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[CAB] Declaração do V Encontro do Norte e Nordeste das Organizações Anarquistas Especifistas – 2014

“[…] A revolução universal é a revolução social, é a revolução simultânea do povo dos campos e das cidades”

Mikhail Bakunin

Reunidos nos dias 28, 29 e 30 de Novembro de 2014, em Maceió, o V Encontro do Norte e Nordeste das Organizações Anarquistas Especifistas cravaram de forma solida e madura um espaço permanente e fértil para os debates políticos, acúmulos organizativos, fomento da luta, solidariedade e trocas de experiências.

Em nosso V Encontro, recebemos de braços abertos a Organização Anarquista Maria Iêda, de Pernambuco. Em nossa caminhada rumo ao Socialismo Libertário nos agrada saber que em mais um passo que damos outra organização irmã decidiu trilhar o mesmo caminho. Com muita satisfação comemoramos a ampliação da discussão em torno do especifismo na Bahia, e por conta dessa ampliação hoje o Coletivo Anarquista Ademir Fernando – CAAF compõe o Fórum Anarquista Especifista, FAE-BA, processo que está sendo animado em quatro cidades. Com a mesma felicidade e sentimento de irmandade agradecemos também a presença e colaboração da Federação Anarquista do Rio de Janeiro – FARJ em nosso encontro. Os anarquistas especifistas em luta no Norte e Nordeste unidos e de prontidão para a transformação social agradecem as ricas e valorosas presenças em nosso meio.

O evento possibilitou trocas de experiências teóricas, organizativa e social, uma ampla análise de conjuntura, repasses entre organizações e acordos mínimos para continuarmos caminhando em um sentido anticapitalista. Temos a certeza que mais alguns tijolos para o alicerce do poder popular foram firmados.

De pé estamos e lutaremos sem fim diante dessa nossa complexa realidade no Norte e Nordeste, que por si só não se explica, o jogo perverso do capitalismo ultrapassa fronteiras abstratas. Os lugares e suas particularidades estão conectados dentro de uma totalidade complexa e que pautada no espaço e no tempo alguns elementos econômicos, políticos, culturais e sociais são semelhantes e são construídos dentro de contextos específicos em cada Estado. Projetos de dominação e exploração seguem a todo vapor em uma escala mais ampla sem respeitar território ou fronteira e de forma ampla devem ser combatidos.

Ao buscarmos a organização a um nível mais abrangente pretendemos acumular força social para enfrentarmos um conjunto de forças capitalistas e repressoras em nosso cotidiano. Portanto, combateremos sem fim os elementos de dominação apontados por nossa militância nos diversos Estados onde atuam, como exemplo: as oligarquias familiares que dominam o campo e a cidade; os mega projetos/investimentos nas cidades que geram remoções e acúmulo de capital para as grandes empresas; aumento do aparato repressor do Estado e privado; violência contra juventude negra/pobre da periferia; sucateamento da saúde e da educação, um processo de mobilidade urbana elitista que visa o escoamento das mercadorias, rapidez na produção capitalista e lucros para os empresários do transporte; o avanço reacionário da chamada “bancada da bala” e da lógica da democracia representativa em si; o encarecimento dos alimentos a partir da substituição do camponês pelo pequeno produtor de monoculturas orientado para o biocombustível e o nefasto modelo do agronegócio.

Sendo assim, não tá morto quem peleia! 2014 muito fizemos e para 2015 disposição não faltará para avançarmos. Que possamos nos organizar, lutar e criar poder popular para combatermos de frente o dominador. Os mecanismos repressores não cessarão e nossa resposta deve ser firme nas lutas concretas. Organizar já e lutar sempre rumo ao poder popular!

Lutar, Criar, Poder Popular!

Assinam esta declaração:

Fórum Anarquista Especifista, (FAE) – Bahia
Organização Anarquista Maria Iêda – Pernambuco
Coletivo Anarquista Zumbi dos Palmares (CAZP) – Alagoas
Coletivo Libertário Delmirense (COLIDE) – Alagoas
Organização Resistência Libertária (ORL) – Ceará
Núcleo Anarquista Resistência Cabana (NARC) – Pará

cab

[ORL] INFO 4. PROTESTAR NÃO É CRIME LIBERDADE A ERIC!

Retirado de: http://www.resistencialibertaria.org/index.php?option=com_content&view=article&id=135%3A2014-07-07-23-12-23&catid=83%3Ainfoemacao&Itemid=77

PROTESTAR NÃO É CRIME

LIBERDADE A ERIC!

 

[…] só sou verdadeiramente livre quando todos os seres humanos que me cercam, homens e mulheres, são igualmente livres […] apenas a liberdade  dos outros me torna verdadeiramente livre […]” Mikhail Bakunin

Nós, da Organização Resistência Libertária [ORL], integrante da Coordenação Anarquista Brasileira [CAB], estamos solidários e clamamos pela liberdade do estudante Eric, preso na manifestação da última sexta, dia 4 de julho. Essa prisão foi apenas mais uma tentativa de calar os movimentos sociais combativos de Fortaleza e de silenciar o grito que vem das ruas.

A manifestação do dia 4 foi puxada contra as injustiças da copa, mas abarcava também outras questões, como por exemplo, o passe livre. A caminhada teve início horas antes do jogo entre Brasil x Colômbia e tinha como destino final as imediações do Estádio Castelão. O braço armado do Estado (COTAM) forçou o fim do ato detendo mais de 30 militantes. Um ônibus da PM foi chamado para levar os manifestantes até a delegacia, que estava com o sistema fora do ar, e por conta disso, os comp@s foram liberados, sendo primeiro os adolescentes e posteriormente os adultos. Mas, Eric acabou ficando preso injustamente, sem direito a fiança, sendo acusado de dano ao patrimônio “público”, desacato a autoridade e a um artigo do estatuto do torcedor.

A violência estatal é sistemática contra aqueles que se levantam contra esse sistema repressivo, patriarcal, injusto e desigual. Tão logo, aqueles oprimidos que estão de pé na luta contra o regime vigente serão vistos como uma ameaça a (des)ordem política e econômica estabelecida pelo Estado e pelo Capital. Dessa forma, a prisão de Eric se configura como uma prisão política, assim como, muitas outras que foram feitas arbitrariamente nos últimos meses.

Desde Junho de 2013 diversas foram as invasões sem mandado judicial e vários foram os presos/as políticos. A onda repressiva de um ano pra cá tem início com a invasão na sede da Federação Anarquista Gaúcha (FAG) em Porto Alegre, mas precisamente no dia 20 de junho de 2013. Agentes da polícia federal invadiram e apreenderam sem ordem judicial vários materiais de propaganda da organização política.  No segundo semestre de 2013, uma marca que ficou nas manifestações foi à repressão desproporcional, um aparato fortemente armado nas ruas para barrar qualquer forma de protesto.

O governo federal depois de junho de 2013 resolveu municiar as forças policiais e militares para conter qualquer forma de manifestação durante a Copa do Mundo FIFA. Paralelo a isso, vários mandados de busca e apreensão foram expedidos pela esfera jurídica/Estatal.

No início de 2014 os movimentos sociais combativos das principais cidades brasileiras, principalmente nas cidades que sediariam os jogos da copa, começaram a puxar atos contra a realização da copa. Fortaleza, Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e outras cidades, ascenderam às chamas das mobilizações de rua, que tinha como temática central: copa, remoções, transporte coletivo e etc.

Outro ponto que mobilizou as manifestações em 2014 foi à tarifa e os problemas que envolvem a concepção mercadológica do transporte coletivo, como: o valor altíssimo da passagem, o aumento da tarifa em determinadas cidades e à máfia do transporte.

No dia 22 de janeiro de 2014 a luta permanente contra a máfia das concessões e pela implantação da tarifa zero em Joinville ganhou uma nova página, três militantes que encampavam as respectivas lutas foram presos após retornarem de uma manifestação. Dos três militantes, dois eram do MPL [Joinville] e integravam também o Coletivo Anarquista Bandeira Negra [CABN]. O outro militante integrava a frente de luta pelo transporte Público. Os militantes já foram chamados para uma primeira audiência e aguardam serem convocados para um segundo momento na esfera jurídica.

A Frente de Luta Pelo Transporte Público de Goiânia também foi fortemente atacada pelos órgãos repressivos do Estado. A luta por um transporte verdadeiramente público em Goiânia ganhou força no mês de maio com fortes manifestações, tendo a juventude periférica e a frente de luta como os protagonistas das mobilizações contra o aumento da tarifa, que passou de R$ 2,70 para R$ 2,80. Os monopólios do transporte coletivo com seu lobby junto ao Estado pressionaram para que fosse instaurado um inquérito policial e em caráter de urgência fosse decretado prisão preventiva para diversos manifestantes que estavam em luta. Três militantes foram presos no dia 23 de maio, só sendo libertados dias depois.

O caso mais emblemático é o do morador de rua Rafael Braga do Rio de Janeiro, que foi preso durante uma manifestação sem nenhuma prova real contra ele. No Rio, além da prisão de Rafael, tivemos a comunidade da Maré privada da liberdade. O terrorismo de Estado, que cercou e invadiu o complexo da maré com o claro desejo de prender em seu território a população pobre e negra da Maré, faz parte do “legado” da Copa, que buscou e está buscando controlar as classes oprimidas antes e durante a copa da FIFA. Além disso, a copa também deixou milhares de famílias removidas, 14 mortos nas obras da copa, rios de dinheiro com alta lucratividade para a FIFA e uma imobilidade urbana que favorece o lucro das empreiteiras.

Em Fortaleza, as fortes e intensas manifestações de abril e maio por conta do bloqueio das carteirinhas de estudante levaram centenas de jovens às ruas. As mobilizações agregaram os estudantes secundaristas, a juventude periférica e os movimentos que lutam pelo passe livre. As batalhas entre a pressão popular e as forças repressivas (guarda municipal, batalhão de choque da PM e policia civil) criou em Fortaleza um verdadeiro Estado de exceção e sítio, em que esse contexto e a desproporcionalidade entre os sujeitos antagônicos (movimentos sociais combativos versus repressão) levaram nos últimos três meses mais de cento e vinte militantes as delegacias da cidade para assinarem TCO (termo circunstancial de ocorrência). Inclusive militantes da ORL, do MPL (Fortaleza), da Assembleia Anticapitalista, e outros independentes entre outros, assinaram e aos poucos estão sendo intimados a comparecer ao juizado criminal ou a determinadas delegacias da cidade.

Muitos militantes que foram presos ou estão sendo investigados já foram intimados para depor. Mas, o caso de Eric é diferente, o estudante continua preso pela repressão, preso pela criminalização dos protestos e das classes oprimidas. A prisão do companheiro é um duro golpe para todas e todos que lutam, pois, todos aqueles que buscam a transformação social, logo serão caçados e reprimidos pelo terrorismo do Estado. Não esqueçamos, a prisão de Eric é uma prisão política! A forma de expressar politicamente sua insatisfação com o status quo foi protestando e PROTESTAR NÃO É CRIME!!!

Liberdade para ERIC e para todos os presos políticos!

Pelo fim da polícia militar!

Protestar não é crime!

Organização Resistência Libertária [ORL/CAB] – 07.07.2014

[CAB] Campanha da Coordenação Anarquista Brasileira – PROTESTO NÃO É CRIME

Em conjunto com o lançamento da campanha “PROTESTO NÃO É CRIME – CONTRA A CRIMINALIZAÇÃO DOS POBRES E DOS MOVIMENTOS SOCIAIS!“, a Coordenação Anarquista Brasileira (CAB) lança seu novo sitehttp://anarquismo.noblogs.org/

Visite!

protesto não é crime

 

Aproveitamos pra divulgar os sites e as páginas no faceebok das organizações que compõem hoje a CAB:

Federação Anarquista Gaúcha – FAG (RS)
http://www.federacaoanarquistagaucha.org/

https://www.facebook.com/FederacaoAnarquistaGaucha?fref=ts

Coletivo Anarquista Bandeira Negra (SC)
http://www.cabn.libertar.org/

https://www.facebook.com/bandeiranegra?fref=ts

Coletivo Anarquista Luta de Classe (PR)
https://anarquismopr.org/

https://www.facebook.com/anarquismopr?fref=ts

Organização Anarquista Socialismo Libertário – OASL (SP)
http://anarquismosp.org/

https://www.facebook.com/anarquismosp?fref=ts

Federação Anarquista do Rio de Janeiro (RJ)
http://anarquismorj.wordpress.com/

https://www.facebook.com/pages/Federa%C3%A7%C3%A3o-Anarquista-do-Rio-de-Janeiro/161858530670020?fref=ts

Rusga Libertária – Cuiabá/MT (MT)
http://rusgalibertaria.wordpress.com/

https://www.facebook.com/pages/Rusga-Libert%C3%A1ria-Cuiab%C3%A1MT/295624600568585

Coletivo Anarquista Zumbi dos Palmares (AL)
http://cazp.wordpress.com/

https://www.facebook.com/pages/Coletivo-Anarquista-Zumbi-dos-Palmares/280250265491197?fref=ts

Organização Resistência Libertária (CE)
http://www.resistencialibertaria.org/

https://www.facebook.com/resistencialibertaria?fref=ts

Núcleo Anarquista Resistência Cabana (PA)
http://resistenciacabana.noblogs.org/

[CAB] DECLARAÇÃO DO IV ENCONTRO NORDESTE DAS ORGANIZAÇÕES ANARQUISTAS ESPECIFISTAS

Retirado de: http://www.resistencialibertaria.org/index.php?option=com_content&view=article&id=112:declaracao-do-iv-encontro-nordeste-das-organizacoes-anarquistas-especifistas&catid=89:documentos-regionais

DECLARAÇÃO DO IV ENCONTRO NORDESTE DAS ORGANIZAÇÕES

ANARQUISTAS ESPECIFISTAS

De 14 a 16 de novembro realizamos o IV Encontro Nordeste das Organizações Anarquistas Especifistas. Desta vez também contamos com a presença do Coletivo Anarquista Ademir Fernando (CAAF) da Bahia e da região Norte, o Núcleo Anarquista Resistência Cabana (NARC). O Encontro foi marcado pela comemoração dos 5 anos de existência da Organização Resistência Libertária (ORL), bem como evidenciou a confluência das análises realizadas pelas 6 organizações políticas presentes acerca do período recente das lutas sociais no Brasil e seus apontamentos futuros.

Vale ressaltar nossa imensa alegria e avanço politico de ter presente a companheirada do norte do país, que reassume seu posto na luta – porque já vem de uma geração anterior do anarquismo especifista. Retoma os trabalhos em um rico encontro de gerações fraternalmente associadas pelo sincero e combativo espirito anarquista fundado em princípios caros a nossa tradição, como são o apoio mútuo, a solidariedade e independência de classes, a ação direta, a autogestão, entre tantos outros que nos nutrem para continuar na luta pelo socialismo libertário.

Nosso internacionalismo, entretanto, não nos faz deixar de refletirmos sobre o solo em que pisamos. Salvando as devidas diferenças históricas, as regiões Norte e Nordeste guardam inúmeras semelhanças desde a origem da invasão brasileira, onde, deveria ser explorado ao máximo ambas as regiões, sem necessidade de contrapartida. Hoje ainda temos que lidar com uma estrutura arcaica que mantém altos índices de analfabetismo e sucateamento escolar, jovens vítimas de armas de fogo, insuficiência e precariedade no acesso à saúde pública, desnutrição e “comercialização da seca” em pleno século XXI, traços estes marcantes de uma herança coronelista e provinciana. Estas e outras questões ampliam a necessidade de pensarmos para além do teto, sem tirarmos os pés do chão. As imagens vendidas pelos grandes empresários e governantes destas regiões contrastam com a realidade da classe oprimida que sobrevive com suor no rosto e sede de luta. Nesse cenário, nossa estratégia especifista vem avançando, pois pensamos o todo sem deixarmos de considerar os sotaques e particularidades distintas, que se unem na luta anticapitalista pela construção de um Povo Forte e pelo Socialismo Libertário.

Este rico encontro regional e geracional nos possibilitou melhor compreender que “junho não começou em junho”: as jornadas de lutas populares já vêm de longa data! Não cremos nas palavras tão difundidas de que o gigante acordou, porque a periferia nunca dormiu: ela precisa estar sempre muito alerta para continuar resistindo aos terrorismos do estado, diuturnamente! Afirmar que o povo acordou seria a negação das inumeráveis batalhas cotidianas e históricas presentes no Brasil (e em todo o mundo, porque internacionalista!), de norte a sul. São as lutas indígenas, quilombolas, das mulheres, dxs obreirxs, dxs desempregadxs, dxs sem teto, sem terra, entre outrxs oprimidxs que se confundem, se encontram, sofrem e resistem a toda sorte de serem as periferias dos poderes centralizadores.

Mesmo assim, a tendência majoritária da opinião pública fabricada consiste no esquecimento de nossa ancestral luta contra a dominação. Exemplo recente desta combatividade invisibilizada são os setores (porque alguns estão fragilizados) dos povos originários no norte do país em enfrentamento às forças do capital que só estabelecem relações predatórias, levando-os, no limite, ao suicídio coletivo. As demonstrações desta autodestruição são muitas e cada vez mais crescentes, ancoradas, por exemplo, em uma lógica neodesenvolvimentista que casa com as identidades de países emergentes aspirando “sentar à mesa” das chamadas superpotências, retroalimentando os ciclos de dominação global. O BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) é uma expressão destes agrupamentos de interesses de capitais transnacionais na sua busca por força a fim de fazer frente aos estados mais fortes até então.

Há várias ações de sustentação em âmbito local e regional deste panorama atual do capitalismo globalizado. O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) é só uma pequena parte em escala nacional do que na América do Sul esta sendo chamado de Iniciativa para Integração da Infraestrutura Regional da América do Sul (IIRSA). Esta iniciativa pode ser considerada uma nova Aliança para o Livre Comercio das Américas (ALCA), porém muito mais astuciosa e eficiente, uma vez que figura como se fosse um processo livre do sul da América em seu próprio benefício, utilizando-se, inclusive, do discurso da integração regional com referências a notáveis figuras que se firmaram neste imaginário como mártires da luta contra o colonialismo e pela independência.

Estão sendo construídas rotas diversas para a facilitação do fluxo de matérias-primas em nosso subserviente capitalismo extrativista e importador de produtos. Os megaeventos entram nesta cadeia produtiva econômica colaborando politicamente para que se gere uma série de pressões sociais no espaço urbano, materializando as políticas de higienização social e gentrificação das cidades. Quem se localiza na periferia do poder é jogado ainda mais para escanteio, empurradxs cada vez mais para as margens territoriais deste mundo hegemonizado pela injustiça!

Nos campos e nas cidades, as forças predatórias do capital se expandem. A UHE Belo Monte (na bacia do rio Xingu, município de Altamira no Pará) é um caso emblemático dentro desta nossa leitura, porque é expressão destes megaempreendimentos alimentados pelo neodesenvolvimentismo que ignora o respeito à natureza e aos modos de vida dos povos indígenas, ribeirinhos, caboclos e camponeses em geral.

Já as manifestações iniciadas em junho de 2013, bastante midiatizadas, deram maior visibilidade a diversas questões e contradições sociais existentes, bem como inúmeras bandeiras de luta. Em meio à Copa das Confederações da FIFA no “país do futebol”, adveio uma ebulição social inesperada que levou às ruas multidões de pessoas, rompendo com um período de refluxo de grandes movimentações no meio urbano. Contudo, a maré de levantes deve ser analisada com profundidade em relação ao seu conteúdo político no sentido de não ficamos a mercê dos movimentos transitórios. Devemos aprender mais e melhor a desenvolver as forças sociais na perspectiva de pôr fim aos sistemas de dominação.

O modelo de manifestação vendido pela “opinião pública” consistiu na ampla marcha cívica, na participação passiva, na passeata pela liberdade abstrata, em detrimento das pautas sociais vivas, embora em muitas cidades o estopim tenham se dado a partir de problemas específicos, como o Passe Livre e a Copa do Mundo. Restou evidenciado o discurso pacifista do “não vandalismo”, a tímida presença de movimentos sociais e organizações sindicais de base, o recrudescimento da repressão policial, midiática e judicial, regado por um forte nacionalismo febril que pairou no ar. Precisamos de mais agudeza na análise e dureza na atuação para revirar o jogo! Diante da ampla repressão e toda sorte de perseguições sofridas pelo povo lutador, foi inevitável também o desgaste da imagem do Estado e dos Governos, tanto no cenário local quanto internacional, em um momento em que o Brasil se lança em forte campanha no panorama exterior como um grande país em vias de desenvolvimento, sediando diversos eventos mundiais, a exemplo das Copas e da Olimpíada.

Na dinâmica das lutas, ficamos mais convencidxs de que a nossa forma de lutar sempre será colocada à prova, porque o processo histórico julga implacavelmente a legitimidade de nossa presença, ombro a ombro com a classe. O rechaço aos partidos políticos é um exemplo disso: é fruto da falta de referência que estas mesmas organizações construíram. Nós anarquistas não podemos ser responsabilizadxs por isto. Este entendimento exige a indispensável e profunda autocrítica. Todavia, fomos atacadxs por várias forças autoritárias, de direita e de esquerda, em suas incapacidades de sequer dar respostas e se fazerem funcionais no processo. Não entramos nestas querelas. O que precisamos é que nossa análise possa alertar para compreensão dos diferentes papéis e as táticas possíveis de luta, bem como apontar alianças sociais e ferramentas que ampliem as forças pela construção do Poder Popular. Faz-se necessário muita humildade, coesão, coragem e disposição para aprender na luta. Assim a classe faz tremer o poder dominador!

Neste sentido, ressaltamos a importância de sempre pensar/atuar com vistas ao curto, médio e longo prazo. Aqui situa-se o debate acerca da tática Black Bloc, que equivocadamente tem sido entendida como um grupo, movimento, etc. Trata-se de uma ferramenta de luta, que possui limitações, mas que deve estar a serviço da resistência popular frente às forças de repressão do Estado acionadas quando rompemos o controle mental e nos fazemos multidões nas ruas. Não esqueçamos que os aparelhos policial-militares de manutenção da ordem vigente fundam-se na astuta lógica do monopólio da violência “legítima” pelo estado em “defesa da sociedade”, mas que atuam contra esta mesma.

O ano 2014 mostra-se com fortes indicações de que terá conjuntura mais radicalizada, uma vez que ocorrerá a Copa do Mundo, será ano de eleições, haverá encontro do BRICS em Fortaleza a fim de criar seu banco, dentre outros fatores. Para este cenário, devemos tentar nos antecipar afim de garantir meios de reverter ganhos das lutas imediatas em conquistas políticas para a perspectiva do Poder Popular.

Devemos estar atentxs às outras formas de atuação e organização, porém não esquecendo as nossas experiências históricas, para não cairmos no erro de sempre começarmos do zero, tentando “reinventar a roda”. Não podemos nos furtar em dizer: o que aparece como novidade agora (ação direta, autogestão, federalismo, etc.) é herança histórica de nossxs companheirxs que deram suas vidas na luta por um mundo sem dominação e por isto tiveram abafadas suas vozes, invisibilizadxs sua história. E hoje vêm à tona estas imagens, em um período de grande desgaste desta falsa democracia, que nada mais é do que a atualização histórica da organização da violência dominadora.

Que nos preparemos mais e melhor para 2014, pois será um ano repleto de situações comuns a este contexto que apresentamos! Os mecanismos de controle e repressão estão sendo bastante calibrados para que o povo não perturbe o fluxo dos negócios neoliberais. A legislação antiterror também se faz simbólica neste sentido, pois consiste em mais um passo na criminalização das lutas sociais. Nossa força de luta deve ser maior para dar lições necessárias às elites! Precisamos de mais organização para fazer vencer e pôr-nos em movimento por um mundo sem dominação!

Não podemos recuar!

 Fortalecer a resistência popular para realizar um bom combate!

 Avante as/os que lutam!

Lutar, Criar, Poder Popular!

 Vida longa ao anarquismo desde o Norte/Nordeste!

Assinam esta declaração:

Coletivo Anarquista Ademir Fernando (CAAF) – Bahia

Coletivo Anarquista Núcleo Negro (CANN) – Pernambuco

Coletivo Anarquista Zumbi dos Palmares (CAZP) – Alagoas

Coletivo Libertário Delmirense (COLIDE) – Alagoas

Organização Resistência Libertária (ORL) – Ceará

Núcleo Anarquista Resistência Cabana (NARC) – Pará

Reunidas em Fortaleza, Ceará, nos dias 14, 15 e 16 de novembro de 2013.

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[ORL] SAUDAÇÕES À COMEMORAÇÃO DOS 5 ANOS DA ORGANIZAÇÃO RESISTÊNCIA LIBERTÁRIA

Retirado de: http://www.resistencialibertaria.org/index.php?option=com_content&view=article&id=110:saudacoes-a-comemoracao-dos-5-anos-da-organizacao-resistencia-libertaria&catid=84:anarquistas&Itemid=64

No último dia 14 de novembro a Organização Resistência Libertária [ORL/CAB] comemorou seus 5 anos de luta. Na ocasião tivemos uma mesa-debate pública chamada “O Anarquismo e suas contribuições para os Movimentos Sociais”, ao lado de organizações políticas irmãs do Nordeste e Norte desse país. Reproduzimos abaixo as saudações que nos foram enviadas pelas Organizações da Coordenação Anarquista Brasileira [CAB] e que não puderam estar presentes. Pedimos desculpas por não reproduzir aqui algumas saudações pronunciadas por Organizações irmãs e indivíduos na ocasião no evento – só não estamos fazendo pela falta do registro escrito, já que não gravamos a fala.*

 


 

Saudação do Coletivo Anarquista Zumbi dos Palmares [CAZP-Alagoas]

Sementes foram e continuam sendo plantadas por estes lados, hoje, do solo nordestino, podem ser colhidos os frutos da luta pelo Socialismo Libertário. Esta luta não é simples, nem tampouco de curta duração. Para tal é necessário vontade histórica, determinação enquanto lutadoras e lutadores organizados, além de inflexibilidade quanto aos nossos princípios.

Nós, do Coletivo Anarquista Zumbi dos Palmares, certos estamos que o dito cima é aceito e compartilhado com as companheiras e companheiros da Organização Resistência Libertária, que, com retidão ética, muita generosidade ao ensinar e muita vontade em aprender, tem estimulado o diálogo e a participação – dos indivíduos e organizações mais próximas aos indivíduos e organizações mais distantes -; dando uma contribuição imensurável à nossa ideologia anarquista e, especialmente, à nossa estratégia especifista.

Desde a terra de Palmares, saudamos, portanto, a Organização Resistência Libertária neste seu quinto aniversário, motivados não apenas pela alegria desta comemoração – embora esta não seja pouca – mas também, a partir da compreensão de que nossa luta é um processo contínuo, desejamos que cada aniversário seja revertido em ânimo para seguirmos juntos nessa caminhada.

Coletivo Anarquista Zumbi dos Palmares

 

Alagoas – Novembro de 2013

 

Saudação do Coletivo Anarquista Luta de Classes [CALC-Curitiba]

 

Curitiba, 13 de novembro de 2013.

Saúde aos 5 anos de luta e resistência da ORL!

Salve companheiros e companheiras da Organização Resistência Libertária!

É com muita alegria que nós, do Coletivo Anarquista Luta de Classes, os saudamos pelos árduos, mas construtivos, 5 anos de luta e resistência anarquista no Ceará. Por mais que a distância que nos separe seja grande, a nossa proximidade política à suprime. Temos em mente que nosso objetivo é o mesmo: superar o capital e acabar com toda forma de dominação. Esperamos sinceramente que o anarquismo social no Brasil continue à se fortalecer e isso não pode ser construído sem a solidariedade entre as organizações e companheiros/as anarquistas organizados. Sabendo que os/as companheiros/as da ORL acreditam e colocam em prática os princípios que são tão caros à nós, anarquistas organizados, tal como afirmam em sua carta de apresentação:

uma organização específica de anarquistas, resultante da livre vontade de indivíduos de unir e coordenar seus esforços de forma horizontal e autônoma, pautados na liberdade e na responsabilidade individual e coletiva, no apoio mútuo e na democracia direta, com a disposição de militar socialmente, visando contribuir para a construção de experiências de organização e de lutas sociais com perspectiva anti-capitalista

Isto por si só, e a consciência de que os/as companheiros/as colocam tais princípios em prática, já nos basta à ser totalmente solidários e à desejar estar junto em nossas lutas. Acreditamos, assim como a ORL, que este sistema de dominação e exploração não é sustentável, e utópico é quem não aceita o fim inevitável deste sistema.

Por fim, sabemos que estamos juntos hoje e esperamos que nossa unidade tenha vida longa, assim como a ORL! Que venham mais 5, 10, 15 anos!

Saúde à ORL!

Viva a CAB!

Viva o anarquismo organizado!

Coletivo Anarquista Luta de Classes – CALC-CAB

 

Saudação da Federação Anarquista Gaúcha [FAG-Rio Grande do Sul]

ADESÃO FAG AOS 5 ANOS ORL

Nós da Federação Anarquista Gaúcha queremos saudar a ORL pelo seu aniversário de 5 anos e mandar a toda sua militância um caloroso abraço!

Para nós é significativo que 3 organizações que integram a CAB estejam de Aniversário em datas próximas (nós, vocês e a FARJ). Acreditamos, dessa forma, que é um momento importante de reafirmarmos nossa convicção e firmeza ideológica e nosso pertencimento a essa fraternidade libertária que é a CAB e que tem muito ainda a contribuir com a organização e luta das classes oprimidas.

Vivenciamos uma conjuntura importante nesse ano que passou, aprendemos muito e acredito que ainda temos muito a aprender, coletiva e organizadamente é claro. O ano que se aproxima, ano de Copa e de Eleições, nos parece ser um ano de recrudescimento da repressão, do aprofundamento das medidas de cerceamento das liberdades legais… Não podemos dizer que estamos às portas de uma ditadura. Trata-se de mecanismos que a democracia burguesa tem utilizado quando aumenta a indignação e a luta popular. Mas podemos dizer que o ano de 2013 foi um marco e tem nos indicado que entraremos em um novo período da luta de classes. Necessitamos ajustar nossas lentes e estar em dia com a análise da conjuntura para melhor nos situarmos politicamente. Acreditamos que é um bom momento para intensificarmos a propaganda Anarquista e consolidarmos o Anarquismo como uma referência que já é para muitos, mas que pode ser para muitos mais.

E vamos adiante companheirada!

Um forte abraço desde o Rio Grande do Sul, desde a militância da FAG e Não tá morto quem peleia!

Viva a ORL, Viva a Anarquia!!!

 

Saudação do Coletivo Anarquista Bandeira Negra [CABN-Santa Catarina]

SAUDAÇÃO À ORGANIZAÇÃO RESISTÊNCIA LIBERTÁRIA

Companheiras e companheiros,

O Coletivo Anarquista Bandeira Negra, de Santa Catarina, escreve esta saudação referente aos cinco anos de existência da Organização Resistência Libertária, de Fortaleza, Ceará.

Apesar da longa estrada que nos separa geograficamente, nos sentimos próximos por conta do trabalho incessante de construção do anarquismo com laços efetivamente solidários, classistas e inseridos nas lutas pela transformação social da realidade perversa que o capitalismo neodesenvolvimentista impõe ao povo sofrido das diferentes regiões do Brasil. Que por toda parte sigamos avançando juntos/as, ombro a ombro, na luta dos/as de baixo, criando o poder popular!

Desejamos às nossas irmãs e irmãos de classe e de ideologia muita força e rebeldia para as lutas e desafios que virão pela frente!

Lutar hoje e sempre!

Pelo Socialismo Libertário!

Vida longa à Organização Resistência Libertária!

 

Coletivo Anarquista Bandeira Negra

Santa Catarina, 13 de novembro de 2013.

 

Saudação da Federação Anarquista do Rio de Janeiro [FARJ-Rio de Janeiro]

Saudamos os compas da ORL pela coerência, perseverança e compromisso ético para lutar pelo socialismo e a liberdade. Nós consideramos Organização Irmã, com os desafios e punhos cerrados do anarquismo levantados em diferentes regiões do país.

José Oiticica vive exemplo de luta da ORL!

Viva o Anarquismo!

Viva a CAB!

Vida longa a ORL, até a batalha final!

Federação Anarquista do Rio de Janeiro

14 de novembro de 2013

 

Saudação da Organização Anarquista Socialismo Libertário [OASL-São Paulo]

Saudação da OASL aos 5 anos da ORL

Companheiras e companheiros da ORL,

Já se vão 5 anos daquele 2008, quando o anarquismo se rearticulava no Ceará e se fundava a Organização Resistência Libertária! Parece que foi ontem aquele debate cheio de pessoas interessadas e muito frutífero, realizado no momento de fundação da organização.

Como sabemos, esse esforço custou muito esforço e dedicação da militância. É sempre difícil organizar algo localmente quando não há uma geração precedente de militantes ou mesmo uma tradição recente de anarquismo. E vocês tiveram o mérito de, partindo de relações estabelecidas com outros estados, construir um processo sólido em Fortaleza, que vem estabelecendo raízes junto ao povo cearense. Avançaram nas discussões, fortaleceram o trabalho de base e a propaganda.

Fortaleza possui um caminho com o qual nos identificamos. Temos uma trajetória com alguma similaridade, pois, mesmo encontrando na FARJ certo referencial, tivemos de nos desenvolver localmente; tivemos de aprender a caminhar caminhando.

Sem dúvidas, desde sua fundação, a ORL tem construído trabalhos sólidos e aprofundado suas linhas ideológica e estratégica, dando continuidade a uma proposta coerente aos objetivos do anarquismo especifista.

Hoje, a ORL é uma organização chave da CAB, espaço que ajudou a conformar em 2012. Estamos orgulhosos que vocês estejam fortalecendo o anarquismo no nordeste e esperamos que esse esforço possa continuar nos próximos anos, com a mesma motivação que tem caracterizado esses cinco anos de luta.

Arriba l@s que luchan!

Lutar, criar, poder popular!

Organização Anarquista Socialismo Libertário – OASL

São Paulo, novembro de 2013

 

* Os seguintes grupos e individualidades também fizeram saudações à comemoração dos 5 anos da ORL: Coletivo Libertário Delmirense [COLIDE], Núcleo Anarquista Resistência Cabana [NARC], Coletivo Anarquista Ademir Fernando [CAAF], Carlão (Anti-quiprocó), Adelaide Gonçalves (UFC), José Ribamar (Professor da Rede Pública Estadual), Patrícia Ximenes (Psicóloga)

 

[ORL] Mesa-debate: “O Anarquismo e sua Contribuição para os Movimentos Sociais” E Comemoração Dos “5 Anos

Retirado de: http://www.anarkismo.net/article/26404

 

A Coordenação Anarquista Brasileira [CAB] convida para a comemoração dos “5 Anos da Organização Resistência Libertária” e para a mesa-debate “O Anarquismo e sua contribuição para os Movimentos Sociais” com nossas Organizações no Nordeste. No debate estarão presentes além de Organizações Políticas da CAB, outras Organizações Especifistas do Nordeste e Norte do país, bem como inúmerxs libertárixs de Fortaleza e militantes dos Movimentos Sociais.

É fortalecer o Anarquismo no Brasil!

Crescer nossa Bandeira!

[ORL] NOTA DE SOLIDARIEDADE AOS LUTADORES E LUTADORAS DA COMUNIDADE DO CUMBE ARACATI – CEARÁ

Nós, da Organização Resistência Libertária [ORL], integrante da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB), prestamos nosso total apoio e solidariedade em virtude do despejo violento sofrido por vinte sete famílias pertencentes à Comunidade do Cumbe, localizada a 12km da cidade de Aracati, litoral leste do Ceará. A comunidade do Cumbe, formada por pescadoras/es, marisqueiras/os e trabalhadoras/es em geral, como prova de resistência da luta pela vida e da manutenção integral de seus territórios, ocupava desde o dia 10 de março de 2013 uma antiga fazenda/viveiro de camarão que se encontrava desativada desde 2004.

Durante os meses da ocupação da área abandonada, a comunidade se organizou localmente para realização de atividades como debates de conservação do ecossistema, discussões com os movimentos sociais e atividades de apoio ao acampamento. Diferente do suposto “dono” que apropriou-se da área para degradá-la, as famílias pertencentes à comunidade do Cumbe vinham autogerindo seu território com a perspectiva de trabalhar na recuperação da área degradada.

Infelizmente, no dia 20 de agosto, de forma violenta e covarde, as famílias foram despejadas pela Policia Militar em uma ação concedida pela justiça, que só tem olhos para defender o grande capital. Acompanhando a policia militar na ação estava um oficial de justiça e o empresário Rubens dos Santos Gomes, que afirma ser dono da terra. Assim, nos perguntamos:Dono? Como assim, Dono? Como o referido empresário, destruidor do meio ambiente, pode ser dono de uma imensa área de manguezal?

O que fica claro, em nosso ponto de vista, é que grande parte desta problemática se deve às relações de favorecimento do Estado com empresários do setor da carcinicultura na região. Essa relação estreita é entendida de forma clara quando o poder executivo concede vastas terras para a exploração e degradação e isto se confirma com as decisões do poder legislativo que cria leis para beneficiar os carcinicultores e quando vemos que sempre que “há problemas nas leis para instalação ou na propriedade”, a justiça julga em favor dos empresários em detrimento da comunidade. Assim como o caso do Cumbe, este conluio entre os agentes políticos e econômicos da região (Estado e o grande capital) há muito tempo vem oprimindo e exterminando as iniciativas coletivas em defesa do manguezal.

Entende-se carcinicultura como a prática do cultivo de camarão em viveiros. Esta tem sido, em parte do litoral cearense e nordestino, uma das atividades que, diretamente, mais afeta o meio ambiente costeiro. Com o objetivo da produção em larga escala, áreas de mangue são substituídas pela instalação de imensos tanques artificiais, impactando o habitat de inúmeras espécies de crustáceos, peixes, aves e insetos, que tem o mangue como verdadeiro berçário de biodiversidade, presentes nas zonas litorâneas. Oficialmente, uma questão que não podemos deixar de chamar atenção é que, de acordo com o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) o ambiente manguezal é uma Área de Proteção Permanente (APP), portanto, é ilegal a destruição da vegetação de mangue e apicum (vegetação nativa do ecossistema manguezal), assim como a promoção da degradação as espécies existentes.

Os povos que residem próximo ao mangue, tem toda uma cultura que foi construída a partir do contato com o ecossistema, que é o local de origem de sua fonte alimentar primária. Desta forma, o mangue se apresenta também como um local secular para os pescadores e marisqueiras da região, em que os costumes e práticas remontam longos períodos, segundo a memória coletiva da comunidade. Em contrapartida, o empresário é um dos devastadores do ecossistema manguezal em nosso Estado, que contribuiu e continuará contribuindo para a redução da área de manguezal do Ceará. A ocupação no viveiro abandonado foi legítima e visava denunciar a devastação ao ecossistema manguezal, assim como reivindicava a garantia de permanência e continuação de seus modos de vida e cultura em seu território.

Somos frontalmente contra a lógica capitalista de destruição do meio ambiente, de defesa do latifúndio, criminalização de lutadoras/es e extermínio de territórios das populações originárias. Somos amantes da igualdade, que só será alcançada através da organização horizontal de base, na construção do poder popular, do ombro a ombro na luta e nas sementes que são plantadas todos os dias pelos lutadores/as de uma outra sociedade, como é o caso dos moradores de luta do Cumbe. Enxergamos a iniciativa do acampamento como um grito que diz basta ao latifúndio, basta à desigualdade, basta à criminalização dos movimentos sociais, basta ao desmatamento dos mangues, basta à poluição das águas, basta à salinização do solo, basta às opressões que sofremos.

Por isso somos contrários a essa atividade, ao dito “progresso” capitalista que é pregado na região e ao Estado que faz uso de sua violência organizada, a polícia, para oprimir os povos lutadores da região litorânea. Somos solidários as famílias de lutadoras/es da comunidade do Cumbe, apoiamos suas resistências e lutas, chamando todas e todos que são contra essa injustiça social e a violência do Estado, a se solidarizarem às companheiras/os lutadoras/es da zona costeira.

 

 

TODA SOLIDARIEDADE DIRETA AOS LUTADORES E LUTADORAS DO CUMBE!

PELO FIM DA CARCINICULTURA E DA DEGRADAÇÃO DE NOSSA ZONA COSTEIRA!

CONTRA A “JUSTIÇA” DOS RICOS E A REPRESSÃO DA PM FASCISTA!

PELA CONSTRUÇÃO DO PODER POPULAR!

Organização Resistência Libertária [ORL-CAB]

30 de agosto de 2013

[CABN] Saudação do Coletivo Anarquista Bandeira Negra (SC) ao Congresso de Fundação da CAB

Retirado de: http://www.anarkismo.net/article/23101

Saudação do Coletivo Anarquista Bandeira Negra ao Congresso de Fundação da Coordenação Anarquista Brasileira.

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Companheiros e companheiras,

É com muita alegria e orgulho que saudamos todas e todos nesta manhã que marca uma etapa significativa na história do anarquismo brasileiro, com a fundação da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB).

Nós do Coletivo Anarquista Bandeira Negra, organização específica anarquista com presença em três cidades de Santa Catarina (Florianópolis, Joinville e Chapecó), temos menos de um ano de vida, mas sabemos do salto organizativo para a militância anarquista de nossas cidades proporcionado pela nossa modesta organização.

Este salto organizativo, impulsionando e estimulando nossa atuação, só foi possível graças ao apoio e a experiência acumulada nesses 10 anos de FAO. Sem este referencial e todos os aportes oferecidos, sem dúvida ainda estaríamos fragmentados e desorganizados. Cabe então nosso mais profundo agradecimento às organizações e pessoas que muito contribuíram neste processo.

Fundado em Agosto de 2011, o CABN é fruto de um processo iniciado em 2008, no qual a Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ) teve um papel especial, contribuindo em nossa formação e auxiliando através de sua rede de apoio no estabelecimento de contatos entre anarquistas de Curitiba, Florianópolis e Joinville. Podemos dizer que a FARJ foi e ainda é um exemplo motivador para nós, motivo pelo qual cabe um agradecimento especial.

Em Abril de 2009, graças aos contatos realizados dentro da rede apoio da FARJ, foi realizado o I Colóquio do Anarquismo Social, nas cidades de Curitiba, Florianópolis e Joinville, contando com a presença da FARJ e da Federação Anarquista Gaúcha (FAG), que passaria a partir dali a nos representar um referencial importantíssimo. Por isso, registramos também nossos agradecimentos especiais aos compas da FAG.

Após o colóquio houve a fundação do Coletivo Anarquista Luta de Classe (CALC) em Curitiba, e da Organização Dias de Luta, em Joinville, que mais tarde se somaria ao CABN. Fruto do mesmo processo, nos reconhecemos como uma organização irmã do CALC, que também merece uma menção especial de agradecimento.

Em Florianópolis o processo organizativo foi mais lento e apenas em 2011 tivemos o amadurecimento necessário para fundarmos nosso coletivo.

Destacamos a importância dos cursos de formação do Fórum do Anarquismo Organizado (FAO), sem os quais não teríamos a segurança política requerida no processo. A fundação da Federação Anarquista de São Paulo, hoje Organização Anarquista Socialismo Libertário (OASL), mais próxima historicamente de nossa fundação, merece ser lembrada como um estímulo a mais neste processo.

Depois tivemos contato com as demais organizações: Rusga Libertária, Organização Resistência Libertária, Coletivo Anarquista Núcleo Negro e Coletivo Anarquista Zumbi dos Palmares, ampliando horizontes da nossa experiência política. Nosso mais profundo agradecimento a todos vocês.

Hoje, aqui estamos, firmes e convictos da fundamental importância deste Congresso. Convictos também do papel de destaque que a Coordenação Anarquista Brasileira deverá adquirir no cenário político em que estamos inseridos. Convictos e solidários aos irmãos e irmãs anarquistas que aceitaram o desafio de fundar esta Coordenação. Contem com nossas forças e apoio naquilo que for preciso.

Por fim, manifestamos nosso agradecimento à Federação Anarquista Uruguaia, exemplo maior de militância anarquista sem o qual muito provavelmente não estaríamos aqui.

Viva a Coordenação Anarquista Brasileira!
Lutar, criar, poder popular!

Rio de Janeiro, 08 de Junho de 2012.

 

 

[CAB] Organizações que Compõem a CAB

Retirado de: http://www.anarkismo.net/article/23025

Algumas informações sobre as organizações que compõem a Coordenação Anarquista Brasileira.

Federação Anarquista Gaúcha (FAG)
Rio Grande do Sul
Fundada em 18 de novembro de 1995

A Federação Anarquista Gaúcha (FAG) é uma organização política anarquista fundada em 18 de novembro de 1995, fruto de um contexto de dispersão de diversos grupos libertários espalhados por diferentes regiões do Rio Grande do Sul – Juventude Libertária, que reunia militantes de Porto Alegre, Canoas, Guaíba e Gravataí; Grupo Ativista Libertário (GAL), de Alegrete, e Coletivo de Ação Libertária (CALIBRE), de São Leopoldo – que, em meio a um ambiente de discussões e procura de alternativas de organização para a militância anarquista, acabam por se reunir e fundar a FAG.

A experiência histórica da Federação Anarquista Uruguaia e seu modelo de organização, o especifismo, tiveram peso em nossa formação. Nesses mais de 15 anos, estivemos presentes e inseridos num conjunto de experiências da luta popular. Contribuímos modestamente na formação do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR); na construção de diversos Comitês de Resistência Popular nas periferias de Porto Alegre; organizando os estudantes em conjunto com a companheirada da Tendência Libertária Mobilização Direta (TLMD) nas universidades e escolas secundaristas, e militando por outro modelo de universidade nas vilas da grande Porto Alegre através do Coletivo pela Universidade Popular (COLUP); participamos ombro a ombro das lutas contra a ALCA e o FMI e também de uma série de lutas com movimentos como o Movimento dos Trabalhadores Desempregados (MTD) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Além de nossa inserção social, mantivemos, de 2001 até 2010, nossa antiga sede federal, como local de reunião, oficina de propaganda, debates de formação, cultura e encontro. Nas dependências da sede, mantínhamos a biblioteca A Conquista do Pão, hoje instalada em nossa nova sede, o Ateneu Libertário A Batalha da Várzea. Desde o início, não perdemos de vista o trabalho de propaganda, com cartazes, murais de rua e campanhas diversas. Sempre apostamos na construção do anarquismo nacionalmente e, por isso, militamos em 1996 no Processo da Construção Anarquista Brasileira, com diversos grupos, que acabou se mostrando precipitado e não tendo continuidade.

Hoje, a FAG tem militância nas frentes sindical, estudantil, de comunicação (rádios comunitárias) e do campo (MST), atuando cotidianamente na defesa da organização de base, da democracia e da ação direta, da independência e solidariedade de classe, tendo como horizonte a construção do Poder Popular.

Coletivo Anarquista Zumbi dos Palmares (CAZP)
Alagoas
Fundado em 2 de março de 2002

O Coletivo Anarquista Zumbi dos Palmares (CAZP) teve como berço de sua militância a atuação no movimento estudantil; ao longo desta experiência, militou na base do movimento, em entidades e agrupações estudantis. Praticando também a solidariedade de classe, sempre buscamos estar junto às lutas dos movimentos sociais em Alagoas.

Hoje, além da presença nas lutas estudantis, também estamos organizados nas frentes sindical e comunitária. A primeira, junto a trabalhadores da educação e da saúde, buscando resgatar uma prática sindical com protagonismo e democracia de base. Na comunitária, buscamos o empoderamento popular através de atividades que têm envolvido cultura e comunicação, em especial. No ano de 2008, junto a outros companheiros, participamos da fundação, em nosso estado, da tendência Resistência Popular, fato fundamental para a abertura das frentes sindical e comunitária.

No âmbito político, ingressamos no FAO em 2005, momento que nos permitiu dar saltos tanto na militância social, quanto no nível político-organizativo, gradativamente passando a assumir os contornos de uma organização especifista. Inseridos no processo de construção nacional da militância anarquista de matriz especifista desde as terras alagoanas, temos como norte contribuir para que a força política e social do anarquismo encontre ressonância nas lutas das classes oprimidas por justiça e liberdade.

Rusga Libertária (RL)
Mato Grosso
Fundada em 2006

A Rusga Libertária (RL) é uma organização anarquista com os princípios de ação direta, democracia direta, federalismo, internacionalismo, classismo e ética libertária, que foi fundada no início do ano de 2006 como fruto de um longo processo de discussão e reflexão entre os anarquistas cuiabanos que têm como intenção retomar o anarquismo social e militante que tanto impulsionou a luta do povo oprimido no passado. Atuamos em Cuiabá, capital do estado de Mato Grosso.

Antes mesmo de atuar como organização política, já existia militância em um bairro na periferia de Cuiabá, com a construção sendo feita por companheiros que viriam construir a RL; esse trabalho, iniciado há mais de 10 anos, existe até os dias de hoje.

Atuamos na luta pelo transporte público, com as bandeiras do passe livre e contra o aumento abusivo da passagem, uma luta que teve grandes movimentações na cidade em um determinado período. Depois disso, nos dividimos em frentes de atuação.

Tínhamos militantes atuando na frente estudantil, no período das ocupações de reitorias e da luta contra a reforma universitária, trabalho que durou até o ano de 2009, quando resolvemos dar prioridade a outras frentes de atuação. Essa mudança de prioridade implicou o nosso foco na construção de uma luta mais combativa no bairro Parque Geórgia, onde construímos a sede do Centro de Cultura Popular/Resistência Popular, com as nossas próprias mãos, e desenvolvemos uma rádio comunitária e outras atividades no espaço. Outros companheiros foram atuar na construção de uma frente sindical na área da educação, na qual estão até os dias de hoje, em atuação como oposição da atual direção do SINTEP; em 2012, estamos trabalhando na construção de uma chapa de oposição.

Desde 2011, com novos ingressos na militância, pudemos voltar à luta na frente estudantil, atuando no Centro Acadêmico do curso de Ciências Sociais e também em uma Frente de Esquerda, realizando uma aliança tática com outras correntes de esquerda da universidade, com as quais temos construído algumas lutas conjuntamente nos últimos anos. Estivemos também na luta contra a privatização da SANECAP (empresa de distribuição de água na capital que foi privatizada) e também contra a privatização da saúde pública.

Nos últimos três meses de 2012, estivemos atuando na luta por moradia e contra a desocupação de aproximadamente 300 famílias de um terreno próximo do bairro Parque Geórgia; parte de um projeto de “limpeza” dos centros urbanos por razão da Copa de 2014. A luta foi árdua, agitada e, no final, contou com uma grande vitória, que há vários anos os movimentos sociais não presenciavam na cidade. Uma luta que trouxe, além de um forte espírito de solidariedade em grande parte dos moradores dessa ocupação, atualmente transformada em um bairro, que, hoje em dia, está pronta para atuar em outros bairros que irão passar por resistências similares. Essa vitória, juntamente com a dos moradores do Assentamento Canaã, é um marco histórico para a luta popular combativa de Cuiabá e do próprio estado do Mato Grosso.

Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ)
Rio de Janeiro
Fundada em 30 de agosto de 2003

A FARJ possui três frentes de luta social. A mais antiga é a Frente Comunitária, cuja principal atuação se concentra no Centro de Cultura Social (CCS), localizado no bairro de Vila Isabel. Ali, são desenvolvidos diversos trabalhos de inserção junto à comunidade, sendo o mais importante o Pré-Vestibular Comunitário Solidariedade, organizado em conjunto com companheiros do Núcleo Complexo dos Macacos do Movimento dos Trabalhadores Desempregados “Pela Base!”, militantes da Organização Popular e apoiadores, como ex-alunos e alguns professores. No CCS-RJ funciona, desde 2001, a Biblioteca Social Fábio Luz e, desde 2004, o Núcleo de Pesquisa Marques da Costa, ambos vinculados à organização.

A Frente de Movimentos Sociais Urbanos (FMSU, antes denominada Frente de Ocupações) iniciou sua atuação junto ao movimento de ocupações no Rio de Janeiro, tendo participado da fundação da Frente Internacionalista dos Sem-Teto (FIST) em 2005. Após ter se afastado da FIST, no final de 2007, a frente ampliou seus trabalhos de inserção, passando a integrar o MTD-RJ e, posteriormente, constituindo o MTD “Pela Base!”, cuja luta central se dá a partir das demandas dos desempregados e precarizados. A FMSU também atua no Sindicato dos Servidores do Colégio Pedro II (SINDSCOPE) construindo um sindicalismo pela base e articulado com os movimentos populares, no Pré-Vestibular Solidariedade, na favela da Maré (Baixa do Sapateiro) e com o Linha Cultural, atividade que trabalha o Hip Hop como ferramenta de contestação.

A mais nova é a Frente Anarquismo e Natureza (FAN), antes denominada Frente Agroecológica. A FAN foi formada no final de 2007 com objetivo de fortalecer, apoiar e desenvolver junto aos movimentos sociais rurais um trabalho político que busque intensificar a luta de classes em torno da agroecologia, do trabalho de base cooperado e da educação integral sob a perspectiva da educação do campo. Após importantes avanços organizativos com a fundação do Núcleo de Saúde e Alimentação Germinal (extinto no Rio de Janeiro) e da Cooperativa de Trabalhadores em Agroecologia Floreal. Atualmente, os membros da FAN atuam no Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST-RJ) e na coordenação político-pedagógica de cursos de Licenciatura em Educação do Campo da UFRuRJ.

Os militantes da FARJ, a partir de suas inserções de base, também contribuíram com a construção da Organização Popular (OP), um agrupamento de tendência reunindo diferentes militantes sociais que defendem um método de se organizar, nas lutas e nas reivindicações populares, que fortaleça o protagonismo das bases e a proposta do poder popular, com atuação no movimento estudantil, sindical e popular.

Organização Anarquista Socialismo Libertário (OASL)
São Paulo
Fundada em 18 de novembro de 2009

Em um processo que teve início nos primeiros meses de 2008, a OASL organizou encontros amplos para discutir o anarquismo especifista, visando rearticular o anarquismo na cidade. Com significativa influência da Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ), o processo de dois anos culminou na fundação, nos fins de 2009, da Federação Anarquista de São Paulo, posteriormente chamada de OASL. A FARJ participou dos grandes encontros de 2008 e 2009 e a Federação Anarquista Gaúcha (FAG) do de 2009, constituindo um suporte fundamental para a formação da organização.

Desde seu surgimento, a OASL, em nível social, vem trabalhando com a participação e a tentativa de criação de movimentos populares na área metropolitana da cidade. O trabalho que possui mais tempo se dá no Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), por meio da regional Grande São Paulo, com o trabalho de base em assentamentos, com foco na formação política e na educação; há também iniciativas na produção, com a venda de produtos dos assentados. Distintos trabalhos no nível comunitário foram realizados desde o início do processo: na Zona Leste da cidade, no centro e, mais recentemente, na Zona Sul, com a participação na Rede Extremo Sul. Houve experiências sindicais nos bancários e, mais recentemente, tem se desenvolvido um trabalho com professores da rede pública, na APEOESP. Entre os estudantes, também, houve algumas iniciativas. Todos os trabalhos vêm sendo realizados a partir da participação da militância da OASL na Organização Popular Aymberê (OPA), um agrupamento de tendência que esteve à frente da organização do IX Encontro Latino-Americano de Organizações Populares Autônomas (ELAOPA).

No nível político, a OASL tem participado do FAO desde 2010, e, organicamente, a partir de 2011, quando recebeu, em São Paulo, o encontro anual do FAO e as Jornadas Anarquistas, com a participação de militantes de vários países latinos. Trabalhando a organicidade interna, a OASL vem constituindo suas secretarias, seus documentos orgânicos e programáticos, e articulado as relações, que incluem visitas a outras organizações anarquistas. Tem realizado formações políticas internas, debates, palestras e atividades públicas, para aproximação de pessoas. Juntamente com a FARJ, desenvolveu um programa de formação política sobre anarquismo. Na propaganda, tem distribuído as publicações do FAO e livros da Faísca Publicações, elaborado material para o site e para o Anarkismo.net, além de panfletos e materiais específicos, como “Anarquismo Especifista e Poder Popular”. Tem impulsionado a criação de núcleos da organização em outras regiões do estado.

Coletivo Anarquista Bandeira Negra (CABN)
Santa Catarina
Fundado em agosto de 2011

O Coletivo Anarquista Bandeira Negra (CABN) surgiu na cidade de Florianópolis, estabelecendo posteriormente um núcleo na cidade de Joinville e um pró-núcleo em Chapecó, na perspectiva de formar uma organização estadual. O CABN nasce inspirado pelo anarquismo especifista, na tradição da Federação Anarquista Uruguaia (FAU) e das organizações que compunham o Fórum do Anarquismo Organizado (FAO), atual Coordenação Anarquista Brasileira (CAB), a qual integramos.

O CABN defende um anarquismo em contato direto com as lutas populares, no seio da classe trabalhadora. Desde o início, participa dos movimentos sociais urbanos, especialmente nas lutas pelo transporte coletivo, tanto em Florianópolis quanto em Joinville, além de atuar em grupos de mídia independente noticiando as lutas sociais. Em Florianópolis, estamos iniciando trabalhos na frente comunitária e com a perspectiva de iniciar uma tendência libertária no movimento estudantil, onde já atuamos em algumas pautas como a construção do EIV-SC, estágio com os movimentos sociais do campo. Na cidade de Joinville, o CABN atua também junto ao Centro de Direitos Humanos (CDH) e em Chapecó possui atuação sindical, presente no SINASEFE-SC (cuja base de trabalhadores é do Instituto Federal/SC) e na construção de uma seção sindical do ANDES para os trabalhadores da Universidade Federal da Fronteira Sul.

Além dessas frentes de atuação, o CABN organiza o Círculo de Estudos Libertários em Florianópolis, que vem agregando pessoas e incentivando debates sob a perspectiva libertária, além de outros eventos como o realizado no 1º de Maio, reivindicando um Dia do Trabalhador classista e combativo, frente ao esquecimento da data. Em Joinville, o CABN também constrói o Grupo de Estudos das Idéias e Práticas Anarquistas (GEIPA).

Organização Resistência Libertária (ORL)
Ceará
Fundada em 2008

A Organização Resistência Libertária (ORL) foi fundada no final de 2008, a partir da articulação de estudantes anarquistas, que no ano anterior participaram de lutas estudantis (pela ampliação da isenção do vestibular da UFC e da ocupação da reitoria da mesma universidade contra o REUNI), e ex-membros dos extintos Coletivo Ruptura e Comuna Libertária, que há algum tempo vinham acumulando discussões em torno da necessidade de uma atuação organizada dos anarquistas junto às lutas e movimentos sociais. Foi exatamente este o ponto inicial que possibilitou a convergência entre essas duas levas de militantes e a formação de uma organização em torno de objetivos políticos, métodos de atuação e forma organizacional comuns.

Atualmente, a ORL desenvolve sua militância em duas frentes de trabalho: comunitária e sindical. Há mais de dois anos a organização atua na frente de trabalho comunitário, junto a comunidades atingidas pelas obras da Copa do Mundo de 2014. Contribuímos desde o início desta luta popular, que desembocou na criação do Movimento de Luta em Defesa da Moradia (MLDM), que articula em rede comunidades impactadas por esse mega-evento. No momento, a organização intensifica suas ações junto à luta destas comunidades, contribuindo com sua militância em várias atividades, sempre no sentido de que a luta assuma o caráter mais libertário possível, para que o movimento desenvolva autonomia, combatividade, autogestão e se paute por relações horizontais em suas decisões.

No último ano, iniciamos atuação na luta sindical, tentando impulsionar com nossa modesta militância a luta do magistério público estadual, contra os ataques do governo à educação pública e enfrentando a burocracia sindical instalada no sindicato do magistério estadual há décadas. Nossa prática política tem se pautado pelo fortalecimento da autonomia e da organização do magistério em oposição à estrutura parasitária mantida pela direção sindical, colaborando na construção de estruturas organizativas de base como a Rede de Zonais, que teve papel fundamental e impulsionou as ações mais radicalizadas na última greve estadual dos professores.

Coletivo Anarquista Luta de Classe (CALC)
Paraná
Fundado em outubro de 2010

O CALC organiza seus trabalhos em frentes e núcleos; neste momento, em uma frente comunitária e outra estudantil, constituindo apenas um único núcleo (centro). Além do desenvolvimento dos trabalhos sociais, também se encontra nas suas atribuições a revenda de livros de editoras libertárias uma vez ao mês, a realização do Círculo de Estudos Libertários (CEL), espaço de estudo e formação e a edição de seu informativo No Batente.

A frente estudantil tem sua militância no Coletivo Quebrando Muros (CQM), no movimento estudantil universitário, organizado por curso na UFPR, e que agora também possui trabalhos iniciados junto à comunidade da Vila Torres e aos estudantes secundaristas da rede pública de ensino. O CQM deixou de ser apenas uma tendência estudantil, tal como fora constituída em meados de 2009, passando a constituir, em 2012, novas frentes sociais, caso da frente comunitária, que integrou os ex-militantes do Germinal em seu coletivo, sem deixar de manter seus núcleos por local de estudo em sua frente estudantil. Ao contrário, seu trabalho estudantil vem se consolidando nos núcleos Politécnico, Psicologia, Ciências Sociais, História e Direito, acumulando forças para a esquerda combativa. Essa frente vem iniciando dois trabalhos sociais, a organização de um pré-vestibular comunitário junto aos estudantes do Colégio Estadual Hildebrando de Araújo (Jardim Botânico), e uma formação política no Colégio Estadual Manoel Ribas voltado aos jovens da escola (Vila Torres).

A frente comunitária também concentra sua atuação na Vila Torres. Até ano passado, atuava através do Germinal, mas em função da desarticulação deste último e uma aproximação com o CQM, passou a atuar em uma frente comunitária que este coletivo constituiu. Vem desenvolvendo desde outubro de 2008 trabalhos de inserção junto à escola e a comunidade, como o apoio a horta agroecológica do Colégio Estadual Manoel Ribas e a participação na rede de grupos comunitários. Também vem participando de espaços como as Jornadas de Agroecologia e o Grito dos Excluídos.

Coletivo Anarquista Núcleo Negro (CANN)
Pernambuco
Fundado em 2012

O Coletivo Anarquista Núcleo Negro possui uma breve existência e surge de uma prática junto a movimentos por moradia, a ocupações urbanas, em um agrupamento que à época tinha o nome de Coletivo Autonomia.

Precisávamos avançar para um modelo de organização que desse suporte para nossas intenções dentro de um campo claramente anarquista, afinal, aqueles que faziam parte do coletivo, identificavam-se com esta ideologia. Foi desta maneira que nos encontramos com o modelo de organização especifista, reivindicado por alguns dos agrupamentos já com alguma história no país, ligados ao FAO. Hoje, o Núcleo Negro atua no movimento sindical e comunitário através de duas frentes de trabalho.

Coordenação Anarquista Brasileira

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[ORL] MOÇÃO DE APOIO EM SOLIDARIEDADE AOS TRABALHADORES GRÁFICOS DO CEARÁ

Retirado de: http://resistencialibertaria.org/index.php?option=com_content&view=article&id=96:solidariedade-graficos&catid=88:lutas&Itemid=64

Qui, 31 de Maio de 2012 18:47

Moção de Apoio em Solidariedade aos Trabalhadores Gráficos do Ceará

Olá companheiros de luta,

Expressamos por esta carta nosso total apoio e solidariedade a vocês trabalhadores(as) gráficos do Ceará, que estão em greve há mais de 14 dias.

Acompanhamos as ações dos companheiros nos últimos dias e sabemos o quanto a imprensa corporativa, aliada aos interesses dos poderosos e dos donos da comunicação, está lhes perseguindo e criminalizando, tal como vem fazendo com os trabalhadores da construção civil e de várias outras categorias há tantos e tantos anos.

Lançamos nossa voz de apoio solidário a esta que é uma das categorias com mais forte tradição de luta no Ceará. Sabemos que vossos camaradas, há mais de cem anos contribuem de forma decisiva na luta contra a opressão e exploração dos trabalhadores sob o capitalismo, essa sociedade doentia, cruel e desumana em que vivemos.

Ações como a que vocês realizaram recentemente na sede deste mentiroso, antiético e péssimo veículo de comunicação (que nem vale a pena citar o nome) devem ser entendidas como respostas dos trabalhadores diante das provocações e intimidações que são feitas cotidianamente por aqueles que são opressores e exploradores do nosso trabalho, que vivem à custa do nosso suor, minando nossas vidas a cada dia, com as péssimas condições de trabalho e os salários de miséria que nos pagam.

Ações como as que vocês protagonizaram, são a explosão da revolta contra as perseguições e a criminalização que são praticadas contra quem luta por melhores condições de vida e trabalho. São ações desse tipo que marcam uma forma de sindicalismo de resistência, por meio da ação direta combativa e autônoma, diferente do sindicalismo pelego que estamos acostumados a ver instalado no país há várias décadas, um sindicalismo burocrata, de carreira, e repleto de “sindicalistas” de escritório, que vivem da negociata e dos conchavos políticos que só beneficiam a eles, aos políticos profissionais e aos donos da economia no país.

Em certos momentos são necessárias ações como essa, companheiros, ações diretas violentas, sem intermediários políticos e que marquem a diferença entre quem violenta os trabalhadores e nós que lutamos em legítima defesa. Sim, porque é isso que fazemos quando resistimos aos opressores e exploradores do nosso trabalho: lutamos em legítima defesa. Eles é que são os criminosos, eles é que nos violentam todos os dias. São eles os causadores diretos dos sofrimentos, das mortes (como a dos 28 trabalhadores da construção civil nos canteiros de obras desde o ano de 2011) e da dura vida que levamos. Uma vida que eles querem que seja vivida apenas em função do trabalho, para engordar os bolsos de quem vive de arrancar tudo o quanto pode da nossa saúde, do nosso tempo com a família, da nossa existência.

Esperamos que tenham êxito em suas reivindicações, companheiros, conseguindo arrancar o máximo de conquistas possíveis. Estamos à disposição de colaborar nas próximas manifestações e atividades, participando com nossas humildes forças militantes, quando for necessário.

Desejamos força e resistência na luta!

Autonomia, Combatividade e Liberdade!

Toda solidariedade aos trabalhadores gráficos do Ceará!

Quando os de baixo se movem, os de cima caem!

Os grandes só são grandes porque estamos de joelhos. Levantemo-nos!!

Fortaleza, 31 de maio de 2012.

Organização Resistência Libertária [ORL]