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[FARJ] Libera #167

Retirado de: https://anarquismorj.wordpress.com/2016/08/31/libera-167/

Em meio a conturbada conjuntura política e uma nova onda de ataque aos direitos dos/as trabalhadores/as lançamos nosso #Libera 167 com um sabor especial de resistência e persistência. Nessa edição, comemoramos os 25 anos do Libera, o jornal anarquista de maior longevidade contínua da história do anarquismo brasileiro. Desses 25 anos, o Libera é há 13 anos, o jornal oficial da FARJ e jamais deixou de ser impresso, produzido, distribuído e lido em toda sua trajetória. O Libera só faz sentido em meio aos assentamentos, aos protestos, aos espaços autogestionários, aos sindicatos e dentro das mobilizações! O Libera é parte do nosso combustível na luta!

Nesse número:

  • A “ponte para o futuro” precisa de uma barricada no meio do caminho
  • Libera: um quarto de século pelo anarquismo!
  • Mês de março feminista e libertário no Ceará (Organização Resistência Libertária – CAB)
  • Contra a cultura do estupro, a resistência é a vida (Coordenação Anarquista Brasileira – CAB)
  • A Luta Continua para o PDS Osvaldo de Oliveira
  • Quem é Rafael Braga Vieira
  • Greve, Piquete, Marcha e Ocupação! Educadores e Estudantes unidos pela Educação! (Coordenação Anarquista Brasileira)
  • E muito mais…!

Você pode conseguir o Libera fisicamente com nossos militantes e apoiadores e na Biblioteca Social Fábio Luz. Caso deseje receber um número grande para distribuir, entre em contato conosco.
O Libera #167 pode ser baixado clicando na figura abaixo ou aqui.

Todo apoio à Ocupação da Reitoria da UFPR! Greve, Ocupação e Piquetes pela Educação Pública!

Desde 31 de agosto, segunda-feira, os/as estudantes da Universidade Federal do Paraná (UFPR) ocupam a Reitoria da universidade. Com o sucateamento da UFPR, cortes na assistência estudantil, fechamento de cursos do interior e os cortes de verbas da educação que ultrapassam R$10 bilhões, a ação direta é a arma para resistir!

Desde o final de maio, os servidores técnico-administrativos da UFPR estão em greve; os professores desde 10/08 e os estudantes desde 19/08. A greve é um instrumento essencial para a conquista de direitos!

Os estudantes da UFPR se organizam em movimento desde o começo do ano a partir da Frente de Mobilização Estudantil do Paraná (FMEP) e desde o começo da greve estudantil no Comando de Greve Estudantil da UFPR – espaços abertos, horizontais e autogeridos pelos estudantes.

Mesmo com o início da greve estudantil, a Reitoria da universidade se recusava a negociar as pautas tiradas em assembleias locais e gerais. Sendo a ação direta o meio para conseguirmos começar a negociar, foram feitos atos na Reitoria e nas ruas para pressionar o Reitor Zaki Akel (o mesmo que  reprimiu e criminalizou estudantes e trabalhadores violentamente, como Beto Richa no 29 de abril, em 28 de agosto de 2014, para passar a EBSERH-privatização do Hospital de Clínicas – leia em: Batalha da EBSERH) a começar a negociação e obter conquistas.

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Pela ação direta, a Reitoria começou a ceder – as conquistas iniciais foram: o avanço nas pautas para pessoas LGBT; Congelamento do preço do RU em R$1,30; Não suspensão das bolsas do PIBID; Bolsas monitoria garantidas até o final do semestre; Inicio das negociações unificadas dia 09/09; Apresentação do orçamento da UFPR no dia 15/09.

Porém, após a primeira reunião de negociação (dia 26/08) o reitor viajou de férias e deixou a negociação com outros representantes da Reitoria. Dia 31/08, os representantes da reitoria decidiram por enrolar na negociação e dizer que nada era possível, pois era o Reitor Zaki Akel que poderia decidir. A resposta para mais enrolação foi mais radicalização.

Após a ocupação,  a Reitoria afirmou que não iria mais negociar. Mas, no dia 02/09, as negociações para desocupação começaram com sete pautas: Continuidade de negociação; Não criminalização; Respostas por escrito e assinadas das pautas já negociadas; Avanço na negociação de pautas de assistência estudantil; Devolução imediata do prédio do DCE aos estudantes (“reintegrado” pela Polícia Federal com mais violência a mando de Zaki); reunião do Comando de Greve Estudantil da UFPR com o MEC; Adiantamento da publicitação do orçamento da universidade. Com mais enrolação, mais ação direta. E neste mesmo dia cortaram luz e água!

Durante a manhã do dia 03/09, foram feitos mais piquetes nas entradas da UFPR, os fura-greve e a burocracia da reitoria tiveram que mais uma vez ouvir que a luta pela educação pública continua, sem arrego.

A luta continua! Educação não é mercadoria e assistência estudantil não é esmola!

Acompanhe as notícias da ocupação em: Greve Estudantil

Reitoria da UFPR foi ocupada por estudantes na segunda-feira (31) (Foto: Giuliano Gomes/PR PRESS)

Lutar! Criar Poder Popular!

Ação Direta é a arma que nós temos para fazer justiça para viver!

[FAG] Nem com os que mandam por cima, nem com os que reprimem os de baixo

NOTA DO SECRETARIADO da FAG – 01/08/2015

Retirado de: https://www.facebook.com/FederacaoAnarquistaGaucha/photos/a.376527272358837.94284.302156596462572/1048768785134679/?type=1

A conjuntura é de ataques dos governos (federal, estadual e municipal) em forma de ajustes, que retiram direitos básicos d@s trabalhador@s para garantir os benefícios dos governos e os lucros dos patrões, com as isenções e sonegações de impostos. A lógica é a mesma, cortar na carne dos de baixo pra manter os privilégios das elites.

Diante desses ataques e retirada de direitos, a nossa posição continua sendo a luta direta, desde a base, contra os patrões e governos. Portanto, não acreditamos em greves que apostam somente em negociatas e que puxa freio da base revoltada e com disposição de resistência. Tampouco concordamos com direções determinando o tempo de greve das categorias, pois o tempo da luta é determinado pela capacidade de conquista d@s trabalhador@s!

Nesse sentido, reafirmamos a nossa disposição de luta ombro a ombro com as bases das categorias que sofrem as mazelas desses ajustes. Sabendo que a solução não virá de cima, cabe a nos reforçar princípios históricos da classe trabalhadora e dos oprimidos: independência de classe, ação direta, organização desde baixo e com real protagonismo da base.

Queremos lembrar que nossos inimigos de classe continuam os mesmos e não será por oportunismo de certos setores que vamos aliviar a crítica e a luta contra os que nos reprimem. O aparato repressor do Estado (Brigada Militar, Polícia Civil…) é instrumento de repressão e criminalização dos que lutam, nunca estiveram ao lado dos movimentos sociais e populares e não será nesse momento que estarão. Nesse conflito serão os primeiros a serem beneficiados na iminência de negociações com o governo estadual.

Mais que nunca chegou a hora da greve geral dos trabalhadores estaduais fora de discursos vazios que vem de cima de um carro de som. A greve geral se constrói em cada local de trabalho, dia-dia, de piquete em piquete!

Greve sem arrego!
Desde a base contra os cortes de governos e patrões!
Pela unidade dos de baixo!

[CAB] Declaração do III Encontro Regional Sul da Coordenação Anarquista Brasileira – 2015

Nos dias 4 e 5 de julho, reunimos em Curitiba delegações do Coletivo Anarquista Luta de Classe (Paraná), Coletivo Anarquista Bandeira Negra (Santa Catarina) e Federação Anarquista Gaúcha (Rio Grande do Sul) para tratar da conjuntura atual, a coordenação de nossas frentes de atuação sindical, estudantil e comunitária, e também as campanhas da CAB para o próximo período.

Conforme indicado na análise do último jornal Socialismo Libertário, o momento é de crescente retirada de direitos sociais, com ajuste fiscal e aumento do custo de vida para os de baixo, que vem junto ao projeto de expandir as terceirizações que implicam mais precarização e insegurança à classe trabalhadora. O neodesenvolvimentismo do PT chegou a um limite e as tímidas políticas sociais dão lugar a novas políticas de desmonte e corte de verbas nos serviços públicos. Pautas conservadoras ganham força no debate nacional, acarretando em mais criminalização da pobreza e também fomentando o preconceito racial, de classe e a desigualdade de gênero, como são o caso da proposta de redução da maioridade penal e as terceirizações.

Neste contexto, é fundamental resgatar princípios e práticas que são patrimônio da esquerda e muito caros para nossa corrente libertária, como as formas combativas de luta através de greves, piquetes e ação direta, sempre com o protagonismo e mobilização das bases. Apesar da conjuntura de ataques, há importantes lutas de resistência em curso, que precisam de força e apoio. O momento exige a superação das direções pelegas e burocratas que tomam sindicatos e movimentos propondo soluções de gabinete e o fortalecimento de suas candidaturas ao invés da ação direta popular. Resgatar as práticas e princípios de luta da esquerda é também romper com o afastamento da política, vista como mercado de negócios e cartas marcadas que abrem espaço para o conservadorismo.

É momento de seguir com a organização e mobilização em nossos locais de trabalho, estudo e moradia, acumulando forças e fomentando a luta e a solidariedade no seio de nossa classe, além de promover o intercâmbio de experiências e acúmulos de nossas frentes de trabalho. O anarquismo especifista no sul do Brasil, através da Coordenação Anarquista Brasileira, não exige nem mais nem menos que seu posto na luta, sempre junto aos setores oprimidos, construindo um povo forte.

Não tá morto quem peleia!

Lutar, Criar Poder Popular!

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[CAB] Jornal Socialismo Libertário #30 – Julho/2015

Retirado de: https://anarquismo.noblogs.org/?p=242

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RETOMAR OS VALORES E AS LUTAS DA CLASSE TRABALHADORA

O primeiro semestre de 2015 segue com as nefastas políticas do governo PT/PMDB garantindo o máximo lucro para o capital empresarial e financeiro (nacional e internacional), e com o ataque aos direitos do povo. Está claro que mulheres, negros, indígenas, pobres e camponeses estão excluídos destas políticas, tocadas pelo executivo junto a um congresso conservador e reacionário e um ministério que busca implementar as políticas de austeridade do sistema financeiro, do agronegócio e da precarização da classe trabalhadora, não restando mais nada do projeto petista de conciliação de classes.

Tudo isso reforça que não há, e nunca houve, possibilidade de disputa deste governo. Ou que o problema seja de “crise de direção” ou que o governo esteja politicamente em uma situação de “refém” para garantir a governabilidade. Pelo contrário, o PT tomou a decisão política de governar de tal forma, fazendo o povo sangrar e evidenciando mais uma vez que o mecanismo representativo não constrói poder popular nem transformação social.

Os recentes acordos bilaterais firmados com os Estados Unidos indicam mais uma guinada à direita do governo Dilma. Acreditando na necessidade destas políticas, o governo vem aplicando um receituário marcadamente neoliberal frente a uma conjuntura internacional que não possibilita mais as mesmas condições anteriores que alavancaram as políticas neodesenvolvimentistas nesses 12 anos de PT no governo. E as últimas quedas vertiginosas da bolsa da China, que chegaram até 30%, podem causar impactos na economia brasileira e selam o esgotamento da política neodesenvolvimentista.

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CORTAM NA CARNE DOS TRABALHADORES. QUEREM PRENDER OS JOVENS NEGROS E POBRES QUE NÃO SE AJUSTAM.

O governo segue a receita da austeridade. Já sofremos nos estados e municípios com as políticas de ajuste fiscal e graves cortes sociais, como na saúde e na educação. Fazendo o povo pagar uma conta cara para o lucro dos investidores internacionais. Dentro desse pacote, a ampliação das terceirizações (PL 4330) e o ataque a direitos como o seguro-desemprego e a aposentadoria (MPs 664 e 665) fazem a classe trabalhadora virar carne barata no capitalismo de mercado. O Programa de Proteção ao Emprego criado pelo governo Dilma em medida provisória é um plano de socorro aos patrões que autoriza redução salarial de até 30%. É um retrocesso brutal feito com a chancela das burocracias da CUT e da Força Sindical. O acordo coletivo específico entre empresa e trabalhador, previsto na MP, abre precedente pra flexibilização dos direitos trabalhistas. Para as mulheres a situação é ainda pior. Em nossa sociedade patriarcal e opressora a terceirização e a precarização no mundo do trabalho sempre foram uma realidade, com salários mais baixos e desigualdade de direitos em relação aos homens.

Em paralelo avançam uma série de iniciativas conservadoras e de ataque aos direitos humanos, como a redução da maioridade penal e a tentativa de excluir a temática de gênero do debate educacional. Os setores da direita do governo em conjunto com a oposição de direita tentam avançar as pautas conservadoras que aprofundam a criminalização e o extermínio dos/as pobres e fazem retroceder avanços importantes na luta contra as opressões de gênero e sexualidade. Os Povos indígenas também sofrem com a perda de seus territórios e o campesinato com a estagnação da reforma agrária e a falta de ações que garantam sua vida e permanência no campo. Com as pressões de bancadas como a ruralista, evangélica e da bala, estas pautas vem se materializando, contando com a ajuda da mídia burguesa que faz terrorismo e trabalha para naturalizar determinados valores conservadores na população.

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DE DENTRO E DE FORA DO GOVERNO A DIREITA LATE E MORDE O OSSO

Enquanto o governo Dilma evolui para a direita, os setores burgueses que não vestem a farda do governismo se alinham com as posições mais extremas e conservadoras para se distinguirem na turbulência da cena política. O conservadorismo ganha inserção e cresce na base da sociedade. O PT está jogado na vala comum da política burguesa, sujo até o pescoço na corrupção dos políticos e patrões, encurralado entre a barganha das oligarquias e o fogo oportunista da direita opositora. As hipóteses de cassação de mandato ou impeachment voltam a ameaçar e para todos os efeitos provocam a sangria da presidenta até as eleições de 2018. A crise do governismo faz palco de uma luta feroz de setores das classes dominantes e das elites dirigentes. Briga de cachorro grande para ver com quem fica com o osso e com quem se reparte o farelo.

A reforma política dirigida por Eduardo Cunha no congresso é um projeto em causa própria para lavar a cara dos políticos e patrões, parasitas dos recursos e bens públicos. Estão fora de pauta os mecanismos de participação e democracia direta dos de baixo. Outro elemento a se levar em consideração são as diversas iniciativas em curso de construção de frentes, campanhas e mobilizações por parte da esquerda. Em nenhum dos casos parece estar em jogo um processo que possibilite o acúmulo organizativo e ideológico das classes oprimidas para mudar a correlação de forças no país. A experiência tem mostrado que tais “frentes” tem sido movidas mais em um sentido pragmático eleitoral do que de mobilização popular concreta. Valores e práticas históricas da classe trabalhadora, como a greve geral e o piquete não devem ter seu sentido esvaziado como mero slogan ou visando a autopromoção política. Eles são fruto de mobilização social e sintomas de quando os trabalhadores sentem que tem força e que é preciso fazer ações para contrapor a opressão dos patrões e poderosos.

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PARA OS OPRIMIDOS A SAÍDA NÃO VEM DE CIMA. NUNCA VEIO.

Duros ataques nos direitos e condições de vida também produzem resistência, como foram as greves dos trabalhadores do setor público, estudantes e professores estaduais e federais do Paraná, duramente reprimidas pelo governo. Como as recentes greves nas mais de trinta instituições de ensino federais. E é essencial que as ações populares e mobilizações sejam dotadas de métodos que estimulem o protagonismo da base e sejam fruto da luta cotidiana. Ação direta, federalismo, autogestão e greve geral são valores históricos da classe trabalhadora e devem ter seu sentido ideológico retomado e reafirmado. É essencial que os organismos sociais como movimentos populares e sindicatos tenham autonomia política e tenham seus rumos decididos por suas bases, livres de práticas verticalizadas e burocratizantes.

Pela unidade de classe e mobilização do povo contra os ataques conservadores e dos poderosos! Punho fechado contra a redução da maioridade penal e contra a criminalização da pobreza! Repudiamos as atuais políticas de terceirização, flexibilização e precarização do trabalho! A greve é um direito e, assim como as manifestações e os protestos, não devem ser reprimidos nem criminalizados pelo Estado e pela mídia burguesa! Todo apoio às lutas e à articulação entre o povo do campo e da cidade. Contra as políticas de exclusão dos pobres das cidades e pelo acesso a um transporte digno, eficiente e sem catracas! Todo apoio às lutas da juventude, mulheres, negros, LGBTT e resistência contra todas as formas de opressão!

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LUTAR, CRIAR PODER POPULAR!

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