pelas bases, nos territórios, nas entidades e movimentos sociais que fazemos parte. Sem terceirizar a luta para ninguém. Sem ficar numa posição de espectador esperando novos ‘escândalos’ no governo ou ‘benesses’ na negociação com políticos por uma reforma “menos pior”. O que muda a realidade é atuar nela com luta e organização. Seguir no trabalho de base e fortalecer a luta nas ruas é a tarefa que temos.

NOSSOS DIREITOS NÃO SE NEGOCIAM!

ABAIXO O PACOTE RACISTA E GENOCIDA DE SÉRGIO MORO!

A LUTA SE DECIDE PELA BASE E NAS RUAS E NÃO NOS GABINETES OU EM CIMA DO CARRO DE SOM!

DEFENDER NAS RUAS NOSSA APOSENTADORIA, A EDUCAÇÃO PÚBLICA E CONDIÇÕES DIGNAS DE VIDA!

LUIS RISE PRESENTE! SEU EXEMPLO CONTINUARÁ VIVO!

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No dia 06 de julho de 2019, perdemos um grande companheiro militante.

Luis Rise, militante social, anarquista, trabalhador, economista, participou intensamente das lutas sociais em Curitiba e Região Metropolitana nos últimos anos, tendo sido um exemplo de disposição, esforço e determinação.

Formou-se em Economia na Universidade Federal do Paraná (UFPR), foi militante do Coletivo Quebrando Muros – tendência libertária estudantil que atua no Paraná – e participou intensamente das lutas estudantis no período em que esteve na universidade.

Além disso, participou ativamente da A Outra Campanha – PR especialmente durante as Ocupações de Escolas e Universidades em 2016 que ocorreram em Curitiba e Região Metropolitana, contribuindo para a expansão da campanha e com as atividades de solidariedade e formação nas ocupações. Nesse intenso período de lutas, destacou-se pelo seu companheirismo, compromisso e engajamento na construção de um mundo novo, livre de exploração e baseado no apoio mútuo.

Também participava e divulgava as atividades do Coletivo Anarquista Luta de Classe e da Coordenação Anarquista Brasileira, de acordo com as suas possibilidades.

Luis, seu exemplo continuará vivo nos nossos trabalhos sociais, nos atos, naquele “trabalho de formiguinha” diário e em todos os espaços que promovermos.

A luta por uma sociedade justa e igualitária vai continuar e você continuará sendo uma de nossas inspirações.

Que a terra lhe seja leve, companheiro.

LUIS RISE PRESENTE! HOJE E SEMPRE!

OPINIÃO ANARQUISTA #9: É tempo de greve unificada no Paraná!

Novo Opinião Anarquista do Coletivo Anarquista Luta de Classe sobre a resistência do funcionalismo público no estado do Paraná.



O governo ataca as trabalhadoras e trabalhadores!

Durante sua campanha, Ratinho Jr. disse que as trabalhadoras e trabalhadores do funcionalismo público  precisavam ser respeitados e valorizados. Muitos servidores e servidoras votaram nele confiando suas expectativas de melhora de vida no discurso mentiroso do candidato que se tornou governador do Paraná.  Agora, no primeiro semestre de seu governo, ele diz não haver dinheiro para pagar o que o Estado deve aos servidores, ou seja, a reposição salarial (data-base) das perdas com a inflação dos últimos 4 anos,  algo previsto em lei. Nesse período, o custo de vida subiu e o salário das servidoras e servidores ficou reduzido em 17,2%, o que equivale a trabalhar dois meses em um ano e não receber nenhum centavo.  Essa medida atinge 175 mil servidores da ativa e 122 mil aposentados.

A desculpa do governo, de que “falta dinheiro”, é uma grande mentira: estudos comprovam que o gasto com o funcionalismo público é o menor em 10 anos, além de que, por conta do aumento das tarifas públicas, o Estado do Paraná arrecadou 2 bilhões de reais no último ano. O discurso de Ratinho Jr. faz coro com o de Bolsonaro, no sentido de desvalorizar os trabalhadores do serviço público, apostando nas privatizações e na precarização dos serviços públicos prestados a população.

Além de tudo isso, o governo de Ratinho Jr. também não quer respeitar o direito de greve, propondo o corte do ponto para as trabalhadoras e trabalhadores que paralisem suas atividades, bem como já vem punindo servidores que tem se ausentado do trabalho para tratamentos de saúde, por exemplo.

Contra a Reforma da Previdência e por uma vida digna!

Além da pauta da data-base, as servidoras e servidores lutam contra o projeto de reforma da previdência apresentado pelo governo Bolsonaro, que basicamente retira do patrão e do governo a obrigação de contribuirem para o sistema previdenciário. Neste modelo em que cada pessoa é responsável pela sua aposentadoria, quem ganha são os banqueiros e os grandes empresários. Como aqueles e aquelas que estão recebendo um salário mínimo ou menos por mês e/ou que se encontram em situação de doença ou de desemprego, como poderão contribuir para a previdência se estão imersos na carestia de vida? Sabemos que o resultado será ainda mais miséria para o povo pobre e trabalhador.

Outra importante pauta é da saúde, da humanização da perícia médica e de melhores condições para o exercício do trabalho. O adoecimento é crescente:  transtornos mentais e comportamentais, alterações do sono, ansiedade, depressão e as doenças relacionadas ao trabalho, são cada vez mais comuns. Isso tudo acrescentado às perseguições políticas, ao assédio moral, à desvalorização salarial e da carreira, à sobrecarga de trabalho e o discurso de desvalorização do funcionário público promovido pelos de cima, tem aumenta o número afastamentos e desvios de função de cargo, como também o de suicídios entre profissionais da educação e da saúde, por exemplo..

Cada categoria tem suas pauta específicas de reivindicações. No caso da Educação, a luta também se estende contra a redução da hora-atividade; contra o aumento da jornada de trabalho; pelo cumprimento da lei do piso salarial que no Paraná está entorno de 1.982 reais, abaixo do valor nacional que é de 2.557 reais; contra o intervencionismo pedagógico nas escolas (tutorias, Prova Paraná, controle de frequência dos estudantes, pressão por resultados, Escola Segura entre outros); por concursos públicos; pela manutenção do processo de seleção de professores PSS, entre outras.

A saída vem pela base, com Ação Direta e Solidariedade de Classe!

Nós anarquistas sabemos que os interesses dos governos são os de servir ao mercado,  que é quem verdadeiramente elege, dá e retira poder dos políticos. São interesses opostos aos dos trabalhadores, trabalhadoras, desempregados e todos aqueles que sofrem na pela os sofrimentos causados pelo capitalismo. Acreditar que Ratinho Jr., aliado de grandes empresários e latifundiários, poderia fazer algo diferente é no mínimo uma grande ingenuidade.

Grande parte das estratégias das direções sindicais frente a esse cenário não tem surtido efeito, apostando as fichas em terceirizar a luta dos trabalhadores para deputados e para o jogo do poder judiciário. A estrutura hierarquizada e burocratizada das direções sindicais, bem como os interesses partidários e eleitorais que estão presentes em suas ações, tem afastado muitos trabalhadores e trabalhadoras dos espaços do sindicato, que vem com desconfiança a luta sindical sejam em campanhas para a melhoria das condições de trabalho, para paralisações ou greves

Só a luta radicalizada pode barrar a ação dos poderosos! Apenas conversas com políticos  não trarão os devidos ganhos à classe trabalhadora. Queremos um sindicalismo combativo, independente de partidos e do personalismo político, com nossas entidades sendo valorizadas por sua história de luta e resistência. Precisamos nos fortalecer em nossos espaços de trabalho e ter o sindicato mais presente em nossas vidas , pois é fundamental estarmos unidos e fortes enquanto classe para defendermos nossos direitos.  A saída vem das bases, da organização de trabalhadoras e trabalhadores na construção de um sindicalismo baseado na solidariedade, na ação direta, na independência de classe e no protagonismo daqueles e daquelas que lutam dia após dia por melhores condições de trabalho e por uma vida digna.

Construir a Greve Geral Unificada desde a base!
Por condições dignas de trabalho e pela reposição salarial!
Avançar as greves e piquetes com sindicalismo de ação direta!

[CAB] CONSTRUIR A GREVE GERAL PELAS BASES! DIA 14 DE JUNHO É O POVO FORTE CONTRA A REFORMA DA PREVIDÊNCIA! LUTAR E DEFENDER A NOSSA APOSENTADORIA E DIGNIDADE DE VIDA NAS RUAS!

Toda a força na construção da Greve Geral! 
Desde o início de seu governo sabemos que a principal missão de Jair Bolsonaro é a aprovação de uma duríssima reforma da previdência para completar o pacote de ataques à classe trabalhadora e deixar o caminho dos banqueiros livre para manter seus lucros através da máxima exploração. 
 
Em 5 meses, Jair Bolsonaro cercado de polêmicas e ataques aos direitos sociais, avança com seu plano de destruição e leva o país para uma recessão econômica e colapso social. A Reforma da Previdência é capitaneada pelo “Chicago Boy” Paulo Guedes, que aplicou o mesmo plano no Chile, levando aposentados a se suicidarem por não terem mais dinheiro para sobreviver após a aposentadoria. Hoje o povo chileno vai às ruas lutar para reverter essa política. Agora Guedes quer matar o povo brasileiro, pois o capitalismo não precisa do excedente de pobres. Com as novas regras ninguém vai conseguir se aposentar, seja por tempo de contribuição ou pela idade mínima. É uma reforma da previdência perversa e cruel, pois quando o trabalhador precisar do SUS, auxílio doença, e outros direitos sociais, não vai ter com este novo modelo. Ou seja, o governo Bolsonaro não tem somente um projeto de destruição, como ele mesmo disse, mas projeto de morte. 
 
É a mesma politica que está por trás dos cortes na educação e neste projeto de reforma da previdência. Uma política de capitalização de direitos sociais como a educação pública e a aposentadoria. É pegar o dinheiro público da educação e da previdência e colocar na mão de investidores e banqueiros, para aplicarem no mercado financeiro e ficarem mais ricos. Ampliar o lucro de instituições financeiras que vão gerir essa previdência privada. Reduzir o valor que as empresas pagam para financiar a aposentadoria dos trabalhadores. Com os cortes na educação, querem estimular a maior entrada do capital privado nas universidades públicas e nas pesquisas, gerando mais exclusão e elitização na educação. Além disso tudo, com estas políticas ultraliberais o governo quer liberar mais recursos e garantir o pagamento da dívida pública, que é o grande assalto ao país que todos os governos são cúmplices. Bolsonaro quer arrancar um trilhão de reais dos pobres e da classe trabalhadora para pagar a crise gerada pelo capitalismo. Mas os juros da dívida pública devora 40,66% do orçamento federal (mais de 1 trilhão de reais). Bolsonaro é o lobo querendo se disfarçar de cordeiro, é a mesma política de sempre que não tem nada de novo e tira o sangue do povo para os capitalistas, agiotas, investidores e banqueiros ficarem cada vez mais ricos.   
 
   Além da destruição da aposentadoria das classes populares, Bolsonaro, Mourão e companhia impulsionam uma cultura de violência contra a comunidade LGBT, a população negra e periférica, mulheres, indígenas, quilombolas e qualquer voz que se levante contra seu projeto de extrema-direita, onde se inclui o pacote anti-crime de Moro que nada mais é do que mais criminalização, cadeia e morte para a população negra e pobre. A cada dia avança a destruição do meio-ambiente para o aumento dos lucros do agronegócio com a exploração e esgotamento dos recursos naturais e morte dos povos originários. O desemprego atinge números alarmantes, promovendo mais sofrimento às famílias.  A educação e a pesquisa estão sendo sucateadas por cortes de verbas que trarão um caos ainda maior à educação pública e ao futuro do país. 
 
BASTA! MOBILIZAÇÃO TOTAL NA CONSTRUÇÃO DA GREVE GERAL! 
 
Após milhares de pessoas terem ido às ruas no mês de maio em defesa da educação e contra a reforma da previdência, é hora de barrarmos todos esses ataques às nossas condições de vida! A aprovação da reforma da previdência representa o fortalecimento desse governo para os ricos e o avanço da  retirada de direitos da população. É preciso radicalizar a luta e organizar a Greve Geral do dia 14 de junho em cada local de trabalho, de estudo e moradia. Nesses dias que antecedem é necessário tomarmos os terminais de ônibus, estações de trem, escolas e universidades, nossos bairros, os locais de trabalho etc, com panfletagens, reuniões, assembleias e agitação, chamando a nossa classe à mobilização! Luta e organização pela base criando em cada zona, município ou região, territórios de resistência e solidariedade!
 
Por outro lado o reformismo cumpre seu papel histórico de esfriar e canalizar a indignação popular pela via parlamentar. Chega de peleguismo, a conciliação de classes com o capital nunca foi e não será a saída para esta conjuntura. Pois o grande legado da esquerda reformista foi a  desmobilização dos movimentos populares e a pavimentação de um caminho para o ultraliberalismo de Bolsonaro vir destruindo os direitos sociais e atacar o povo pobre, negro, LGBTs, indígenas, mulheres, quilombolas, sem-terras e pequenos agricultores. É preciso construir poder popular nas escolas, bairros, comunidades, no trabalho, com participação do povo nos rumos dos processos de organização das lutas. Chega de pautas partidárias atropelando a organização social, visando somente as eleições e a garantia de deputadas nas bancadas parlamentares.
 
A luta é árdua, não começou agora e nem terminará no dia 14 de junho. É preciso se organizar e trazer o povo para debater e participar no dia a dia. Encontrar soluções e alternativas ao capitalismo com independência e autonomia política em relação aos governos e aos partidos eleitoreiros. Construir ferramentas de mobilização social, política e econômica populares e dotadas de poder popular. Vamos parar o país para barrar de vez os interesses do mercado, do imperialismo norte americano e dos inimigos do povo!
 
A Greve Geral é um instrumento histórico de luta das e dos trabalhadores, é uma ferramenta de força coletiva extremamente necessária para fazer frente aos ataques de governos e patrões. É com ação direta organizada – greve, marcha, trancaço, piquete e ocupação – que o conjunto da classe oprimida responde aos desmandos dos de cima!
 
                                   
SEM NEGOCIAÇÃO DE NOSSOS DIREITOS!
 
ABAIXO O PACOTE DE MORO DE CRIMINALIZAÇÃO, CADEIA E MORTE PARA O POVO NEGRO!
 
A LUTA SE DECIDE NAS RUAS E NÃO EM CIMA DO CARRO DE SOM! 
 
PARAR O BRASIL E BARRAR TOTALMENTE A REFORMA DA PREVIDÊNCIA! 
        
TODA FORÇA NA GREVE GERAL DO DIA 14 DE JUNHO!!
        
DEFENDER NAS RUAS A NOSSA APOSENTADORIA, EDUCAÇÃO PÚBLICA E DIGNIDADE DE VIDA!
        
DESDE A BASE, COM LUTA POPULAR E SOLIDARIEDADE DE CLASSE!

[CURITIBA] 3º Encontro do CEL – Anarquismo, Gênero, Sexualidade e Feminismo.

Anarquismo, Gênero, Sexualidade e Feminismo

Na terça-feira, 28 de maio, o CALC articulará seu grupo de estudos em Curitiba. Faremos o CEL no Prédio Histórico da Universidade Federal do Paraná, às 19:00, na sala 205 da Psicologia.

Assim como em outros anos, estaremos nos encontrando na última terça-feira de cada mês, discutindo vários temas relevantes para os movimentos sociais, para a esquerda e para o anarquismo. Neste encontro do CEL iremos debater a luta das mulheres e o anarquismo. Para isso discutiremos a intersecção entre gênero, raça e classe e a importância de os movimentos sociais defenderem pautas feministas e não reproduzirem qualquer tipo de opressão.

  • Não há Socialismo sem Feminismo! – Coletivo Quebrando Muros
  • O legado da escravatura: bases para uma nova natureza feminina – Capítulo I de Mulher, Raça e Classe – Angela Davis
  • Recusando Esperar: Anarquismo e Interseccionalidade – Deric Shannon e J. Rogue

Baixe aqui: CEL VI

Link para o evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/358449071695461/

Venha participar!

[CAB] 15 DE MAIO: POVO NA LUTA EM DEFESA DA EDUCAÇÃO E CONTRA A REFORMA DA PREVIDÊNCIA

O avanço do neoliberalismo atrelado ao imperialismo norte-americano operam na América Latina uma violenta conjuntura de saque das nossas riquezas, devastação ambiental, retirada de direitos conquistados pela luta popular e extrema precarização da vida do nosso povo. No Brasil, o governo neoliberal e de extrema-direita de Bolsonaro protagoniza com rapidez avassaladora esse processo. E nesse quadro grave a educação, a ciência e a cultura estão na mira dos poderosos.

Um projeto das elites e do governo para destruir a educação

Não se pode esquecer, contudo, que esse projeto de desmonte da educação não começou ontem. Governo federal, estados e municípios em sucessivos governos operaram medidas que precarizam e cada dia mais inviabilizam cada vez mais a educação pública e de qualidade para o nosso povo. Nesse percurso, o conjunto de ataques que enfrentamos é enorme. Medidas como a falta de investimento e cortes orçamentários, fechamento de escolas, fragilização das relações de trabalho e perseguição aos trabalhadores da educação, reformas curriculares e projetos autoritários e ideológicos como o Escola sem Partido.

O Escola sem Partido esconde por trás de sua máscara um projeto ideológico que tem como objetivos acabar com o ensino crítico e a autonomia, censurar e perseguir educadores e promover o revisionismo histórico para defender a versão dos poderosos. As diretrizes da Reforma do Ensino Médio e da nova BNCC nos arrancam a possibilidade de ampliar repertórios culturais e restringem o acesso a disciplinas fundamentais para a formação de um pensamento crítico. Numa lógica nítida de flexibilização dos conteúdos ao mínimo para a formação de mão de obra barata ao mercado. O combate e difamação da discussão de gênero e sexualidade é a tentativa de moralização do ensino pelos interesses religiosos, negando a diversidade e contribuindo para a manutenção da violência sexista e homofóbica. A massificação do ensino à distância também vai nessa lógica, buscando atingir o máximo de alunos de forma barata e desqualificada, além de esvaziar o sentido do professor e da coletividade da sala de aula. Inclui-se aí também a ampliação do investimento nas empresas privadas de educação privada, a militarização de escolas educação e a aposta no ensino domiciliar, entre outras medidas.

O sistema federal de educação, por exemplo, sofre perdas orçamentárias através de contingenciamentos desde 2014, ainda durante o governo petista de Dilma Rousseff que, ironicamente, adotou o lema “Pátria Educadora”. Michel Temer avançou com o desmonte, reduzindo o orçamento a partir de 2017. Com os limites impostos pela PEC 95/2016, que estabelece o chamado teto dos gastos e congela por 20 anos os investimentos em áreas como saúde, assistência social e educação, o acesso do nosso povo aos direitos mais básicos já está inviabilizado.

O governo Bolsonaro, que tem a educação como um de seus principais inimigos, anunciou recentemente o bloqueio de muitos milhões de reais do orçamento, já reduzido, da educação, que atingindo  do ensino básico  ao  superior. Junto com isso, vem um ataque à autonomia universitária, à liberdade de cátedra, à organização dos trabalhadores e trabalhadoras da educação e dos estudantes. Cortes de bolsas e de verbas para a pesquisa, criação de uma imagem do professor como “inimigo” e perseguição aos servidores públicos, ameaças de fechamento de cursos que “não produzem” e uma cruzada contra as ciências humanas.

O governo declarou guerra às instituições públicas de ensino, e tanta desqualificá-las com Fake News, outras formas de mentiras. Buscam com isso convencer a população a apoiar seu projeto perverso de precarizar para privatizar a educação, acabando também com os espaços de crítica e resistência.

Essas medidas têm continuidade no que foi feito nos governos anteriores, mas se articulam num projeto político ideológico de extrema-direita junto a chantagem neoliberal mais aprofundado

Não há dúvidas que um grande desafio desse desgoverno para se sustentar é o roubo da nossa aposentadoria com a aprovação da Reforma da Previdência. Não à toa, o governo tem dito com todas as letras e sem nenhuma vergonha na cara que o “bloqueio” do orçamento da educação pode ser revertido se a reforma for aprovada. A corja do andar de cima, uma elite de capitalistas proprietários, banqueiros, juízes, milicos e políticos quer aprofundar a captura do orçamento público via dívida pública e reformas, cortando na carne do povo pra manter essa farra.

Defender a educação e a previdência social nas ruas

Se os ataques são muitos, também é grande nossa resistência, com a juventude que resistiu nas ocupações, as trabalhadoras e trabalhadores que construíram tantas greves, manifestações, piquetes. Agora é hora de endurecer essa luta. É preciso defender creches, escolas e universidades públicas, pois na educação do povo não se mexe, a educação do povo não se vende. A educação consiste de práticas de liberdade. Nos amplia consciências, nos dá sentidos de coletividade e solidariedade. É contra isso que os de cima lutam.

A estudantada está na linha de frente e já aponta o caminho. Grandes mobilizações e assembleias estão ocorrendo por todo país. Temos também o desafio de mobilizar o sindicalismo, romper as velhas burocracias e fórmulas reformistas. Não é com abaixo assinado para deputados nem com atos burocratizados e inofensivos ao governo que se vence essa luta. É COM POVO NA RUA!

É o momento de romper com o desalento que não constrói alternativas a nossa exploração. A precarização das escolas e da carreira docente produz um sentimento de isolamento e enfraquecimento, incapazes de combater os ataques e cortes sentidos. Porém, cada colega deve ser ponto de apoio e fortalecimento para resistir, ampliando o debate e construindo adesão desde os locais de inserção, fortalecendo desde a base a luta popular e a mobilização.

É com punho cerrado, construindo unidade nas comunidades escolares e acadêmicas, em favor da Educação Pública, da produção científica e da autonomia das instituições de ensinos, que se cria motor para impulsionar o enfrentamento às politicas de desmantelamento da Educação.

Nesse 15 de Maio, as organizações da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB) somam-se à luta das e dos estudantes e das trabalhadoras e trabalhadores da educação por todo país. Todo o povo na rua defendendo a educação pública e popular e defendendo a nossa aposentadoria. A greve da educação aponta caminho pro 14 de Junho, da GREVE GERAL contra a Reforma da Previdência.

POR UMA EDUCAÇÃO PÚBLICA, POPULAR E DEMOCRÁTICA!

POR UMA GREVE GERAL DESDE A BASE, EM DEFESA DA EDUCAÇÃO E CONTRA O FIM DA APOSENTADORIA!

[CAB] O 1º de Maio e a Luta contra a Reforma da Previdência: Construir uma Greve Geral desde a base para defender nas ruas a nossa aposentadoria!

O ajuste neoliberal no Brasil e na América Latina avança. Direitos históricos da classe trabalhadora e conquistas das lutas sociais estão sendo ou foram destruídos. Começou com o florestal. Avançou sobre o trabalhista. Desmantelou o minerário. Mexeu com o civil e agora quer acabar com o sistema de seguridade social. Este é composto por tripé: saúde, previdência e assistência social. Juntos eles garantem minimamente mecanismos de divisão de renda e pequenos avanços na justiça social tão cara neste continente. Foi produto de acumulo de lutas de nossa classe que começou com o sindicalismo revolucionário no início do século XX se estendeu por todo esse século. O pacto de classes da constituição de 88 absorveu parte das demandas acumuladas e arrebentadas pelo calor das lutas do movimento sindical e popular, mas por outro lado reservou a espada da exceção para cravar nos setores negros e populares que nunca tiveram lugar na democracia burguesa.
 
No ano que se completam 134 anos do martírio dos trabalhadores em Chicago nos EUA pela jornada de 08 horas, o Governo Bolsonaro “presenteia” o mundo do trabalho no Brasil com a reforma da previdência. A PEC 06/2019 é um pacote de maldades que altera a idade mínima para a aposentadoria (de 65 anos para os homens e 62 anos para as mulheres), atinge a contribuição rural (aumenta de 55 anos para 60 anos a idade mínima para as trabalhadoras rurais e estipula 600 reais de pagamento, ou seja, abaixo do salário mínimo). Isso tudo sem a devida correção pelos índices inflacionários e ataca frontalmente o regime de aposentadoria do setor público. Todas essas mudanças significam a morte da seguridade social para o povo e lucros ainda maiores para as elites corruptas do país.
 
Isso trás consequências dramáticas para o conjunto da classe trabalhadora. Aumenta ainda mais a precarização do trabalho de homens e mulheres. Privatiza o direito público da aposentadoria transferindo a contribuição para uma conta individual administrada por um banco privado. Esta instituição financeira, por sua vez, cobrará taxas e juros exorbitantes e usará nosso dinheiro para investimentos não consentidos. Isto é muito perigoso e trará uma quebradeira geral para todo o sistema de seguridade do país como aconteceu no Chile. Essa proposta de capitalização engorda ainda mais o lucro dos banqueiros, alarga a esfera privada diminuindo nossa capacidade de gestão e controle sobre nossa própria aposentadoria.
 
Reivindicamos a memória classista e combativa do 1º de maio como inspiração para a luta que se apresenta, chamando o conjunto da esquerda revolucionária para a construção de uma grande greve geral. Desde a base, combatendo a burocratização sindical, apontando a necessidade de construção de comitês contra a reforma da previdência nos locais de trabalho, de moradia, nas escolas e universidade e no campo brasileiro.
 
Para o dia 15 de maio já está convocado o dia da Greve Nacional da Educação, onde a Coordenação Anarquista Brasileira – CAB se somará ombro a ombro ao conjunto dos trabalhadores e trabalhadoras da educação, num dia de luta e resistência contra a reforma da previdência, em defesa da educação pública, popular e democrática, rechaçando qualquer perspectiva nefasta de sua militarização. 
 
Imbuídos pelo exemplo e memória dos trabalhadores anarquistas enforcados em Chicago a CAB condena qualquer ação que venha transformar o 1º de maio num dia de festas com shows de artistas. Entendemos que essas datas (01 de maio e 15 de maio) devem servir de acúmulo de mobilizações que nos levem a greve geral para derrotar o Governo Bolsonaro, suas forças proto-fascistas e manter o nosso direito a previdência e seguridade social. Nossa luta deve ter um duplo sentido nestes dias: potencializar a força das ruas com mobilizações de massa para derrotar a sanha do capital em meter as mãos em nossa previdência e ao mesmo denunciar os setores pelegos e burocráticos do sindicalismo institucional (CUT, CTB, Força Sindical.)
    
CONTRA A REFORMA DA PREVIDÊNCIA E O DESMONTE DA SEGURIDADE SOCIAL!
DO LUTO À LUTA: POR UM 1º DE MAIO CLASSISTA E COMBATIVO!
POR UMA GRANDE GREVE GERAL DESDE A BASE PARA DERROTAR O CAPITAL, OS FASCISTAS E O GOVERNO BOLSONARO!
 
COORDENAÇÃO ANARQUISTA BRASILEIRA – CAB

[CAB] CONTRA A REFORMA DA PREVIDÊNCIA, ORGANIZAR A LUTA DESDE A BASE COM AÇÃO DIRETA POPULAR E SOLIDARIEDADE DE CLASSE!

No dia 20 de fevereiro de 2019, após meses de especulação do mercado financeiro, chantagem dos grandes empresários e publicidade pesada da mídia corporativista, o governo Bolsonaro entregou na Câmara dos Deputados a tão cobiçada Reforma da Previdência. Finalmente a classe trabalhadora brasileira conheceu qual será o tamanho do ataque que vem pela frente através da caneta dos de cima. 
Como já era previsível, o projeto de Paulo Guedes é ainda mais duro do que o apresentado por Temer. Essa reforma significa mais retirada de direitos de trabalhadoras e trabalhadores.
 
Dentre os pontos mais críticos da proposta do governo Bolsonaro, está o aumento da idade para a aposentadoria. Para ter acesso ao benefício, as idades mínimas passarão a ser de 65 anos para os homens e 62 para mulheres. O tempo mínimo de contribuição também aumentará de 15 para 20 anos, e para receber o valor integral da aposentadoria, o trabalhador terá que contribuir por 40 anos! Um tempo escravizante para a realidade do emprego no Brasil. Aliada à Reforma Trabalhista e seu decorrente aumento do trabalho informal, intermitente, pejotização etc, a Reforma da Previdência irá significar que contribuiremos a vida inteira e não receberemos nada dessa contribuição. Calcula-se que o(a) brasileiro(a) levaria 53 anos a partir da entrada no mercado de trabalho para poder se aposentar com 100% do valor do benefício, praticamente a destruição da Previdência pública.
 
O acesso à aposentadoria pelas mulheres será ainda mais difícil. A combinação entre a idade e o tempo de contribuição ficou mais dura. A estrutura machista da sociedade faz com que o tempo de contribuição seja mais curto, já que o desemprego é maior e muitas mulheres com filhos(as) sequer são contratadas em algumas empresas. E como os salários das mulheres são mais baixos em relação ao dos homens – ainda menores para as mulheres negras – o valor final da aposentadoria também vai ser menor.
 
Outro ponto é o “gatilho automático”, que determina que sempre que aumentar o índice estipulado pelo governo para medir a expectativa de vida, automaticamente aumenta o tempo para a aposentadoria. Bolsonaro e as classes dominantes querem impor aos trabalhadores o pagamento da “crise” para a manutenção de seus lucros e de seu poder, em mais uma medida que amplia o avanço nefasto do Estado Policial de Ajuste, oprimindo, explorando e precarizando ainda mais a vida do trabalhador.
 
QUAL O PANO DE FUNDO DESSA REFORMA? QUEM GANHA SÃO OS BANCOS!
 
O governo diz que essa reforma é necessária para o país crescer e reduzir os déficits das contas públicas. Conversa fiada! Essa reforma beneficia somente os bancos e grandes empresários. Ela significa na realidade menos direitos e mais miséria para as trabalhadoras e  trabalhadores brasileiros.
 
Além de ferir de morte a aposentadoria pública, a proposta abre caminho para o mercado financeiro. Com uma aposentadoria mais difícil de ser acessada e com valores mais baixos do benefício, deve crescer o mercado da previdência privada. Cumprindo assim a agenda neoliberal que, para garantir mais lucros aos bancos, prega a redução dos gastos sociais do Estado. Receituário que impôs enormes retrocessos, como a Reforma Trabalhista, a terceirização irrestrita e a Emenda Constitucional 95 — que congela por 20 anos os investimentos públicos. A Reforma da Previdência, que Temer não conseguiu aprovar, é o que faltava nesse pacote de ataques do capital financeiro.
 
Se é boa para os bancos, ela é péssima para o trabalhador! Paulo Guedes e Bolsonaro pretendem criar para a Previdência um regime de capitalização privatizado, em que cada trabalhador recolhe para a própria aposentadoria  a exemplo do que foi implantado na sangrenta ditadura militar de Pinochet, no Chile. Sob a doutrina da Escola de Chicago (seguida por Guedes), o país latinoamericano entregou a gestão das aposentadorias para entidades privadas. O resultado foi péssimo para o povo: mais de 90% dos beneficiados recebem pouco mais da metade do salário mínimo chileno. Às bordas da miséria, a taxa de suicídio de idosos tem crescido a cada ano: entre 2010 e 2015, 936 chilenos com mais de 70 anos tiraram suas próprias vidas. Desastre para trabalhadoras e trabalhadores, lucro para empresários. As Administradoras dos Fundos de Pensão, formada por multinacionais (inclusive o banco BTG Pactual, fundado por Paulo Guedes), ano a ano fecham suas contas com enormes taxas de lucros. Em 2018, elas somaram mais de 450 milhões de dólares em lucros, o equivalente a mais de R$ 1,7 bilhão. Importante lembrar que, nesse modelo, os empregadores e o governo não fazem contribuições. Nos últimos anos, a população vem pressionando para que o país volte a adotar o sistema solidário, que é o modelo brasileiro atual.
 
O TRABALHADOR NÃO VAI PAGAR ESSA CONTA!
 
Os  empresários e governos argumentam que a Reforma da Previdência é urgente por conta de um déficit, cujos cálculos utilizados são no mínimo questionáveis. Por exemplo, quando falam em déficit não mencionam o desvio dos recursos da Previdência e da Seguridade Social feitos por todos os governos, através sobretudo da chamada DRU (Desvinculação das Receitas da União). Esse mecanismo permite ao governo tirar recursos da Seguridade Social (formada por Previdência, Saúde e Assistência Social) para usar em outras áreas que achar necessário. Desde Temer, o percentual permitido passou de 20% para 30%. Claramente uma forma de retirar verbas dos direitos sociais para pagar os juros da dívida pública. Além do calote de grandes empresas, que não pagam o que devem à Previdência. São quase R$ 500 bilhões de dívidas de empresas com o INSS. Não somos nós que devemos pagar essa conta!
 
Mesmo a inclusão na reforma de setores como os militares, políticos e a alta burocracia do funcionalismo público não justifica a proposta, já que quem tem salários maiores tem condições de poupar para a aposentadoria. Essa manobra não passa de um disfarce para tentar ganhar apoio do povo, mas o fato é que a aposentadoria dos mais pobres vai ser ainda mais precária.
 
CONSEQUÊNCIAS DA REFORMA
 
Caso seja aprovada, essa reforma vai gerar ainda mais pobreza e jogar na miséria grandes contingentes da população mais pobre. Com o desmonte do SUS e de outros serviços públicos como a Educação, vai crescer o trabalho informal e o desemprego, além de dificuldades dos mais jovens para entrar no mercado de trabalho. A criação da carteira verde e amarela, que prevê menos direitos trabalhistas, é outra punhalada na Previdência, o que somado com os outros fatores, vai quebrar de vez o sistema.
 
O pacote traz ainda mais maldades, como o pagamento de um salário mínimo a idosos pobres somente a partir dos 70 anos, redução de até 40% no benefício de quem ficar incapacitado, e o fim da multa de 40% do FGTS para aposentados que estejam trabalhando, e sejam demitidos. Professoras(es) e trabalhadoras(es) rurais terão que trabalhar ainda mais, sendo essas algumas das consequências dessa proposta nefasta que começa a ser discutida no Congresso.
 
ORGANIZAR A LUTA DESDE A BASE!
 
Enfraquecidas economicamente e há muito tempo acostumadas com reuniões de gabinete, as grandes centrais sindicais ainda apostam nas negociações no Congresso e na desarticulação do governo com as bancadas na Câmara. Ainda estão distantes de começarem a construção de uma dia nacional de paralisação.
 
Agonizando, o sindicalismo tradicional burocratizado é incapaz de mobilizar trabalhadoras e trabalhadores e acaba por repetir as mesmas fórmulas e repertórios de ação, com dirigentes discursando em cima de carros de som, o que tem sido incapaz de construir uma luta popular de resistência contra os ataques dos governos e patrões.
 
É necessário criar uma forte campanha de luta contra a Reforma da Previdência, com um repertório de ações que vá além dos discursos das centrais. A história mostra que nossos direitos foram conquistados a defendidos pela luta popular, nas ruas. Por isso, não dá para entregar a defesa de nossas aposentadorias às mãos dos políticos e seus conchavos. Não será o jogo de negociações no Congresso que vai barrar essa proposta. É a luta cotidiana nas ruas, nos locais de trabalho, de moradia e de estudo, com vistas à radicalização em uma Greve Geral, que vai mostrar a nossa força e sepultar a Reforma da Previdência.
 
 
DEFENDER NAS RUAS A NOSSA APOSENTADORIA!
 
DESDE A BASE, COM LUTA POPULAR E SOLIDARIEDADE DE CLASSE!
 
CONTRA A REFORMA DA PREVIDÊNCIA, CONSTRUIR UMA GREVE GERAL DE BASE!

[CAB] A VIDA DOS TRABALHADORES NÃO VALE NADA: TERRORISMO DO CAPITAL E DO ESTADO!

A Coordenação Anarquista Brasileira lamenta profundamente as centenas de trabalhadores e trabalhadoras mortos/as e feridos/as pelo rompimento e transbordamento de duas barragens de rejeitos da mina do Córrego do Feijão, pertencente a Vale, e se solidariza com todas e todos atingidos por mais esse crime absurdo.

Há três anos ocorria o maior crime ambiental no Brasil e um dos maiores do mundo ao longo de toda a história. O rompimento da Barragem de Mariana/MG além de perdas incalculáveis para a Natureza e para as culturas locais deixou, sem contar as perdas animais, 19 pessoas mortas. A empresa Samarco, controlada pelas mineradoras Vale e a BHP Billiton até hoje não pagaram nenhuma multa ou indenização e mesmo a reconstrução do vilarejo de Bento Rodrigues está praticamente parada. Tudo isso com a plena concordância do poder público, tendo à frente o prefeito de Mariana, Duarte Júnior (PPS), no governo do Estado de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT) e na Presidência da República, a também petista, Dilma Roussef.

Nenhuma multa ou indenização paga, nenhuma casa reconstruída, nenhuma reparação realizada. Subjugada e oprimida continua a classe trabalhadora ante a esse ato de terrorismo perpetrado num pacto aterrorizante entre o Estado Político e o Grande Capital. Desta vez, uma nova tragédia, ocorrida durante os governos de Jair Bolsonaro (PSL) e Romeu Zema (NOVO). O Presidente da República, por diversos momentos declarou os ativistas do Meio Ambiente como entraves ao desenvolvimento econômico e até mesmo dentro da lógica hipócrita do capitalismo, ameaçou sair do Acordo de Paris. Posteriormente acabou por recuar influenciado pelas perdas políticas e econômicas à burguesia e ao agronegócio, que tal ato proporcionaria. O governo mineiro não fica para trás em sua sanha destrutiva. Prometeu facilitar os licenciamentos ambientais e abrir a porteira para a exploração das mineradoras e do agronegócio – processo já iniciado no governo petista de Pimentel. Prometeu ainda combater com as armas que tiver, aquilo que chamou de um “dos maiores problemas enfrentados por MG”, os movimentos sociais. Por fim, declarou pleno apoio ao lacaio que ocupa presidência da república.

Mais um desastre anunciado e planejado pelo capital

Uma torrente de lama atingiu a área administrativa da companhia e uma vila residencial, bem como dezenas de casas próximas ao rio. Centenas de funcionários da empresa estão desaparecidos e a possibilidade de sobreviventes é dificílima, atingidos em plena hora do almoço em instalações inexplicavelmente construídas no caminho da lama. Pouco mais de três anos depois da tragédia humana e ambiental decorrente do rompimento da barragem do Fundão, em Mariana, o Estado de Minas Gerais e o país assistem perplexos a mais esse crime perpetrado por uma grande mineradora, envolvendo a Vale pela segunda vez. Não foram poucos os avisos feitos por movimentos populares, acadêmicos, engenheiros e ambientalistas desde 2015, para o risco permanente de mais de 400 barragens de rejeito de minério somente no Estado de Minas Gerais. O complexo de barragens ao redor da mina do Córrego do Feijão vem sendo alvo de denúncias de 2015, entretanto, o Conselho Estadual de Política Ambiental de MG aprovou a ampliação da mina no final do ano passado. Segundo a Agência Nacional das Águas, existem outras 45 barragens em situação crítica no Brasil, destas 5 se encontram em MG.

A barragem de Feijão, rompida no dia 25/01/2019, não estava na lista das barragens em condição de conservação mais crítica.
Nesse exato momento as cidades do Serro e Rio Acima são alvo de disputa. Na primeira uma nova mina, distante somente quatro quilômetros da cidade histórica ameaça todo o sistema hídrico da cidade, sem contar outras graves consequências. Na segunda, a instalação de nova barragem de contenção de rejeitos de mineração, tem capacidade dez vezes maior da barragem de Fundão, em Mariana. Rio Acima, diga-se de passagem é
responsável por grande parte da captação de água potável da região metropolitana de Belo Horizonte. Mais uma vez o Capital, ávido por lucros e sempre desprezando a vida, provoca outro desastre de proporções gigantescas, ceifando não apenas vidas humanas, mas arrasando terras cultivadas, criações de animais, moradias, rios que abastecem cidades e impactando o ambiente em centenas de quilômetros distante do local do acidente. Mais uma vez, o modelo agromineiro exportador, típico de países dependentes e periféricos do sistema capitalista como o nosso, se mostra insensível às necessidades da população indígena, camponesa e pobre. Duas tragédias que ocorrem em governos diferentes (PT e PSL). Demonstrando que a política de destruição dos recursos naturais e exploração do nosso país pelas multinacionais é uma política de Estado, não meramente de governo. Tendo relação, com a posição periférica do Brasil na economia capitalista.

Acusamos o Judiciário de cumplicidade criminosa com as grandes mineradoras. O desastre de Mariana, cujos réus são as mineradoras Samarco, Vale e BHP Billiton, vem se arrastando na Justiça Federal desde 2016. Relembramos que a antiga Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), estatal fundada em 1942, foi privatizada em maio de 1997 durante o governo FHC por 3,3 bilhões de dólares, quando somente suas reservas minerais eram calculadas em mais de 100 bilhões de dólares. Uma das alegações neoliberais para a entrega criminosa da CVRD era que a empresa estatal era incompetente e ineficiente… Desde então a Vale, controlada pelo capital financeiro nacional e estrangeiro, adota um modelo exportador agressivo, com venda de minério bruto sem nenhum beneficiamento; intensificação da produção voltada para o esgotamento acelerado das jazidas minerais, gerando um volume imenso de rejeitos, que entopem centenas de barragens mal construídas e pouco monitoradas. A Vale assim como outras grandes mineradoras atuantes no país, atropela a já frágil legislação trabalhista e exerce práticas antissindicais. Nesse tipo de modelo de economia financeirizada, os responsáveis (acionistas majoritários) dificilmente são punidos, pois estão protegidos pelos seus países capitalistas de origem e pelos labirintos criminosos do sistema de agiotagem internacional. O afrouxamento da legislação ambiental registrado nos últimos anos, e que deve aumentar ainda mais no atual governo como exigência do Capital, prevê novos desastres no futuro, cujas vítimas serão as de sempre. Todo esse detrito vazado irá para o Rio Paraopeba, de lá para a Usina de Furnas e dali para o Rio São Francisco. A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (COPASA), já interrompeu a captação de água que abastece parte da região metropolitana de Belo Horizonte. A Companhia Energética de Minas Gerais (CEMIG) está em estado de tensão absoluta dado que a Usina de Furnas, para onde toda a lama tóxica escorrerá é a principal geradora de energia elétrica para MG. Com lama as turbinas não podem funcionar. O cenário de caos em Minas Gerais é eminente.

O cenário, portanto, é terrível e corrobora para que a crítica anarquista elaborada desde há 150 anos passados seja ainda completamente atual. O Estado é somente a outra face do Capitalismo e sua sanha anti-humana de destruição e dominação.
Não interessam nem as pessoas que ocupam a direção de Estado, nem tampouco o partido. A podridão está na estrutura perversa dessa moeda única com duas faces horríveis, Capitalismo e Estado. Em contrapartida, está o povo com suas ações de solidariedade imediatas ante ao horror. Centenas de postos de recolhimento de agua potável, alimentos, roupas e remédios surgem de modo espontâneo em benefício dos atingidos por mais esse ato de terrorismo. Uma clara demonstração que, apesar de tudo, ainda carregamos dentro de nós a semente de um mundo novo, de Apoio Mútuo, Autogestão e Solidariedade. Somente a coletivização de todos ambientes da vida social à partir da mobilização e organização em movimentos sociais e populares nos distanciará da barbárie. Protestamos contra esse sistema de dominação maldito que visa o lucro acima de tudo e despreza a vida humana e a natureza.
A Coordenação Anarquista Brasileira repudia mais esse ato terrorista da mineradora VALE. Solidarizamo-nos com todas e todos atingidos pelo crime e conclamamos à se organizarem socialmente para lutar por um mundo onde caibam todas e todos!

A Nossa vida frente ao Capital de nada Vale!
Fora Samarco! Fora Vale!
Pela construção de um POVO FORTE! Pela construção do PODER POPULAR!

 

El Terrorismo de Estado en Curitiba (Paraná, Brasil)- 07/12/2018

El último día 07 de diciembre de 2018 será recordado como uno de los días más tristes y revoltosos en la historia de la ciudad de Curitiba  y de la lucha por vivienda en Brasil.

La ocupación urbana llamada 29 de marzo fue completamente destruida debido a un incendio, que según el relato de los habitantes, fue causado por la Policía Militar del estado de Paraná. Además del fuego extendido, ocurrieron al menos dos ejecuciones en el lugar, varios desaparecidos y un número aún desconocido de muertos.

Lucha por Vivienda en la Región- Ocupaciones Urbanas Recientes en la Ciudad Industrial de Curitiba (CIC)

La región que fue golpeada por el incendio es un lugar de mucha lucha por vivienda y vida digna en la ciudad. En un área de la Ciudad Industrial de Curitiba (CIC), barrio de la capital paranaense, se ubican cuatro ocupaciones recientes, donde, sumadas, albergan a más de mil familias.

Las ocupaciones de Nueva primavera (ocupada en 2012), el 29 de marzo (ocupada en 2015), Tiradentes (ocupada en 2015) y Doña Cida (ocupada en 2016) fueron organizadas por el Movimiento Popular por Vivienda (MPM) / Movimiento de los Trabajadores Sin Techo Paraná (MTST).

A lo largo de estos años se realizaron diversas manifestaciones callejeras, reuniones con el Poder Público, actividades y saraus. Desde entonces, el Ayuntamiento Municipal de Curitiba y la Compañía de Vivienda Popular de Curitiba (COHAB-CT) nunca dieron respuesta a la altura de las reivindicaciones del pueblo.

En este fatídico día 07 de diciembre, una de estas comunidades, el 29 de marzo, fue completamente devastada. Más de 300 familias perdieron sus casas, animales domésticos, muebles, alimentos, ropa y pertenencias.

De entre esas familias, extendemos gran solidaridad a las familias haitianas, que además de sufrir con la dificultad básica de comunicación por cuenta de su idioma de origen, han sufrido intensamente con el racismo y la xenofobia en Brasil. No es raro que esas personas, aunque cualificadas, sólo puedan insertarse en el mercado de trabajo en oficios desgastantes, recibiendo salarios de miseria, no teniendo vivienda digna y condiciones de vida adecuadas.

Terrorismo de Estado en la Comunidad 29 de Marzo

Los residentes cuentan que un policía militar había sido muerto por la región y que la policía desconfiaba que el responsable sería un residente de la comunidad. A partir de esa sospechosa, la Policía Militar de Paraná declaró guerra a todas las comunidades alrededor, en especial a 29 de marzo.

Durante el día y la noche del 7 de diciembre, policías militares, sin identificación y con los rostros cubiertos, mataron e invadieron las casas de la aldea buscando informaciones sobre el paradero del sospechoso. Los relatos de muchos residentes afirman que los policías torturaron, golpearon a hombres, mujeres y niños, utilizando bolsas, cuchillos y armas. Además, de las personas que murieron, hubo muchos disparos en contra de los residentes.

Fue alrededor de las diez de la noche que el fuego fue atado en algunas casas de la Comunidad el 29 de marzo. Luego el fuego se extendió y se apoderó de todo. El Cuerpo de Bomberos de Paraná tardó alrededor de una hora para llegar al lugar y la Policía Militar intentó dificultar su acción, de modo que los cientos de casas de la comunidad acabaron siendo totalmente destruidas.

Relatos en: “O Horror que a Polícia causou em Curitiba

Cientos de familias perdieron todo lo que tenían. Numerosos perros murieron carbonizados. Muchas personas desaparecidas. Posiblemente otras muertes serán confirmadas.

Caracterizamos el actual momento de la coyuntura, se trata de un “Estado Policial de Ajuste”, marcado por una agenda agresiva contra el pueblo, que muestra el lado más salvaje del sistema capitalista. Cayeron las máscaras y mediaciones que marcaron el período reciente de nuestra historia. Siempre hemos sabido, sin embargo, que detrás de las apariciones, gran parte de la población brasileña vive bajo un “Estado de Excepción”, conviviendo con la barbarie gestada dentro de la farsa llamada “Estado Democrático de Derecho”.

Para el pueblo pobre, negro, morador de las periferias, la cara del Estado siempre fue la de la brutalidad. Los derechos básicos (salud, educación, empleo, saneamiento básico, vivienda) son muy restringidos, cuando no están completamente ausentes. Por otro lado, la represión policial se hace muy presente en el cotidiano de los moradores, que desde muy temprano conviven con las formas institucionalizadas del racismo y de la criminalización de la pobreza, las cuales constituyen la base de la formación ideológica y de actuación de las policías brasileñas.

En el caso de los ataques sufridos por las familias de la Comunidad 29 de marzo y de las demás ocupaciones de la región, tales elementos son bastante nítidos. A los ojos de la Policía Militar, el pueblo que vive en las ocupaciones es un enemigo a ser exterminado.

Las demás caras del Estado, como el Poder Ejecutivo Municipal y Estadual y los órganos responsables de la investigación de este tipo de casos, demuestran ser cómplices de “juicios sumarios” como éste cuando se omiten. Así, trabajadoras y trabajadores, jóvenes, niños y ancianos, son condenados a muerte como “criminales”, sin ningún derecho de defensa.

Las Ruinas del Mito de la “Ciudad Modelo”

Fue en la década de los 70 que se inició un mito brasileño de que Curitiba sería una “ciudad modelo”, un ejemplo de urbanización, movilidad y calidad de vida.

Este mito fue construido con base no sólo en gran publicidad, sino también en la enorme exclusión de la población pobre, que fue siendo “jugada” a las regiones más distantes del centro y más carentes de servicios públicos.

Esta farsa de un supuesto “planeamiento democrático” no es una exclusividad de la ciudad de Curitiba, pero tiene en la capital paranaense uno de sus principales símbolos, repetido en discursos de gobernantes y burócratas.

En paralelo a la propagación de esa mentira, la ciudad guarda un historial de luchas y martirios de movimientos sociales y asociaciones de vecinos en la lucha por un terreno, por un hogar, por viviendas dignas. Estas luchas ocurrieron y ocurren en todas las regiones de la ciudad y tiene en las ocupaciones del CIC uno de sus mayores ejemplos.

Aprehensión, Solidaridad y Resistencia

Después del incendio del día 07 de diciembre, la Policía Militar, según la descripción y fotografías hechas por moradores, se mantuvo en el lugar y disparó con sus armas letales varias veces. Los residentes de la región tienen mucho miedo de más “intentos de venganza” y que el horror de aquella noche vuelva a ocurrir.

A pesar de todo, İ la lucha por la vivienda y la vida digna continúa! Numerosas comunidades, movimientos sociales y otras organizaciones recaudaron donaciones de ropa, agua, comida, muebles y llevaron a la comunidad. Moradores y moradores se turnan en la organización de las donaciones, en la acogida de las personas y en la reorganización de la vida en la comunidad, dando gran ejemplo de resistencia y solidaridad. Así las comunidades se unen cada vez más.

Sabemos que sólo el pueblo organizado es capaz de avanzar en la lucha por condiciones dignas de vida y para la construcción de una sociedad justa, fraterna e igualitaria. Un mundo donde todos tienen un hogar y donde las amenazas y violencias del Estado son cosas de un pasado lejano.

¡Ni olvidar, ni perdonar!

¡Toda solidaridad a las familias!

¡Contra la criminalización de la pobreza!

Luchar! ¡Crear Poder Popular!

¡Por el fin de toda policía!

¡Casa digna ya!