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Todo apoio ao Movimento de Organização de Base – Paraná!

O Coletivo Anarquista Luta de Classe saúda a criação do Movimento de Organização de Base – Paraná!

Só com a organização de base, com a luta autônoma e solidária da classe oprimida vamos conseguir avançar nos nossos direitos e transformar essa realidade tão injusta e desigual!

Vida longa ao MOB-PR!

Viva a Portelinha!

Viva a Vila das Torres!

Viva o Campo Comprido!

Lutar! Criar Poder Popular!

Retirado de: http://organizacaodebase.wordpress.com/2014/07/01/nota-publica-de-criacao-do-movimento-de-organizacao-de-base-parana/

“A história são os pobres que a fazem
A vitória esta na mão de quem peleia,
Nossa gente tão cansada de sofrer
Vamos juntos decidir o que fazer,
Se o governo e os patrões só nos oprimem
Acumulando riqueza e poder
Ação direta é a arma que nós temos
Pra fazer justiça pra viver.”

Hino da Ação Direta

No dia 06 de abril de 2014 um passo muito importante foi dado para a luta autônoma e de base das comunidades do Paraná, o Movimento de Organização de Base foi criado no nosso estado. Moradores da PortelinhaVila das Torres e do Campo Comprido, em conjunto com companheiros e companheiras do Coletivo Quebrando Muros, Coletivo Tarifa Zero e um militante do MOB-RJ participaram do seminário de criação do MOB-PR.

Durante todo este dia foi discutida a conjuntura política e social de cada comunidade, assim como da cidade de Curitiba. Foram levantados os principais problemas que teremos que lutar para resolver e esboçados alguns caminhos que devemos seguir para chegarmos aonde queremos.

A partir da análise e discussão sobre três eixos fundamentais: Educação e Cultura PopularMoradia Digna Economia Coletiva conseguimos traçar alguns objetivos e formas de alcançá-los.

Com as contribuições do companheiro do MOB-RJ enxergamos vários pontos relacionados à organização que podemos nos espelhar e ainda aprendemos muito sobre os processos de resistência e luta que os companheiros e companheiras do Rio de Janeiro têm participado.

Nossos princípios, assim como os dos companheiros do MOB-RJ, ficaram claros desde o início. Sabemos que só com o ClassismoSolidariedade de ClasseInternacionalismoIndependência de ClasseAção Direta Democracia de Base vamos conseguir construir uma sociedade mais justa e igualitária!

A luta dos oprimidos nas periferias de Curitiba e do Paraná agora tem um novo movimento combativo e independente! O Movimento de Organização de Base que já se organiza na Vila das Torres, Portelinha e Campo Comprido!

Viva a Portelinha!

Viva a Vila das Torres!

Viva o Campo Comprido!

Viva o Movimento de Organização de Base!

contato: mob-pr@riseup.net

O Movimento de Organização de Base – RJ saúda as comunidades Portelinha, Vila Torres e Campo Comprido, o Coletivo Quebrando Muros e todos os colaboradores por promoverem esse grande passo na construção do poder popular. Termos como objetivo a organização local das lutas comunitárias a partir da base, do protagonismo de quem sofre na pele o dia a dia dos problemas sociais, nos despejos criminosos realizados pelos governos, que sofre com a falta de saneamento básico e necessidades essenciais (luz, água, gás…), na falta de acesso à educação etc. é a maneira que encontramos de resistirmos nessa sociedade de opressões. Por isso acreditamos que na luta do cotidiano, resistindo ombro a ombro,unidos pela mesma causa de forma solidária, somos muito mais fortes. Por uma vida com igualdade e liberdade social!

Viva o MOB-PR! Viva a solidariedade de classe! Viva o Poder Popular!
Lutar, Criar, Poder Popular!”

[CAB] Contra a Copa e a Repressão: Somente a Luta e Organização!

Retirado do novo site da CABhttp://anarquismo.noblogs.org/?p=82

O quadro das lutas e dos conflitos sindicais e populares no país antes e durante a Copa do Mundo, tem pressionado o governo federal, alguns governos estaduais, municipais e as patronais, gerando uma guerra de nervos nos principais centros urbanos do Brasil.

Se no ano passado as grandes mobilizações foram protagonizadas pelos setores precarizados da juventude e não pelos movimentos populares organizados, em 2014, a tônica tem sido e, pelo jeito, continuará sendo dada pela base dos trabalhadores de diversas categorias e por setores próximos e articulados com as classes oprimidas. O desenrolar do conflito dos Metroviários de São Paulo – que durante dias enfrentaram a intransigência de uma das piores expressões da direita desse país (o quadro da organização de extrema direita católica Opus Dei Geraldo Alckmin/PSDB) é um exemplo disto, recebendo a forte repressão policial, todo o jogo sujo dos grandes meios de comunicação e ainda o anúncio de mais de 40 demissões. Os metroviários prosseguem na campanha de readmissão dos 42 trabalhadores demitidos. Chumbo grosso está sendo jogado em cima desses valorosos companheiros/as e em cima de outras categorias atualmente em greve é por isso que precisamos estar atentos a todas as tentativas de criminalização das lutas.

Estado de exceção? Estado de luta e solidariedade permanente!

No marco da Lei Geral da Copa e da Portaria de Garantia da Lei e da Ordem, que configura um verdadeiro Estado de Exceção no país, faz-se extremamente necessária a Solidariedade incondicional do conjunto da esquerda e dos movimentos sociais a todos os conflitos em curso e, principalmente, para os trabalhadores metroviários de São Paulo.

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Em virtude das jornadas de junho de 2013, temos visto a crescente preocupação do Estado brasileiro em garantir a “tranquilidade” durante o período da Copa. O que, na prática, se expressa em mecanismos jurídicos que rifam direitos civis e liberdades democráticas, intensificação da repressão e da criminalização do protesto e da pobreza, aumento dos efetivos policiais e militares nos centros urbanos, bem como em suas periferias e favelas, assim como os gastos com as tecnologias de repressão. A continuidade das lutas sindicais e populares neste período nos indica que não serão poupados esforços no sentido de conter, amedrontar e impedir que os trabalhadores usem de instrumentos legítimos e históricos para defender seus direitos e arrancar conquistas, como greves, piquetes, ocupações e marchas.

No Rio de Janeiro, São Paulo e Ceará, por exemplo, mandados de busca e apreensão foram expedidos às vésperas da COPA, com detenção de alguns companheiros/as no sentido de inculcar medo nos lutadores sociais. No Distrito Federal, militantes do Comitê Popular da Copa receberam intimidação de supostos representantes da Justiça Eleitoral não-identificados, um dia antes de um protesto contra os gastos da copa. Em Porto Alegre, vários lutadores sociais do Bloco de Lutas estão sendo processados e intimados. Os próprios metroviários em greve sofreram forte repressão da Tropa de Choque da PM, que usou bombas de gás lacrimogênio, de efeito moral e balas de borracha. Em Goiânia, estudantes da Frente de Luta pelo Transporte Público foram presos de forma arbitrária e somam-se aos inúmeros presos e detidos da luta pelo transporte no país. A lista é enorme e poderíamos estender mais de uma página com casos de intimidação e repressão de norte a sul do país.

O problema do déficit habitacional que é gravíssimo no país, faz o número de ocupações urbanas nas grandes cidades multiplicar-se. A resposta do estado, tem sido defender os especuladores imobiliários, com remoções forçadas. Salvo, quando os movimentos de moradia, saem às ruas denunciando e exigindo avanços, como recentemente em São Paulo.

Temos apontado, em nossos materiais de análise, que vivemos um momento emblemático em nosso país, com o aumento das perseguições políticas a lutadores sociais e organizações políticas, inquéritos com acusações absurdas e descabidas que podem prosseguir para além da Copa do Mundo. Tudo isso coordenado por uma constante guerra psicológica às lutas sociais por parte dos grandes meios de comunicação, destilando seu ódio de classe e suas mentiras na expectativa de construir um consenso conservador que reforce a ideia de que a questão social é um caso de polícia. O período da Copa confirma a continuidade desse cenário. Em comunicado nacional, no dia 10/06, a presidenta Dilma Rousseff diz que essa será a “copa da tolerância, da diversidade, do diálogo e do entendimento”. Uma clara reafirmação do atual pacto social empregado pelo atual governo com a burguesia e sua base de sustentação, tanto em termos partidários como dentro dos movimentos sociais que hegemoniza, como é o caso da CUT por exemplo.

Enfrentar a repressão: organizando e lutando!

O período que estamos vivendo tem demonstrado a verdadeira face do sistema de dominação capitalista, que não será transformada com a troca dos governos de turno. Quando os de baixo se movem, os de cima tratam de pôr em funcionamento toda ordem de mecanismos coercivos, repressivos e de intimidação para frear as lutas. A repressão é e sempre será a carta na manga das classes dominantes e do Estado, a carta que derruba todas as demais e impõe a “paz social”. A violência dos de cima é constitutiva das estruturas de dominação do capitalismo e, portanto, nunca será uma exceção no atual sistema. Ela é regra que contribui para manter operando as relações de poder e dominação funcionais aos privilégios das classes dominantes.

É certo que a natureza das mobilizações, muitas delas à revelia das direções sindicais e das estruturas oficiais do sindicalismo “tradicional”, nos pede que avancemos para formas de organização, desde a base, que façam da experiência de luta de milhares de trabalhadores, moradores das periferias urbanas, pobres do campo e estudantes um critério para apontar o que serve e o que não serve ao protagonismo e ação direta desses lutadores. Isso implica reforçar e construir movimentos populares e organismos de base sindical combativos e independentes para dar força social aos oprimidos e oprimidas, linha política que a CAB tem modestamente se dedicado a construir em diversos setores de luta. As experiências das lutas de 2013 e dos recentes conflitos têm sido as que melhor têm produzido uma ideologia combativa, de luta e de enfrentamento. Não é hora de recuar mas sim, hora de dar qualidade organizativa!

Dar qualidade organizativa na criação de organismos de base.

Mais uma vez, a hora é de solidariedade permanente, porque permanente é a luta e onde há dominação há resistência! Onde há resistência, luta e organização de base, há sementes sendo plantadas para a construção do Poder Popular.

O momento é de enfrentar a repressão lutando para que esse novo período de lutas contra as forças da ordem aprofunde os níveis de organização e consciência dos de baixo para superar o medo que a classe dominante seu governo de turno desejam nos impor.

Toda Solidariedade à greve dos metroviários de São Paulo! Pelo Direito de Greve!

Pela readmissão dos 42 metroviários grevistas!

Pelo fim da detenção e das intimações dos lutadores!

Contra a repressão promovida pelos de Cima, a luta, a greve e a organização dos de Baixo!

Fortalecer o movimento sindical e popular com democracia direta, independência de classe e governos!

Protestar não é crime!

Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

OPINIÃO ANARQUISTA: 2014 é ano de luta! Rumo à conquista de direitos!

Novo Opinião Anarquista do Coletivo Anarquista Luta de Classe sobre este momento histórico no Brasil:

Opinião Anarquista 06 - 01

Opinião Anarquista 06 - 02

Baixe em PDF: Opinião Anarquista 06

2014 é ano de luta! Rumo à conquista de direitos!

 

Copa para os ricos, miséria para o povo.

Com o maior evento realizado no Brasil nos últimos tempos vieram também milhares de famílias sendo despejadas de suas residências; trabalhadores acidentados e mortos na construção dos estádios da Copa; pessoas pobres, moradores de rua, usuários de drogas, prostitutas e travestis sendo retiradas à força dos centros das grandes cidades para dar aspecto de “limpeza e riqueza” para turista ver; ao mesmo tempo em que aumenta o tráfico de mulheres e exploração sexual de crianças no país. Se não bastasse, cresce enormemente a repressão policial e a criminalização dos movimentos sociais que saem às ruas para lutar por seus direitos.

Durante os preparativos para a Copa do Mundo no Brasil mais de 250 mil pessoas foram removidas à força de suas residências. Além da truculência utilizada para as remoções, as famílias despejadas se quer receberam as indenizações devidas. Por outro lado, os grandes empresários do ramo imobiliário e da construção civil lucraram milhões de reais sobre os terrenos onde antes havia comunidades.

Outro dado que chama atenção é o número de operários que morreram trabalhando na construção dos estádios da Copa: foram 9 trabalhadores! Trabalhadores que morreram por acidentes, quedas e descarga elétrica; vítimas da negligência e do desrespeito das empreiteiras e do Estado, que valoriza o lucro extraído do grande evento, em detrimento da condição de vida e de trabalho do povo.

A higienização social nos grandes centros urbanos, cidades turísticas e cidades que sediarão os jogos do mundial também choca. O Estado, de maneira brutal, retira com violência os moradores de rua, os usuários de droga e impedem que prostitutas e travestis continuem trabalhando nas ruas centrais das cidades para esconder as mazelas sociais brasileiras. Maquiar não é resolver!

Em todos os países que sediaram a Copa, há um exorbitante aumento no tráfico de mulheres, crianças e adolescentes principalmente para a exploração sexual. No Brasil isso não está sendo diferente e as principais vítimas são mulheres negras, jovens, com baixa escolaridade, moradoras da periferia que são enganadas com a promessa de melhoria de vida. Enquanto isso, o Estado não tem políticas públicas que se destinam a combater o turismo sexual e a exploração dessas mulheres.

Por outro lado a FIFA lucra mais de 10 bilhões de reais com a Copa no Brasil. Ao mesmo tempo, trabalhadores ambulantes e artistas independentes são impedidos de trabalhar no entorno dos estádios. Legado para o povo?! O povo não tem saúde, não tem educação, não tem transporte público de qualidade. Os trabalhadores não têm sequer dinheiro para comprar o ingresso e assistir aos jogos nos estádios.

Lucro e privilégio para os opressores e falta de condições para os oprimidos

Os serviços públicos estão cada vez mais sucateados e dando lugar à iniciativa privada. Hospitais sendo vendidos, escolas públicas fechadas por falta de condições, tarifas dos transportes coletivos sendo aumentadas todos os anos sem que o serviço melhore de qualidade, falta de concursos públicos; esses são alguns dos problemas que o povo vem sofrendo na pele diariamente.

O Governo PT, atrelado aos interesses dos convênios de saúde e da indústria farmacêutica, tem deixado que o SUS esteja cada vez mais precário. Podemos perceber isso quando comparamos o número de leitos do SUS e do sistema privado de saúde nos últimos anos. De 2010 até 2013 o SUS perdeu 12,7 mil leitos e a rede privada ganhou 13,4 mil. Por outro lado, cerca de 90% da população brasileira depende dos serviços do SUS, ou seja, está claro que quem tem acesso a saúde privada não é a maior parte da população.

A educação pública é outro serviço fundamental que vai de mal a pior. Atualmente o que se vê é uma grande expansão do ensino privado, ensino esse que não ensina o estudante a pensar e questionar a realidade, mas apenas a reproduzir o conhecimento. De 2000 até 2010 mais de 25 mil escolas públicas foram fechadas! Ao mesmo tempo em que a população em idade escolar aumentou consideravelmente. Para satisfazer essa demanda seriam necessárias mais de 20 mil novas escolas.

Na educação superior vemos a expansão das universidades privadas com incentivo do Estado através de programas como o PROUNI e FIES. No entanto, sabemos que as faculdades privadas, em sua maioria, não oferecem ensino, pesquisa e extensão de qualidade, mas apenas um ensino técnico destinado ao mercado de trabalho. O lucro dessas universidades cresceu entre 2011 e 2013, de R$ 24,7 bilhões para R$ 32 bilhões. Cada vez mais lucro para os donos das universidades particulares e menos condições de ensino para os estudantes nas instituições públicas.

Moradia digna é outro direito essencial que, no entanto, está bem longe de ser garantido. Em 2010, mais de 2,7 milhões de pessoas não tinham acesso à energia elétrica. Em 2013, mais de 100 milhões de brasileiros não tinham acesso à coleta de esgoto e em 2014, 40 milhões não têm acesso à água tratada, o que acarreta milhares de mortes causadas por doenças todos os anos.

Saúde, educação e moradia são só alguns dos inúmeros serviços e direitos que o povo precisa e que deveriam ser garantidos. E mesmo com a chegada de um “governo dos trabalhadores” ao poder esses estão bem longe do ideal, porque não importa o governo, o Estado existe para cumprir um importante papel de dominação de uma classe sobre outra. Por isso, nós, a classe oprimida, precisamos lutar com nossas próprias mãos para conquistar o que queremos!

 O que queremos?

É fato que muitas injustiças já foram cometidas durante a construção da Copa do Mundo 2014, entretanto devemos lutar para reverter, pelo menos em parte, esse legado perverso que será deixado e avançar na luta e organização da classe trabalhadora.

Pelo direito de organização e manifestação! Contra a criminalização dos movimentos sociais! Protesto não é crime!

Pelo fim imediato dos despejos forçados! Pelo direito à moradia!

Pelo fim do processo de higienização social! Pelo direito de ir, vir e permanecer nos espaços públicos! Por albergues dignos!

Pelo direito ao trabalho dos ambulantes, feirantes e artesãos!

Contra a exploração sexual e o tráfico de pessoas!

Por Serviços Públicos de qualidade! Da Copa eu abro mão, eu quero saúde, transporte e educação!

Exigimos pensão vitalícia às famílias dos operários mortos e incapacitados por acidentes de trabalho nas obras da Copa!

 Organização para a luta

Vivemos uma nova etapa da luta de classes no Brasil. Desde as revoltas populares em junho e julho de 2013 uma antiga forma de luta voltou a ter destaque nos movimentos sociais: a ação direta. A luta dos oprimidos feita por suas próprias mãos em resistência à dominação e na exigência de direitos é hoje um método que as organizações populares utilizam e que vem trazendo conquistas.

Cada vez mais a via eleitoral está perdendo espaço, uma vez que o povo está perdendo a esperança de que seus supostos “representantes” podem, de fato, fazer seus direitos avançarem e a desigualdade social diminuir. No lugar disso aparecem as lutas dos trabalhadores, estudantes, moradores da periferia, camponeses, que se organizam de maneira autônoma, em movimentos combativos que forjam seus próprios caminhos de forma coletiva e verdadeiramente democrática.

O descrédito com as eleições burguesas acontece devido à desilusão da classe dos oprimidos com a chegada do PT à presidência. Esse governo que se dizia dos trabalhadores não rompeu com a classe dominante, exploradora e opressora, mas pelo contrário, fez um pacto com essa classe!

Os serviços públicos, as condições de trabalho, ensino e moradia não avançaram com a eleição daqueles que se fizeram passar por “representantes do povo”, mas estão avançando com a ação direta dos oprimidos! A tarifa de transporte público baixou em Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Joinville, Belo Horizonte, Porto Alegre, Manaus e outras várias cidades em 2013. Greves vitoriosas de rodoviários em Porto Alegre e São Paulo e dos Garis no Rio de Janeiro em 2014. Inúmeras ocupações urbanas resistem e têm suas áreas regularizadas a partir de manifestações de rua e muita organização em várias cidades como Curitiba, São Paulo, Florianópolis e Belo Horizonte!

Acreditamos que só com a organização da nossa classe em cada local de moradia, estudo e trabalho, a partir de movimentos sociais combativos, horizontais e classistas que vamos conseguir criar o poder popular!   É com organização, ação direta e democracia de base que vamos resistir e avançar! Seja no grêmio da escola, no centro acadêmico da universidade, no sindicato da categoria, no movimento de bairro ou do campo vamos nos organizar para construirmos uma sociedade que seja igualitária, justa e livre!

Ação Direta é a arma que nós temos para fazer justiça para viver!

Lutar! Criar Poder Popular!

[FAG] Opinião da FAG sobre a conjuntura das lutas do movimento sindical e popular

Retirado de:
15 de maio de 2014

Mobilização nacional contra a Copa do mundo no Brasil preocupa os governos e coloca os de Baixo na ofensiva.

Desde 2013 o Brasil vive um cenário adverso com gigantescas mobilizações que pela força das ruas questionaram a ordem do sistema imposto pelos governos e seus aliados a nível nacional e internacional.

O país esta passando por um clima propício à organização dos oprimidos, gerando um sentimento de esperança para o movimento popular. Em 2013, os sindicatos saíram timidamente às ruas, muito por conta do sentimento de rechaço das massas, que não se viam representadas por estas estruturas de organizações dos trabalhadores, já que durante os últimos períodos, boa parte destas foram cooptadas pelos governos e seus dirigentes se converteram em burocratas de plantão, prontos para puxar freio das bases revoltadas por tanta conciliação de classe; sem falar da fragmentação do mundo do trabalho como elemento que caracteriza este período. Contudo, também é preciso dizer, que muitos resistiriam e seguiram combativos.

Porém, este ano, as lutas de uma série de categorias mobilizadas desde a base vem mostrando uma outra forma de fazer luta sindical. O protagonismo dos próprios trabalhadores, que tomam decisões à revelia dos dirigentes sindicais; assembleias massivas em que as decisões são referendadas longe dos gabinetes e das negociatas feitas de antemão. É a retomada de uma experiência própria do sindicalismo revolucionário desabrochando no seio dos setores dos oprimidos, em que o movimento popular toma a ferramenta da greve como ação direta contra os patrões e governos. Ferramenta histórica é verdade, mas que agora é tomada com outra intencionalidade, indo além de pautas meramente corporativas e ganhando expressões políticas. A maioria dessas greves têm questionado não só as condições de trabalho, mas de um modo geral, os rumos do país, tanto econômica quanto politicamente. Uma boa parcela das classes oprimidas demonstra que não está mais por aceitar decisões de cima para baixo, apesar das medidas de controle que os governos tenham em mãos. Há um amadurecimento precoce, porém vivo entre os setores dos de Baixo.

Já são diversas as cidades que se erguem em greves e manifestações que questionam o megaevento que está prestes a acontecer no país. Grandes ocupações urbanas, dezenas de categorias em greve e protesto por todos os lados saem às ruas para dizer que não querem mais opressão e repressão por conta de um evento que beneficia os grupos político-econômicos envolvidos neste mundial.

A força das ruas em 2013, contexto de grandes mobilizações com uma imensa variedade de pautas, muitas vezes dispersas, mostraram também as debilidades de um movimento sem organização de base. Se por um lado as jornadas de junho nos colocaram com força na cena política, também nos colocaram cara a cara com as insuficiências do movimento popular. A maioria das pessoas que participaram dos protestos em 2013 não estavam referenciadas por sindicatos ou movimentos populares, o que ajudou no esvaziamento das marchas e mobilizações. Depois do turbilhão, as massas sem referências políticas ou de organização de base saem das ruas; mas os efeitos dos grandes protestos seguem vivos e dão caldo para este ano, que pode, sem sombra de dúvidas, serem mais propícios a resultados de fundo. Essa nova configuração das lutas colocadas novamente nas ruas no país, que partem de sindicatos e movimentos populares, tem criado um cenário mais fecundo para que as demandas pautadas sejam projetadas pelo movimento dos de Baixo no marco de uma perspectiva de acumulação de forças e de construção do poder popular.

É notório o desespero dos governos em relação a uma possibilidade de descontrole durante os jogos da Copa. O que está em jogo é manter a ordem ou sucumbir a possibilidades de uma convergência do movimento sindical para um chamado de greve geral, o que pode sim colocar em risco a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Isso não quer dizer que os jogos não vão ocorrer, mas, como vai estar o clima para isso é a grande questão! Já é sabido que não existe apelo da população para o mundial, o apelo, ao contrário é para repudiar os gastos com jogos e estruturas que não beneficiam a população. Politicamente já se pode afirmar que a Copa no Brasil é um fracasso, no entanto as medidas do governo em conluio com a FIFA é conter, custe o que custar, os protestos e para isso, vão usar de força bruta para calar a voz de todos que estão se erguendo em luta. Já existe uma onda de criminalização forte desencadeada aos militantes políticos que estão organizados nas manifestações, assim como a forte criminalização da pobreza que segue firme no país e encontra neste momento um caminho aberto para colocar em prática seu plano de limpeza social.

É preciso fomentar a denúncia a nível internacional, as leis e portarias que estão entrando em vigor, todas elas para cercear a liberdade de expressão e manifestação, como é o caso da lei que esta para ser votada no Congresso Nacional que tipifica protesto como ato terrorista. Neste momento já temos cidades no país que estão sendo sitiadas pela Força de Segurança Nacional (FSN) como é o caso da cidade de Recife. O exército já está instalado nas cidades sedes da Copa e hoje, dia 15 de maio, é o dia que está autorizado sua intervenção, caso julguem necessário. Em algumas cidades o fato de trancar ruas já é proibido e sabemos que as greves que estão em vigor vão ser duramente atacadas para que voltem ao trabalho e a ordem estabelecida pelos mesmos sanguessugas de sempre (patrões e governos).

Se é momento de tensão para os de Cima é porque os de Baixo estão em ofensiva.

Precisamos articular cada vez mais uma unidade para os setores combativos do movimento popular e sindical, porque sabemos que ainda é grande a base aliada do governo dentro destes espaços, sempre pronta para blindar o avanço do movimento dos trabalhadores contra o governo em vigor, ainda mais em um ano eleitoral. Mas, é fundamental ir alavancando uma política independente de governos e patrões, com democracia direta, rompendo o centralismo, a burocracia, colocando em prática valores vitais para um movimento de cunho classista e combativo, com a ampla solidariedade de classe e autonomia, buscando sempre o trabalho de base como forma de organização, com formação política para preparar novos sujeitos capazes de serem protagonistas de suas demandas, ser agressivo na propaganda dos de baixo, seja para expor nossas ideias ou para contrapor as ideias das elites e governos.

Só há um caminho para a conquista dos oprimidos que é a luta sem trégua contra os nossos opressores, com ação direta e popular, sem recuar diante das inúmeras ofensivas que iremos sofrer, mantendo o vínculo direto com inserção social, buscando fortalecer organizações do campo social, traçando caminhos para avançar níveis de lutas no qual a conjuntura possa nos oferecer, sempre atentos e organizados.

Contra a repressão promovida pelos de Cima, a luta e a organização dos de Baixo!

Avançar nas lutas e greves!

Fortalecer o movimento sindical e popular com democracia direta,
independência de classe e governos!

Pela força das ruas e organizações de base!

Federação Anarquista Gaúcha – FAG

Foto: ::: Opinião da FAG sobre a conjuntura das lutas do movimento sindical e popular no país e o dia 15 de maio.

15 de maio de 2014

Mobilização nacional contra a Copa do mundo no Brasil preocupa os governos e coloca os de Baixo na ofensiva.

Desde 2013 o Brasil vive um cenário adverso com gigantescas mobilizações que pela força das ruas questionaram a ordem do sistema imposto pelos governos e seus aliados a nível nacional e internacional.

O país esta passando por um clima propício à organização dos oprimidos, gerando um sentimento de esperança para o movimento popular. Em 2013, os sindicatos saíram timidamente às ruas, muito por conta do sentimento de rechaço das massas, que não se viam representadas por estas estruturas de organizações dos trabalhadores, já que durante os últimos períodos, boa parte destas foram cooptadas pelos governos e seus dirigentes se converteram em burocratas de plantão, prontos para puxar freio das bases revoltadas por tanta conciliação de classe; sem falar da fragmentação do mundo do trabalho como elemento que caracteriza este período. Contudo, também é preciso dizer, que muitos resistiriam e seguiram combativos.

Porém, este ano, as lutas de uma série de categorias mobilizadas desde a base vem mostrando uma outra forma de fazer luta sindical. O protagonismo dos próprios trabalhadores, que tomam decisões à revelia dos dirigentes sindicais; assembleias massivas em que as decisões são referendadas longe dos gabinetes e das negociatas feitas de antemão. É a retomada de uma experiência própria do sindicalismo revolucionário desabrochando no seio dos setores dos oprimidos, em que o movimento popular toma a ferramenta da greve como ação direta contra os patrões e governos. Ferramenta histórica é verdade, mas que agora é tomada com outra intencionalidade, indo além de pautas meramente corporativas e ganhando expressões políticas. A maioria dessas greves têm questionado não só as condições de trabalho, mas de um modo geral, os rumos do país, tanto econômica quanto politicamente.  Uma boa parcela das classes oprimidas demonstra que não está mais por aceitar decisões de cima para baixo, apesar das medidas de controle que os governos tenham em mãos. Há um amadurecimento precoce, porém vivo entre os setores dos de Baixo.

Já são diversas as cidades que se erguem em greves e manifestações que questionam o megaevento que está prestes a acontecer no país. Grandes ocupações urbanas, dezenas de categorias em greve e protesto por todos os lados saem às ruas para dizer que não querem mais opressão e repressão por conta de um evento que beneficia os grupos político-econômicos envolvidos neste mundial.

A força das ruas em 2013, contexto de grandes mobilizações com uma imensa variedade de pautas, muitas vezes dispersas, mostraram também as debilidades de um movimento sem organização de base. Se por um lado as jornadas de junho nos colocaram com força na cena política, também nos colocaram cara a cara com as insuficiências do movimento popular. A maioria das pessoas que participaram dos protestos em 2013 não estavam referenciadas por sindicatos ou movimentos populares, o que ajudou no esvaziamento das marchas e mobilizações. Depois do turbilhão, as massas sem referências políticas ou de organização de base saem das ruas; mas os efeitos dos grandes protestos seguem vivos e dão caldo para este ano, que pode, sem sombra de dúvidas, serem mais propícios a resultados de fundo. Essa nova configuração das lutas colocadas novamente nas ruas no país, que partem de sindicatos e movimentos populares, tem criado um cenário mais fecundo para que as demandas pautadas sejam projetadas pelo movimento dos de Baixo no marco de uma perspectiva de acumulação de forças e de construção do poder popular.

É notório o desespero dos governos em relação a uma possibilidade de descontrole durante os jogos da Copa. O que está em jogo é manter a ordem ou sucumbir a possibilidades de uma convergência do movimento sindical para um chamado de greve geral, o que pode sim colocar em risco a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Isso não quer dizer que os jogos não vão ocorrer, mas, como vai estar o clima para isso é a grande questão! Já é sabido que não existe apelo da população para o mundial, o apelo, ao contrário é para repudiar os gastos com jogos e estruturas que não beneficiam a população. Politicamente já se pode afirmar que a Copa no Brasil é um fracasso, no entanto as medidas do governo em conluio com a FIFA é conter, custe o que custar, os protestos e para isso, vão usar de força bruta para calar a voz de todos que estão se erguendo em luta. Já existe uma onda de criminalização forte desencadeada aos militantes políticos que estão organizados nas manifestações, assim como a forte criminalização da pobreza que segue firme no país e encontra neste momento um caminho aberto para colocar em prática seu plano de limpeza social.

É preciso fomentar a denúncia a nível internacional, as leis e portarias que estão entrando em vigor, todas elas para cercear a liberdade de expressão e manifestação, como é o caso da lei que esta para ser votada no Congresso Nacional que tipifica protesto como ato terrorista. Neste momento já temos cidades no país que estão sendo sitiadas pela Força de Segurança Nacional (FSN) como é o caso da cidade de Recife. O exército já está instalado nas cidades sedes da Copa e hoje, dia 15 de maio, é o dia que está autorizado sua intervenção, caso julguem necessário. Em algumas cidades o fato de trancar ruas já é proibido e sabemos que as greves que estão em vigor vão ser duramente atacadas para que voltem ao trabalho e a ordem estabelecida pelos mesmos sanguessugas de sempre (patrões e governos).

Se é momento de tensão para os de Cima é porque os de Baixo estão em ofensiva.

Precisamos articular cada vez mais uma unidade para os setores combativos do movimento popular e sindical, porque sabemos que ainda é grande a base aliada do governo dentro destes espaços, sempre pronta para blindar o avanço do movimento dos trabalhadores contra o governo em vigor, ainda mais em um ano eleitoral. Mas, é fundamental ir alavancando uma política independente de governos e patrões, com democracia direta, rompendo o centralismo, a burocracia, colocando em prática valores vitais para um movimento de cunho classista e combativo, com a ampla solidariedade de classe e autonomia, buscando sempre o trabalho de base como forma de organização, com formação política para preparar novos sujeitos capazes de serem protagonistas de suas demandas, ser agressivo na propaganda dos de baixo, seja para expor nossas ideias ou para contrapor as ideias das elites e governos.

Só há um caminho para a conquista dos oprimidos que é a luta sem trégua contra os nossos opressores, com ação direta e popular, sem recuar diante das inúmeras ofensivas que iremos sofrer, mantendo o vínculo direto com inserção social, buscando fortalecer organizações do campo social, traçando caminhos para avançar níveis de lutas no qual a conjuntura possa nos oferecer, sempre atentos e organizados.

Contra a repressão promovida pelos de Cima, a luta e a organização dos de
Baixo!

Avançar nas lutas e greves!

Fortalecer o movimento sindical e popular com democracia direta,
independência de classe e governos!

Pela força das ruas e organizações de base!

Federação Anarquista Gaúcha - FAG

[FARJ] Libera #160

Retirado de : http://anarquismorj.wordpress.com/2014/01/20/libera-160/

O Libera referente aos meses de outubro, novembro e dezembro de 2013 foi lançado. Este número do Libera, #160, é uma edição especial com 8 páginas, comemorando os 10 anos da Federação Anarquista do Rio de Janeiro, completados em 2013. O Libera #160 traz como editorial alguns excertos de textos lidos no Ato Público, ocorrido no SINDIPETRO-RJ, que finalizou os trabalhos do II ConFARJ (II Congresso da Federação Anarquista do Rio de Janeiro), como as saudações de outras organizações enviadas a nós e a Nota Pública da FARJ para a ocasião.

Além deste editorial, o Libera traz também um texto sobre o I Encontro de Economias Coletivas, que aconteceu na Maré; um texto nosso sobre ética e estilo militantes; um texto sobre a demarcação de terras indígenas no Governo Dilma, escrito por um companheiro nosso; além das notícias libertárias.

O Libera #159 pode ser encontrado fisicamente na Biblioteca Social Fábio Luz ou com nossos militantes. Caso queira receber alguns exemplares para distribuição, basta entrar em contato.

Ler ou baixar em pdfLibera #160

libera160

[CURITIBA] Círculo de Estudos Libertários: A organização política anarquista (03.12.2013)

Quando: 03.12.2013 (terça-feira)

Onde: No Prédio Histórico da UFPR, sala 205, do Departamento de Psicologia.

Mais informações: https://www.facebook.com/events/206788786171606/?context=create&ref_dashboard_filter=upcoming

Em nossa penúltima edição do círculo de estudos libertários de 2013, excepcionalmente na primeira terça de dezembro (encontro referente a novembro), convidamos todxs ao estudo sobre: A organização política anarquista, Buscaremos estudar neste modulo as distintas formas de organização política que os anarquistas adotaram ao longo da história.

Baixe aqui: https://coletivoanarquistalutadeclasse.files.wordpress.com/2013/04/cel-mc3b3dulo-vii.pdf
Ou fotocopie na fotocopiadora da Reitoria:R. Amintas de Barros, 192-344 – Centro.

Saiba mais sobre o CEL:
O Círculo de Estudos Libertários (CEL) surgiu como espaço de estudo em janeiro de 2011, com o objetivo de debater “a atuação política, a teoria clássica e contemporânea do Anarquismo, (…) fortalecendo a perspectiva classista, autônoma, socialista e combativa das classes exploradas, em sua formação cultural e intelectual”. Com dois encontros por mês e textos lidos previamente por seus participantes, o grupo teve relativo sucesso no que se propunha a fazer, se tornando ainda “por tabela”, uma referência para os novos companheiros e companheiras interessados nas propostas do anarquismo organizado. A partir de 2012 o CEL tornou-se um espaço ligado ao Coletivo Anarquista Luta de Classe (CALC), continuando dessa forma, aberto a participação dos trabalhadores e trabalhadoras que queiram se debruçar sobre o estudo das lutas sociais e a participação dos socialistas libertários nas mesmas. Seguindo agora em 2013 um programa definido de textos pretendemos melhorar a qualidade de nossos encontros, contribuindo também, para auxiliar a formação teórica da militância anarquista aqui na cidade de Curitiba (PR).

Retornamos em 2013 com encontros mensais, nas ultimas terças feiras do Mês , sempre as 19h

[FAG] Opinião Anarquista: Tomar as ruas por uma agenda contra a direita e o governismo. Avançar um programa de soluções populares!

Retirado de: http://batalhadavarzea.blogspot.com.br/2013/06/tomar-as-ruas-por-uma-agenda-contra.html

 larga noite das lutas de 17 de junho mudou a conjuntura brasileira e redimensionou os protestos sociais. A mobilização massiva de cerca de 1 milhão de manifestantes em dezenas de capitais e cidades do país e do mundo não acontecia em nossa história política desde o Fora Collor em 1992. Há um antes e um depois que põe na cena nacional um novo sujeito histórico coletivo que é catalisador de uma poderosa força social nas ruas.
Na gestação dessa nova correlação de forças a luta contra o aumento das tarifas do transporte coletivo é a expressão mais articulada de uma avalanche de sentimentos e demandas reprimidas que extrapolam os controles dominantes da sociedade brasileira. Há uma saturação do modelo capitalista aprofundado nos últimos 10 anos pela versão neo-desenvolvimentista dos governos do PT. Esse modelo prometeu um Brasil grande e moderno as custas de uma deterioração brutal do meio ambiente, dos espaços públicos e das condições de vida do povo trabalhador e da juventude.
O modelo dominante demandou um pacto social de classes que aumentou o poder dos grandes capitais sobre as cidades, os bens comuns e as fronteiras agrícolas. Todo o território foi redesenhado pelas representações do ideal produtivista de um lugar emergente no sistema mundial do poder e das riquezas. Mega-eventos, obras público-privadas de infra-estrutura, empresas do agronegócio estampam a ideologia do Brasil em crescimento. O neo-desenvolvimentismo se deve a uma variação do papel do Estado como fator de crescimento dos grandes capitais, integração relativa de setores populares e normatização social. Não quebra as estruturas dominantes do poder, da exploração e das desigualdades sociais, pelo contrário, a reformula e desata seus mecanismos através de uma ideologia sintonizada com certos desejos individuais de consumo e prosperidade.
A pretensa inclusão social por meio de bens particulares, associa a felicidade com o consumo, mas não é capaz de satisfazer demandas coletivas que formam a qualidade de vida nas cidades. A percepção de dias melhores pelo povo se esvai pelos efeitos insuportáveis de uma estrutura opressiva da vida social cotidiana. O desenvolvimento urbano acelera a desapropriação do direito dos setores populares sobre a cidade, restringe os espaços públicos e a mobilidade, deteriora a saúde e a educação, espalha o trabalho precário e flexível e negligencia o genocídio da juventude marginalizada das periferias. Para aqueles que não se integram em suas pautas de conduta e ao mundo da pobreza que não é assimilado por suas técnicas de poder, erige um Estado penal que abarrota o sistema penitenciário repleto de pobres e negros. Aos indesejados se desata uma agenda conservadora que reclama a redução da idade penal e a internação compulsória dos dependentes químicos.
Pelo interior do país este modelo é aplicado com força bruta sobre os direitos indígenas e quilombolas e contra uma reforma agrária e urbana que quebra os latifúndios revitalizados pelo agronegócio e a especulação imobiliária. Uma nova etapa da guerra de extermínio dos povos originários suprime a demarcação de terras e criminaliza a resistência, fazendo mortos e dizimando culturas.
O caráter nacional das lutas
Essa saturação do modo de vida ganhou expressão conflitiva pelas ruas de todo o país porque não se viu representada pelas instituições políticas burguesas ou pela voz da imprensa monopolista. No entanto, se num primeiro momento as mobilizações agitavam principalmente pautas relativas ao aumento das tarifas do transporte, temos visto serem agregadas um conjunto de bandeiras e reivindicações que dão contornos policlassistas às últimas mobilizações e em alguns casos, a exemplo de São Paulo, um caráter conservador e nacionalista e ufanista.
Nessa conjuntura de massificação das mobilizações, a grande mídia reorientou o seu discurso e se inicialmente atacava e criminalizava as manifestações, busca agora pautá-las fazendo um discurso que divide entre o que é o legítimo direito à manifestação e o que são atos de vandalismo realizados por uma minoria. Dessa forma, sai de cena o caráter classista e de esquerda das reivindicações por um transporte 100% público e entra em cena um discurso apolítico e muitas vezes de um nacionalismo extremamente ufanista, onde entram em cena gritos como o “jingle” da rede globo “sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor!”.
Se a direita mais conservadora do país tenta agora surfar na onda que não só não criou, como fez de tudo para reprimir, logrando já alguns ganhos e com isso semeando uma certa confusão entre o campo popular e de esquerda, não podemos tirar uma conclusão precipitada de que essa direita “virou a mesa”. O jogo esta em aberto e cabe ao conjunto da esquerda classista deste país redobrar os esforços no sentido de capitalizarmos ao máximo o sentimento de indignação que hoje varre o país. Sem sectarismos e disputas mesquinhas que levam a calúnia como meio de autoconstrução, urge à esquerda a responsabilidade de cerrar um punho forte e fazer frente ao inimigo.
Se nos precipitarmos afirmando que a direita “virou o jogo” e/ou ao mesmo tempo não formos capaz de superar vícios sectários e, em unidade na luta, incidir com uma pauta classista nesse cenário estaremos, desgraçadamente, entregando o controle das ruas à direita mais reacionária do país, que busca desatar um “carnaval da reação”, agitando sua pauta que inclui desde a genérica e oportunista “luta contra a corrupção” (como se este setor não estivesse inserido na corrupção estrutural que há no país) à redução da maioridade penal,  luta contra as “bolsas miséria” dentre outras reivindicações que agitam seus instrumentos de luta ideológica, os grandes oligopólios da mídia.
Os limites das ruas e a necessidade de organização desde baixo
A dimensão tomada pelos protestos, aliado ao trabalho que a grande mídia e setores da direita tem feito para introduzir suas pautas nas mobilizações, mostra os limites que essa modalidade de luta possui quando não há organização de base que lhe dê sustentação e retaguarda em períodos de refluxo.
Os setores que vem participando dos protestos são, em sua maioria, de uma geração jovem que não possui as mesmas referências de organização e de luta daquela geração do final dos anos 80 e inicio dos anos 90 que lutou pelo fim da ditadura civil-militar e posteriormente contra o neoliberalismo  forjando instrumentos de organização como o PT, a CUT e o MST, além da reorganização da UNE. Trata-se de uma geração que possui novos referentes, muito vinculado às redes sociais da internet que acaba sendo o lugar em que despeja as idéias, as propostas, as críticas e as construções. Nesse contexto, as mobilizações de rua, quando muito massivas, demonstram limitações que em nossa opinião precisam ser superadas.
Para nós, anarquistas da FAG, se a força das ruas e da ação direta é decisiva ao expressar o poder dos oprimidos, ela tampouco é suficiente se esses mesmos oprimidos não possuem instrumentos de luta e de organização em que as pautas expressas nas ruas possam ser discutidas, elaboradas e coordenadas em outros espaços de organização. Sindicatos, Entidades Estudantis e Associações de Moradores são exemplos, mas coletivos por local de trabalho, comitês de discussão sobre temas que nos tocam como transporte, saúde e educação em bairros, escolas, etc. são outros exemplos de organização que devem ser implementadas para que as reivindicações que sentimos cotidianamente sejam discutidas, acordadas e lançadas de forma contundente nas ruas com nossas mobilizações.
Sem esses espaços de base, nos prendemos ao vai e vem da conjuntura, daqueles grupos organizados que possuem interesses bem definidos e que a todo momento tentarão pautar as mobilizações e não construiremos um projeto próprio, enquanto oprimidos e que seja capaz de fazer frente às classes dominantes e seus instrumentos que hoje tentam cooptar as mobilizações que, com muita força, organização e dedicação conseguimos desatar.
Abrir a caixa preta da patronal do transporte coletivo! Por um modelo 100% público!
Democratização da mídia!
Contra os gastos da Copa. Em defesa de saúde e educação pública e de qualidade. Protesto não é crime!
Contra o massacre da juventude pobre e negra das periferias!

 

[FARJ] Primeiro de Maio: dia internacional da luta dos/as trabalhadores/as

Primeiro de Maio: dia internacional da luta dos/as trabalhadores/as

 

Primeiro de Maio é dia de lembrar do passado e construir o futuro da luta, na organização popular e nas ruas! Vivam os Mártires de Chicago! Viva a luta dos trabalhadores/as! primeiro-de-maio-e-luta-02

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Saudações aos companheiros anarquistas especifistas da FAU

É com muita satisfação que saudamos os companheiros de uma organização que para nós é tão especialmente reconhecida. Tal organização com um histórico tão rico e com um presente tão importante. Inspira-nos, perpetrando em nosso dia a dia a certeza e a justeza de que a verdadeira mudança é construída por nós: trabalhadores e trabalhadoras.

Quando de rostos cansados, vamos ao trabalho em ônibus lotados; quando nos humilham com endividamentos, pois nossos salários que não pagam nossas contas; com nossas casas em locais inadequados; com a perda da saúde corporal e mental sem ter acesso a medicina adequada; com as creches, escolas e universidades com a qualidade e conteúdos indesejáveis; percebemos quantas coisas necessitam ser alteradas! E com olhos cansados observamos ao nosso redor a ilusão de projetos eleitorais, de barganhas de consumo, de ver a classe mergulhada em ideais que não são os seus. Assim, um primeiro de maio é modificado para um feriado de festas!

É neste momento que olhamos para nossos pés, vendo a caminhada de nossa organização -Coletivo Anarquista Luta de Classes (CALC)- com sua inserção em movimentos sociais, ressaltando que a luta no cotidiano por melhores condições de vida dá animo em perceber que o instrumento que utilizamos é correto: a construção do poder popular! Afirmando a autogestão, o federalismo, o apóio mútuo, o projeto de não se vender por migalhas e nem nos perder nos atalhos eleitorais. Nisso nos apegamos e quando olhamos para trás, vemos que as marcas que existem neste caminhar não são apenas as nossas, mas de muitos lutadores que nos fizeram chegar até aqui. Pegadas de muitos trabalhadores. De muitos anarquistas. De muitos militantes da FAU. E é com muita satisfação que hoje caminhamos lado a lado. Assim, não esquecemos o real significado do 1° de maio: o Luto e a Luta. Acreditando que a liberdade do viver se faz na luta classista e no sonho de um projeto socialista libertário!

 

Viva a luta dos trabalhadores!

Viva o Primeiro de maio!

Viva a FAU!

Viva a CAB!

Coletivo Anarquista Luta de Classe, 30 de Abril de 2013.

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