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[FAG] 19 ANOS DA FAG – Não tá morto quem peleia!!!

Retirado de: http://www.federacaoanarquistagaucha.org/?p=1041

19 anos

Há 19 anos um grupo de companheiros/as escolheu fazer parte da construção de um projeto político de cores rubro negra, em que a defesa das liberdades coletivas fosse condição essencial para a forja de um socialismo sem privilégios e dominações de qualquer tipo. Um projeto que, não sendo novo, se colocava como um imenso desafio para aquela geração de jovens que, órfãos de referências diretas em nosso país, buscava referências nos muitos anos de luta e experiência de organização sindical e popular dos irmãos da banda oriental organizados na fAu (federação Anarquista uruguaia).

Não que as experiências de luta e de organização do anarquismo no Brasil não fossem ricas por si só. Mas pesou muito o fato de que a geração de militantes que de alguma forma vivenciaram na carne as experiências de organização dos trabalhadores até os anos 50 do século XX não estivesse mais viva para contribuir na formulação das respostas aos anseios daqueles e daquelas que nos inícios dos 90 queriam se organizar para retomar o vetor social do anarquismo.

Organização para dar conta não apenas do estudo teórico e doutrinário de nossa ideologia, mas que pudesse responder aos desafios cotidianos da inserção anarquista no meio sindical, estudantil, comunitário, agrário e popular. Uma organização que pudesse articular essas diversas experiências de luta e organização dos de baixo no âmbito de uma perspectiva estratégica em que os oprimidos possam ser protagonistas da transformação social, sem vanguardas auto-eleitas dando ordens sobre o que fazer. Naquela época, foi a organização política específica dos anarquistas (o especifismo) que se colocou como a melhor resposta a esse anseio e, passados 19 anos, acreditamos que o anarquismo especifista continua sendo uma boa ferramenta para nossa organização enquanto militantes anarquistas. Uma escola de vida e militância libertária que é, para nós do Rio Grande do Sul, a Federação Anarquista Gaúcha – FAG. São 19 anos buscando enxertar verdades novas no tronco das velhas verdades fundamentais como dizia o companheiro anarquista italiano Camillo Berneri.

São 19 anos germinando um mundo novo em nossos corações e construindo um homem novo (diríamos um sujeito novo) como falava o anarquista espanhol Durruti e o revolucionário latino americano Che Guevara. São 19 anos estudando e se inspirando nas experiências de luta de mulheres e homens de todas as partes do mundo que muito antes de nós já estavam no labor cotidiano de erguer uma nova sociedade em cima dos escombros da velha sociedade capitalista. Não esquecemos de Lucy Parsons, Mikhail Bakunin, Louise Michel, Errico Malatesta, J. Proudhon, Anselmo Lorenzo, Voltairine Cleyre, P. Kropotkin, Elena Quinteros, Gerardo Gatti, José Oiticica, Polidoro Santos, Edgar Leuenroth, Emma Goldman, Alberto Mechoso, Maria Canária, Leon Duarte, Espertirina Martins, Nicola Sacco, Bartolomeu Vanzetti, os Mártires de Chicago, Neno Vasco, Domingo Passos e de tantas outras companheiras e companheiros (da nossa matriz e de outras matrizes da esquerda combativa) que de alguma forma plantaram sementes de Socialismo e Liberdade.

É pela memória dessa companheirada que seguimos nos organizando e lutando, desde o lugar que nos toca atuar e junto aos homens e mulheres que dia a dia constroem através de seu suor e trabalho essa sociedade.

19 anos de luta pelo Socialismo e pela Liberdade!

Viva a Federação Anarquista Gaúcha!

Viva a Anarquia!

[CURITIBA] BANCA DO CALC – VENDA DE LIVROS ANARQUISTAS

Todo mês, o Coletivo Anarquista Luta de Classe expõe sua banca para a venda de vários títulos anarquistas, especialmente da nossa corrente – Anarquismo Especifista, para autofinanciamento. Nesta primeira semana do mês de maio, após atividades relacionadas ao dia de luto e luta dos trabalhadores – 1° de maio, estamos em frente à cantina da Reitoria da Universidade Federal do Paraná durante os períodos da manhã e tarde vendendo nossos livros.

Temos de livros clássicos de Bakunin e Kropotkin até  títulos contemporâneos como o “Anarquismo Social e Organização” da Federação Anarquista do Rio de Janeiro, “Problemas e Possibilidades do Anarquismo” de José Antonio Gutiérrez Danton e “Ideologia e Estratégia” de Felipe Corrêa! Além de títulos sobre a história dos movimentos operários e anarquistas.

Venha conferir, receber alguns materiais do CALC e da CAB e aproveitar para comprar um dos últimos exemplares da Revista nº 2 do Socialismo Libertário (SOLI), a revista da Coordenação Anarquista Brasileira, sobre Teoria e Ideologia!

[Pará] Nova Organização Especifista: Núcleo Anarquista Resistência Cabana

É com grande felicidade que divulgamos o ato de fundação de mais uma organização anarquista especifista. O Núcleo Anarquista Resistência Cabana, do Pará, região Norte do país, formalizará sua formação no dia 30 de novembro.

 

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Programação

16:00 – 16:30 – Mística de abertura
16:30 – 17:10 – Fala da Prof.ª Valéria de Marcos (FFLCH/USP): O Anarquismo – Kropotkin e Bakunin
17:10 – 18:00 – sobre o Lema; sobre o histórico do anarquismo; sobre a Construção Anarquista Brasileira; sobre a proposta de criação de uma frente de educação; sobre os princípios e metodologia do anarquismo especifista.
18:00 – 18:30 – Merenda
18:30 – 18:40 – Doc-Vídeo sobre o Anarquismo ontem e hoje

Local: CNBB – Travessa Barão do Triunfo, 3151, bairro do Marcos
Data: 30 de novembro
Horas: a partir das 16:00
Mais informações: Biblioteca Libertária Maxwell Ferreira ou narc@riseup.net

“É com enorme satisfação que a Biblioteca Libertária Maxwell Ferreira convida tod@s para o ato de fundação do mais novo núcleo pro anarquismo organizado, o NÚCLEO ANARQUISTA RESISTÊNCIA CABANA – NARC. Este núcleo é fruto de diversas lutas e resistências populares que ao longo dos anos vem caracterizando, no espaço e no tempo, desde revolução cabana a Amazônia em chamas, o nosso povo como combatível, indignado, ingovernável, insurgente. Nunca foi e nunca será de organizações políticas reformistas e traidoras da classe oprimida trabalhadora ou de lideres políticos, a missão de emancipação popular, “um povo forte não precisa de líderes” disse uma vez Emiliano Zapata. Se “o tirano não é produto de geração espontânea: é o produto da degradação dos povos. Povo degradado, povo tiranizado. O mal, pois, está ai: na massa dos sofridos e dos resignados, no amorfo dos que estão conformados com a sorte” bem definiu Ricardo Flores Magón. Assim, camarad@s, vamos rumo ao projeto de emancipação popular feita exclusivamente pelos populares, o objetivo finalista é o socialismo libertário! Pois, “não se trata, portanto, de chegar à anarquia hoje ou amanhã, ou em dez séculos, mas caminhar rumo à anarquia hoje, amanhã e sempre” Errico Malatesta.
Viva o socialismo libertário!
Viva a Anarquia!!”

(Retirado de Biblioteca Libertária Maxwell Ferreira)

183 anos do nascimento de Louise Michel

Retirado de: bibliotecaterralivre.noblogs.org/post/2013/05/29/183-anos-do-nascimento-de-louise-michel/

Hoje, 29 de maio, relembramos o aniversário de nascimento de Louise Michel no ano de 1830. Incansável lutadora Louise Michel dedicou sua vida a educação e a transformação da sociedade no sentido da revolução social. Combatente implacável nas barricadas de Paris contra os desmandos do governo de Versalhes durante a Comuna de Paris em 1871, Louise colocou sua vida em risco juntamente com toda a classe de oprimidos da capital francesa.

A derrota dos communards não marcaria somente o longo exílio de Louise Michel na Nova Caledônia como também a levaria a reivindicar-se anarquista na lutar contra todas as injustiças sociais. O longo exílio não foi capaz de manter Louise distante dos princípios e círculos anarquistas. No ano de 1898, juntamente com Liev Tolstói, Élisée Reclus, Piotr Kropotkin e outros indivíduos escreveu o texto do Comitê de Iniciativa para o Ensino Integral retomando as discussões sobre a Educação Integral que haviam sido iniciadas na Associação Internacional dos Trabalhadores e apresentando algumas perspectivas objetivas para a implementação deste projeto de educação.
A vida de Louise Michel encontraria seu fim no início de 1905 em decorrência de uma forte pneumonia contraída durante uma viagem pela França onde realizava leituras em prol das causas anarquistas. Suas ideias e sua vida ainda seriam lembrados por diversas ocasiões, sendo significativo lembrar que um dos batalhões da Revolução Espanhola lhe renderia homenagem carregando o seu nome.
Buscando mais uma vez relembrar da incansável lutadora Louise compartilhamos em nossa página um filme, produzido na França em 2009, sobre a vida no exílio de Louise Michel e dos demais communards pós Comuna de Paris. A legenda para o português foi realizada por militantes do coletivo Ativismo ABC e estão disponíveis para download AQUI:

http://bibliotecaterralivre.noblogs.org/post/2013/05/29/183-anos-do-nascimento-de-louise-michel/

[CABN] 142 anos da Comuna de Paris: Louise Michel e o protagonismo feminino na luta pela liberdade

Retirado de: http://www.cabn.libertar.org/?p=907

A Comuna de Paris completa hoje 142 anos. Foi no dia 18 de março de 1871 que se iniciou a constituição da primeira experiência histórica de autogoverno operário e popular, a qual durou cerca de quarenta dias, resistindo ante as tropas francesas e alemãs que executaram mais de 20 mil rebeldes até o esmagamento da Comuna, que até então contava entre suas realizações:

  1. O trabalho noturno foi abolido;

  2. Oficinas que estavam fechadas foram reabertas para que cooperativas fossem instaladas;

  3. Residências vazias foram desapropriadas e ocupadas;

  4. Em cada residência oficial foi instalado um comitê para organizar a ocupação de moradias;

  5. Todas os descontos em salário foram abolidos;

  6. A jornada de trabalho foi reduzida, e chegou-se a propor a jornada de oito horas;

  7. Os sindicatos foram legalizados;

  8. Instituiu-se a igualdade entre os sexos;

  9. Projetou-se a autogestão das fábricas (mas não foi possível implantá-la);

  10. O monopólio da lei pelos advogados, o juramento judicial e os honorários foram abolidos;

  11. Testamentos, adoções e a contratação de advogados se tornaram gratuitos;

  12. O casamento se tornou gratuito e simplificado;

  13. A pena de morte foi abolida;

  14. O cargo de juiz se tornou eletivo;

  15. O calendário revolucionário foi novamente adotado;

  16. O Estado e a Igreja foram separados; a Igreja deixou de ser subvencionada pelo Estado e os espólios sem herdeiros passaram a ser confiscados pelo Estado;

  17. A educação se tornou gratuita, secular, e compulsória. Escolas noturnas foram criadas e todas as escolas passaram a ser de sexo misto;

  18. Imagens santas foram derretidas e sociedades de discussão foram adotadas nas Igrejas;

  19. A Igreja de Brea, erguida em memória de um dos homens envolvidos na repressão da Revolução de 1848, foi demolida. O confessionário de Luís XVI e a coluna Vendôme também;

  20. A Bandeira Vermelha foi adotada como símbolo da Unidade Federal da Humanidade;

  21. O internacionalismo foi posto em prática: o fato de ser estrangeiro se tornou irrelevante. Os integrantes da Comuna incluíam belgas, italianos, poloneses, húngaros;

  22. Instituiu-se um escritório central de imprensa;

  23. Emitiu-se um apelo à Associação Internacional dos Trabalhadores;

  24. O serviço militar obrigatório e o exército regular foram abolidos;

  25. Todas as finanças foram reorganizadas, incluindo os correios, a assistência pública e os telégrafos;

  26. Havia um plano para a rotação de trabalhadores;

  27. Considerou-se instituir uma Escola Nacional de Serviço Público, da qual a atual ENA francesa é uma cópia;

  28. Os artistas passaram a autogestionar os teatros e editoras;

  29. O salário dos professores foi duplicado.

Das barricadas levantadas no dia 18 de março de 1871, a Comuna de Paris provou para todo o movimento operário que o processo de ruptura revolucionária pela luta de classes pôde posicionar um universo de valores e ideologias do socialismo concretamente. As classes oprimidas e exploradas não chegaram ao poder do Estado constituindo-o, pelo contrário, o destruíram, através do projeto da construção federalista de poder, o “poder popular”. Não partindo da continuidade das reformas políticas francesas como muitos afirmam, mas do acúmulo prático e teórico que as classes trabalhadoras souberam aproveitar, implementando as longas experiências das greves operárias e da recente Associação Internacional dos Trabalhadores. Pela defesa intransigente da concepção da autogestão social, a vitória alcançada a muito custo foi justamente o avanço histórico de demonstrar que a tutela do Estado pode desmoronar quando as classes oprimidas organizam-se de baixo para cima, destruindo os grilhões que impediam sua emancipação.

A derrota da Comuna não está firmada sob o critério da impossibilidade do povo se auto-organizar. A repressão e o fortalecimento das nações capitalistas se articulam e se readequam gradativamente conforme existe o risco de superação da própria ordem capitalista. A Comuna de Paris representa a afirmação de levar adiante a primazia do internacionalismo e das realizações históricas da classe trabalhadora. Dentre estas realizações, é fundamental destacar a importância da luta das mulheres. Como no 08 de março a mídia sempre acaba simbolizando esta data de forma comemorativa, superficialmente, o resgate da história das lutas pela emancipação feminina está mais do que contido no episódio revolucionário da Comuna de Paris. Em homenagem às combatentes anônimas e conhecidas, relembramos artigo que a Federação Anarquista Gaúcha trouxe a público, que denota o protagonismo do passado estendendo-se até o presente.Barricade18March1871

De Mary Wollstonecraft a Louise Michel, e de Lucy Parsons a Elena Quinteros, este reconhecimento cumpre a tentativa de romper com as visões e práticas, ainda em vigência, do patriarcado nas relações no campo da esquerda. A questão de gênero tem avançado em visibilidade social, mas ainda sabemos que falta elementos materiais concretos de mudança. Este texto fala destas verdadeiras lutadoras do povo, como Louise Michel, filha de servente, professora, criadora do grupo “O direito da mulher”, formado por socialistas e feministas, e das milícias, onde comandou batalhões de mulheres à frente das barricadas na Comuna. Guerreira e libertária, defendeu a independência da colônia francesa da Nova Caledônia quando esteve lá deportada. Em “Memórias da Comuna”, de 1898, Louise Michel defendia o feminismo libertário e classista, vindo a conhecer na década de 1890, Malatesta, Emma Goldmam, Kropotkin e Pietro Gori. Em 1905, ano das primeiras experiências federalistas na Rússia, é enterrada envolta pelo estandarte da Comuna de Paris.

Em 1902, Louise Michel escreveu:

Aqui o inverno não tem onde amarrar-se,
Aqui as fragas sempre são verdes (…)

Aqui, em cadeias expira:
O presídio é pior que a morte.
Nos nossos corações sobrevive a esperança,
E se vemos a França novamente,
será para seguir combatendo! (…)

No ar paira a Liberdade!
A batalha nos chama
O clamor do deserdado!…
… A alvorada caçou a sombra espessa,
E o mundo novo se ergue

***

COM A PALAVRA E O EXEMPLO: LOUISE MICHEL

Por Federação Anarquista Gaúcha

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Não se pode matar a ideia a tiros de canhão nem amarrá-la

Quando a Comuna foi derrotada, as tropas de Versailles massacraram gente durante 8 dias seguidos. Dizem que o batalhão feminino de Louise Michel “peleou como demônio”. Os soldados assassinaram a maioria delas a sangue frio quando já estavam desarmadas. Em geral, foram assassinados mais de 20 mil comuneiros, outros 43 mil foram presos e 5 mil deportados. Louise Michel escapou, mas se entregou porque a chantagearam com a detenção de sua mãe. Compareceu ante o Quarto Conselho de Guerra e disse: “Já que ao que parece todo coração que late pela liberdade só tem direito a receber uma pequena porção de chumbo, solicito a parte que me toca. Se me deixarem viva, não deixarei de clamar pela vingança e denunciarei os assassinos…

Declarações de Louise Michel em seu juízo

Ah, certamente, senhor advogado geral, a você resulta estranho que uma mulher ouse defender a bandeira negra. Porque temos resguardado a manifestação sob a bandeira negra? Porque esta bandeira é a das greves e indica que o operário não tem pão.

O povo morre de fome, pois bem, eu tenho tomado a bandeira negra para dizer que o povo não tinha trabalho e comida. Este é meu crime, o julguem como queiram.

Se existem tantos anarquistas, é porque muita gente está enojada da triste comédia, que faz tanto tempo, nos mostram os governos.

Resumindo, o povo não tem nem pão nem trabalho, e não temos em perspectiva mais que a guerra. E nós queremos a paz da humanidade e a união dos povos. Estes são os crimes que temos cometido. Cada um busca seu caminho, nós buscamos o nosso e pensamos que o dia em que reinar a liberdade e a igualdade, o gênero humano será feliz.”

Sobre o direito das mulheres

“Eu admito que o homem também sofre nesta sociedade maldita, mas nenhuma tristeza podeser comparada com a da mulher. Na rua ela é a mercadoria. Nos conventos, onde se ocultacomo em uma tumba, a ignorância a ata, e as regras ascendem em sua máquina comoengrenagens e pulverizam seu coração e seu cérebro. No mundo se dobra sobre amortificação. Em sua casa, suas tarefas a esmagam. E os homens querem mantê-la assim. Elesnão querem que ela usurpe sua função ou seus títulos.

Nas reuniões do grupo dos Direitos das Mulheres, e em outras reuniões, os homens maisavançados aplaudiram a ideia da igualdade. Notei – eu  tinha visto antes, e vi mais tarde –que os homens, suas declarações não obstante, ainda que parecessem nos ajudar, sempre seconformavam com as aparências… me convenci que nós as mulheres simplesmente devemostomar nosso lugar sem pedir permissão por isso.

Saúdo a todas aquelas valentes mulheres da vanguarda que foram de grupo em grupo; oComitê de Vigilância, a sociedade das Vítimas da Guerra, e mais tarde a Liga de Mulheres. Ovelho mundo deveria temer o dia em que aquelas mulheres finalmente decidam que  tiveramo bastante. Aquelas mulheres não fraquejarão. A força se refugia nelas. Tomem cuidado comelas… Tomem cuidado com as mulheres quando se cansem de tudo o que as rodeia e selevantem contra o velho mundo. Nesse dia um novo mundo começará.

Sobre o poder

Talvez seria melhor para o povo se todos nós que dirigimos a luta agora caiamos em batalha,para que depois da vitória não fiquem mais Estados maiores gerais. Assim o povo poderiacompreender que quando todo mundo junto comparte o poder, então o poder é justo eesplêndido

Quem informará os crimes que o poder comete, e a forma monstruosa em que o poder transforma os homens?”

Informações e fragmentos tomados do artigo de Victoria Aldunate Morales publicado em Kaos em la Red.

Tradução: EC – Federação Anarquista Gaúcha


Um poema de amor e despedida

Les Œillets Rouges (Os Cravos Rubros)

Quando ao negro cemitério eu for, 
Irmão,
 coloque sobre sua irmã, 
Como
 uma última esperança, 
Alguns
 ‘cravos’ rubros em flor.

Do Império nos últimos dias
Quando as pessoas acordavam,
Seus sorrisos eram rubros cravos
Nos dizendo que tudo renasceria.

Hoje, florescerão nas sombras
de negras e tristes prisões.
Vão e desabrochem junto ao preso sombrio
E lhe diga o quanto sinceramente o amamos.

Digam que, pelo tempo que é rápido,
Tudo pertence ao que está por vir
Que o dominador vil e pálido
Também pode morrer como o dominado.

Louise Michel

 

Retirado de: http://vermelhoenegro.org/blog/2010/03/06/com-a-palavra-e-o-exemplo-louise-michel/

[FAO] I Seminário de Formação do Fórum do Anarquismo Organizado – Região Sudeste

Retirado de:

Rio de Janeiro, 21 e 22 de janeiro de 2012

Declaração do I Seminário de Formação do Fórum do Anarquismo Organizado – Região Sudeste, realizado no Rio de Janeiro, em 21 e 22 de janeiro de 2012.

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“É melhor dar um passo com mil do que mil passos com um”

O Fórum do Anarquismo Organizado (FAO) – representado por suas organizações da região Sudeste (Federação Anarquista do Rio de Janeiro / FARJ e Organização Anarquista Socialismo Libertário / OASL-SP) – coordenou, entre 21 e 22 de janeiro de 2012, o I Seminário de Formação da Região Sudeste. O seminário reuniu, nas dependências do Centro de Cultura Social do Rio de Janeiro, além da FARJ e da OASL, coletivos em processo de articulação ou aproximação com o FAO e individualidades interessadas em se organizar ou ingressar nas organizações já constituídas. Estiveram presentes militantes dos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Minas Gerais e Paraná, cumprindo um triplo objetivo: fortalecer o processo nas organizações existentes; estimular a criação de novas organizações/núcleos; integrar em um processo comum, levado a cabo no FAO, esse conjunto de indivíduos, grupos e organizações interessados na construção do anarquismo de matriz especifista no Brasil.

Estiveram presentes no evento cerca de 50 pessoas das seguintes cidades/regiões: Rio de Janeiro, Niterói, Baixada Fluminense, São Paulo (capital), Baixada Santista, Ribeirão Preto, Mogi das Cruzes, Belo Horizonte, Montes Claros, Grande Vitória, Cachoeiro de Itapemirim e Curitiba, O evento foi realizado de maneira autônoma, pela FARJ e OASL, contando com a colaboração de todos os participantes em um ambiente de apoio mútuo e solidariedade, que permitiu tanto uma infra-estrutura adequada (hospedagem, alimentação, limpeza etc.), como um elevado nível de discussão.

O evento teve início dia 21 pela da manhã, com a recepção dos participantes seguida de uma apresentação de boas-vindas, que reforçou a relevância do processo organizativo do anarquismo no Brasil contemporâneo e a necessidade do fortalecimento da Região Sudeste neste processo.

O primeiro módulo do seminário, “Teoria e História”, teve por objetivo levantar questões sobre o surgimento e o a trajetória do anarquismo, compreendido pelo FAO como uma ideologia ligada à prática política de intenção revolucionária. A partir formação da corrente libertária, discutiu-se o conceito de anarquismo e suas estratégias (formas históricas da ideologia), indo desde Proudhon e o mutualismo, até a Revolução Espanhola, passando por Bakunin, a Aliança e a Internacional; o anarco-comunismo de Kropotkin e Malatesta; a propaganda pela ação e o individualismo tático; o sindicalismo revolucionário e o anarco-sindicalismo; a Comuna de Paris, o sindicalismo no Brasil, o magonismo e a Revolução Mexicana e a Revolução Russa.

O segundo módulo, “Organicidade”, apresentou conceitos básicos da organização anarquista: o que é, quais são os objetivos, meios de atuação, função, diferença com outros modelos de organização política, documentos orgânicos (Carta de Princípios, Carta Orgânica e Programa), atividades, modelos de estrutura, frentes e secretarias, lógica dos círculos concêntricos, processo decisório, qualidades militantes. Num segundo momento, deu-se destaque à questão da Carta Orgânica, sendo apresentado um modelo de carta para que os participantes conhecessem seu conteúdo, facilitando a elaboração local de documentos desse tipo.

Depois da exibição de dois vídeos da Bucaneiro Produções, que mostram trabalhos sociais no Rio de Janeiro e São Paulo, teve início o terceiro módulo, “Trabalho Social”, visando aprofundar método do trabalho de base, para o que foram tratados os seguintes eixos: a arte do trabalho social; o sistema de dominação e sua estrutura de classes; as diferenças entre os trabalhos que são realizados pelos agentes internos (que moram/trabalham/estudam no mesmo local de trabalho social) e agentes externos (que não moram/trabalham/estudam no mesmo local de trabalho social); distintos modelos de agente, a partir das noções e diferenças entre minoria ativa e vanguarda; as melhores maneiras práticas de iniciar e aprofundar o trabalho/inserção social; questões de mística; método e educação popular etc.

A noite contou com o lançamento do livro Ideologia e Estratégia, de um companheiro do FAO, e também com a apresentação cultural dos grupos de hip-hop das periferias de São Paulo e Rio de Janeiro, Liberdade e Revolução e Us Neguin q ñ c kala, além de uma intervenção do grupo Anarcofunk de Belo Horizonte.

O segundo dia teve início com uma breve discussão de teoria e método de análise, que buscou suprir lacunas identificadas no primeiro dia. Logo em seguida, foi desenvolvida uma dinâmica de grupo com objetivo de analisar/solucionar problemas hipotéticos de militância social concreta. Além de socializar o contato e as experiências da militância presente, a dinâmica muniu os participantes de um conjunto teórico/prático capaz de permitir o aprofundamento dos trabalhos sociais em curso ou que estão para ser iniciados.

Na continuação das atividades mais práticas, FARJ e OASL apresentaram seus trabalhos sociais realizados em suas distintas frentes (movimentos sociais urbanos, MST/anarquismo e natureza, comunitária, estudantil). O evento foi finalizado com um debate que encaminhou questões organizativas e os próximos passos para o fortalecimento do FAO na região Sudeste.

Para todos os presentes, o anarquismo no Brasil, de maneira geral, e mais concretamente o caso da corrente especifista, vivencia um momento ímpar desde o fim da ditadura militar. O processo do FAO, que completa este ano uma década de existência, vem dando um salto quantitativo e qualitativo desde 2007, quando conseguimos progressivamente reunir e aproximar todo o anarquismo especifista brasileiro. A presença atual nos estados do Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso e Alagoas pode ser ampliada, ainda em 2012, para Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, Espírito Santo, Pernambuco e Ceará. O aniversário de 10 anos do FAO será marcado por um evento sem precedentes, em que a organicidade será aprofundada e daremos mais um passo na construção do processo nacional.

Compreendemos que este é não é um processo rápido e que deve contar com a contribuição coletiva, de maneira a aprofundar teoria e prática que, para nós, são indissociáveis. Se por um lado, notamos um aprofundamento dos trabalhos sociais e da inserção em distintos setores do campo popular (sindical, sem terra, pequenos produtores, sem teto, desempregados, catadores, estudantes, comunitário, indígena, quilombolas, gênero), por outro vemos avançar um debate teórico profundo que, generosamente, visa extrair de autores clássicos e contemporâneos elementos teóricos e ideológicos que dêem conta de um método de análise e uma estratégia capaz de impulsionar nosso projeto revolucionário de transformação social.

Entendemos que, modestamente, temos conseguido reinserir o anarquismo no campo da luta de classes e dos movimentos populares e buscado criar um povo forte, capaz de assumir o protagonismo em suas lutas e em seu processo emancipatório. O I Seminário de Formação do FAO da Região Sudeste, juntamente com os seminários realizados nas regiões Sul [http://www.anarkismo.net/article/20167] e Nordeste [http://www.anarkismo.net/article/21040], demonstram a maturidade e a vontade dos militantes que vêm superando as dificuldades de um país de dimensões continentais e avançando na construção do socialismo libertário.

Construir o FAO!
Ética, compromisso, liberdade!
Lutar, criar, poder popular!

***

Federação Anarquista do Rio de Janeiro (RJ)
Organização Anarquista Socialismo Libertário (SP)
Coletivo Mineiro Popular Anarquista – antigo Movimento Anarquista Libertário (MG)
Coletivo Anarquista Luta de Classe (PR)
Coletivo Pró-Organização Anarquista do Espírito Santo
Coletivo Pró-Organização Anarquista da Baixada Santista
Coletivo Pró-Organização Anarquista de Ribeirão Preto
Indivíduos