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[FAG] O dia 18/06: estado de exceção e o egoísmo de uma certa esquerda

O ato “Copa sem povo, to na rua de novo” realizado no dia 18/06 e organizado pelo Bloco de Luta de Porto Alegre foi emblemático em diversos sentidos. O primeiro deles diz respeito ao forte aparato repressivo – mais de 1.000 (mil) policiais militares, entre choque, cavalaria e auxílio de um helicóptero – e à tática utilizada pelas tropas de impedir a realização da marcha. Considerando o número de manifestantes – não mais que 200 pessoas – trata-se de um contingente desproporcional digno de ditadura militar. Um contingente repressivo que abusou de bombas de efeito moral e balas de borracha, causando ferimentos profundos em manifestantes e jornalistas. Ironicamente, dias antes alguns jornalistas haviam participado de um curso ministrado pela Brigada Militar, solicitado pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS, de como se portar durante manifestações para se protegerem fisicamente. Além disso, durante e depois da concentração do ato houveram várias tentativas de intimidação, seja por parte dos P2 (agentes infiltrados), de notícias veiculadas pelo twitter da zero hora dizendo que o Batalhão de Operações Especiais estariam portando armas letais ou pelo estranho “não funcionamento” da linha telefônica da equipe jurídica do bloco.

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Consideramos que a responsabilidade de todas essas atitudes deve ser imputada ao governador Tarso Genro/PT, já que é ele o comandante maior da BM. Atitudes covardes e anti-democráticas das forças repressivas que atentaram contra o direito à manifestação, não nos deixando sequer distribuir os cerca de 5.000 panfletos destinados à população de Porto Alegre.

O segundo aspecto emblemático diz respeito à ausência do PSTU e da corrente interna do PSOL, o MES, da manifestação. O mais intrigante é que no dia anterior ao ato, militantes de ambos os grupos políticos forneceram declarações à famigerada Zero Hora, vinculada ao Grupo RBS, falando do porque de suas não participações no ato do dia seguinte. (http://zh.clicrbs.com.br/rs/esportes/copa-2014/noticia/2014/06/militantes-do-pstu-e-psol-nao-irao-a-protesto-do-bloco-de-luta-nesta-quarta-4529147.html) Sem entrar no mérito de possíveis distorções desse jornal acerca das declarações, mas de antemão rechaçando a postura dessas 2 agrupações que constantemente dialogam com esse veículo podre da burguesia gaúcha e considerando que não será outro o papel desse oligopólio que vem há tempos criminalizando os movimentos sociais, queremos registrar o desserviço que esses grupos fizeram ao não participar do Ato e anunciar isso na ZH. Num momento de conjuntura de forte criminalização e repressão aos que lutam, inclusive com militantes desses 2 partidos sofrendo processos políticos por se manifestarem, deixar de tomar parte de um processo de lutas por divergências “políticas (?)” é para nós uma atitude nada solidária e nada coerente com os princípios do Socialismo e da tradição de luta dos trabalhadores que esses grupos reivindicam.

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Porque a juventude e os militantes sindicais desses partidos não tomam parte do Bloco e não defendem de forma contundente a linha que consideram mais justa? Porque não defendem uma linha conseqüente nas categorias que possuem militância para que setores do movimento sindical construam o Bloco desde seus locais de trabalho? Às primeiras divergências que aparecem e se “NÃO É COMO NÓS QUEREMOS” se pula fora??? A participação com peso só vale naquilo que é construído por esses partidos desde os seus aparatos sindicais??? Uma postura recuada e oportunista que ataca outros setores para ir construindo terreno para candidaturas que buscarão se eleger às custas das lutas realizadas.

Consideramos essa postura nem um pouco coerente para quem afirma com a boca cheia a necessidade do não isolamento político do Bloco perante o grosso da população de Porto Alegre. Assim como entendemos incoerente incorrer numa postura que intencionalmente ou não acaba por criminalizar adeptos da tática Black Block e o próprio Bloco de Luta ao agir como informante da mentirosa e mafiosa RBS.

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Nós e as organizações que compõem a Coordenação Anarquista Brasileira temos plena consciência de que esse ano a tônica tem sido dada pelas bases de diversas categorias de trabalhadores porque elementos da conjuntura assim indicam. No entanto, nossa militância não irá se furtar de construir, dentro de nossas possibilidades, cada Assembléia e Ato do Bloco de Luta pelo Transporte Público, independente das decisões que ali forem tiradas, porque para nós, é o processo de debates, de tomada de decisão e de organização compartilhada pelo maior número de pessoas no marco do Bloco que será possível forjar, pela prática e pelas experiências vividas, um sujeito que de forma organizada e estratégica avance para arrancar conquistas.

Se tocam a um/a, tocam à todos/as!

Porque solidariedade sempre será mais que palavra escrita!

Para os pobres, desempregados, sem-teto, sem terra, NÃO ESTÁ TENDO COPA!

E na Copa sem Povo, estaremos na rua de novo!!!

Federação Anarquista Gaúcha – FAG

[FAG] A verdadeira face da violência!

Na última assembléia do Bloco de Lutas, ocorrida no dia 12/02 no Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (SIMPA) nos esbarramos com mais uma covarde investida do aparato repressivo do Estado que de forma ostensiva tem encaminhado policiais a paisana para atos e instâncias organizativas não só do Bloco de Lutas mas do conjunto dos setores em luta no Estado.

No entanto, dessa vez essa covarde atividade de espionagem que conspira contra o direito de reunião e organização mostrou a sua verdadeira face, deixando evidente que para os de cima a repressão indiscrimida através de métodos da mais perversa e sádica violência é o que lhes interessa para manter “status quo”. Na assembléia em questão, por casualidade, companheiros desmascararam a atividade de um policial a paisana que trabalhava para a empresa de segurança Aquilla, responsável por essa prestação de serviço ao sindicato. Este agente, infiltrado propositalmente no espaço do sindicato com o intuito de investigar as movimentações que lá ocorrem, vinha fotografando diversas pessoas, entre elas o filho de uma companheira de nossa organização.

O fato só foi descoberto quando nossa militante foi informada por seu filho que estava sendo fotografado e provocado através de sinais pelo agente. Ao ser abordado por companheiros presentes na assembléia o caso imediatamente veio a tona quando se observou as dezenas de fotos da criança e companheiros militantes presentes na assembléia, fotos que o agente foi obrigado a apagar por diversos companheiros que o abordaram.

Essa covarde intimidação não é um caso isolado e não se dirige exclusivamente a nossa companheira que teve seu filho ostensivamente intimidado pelo covarde agente na assembléia, mas sim parte de um processo repressivo que segue se intensificando dia-a-dia.

Nas jornadas de luta de 2013, fomos atacados exaustivamente por este aparato repressivo, com atos reprimidos por milhares de bombas de gás lacrimogêneo e efeito moral, balas de borracha, spray de pimenta e cassetetes que vitimaram os diversos protagonistas das jornadas de Junho, quilombolas, indígenas e educadores que lutavam pelo pagamento do piso do magistério além da investida repressiva do 1 de Outubro, quando inúmeros companheiros e organizações que integram o Bloco de Lutas (entre elas nossa organização) foram vítimas de mandados de busca e apreensão, onde a polícia civil aprendeu de forma indiscriminada computadores, cadernos e livros de estudo e fotografou quadros “suspeitos”.

Antes da investida do 1 de outubro nossa organização foi alvo de uma invasão ilegal por parte da polícia civil no mês de junho, quando esta arrombou o Ateneu Libertário, local onde nos concentramos, e aprendeu materiais de propaganda, como tintas e solventes buscando apresentá-los como artefato explosivo, além de aprenderem livros de nossa biblioteca junto do cadastro das pessoas associadas na mesma, apresentando estes livros em uma coletiva como uma prova de crime “aprendemos vasta literatura anarquista” afirmava o delegado Ranolfo Vieira Jr. então chefe da Polícia Civil. Até hoje não tivemos o conhecimento do mandado judicial para tal investida e os poucos livros de nosso acervo devolvidos foram na casa de um companheiro, em uma nítida manobra com o intuito de nos intimidar.

De norte a sul do país, onde as ruas arderam dando um basta a neurótica vida que suportam os de baixo com a precarização cada vez mais acentuada de direitos básicos, como educação e saúde, ao passo que o governo investe fortunas galopantes para garantir a copa e as olimpíadas esse expediente foi via de regra comum, alterando na intensidade de sua manifestação, mas nunca em sua disposição de ir até as últimas consequências para garantir a tal “manutenção da ordem”.

O que temos visto nesse ano que se inicia é uma intensificação destas medidas repressivas. Nas últimas semanas os oligopólios da grande mídia, em especial as organizações Globo, a qual a RBS é afiliada, tem desatado uma verdadeira guerra psicológica, se aproveitando de um estúpido acidente que trágica e lamentavelmente vitimou a vida e a família de um trabalhador cinegrafista, para tensionar a favor da aprovação do projeto de lei antiterrorista no Senado, onde possuem um tal “defensor dos direitos humanos” conhecido como Paulo Paim/PT como um dos principais agitadores da lei, buscando desatar um golpe traumático contra os setores populares organizados que não se fiam pela política de pacto social que hoje costuram o governo Dilma junto às patronais e às burocracias sindicais e de movimentos populares cooptados. A aprovação desta lei tende a abrir precedentes para uma enxurrada de prisões, mandados de busca e apreensões e por que não, torturas e assassinatos? Essa campanha parte hoje do Rio de Janeiro, mas suas consequências já estão se nacionalizando a passos largos e caso os setores populares não respondam a altura o retrocesso será enorme.

Essa intensificação se manifestou por essas terras na última assembléia do Bloco de Lutas. Até então, todos nós, militantes dos mais distintos setores, organizados ou não, sabíamos e denunciávamos que vínhamos sendo perseguidos e vigiados de forma ostensiva, com o grampo de telefones e comunicações virtuais, assim como em muitos casos com agentes de campana nas proximidades de nossas residências. No entanto, essa foi a primeira vez que se revelou a investida policial contra crianças, filhos de militantes. Perseguir e investigar filhos de integrantes das “Forças Oponentes” seria uma clausula secreta do documento “Garantia da Lei e da Ordem”, aprovado em dezembro pelo “progressista” ministro da defesa Celso Amorim? Estão nossos filhos agora sujeitos a prisão, a violação e a tortura, como estiveram inúmeros filhos de milhares de companheiros que lutaram contra o regime de Terror de Estado que se abateu no país há 50 anos, impulsionado por uma sacro santa aliança entre oligopólios da grande mídia (a exemplo das organizações globo), associações patronais (a exemplo da FIERGS e FIESP, assim como dos grupos Gerdau e Ultragás), o aparato repressivo e as oligarquias? Após grampearem os passos de nossas crianças e intimidá-las pretende o Estado e as classes dominantes também sequestrar os filhos de nossas companheiras no momento de seu parto, para trocar suas respectivas identidades?

Ai está a verdadeira face do Estado e suas classes dominantes, o lobo em pele de cordeiro, que fala como vítima da violência quando desata esta violência indiscriminadamente, seja nos atirando em vilas sem saneamento básico, saúde, educação, com a falta de água e luz, na exploração do trabalho precário e sem direitos, seja na força bruta para manter essa situação. Essa é a verdadeira situação que buscam encobrir com um forte apelo sensacionalista as hienas de plantão através do seu monopólio da informação.

Ressaltamos que desde o ocorrido estamos em contato com a direção do SIMPA, que pronto afastou o agente em questão e se comprometeu em tratar o assunto em caráter de urgência em suas respectivas instâncias, assim como seguir solidário nas mobilizações do Bloco de Lutas.

Seguiremos mobilizados e não nos intimidaremos com mais este covarde ataque.

Barrar a criminalização e a lei antiterrorista!
Não se intimidar! Não se desmobilizar! Rodear de solidariedade todos os que lutam!
Não passarão!

Federação Anarquista Gaúcha – FAG


Obs. Divulgamos abaixo o relato da situação escrito por nossa companheira que teve o filho intimidado na assembléia.

Quem são os terroristas que o Estado Brasileiro tenta acossar hoje? Os pobres rebelados? Os negros cansados da escravidão moderna? Os indivíduos que vão a protestos e quebram vidros? Os militantes que se organizam politicamente e que são oposição as elites?

Mas, o relato que quero fazer aqui em caráter de denúncia é que, meu filho que tem sete anos, no dia de ontem, 12 de fevereiro, em ocasião da assembléia do Bloco de Lutas, no Sindicato dos Municipários de Porto Alegre, foi intimidado e fotografado várias vezes por um p2 (polícia a paisana) que estava trabalhando de segurança para o sindicato citado. O meu filho estava tomando banho de chuva ao lado de fora da assembléia quando eu percebi que este homem estava falando de forma estranha com ele , me aproximei e disse que eu era mãe do menino e que ele não podia falar deste jeito com o pequeno. Nisto me volto para assembléia e o pequeno me chama e diz: “mãe o cara ali fez sinal que ta me cuidando e tirou fotos de mim!” Indignada vou atrás de outras pessoas para dizer o que estava acontecendo, nisto outra pessoa também me confirma o relato do meu filho, prontamente fui atrás do homem que estava tentando entrar rapidamente para se esconder dentro do sindicato e eu comecei a perguntar o porque das fotos, o mesmo só dizia que era trabalho dele! Eu perguntei se ameaçar criança e registrar fotos do meu filho era trabalho dele…Nisto companheiros chegaram e cercaram o mesmo para ver seu telefone e realmente havia várias fotos do menino, assim como de outras pessoas da assembléia e de mais outras crianças! O meu filho ficou com medo e muito nervoso e eu também fiquei muito indignada por tamanha covardia por parte dos que querem nos investigar e intimidar, tivemos que sair acompanhando até em casa antes mesmo do fim da reunião. Como lidar com este tipo de coisa é a pergunta que como mãe e militante me faço desde ontem, meu filho desde que nasceu me acompanha nas peleias que eu estive envolvida, desde minha militância no Movimento Sem Terra até os dias de hoje, mas ontem foi a primeira vez que alguém fez um golpe tão baixo, usando o medo do meu filho para me atingir. Lembrei das histórias da ditadura, das perseguições a familiares como forma de amedrontar militantes, lembrei das crianças desaparecidas, lembrei de o quanto isso nos fere. Mas lembrei também que não estamos só, que não vão nos calar, que esta luta é justa, que os terroristas estão no poder, que vamos denunciar esta pessoa, que vamos investigar os motivos destes registros e seus mandantes.

A repressão que está em marcha no país começa a ganhar contornos mais fortes nos últimos dias. A grande mídia como abutre se aproveita dos restos mortais do cinegrafista do RJ para atacar cada vez mais os protestos e as organizações que fazem parte do novo cenário político que, de sul a norte, toma conta das ruas gritando por melhorias nas questões sociais. A passos largos começa a caminhar um ataque furioso ao direito de manifestação, elaborado em conjunto com grandes meios de comunicação que todos os dias produzem suas “verdades” e disseminam ódio contra os que estão em luta. Não bastasse a mídia, também entra em jogo medidas de leis que são completamente criminalizadoras e que vão se aplicar contra aquelas e aqueles que estão nas ruas por garantia de direitos e mudanças concretas, incluindo o direito de se manifestar! Leis como: domínio do fato, lei de segurança nacional ( já usada contra militantes de movimentos sociais do país), agora chega com a mão dura do Estado, ainda para ser aprovada, a lei anti-terrosista, que preve pena de até 30 anos de reclusão.

Certamente, se aprovada, esta lei pode abrir gravíssimos prescedentes aos direitos humanos e democráticos.

Já estou sendo investigada pela Polícia Civil do estado no mesmo processo que indicia vários militantes do Bloco de Lutas. Sou militante da Federação Anarquista Gaúcha (FAG) que durante os últimos anos vem sofrendo com campanhas criminalizadoras por parte da mídia e dos governos, só no último ano tivemos nossa sede invadida pela polícia do governador Tarso Genro (PT) duas vezes em menos de quatro meses, os únicos elementos perigosos encontrados lá dentro foram livros… Esta é a velha política de intimidar, criminalizar, reprimir, perseguir e condenar os movimentos populares e organizações. Mas, intimidar uma criança? Registrar fotos de meu filho? Como fica isso para os governos que se dizem de esquerda e democráticos?

Observo que se alguma coisa acontecer a mim e a meu filho, assim como aos demais compas de luta, consideraremos responsabilidade dos governos que nada fazem para barrar a prática dos infiltrados da polícia dentro dos movimentos sociais, seja para fazer ações que nos culpabilizem, seja para registrar arbitrariamente ou seja para intimidar.

Não vão nos desmobilizar!
Rodear de solidariedade os que lutam!

Lorena Castillo Militante da Federação Anarquista Gaúcha e integrante do Bloco de lutas de Porto Alegre.

[FAG] ATO PÚBLICO DA FAG: Força e Convicção Ideológica e Textos lidos no ato

Retirado de : http://www.federacaoanarquistagaucha.org/?p=78

http://www.federacaoanarquistagaucha.org/?p=50

DSC02212O ato começou logo que caiu a noite, por ali, inicialmente uma pequena aglomeração de pessoas na bonita rua da travessa dos venezianos na cidade baixa de Porto Alegre.

1392089_1422637664617851_431766968_nNão tardou muito o telão e os microfones já estavam prontos para o uso, assim como os convidados já se faziam presentes, mais de 100 pessoas que certamente compuseram uma bonita fotografia colocada para este ato político. Um painel de fundo, com as cores vermelho e preto e os dizeres “FAG 18 anos, força e convicção ideológica” cobria a parede do Ateneu Libertário a Batalha da Várzea, local político, social e cultural da FAG. A rua que já é bonita por si só ficou ainda mais com a presença de cada companheiro e companheira que se fez presente.

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Vários coletivos, organizações políticas, movimentos se fizeram participantes, também estavam lá pessoas sem organização social e política, mas sem dúvidas simpatizantes do tema a ser tratado. Uma grande parte dos que se faziam presentes ali, podemos até dizer que a maioria, são militantes anarquistas desta cidade e que, de uma forma ou outra se somam nos processos de luta que nos tocou atuar nos últimos tempos. Não todos militantes da FAG, mas companheiros de ideologia e luta. Também contamos com a participação de militantes de outras matrizes ideológicas, estes foram convocados por nossa organização no momento que propomos a solidariedade a todos os que estão lutando e por conta disso sendo perseguidos e criminalizados. Nossa solidariedade de classe como já diz uma antiga chamada é “mais do que palavra escrita” ela se faz em atitudes concretas, no que é de fato.

1391896_1422637321284552_1937506031_nO ato teve a leitura das adesões de várias organizações irmãs da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB), da Federação Anarquista Uruguaia(FAU), assim como de movimentos populares autônomos. Foi feita a leitura do material nosso com elementos da conjuntura, repressão, criminalização e os desafios colocados para os setores de luta dos oprimidos. Logo tivemos as falas de companheiros de outras organizações políticas, sociais e populares que ali estavam, foram sete intervenções que firmam o compromisso de estar e continuar em luta contra a criminalização do protesto e da revolta. Falas estas, das quais compartilhamos o sentimento de solidariedade de classe, porque o sectarismo para nós da FAG é umas das piores doenças políticas que atingem setores do campo popular de esquerda.

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Para os militantes de outras matrizes ideológicas que tiveram respeito em aceitar o nosso convite e comparecer em nosso ato fica nosso cordial agradecimento. Segue um trecho da fala de abertura que representa muito bem o caráter que fizemos ter este Ato: “Em que pese ser o ato de uma organização política anarquista, com seu discurso, as suas linhas e a própria cultura militante, cremos que esta é uma conjuntura especial que toca a todos e todas que lutam para não se amesquinhar, para quebrar o sectarismo e brindar solidariedade de classe, por cima das diferenças partidárias. Que se sintam parte deste Ato todos os lutadores sociais perseguidos e com todo nosso respeito tomem um lugar entre nossa fraternidade libertária e socialista.”.

1377506_1422638714617746_2086004806_nE assim foi, bem mais de uma centena de pessoas, talvez duas, puderam socializar conosco momentos de reflexão e análises sobre a luta popular e política que estamos envolvidos. Também houve momentos de imagens das mobilizações, músicas e por fim a fala final de nossa organização, uma fala com elementos ideológicos de nossa corrente dentro do anarquismo, o Especifismo. Aqui o trecho que segue sintetiza um pouco do nosso acionar: “Nosso anarquismo em ação quer ser um fator para unir o que está disperso, organizar o que anda desorganizado, para encontrar mecanismos de participação popular em direção de uma estratégia de poder popular que carregue um programa de soluções para os explorados e oprimidos. Que faça sair pra frente os protestos sociais.”.

O ato abrigou diferentes gerações de lutadores, gente que a décadas atrás já estavam nas peleias dos de baixo, mas foi a juventude que teve um papel importante e renovador, o papel de seguir empunhando a bandeira por socialismo com liberdade, pelo anarquismo. Devemos concluir então que este Ato é só uma “pausa”, um momento de reflexão, de socializar com a companheirada como estamos enxergando o cenário das lutas e compartilhar as tarefas políticas que a luta popular nos traz.

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Seguiremos “resistindo com força e convicção ideológica, mantendo nossos ideais onde se encontram os anseios dos oprimidos, sendo parte ativa nas lutas cotidianas, atuando com modéstia, mas com firmeza. Em memória a todas e todos que tiveram suas vidas ceifadas pela mão do opressor quando teimaram em defender a liberdade, a justiça social e a revolução social.

Nenhum passo atrás!

Rodear de solidariedade os que lutam!

Federação Anarquista Gaúcha – FAG

Textos lidos:

O ANTES E O DEPOIS DE JUNHO

*Análise de conjuntura lida no ato da público da FAG em 17/10/2013.

No inicio do ano de 2013 começou a ganhar força uma nova configuração para este país, um novo contorno histórico de luta popular, inicialmente com mobilizações pequenas, mas que nitidamente ganharam logo de cara a simpatia de uma ampla maioria dos trabalhadores e oprimidos em geral,  simpatia esta que caracteriza o descontentamento do povo com suas condições de vida, por seus direitos mais básicos como saúde, educação e transporte negados pelos de cima (governantes, patrões, mídia coorporativa).

Inicialmente as lutas foram pela redução das passagens, com a pressão popular aumentado nas ruas e a organização pela base, nos diversos trabalhos de diálogo com o povo, ocupação de terminais, marchas e trancaços culminaram em uma conquista pontual, mas coletiva, que foi a redução no aumento absurdo da passagem de ônibus nesta cidade (passagem que segue com um valor absurdo é bom frisar). Ao contrário do que acusam certos propagandistas, que buscam subtrair a ação popular para personalizar e canalizar eleitoralmente a vitória, esta não foi uma conquista de gabinete, mas sim de milhares de pessoas que saíram gritando pela força das ruas que “se a passagem aumentar, Porto Alegre vai parar” e Porto Alegre imerso em uma agitação que não presenciava a mais de uma década, literalmente parou! Não fosse a contundente mobilização de massas que o Bloco de Lutas pelo Transporte Público foi capaz de agitar a medida judicial contra o aumento teria mofado nas podres gavetas do poder judiciário.

1395_1422637704617847_765979703_nA adesão às marchas começaram a se fazer presente nas ruas, já não éramos mais “meia duzia” de militantes, muito mais gente estava conosco, afinal sempre foi este o objetivo que nos colocamos desde o inicio, que o movimento se enchesse de gente com ganas de lutar, jovens, muitos jovens, senhores e senhoras e crianças, trabalhadores, desempregados, começaram a ganhar o paço municipal nas concentrações dos atos que ajudamos a construir.

A pauta já se estendia, não se tratava só de exigir a redução das passagens, um outro modelo de transporte começava a ser debatido, o passe livre que é uma pauta já antiga na cidade também já é uma das demandas. Tampouco essas lutas começaram a surgir do nada. Nos últimos 10 anos, em inúmeras cidades a juventude e os de baixo se mobilizaram e lutaram contra os aumentos abusivos no transporte coletivo, saindo em algumas ocasiões vitoriosos. Da mesma forma, indígenas e trabalhadores das obras do PAC, vinham sinalizando o caminho de uma luta sem tréguas contra os de cima.

Em meio a esse processo embrionário, onde inúmeros companheiros, das mais distintas procedências político/ideológicas, onde temos a felicidade de nos incluir, aportaram seus esforços, na maioria das vezes silenciosos, eis que tivemos um ato marcado pela repressão por parte dos defensores do Estado. Logo a cidade sentiu o poder que tem um povo indignado  quando este se da conta que esta sendo atacado e aquece na solidariedade aqueles que caem presos por lutar. No histórico 1 de abril, marcharam pelas ruas desta cidade uma coluna de milhares de pessoas, uma marcha que alcançou numero maior que dez mil, milhares marchando com seus anseios gritando em cartazes e faixas, milhares que talvez nunca antes tenham se somado a nenhuma manifestação seja ela qual fosse, no entanto ainda não tínhamos ao certo a dimensão do que iria surgir no país a fora.

1376370_1422637767951174_1898684350_nNão tardou para presenciarmos mobilizações em várias cidades que, paulatinamente começaram a impor uma nova força no jogo da política brasileira, agora com os de baixo se erguendo com o punho em riste, apavorando os poderosos. Goiânia, São Paulo, Rio de Janeiro e tantas outras cidades presenciaram um mar de gente tomando as ruas e não por acaso sofrendo a covarde repressão policial por parte do Estado que prontamente buscou atender as reivindicações das patronais e da mídia coorporativa e tentar por fim as lutas que demonstravam uma sufocada revolta popular contida entre os de baixo. No entanto, a repressão deu com os burros n’água! Assim como em Porto Alegre, foi a partir da repressão policial que o movimento se massificou, canalizou a indignação contra a covardia de um estado cada vez mais policial e seguiu em frente, o que levou os de cima a rever sua tática. Se, em um primeiro momento a tática era conclamar a repressão e a estigmatização das lutas, dada a falha dessa histórica tática, os de cima, recorrendo sobretudo a seus instrumentos de luta ideológica, a mídia coorporativa, passaram a buscar cooptar as lutas, introduzindo pautas artificiais e cada vez mais vazias de conteúdo, conspirando contra a esquerda nos atos e buscando transformá-los em “paradas cívicas”. Podemos afirmar que em Porto Alegre não foi fácil a direita se apossar das manifestações, pois já estávamos organizados para enfrentar a tentativa de cooptação e nisto conseguimos garantir o cunho classista e combativo que apontamos desde o inicio.

Quando já não éramos mais “meia dúzia” de militantes, mas sim um movimento forte e catalisador de demandas populares, sendo capaz de contornar a ofensiva dos de cima em esvaziar de conteúdo nossas lutas, passamos então a ser ainda mais condenados pela mídia golpista de plantão, reforçaram-se as tentativas de distorção e factóides covardemente plantados nas redações com o objetivo de desatar uma guerra psicológica contra a revolta popular que começava a se afirmar de norte a sul do país. Nossas marchas foram atacadas diversas vezes, fomos acossados e perseguidos, gás lacrimogêneo começou a ser marca constante, assim como as balas de borracha, as bombas de efeito moral, as torturas que a BM cometia pelas ruas, delegacias e camburões, as prisões arbritárias e aleatórias de gente que foi, literalmente caçada pelas ruas.

Os meses de junho e julho marcaram um antes e um depois neste país, com a entrada em cena de uma nova geração de lutadores, demonstrando convicção e firmeza de seguir em frente, ainda que enfrentando a repressão. Não bastasse a mídia a serviço dos capitalistas, a direita mais raivosa deste país com traços fascistizantes, encontramos nos governos do estado e federal, a comando do PT, se mostrado um algoz de ideologias combativas, mais especificamente do anarquismo. Foi o governo Tarso/PT que, na sanha de agradar a grande imprensa mandou sua polícia invadir a sede de nossa organização por duas vezes em menos de 04 meses, a primeira, em junho, diga-se de passagem de forma ilegal e aprendendo “vasta literatura anarquista” segundo o chefe da Polícia Civil Ranolfo Vieira Jr., agora filiado a PDT do prefeito Fortunatti. Até hoje não devolveram todos os materiais e na tentativa de  intimidação, vão à casa de um de nossos militantes e entregam três dos vários livros que roubaram.

O discurso do governador Tarso Genro que vai a publico depois deste episodio é vil, coloca a ideologia anarquista como equivalente ao fascismo, julga que as ações de rebeldia e indignação que vão às ruas são de responsabilidade dos nossos ideais que incitam o protesto, como se nós devêssemos ser responsabilizados por aquilo que os governos e as elites plantaram durante anos e anos, como a fome, a miséria, a injustiça social, a precarização das relações de trabalho e dos serviços públicos, o massacre da juventude negra e pobre, o Estado penal, o cárcere, a tortura e o desaparecimento para o pobres.

Passadas então as grandes mobilizações, a criminalização ganha mais força. Já era de nosso conhecimento que haviam processos que corriam soltos contra militantes, já se desenhava ali uma ação de condenação política da militância. Não tardou muito e começam a nos prender,  como foi o caso dos/as professores/as, companheiros de luta que foram detidos em uma armação de “flagrante” após um ato do Bloco de Lutas. Em menos de uma semana, um tal delegado Jardim, conhecido por fazer vistas grossas à atuação de grupos neo-nazistas na cidade, concluía a farsa indiciando-os por depredação, agressão e crime ambiental por depredação de patrimônio tombado. A conspiração em curso ficava escancarada quando seus nomes e fotos eram divulgados com entusiasmo pela RBS e suas hienas.

Não distante deste episodio no 1 de outubro espaços políticos sociais de cunho libertário, como Moinho Negro e, como afirmamos acima pela segunda vez o nosso espaço o Ateneu Libertário, também outros militantes envolvidos na luta, como os compas do Utopia e Luta, e militantes do PSOl e PSTU tiveram suas casas invadidas e foram também roubados pela polícia civil empregada do governo Tarso/PT. Logo que tivemos acesso ao inquérito que a polícia civil montou, podemos então ter certeza da perseguição político ideológica que já caminha a passos largos, um inquérito digno de deboche, sem provas concretas, onde elementos de investigação são as cores de bandeiras e seus formatos. Nesta tentativa desesperada de achar lideres, de por cabeças a premio, o governo e seu aparato repressivo promovem uma verdadeira caça as bruxas na cidade. Alardeia que negocia com os partidos, porque não sabia das ações da PC. Mas sabemos e acusamos isso como mais uma manobra de provocar um racha no movimento.

1376582_1422637714617846_216138381_nNão se deixar levar pela chantagem dos de cima! Não se intimidar, não se desmobilizar: rodear de solidariedade todos os que lutam!

Na grande imprensa, seja ela da província ou nacional o bode expiatório que hoje buscam com um ódio espumoso enquadrar nas leis contra organizações criminosas e de segurança nacional, nítidos vestígios da ditadura civil-militar, já foi nomeado: anarquistas, mascarados, vândalos! Uma cortina de fumaça para sufocar a justa revolta popular de um povo que tem ousado dar um basta em sua condição miserável e de expectador do corrompido jogo político que decide a revelia dos de baixo. A repressão tem se afirmado com um crescente vigor. Isolar e direcionar a perseguição à setores mais combativos, ainda que estes sejam pouco ou nada orgânicos, chantagear setores reformistas/eleitoralistas de forma a isolarem os setores mais radicalizados, apresentando-se como responsáveis e não promotores da “baderna” tem se mostrado uma sagaz artimanha do inimigo. Cria-se um ciclo vicioso onde não faltaram vacilantes e até mesmo delatores para cederem as chantagens do inimigo a cada aperto que sofrerem, reiterando, cada vez mais sua inocência, sua responsabilidade e claro, mordendo a isca do inimigo ao condenar aqueles que, ainda que por vezes sujeitos a inúmeros equívocos táticos e estratégicos estão muitas vezes fazendo sua primeira experiência de enfrentamento político com os de cima. Representam, antes de mais nada, uma nova geração disposta a lutar por fora do jogo dado pelos de cima: eleições, partidos registrados no TSE recebendo suas devidas anuidades do Estado burguês (o fundo partidário) e contribuições de inúmeros setores da patronal.

O desenvolvimento da repressão em tais níveis, com o beneplácito de um pretenso partido de esquerda, “progressista”, não é novidade para quem conhece as políticas de conciliação de classes do mesmo. O pacto social caminha invariavelmente para o conservadorismo e a reação. Desmobiliza e coopta setores importantes de luta e organização dos de baixo, chegando por vezes a destruí-los mediante o alto grau de cooptação e burocratização. Deixa como legado um vazio organizativo por parte dos de baixo, capaz de disputar uma agenda a esquerda, ao passo que colabora reiteradamente com os de cima e seus instrumentos organizativos. Eleger bodes expiatórios e desatar uma feroz repressão contra lutas que fujam do controle de sua política de pacto social é uma marca histórica desse reformismo que sequer é capaz de lograr mínimas reformas. No entanto, assume sem vacilações o seu posto histórico de ser a ante-sala do fascismo.

Seguimos afirmando que o que está posto no atual cenário não uma polêmica entre “marxistas x anarquistas” como muitos buscam insinuar ao sinalizar de forma positiva a chantagem dos de cima. O que se trata no atual momento histórico é a defesa de lutadores contra a repressão e a criminalização. Não escolhemos pelas vertentes ideológicas e históricas dos de baixo a quem ser solidários, orientação esta que vai de encontro a um pernicioso e trágico sectarismo que busca apenas defender “os seus”.

Somos uma organização que tem 18 anos de história e luta, sempre estando junto e sendo parte dos oprimidos, organizando os de baixo, aportando com toda modéstia nosso grão de areia na construção do poder popular.

E neste solo que nos tocou viver e atuar, queremos reafirmar nosso compromisso de seguir lutando, porque nossas idéias não podem ser mortas ou acorrentadas! Porque o sonho por liberdade e justiça social não é um sonho que se sonha só! Porque as prisões não nos intimidarão! Porque a perseguição só alimenta nossas ganas de seguir combativo! Porque não nos calarão diante de qualquer injustiça! Porque a não vai ter copa se depender de nós! Porque seguiremos falando de liberdade, socialismo e anarquismo custe o que custar! Porque a luta dos indígenas e quilombolas também é nossa luta! Porque os trabalhadores da educação são nossos companheiros! Porque todos os que lutam tem em nós mãos estendidas e ombros solidários!

Porque nossos inimigos são os mesmos e lutaremos contra eles até a tão sonhada revolução social! Porque os lutadores do Rio de Janeiro que hoje enfrentam um Estado policial ainda mais desenvolvido, como em qualquer outro canto deste país não estão sozinhos!

Porque somos sim companheiras e companheiros ANARQUISTAS!!!!!!

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O ANARQUISMO NÃO SE PRESTA A CARICATURAS!

Intervenção de encerramento do ato

DSC02219Saúde compas! Em que pese ser o ato de uma organização política anarquista, com seu discurso, as suas linhas e a própria cultura militante, cremos que esta é uma conjuntura especial que toca a todos e todas que lutam para não se amesquinhar, para quebrar o sectarismo e brindar solidariedade de classe, por cima das diferenças partidárias. Que se sintam parte deste Ato todos os lutadores sociais perseguidos e com todo nosso respeito tomem um lugar entre nossa fraternidade libertária e socialista.

Contra o privilégio e a injustiça, a escravidão e a brutalidade SOMOS ANARQUISTAS, já sintetizou a máxima de nosso velho Bakunin.

Mas quem são os militantes anarquistas? Perguntava a reportagem especial de Zero Hora do dia 29 de junho, mais de uma semana depois que é operada a 1° invasão policial do local do Ateneu Libertário.

Ora, somos trabalhadores, de distintas profissões e setores, qualificados, precários ou desempregados, pais, mães, filhos do povo, estudantes. Somos também os jovens que fazem uma opção de classe e tomam parte contra toda dominação política, econômica e cultural pelo lado dos oprimidos. Os que ajudaram e somaram desde baixo e pelo começo a formar o Bloco que tomou a frente nas históricas lutas de massa de abril e junho em Porto Alegre e derramou pelo país afora. Os que não acordaram ali, que já vinham há anos dando corda nas pautas que defendem o direito a cidade para os pobres. E a propósito senhores, não temos preferência pela cor da roupa, nos vestimos como dá, como podemos. O estereótipo e a caricatura, apesar da insistência, não colam  marcas no nosso lombo.

1374066_1422638717951079_1061288892_nNaquela pérola da página 11, dia 29 de junho, em Zero Hora o sr. Humberto Trezzi chamou uma manchete para contar quem são os anarquistas, fez um parágrafo sorteando chavões achados em vista grossa pelo facebook, a wikipedia ou a busca do google e logo tornou ao seu lugar de ofício nas crônicas policiais. A matéria estava premiada com o factóide de uma entrevista com militante anônimo, uma ode a estupidez de fazer inveja as piores e mais escabrosas redações de Veja.

O discurso criminal sobre o anarquismo não é uma surpresa. O espantalho é historicamente recorrente na imprensa, pelas autoridades e suas forças repressivas, toda a classe patronal. Não perdemos de vista que a produção do discurso da criminalização sempre quis plantar o medo, criar a figura do delito para fazer par com a ordem e ao final produzir consenso para o controle social das classes dominantes.

Durante as primeiras lutas operárias que se organizaram no país pelo trabalho dos anarquistas, inícios do séc. XX, se usava definir essas ideias como uma “planta exótica” que se estranhava com um povo pacato e cordial. A questão social que era levantada pelo emergente movimento dos trabalhadores foi convertida em B.O. da polícia. A ideologia de socialismo e liberdade que encarnava a luta de classes pelos princípios, as táticas e as finalidades de um movimento operário combativo era o próprio delito contra a propriedade, a desestabilização da ordem capitalista dependente e autoritária que se formava por aqui. E quantas organizações e periódicos da imprensa sindical revolucionária foram empastelados, quantos companheiros deportados ou eliminados pelo aparelho repressivo contam essa história “desaparecida” pelas infâmias do poder.

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A Plebe, jornal operário e anarquista informa a situação de companheiros anarquistas presos e mortos no campo de concentração de Clevelândia.

O capitalismo, o Estado e toda a estrutura ideológica articulada ao sistema sempre foram duros algozes do anarquismo, como todos seus opositores radicais. No Brasil não poderia ser diferente. Durante a 1° república fomos enfrentados a conjunturas de fortes ações judiciais e repressivas que destruíram organizações, veículos de imprensa, atividades populares. Pelas leis de repressão ao anarquismo de 1907, 1913 e 1921 tivemos o doloroso desterro, encarceramento e a liquidação de vidas militantes que não tem preço em nossa causa. A colônia de Clevelândia no extremo norte do país, durante a década de 20, figura terrivelmente como o campo de concentração dos indesejáveis, das “classes criminosas”, que fez morrer no limbo incontáveis companheiros, anarquistas irredutíveis.

Nenhuma palavra sobre isso do sr. Trezzi. É que francamente não quis falar de anarquismo, tampouco teria essa liberdade de imprensa se assim o quisesse, quis falar de polícia, convocar a fuzilaria conservadora e arranjou espantalhos para assustar os protestos, ao gosto da política do grupo RBS.

Para o discurso das instituições a luta social que vem de baixo sempre anda a reboque de interesses que não conhece. Vítima das ideologias estranhas que não fazem corrente com a produção normativa do modo de vida dominante. Mas esse é um velho artifício da batalha de idéias usado para confundir, desqualificar e liquidar com a oposição das ruas pelo controle do juízo público. A ordem social nunca foi, nunca será, uma instituição neutra, em nossa sociedade ela é entre outras coisas o privilégio do discurso do pode e não pode, do certo e do errado dos poderes e das classes dominantes.

Não é a primeira e nem será a última vez em que nos veremos julgados pela imprensa monopolista, acossados pela polícia e criminalizados pelo governo e o judiciário. Já avisava Malatesta: a melhor maneira de obter uma liberdade é tomá-la para si, enfrentando os riscos necessários. E aqui estamos fazendo este ato público.

Não é preciso dizer que para a direita mais braba e também para o governismo pragmático dos ex-esquerdistas o socialismo inteiro está superado historicamente. Quando muito é usado como perfumaria de uma política que se afunda e se mistura no mundo burguês tal como ele é e como deve ser. Mas há quem queira nos impugnar de outro jeito, “em nome da história”, abrindo polêmica como concorrentes na política, como inimigos de esquerda, não como adversários.

1380208_1422638701284414_846062256_nVamos repetir uma declaração feita pela nossa organização em sua carta de opinião por volta de abril: “não temos a menor pretensão de representar o que se chama por lugar comum de movimento anarquista. A nível nacional integramos a Coordenação Anarquista Brasileira (CAB). Guardamos o respeito e as devidas diferenças com outras formações libertárias. Nós tomamos a palavra em direito próprio como uma organização política, que tem seus acordos e definições específicas, que se reconhece entre os oprimidos por esquerda, dentro da luta de classes, anticapitalista e antiburocrática.”

Como corrente libertária do socialismo, no Brasil e pelo mundo, o anarquismo é um fator decisivo pela formação do patrimônio combativo e classista de nosso movimento operário. Por aqui, foram os trabalhadores anarquistas que, em direção contrária ao colaboracionismo da social democracia de inspiração marxista, puseram na ordem do dia das primeiras lutas e organizações sindicais a independência política da classe frente aos patrões, o governo e a burocracia. Para qualquer desavisado ou jogador de má-fé reforçamos que o anarquismo não se presta a caricaturas. A rigor, pra quem fala da história social do movimento dos trabalhadores, de socialismo, não há como borrar os aportes da corrente libertária.

O anarquismo está como nunca citado na história recente do país, sobretudo pelo discurso da imprensa e dos órgãos judiciais e repressivos que “julgam” a legitimidade da luta de massas nas ruas. As mobilizações de massa que estão sacudindo o Brasil deram vez a um turbilhão de demandas que latejavam na vida neurótica, precária e estafante dos setores médios e populares. Grande parte da geração jovem e combativa que formam as lutas desta conjuntura histórica cresceu nos últimos 10 anos de governos do PT e encarna a expressão conflitiva e saturada do seu modelo capitalista de crescimento econômico. O Brasil “grande e moderno” puxado pelos grandes capitais, em parceria com os fundos do Estado e de rabo preso com as velhas oligarquias é feito as custas de uma deterioração brutal do meio ambiente, dos bens e serviços públicos e das condições de vida do povo trabalhador e da juventude.

Nos últimos meses boa parte do que se representa por espontâneo, horizontal e fora da alçada de organizações de esquerda, sindicatos, movimento estudantil é imputado a posições libertárias. Sem dúvidas nós pensamos que há uma boa dose de vulgarização nessas imagens, que induzem diferentes e variadas atitudes que não se correspondem com nossa formação ideológica. O que está em cena indiscutivelmente é um vivo sentimento de rechaço às práticas burocráticas e tradicionais de fazer política, aos conciliadores de turno que conduzem a conservação e a reprodução das mesmas estruturas opressivas da sociedade. Está ganhando emergência uma nova cultura política, que não se reconhece nos partidos da democracia burguesa ou na burocracia sindical, que não confia nas intermediações reformistas e aposta em mecanismos de democracia de base e táticas de ação direta de massas.

Tal contexto tem renovado o interesse pelo anarquismo e faz um desafio aos militantes anarquistas a dar impulso ao novo que está se gestando sem se desarmar política e moralmente. Um certo horizontalismo anti-organizador que anda em moda não coaduna com nosso federalismo. Não é capaz de produzir forças sociais de cambio e um projeto de ruptura para abrir caminho novo. A apologia do caos e do individualismo que deriva na anti-política, no pior dos cenários, faz a cama para o inimigo deitar.

Defendemos resolutamente o direito a autodefesa da luta pública de massas, de critérios e medidas para se proteger da ação repressiva. Temos nossas diferenças com as táticas que não fortalecem os mecanismos de democracia direta do movimento popular e que renunciam ao debate da linha coletiva das ações. Essa posição se articula com uma concepção “insurrecionalista” que termina isolada do povo, que não admite meios para trabalhar com o tempo e o lugar onde se atua, entrega as decisões da política para o reformismo e “faz a sua”.

Somos partidários da construção do poder popular, da luta estratégica das classes oprimidas contra o sistema de dominação, com ação direta em todos os níveis. Se é correto que um método de ação combativa não marca uma intenção revolucionária quando falta o programa, não é menos certo que o mais revolucionário dos programas pode revelar um incorrigível reformista quando este quer chegar as suas finalidades pelas regras do jogo do inimigo.   

Nossa concepção anarquista sempre foi uma incansável organizadora, sempre tratou de criar e desenvolver organização própria no mundo do trabalho e da pobreza, com sindicatos de resistência, com mecanismos de solidariedade, unindo o conjunto com federalismo. Para todos os efeitos, o trabalho organizativo leva junto uma sensibilidade libertária e orientações gerais para não reproduzir no campo dos oprimidos o mundo das estruturas do privilégio, do centralismo burocrático e da desigualdade.

Nunca esteve entre nossos propósitos fazer obra de propaganda anti-partido, anti-sindical, etc. Temos companheiros/as que estão organizados nas lutas sindicais e não renunciamos a fazer política com nossas próprias formas. Temos tratado de defender sempre por esquerda e pela base os critérios que fortaleçam, que unam, que não desagreguem a energia que tem que ser acumulada para vencer uma luta que não termina logo ali. O “aparelhismo” joga contra a unidade dos que lutam, mata a pluralidade do campo popular. Tática apartidária pra luta social, não anti-partido e tampouco apolítica.

Só a luta pode ser um divisor crível de amigos e inimigos. E nessa luta tem lugar para os partidos e as agrupações de esquerda que não se alçam como negociadores da capitulação, como intermediários burocráticos. Todos e todas tem lugar para construir um movimento combativo e de massas que corte o passo da direita, dos governos de turno e das classes dominantes que querem civilizar o protesto numa direção conservadora de propósitos reacionários.

É o governismo, a colaboração de classes e as burocracias partidárias e sindicais que jogam água no moinho da direita. A saturação do pacto social engenhado pelos governos do PT deu refresco para as forças mais reacionárias da sociedade brasileira se reformularem e chegar a conquistar pelo poder da imprensa monopolista um setor dos protestos nas jornadas de junho. A desmobilização e o burocratismo nas filas da classe trabalhadora, a fragmentação do mundo da pobreza e a coalizão dos partidos governistas na vala comum da representação burguesa da política é que dá passagem para direita ensejar seus planos.

Está mais que na hora de dissipar o fantasma de uma política colaboracionista que não quebra a estruturas dominantes do poder reacionário dos monopólios da mídia, do sistema financeiro e os capitais transnacionais que controlam as riquezas criadas pelos trabalhadores, com a ideologia do Brasil grande e emergente que acelera o carro burguês e atropela os indesejados.

Nosso anarquismo em ação quer ser um fator para unir o que está disperso, organizar o que anda desorganizado, para encontrar mecanismos de participação popular em direção de uma estratégia de poder popular que carregue um programa de soluções para os explorados e oprimidos. Que faça sair pra frente os protestos sociais. 

Camilo Berneri. Anarquista e antifascita italiano. Lutou na Revolução Espanhola, onde foi preso e assassinado pelos estalinistas nos acontecimentos de maior de 1937.

O anarquismo não esquece Mussolini como já sugeriu o governador Tarso Genro, mas também não deixa perdido na galeria da amnésia institucional a sua história, o seu código militante e a sua luta implacável contra o fascismo e os regimes totalitários. Está conosco o inesquecível companheiro Camillo Berneri, anarquista e antifascista italiano de primeira linha que lutou a morte contra Mussolini na Itália e também contra o fascismo espanhol. Está viva na memória de todos os rebeldes a épica coluna operária da Batalha da Praça da Sé em São Paulo de 34 que bancou a revoada dos galinhas verdes, o integralismo de Plínio Salgado.

 Sempre com os que lutam!

Nenhum lutador social sem solidariedade!

Pelo Socialismo e pela Liberdade.

Não tá morto quem peleia!

Federação Anarquista Gaúcha – FAG

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ADESÃO DA ORGANIZAÇÃO ANARQUISTA SOCIALISMO LIBERTÁRIO

Aos companheiros e as companheiras da Federação Anarquista Gaúcha

O avanço das lutas populares no Brasil tem nos mostrado a verdadeira face dos ditos governos progressistas que despontam em toda nossa América Latina. Não é surpresa para nós a truculenta repressão e as tentativas de criminalização de nossas organizações por parte do Estado, sempre lacaio das elites do mundo, independente do discurso dos partidos que o governam. Devemos estar preparados para essa batalha e somente unindo nossas forças conseguiremos caminhar. Nós da Organização Anarquista Socialismo Libertário (OASL) estamos juntos a vocês, irmãos de luta e grande inspiradores, nesta batalha contra o Capital. Nos inspiramos na força que vêm do Sul para continuar de cabeça erguida lutando contra um inimigo tão poderoso. E enviamos aqui essa saudação para lembrá-los que não estão sozinhos neste ato, que estão com todos e todas de São Paulo também! Vocês representam hoje a voz de uma multidão de anarquistas, que de forma destemida grita em coro com cada um de vocês, NÃO TÁ MORTO QUEM PELEIA!

São Paulo, 17/10/2013

Organização Anarquista Socialismo Libertário – OASL

Índice

ADESÃO DO COLETIVO ANARQUISTA BANDEIRA NEGRA

NÃO AFROUXAR NEM UM TENTO! NOTA DE SOLIDARIEDADE À FEDERAÇÃO ANARQUISTA GAÚCHA

O Coletivo Anarquista Bandeira Negra reforça sua solidariedade à organização co-irmã e repudia a repressão de Estado contra as manifestações e a criminalização dos protestos nestas últimas semanas.

Para o Estado e para o Capital, é notório saber que a força popular crescente e a retomada do vetor social por parte das organizações anarquistas tem deixado clara a irritação por parte dos de cima por se tratar de perspectivas políticas de ruptura ao sistema. Principalmente a Federação Anarquista Gaúcha, desde o episódio da primeira invasão da sua sede pelo governo tucano de Yeda Crusius em 2009, vem enfrentando bravamente perseguições de cunho político, repressão e difamação. Não há justificativas para tal criminalização, exceto quando compreendemos que a motivação única é justamente o combate entre classes, daqueles setores estatais e capitalistas contra movimentos organizados.

Os governos municipais, estaduais e federais buscam criar as condições mínimas de um Estado de Exceção, patrocinado pelas velhas elites e multinacionais, com o objetivo de não deixar nenhum movimento popular combativo de pé. A nova Lei Geral da Copa demonstra claramente uma das facetas mais brutais deste novo arranjo político reacionário. As prisões e invasões de casas e sedes evidenciam que independente de siglas partidárias, o chamado ódio de classe e àxs lutadorxs sociais, suscitam uma política estratégica de amortização do campo libertário, historicamente perseguido.

Estamos vivendo um momento-chave para a retomada da construção do verdadeiro poder popular dxs de baixo, dos setores mais oprimidos e explorados, e não podemos deixar que se consolide esta preparação de extermínio. As recentes notas públicas de partidos da esquerda estatista reforçam o ganho que nossa força vem concretizando ao nível dos últimos anos, incorporando espaços antes abandonados pela militância parlamentarista. Nós, companheiras e companheiros de luta, estamos lado a lado com a organização gaúcha e todas as outras que se somam nas ruas. É importante que se saiba que quanto mais o governo tenta barrar as legítimas reivindicações das diversas categorias em luta, dxs professorxs em greve, dxs indígenas, dxs quilombolas, dxs sem-terra e sem-teto, mais violenta será a instrumentalização das organizações populares na ação direta de denúncia contra a repressão.

Lutar não é crime!

Pelo fim da criminalização do movimento popular!

Não retroceder um milímetro sequer! Guerra contra a naturalização da violência contra xs pobres e movimentos sociais.

Viva a Federação Anarquista  Gaúcha! Viva o movimento popular organizado!

Santa Catarina, 17/10/2013

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ADESÃO DO COLETIVO ANARQUISTA ZUMBI DOS PALMARES

O Coletivo Anarquista Zumbi dos Palmares vem através desta se solidarizar com os companheiros gaúchos que estão sofrendo duramente com as invasões e perseguições da polícia militar e do governo Tarso (PT), culminando na invasão dos espaços Moinho Negro, Utopia e Luta e do Ateneu Libertário Batalha da Várzea, espaço social e político da nossa organização irmã Federação Anarquista Gaúcha (FAG), já invadido em junho.

Desde as manifestações de junho anarquistas e demais movimentos políticos e sociais organizados de todo o Brasil tem sido alvos de diversos bombardeios militares e midiáticos fascistas, que tentam a todo custo criminalizar nossas ações.  Ainda que distantes, somamos força à luta dos companheiros gaúchos certos de que atitudes persecutórias só reafirmam que ainda vivemos num país em que os políticos ainda usam artifícios ditatoriais, como perseguição, apreensão de materiais, invasão de espaços particulares e públicos. A democracia é um engodo.

Não permitiremos que tais condutas sejam mantidas e perpetuadas. As denúncias serão feitas, nos manteremos firmes na luta em repúdio às ações do Estado e seus desmandos.

Rodear de solidariedade os que lutam!

Protesto não é crime!

Alagoas, 17/10/2013

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ADESÃO da FEDERAÇÃO ANARQUISTA URUGUAIA

Salú compañeros y compañeras de la FAG.

Queremos acercar a este acto algunas palabras desde la federación Anarquista uruguaya. Serán casi dos décadas de trabajo y lucha en un ir y venir constante, construyendo compañerismo fraterno y un estilo de trabajo. Tenemos motivaciones, anhelos, esperanzas, y aspiraciones comunes. Venimos trazando experiencias y propuestas como pares, apoyándonos los unos y los otros como hermanos también de esta América.

Estamos presentes entonces en este acto que se realiza para plantar análisis y firmes posiciones acerca de lo que está aconteciendo allí. Hechos que no vienen de hoy, ni son producto de un origen concreto. Son etapas de acumulación, flujo y reflujo de fuerzas que se vienen acumulando ante el ocultamiento de los medios masivos de la burguesía y la manipulación que se busca hacer con ellos.

Pero no pudieron esos medios masivos ocultar la protesta y lucha social, la rebeldía popular que se desplegó en todo el país en lo previo y durante la copa de las confederaciones. No pudieron ocultarlo ni negarlo al mundo aún con Brasil campeón de la copa.

Esas luchas no fueron un invento del momento y sí fueron las ignoradas durante años. Son movimientos populares que no nacieron en estos últimos días: la lucha por el transporte público, las luchas populares con reivindicaciones locales en los barrios y pequeños pueblos, la lucha de los sindicatos , los estudiantes, los pueblos originarios, los campesinos. Un levante popular generalizado. En la calle, resistiendo codo a codo con el compañero. Contra la bestia represora que no dudo en agotar sus municiones contra algo imparable que cada vez crecía más.

En este contexto se allana el local del Ateneo de la Batalha de Verzea donde funciona la FAG. Acusada de lo mismo que la ha atacado Yeda Crusius cuando se luchó contra la impunidad del asesinato de Elton Brum. Atacada y allanada, requisada, difamada, en la misma constante histórica que los de arriba han utilizado contra los de abajo, y más cuando los de abajo se organizan y se mueven.

La primera irrupción policial de este año fue el 27 de junio con personal de de la policía de particular y uniformados. Se llevaron materiales de propaganda y libros queriendo criminalizar a la FAG por la posesión de estos materiales. Todo ello quedó al ridículo ante toda la pueblada que se movilizaba todos los días en todo el estado y en todos los estados.

A cuatro meses de ese hecho vuelve el 1º de octubre a ser allanado el local del Ateneo por la policía junto a las casas de más de 60 compañeras y compañeros militantes de los movimientos de Porto Alegre y Río Grande do Sul. También siguen las protestas en todo Brasil con las ha habido y han crecido en todo el tiempo anterior a esto.

Se busca nuevamente criminalizar a la FAG, y al anarquismo en general que hoy ocupa un lugar indiscutido en las luchas de Brasil y surge como una propuesta: Luchar para Crear, Resistir Creando. Porque son organizaciones que se han empoderado, que hacen sentir sus demandas. Muchos son movimientos nuevos en relación a los históricos que también hacen su acompañamiento. Son las voces que se vienen dando desde “Fuera Collor”, son los que no resisten la impunidad de la “Masacre del Dorado do Carajas”, ni la “Chiacinha da Candelaria”, ni “Carandirú”. Porque aún con la protesta y lucha que es imposible ocultar siguen sumándose movimientos y también es una constante la solidaridad.

Marcan estos hechos y muchos más que no alcanza el papel para citarlos que el Anarquismo en esta etapa continúa con su pulso firme y se constituye constantemente como una alternativa de resistencia y creatividad, de espacio para la práctica de ideas antagónicas a las imperantes desde los espacios de poder del sistema. Es el anarquismo hoy, en esta etapa una vigencia que se corresponde con su caudal histórico en las historias de la lucha por el socialismo con libertad, el socialismo libertario. No hay rutas cortas, no hay atajos que permitan acoplar toda nuestra ideología en los espacios del sistema. Nosotros vamos por otra cosa!

Porque a esta sociedad de control le oponemos resistencia y solidaridad. Una resistencia contra la agresividad del consumismo y la violencia de todos los dispositivos y herramientas de los poderosos de arriba. Estamos creando y vamos a seguir creando una resistencia activa, de abajo, en pro de construir más y más poder popular, con independencia de clase y democracia directa.

Así marcharemos, así estamos en el mismo camino de nuestra hermana Federación Anarquista Gaúcha y también la Coordinación Anarquista Brasilera, y todo el caudal popular, de abajo, que lucha y construye sus aspiraciones, conquistas y nuevos anhelos para un Brasil y una América sin pobreza, sin impunidad, sin hambre, ni dominación de ningún tipo.

Así vamos caminando.

Así despertamos nuevos amaneceres.

Con toda nuestra memoria, ayer, hoy y siempre.

Arriba el Anarquismo.

Arriba la FAG!!.

Arriba los que luchan!!!!.

federación Anarquista uruguaya

[FARJ] Nota de Solidariedade aos companheiros e companheiras perseguidos/as!

Retirado de: http://anarquismorj.wordpress.com/2013/10/04/nota-de-solidariedade-aos-companheiros-e-companheiras-perseguidosas/

No dia primeiro de outubro de 2013, a polícia civil realizou uma operação contra militantes e organizações que militam no Bloco de Lutas, de Porto Alegre. Foram invadidas, a mando do governador Tarso Genro (PT), residências de militantes do PSOL e PSTU, o Moinho Negro/Centro de Cultura Libertária da Azenha, um alojamento do MST, a sede da Via Campesina, o assentamento urbano Utopia e Luta e o espaço público da Federação Anarquista Gaúcha, o Ateneu Libertário Batalha de Várzea, invadido pela polícia pela segunda vez em menos de 4 meses. Além disso, os companheiros e companheiras do Assentamento Madre Terra São Gabriel em RS foram coagidos pela Brigada Militar na sede do assentamento.

É interessante ressaltar que essa operação e coação acontecem poucas semanas após os militantes do PT terem sido expulsos do Bloco de Lutas, após terem realizado diversas manobras dentro do movimento para desviar o foco das ações contra o governo de Tarso Genro, frear e greve da educação, entre outras. Ao contrário do que ocorreu meses atrás, as ações do governo agora não focaram apenas em uma organização, mas em diversos setores envolvidos no Bloco de Lutas e demais movimentos. Para ser criminalizado, basta ser contra as políticas do governo e estar envolvido em um movimento social.

Cabe lembrar que é a base de apoio do Governo Federal, que aqui no Rio de Janeiro, comandadas pelo governo de Sérgio Cabral e Eduardo Paes (ambos do PMDB) com seu fiel instrumento de defesa da ordem, a Polícia Militar do Rio de Janeiro violentou os trabalhadores e trabalhadoras da educação nos últimos dias. O governo do Partido dos “Trabalhadores” apoiado pelos setores conservadores e reacionários da sociedade, contrários a organização popular e a ação coletiva dos movimentos populares, continua a reprimir todos os lutadores e lutadoras.

Nós, anarquistas organizados na Federação Anarquista do Rio de Janeiro, integrante da Coordenação Anarquista Brasileira prestamos nossa solidariedade aos companheiros e companheiras do Rio Grande do Sul. Permaneceremos firmes na luta. E vamos continuar fazendo o que sempre fizemos, atuando nas bases e levando nossa indignação popular às ruas!

Lutar não é crime!

Federação Anarquista do Rio de Janeiro – Integrante da Coordenação Anarquista Brasileira

[FAG] NÃO SE INTIMIDAR, NÃO DESMOBILIZAR. RODEAR DE SOLIDARIEDADE OS QUE LUTAM!

Retirado de: http://batalhadavarzea.blogspot.com.br/2013/10/nao-se-intimidar-nao-desmobilizar.html

Nota pública da FAG sobre a caça as bruxas do dia 01 de outubro em Porto Alegre – RS
A grande operação que a polícia civil desatou ontem, atingindo diversos companheiros e organizações de esquerda que militam em torno do Bloco de Lutas aponta a necessidade da solidariedade como uma tarefa de urgência.
Nesse momento urge encararmos a questão no seu devido conjunto. Não se tratou de uma repressão dirigida especificamente a uma organização, mas sim um golpe contra toda militância de esquerda. O momento é de tomarmos a solidariedade para com todos os companheiros e organizações perseguidas como um dever que esteja acima de vinculações ideológicas e organizativas, não caindo na mesquinharia de titubear a solidariedade em função de preferências políticas.
Após todo esse sórdido operativo, Tarso teve a frieza e a cara de pau para divulgar um depoimento onde faz questão de defender o mega operativo, frisando que o mesmo se deu respeitando todos os marcos do “Estado democrático de direito”. Omite todo um roteiro de invasões em residências e locais como o Moinho Negro, Utopia e Luta, Ateneu Libertário, invadido pela segunda vez em menos de 4 meses. Tarso cita os casos dos companheiros do PSOL e PSTU e convida os dirigentes dos partidos para uma audiência com o objetivo de relatarem o ocorrido.
O convite de Tarso entra como a proposta de um jogo cretino, pois o que busca em realidade é arbitrar, a revelia de um movimento popular, quem são seus interlocutores, além de pressionar para a colaboração. Isso fica claro quando, ao negligenciar o restante do operativo afirma não acreditar que “atos criminosos” sejam praticados por “militantes políticos”, logo já apresenta a fatura aos demais companheiros e organizações atingidas. Nada disso é novidade, no mês de junho, quando tivemos nossa sede invadida, através de um artifício ilegal (até hoje não temos conhecimento do mandato judicial), o mesmo Tarso foi a imprensa para chamar-nos de fascistas e reivindicar que estes partidos revissem sua política de alianças nos movimentos sociais.
Por fim, chamamos atenção para o grave caso dos 03 companheiros professores arbitrariamente presos no último ato do Bloco de Lutas que foram indiciados no dia de hoje. Estes 03 companheiros foram abordados por um ônibus da Brigada e presos logo em seguida enquanto se dirigiam a uma lancheria na Cidade Baixo após o término do ato. A isca para abordá-los foi que um destes companheiros carregava uma bandeira do CPERS-Sindicato.
A prisão destes companheiros logo revelou uma meticulosa operação policial que tinha como intuito caçar aleatoriamente manifestantes ao final do ato, de forma a efetuar prisões e plantar “flagrantes” de forma a apresentá-los como bodes expiatórios por casos de depredações. Sem provas, resumindo tudo ao depoimento de brigadianos não identificados, os companheiros foram acusados de depredação de patrimônio público, crime ambiental por pichação em patrimônio tombado e agressão a brigadianos. O grande objetivo da operação era encaminhar os companheiros ao presídio central dada o valor exorbitante da multa/chantagem que se aplicou: R$4 mil para cada em espécie.
Enquanto a polícia civil respeitando o “Estado democrático de direito” invadia residências de companheiros e locais de organizações, o delegado Paulo César Jardim, responsável pela “investigação” das prisões do último ato, concluía sua nobre tarefa.
Curioso é o fato que o mesmo Jardim é também o delegado responsável pela investigação dos grupos neo-nazistas que atuam impunemente no Estado, mais especificamente em Porto Alegre e na Serra Gaúcha, realizando inúmeros ataques, especialmente de ordem homofóbica e racista. Nunca vimos tamanha agilidade deste “grande investigador”, para autuar esses verdadeiros criminosos e tampouco medidas efetivas por parte do governo Tarso/PT nesse sentido.
É hora de levar o abraço solidário a todos e todas que lutam para que o protesto social não se envergue ao poder e resista a fuzilaria reacionária dos monopólios da mídia. Mobilizar uma frente comum de todo o campo da independência de classe para romper o cerco repressivo e impedir a criminalização dos movimentos sociais.
Contra o medo e a repressão. Luta e Organização!
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ATENEU LIBERTÁRIO É INVADIDO PELA POLÍCIA PELA 2 VEZ EM MENOS DE 4 MESES

Na tarde desta última terça-feira, 1 de outubro de 2013, o Ateneu Libertário A Batalha da Várzea que faz local político-social para a Federação Anarquista Gaúcha foi invadido pelas forças repressivas do governo Tarso do PT pela segunda vez. A porta da sede foi arrombada e teve suas dependências e equipamentos revirados. Por cima de uma mesa foi deixado um bilhete que dizia: “passei por aqui e a porta estava aberta. Gostaria de participar da FAG.”
A terça-feira amanheceu com uma forte operação repressiva desatada pelo governo estadual e a justiça sobre militantes do Bloco de Lutas e organizações de esquerda. Invasão de residências particulares, locais públicos de esquerda e campanas sobre companheiros/as foram levados a cabo durante todo o dia. Falam-se de mais de 70 mandatos judiciais de busca e apreensão ainda por serem executados. Na última quinta-feira, quando da dispersão do ato público do Bloco de Lutas cinco companheiros foram detidos e incriminados.
O governo Tarso quer calar o protesto social que foge do seu controle, que não se engana com seus malabarismos retóricos e nem se amansa com expedientes repressivos.

Não ta morto quem peleia!

[FAG] Invasão policial do Ateneu Libertário e uma justiça ao gosto da Yeda

Em 20 de setembro deste ano completaram-se três meses da operação repressiva do governo tarso sobre nossa organização. Entre 15:30 e 16hs daquela sinistra quinta-feira a polícia civil arrombou o local do Ateneu Libertário A Batalha da Várzea, sem identificação e se fazendo passar por “federais”. Levaram livros e materiais para produção de faixas e cartazes. O apoio jurídico do Bloco de Lutas, que desde a primeira hora esteve solidário conosco, até nossos dias não achou nem sombra de um mandato judicial pra tal atropelo. Desde aqueles protestos de massa que ganharam as ruas de Porto Alegre a partir de abril já se vão mais de 70 processos de indiciamentos que correm em segredo. Não temos dúvidas de que a invasão de nosso local público foi parte de esquema pra criminalizar lutadores sociais e criar espantalhos pra desencorajar a luta contra os patrões e a burocracia por um transporte coletivo público, pelo direito a cidade pra juventude e os trabalhadores.
O Ateneu é um centro de cultura social que já leva mais de três anos de atividade, que promove debates políticos diversos, vídeos, cantores populares, grupos de estudo sobre socialismo e a corrente libertária, serviços de biblioteca, projetos de apoio a reforma agrária, solidariedade as lutas sindicais e populares da cidade, um longo etc.. É um espaço político-social de matriz libertária que tem impulso da Federação Anarquista Gaúcha, mas onde se reúnem e participam companheiros de distintos graus de afinidade. Ao longo dos protestos convocados pelo Bloco de Lutas pelo Transporte Público os companheiros/as do Ateneu se engajaram na primeira linha e aportaram desde o princípio do ano na formação deste movimento social. Nosso endereço público e notório na Travessa dos Venezianos foi lugar de debates e de produção de materiais de propaganda, faixas e cartazes.
De que delito nos acusava a cúpula de segurança do estado: delito de pensamento ou opinião? Que substâncias explosivas acharam: gás de cozinha pra esquentar a aguá pro chimarrão, material pra fazer o grude dos cartazes ou limpar os pincéis de tinta? O chefe da Polícia Civil do RS declarou triunfante durante a coletiva de imprensa do dia 21 de junho que havia sido encontrada em um local suspeito a confirmação de suas investigações: “vasta literatura anarquista”. A provocação foi longe a ponto de apreender livros da biblioteca e levar o fichário de sócios. Uma parte dos materiais roubados foram devolvidos em circunstâncias muito duvidosas, depois de nossa agitação e da solidariedade de companheiros e organizações sindicais, populares e de esquerda do mundo inteiro.
Com ordens do governo Tarso a polícia vandalizou o lugar público de uma organização de esquerda. Repetiram os expedientes da direita conservadora que haviam sido consagrados pela administração tucana da Yeda.
Em 29 de outubro de 2009 a sede da FAG, que então tinha endereço em outro local, foi invadida por forças da polícia civil, com mandados de busca e apreensão de equipamentos e materiais de agitação política. 6 companheiros foram processados por crime de calúnia e difamação a mando da então chefe do governo do estado. O detonante de tal medida: a campanha solidária com a luta dos Sem Terra em São Gabriel e a acusação da responsabilidade do governo pelo assassinato de Eltom Brum, com um tiro pelas costas da polícia durante despejo de uma ocupação.
Na segunda semana de setembro deste ano companheiros foram notificados pelo oficial de justiça sobre a sentença de pena de 8 meses de detenção revertidas em serviços comunitários pelo processo movido pela ex-governadora.
Protesto não é crime! O protesto não se cala! Basta de processos aos lutadores/as sociais.
Contra o medo e a opressão: Luta e Organização.

[FAG] Nota em Resposta e de Repúdio à Zero Hora

Retirado de : http://anarkismo.net/article/22145

Nós da Federação Anarquista Gaúcha viemos a público em resposta a matéria veiculada no jornal Zero Hora de 29/02 sobre a luta pela revogação do aumento das passagens em Porto Alegre.

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Nós da Federação Anarquista Gaúcha viemos a público em resposta a matéria veiculada no jornal Zero Hora de 29/02 sobre a luta pela revogação do aumento das passagens em Porto Alegre. Enquanto participantes, em conjunto com outros coletivos, grupos, entidades sindicais e indivíduos, do movimento que vem se desenvolvendo desde o início de fevereiro, não podemos deixar passar mais uma tentativa de criminalização e difamação do protesto popular por parte deste veículo de “comunicação” do oligopólio da família Sirotsky, sustentado sobre mentiras e inúmeras confusões.

A matéria da ZH joga sujo ao aproveitar-se da participação de alguns partidos políticos no Bloco de Luta por um Transporte Público para associar a luta pela revogação do aumento das passagens com os interesses eleitoreiros de partidos como Psol e Pstu. O que a Zero Hora faz é tentar deslegitimar uma luta que vem sendo construída de forma independente, auto-organizada e unitária ao associar esta a uma suposta “ambição eleitoral dos partidos de extrema esquerda”. As diversas manifestações, desde seu início, tiveram em seu horizonte a revogação do aumento das passagens e a luta por outro modelo de transporte, de fato público, questionando mais um roubo à população de porto alegre por parte das empresas privadas de transporte e do poder “público” municipal.

Outra falácia desse veículo de comunicação da elite gaúcha é questionar a afirmação do movimento de que este não teria líderes ao afirmar que o militante do Movimento Juntos, vinculado ao Psol, Rodolfo Mohr, se destacaria como uma das principais figuras do movimento. Rodolfo Mohr, desde seu início foi apenas mais um participante do Bloco de Luta (e não Comitê tal como fala a ZH) e nunca foi autorizado a se colocar como porta-voz, representante ou dirigente das manifestações. Mais uma vez a tentativa é de associar a construção que até então vem de forma horizontal, coletiva e independente à figura de um dirigente partidário e consequentemente a agenda eleitoral de um ou outro partido. O Bloco de Luta por um Transporte Público não tem dirigentes, sejam estes de partido ou sem partido; possui definições coletivas que nos dão a direção a seguir.

O Bloco de Luta por um Transporte Público foi e continua sendo um movimento aberto à estudantes, trabalhadores, desempregados, sindicalistas, militantes ou não, partidários ou não que tem como objetivo único a revogação do aumento da passagem de Porto Alegre e a ampliação do debate sobre um outro modelo de transporte na cidade, público, gratuito e de qualidade. Nenhum partido ou sindicato está por detrás ou à frente do movimento, pois são apenas participantes subordinados às decisões coletivas das assembléias, assim como todos os demais.

A Federação Anarquista Gaúcha, organização política anarquista, por defender a independência e autonomia do Bloco de Luta pelo Transporte Público, denuncia o oportunismo da Zero Hora e sua tentativa de criminalização da luta, sua má fé tratar o movimento como sendo uma articulação partidária com interesses eleitorais e por cumprir o único papel que é o de fazer parte da estrutura de dominação desinformando e mentindo ao povo.

Seguiremos lutando e denunciando mais um ataque aos que ousam se levantar!
Pela revogação do aumento das passagens, pelo passe livre e na defesa de um transporte público e de qualidade!
Pela força das ruas e com o protagonismo popular, venceremos!

Federação Anarquista Gaúcha

 

[FAG] Revogar o aumento das passagens pela Força das Ruas!

Retirado de: http://www.vermelhoenegro.co.cc/2012/02/revogar-o-aumento-das-passagens-pela.html

Já foram 5 atos de rua contra o aumento das passagens e pela sua revogação em Porto Alegre: trancando as vias de circulação e os terminais de ônibus, cantando palavras de ordem e fazendo batucada, panfleteando o porquê de nossa mobilização, escrachando a prefeitura municipal com uma chuva de fruta podre e afirmando na rua que não vamos deixar passar mais um roubo contra nós. A militância estudantil da FAG, ombro a ombro com companheiros(as) da Tendência Estudantil Resistência Popular e outros setores do movimento estudantil, sindical e popular, vem participando das mobilizações de rua e na sua construção, pois apostamos na ação direta e no protagonismo estudantil e popular como as únicas formas de arrancar direitos e de avançar na construção de um povo forte.

O aumento municipal das passagens de Porto Alegre foi aprovado pelo Comtu (Conselho Municipal dos Transportes Urbanos) no início de fevereiro para o valor de R$ 2,88 e por decisão do prefeito José Fortunati foi de R$ 2,70 para R$ 2,85, um reajuste de 5,56%. Desde então vem se construindo atos unitários, marcando presença na rua, exigindo a revogação do aumento e denunciando o lucro das empresas privadas do transporte da cidade com a cumplicidade do poder “público” e sob a desculpa de que os reajustes servem para garantir a qualidade dos serviços prestados e compensar os reajustes salariais dos trabalhadores do transporte “público”. Sabemos que essa luta contra o aumento das passagens, assim como toda a discussão e luta em defesa do transporte público, pela acessibilidade urbana e pelo passe livre não vai ser feito através dos mecanismos oferecidos pela democracia burguesa, através da política profissional e da burocracia municipal e sim através da organização independente daqueles que são cotidianamente afetados pelos aumentos abusivos e pela má qualidade do transporte.Garantir a independência do movimento que vem se constituindo e que ainda continuará dando combate nas ruas; assegurar a participação dos diferentes setores do povo no debate e na construção das mobilizações pela revogação do aumento das passagens e em defesa de um transporte público, de qualidade e não a serviço do mercado e das empresas capitalistas; defender a ação direta como um estilo militante capaz de garantir o protagonismo popular e se contrapor à política e aos políticos e militantes profissionais que se colocam como os únicos capazes de tomar todas as decisões; enfim, forjar na luta um povo forte que arranque mudanças e tome às rédeas de seu próprio destino. É em torno desses objetivos que nos organizamos, no dia a dia e ao lado dos companheiros (as) libertários (as) e de outros setores, para que nesta segunda-feira (27) retomemos o trabalho de base e a mobilização nas escolas de ensino médio para os atos de rua.

Avançar na mobilização e organização popular!
Forjar na luta um povo forte!
Pela força das ruas estamos juntos(as) para barrar esse roubo contra o povo!Federação Anarquista Gaucha