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[CAB] Nota sobre o atual cenário da luta de classes no Brasil

O atual cenário político brasileiro exige muita lucidez e frieza para o conjunto dos lutadores e das lutadoras populares e sua análise da realidade. Nós da Coordenação Anarquista Brasileira, modestamente, buscamos dar nossa contribuição a compreensão do convulsionado cenário político-social, cujo principal corte se encontra no golpe jurídico-parlamentar que derrubou Dilma Rousseff do governo. Vivemos recentemente o chamado esgotamento do pacto da Nova República de 1988. Tal pacto, mantinha a exclusão social dos/as de baixo, enquanto garantia direitos jurídicos mínimos, numa coalizão que envolveu políticos burgueses, o empresariado, os militares e parte dos setores reformistas da esquerda.

A construção do Estado brasileiro, no entanto, sempre esteve mais próxima dos interesses das potências imperialistas de turno do que da maioria da população. O estado penal para os pobres sempre foi a norma das instituições da democracia burguesa. Os governos do PT, desde Lula, incrementaram a máquina criminal da ordem pública com todo um aparato legislativo-judicial que reproduziram o super-encarceramento dos pobres e negros e a parafernália repressiva que ataca as lutas sociais. O pacto de conciliação de classes foi rompido e o colaboracionismo rasgado para dar lugar à agenda agressiva do capitalismo financeiro sobre os direitos sociais, as liberdades parciais e os bens públicos, que foram conquistas históricas do movimento popular.

 

O império mostra suas garras

Não podemos entender esse movimento que está acontecendo em nosso país fora da realidade geopolítica do nosso continente latino-americano. Precisamos calibrar nosso instrumental analítico e localizar um pouco melhor o Brasil como nação periférica dentro do sistema-mundo para entender o que está em jogo. Nação esta, que seguiu mantendo sua vocação agroexportadora (primária) e nos últimos dez anos se alinhou na construção do plano IIRSA – Iniciativa de Integração da Infraestrutura Regional Sul-americana (atual COSIPLAN). Este plano buscava maximizar a exploração dos nossos recursos naturais, acelerar o processo de abastecimento dos mercados internacionais com estes recursos e beneficiar empresas transnacionais.

Tal plano significou uma nova ofensiva em consonância com tratados de livre comércio estabelecidos entre os Estados Unidos e alguns países da região. Na tentativa de ampliação do modelo neoliberal na América do Sul, ainda na onda de governos progressistas e de centro-esquerda.

A crise econômica de 2008 criou grandes dificuldades para os EUA manterem a agenda internacional, que a partir da queda das Torres Gêmeas, passou a ter como principal objetivo a garantia da sua hegemonia global, o que é muito evidente nas várias agressivas intervenções impulsionadas pelo império. Há uma leitura clara por parte do imperialismo de que “onde o Brasil for a América Latina vai”. E neste sentido, como o nosso continente latino-americano é visto como uma reserva estratégica dos EUA (de recursos naturais, energéticos e políticos), os desdobramentos do cenário político brasileiro são de grande importância para Washington.

O golpe de 2016 não apenas desmontou os pequenos ganhos do período anterior como aprofundou o controle financeiro e internacional da economia nacional, em forma de compra de “ativos”. Ajuste que se impõe na cena a golpes de toga, com a Lava Jato alinhada com o imperialismo pela estratégia do lawfare. Cresce também o controle dos setores de infraestrutura, energias renováveis, serviço, saúde e educação por empresas norte-americanas e chinesas. No que diz respeito ao petróleo, 13 multinacionais já se apropriaram de 75% do pré-sal, com liderança da Shell e BP, cujas últimas rodadas de leilão ocorreram em outubro deste ano. Do ponto de vista político, a ação do imperialismo consiste em desorganizar qualquer possibilidade do cenário Brasileiro – ainda que sob um governo de uma centro-esquerda reformista – representar qualquer ameaça aos seus interesses em nível continental. É importante ter claro que o desenrolar da corrida eleitoral no Brasil terá claros desdobramentos sobre a crise do regime venezuelano. Pode ao fim desse processo ser efetiva a contribuição para a desestabilização política do país, ou mesmo a possibilidade de uma intervenção militar.

 

A nova DSN: os militares fazem política e ameaçam

Há de se ressaltar que há alguns anos, ainda dentro do governo petista, inaugurou-se uma nova Doutrina de Segurança Nacional com o general Etchegoyen nas forças armadas brasileiras. Doutrina que vê os grupos ligados ao narcotráfico, ONG’s de direitos humanos ou ambientais, órgãos governamentais de cunho “ideológico” e os movimentos sociais ligados a uma visão de esquerda como novos inimigos internos. Um dos elementos dessa doutrina é o esvaziamento do papel da universidade e da pesquisa, endurecimento no código penal, continuidade e ampliação do super-encarceramento e adoção de medidas de contraespionagem. A doutrina usa controles de meios de comunicação social, disseminação de boatos, desqualificação de acusadores e uso de documentos falsos. A promoção de greves, fechamento de vias e ocupação de terras e prédios e a luta por direitos sociais para minorias políticas passam a ser caracterizadas como “ações terroristas”.

Foi essa nova doutrina responsável pelo lobby de aprovação da lei antiterrorismo aprovada por Dilma. Seu objetivo se inscreve na criação de um novo pacto, uma “nova democracia”, onde os militares tenham um papel ativo nessa nova geopolítica do continente e na política nacional.

Para resumir. O “estado democrático de direito” montado em cima da exceção para as “classes perigosas” está em processo de reconfiguração como jogo de poder das classes dominantes (em alguns locais, narco-estado), e faz emergir do seu interior as razões de Estado e suas relações com os interesses do imperialismo. Os fatores de reação operam na conjuntura, como Estado policial. Um ajuste que corta tão fundo na carne do povo e faz explodir as ambições da classe capitalista e dos seus lacaios, cedo ou tarde, chama a segurança em seu favor e amplia o espaço da exceção para redefinir a norma do sistema.

 

A centro-esquerda aposta todas as suas fichas nas urnas

A esquerda e centro-esquerda brasileira apostam a sorte nas urnas como quem espera que a democracia burguesa venha em seu socorro, proteja seus direitos, limite o garrote e derrote o imperialismo. Enquanto o sistema levanta a alça de mira e veste a toga ou a farda para exercer o poder, sempre com apoio do governo norte-americano. Os movimentos de oposição pela esquerda surgidos depois do golpe jurídico-parlamentar e que tomaram as ruas infelizmente entram nessa lógica pragmática, de razão de Estado e governo, onde o inimigo da extrema-direita seria supostamente vencido pelas urnas e pelo voto.

A centro-esquerda se esforça para canalizar esses esforços em acúmulo eleitoral, gastando toda a sua energia com a disputa institucional e o jogo podre dos partidos eleitorais, em detrimento da luta de classes. A cena política brasileira está maculada pela fraude de uma representação que para os liberais burgueses sempre foi um mecanismo legitimador da usurpação das forças coletivas e dos bens comuns pela vontade poderosa de minorias. Mas sabemos que o sistema torce a constituição e derrete o estado de direito quando se trata de defender os interesses das suas classes dominantes.

Devemos nos esforçar para construir um trabalho prolongado que aponte os sindicatos, as organizações populares como a alternativa mais correta para o povo defender seus direitos e participar da vida política, aprofundando a democracia direta, repudiando a conciliação de classes e dando combate sem tréguas ao protofascismo.

 

O protofascismo como um super-dosagem do programa dos poderosos

Tal configuração do poder político também é ajudada por táticas de propaganda e ação direta de setores reacionários e grupos de filiação ideológica na extrema-direita, que em geral são respaldados pelos aparelhos jurídico-policiais. Um fator que ganha incidência nas ruas e que tudo sugere que crescerá, abrindo um espaço para seus agentes pressionarem a cena política nacional e se alinharem ao que está acontecendo em nível continental.

Não é só isso. Sintoniza-se também a frustração econômica, o fracasso de soluções políticas pela representação e a desestabilização de valores associados a posições de poder na família, cultura, educação. Uma produção subjetiva conservadora que tem nos evangélicos e sua base popular um vetor de capilarização. Tal nova direita transitou do discurso petista à radicalidade do discurso anti-político e “antissistema”, configurando-se como uma direita que não fala apenas para as elites, mas também aos setores populares e periféricos. Atuam no vácuo social deixado pela centro-esquerda, que se coloca apenas na defesa da democracia burguesa.

A figura desprezível de Bolsonaro insere-se nessa tentativa de aprofundamento da destruição dos direitos sociais e de violência patriarcal contra mulheres, LGBTs, indígenas, negros/as e quilombolas. Violências que se materializaram em diversos ataques pelo Brasil protagonizados por seus apoiadores, entre eles, o que resultou no brutal assassinato do Mestre Moa do Katendê, em Salvador. Longe de minimizar a barbárie que Bolsonaro representa é necessário inseri-lo dentro de uma lógica funcional da aplicação do ajuste, da recolonização imperialista do país num ritmo mais acelerado do que seria num governo de centro-esquerda.

 

As urnas não derrotarão o imperialismo, o ajuste fiscal e o protofascismo

O resultado das eleições, portanto, não resolve o complexo contexto colocado pela correlação de forças negativa para a classe trabalhadora. Todos os cenários são de aprofundamento da luta de classes e das opressões. O “voto útil” contra a chapa Bolsonaro faz no máximo uma prorrogação, levam a um complicadíssimo “terceiro turno” que não será decidido nas urnas. A luta é de longo prazo para construção de uma alternativa de classe e de massas que não se renda às razões de Estado, à governabilidade e aos acordos subordinados ao império. Mas que se constitua como força social capaz de derrotar a burguesia, o imperialismo e seus ataques.

Nossas bandeiras de classe precisam estar levantadas para cima neste momento de ataque protofascista e ultraliberal. Não podemos sucumbir ao pânico que desmobiliza e ao temor provocado pelas elites reacionárias. Nosso papel é resistir ativamente, reforçando a solidariedade de classe, garantir a luta nas ruas e a mobilização permanente dos/as de baixo!

 

Por isso defendemos:

– Unidade pelo antifascismo para além das urnas, nas bases e nas ruas. A luta é o que vai definir. A unidade se dará em atos, mobilizações contra os ataques neoliberais e a barbárie promovida por Bolsonaro e seus correligionários.

– Luta pela defesa dos direitos sociais. Luta contra as privatizações e os ataques aos de baixo. Luta contra os ataques a educação, reforma da previdência, luta contra o aumento do custo de vida, a criminalização dos movimentos sociais e o processo de genocídio do povo negro, periférico e indígena.

– Construção de uma greve geral contra o avanço do fascismo e os ataques aos direitos dos/as trabalhadores que é a agenda do imperialismo do próximo período, das elites empresariais e políticas independente das eleições.

 

Povo forte para barrar o fascismo!

Contra a barbárie neoliberal, luta e organização!

No Batente #8 – Da Resistência à Esperança

Este é o oitavo número do jornal No Batente, órgão de informação e análise do Coletivo Anarquista Luta de Classe (CALC). Ficamos felizes por mais uma edição poder chegar aos companheiros e companheiras de luta!

Nesta edição, lançada em setembro/outubro de 2018, trazemos elementos sobre a farsa que são as eleições burguesas, criticamos a lógica e o papel do Poder JudiciárioPrisão e o Encarceramento em Massa, apresentamos alguns pontos importantes relacionados à atual Revolução Social no Curdistão e mais.

Leia o no BATENTE #8 clicando no link – NO BATENTE #8 – ou na imagem acima.

[CAB] Mulheres tomam a frente da resistência! Povo forte vence nas ruas!

Estamos em período eleitoral. Os partidos políticos, à esquerda e à direita, apresentam suas candidaturas e suas propostas ao povo. Alguns prometem governo popular e dizem que irão defender direitos, no marco da democracia representativa dos ricos. Outros falam de soluções autoritárias, de mais repressão e polícia, como se o maior problema do nosso povo fosse a criminalidade e a falta de segurança. Nós da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB) não escolhemos entre as opções disponíveis. Votamos nulo como reação de protesto, mas sabemos que isso não basta. Nossa militância toma essa atitude por uma questão de princípio. Acreditamos que fazer política não tem a ver exclusivamente com eleger um candidato. Pelo contrário. Quem de fato elege os candidatos são os de cima, os ricos, e não o povo.

A democracia deles é uma farsa e, portanto, sua estrutura e institucionalidade está fadada a reproduzir dominação, mesmo que sob verniz popular. O que não significa que ficamos alheios aos resultados das eleições ou que achamos que tanto fez como tanto faz. Não somos principistas e puristas em matéria de política. A conjuntura imposta nesse novo arranjo de poder, o qual caracterizamos como Estado Policial de Ajuste, nos coloca a certeza que precisamos cerrar punhos e organizar a resistência, com auto-organização de mulheres, LGBTs, negros, indígenas, estudantes, trabalhadores, todo o conjuntos dos setores oprimidos para garantir nossos direitos. Pois não há cenário favorável para o nosso povo fora da luta popular.

É uma completa ilusão crer que a derrota do Bozo e sua trupe virá das urnas. O resultado das eleições não irá desmobilizar em nada as forças da extrema direita, que ganham chão a cada dia que passa. Eleito ou não, o lastro social e ideológico que a candidatura do capitão da reserva deixará já é uma herança terrível, e o conflito que hoje existe deve alcançar níveis ainda mais altos a partir de 2019, independente de quem venha a sentar na cadeira da presidência.

Do outro lado, uma briga encarniçada no campo progressista sobre qual candidatura teria mais condições de ganhar o pleito, se a de Ciro ou de Haddad. O que parece até um desperdício de disposição militante, como se a vitória de qualquer um dos dois representasse de fato a derrota da extrema direita. Pelo contrário: enquanto a militância realmente convicta se mata pelas redes sociais, os candidatos vão capitulando seus programas ainda no primeiro turno e tentando atrair algum apoio, para o segundo turno, dos partidos que eventualmente fiquem pelo caminho. E principalmente do tal “Mercado” (como se este fosse um ente divino e único, e não um bando de especuladores que pouco se importam com o país – que dirá com povo oprimido -, estando apenas interessados na aposta que lhes dará o melhor retorno).

Um grande exemplo disso é Haddad, que já aceita falar sobre a reforma da Previdência enquanto seus apoiadores juram que sua candidatura representa, em alguma medida, os “interesses populares”. Há ainda o elemento militar. Pra quem tem acompanhado minimamente as falas do alto generalato, as Forças Armadas voltaram à cena política e não demonstram qualquer vontade de sair. Muito pelo contrário, começam a ganhar força explicitando o descontentamento com a Constituição de 1988, por exemplo. Ou seja, é a ameaça real de se liquidar de vez com o pacto nascido da efervescência popular dos anos 1980 e que, sob a narrativa da redemocratização do país, foi capaz de consolidar um mínimo de direitos ao conjunto das classes oprimidas. Mas voltando à milicada, o recado sobre a não aceitação do resultado das urnas já está dado, e é incerta a postura que adotará o exército em caso de uma convulsão social impulsionada pela extrema direita. E mesmo que assumam uma atuação mais nos bastidores, quais as chances de prevalecer um projeto de caráter popular com estes abutres pairando na cena? Isso tudo sem contar o judiciário, aquele setor de classe com corte bem delineado e que já deixou claro a quem serve, mas que ainda é escolhido como fiel da balança por boa parte da esquerda que acredita nas vias institucionais.

Para o campo libertário, o cenário é ainda mais duro. Se já era difícil fazer corrente de opinião contra a farsa das eleições em um ambiente tão polarizado e em que as forças políticas de diferentes espectros legitimam essa disputa, que dirá então quando a saída apontada tem um nível de concretude tão distante. Os espaços que poderiam propiciar uma outra experiência política aos setores historicamente excluídos dos centros de tomada de decisão praticamente inexistem, e quando existem tendem a estar aparelhados por forças que jogam todas as suas fichas nas eleições. Os menos convictos viram dissidentes, arrebatados pelo discurso alarmista vigente. Aos que estão de fora da nossa bolha social, não temos uma solução concreta (em questão de tempo presente) a ofertar, e os códigos comuns entre nossas linguagens hoje são tão restritos que temos dificuldade até em nos fazermos entender.

Por isso, a melhor chance que temos hoje é encarnada pela articulação das Mulheres Unidas Contra o Bolsonaro. Uma unidade que se forja a partir da ameaça de avanço do conservadorismo (e de um projeto ultraliberal que vem à reboque), mas que tem potencial para se consolidar e vir a assumir uma atuação mais “propositiva”, no sentido de emplacar mudanças estruturais na sociedade. Câmbios de fundo que impactem no imaginário coletivo a respeito do que é ser mulher e do seu direito ao seu corpo, e que resultem na consolidação de dispositivos como a legalização do aborto, em que seja garantida a destinação de recursos coletivos para disponibilizar, a toda e qualquer mulher, todas as condições necessárias para a realização do procedimento de forma segura e gratuita. A derrota do Bozo e de toda a ameaça conservadora com viés protofascista que ele encarna passa necessariamente por este fronte. Mesmo com suas eventuais contradições (todos os movimentos têm), é a mobilização das mulheres que de fato traz em si uma potencial frente de ataque a um dos pilares do conservadorismo – o patriarcado. Mais do que a resistência hoje, é na organização das mulheres que encontramos o grande vetor de mobilização social do século XXI, e é para elas que devemos concentrar toda nossa energia e disposição militante.

É nessa trincheira que há possibilidade de acúmulo de força social com perspectiva de mudança na correlação de forças e avanço para o andar de baixo na luta de classes. Por isso, mais do que apertar números nas urnas, o que mais iremos fazer?

Nossa militância estará engrossando o caldo das mobilizações neste dia 29 de setembro. Tomar as ruas do país para resistir aos ataques feitos pelas elites ao nosso povo! São milhares de mulheres dizendo #elenao e unificando a luta feminista contra os retrocessos nos direitos e o conservadorismo.

Convocamos para a luta popular, por Democracia Direta! Povo forte vence nas ruas!

[CAB] UNIVERSIDADES ARGENTINAS OCUPADAS EM DEFESA DA EDUCAÇÃO


Até o momento 13 Universidades já tiveram seus prédios ocupados na Argentina. O motivo? Nossos vizinhos enfrentam um cenário muito parecido com o que temos vivido desde 2015 -foram 10,5 bilhões de reais a menos naquele ano- na educação superior brasileira, onde sofremos cortes no financiamento de todos os gastos públicos essenciais como a educação e a saúde. Para o ano de 2018 foi anunciado um corte de 3 bilhões de pesos no financiamento universitário argentino. Os professores e servidores com o salário cada vez mais desvalorizado e para agravar ainda mais a situação o repasse financeiro está atrasado, e não há previsão para o dinheiro retroativo ou do segundo semestre ser pago. Com isso a educação se vê obrigada a parar.
As semelhanças que vivemos guardam dois agentes em comum: O Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional. Quando estes dois irmãos entram em cena é para agir de acordo com os interesses imperialistas e defender, mesmo na pior ruína, o liberalismo econômico, ou seja, o bolso cheio de banqueiros e empresários. O BM, há muito tempo que com as suas ‘recomendações’ para a política educacional precariza a educação do povo ao redor do mundo, promovendo ano após ano a passagem da educação de um bem público para privado.
Assim também ocorre com o FMI. O endividamento da Argentina, como de tantos outros países, cresceu muito em seu período de ditadura militar. Como saldo da dívida hoje, o FMI promete conceder crédito (mais endividamento) para o país desde que este corte o que enxergam como oneração do Estado, os ‘gastos públicos’. Como órgão regulador do capitalismo internacional o FMI chega em Portugal, no Brasil e na Argentina com a mesma ‘cartilha de agiota’.
Mais uma vez os movimentos sociais latino-americanos tem um árduo caminho de resistência pela frente! Nas Universidades argentinas assembleias comunitárias têm sido convocadas, e os estudantes tomam a frente do processo ocupando os prédios e paralisando as aulas. As assembleias de base dão a linha garantindo o debate e decisão de todas e todos. Saudamos sua luta e lembramos a todos que a conjuntura internacional e local nos convida a estar em movimento!

Por um educação pública voltada ao povo!
Nossa luta e solidariedade não conhece fronteiras!
“Si quieres que el mundo cambie, empezá por tu próprio espacio.”

Universidades ocupadas até o momento:

ENCuyo-Medonza; Universidad de Buenos Aires; Universidad Nacional de Rosario; Universidad Nacional de La Pampa; Universidad de Rio Negro; Universidad Nacional de Comahue; Universidad Nacional de San Luis; Universidad Nacional de Entre Rios; Universidad Nacional de Córdoba; Universidad Nacional del Litoral; Universidad de Mar del Plata; Universidad Nacional de La Plata; Universidad Nacional del Sur.

2 ANOS DO MASSACRE DE CAARAPÓ!

Nesse dia 14 de junho de 2018 completam 2 anos do Massacre de Caarapó, onde o lutador e agente de saúde Guarani Kaiowa Clodiodi Aquileu Rodrigues de Souza foi assassinado. Oito chegaram a ser hospitalizados e mais de 20 guarani kaiowa foram feridos, incluindo crianças e idosos.

Dois dias antes do ocorrido, o povo Guarani Kaiowa havia retomado 490 hectares da Fazenda Ivy que se sobrepõe ao território ancestral guarani Tora Paso, num processo histórico de recuperação do território de que foram expulsos pelo avanço da fronteira agrícola do capital com o total e pleno incentivo do Estado de Mato Grosso do Sul governado nos últimos tempos tanto por PSDB, PMDB como pelo PT.

Os fazendeiros da região não aceitaram que o povo Guarani Kaiowa retomasse o que é deles por Direito Originário. Era uma terça-feira, 14 de junho de 2016 quando um grupo de mais de 300 pessoas compostas de paramilitares, jagunços, milícia privada em conjunto com as forças oficiais de repressão do Estado (Departamento de Operações de Fronteira e Policia Militar) a serviço dos fazendeiros da região de Caarapó, organizou-se com dezenas de caminhões, tratrores e armas de fogo. Transformado num verdadeiro cenário de guerra, o acampamento que hoje leva o nome Kunumi Poty Verpa, nome guarani kaiowa de Clodiodi, mas que na época era chamado de Toro Paso, as forças de repressão de forma covarde, que é como atuam em defesa dos interesses do capital, iniciaram um ataque contra a resistência guarani kaiowa com a intenção de desmobiliza-la e expulsar as famílias guarani kaiowa de seu Tokoha, “meteram sem miséria, tiro de 12, 38 e espingarda” disse Ruspo em sua música*.

Mas dando continuidade a uma resistência de mais de 500 anos, o povo guarani kaiowa não se intimidou com as forças de repressão e permaneceu firme em seu território e enfrentou com ajuda da força espiritual que Nanderu lhes promove, o ataque orquestrado pelo capital. Não só resistiram a mais esse ataque etnocida, como responderam com o avanço nas retomadas de seus territórios já pouco tempo depois do assassinato do Kunumi Poty Verá, na mesma região.

O estado do Mato Grosso do Sul chama a atenção por ser o olho do furacão do processo etnocida anti-indígena que ocorre hoje no Brasil, despontando no cenário nacional não somente com assassinatos, perseguição e criminalização de indígenas, como também em outros problemas que atentam a direitos básicos como a mortalidade infantil decorrente da desnutrição. É o que nos revela o CIMI (Conselho Indigenista Missionário) com dados contidos no documento: “As Violências Contra os Povos Indígenas em Mato Grosso do Sul – E as resistências do Bem Viver por uma Terra Sem Males”, dados de 2003-2010.

De 2003 a 2010 houve 452 assassinatos de indígenas no país, sendo 250 somente no Mato Grosso do Sul, ou seja, 55,5%, mais da metade! Também de 2003 a 2010 mais de 4.000 crianças indígenas sofreram de desnutrição nesse Estado, sendo que em 2003 a taxa de mortalidade infantil por desnutrição chegou ao horripilante número de 93 crianças para cada 1000 nascimentos. Essa é a contradição. Povos que tiveram a agricultura como parte essencial de seu desenvolvimento e cultura enquanto povo originário têm agora suas crianças sofrendo em decorrência da fome e da alimentação industrializada, que é também mais uma forma de violência e colonização contra os povos originários. As crianças hoje sofrem porque seus pais não podem plantar, pois vivem sob a eminência de uma reintegração de posse e de terem suas roças destruídas, quando isso não ocorre de forma proposital mandada pelos fazendeiros. Ou também quando são envenenados com a pulverização aérea dos grandes latifúndios, prática essa que não deve ser vista apenas como “consequência” da utilização de determinado maquinário agrícola, mas sim, como arma de guerra e extermínio etnocida contra o povo Guarani Kaiowa.

Por isso é necessário, que olhemos enquanto povo brasileiro para o que está acontecendo com o povo Guarani Kaiowa no estado do Mato Grosso do Sul e apoiemos o seu processo de retomada dos territórios ancestrais, dos quais foram expulsos em detrimento da exploração dos recursos naturais pelas mãos do latifúndio, que sempre e somente produziu morte e dor na vida destes povos que habitam há mais de milênios e conhecem essas terras melhor do que todos.

Nós do Coletivo Anarquista Luta de Classe/PR, viemos relembrar o que ocorreu há dois anos, porque a memória não pode ser esquecida. Após dois anos do assassinato de Kunumi Poty Verá, o processo de demarcação de terras indígenas no estado do Mato Grosso do Sul continua paralisando a política fundamental que possibilita tantas outras como a saúde, a educação e o saneamento básico, por exemplo. Mas o estado é ruralista e deixa claro o lado que assume na luta entre o capital e os povos originários. O assassinato de Kunumi Poty Verá é exemplo disso, não há nada a esperar do Estado a não ser mais destruição dos direitos básicos e repressão, criminalização de todos e todas que lutam e ousam resistir. Usam de artimanhas jurídicas, como a tese do Marco Temporal, para travar o processo de demarcação de território indígena, que sempre foi lento tanto em governos de direita quanto nos ditos de “esquerda”.

Se hoje o povo Guarani Kaiowa vive sob os resquícios de seus territórios originários, é porque resistiu e conseguiu pela força de seu próprio movimento retomar o que um dia lhe foi usurpado com o derramamento de sangue e o tombamento de lideranças de seu movimento de re(existência). Consegue ainda se manter com o que vive hoje, mas o capital não permite e vai fazer de tudo para retirá-lo de cima de seu território. Será somente com resistência e organização da base que o povo Guarani Kaiowa poderá defender seu território e avançar nas retomadas, coisa que já demonstrou saber fazer quando em abril desse ano fez a ministra do STF Carmen Lucia, suspender os pedidos de reintegração de posse previstos para ocorrer nas Tekoha Guapo’y, Jeroky Guasu e Pindo Roky tambem em Caarapó.

A partir dessa singela, mas honesta nota pública, viemos enquanto Coletivo Anarquista Luta de Classe/PR contribuir e somar ao ato nacional convocado pelo Comitê de Solidariedade aos Povos Indígenas de Dourados-MS, ato politico em memória dos 2 anos do Massacre de Caarapó e dos 2 anos do assassinato de Kunumi Poty Verá !

(https://www.facebook.com/events/247785449103082/)

KUNUMI POTY VERÁ VIVE ! !

TODO APOIO ÀS RETOMADAS DOS TERRITÓRIOS GUARANI-KAIOWA ! !

NÃO AO MARCO TEMPORAL ! !

Comitê de Solidariedade aos Povos Indígenas:

https://www.facebook.com/Comitedesolidariedadeaospovosindigenasdedourados/

A Assembleia da Retomada Aty Jovem (RAJ) vai ocorrer entre os dias 10 a 14 de setembro de 2018 no Território Indígena Porto Lindo, cidade de Japorã, e é um espaço importante de organização e articulação da juventude Guarani e Kaiowá. Por dificuldades financeiras em viabilizar esse encontro o movimento conta com a ajuda de apoiadores/as através de uma vaquinha virtual:

https://www.vakinha.com.br/vaquinha/assembleia-da-retomada-aty-jovem-guarani-e-kaiowa

*Música: Ruspo – Meu Gloriodo Clodiodi

https://www.youtube.com/watch?v=NI3TeSpDiOQ

Letra:

PF de helicóptero
batendo asa nos barraco
(ferve a água prum mate…)

(relata:)
botaram fogo em tudo
tentaram enterrar
o corpo com a carregadeira.

os gatilho
foi pra defender
os novilho
vale mais que o quê
sem carícia
tirando os patrício
de caarapó

atiraram sem trégua
encapuzados da milícia paramilitar
atiraram sem trégua
milícia paramilitar

acertaram professores e lideranças
agentes de saúde e as crianças
rezadores e rezadoras e as guerreiras
guerreiros e guerreiras
e os patrício
o!

o fazendeiro louco
mete fogo em nós
meteu fogo em vários de nós

(e o cara do sindicato
mentiu na TV…)

meu glorioso clodiodi
meu glorioso clodiodi
meu glorioso mártir
meu glorioso mártir

meteram sem miséria
tiro de 12, 38 e espingarda

pra depois falar
que ninguém tava armado
então como foi que ele morreu
então como foi que ele morreu

arrastão de: jorge ben e gilberto gil, lily allen, beach boys

CRESCE O ANARQUISMO EM TERRAS PARANAENSES: 2 ANOS DO COLETIVO AÇÃO DIRETA (CAD)!

O Coletivo Anarquista Luta de Classe (CALC) vem saudar o Coletivo Ação Direta (CAD) pelos seus 2 anos de luta e organização no Norte do Paraná.

É com grande entusiasmo que vemos o avanço e enraizamento do anarquismo nas lutas do povo em nosso estado, representado também pela atuação do CAD na cidade de Londrina. O Paraná vem sofrendo com o avanço do neoliberalismo, com o sucateamento dos serviços públicos e com a repressão às lutas do campo e da cidade. Por isso, é fundamental a atuação das organizações políticas anarquistas na construção de um povo forte, criando e fortalecendo ferramentas de luta em cada escola, universidade, bairro, ocupação ou local de trabalho. Devemos buscar nosso posto e atuar pelo resgate da ampla tradição de luta dos oprimidos em nosso estado, e percorrermos os caminhos baseados na solidariedade, autogestão, federalismo e na ação direta para a construção do Poder Popular!

Saudamos o Coletivo Ação Direta pela militância cotidiana na construção desse projeto e desejamos que venham muitos anos de luta e organização!

VIVA O COLETIVO AÇÃO DIRETA (CAD)!

VIVA O ANARQUISMO ORGANIZADO EM TERRAS PARANAENSES!

NÃO À REFORMA DA PREVIDÊNCIA!

LUTAR! CRIAR PODER POPULAR!

[FAG] QUARTA INVESTIDA REPRESSIVA SOBRE A FAG EM MENOS DE 10 ANOS

A Organização está solidária com os espaços e grupos que também foram atingidos pela ação repressiva – Parrhesia e Ocupa Pandorga – e toma uma postura resoluta pelo direito de associação e livre pensamento.

29 de outubro de 2009 a sede da organização política foi invadida por agentes da civil e teve equipamentos, arquivos e suportes de propaganda apreendidos pela polícia. Era reação oficial a campanha de agitação desatada pela FAG que reclamava justiça pelo caso do Sem Terra Elton Brum da Silva, assassinado pela Brigada Militar a mando da governadora Yeda Crusius. Sede invadida, material apreendido e 6 militantes processados, o que mais tarde caducou por fragilidade do processo.

20 de junho de 2013, na luz do dia em que se anunciava uma mega-marcha da épica jornada do Bloco de Lutas o Ateneu Libertário Batalha da Várzea é arrombado e invadido sem indicação de mandado judicial por uma força repressiva a soldo do governador Tarso Genro. Em coletiva de imprensa da secretaria de segurança, após o sucedido, o chefe da polícia civil se consagrou pela pérola de que a ação encontrou provas contundentes em “vasta literatura anarquista”. Tarso Genro disparando sandices e disparates contra a revolta popular que não podia controlar usou o selo de “anarco-fascista” pros desafetos e autorizou sua polícia a fazer a imprudência de sequestrar livros da biblioteca do Ateneu, entre eles de um destacado e notório anarquista e antifascista italiano. O Estado do RS logo calou sobre essa infâmia e devolveu na calada parte dos livros depois da vergonha pública de uma piada sem graça que ganhou o país.

1° de outubro de 2013 o Ateneu é novamente visitado com violência pela polícia durante uma operação de caça as bruxas sobre militantes e organizações que formavam o Bloco de Lutas. O mandado faz buscas em locais coletivos e domicílios. O plano buscava elementos pra provar a teoria do domínio do fato sobre o setor mais ativo das jornadas de junho. A ideia tão simples como estúpida que estava embutida na peça era de que tudo que se produzia ao interior da revolta de massas que foi desatada pelas ruas da capital, em onda com o país, passava pelo comando dos compas e locais investigados. Resulta dessa operação 6 militantes do Bloco, de diferentes filiações ideológicas, processados pela figura penal de quadrilha e “formação de milícias privadas”, com tramite até os dias atuais.

25 de outubro de 2017 vem novo factoide associado com nossa Organização e que atinge também outros espaços e concepções libertárias. A polícia civil diz ter cerca de 10 locais e 30 pessoas investigadas e criminalizadas pelo seu factóide. Nossa solidariedade com a Ocupa Pandorga da Azenha e o Parrhesia na Cidade Baixa, que foram invadidos e tiveram publicações e equipamentos de trabalho sequestrados pela operação policial durante o dia. São locais públicos e conhecidos por seus projetos sociais junto a vizinhança ou a comunidade de interesses que reúnem.

O discurso criminal e individualizador sobre os radicais é um artifício antigo pra assustar e desmobilizar, plantar confusão e desconfiança, neutralizar a atração de um sindicalismo de ação direta ou os marcadores combativos que pode subir o tom do movimento popular. Querem cabrestear a rebeldia levando pro juízo fácil do noticiário uma fantasia de quadrilha de propósitos confusos. Justo no meio de lutas sociais duras contra o ajuste, no estado com a greve da educação, e no município pela mão dos servidores de Porto Alegre. Greves com participação forte e indignada das categorias e com determinação de criar resistência a todo pano ao projeto de arrocho e desmonte dos serviços públicos, onde a FAG toma parte modestamente com seu grupo de militantes, como trabalhadores que somos, como tendência libertária que marca sua mirada própria sobre as coisas, entre os muitos outros colegas que formam o campo de luta que ganha expressão unida no sindicato.

O anarquismo que tem voz em nosso projeto é uma luta estratégica contra o poder que se apoia em estruturas de desigualdade social, de violência colonial, de genero e raça, de dominação de classe. Anarquismo que abraça um programa de socialismo na economia e no poder político, com autogestão da produção pelos trabalhadores e democracia direta e federalismo no regime da vida pública. A nossa é uma organização política pra atuar pela tática nas lutas sociais e políticas e cavar mundo novo pela ação das organizações de base do movimento social. Lutar e criar PODER POPULAR com ação direta de classe e independência dos governos e patrões.

A memória de Elton Brum grita e acusa o policial assassino que a mesma justiça que criminaliza os anarquistas tenta soltar.

Basta de impunidade da quadrilha dirigente do Estado brasileiro, o empresariado da propina e da sonegação e os parasitas do sistema financeiro.

FORA TEMER E TODOS OS DEMOLIDORES DE DIREITOS.

TODO APOIO A GREVE DA EDUCAÇÃO DO RS E DOS MUNICIPÁRIOS DE POA.

CHEGA DE FARSA JUDICIAL-REPRESIVA SOBRE OS LUTADORES/AS.

NÃO SE AJUSTA QUEM PELEIA!

[CAB] Pela liberdade dos Agricultores presos no Açu! Contra a criminalização das lutas sociais!

Nesta terça-feira, 26 de julho, a polícia do estado servindo os interesses de empresários fizeram uma covarde e absurda prisão de dois agricultores, pai e filho, e um militante do MST/RJ, também militante da CAB. O fato ocorreu como um conluio da polícia militar e a empresa de segurança SUNSET, após a reintegração de posse do Acampamento Aluísio e Maura, no porto do Açu, 5o distrito do Açu, no norte do estado do Rio de Janeiro.

Repudiamos a criminalização contra os movimentos sociais e as famílias de agricultores que tiveram suas terras roubadas pela empresa Prumo, com apoio do estado. O acampamento resistia desde 19 de abril e, após 95 dias de existência, o juiz da Primeira Vara da Comarca de São João da Barra determinou a reintegração de posse. Há anos várias famílias da região, que a empresa não conseguiu expulsar, também mantinham a luta e resistência para permanecerem no local onde trabalham e construíram suas vidas. A luta do acampamento Aluísio e Maura defendia a função social daquelas terras que o capital arrancou brutalmente com ajuda de seus amigos governantes, como Sérgio Cabral, entre outros.

Está claro que governantes e instituições do estado estão a serviço de empresários como Eike Batista e seu megaempreendimento, em uma relação promíscua. O porto do Açu faz parte do maior mineroduto do mundo, o Projeto Minas Rio, cujo porto do Açu, da empresa Prumo, usurpou uma gigantesca área e cometeu uma série de crimes e danos ambientais; como a salinização da água da região, entre outros grandes impactos sócio ambientais.

Reforçamos o apoio ao MST e aos movimentos do campo e exigimos a liberdade dos três presos, criminalizados por lutarem neste contexto de retrocessos e ataques aos direitos sociais.

Contra a criminalização dos movimentos sociais!

Devolvam as terras do Açu Já!

Nenhum direito a menos!

Democracia Direta Já! Barrar as reformas nas ruas e construir o Poder Popular!

[CAB] A Greve Geral contra as reformas passa por romper com a burocracia e o reboquismo das centrais.

Na última semana, o Congresso aprovou a Reforma Trabalhista e o povo sofreu mais um duro ataque aos seus direitos, conquistados através de muita luta e organização popular. O conflito está anunciado e os donos do poder querem que suas agendas e as do FMI avancem a qualquer custo. Contribuindo para desviar os focos de golpes como a aprovação da MP da Grilagem e dos ataques aos direitos trabalhistas, outro fato toma a cena quando Sergio Moro anuncia a condenação de Lula, em primeira instância, a 9 anos e meio de prisão. E, mesmo diante de recuos sociais cada vez maiores, em uma conjuntura tão grave, as centrais sindicais imediatamente convocaram atos em apoio a Lula, preocupando-se unicamente com as agendas eleitorais e abandonando – fator já demonstrado na última paralisação do dia 30 de junho – as pautas contra as reformas e a Greve Geral.

Do lado dos de baixo, o povo segue sofrendo e são sistemáticos os ataques aos movimentos sociais. Vemos o acirramento da violência no campo, com mais de 40 assassinatos de camponeses, sem-terra, indígenas e quilombolas no Pará, Bahia e outros estados em permanente conflito. Nas cidades, o povo negro e os moradores de favelas e periferias são exterminados diariamente pelas polícias e as políticas de “combate às drogas” do Estado. Visando à privatização e ao lucro de seus parceiros empresários, governantes seguem com seus projetos de destruição da educação e dos serviços públicos de saúde. Diariamente, o povo é vítima da violência, do péssimo e caro serviço de transportes públicos, do fechamento de restaurantes populares e da falta de pagamento dos salários de servidoras e servidores da ativa e aposentados, como ocorre no Rio de Janeiro. O desemprego, os alugueis, os aumentos da cesta básica, gás, água, energia, o custo de vida cada vez mais alto, complementam esse cenário de sofrimento para os/as de baixo.

Do lado dos de cima, o capital aponta para o acirramento, para o conflito cada vez maior contra o povo, aplicando as agendas do FMI de modo cada vez mais feroz, não apenas no Brasil, mas em nível mundial – a destruição dos direitos trabalhistas e a reforma da previdência, a abertura do país para a sede de lucros de investidores do capital internacional, a degradação social, a privatização dos setores essenciais da população como saúde, educação, transportes, água e demais recursos naturais, a escalada de violência e criminalização contra o povo e os movimentos sociais. O projeto do capital é fazer avançar essas e outras medidas em diversos países, fazendo o povo ser ainda mais explorado e oprimido, com o objetivo de retroceder as históricas conquistas da classe trabalhadora.

Os de cima também têm suas “brigas de condomínio”! E os rearranjos de poder seguem com o objetivo central de aprofundamento da agenda neoliberal. Já apontam para uma provável queda de Temer, assumindo Rodrigo Maia, e para a convocação de eleições indiretas pelo Congresso. Tal jogo pode ter relação com as frequentes negociações que Temer tem feito com a base aliada para conseguir avançar as reformas, gerando modificações e emendas que desagradam os setores do capital e do empresariado nacional e internacional. Esses setores passam, então, a pressionar, com apoio da Globo (interessada em criar uma cortina de fumaça para seu próprio envolvimento com casos de corrupção) e da mídia burguesa, no sentido de derrubar Temer para que outro assuma e aplique o receituário do FMI sem qualquer tipo de alterações que comprometam, o mínimo que seja, seus interesses. Além disso, tem se delineado um projeto de poder que, para se consolidar, busca a máxima exploração da classe trabalhadora e varrer do cenário político não só o PT como, também, os setores da esquerda e outros setores da velha direita oligárquica nacional e seus interesses – que já não são tão úteis para o avanço desta agenda quanto os atuais políticos.

Diante disso, CUT e CTB seguem com suas práticas de reboquismo e fazendo correia de transmissão das pautas partidárias do PT, via “Diretas Já”, com uma clara mobilização visando campanha para eleger Lula em 2018. Essa prática de sindicalismo burocratizado cumpre um papel bem claro na história brasileira: frear a luta social e fazer com que as decisões que dizem respeito a todos/as os/as de baixo sejam tomadas entre políticos, empresários e burocratas sindicais. Assim, as centrais seguem defendendo o plano nada popular do PT, partido que, junto ao PMDB, foi por 13 anos serviçal do capital financeiro, do agronegócio, dos grandes empresários, sendo chutado para fora do barco da burguesia, mas insistindo em agir como sua linha auxiliar. Esta última viu que precisava de alguém mais eficiente que o PT para avançar suas agendas e as do FMI com mais agilidade e profundidade.

Não satisfeito em fazer um governo que destinava migalhas aos pobres e quase metade do PIB para pagar os agiotas e banqueiros, agora, o PT quer voltar para aplicar novamente a sua política de “conciliação de classes”. E não vamos esquecer da punhalada com a Lei Antiterrorismo, aprovada por Dilma, e que certamente será usada para criminalizar as ações dos movimentos sociais e grupos de esquerda organizados. Desse modo, em sintonia com os poderosos e buscando não contrariar as determinações do FMI, o próprio Lula já declarou que não irá mudar nada nas reformas da previdência e trabalhista de Temer “se não houver correlação de forças” dentro da máquina estatal. Mais uma vez, a história da conciliação de classes do PT de 2002 volta como farsa em 2017, com condições ainda mais recuadas e, claro, com os movimentos e sujeitos sociais burocratizados e desmobilizados com quase uma década e meia de governo petista criando uma cultura de “acordões por cima”.

Contra o reboquismo, organizar a luta nas ruas e nos territórios

Diante desse cenário de ataques aos direitos sociais e à classe trabalhadora, sindicatos e movimentos sociais não podem ficar a reboque das agendas eleitorais do PT que a CUT e a CTB defendem. É preciso romper com a burocracia das centrais e com o petismo e não permitir que as pautas contra os ajustes e reformas sejam colocadas em segundo plano.

São fundamentais a massificação e a mobilização das manifestações e das chamadas de Greve Geral; e é urgente que se construa uma Greve Geral real e combativa, para além de meras paralisações com atos show e verborragias no microfone. Organizar a participação nos atos em espaços coletivos desde as bases, debatendo, fazendo agito e mobilizando nos bairros, nas favelas, nos locais de trabalho e de estudo, no campo e na cidade. Devemos qualificar nossa participação nos atos, realizando ações que pressionem de fato os poderosos e aglutinem a população e a rebeldia da juventude. Para isso, são necessárias táticas como ocupações, piquetes, trancamento de vias e passeatas com objetivos claros, em vez de showmícios e caminhadas sem destino que vão do nada a lugar nenhum, usadas pelas centrais apenas para fazer propaganda eleitoral para 2018 ou simular resistência.

Devemos nos organizar e mobilizar também no cotidiano, no trabalho de base nos territórios; na construção e fortalecimento de espaços de democracia direta, com o protagonismo dos sujeitos no dia a dia das lutas, participando diretamente nos debates, elaboração e nos rumos dos movimentos sociais e organizações de base; promovendo espaços de resistência e debate sobre as questões sociais e os desafios que se apresentam, buscando soluções coletivas e as realizações de todas as formas de ações que envolvam e ajudem na construção do poder popular. É isso que cria um novo sujeito coletivo de luta e não a esperança em acordos com os de cima e sua lógica politiqueira.

A conjuntura e a ofensiva do capital e poderosos colocam desafios para a esquerda e são necessárias estratégias de enfrentamento à exploração e opressão, como também contra o pior do fisiologismo e da burocratização do PT e das centrais sindicais que só fazem recuar cada vez mais a mobilização popular, atuando na cooptação e contenção dos movimentos sociais. A situação impõe a necessidade de resistência e a organização na defesa de estratégias e propostas com base nas demandas populares, e não para fazer acordões e conciliações de classe, aplicando toda a energia em eleições. Planos que não busquem primeiro a negociação com os de cima, mas que antes de tudo os pressionem com os anseios e vontades da classe trabalhadora, das negras e negros, mulheres, LGBTTs, indígenas, quilombolas, camponeses, sem-terra e demais sujeitos sociais.

Democracia direta já! Barrar as reformas nas ruas e construir o poder popular!

Coordenação Anarquista Brasileira – CAB

[CAB] 28 de Abril: Greve Geral nacional e a demonstração de força da classe oprimida

https://anarquismo.noblogs.org/?p=735

Ontem, 28 de abril de 2017, foi um dia de grande importância para a luta da classe oprimida do país. A resistência frente às políticas de ajuste fiscal e de corte nos direitos representado pelas reformas da previdência e trabalhista se fez sentir em todos os estados e em milhares de cidades brasileiras. Paralisações, piquetes, bloqueio de vias públicas e rodovias estaduais e federais com pneus em chamas, marchas unitárias e enfrentamentos com as forças da repressão deram o tom das mobilizações.


Participaram estudantes do ensino básico e superior, professores municipais, estaduais e federais, trabalhadores do transporte (rodoviários, metroviários), metalúrgicos, trabalhadores da saúde, limpeza e municipários em geral, trabalhadores da construção civil, comerciários, bancários, trabalhadores dos correios, indígenas, lutadores sem teto e sem terra, moradores de periferias e uma série de outros segmentos dos de baixo. Informações dão conta de que a greve geral de hoje contou com uma importante participação de setores do operariado em regiões como ABC paulista, Curitiba, Manaus e Belo Horizonte. A seu modo, cada segmento da nossa classe contribuiu com uma semente de luta e ação direta na jornada de luta do dia de hoje.

O dia não passou sem confrontos. As polícias militares de vários estados agiram com truculência reprimindo as iniciativas de mobilização. Foi assim em SP onde houve detenções de lutadores do MTST e repressão; no RJ onde a repressão brutal caiu com força sobre os manifestantes na saída da mobilização em frente à Assembleia Legislativa do RJ (ALERJ) e em outras partes do centro da cidade; no RS em que a Brigada Militar dispersou com bombas de gás piquetes em garagens de ônibus e em vias públicas ou com a agressão da guarda municipal de Porto Alegre contra colegas municipários que trancavam a entrada da prefeitura.

Michel Temer se pronunciou de forma breve apenas no final do dia. Criticou o trancamento das vias públicas e disse que a “modernização” do país seguirá, fazendo pouco caso da luta de hoje. Seu Ministro da Justiça, Osmar Serraglio, foi além e disse que a greve geral teria sido um fracasso, ignorando, assim como a grande mídia, a envergadura do conjunto de mobilizações a nível nacional. Mídia essa que segue martelando a necessidade das reformas e mentindo descaradamente sobre seu conteúdo.

Sabemos dos limites do conjunto do movimento sindical, do papel nefasto cumprido pelas burocracias sindicais na desorganização da nossa classe, mas apostamos em dias como o de hoje para nos colocarmos em movimento, experimentando a solidariedade e a ação direta de forma concreta e plantando sementes de Poder Popular. No RS, SC, PR, MT, SP, RJ, MG, AL, PA e CE a militância das Organizações da CAB tomou seu posto de luta em cada frente social e iniciativa direta dos e das de baixo que pudemos participar. A Greve Geral do dia 28, sabemos, ainda não é a reposta a altura e merecida dos governos e patrões na atual correlação de poder. Mas foi uma demonstração inegável do poder e da capacidade da classe oprimida em colocar um freio na sanha dos capitalistas e seus lacaios. É na luta e na ação direta que se cria Poder Popular e Rebeldia!

Rumo a um 1º de Maio de Memória, Luta e Resistência!
Contra o ajuste e a repressão, Luta e Organização!
Coordenação Anarquista Brasileira – CAB