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[CAB] Declaração do IV Encontro Regional Sul da Coordenação Anarquista Brasileira – 2015

Retirado de: http://anarquismo.noblogs.org/?p=334

Nos dias 24 e 25 de outubro, em Curitiba/PR, o Coletivo Anarquista Luta de Classe (CALC) do Paraná, o Coletivo Anarquista Bandeira Negra (CABN) de Santa Catarina e a Federação Anarquista Gaúcha (FAG) do Rio Grande do Sul, organizações do sul do país que compõem a Coordenação Anarquista Brasileira (CAB), estiveram presentes em seu IV Encontro Regional. O encontro serviu para discutir a conjuntura econômica, política e ideológica do Brasil, de modo a fortalecer o anarquismo organizado e nossa incidência no seio da luta dos de baixo.

Vivemos em uma etapa de resistência na luta de classes no Brasil e é necessário entendermos nosso momento histórico e o papel que as organização revolucionárias devem cumprir para o acirramento da luta e avanço da classe oprimida. É hora de construirmos e consolidarmos os movimentos sociais de base, independentes e combativos. As Jornadas de Junho de 2013 nos serviram para mostrar a força social e a capacidade de influência que hoje a esquerda possui, uma esquerda que possui dificuldades de compreender a conjuntura e que precisa construir os movimentos desde baixo para conseguir conquistas permanentes e que acumulem para um projeto de transformação.

Em um momento de recessão econômica, aumento da carestia de vida e ajuste fiscal; com o esgotamento do pacto de classes governista, imposição de pautas conservadoras na política nacional, criminalização da pobreza e da luta popular, é só semeando a rebeldia nos locais de moradia, trabalho e estudo, independentes dos controles burocráticos, que vamos conseguir imprimir uma alternativa radicalmente transformadora – socialista e libertária.

É necessário que consigamos espalhar as greves contra o ajuste, com ação direta dos trabalhadores, democracia de base e organismos de união territorial; ativando uma cultura de solidariedade das lutas, de apoio mútuo, de construção intersetorial e antirepressiva; lutando e criando poder popular com um plano de unir as rebeldias que querem uma mudança social.

O anarquismo especifista surge como alternativa de projeto a longo prazo; frente aos projetos tradicionalmente pautados pela esquerda da disputa do Estado, de direções deslocadas das bases da classe e pela direita conservadora que vem ascendendo. Temos de seguir com a organização e mobilização em nossos locais de atuação, acumulando forças, fomentando a luta, organização e a solidariedade no seio de nossa classe, promovendo também o intercâmbio de acúmulos de nossas lutas. O anarquismo especifista no sul do Brasil se fortalece, organizado na Coordenação Anarquista Brasileira, sempre junto aos setores oprimidos, construindo um povo forte desde abaixo e à esquerda.

POR UM ANARQUISMO ESPECIFISTA ENRAIZADO NAS LUTAS POPULARES!

CONTRA O AJUSTE FISCAL E A CRIMINALIZAÇÃO DOS POBRES E MOVIMENTOS SOCIAIS!

NÃO TÁ MORTO QUEM PELEIA!

LIUTAR! CRIAR! PODER POPULAR!

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[CAB] SOLIDARIEDADE COM O COMPANHEIRO ARI DO SUATT (Sindicato dos Taxistas) – Montevidéu – Uruguai

Retirado de: https://anarquismo.noblogs.org/?p=325

Difundimos e queremos fazer chegar aos lutadores e lutadoras do Brasil nossa solidariedade ao companheiro detido hoje pela manhã após a dispersão de um ato por agentes da inteligência. É sabido que o SUATT tem sido incansável na defesa dos direitos dos trabalhadores e tem tomado um lugar ao lado dos conflitos da educação pública,entre eles a ocupação do Codicen semana passada, que foi despejada pela violência policial.

O governo da Frente Ampla e as patronais querem calar as rebeldias populares com processos judiciais e repressão sobre os de baixo.

NÃO ESTÃO SOZINHOS COMPAS! NÃO TA MORTO QUEM PELEIA!
NOSSA SOLIDARIEDADE LIBERTÁRIA NÃO CONHECE FRONTEIRAS.

ARRIBA LOS Y LAS QUE LUCHAN!!!

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COORDENAÇÃO ANARQUISTA BRASILEIRA (CAB)

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[CAB] Declaração do III Encontro Regional Sul da Coordenação Anarquista Brasileira – 2015

Nos dias 4 e 5 de julho, reunimos em Curitiba delegações do Coletivo Anarquista Luta de Classe (Paraná), Coletivo Anarquista Bandeira Negra (Santa Catarina) e Federação Anarquista Gaúcha (Rio Grande do Sul) para tratar da conjuntura atual, a coordenação de nossas frentes de atuação sindical, estudantil e comunitária, e também as campanhas da CAB para o próximo período.

Conforme indicado na análise do último jornal Socialismo Libertário, o momento é de crescente retirada de direitos sociais, com ajuste fiscal e aumento do custo de vida para os de baixo, que vem junto ao projeto de expandir as terceirizações que implicam mais precarização e insegurança à classe trabalhadora. O neodesenvolvimentismo do PT chegou a um limite e as tímidas políticas sociais dão lugar a novas políticas de desmonte e corte de verbas nos serviços públicos. Pautas conservadoras ganham força no debate nacional, acarretando em mais criminalização da pobreza e também fomentando o preconceito racial, de classe e a desigualdade de gênero, como são o caso da proposta de redução da maioridade penal e as terceirizações.

Neste contexto, é fundamental resgatar princípios e práticas que são patrimônio da esquerda e muito caros para nossa corrente libertária, como as formas combativas de luta através de greves, piquetes e ação direta, sempre com o protagonismo e mobilização das bases. Apesar da conjuntura de ataques, há importantes lutas de resistência em curso, que precisam de força e apoio. O momento exige a superação das direções pelegas e burocratas que tomam sindicatos e movimentos propondo soluções de gabinete e o fortalecimento de suas candidaturas ao invés da ação direta popular. Resgatar as práticas e princípios de luta da esquerda é também romper com o afastamento da política, vista como mercado de negócios e cartas marcadas que abrem espaço para o conservadorismo.

É momento de seguir com a organização e mobilização em nossos locais de trabalho, estudo e moradia, acumulando forças e fomentando a luta e a solidariedade no seio de nossa classe, além de promover o intercâmbio de experiências e acúmulos de nossas frentes de trabalho. O anarquismo especifista no sul do Brasil, através da Coordenação Anarquista Brasileira, não exige nem mais nem menos que seu posto na luta, sempre junto aos setores oprimidos, construindo um povo forte.

Não tá morto quem peleia!

Lutar, Criar Poder Popular!

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[CAB] Declaração do V Encontro do Norte e Nordeste das Organizações Anarquistas Especifistas – 2014

“[…] A revolução universal é a revolução social, é a revolução simultânea do povo dos campos e das cidades”

Mikhail Bakunin

Reunidos nos dias 28, 29 e 30 de Novembro de 2014, em Maceió, o V Encontro do Norte e Nordeste das Organizações Anarquistas Especifistas cravaram de forma solida e madura um espaço permanente e fértil para os debates políticos, acúmulos organizativos, fomento da luta, solidariedade e trocas de experiências.

Em nosso V Encontro, recebemos de braços abertos a Organização Anarquista Maria Iêda, de Pernambuco. Em nossa caminhada rumo ao Socialismo Libertário nos agrada saber que em mais um passo que damos outra organização irmã decidiu trilhar o mesmo caminho. Com muita satisfação comemoramos a ampliação da discussão em torno do especifismo na Bahia, e por conta dessa ampliação hoje o Coletivo Anarquista Ademir Fernando – CAAF compõe o Fórum Anarquista Especifista, FAE-BA, processo que está sendo animado em quatro cidades. Com a mesma felicidade e sentimento de irmandade agradecemos também a presença e colaboração da Federação Anarquista do Rio de Janeiro – FARJ em nosso encontro. Os anarquistas especifistas em luta no Norte e Nordeste unidos e de prontidão para a transformação social agradecem as ricas e valorosas presenças em nosso meio.

O evento possibilitou trocas de experiências teóricas, organizativa e social, uma ampla análise de conjuntura, repasses entre organizações e acordos mínimos para continuarmos caminhando em um sentido anticapitalista. Temos a certeza que mais alguns tijolos para o alicerce do poder popular foram firmados.

De pé estamos e lutaremos sem fim diante dessa nossa complexa realidade no Norte e Nordeste, que por si só não se explica, o jogo perverso do capitalismo ultrapassa fronteiras abstratas. Os lugares e suas particularidades estão conectados dentro de uma totalidade complexa e que pautada no espaço e no tempo alguns elementos econômicos, políticos, culturais e sociais são semelhantes e são construídos dentro de contextos específicos em cada Estado. Projetos de dominação e exploração seguem a todo vapor em uma escala mais ampla sem respeitar território ou fronteira e de forma ampla devem ser combatidos.

Ao buscarmos a organização a um nível mais abrangente pretendemos acumular força social para enfrentarmos um conjunto de forças capitalistas e repressoras em nosso cotidiano. Portanto, combateremos sem fim os elementos de dominação apontados por nossa militância nos diversos Estados onde atuam, como exemplo: as oligarquias familiares que dominam o campo e a cidade; os mega projetos/investimentos nas cidades que geram remoções e acúmulo de capital para as grandes empresas; aumento do aparato repressor do Estado e privado; violência contra juventude negra/pobre da periferia; sucateamento da saúde e da educação, um processo de mobilidade urbana elitista que visa o escoamento das mercadorias, rapidez na produção capitalista e lucros para os empresários do transporte; o avanço reacionário da chamada “bancada da bala” e da lógica da democracia representativa em si; o encarecimento dos alimentos a partir da substituição do camponês pelo pequeno produtor de monoculturas orientado para o biocombustível e o nefasto modelo do agronegócio.

Sendo assim, não tá morto quem peleia! 2014 muito fizemos e para 2015 disposição não faltará para avançarmos. Que possamos nos organizar, lutar e criar poder popular para combatermos de frente o dominador. Os mecanismos repressores não cessarão e nossa resposta deve ser firme nas lutas concretas. Organizar já e lutar sempre rumo ao poder popular!

Lutar, Criar, Poder Popular!

Assinam esta declaração:

Fórum Anarquista Especifista, (FAE) – Bahia
Organização Anarquista Maria Iêda – Pernambuco
Coletivo Anarquista Zumbi dos Palmares (CAZP) – Alagoas
Coletivo Libertário Delmirense (COLIDE) – Alagoas
Organização Resistência Libertária (ORL) – Ceará
Núcleo Anarquista Resistência Cabana (NARC) – Pará

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Lançamento do Comitê Lutar não é Crime! Pela absolvição de Nicolas Pacheco!

ABSOLVIÇÃO DE NICOLAS

Ontem, 22 de outubro de 2014, foi lançado o Comitê Lutar Não é Crime no Paraná! Em um ato com a presença de mais de 15 entidades – entre movimentos sociais, agrupamentos de tendência e organizações políticas – e com quatro militantes sociais e políticos que estão sendo criminalizados, afirmamos mais uma vez: “Lutar não é crime!

Em um ano de muita agitação política, aumento da repressão e criminalização da luta, após Jornadas de Junho de 2013, inúmeras greves e revoltas, os movimentos combativos e a esquerda de luta se solidarizam com os militantes perseguidos por este Estado criminoso. Enquanto os de cima fazem campanha, os de baixo são presos, indiciados e apanham.

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Quando os de baixo começam a ameaçar os poderosos, vemos os movimentos sociais e as organizações políticas combativas sendo duramente criminalizadas. Nossa organização-irmã Federação Anarquista Gaúcha teve sua sede invadida mais uma vez nas Jornadas de Junho de 2013 (leia mais em: https://anarquismopr.org/2013/06/21/nota-da-fag-sobre-a-invasao-de-sua-sede/);  em Porto Alegre, Rio de Janeiro, Goiânia, Ceará, Joinville e em muitas outras cidades tivemos prisões arbitrárias durante as jornadas, Copa do Mundo, greves e ocupações e duros processos contra os lutadores que buscam uma sociedade mais justa e igualitária.

No Paraná, na Batalha contra a EBSERH (privatização do Hospital de Clínicas) vemos a repressão e criminalização da luta atingir nossa classe mais uma vez. No dia 28 de agosto deste ano, vimos do que a Reitoria da UFPR e o Governo Federal são capazes de fazer quando ameaçamos impedir a privatização do maior hospital público do Paraná. Spray de pimenta, bombas de gás lacrimogênio e balas de borracha atingiram estudantes, trabalhadores e trabalhadoras (leia mais em: https://anarquismopr.org/2014/08/29/protesto-nao-e-crime-pela-absolvicao-de-nicolas-pacheco/).

Não bastasse a truculência policial, “o companheiro do PSTU Nicolas Pacheco, de 18 anos, que estava somando esforços na luta,foi sequestrado e mantido em cárcere privado pelos policiais federais. Dentro do Prédio da Administração da Reitoria, passou mais de 5 horas algemado, sofrendo ameaças policiais e sem poder sequer falar com advogado. O companheiro foi levado para a carceragem da polícia federal e foi acusado pelos crimes de resistência, desacato e constrangimento ilegal.”

As únicas provas apresentadas pela polícia são os depoimentos dos próprios agentes envolvidos na operação e de seguranças terceirizados da UFPR. “Os depoimentos falsos que saíram são um absurdo porque mesmo com as imagens mostrando o que aconteceu eles disseram que eu entrei em luta corporal com a polícia! Eu fui imobilizado, jogado no chão, algemado com as mãos para trás e passei cinco horas dessa maneira”, desabafa Nicolas.

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O Comitê Lutar Não é Crime surge para que os de baixo se unam em solidariedade aos lutadores criminalizados! Protesto não é crime! Contra a criminalização dos pobres e dos movimentos sociais!

No ato, além das prestações de solidariedade a Nicolas Pacheco – militante do PSTU, que na luta por uma saúde pública está sendo criminalizado, contamos com a presença e relato da criminalização de mais três companheiros e companheiras. André Altmann, militante da nossa organização-irmã Coletivo Anarquista Bandeira Negra (criminalizado na luta pelo transporte), Juciane, trabalhadora do Sindisep (criminalizada na luta dos trabalhadores da saúde) e Gabriela Caramuru, militante do PSOL (criminalizada na luta da educação e do campo).

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Mas não podemos esquecer que a criminalização e repressão aos pobres NUNCA SE INTERROMPEU! Quantas Cláudias e Amarildos sofrem todos os dias? Com o abuso dos policiais, com a exploração do trabalho, com falta de saúde, transporte e educação pública de qualidade?

Só com muita luta, organização e solidariedade vamos acabar com essa sociedade de classes, em que os empresários, latifundiários, burocratas e policiais, exploram, dominam e matam o nosso povo!

O Comitê Lutar Não é Crime fará novas ações em breve. Quer participar? Entre contato, milite nos movimentos sociais!

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ENQUANTO EXISTIR DOMINAÇÃO, OS ANARQUISTAS CONTINUARÃO NA LUTA!

RODEAR DE SOLIDARIEDADE OS QUE LUTAM!

NÃO TÁ MORTO QUEM PELEIA!

PROTESTO NÃO É CRIME!

LUTAR NÃO É CRIME!

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[Uruguai] Comunicado público da Coluna Cerro-Teja a respeito do último 1º de Maio em Montevidéu

Retirado de: https://www.facebook.com/FederacaoAnarquistaGaucha?fref=ts

Difundimos a tradução do comunicado público da Coluna Cerro-Teja a respeito do último 1º de Maio em Montevidéu, ocasião que a Coluna queimou um boneco de policial em protesto contra a repressão nos bairros e o projeto de lei de redução da maioridade penal. Em função da ação, companheiros estão sendo intimados a depor judicialmente.
Toda solidariedade a Coluna Cerro-Teja.
Contra a repressão policial nos bairros e a redução da maioridade penal, aqui, no Uruguai e em qualquer canto do mundo!
Não ta morto quem peleia!
Federação Anarquista Gaúcha – FAG

Montevideo, 3 de maio de 2014.-

À Opinião Pública:

Por ocasião da queima de bonecos no 1º de Maio nossa Coluna tem sido mencionada e atacada em meios de comunicação e em declarações de representantes do governo. Nos vemos na obrigação de responder e esclarecer algumas questões.

A Coluna Cerro Teja marcha de forma interrupta em direção ao ato do 1° Maio convocado pela central dos trabalhadores há 31 anos.

Foi durante o ano de 1983 que trabalhadores nossos queridos bairros Cerro e La Teja, tomaram as ruas ainda na ditadura, exigindo liberdade para os presos políticos, denunciando o desaparecimento de lutadores sociais, o desaparecimento de crianças pela ditadura militar e repudiavam o regime então existente.

Desde então nossa Coluna tem se manifestado em reiteradas ocasiões sobre problemas que tocam a classe trabalhadora e nosso povo no marco da comemoração do 1° de Maio. Durante todo esse tempo estiveram participando da mesma um conjunto de sindicatos e organizações sociais. Nomearemos por hora algumas daquelas que nos traz a nossa memória com maior facilidade, sabemos que provavelmente algumas ficam no caminho…

Operários da COLAGEL, FOICA (Federação dos Operários da Indústria Frigorífica), ADEMU (Sindicato de Docentes), ADES (Sindicato de Profesores), FANCAP (Sindicato de ANCAP – Petroleiros), STIQ (sindicato dos Quimicos), UNTMRA(sindicato Metalúrgico), SUATT (Sindicato dos Taxistas), UTAA(Sindicato dos trabalhadores do corte de cana de açúcar de Bella Unión), SUNMA (Trabalhadores da Pesca), FFOSE (sindicato dos trabalhadores da OSE – Obras Sanitárias do Estado), UNOTT (Trabalhadores do Transporte), SAG (Sindicato dos Operários Gráficos), Mães e Familiares de Presos e Desaparecidos, Obreros de Niboplast(fábrica recuperada pelos trabajadores –ramo plástico), Plenaria Memoria y Justicia, Coordinadora de Estudiantes, CEIPA (Gremio dos estudantes do IPA), Gremio do liceo 11, Gremio do liceo 61, Gremio do liceo Bauzá, AFUTU (Sindicato dos Trabalhadores da UTU – Universidade Técnica do Uruguai), PROMOPEZ (indúsdria pesqueira), FUCVAM (Federação Uruguaia de Cooperativas de Moradia por Ajuda Mútua), ADEOM (Associação de Empregados e Operários Municipais), COVITEA (Cooperativa de moradia de la Teja), _COVIDE (Cooperativa de moradia do CERRO, UN LUGAR EN EL MUNDO (Cooperativa de moradia do Cerro), COVICENOVA(Cooperativa de moradia do Cerro), Movimiento de Moradores en contra o Chumbo e pela Vida, EL PUENTE FM (Radio Comunitaria de LA Teja), DE LA VILLA FM (Radio Comunitaria del Cerro), EN CONSTRUCCIÓN (Radio Comunitaria de Santa Catalina), LA KLASISTA (Radio Comunitaria de la Aguada), Bazar de trocas de Santa Catalina, Bazar de Trocas “Casa de la Amistad”, Bazar de Trocas “Santa Romero”, Refeitório Infantil do Cerro, Ateneo del Cerro, Ateneo Carlos Molina (La Teja), Ateneo Germinal (Villa Colón e Lezica), Ateneo Pocho Ríos(Santa Catalina), Movimiento de Moradores contra o Porto Militar do Cerro, Comissão em defensa da Agua e da Vida, Movimiento de Moradores contra impunidade, Comissão nacional contra a Impunidade, Comissão de defesa da educação pública, comissão de defesa de ANCAP.

Nossa marcha tem se mantido ano após ano encabeçada por distintos sindicatos em conflito, pela denúncia de distintas problemáticas sociais que afligem nossos bairros e o conjunto de nosso povo. Também, ano após ano várias quadras de moradores destes bairros operários, que conhecem o sacrifício e a luta tem marcado presença.

Aqui também nomearemos rapidamente algumas das pautas encabeçadas pela Coluna nestes 31 anos.

Apoio a sindicatos em conflito, pronunciamento e participação em Todos os plebiscitos populares, participação ativa e sustentada em todos os temas relacionados com a violação dos Direitos Humanos, a liberdade de expressão, rechaço à invasão norte-americana do Irak, entre outras.

Neste ano, como já mencionamos acima, a nossa Coluna esteve pautada por um tema demasiadamente sensível e preocupante para nossos bairros. Estamos nos referindo a violência e abuso policial que se vivencia de forma cotidiana nos bairros denominados de periferia. As qualificadas, com teor de discriminação social, zonas “vermelhas”.
Não é uma problemática nova, mas nestes últimos anos tem aumentado e estes casos tem sido de público conhecimento. Sem dúvida que o assassinado do jovem Sergio em Santa Catalina é uma exemplo, mas queremos dizer que este repugnante acontecimento não é, como se busca transparecer um caso isolado, afinal de contas há um responsável direto que o executou, mas tudo o que envolveu o operativo em seu conjunto, o espancamento aos familiares, a moradores em pleno Posto de Saúde do Cerro, toda a manipulação de provas no local do assassinato, os episódios anteriores de abuso contra jovens do bairro, com ameaças, agressões, detenções, perseguições não foram levadas não foram levadas em conta na ocasião do assassinato de Sergio. Situações não muito distintas rodearam os assassinatos policiais de Santiago Yerle e Guillermo Machado.

Podíamos destinas páginas inteiras referindo-nos a casos cotidianos de prepotência policial a que nossos bairros enfrentam cotidianamente. Essa situação é conhecimento de todos, sabem muito bem disso não só nós que vivenciamos, sabem muito bem todos os políticos, todos os ministros, meios de comunicação, etc.

Agora a investida pela redução da maioridade penal que repudiamos e a queima simbólica de um boneco. A mensagem é clara, é política, é também uma linguagem. Estamos ante uma política repressiva e seu braço executor contra infância e a juventude, a ânsia por aprisionar os que são quase crianças. Esse é o fato que simbolicamente repudiou e buscou pautar a Coluna. “Nossos guris não vão para as prisões, o melhor de nosso povo não dará nenhum voto pela redução da maioridade penal” manifestaram textualmente desde a tribuna do PIT-CNT. O Cerro e la Teja tampouco darão voto algum à redução.

Mas que não se equivoquem os sindicatos policiais, eles não são nossos companheiros, tampouco os consideramos trabalhadores. Sua função, dado o posto que ocupam na estrutura do sistema, é de repressão, de golpear e reprimir o povo sempre que o exijam. Sua instituição está educada, disciplinada, infestada de valores para garantir a tarefa de zelar pelos interesses dos ricos e poderosos, dos donos deste sistema. A ordem que lhes interessa que seja zelada a cassetadas e tiros é a de suas propriedades e de seu poder.

Esses bens e poder mais os mecanismos que os sustentam. Estes que volta e meia são questionados por aqueles que se cansam das injustiças e é quando vocês saem a intervir. Os temos visto ao longo de toda história, aqui nestes bairros, espancando e arrastando pelos cabelos, algemando, estrangulando e espancando as pessoas no chão nos estádios de futebol, aos trabalhadores frigoríficos constantemente. Para mencionarmos apenas alguns casos, o paralelo 38[1] e mais recentemente o massacre do filtro[2]. Sem contar os espancamentos a estudantes em inúmeras ocasiões, em alguns casos a estudantes, pais e professores como fizeram no Liceo 70 mais recentemente. Pelo visto ali também havia delinquentes que exigiam um banheiro para seus filhos. Mais recentemente presenciamos a polícia tomando conta de todo o bairro em uma patrulha que atropelou uma criança. Foram os vizinhos que tiveram de socorrer a criança enquanto os policiais eram atendidos primeiramente pelos médicos. O repúdio dos vizinhos se transformou nisso que agora chamam perversamente de delinqüência: fecharam a ponte do Pantanoso queimando pneus, marcharam à delegacia e fizeram diversas manifestações em nosso bairro. Não senhores, vocês não são nossos companheiros, se fizessem um consulta sindical que transcendesse os “dirigentes” burocratas, vocês não estariam em nosso PIT-CNT. Chegará a hora em que as coisas terão seu devido lugar.

Uma ideología do sistema para esta etapa é elevar a primeiro plano, sobredimencionar, o tema da segurança. Os meios de comunicação criam o ambiente para dar-lhe a dimensão que necessitam, recheando com horror e sangue o revestem adequadamente para que o medo se encarreguem do restante. Por que este tema esta pautado em nosso país da mesma forma que nos demais? Que coincidência, não? O chamado neo-liberalismo semeou o mundo de miséria, raiva, desesperança. Organizou esta etapa para que cada vez uma minoría tenha mais e para que a maioria tenha cada vez menos. Uma das respostas às rebeldias e descontentos que surgem e seguirão surgindo é a montagem de dispositivos ideológicos como o chamado: Segurança. Não falam de outra segurança que a deles.

Para os de baixo se expressa no que temos visto. O aumento da tecnificação da repressão, ao inundar as ruas de policiais em nossos bairros, o endurecimento das penas para os jovens, abrir prisões e abarrotá-las. Sabe-se muito bem e experiências nos sobram em tal sentido, que não é por ai que se vai solucionar a conjuntural problemática social que padecemos. Isso sem pautarmos o problema de fundo que é o mais transcendente.

O que aquí se busca é calar as legítimas denúncias, reclamações, reivindicações. Criar espantalhos em direção aos descontentos e rebeldias. Judicializar e criminalizar o protesto. Ficou muito claro que isso não passa para aqueles que assassinaram, seqüestraram, torturaram e violaram e que seguem contando com impunidade que quase todos cobrem e amparam. Que quando surge uma juíza como Motta que busca unicamente investigar rapidamente a retiram de seu posto, encaminhando-a aos últimos rincões. Isso sim, processos para aqueles que protestam pela tamanha artimanha da corte. Impunidades e prisões de luxo. Mas outras impunidades estão sendo somadas e não dizem outra coisa se não como tudo isso funciona.

O Sr. Ministro do Interior, Bonomi afirmou que somos delinqüentes. Velha novidade para nós! Assim o sistema e seus personagens catalogaram a todos os lutadores sociais através dos tempos. Classificaram assim, recentemente, a Jose Gervasio Artigas que também era um bandido; classificaram também estes Mártires de Chicago que nestes dias recordamos que eram delinqüentes e outras coisas. Também lhe recordamos que coisas parecidas disseram a Raúl Sendic e Pocho Mechoso, lutadores que são uma referência e exemplo para todos os que lutam. E poderíamos seguir. Sim, somos destes delinqüentes, claro que sim, e inclusive conseqüentes. Seremos destes delinqüentes enquanto haja opressão, injustiça, desigualdade. Prometemos nos portar bem quando haja um ambiente de liberdade, solidariedade, novos valores e a civilização existente esteja a serviço de todos os seres humanos.

Contra toda Impunidade, por Moradia, Saúde, Educação e Trabalho para nossos jovens.
Basta de repressão em nossos bairros.
No a redução da maioridade penal
Porque nosso 1° de maio é sempre um dia de luta, classista e combativo.

Columna Cerro-Teja

[1] Se refere as massivas greves dos “gremios solidários” que pararam o Uruguai nos anos 1951 e 1952. Na ocasião os bairros Cerro e La Teja foram sitiados pelas forças policiais e militares em função de ser nestes bairros operários onde a luta se desenvolvia com maior vigor e combatividade. Em função desse cerco, que isolava estes bairros do restante de Montevidéu, a região passou a ser chamada de “paralelo 38”, em alusão a linha divisória entre a Coreia do Norte e do Sul durante a Guerra da Coreia (1950-1953). [Nota da tradução.]

[2] O episódio conhecido como “masacre del Hospital Filtro” ocorreu na noite de 24 de Agosto de 1994 nas imediações do hospital Filtro em Montevidéu. Na ocasião milhares de pessoas faziam uma vigília no hospital contra a extradição dos cidadãos bascos Jesús Maria Goitia, Mikel Ibáñez Oteiza e Luiz Lizarride acusados pelo governo espanhol de serem vinculados ao ETA e que se encontravam internados no hospital em função de uma greve de fome. A brutal repressão promovida pelo então governo de Luis Lacalle resultou em centenas de feridos e dois mortos: Fernando Morrini e Roberto Facal. Hoje, 20 anos passados o massacre segue impune. [Nota da tradução.]

Tradução: Federação Anarquista Gaúcha – FAG

[FAG] DE YEDA A TARSO REFORMA AGRÁRIA SEGUE SENDO CASO DE POLÍCIA EM SÃO GABRIEL.

Retirado de: http://batalhadavarzea.blogspot.com.br/2013/10/de-yeda-tarso-reforma-agraria-segue.html

Crônica sobre os fatos ocorridos ontem dia 03 de outubro no Assentamento Madre Terra, São Gabriel/RS.

Localizado à mais de 80 kms de qualquer centro urbano, cravado na divisa dos municípios de Santa Maria e São Gabriel, o assentamento Madre Terra é uma pequena ilha da agricultura familiar rodeada de latifúndio e monocultura por todos os lados, onde algumas dezenas de famílias extremamente pobres lutam para ganhar a vida plantando arroz orgânico e produzindo diversos outros alimentos mesmo à contragosto dos governos e do agronegócio. Esse assentamento foi criado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) em 2009. Porém, de lá pra cá, se passaram quatro anos e nada do que foi planejado e prometido por parte do órgão à essas famílias foi realizado.

No Madre Terra em 2013 ainda não existe energia elétrica, não existe rede de água potável, as famílias não acessaram os créditos mínimos para poder produzir, não existe estradas para o escoamento da produção e transporte escolar. Foi por tudo isso que, na tarde de ontem, após deliberação coletiva estas famílias resolveram reter um caminhão da Prefeitura Municipal de São Gabriel que estava circulando pela localidade de modo a denunciar e cobrar do INCRA, da Prefeitura e do Governo do Estado providências com relação as estradas e as demais demandas do assentamento.

Mas ao contrario desse gesto de protesto abrir o dialogo com os órgãos responsáveis o que se viveu no Madre Terra ontem foi outro cenário; as famílias trabalhadoras homens, mulheres, idosos e crianças foram sitiados na sede do assentamento pela Brigada Militar. Terror psicológico empreendido pela BM fortemente armada com fuzis, escopetas e outras armas de grosso calibre que tem ameaçado à todo instante “transformar o local numa Southall”.

Só para lembrar e deixar claro o que estavam tentando dizer com o “transformar numa Southall”: a Fazenda Southall foi palco inúmeras repressões violentas sofridas pelas famílias Sem-Terras de 2003 até fins de 2009 ela foi ocupada diversas vezes e suas desocupações sempre foram truculentas a ponto de em 21 de agosto de 2009 a BM assassinar a sangue frio, pelas costas o companheiro Elton Brum. Existem ainda engavetados registros de torturas e diversas outras violações contra os direitos humanos em São Gabriel protagonizadas pela “nobre instituição” a mando dos latifundiários, dos políticos locais e do agronegócio.

Porém, ontem as hienas ao contrário do que desejavam devido a distância que se encontravam do próprio ninho e sem mandado de reintegração de posse do veículo e a resistência por parte das famílias assentadas tiveram que abandonar o local, sem conseguir machucar ninguém e sem poder levar o objeto em disputa, o caminhão. Saíram ameaçando voltar em maior número.

Hoje saiu o mandato de reintegração de posse, porém uma delegação de assentados foi a cidade negociar a situação e apresentar a pauta aos órgãos do governo. As famílias seguem resistindo e prometem seguir com o protesto até terem suas demandas atendidas.

Reforma Agrária de verdade. Já!
Não ta morto quem luta e quem peleia!!!

Federação Anarquista Gaúcha – FAG

*Foto da mobilização das famílias do Assentamento Madre Terra no INCRA e Ministério Público de São Gabriel, em ato por infra estrutura para os assentamentos e em memória a mais um ano do assassinato covarde e impune de Elton Brum.

[FAG] Tarso, o PT e a lógica do absurdo!

Retirado: http://batalhadavarzea.blogspot.com.br/2013/10/tarso-o-pt-e-logica-do-absurdo.html

Nota: A análise que divulgamos agora foi concluída na manhã do dia de hoje (1º/10). Pouco após ser concluída, acompanhamos a grande operação da Polícia Política do governo Tarso/PT que encaminhou o processo dos 05 companheiros presos ilegalmente no último ato do Bloco de Lutas e invadiu residências de militantes do PSOL e PSTU, o Moinho Negro/Centro de Cultura Libertária da Azenha, o alojamento do MST, a sede da Via Campesina, o assentamento urbano Utopia e Luta e nosso espaço público, o Ateneu Libertário Batalha da Várzea.

Tarso, o PT e a lógica do absurdo!

Nas últimas semanas acontecimentos como a expulsão da militância organizada do PT do Bloco de Lutas e a greve dos trabalhadores da educação, tem novamente colocado a tona o debate sobre o caráter do PT e do governo Tarso. Esse debate não raras vezes da margem para “discussões” rasas e por vezes mais emotivas, onde a criatividade e o trapezismo retórico predominam em detrimento de um balanço político em torno de fatos que se intensificaram nos últimos meses.

Desde a ocupação da câmara de vereadores temos presenciado uma ofensiva por parte do PT e de sua militância em se apresentar com um discurso “de esquerda”, discurso esse sempre visando justificar as medidas empreendidas pelo partido e o governo, silenciando as vezes, caluniando abertamente em outras, esse discurso também opera no intuito de sabotar e isolar todos aqueles que lutam com independência do governo estadual e federal, colidindo com os mesmos em não raras ocasiões.

Um episódio que define bem essa ofensiva por parte do PT foi a realização de um tal “Seminário Crise da representação e renovação da democracia no século XXI” que ocorreu nos dias 05 e 06 de setembro em Porto Alegre. O tal seminário sugeria promover um “amplo debate sobre as perspectivas de renovação das instituições democráticas no Brasil e no mundo, na esteira das manifestações do último mês, e seus desdobramentos no cenário nacional”. Nas palavras de João Pedro Stédile, um dos conferencistas, um espaço de “dialogo com a sociedade gaúcha, com a sociedade brasileira. Em todas as suas representações, seja de intelectuais e pesquisadores, de mídia independente e dos movimentos sociais”.

Entre a realização desta operação com o intuito de se lançar o PT e o governo Tarso enquanto referentes para a esquerda e as lutas sociais, tivemos dois casos que elucidam o verdadeiro caráter deste partido e governo de uma forma mais nítida que qualquer análise dos “ilustres dirigentes” que, com imunidade de ferro, se mostraram livres de todas as “doenças infantis do esquerdismo” ao irem de encontro com o governo no dito seminário. Falamos aqui da repressão durante as mobilizações da jornada nacional de paralisações no 30 de agosto e a conduta em relação a greve dos trabalhadores da educação.

No 30 de agosto presenciamos o governo Tarso enviar a tropa de choque para as garagens das empresas de ônibus de forma a impedir a paralisação no setor além da repressão com bombas de gás lacrimogêneo na praça da Matriz durante a Assembléia dos Povos, quando indígenas e quilombolas aguardavam por uma audiência com a qual o governador havia se comprometido. No local, além da presença de diversos lutadores em solidariedade a esses povos, incluindo uma delegação de trabalhadores do CPERS-Sindicato, naquele momento já em greve, havia uma quantidade considerável de crianças e idosos que foram feridos por mais este ataque covarde da brigada militar.

A ausência de Tarso no compromisso por ele mesmo firmado, se deu em função de uma agenda muito mais nobre para a acumulação de forças para a “esquerda”, que foi a sua presença na EXPOINTER, tradicional evento ruralista no estado, o qual envolve de forma direta transnacionais e lideranças do setor.

A “pegadinha” de Tarso no 30 de agosto e os resultados da reunião ocorrida logo em seguida, no dia 04 de setembro, no Ministério Público, a qual Tarso não compareceu e seus representantes não apresentaram medidas concretas para a titulação das terras indígenas e quilombolas, evidenciou o claro matrimonio entre o governo Tarso e a FARSUL na condução de uma política agrária que paralisa a reforma agrária, atira famílias a sua própria sorte em regiões sem a mínima infra estrutura, sem créditos, auxílio técnico, etc. além de violar sistematicamente os povos indígenas e quilombolas ao barrar a titulação de suas terras.

É lamentável identificarmos aqui que entre os responsáveis pela nefasta política de violação aos povos indígenas e quilombolas temos a presença da Consulta Popular, organização com incidência em movimentos populares do campo e na juventude. Miltom Viário, destacada liderança desta organização é hoje um dos assessores diretos do governador e um dos responsáveis pela condução das “negociações” com indígenas e quilombolas por parte do governo, como apontado no relatório redigido pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI), Grupo de Apoio aos Povos Indígenas (GAPIN) e Conselho de Articulação Indígena Kaigang (CAIK) no dia 02 de setembro.

Se no dia 04 Tarso delegou a seus assessores a tarefa de dar a negativa da titulação de terras indígenas e quilombolas, no dia seguinte, pouco antes de se dirigir ao tal seminário sobre “crise de representações”, Tarso não vacilou e parou para um café da manhã com a Brigada Militar em seu clube de oficiais Farrapos. O objetivo do encontro era elogiar, novamente, a conduta da Brigada nas jornadas de junho e se comprometer com suas reivindicações salariais.

Assim como os povos indígenas e quilombolas, os trabalhadores da educação do estado também estiveram em luta com o governo. Professores e demais funcionários da comunidade escolar foram à greve pela aprovação do piso nacional do magistério e pelo fim da reforma do ensino médio a partir do modelo politécnico, ou como bem ficou conhecido em função de sua intenção em formar mão de obra barata para a patronal gaúcha, o politreco.

Após ser o responsável pela elaboração da lei nacional do piso do magistério, quando ministro da educação, e de a ter defendido veementemente durante sua campanha eleitoral foi Tarso quem a ignorou de forma sistemática, se prestando inclusive ao patife papel de se articular com outros governadores para rebaixar seus valores, por si só já bem questionáveis.

Assim como os trabalhadores rodoviários, indígenas e quilombolas o diálogo encontrado pelos educadores em greve não foi aquele tão defendido no tal seminário ou tão comemorado por agentes do partido em textos publicados na rede e outros espaços. O “diálogo” encontrado pelos educadores foi a repressão direta quando, no dia 09 receberam bombas de gás lacrimogêneo e spray de pimenta ao realizarem um ato em frente a casa do governador, que assim que logrou dissipar o ato se apressou a pedir desculpas pelo incomodo aos vizinhos. Nunca é demais lembrar que cada bomba de gás lacrimogêneo custa em torno de R$800,00, ou seja, mais do que o salário de muitos dos trabalhadores da educação.

Para além da repressão covarde em frente a casa de Tarso, no melhor estilo de sua antecessora Yeda Crusius, tivemos uma vez mais a completa intransigência do governo e da secretaria de educação através do secretário José Clovis Azevedo que chegou a cortar o ponto dos trabalhadores da educação em greve, decisão que posteriormente foi revertida por medida judicial. Ao abordar a greve, o “progressista” secretário de educação e ex dirigente do CPERS-Sindicato disparou uma pérola que poderia muito bem ser atribuída a “analistas” da claque de Reinaldo Azevedo, ao afirmar que “A posição do CPERS é política, de embate permanente com o governo. Essa é a orientação dos grupos ideológicos que hegemonizam a entidade e não representam a maioria dos professores”.

Tais lutas, que estiveram em curso em nosso Estado nestes dois últimos meses, contaram com uma ativa participação do Bloco de Lutas a partir de suas mais diversas comissões. Seja no ombro a ombro com companheiros do movimento indígena e quilombola, seja na contundente intervenção de sua comissão de educação, que foi capaz de dinamizar a agenda da greve, mobilizando professores, funcionários e secundaristas, e protagonizando atos importantes como a ocupação da assembléia legislativa. Em todas estas lutas brilhou a ausência de solidariedade por parte da militância organizada do PT que, até a ocupação da câmara de vereadores, estava voltada a si e suas disputas nos clássicos aparatos institucionais, contando com escassa, quase nula presença nas lutas que a antecederam.

Em meio a esse processo o partido desatou uma de suas operações de marketing político, rigorosamente elaboradas em agências publicitárias, lançando um comercial como campanha de filiação ao partido. De forma oportunista e demagoga, a peça busca apresentar o PT enquanto um grande agente organizador das jornadas de luta que vivemos ao longo deste ano, inserindo uma imagem de companheiros de organizações que são publicamente conhecidas como oposição de esquerda ao governo em uma reunião com Tarso onde lhe foi entregue a pauta de reivindicações do Bloco. É sempre bom recordar que enquanto esse grupo de companheiros se encontrava no interior do Piratini para entrega da pauta, acontecia um ato em frente ao palácio, ato esse que pouco após a saída dos companheiros foi dispersado pelas bombas da brigada que pouco depois foi elogiada pelo mesmo Tarso por sua conduta.

Para além dos referidos acontecimentos envolvendo o governo Tarso, tivemos, a poucos dias a reunião em caráter de urgência de Dilma com representantes do Itaú e AMBEV, patrocinadores da Copa que, preocupados com a possibilidade de uma nova onda de manifestações durante o mundial, exigiram que a presidente interviesse de forma a impedi-las, solicitação prontamente atendida.

O conjunto destes eventos, aliada a intervenção de uma militância que se desdobrou para fazer o possível e o impossível para que o Bloco de Lutas fosse uma correia de transmissão do partido e governo levaram, de forma inevitável, a opção em assembléia, pela expulsão da militância organizada do partido das instâncias do movimento. Não se trata, portanto, como querem fazer crer muitos que reduziram o acontecimento a um problema de fundo emocional, de uma expulsão pelo fato de certas pessoas terem determinada concepção política. Em nossa militância cotidiana lidamos diariamente com gente do povo com as mais diversas idéias e convicções políticas e religiosas. Esse contato cotidiano, fruto do trabalho militante, com gente que acredita seja em Tarso, Dilma, Lula, Serra, FHC ou quem quer que seja é algo muito distinto da atuação meticulosa de uma corrente, ou uma composição de correntes, determinada em transformar um legítimo movimento popular em correia de transmissão de um partido e governo que atacam ostensivamente os que ousam lutar com independência política e de classe.

A tese de uma possível disputa dos governos petistas e do próprio partido já não podem mais ser defendidas se não pela lógica do absurdo. A ardilosa engenharia do pacto social, meticulosamente costurado entre o governo, a patronal e burocracias sindicais e do campo popular, caminha, invariavelmente para uma colaboração com os de cima, ao passo que trabalha na fragmentação e cooptação de setores dos de baixo por um lado e o progressivo isolamento e repressão daqueles setores que não se submetem a tais acordos espúrios por outro.

Enquanto “crises de representações” e “renovação da democracia” são discutidas em algum fantástico mundo de gente livre de “doenças infantis”, de forma sórdida e já não mais as escuras, este mesmo governo e partido reafirma e intensifica o domínio estrutural dos cima no cenário político e econômico do país e do estado, ainda que para tanto tenha que recorrer de forma sistemática ao aparato repressivo.

O faz, é bom frisar, em um cenário de fragmentação e cooptação de instrumentos de luta dos de baixo, muitos dos quais já paralisados pela burocratização. Esse processo tem afirmado cada vez mais o personalismo e por vezes o culto a personalidade de certos dirigentes, assim como a conversão de muitos dos então instrumentos de luta dos de baixo em instrumentos agentes dos de cima, cenário propício para um avanço do conservadorismo, seja no senso comum, seja em estruturas organizativas dada a ausência de força social para disputar uma agenda a esquerda.

Ao nosso ver os eventos que sucederam nos últimos 02 meses só fazem reafirmar que certas representações não tenham crise alguma; são claras, evidentes e politicamente convictas. Haja trapezismo retórico e demagogia para justificá-los.

Resta a todos nós, militantes de base dos mais distintos setores não nos dobrarmos frente a tais desmandos, fortalecendo nossos instrumentos organizativos a partir de uma sólida independência política e de classe.

Não passarão!
Não ta morto quem peleia!

Porto Alegre, 01 de Outubro de 2013.
Federação Anarquista Gaúcha – FAG.
Organização integrante da Coordenação Anarquista Brasileira – CAB.

[FAG] NÃO SE INTIMIDAR, NÃO DESMOBILIZAR. RODEAR DE SOLIDARIEDADE OS QUE LUTAM!

Retirado de: http://batalhadavarzea.blogspot.com.br/2013/10/nao-se-intimidar-nao-desmobilizar.html

Nota pública da FAG sobre a caça as bruxas do dia 01 de outubro em Porto Alegre – RS
A grande operação que a polícia civil desatou ontem, atingindo diversos companheiros e organizações de esquerda que militam em torno do Bloco de Lutas aponta a necessidade da solidariedade como uma tarefa de urgência.
Nesse momento urge encararmos a questão no seu devido conjunto. Não se tratou de uma repressão dirigida especificamente a uma organização, mas sim um golpe contra toda militância de esquerda. O momento é de tomarmos a solidariedade para com todos os companheiros e organizações perseguidas como um dever que esteja acima de vinculações ideológicas e organizativas, não caindo na mesquinharia de titubear a solidariedade em função de preferências políticas.
Após todo esse sórdido operativo, Tarso teve a frieza e a cara de pau para divulgar um depoimento onde faz questão de defender o mega operativo, frisando que o mesmo se deu respeitando todos os marcos do “Estado democrático de direito”. Omite todo um roteiro de invasões em residências e locais como o Moinho Negro, Utopia e Luta, Ateneu Libertário, invadido pela segunda vez em menos de 4 meses. Tarso cita os casos dos companheiros do PSOL e PSTU e convida os dirigentes dos partidos para uma audiência com o objetivo de relatarem o ocorrido.
O convite de Tarso entra como a proposta de um jogo cretino, pois o que busca em realidade é arbitrar, a revelia de um movimento popular, quem são seus interlocutores, além de pressionar para a colaboração. Isso fica claro quando, ao negligenciar o restante do operativo afirma não acreditar que “atos criminosos” sejam praticados por “militantes políticos”, logo já apresenta a fatura aos demais companheiros e organizações atingidas. Nada disso é novidade, no mês de junho, quando tivemos nossa sede invadida, através de um artifício ilegal (até hoje não temos conhecimento do mandato judicial), o mesmo Tarso foi a imprensa para chamar-nos de fascistas e reivindicar que estes partidos revissem sua política de alianças nos movimentos sociais.
Por fim, chamamos atenção para o grave caso dos 03 companheiros professores arbitrariamente presos no último ato do Bloco de Lutas que foram indiciados no dia de hoje. Estes 03 companheiros foram abordados por um ônibus da Brigada e presos logo em seguida enquanto se dirigiam a uma lancheria na Cidade Baixo após o término do ato. A isca para abordá-los foi que um destes companheiros carregava uma bandeira do CPERS-Sindicato.
A prisão destes companheiros logo revelou uma meticulosa operação policial que tinha como intuito caçar aleatoriamente manifestantes ao final do ato, de forma a efetuar prisões e plantar “flagrantes” de forma a apresentá-los como bodes expiatórios por casos de depredações. Sem provas, resumindo tudo ao depoimento de brigadianos não identificados, os companheiros foram acusados de depredação de patrimônio público, crime ambiental por pichação em patrimônio tombado e agressão a brigadianos. O grande objetivo da operação era encaminhar os companheiros ao presídio central dada o valor exorbitante da multa/chantagem que se aplicou: R$4 mil para cada em espécie.
Enquanto a polícia civil respeitando o “Estado democrático de direito” invadia residências de companheiros e locais de organizações, o delegado Paulo César Jardim, responsável pela “investigação” das prisões do último ato, concluía sua nobre tarefa.
Curioso é o fato que o mesmo Jardim é também o delegado responsável pela investigação dos grupos neo-nazistas que atuam impunemente no Estado, mais especificamente em Porto Alegre e na Serra Gaúcha, realizando inúmeros ataques, especialmente de ordem homofóbica e racista. Nunca vimos tamanha agilidade deste “grande investigador”, para autuar esses verdadeiros criminosos e tampouco medidas efetivas por parte do governo Tarso/PT nesse sentido.
É hora de levar o abraço solidário a todos e todas que lutam para que o protesto social não se envergue ao poder e resista a fuzilaria reacionária dos monopólios da mídia. Mobilizar uma frente comum de todo o campo da independência de classe para romper o cerco repressivo e impedir a criminalização dos movimentos sociais.
Contra o medo e a repressão. Luta e Organização!
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ATENEU LIBERTÁRIO É INVADIDO PELA POLÍCIA PELA 2 VEZ EM MENOS DE 4 MESES

Na tarde desta última terça-feira, 1 de outubro de 2013, o Ateneu Libertário A Batalha da Várzea que faz local político-social para a Federação Anarquista Gaúcha foi invadido pelas forças repressivas do governo Tarso do PT pela segunda vez. A porta da sede foi arrombada e teve suas dependências e equipamentos revirados. Por cima de uma mesa foi deixado um bilhete que dizia: “passei por aqui e a porta estava aberta. Gostaria de participar da FAG.”
A terça-feira amanheceu com uma forte operação repressiva desatada pelo governo estadual e a justiça sobre militantes do Bloco de Lutas e organizações de esquerda. Invasão de residências particulares, locais públicos de esquerda e campanas sobre companheiros/as foram levados a cabo durante todo o dia. Falam-se de mais de 70 mandatos judiciais de busca e apreensão ainda por serem executados. Na última quinta-feira, quando da dispersão do ato público do Bloco de Lutas cinco companheiros foram detidos e incriminados.
O governo Tarso quer calar o protesto social que foge do seu controle, que não se engana com seus malabarismos retóricos e nem se amansa com expedientes repressivos.

Não ta morto quem peleia!

[FAG] Nova publicação – Pensamento e Batalha

Retirado de: http://batalhadavarzea.blogspot.com.br/2013/09/nova-publicacao-da-fag-pensamento-e.html

É com satisfação que a FAG lança seu mais novo material, de caráter teórico-ideológico que pretende trazer para discussão elementos que constituem nossa concepção de Anarquismo, situando-os no debate histórico e atual.

PENSAMENTO E BATALHA é seu nome, e nesse primeiro número falamos da ORGANIZAÇÃO POLÍTICA do Anarquismo e do FEDERALISMO LIBERTÁRIO.

Nossa contribuição ao debate!
Porque não tá morto quem peleia!!!

Download: Pensamento-e-Batalha-1- FAG 2013

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