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[CAB] 1º DE MAIO: NENHUM DIREITO A MENOS!

Retirado de: https://anarquismo.noblogs.org/?p=145

A DIREITA DAS RUAS E A DIREITA DO GOVERNO: mais um ataque aos trabalhadores e trabalhadoras

São muitas as formas que a burguesia vem criando para aumentar seus lucros e seu controle sobre os trabalhadores, trabalhadoras, suas lutas e suas organizações. Desde meados da década de 1970 os opressores veem atacando sindicatos, direitos trabalhistas e sociais através dos ajustes decorrentes da reestruturação produtiva na esfera econômica e das políticas neoliberais na esfera política da sociedade. Sabemos que os direitos que adquirimos com as lutas sindicais do início do século XX nunca foram estendidos a toda a população, mas agora nossas conquistas são retiradas na marra. Privatizações, precarizações, terceirização e informalidade a despeito da necessidade de regulamentar as relações de trabalho são facetas de uma mesma moeda: a ofensiva burguesa e do Estado contra a classe trabalhadora. Ganham dinheiro nos explorando na labuta diária, controlando fundos de pensão, sindicatos e o acesso aos serviços básicos como saúde, educação, saneamento, transporte, abastecimento de água e energia elétrica. Assim o que está em curso no Brasil com a possível aprovação da PL 4330 é um grande golpe ao direito dos trabalhadores e trabalhadoras. Por isso o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), e parte significativa da base aliada do governo do Partido dos Trabalhadores (PT) colocou em toque de caixa a votação da PL 4330, com a devida colaboração da Força Sindical e dos partidos de “oposição”, como DEM e o Solidariedade.

Essa alteração nas leis trabalhistas, por sinal, inconstitucional e que altera as leis de trabalho vigentes, vai abrir a porta para a terceirização das relações de trabalho no país. A terceirização é uma forma neoliberal que os capitalistas encontraram para domesticar e precarizar os direitos dos trabalhadores. Trabalhadores terceirizados dificilmente conseguem pressionar as empresas para cumprir os direitos instituídos e podem ser demitidos com mais facilidade pelos patrões. Os trabalhadores terceirizados trabalham em média mais 3 horas por semana que os não terceirizados. Além disso, de cada 5 trabalhadores que morrem no trabalho, 4 são terceirizados e os terceirizados recebem 27% menos que os de carteira assinada.

Com esta maldita PL 4330 (Projeto de Lei) as “atividades fins” de cada empresa poderão também ser terceirizadas. Se até este momento só “atividades meio”, como limpeza, alimentação e segurança, poderiam ser repassadas para outras empresas, agora as “atividades fins” podem ser contratadas. Um exemplo, se antes somente a limpeza e a segurança do Banco do Brasil poderiam ser terceirizados, agora também a atividade bancária, isto é, os próprios bancários podem ser contratados por uma empresa terceirizada, ganhando menos, sem nenhuma relação de trabalho que dê estabilidade e segurança, ainda mais expostos ao assédio, a exploração e com menos direitos constituídos.

Assim, essa nova PL abre as portas para formalizar liberalização das relações de trabalho no país. Na verdade as empresas sempre desrespeitam parte das leis trabalhistas. O que acontecerá agora é a institucionalização e ampliação da precarização do trabalho que vai atingir cada vez mais trabalhadores, incluindo todos os que hoje se encontram assegurados. Por isso se a PL 4330 for aprovada um retrocesso incomensurável será concretizado contra a classe trabalhadora.

A direita que marcha nas ruas… e a direita que está no poder

Um dos líderes das manifestações de direita e extrema-direita que ocorreram no dia 15, faz parte de uma organização que propõe entre outras coisas, a flexibilização total das leis trabalhistas no país. Quem diria, que apesar das massivas manifestações nas ruas, organizadas por setores conservadores, o movimento decisivo de retirada dos direitos dos trabalhadores viria da base aliada do governo do PT. Dizem seus defensores que é uma medida que visa dar segurança jurídica para empregadores e empregados, dentro de um universo de 12 milhões de pessoas. Dizem estes que dilapidam nossas conquistas e capacidade de mobilização que é para estender os direitos trabalhistas constituídos a este universo de terceirizados no Brasil. Quanta hipocrisia!

Como já afirmado em outros comunicados, os ajustes fiscais neoliberais de Joaquim Levy, a repressão às lutas sociais, a política de militarização implementada tocada pelo PT nas favelas (UPP’s e exército), o congresso totalmente conservador, a expansão do plano IIRSA no Brasil e o menor índice de famílias assentadas na história da reforma agrária no país indicam que o programa da direita já está no poder. Seu trabalho agora é apenas acabar de reorganizar um novo ciclo de sua hegemonia dentro do Estado. O ciclo do PT e as ilusões de mudanças estruturais por dentro do Estado chegou ao m. O PT, partido que nasce de movimentos sociais e mobilizações sindicais com uma proposta de fazer as mudanças pela via eleitoral é a prova definitiva de como a estratégia de mudança por dentro do Estado é completamente equivocada.

Oposição ao governo só existe fora do governo

Enquanto isso as centrais sindicais e entidades ligadas ao governo (CUT, CTB, UNE etc) zeram um ato nacional em defesa dos direitos, a favor da reforma política e em defesa da Petrobrás. A CUT é a maior central sindical do país. Apesar disso, sua capacidade de mobilização é cada vez menor. Isso porque a CUT, é uma central sindical completamente burocratizada, atrelada ao governo e com dificuldade de renovação de seus quadros. O atrelamento da CUT ao governo fez com que esta central (que é a maior do país) não causasse nenhum tipo de incômodo a classe dominante.

O poder popular como resposta: Reconstruir as alternativas radicais

O ciclo do PT causou um estrago nas leiras da organização da classe trabalhadora. De partido que supostamente realizaria a mudança, o PT tornou-se agente e cúmplice dos piores ataques que a classe trabalhadora sofreu nos últimos anos. O PT é a prova de que se desejamos construir uma alternativa classista e de luta devemos reorganizar-nos com independência do governo, de partidos e empresas.

Temos que fortalecer a organização dos trabalhadores e das trabalhadoras, temos que exercitar a solidariedade de classe e o apoio mútuo. Não podemos permitir que a burguesia e o Estado nos fracione e estabeleça a competição e o individualismo como norma nas relações sociais. A resposta para defender os direitos dos trabalhadores é realizar uma transformação social signicativa, desde baixo e a esquerda, organizando as trabalhadoras e os trabalhadores nos bairros, nos espaços de moradia, produção e estudo. Precisamos fortalecer os movimentos sociais autônomos no campo e na cidade, garantindo que a luta seja construída de maneira combativa e com independência de classe, sem seguir os rumos de cooptação e colaboração de classe vistos na trajetória petista.

Por tudo que foi exposto acima defendemos a abertura de concursos imediata nos serviços públicos contra a farra das contratações, a revogação imediata deste projeto de lei, o m das terceirizações, com a imediata recriação das carreiras que hoje se encontram terceirizadas e em situação de precariedade e a liberdade de organização sindical para todos que vivem do seu próprio trabalho.

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É criando focos de resistência que avançamos na luta!

[CABN – Joinville] Sarau 1º de Maio

Retirado de: http://www.cabn.libertar.org/joinville-sarau-1o-de-maio/

O 1º de maio é uma data histórica importante na luta da classe oprimida, é o único feriado que representa o sangue e o suor de homens e mulheres que lutaram e lutam pela emancipação dos/as oprimidos/as.

Em Joinville, as empresas de comunicação, como os canais de televisão e os jornais, consideram o 1º de maio como um dia para cultuar o trabalho, não a luta e organização dos/as oprimidos/as. Os sindicatos burocratizados e pelegos sorteiam brindes e retiram toda pauta de reivindicação do dia. Todas estas medidas tentam enganar o povo em luta.

O Coletivo Anarquista Bandeira Negra realiza o Sarau 1º de Maio com intuito de combater as ações e mentiras do capitalismo e do Estado. Por isso, convidamos os companheiros e as companheiras que lutam ombro a ombro contra as opressões para trazer a sua manifestação artística, como música, contação de história e poesia. Além da arte, o evento será um momento para lembrarmos os nossos irmãos e as nossas irmãs que tombaram na luta de resistência ao capital.

Companheiros e companheiras, convidamos para participar do evento como público, mas também trazer uma torta doce ou salgada para compartilhar na mesa solidária. E, caso você tenha um poema ou arte na gaveta, traga a sua manifestação de luta por meio da arte.

A atividade acontece no dia 1º de maio, às 17h, no Centro de Direitos Humanos de Joinville “Maria da Graça Bráz”, rua Plácido Olímpio de Oliveira, 660, Bucarein.

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O Coletivo Anarquista Luta de Classe está fazendo uma promoção especial no mês de setembro! Todos os livros e DVDs estão com descontos a partir de 40%!

CURITIBA: de 9 a 11 de setembro, de terça à quinta, estaremos vendendo os livros e DVDs na Reitoria da UFPR nos períodos da manhã e tarde!

Outras cidades do Paraná: envie e-mail para coletivodeclasse@riseup.net, contatar pelo Facebook https://www.facebook.com/anarquismopr?ref=hl ou aqui mesmo pelo site.

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[FARJ] Libera #162

Retirado de: http://anarquismorj.wordpress.com/2014/09/03/libera-162/

Acabou de ser impresso o exemplar mais recente do Libera, nosso jornal. O Libera #162, referentes aos meses de abril, maio e junho tem como editorial um texto sobre os legados da Copa do Mundo e das lutas populares. Além disso, há textos sobre atividade de muralismo feita pelo Movimento de Organização de Base no Morro dos Macacos, reflexão sobre o Dia do Trabalhador e da Trabalhadora feita numa atividade em Campos dos Goytacazes pelo Círculo de Cultura Camponesa Girassol, mobilizações em Montevidéu, luta estudantil na UENF, uma entrevista com a Federação Anarquista Uruguaia sobre eleições, informe da morte de Esther Redes e poesias.

Você pode conseguir o Libera fisicamente com nossos militantes e apoiadores e na Biblioteca Social Fábio Luz. Caso deseje receber um número grande para distribuir, entre em contato conosco.

O Libera #162 pode ser baixado aqui ou clicando na figura abaixo.

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[Uruguai] Comunicado público da Coluna Cerro-Teja a respeito do último 1º de Maio em Montevidéu

Retirado de: https://www.facebook.com/FederacaoAnarquistaGaucha?fref=ts

Difundimos a tradução do comunicado público da Coluna Cerro-Teja a respeito do último 1º de Maio em Montevidéu, ocasião que a Coluna queimou um boneco de policial em protesto contra a repressão nos bairros e o projeto de lei de redução da maioridade penal. Em função da ação, companheiros estão sendo intimados a depor judicialmente.
Toda solidariedade a Coluna Cerro-Teja.
Contra a repressão policial nos bairros e a redução da maioridade penal, aqui, no Uruguai e em qualquer canto do mundo!
Não ta morto quem peleia!
Federação Anarquista Gaúcha – FAG

Montevideo, 3 de maio de 2014.-

À Opinião Pública:

Por ocasião da queima de bonecos no 1º de Maio nossa Coluna tem sido mencionada e atacada em meios de comunicação e em declarações de representantes do governo. Nos vemos na obrigação de responder e esclarecer algumas questões.

A Coluna Cerro Teja marcha de forma interrupta em direção ao ato do 1° Maio convocado pela central dos trabalhadores há 31 anos.

Foi durante o ano de 1983 que trabalhadores nossos queridos bairros Cerro e La Teja, tomaram as ruas ainda na ditadura, exigindo liberdade para os presos políticos, denunciando o desaparecimento de lutadores sociais, o desaparecimento de crianças pela ditadura militar e repudiavam o regime então existente.

Desde então nossa Coluna tem se manifestado em reiteradas ocasiões sobre problemas que tocam a classe trabalhadora e nosso povo no marco da comemoração do 1° de Maio. Durante todo esse tempo estiveram participando da mesma um conjunto de sindicatos e organizações sociais. Nomearemos por hora algumas daquelas que nos traz a nossa memória com maior facilidade, sabemos que provavelmente algumas ficam no caminho…

Operários da COLAGEL, FOICA (Federação dos Operários da Indústria Frigorífica), ADEMU (Sindicato de Docentes), ADES (Sindicato de Profesores), FANCAP (Sindicato de ANCAP – Petroleiros), STIQ (sindicato dos Quimicos), UNTMRA(sindicato Metalúrgico), SUATT (Sindicato dos Taxistas), UTAA(Sindicato dos trabalhadores do corte de cana de açúcar de Bella Unión), SUNMA (Trabalhadores da Pesca), FFOSE (sindicato dos trabalhadores da OSE – Obras Sanitárias do Estado), UNOTT (Trabalhadores do Transporte), SAG (Sindicato dos Operários Gráficos), Mães e Familiares de Presos e Desaparecidos, Obreros de Niboplast(fábrica recuperada pelos trabajadores –ramo plástico), Plenaria Memoria y Justicia, Coordinadora de Estudiantes, CEIPA (Gremio dos estudantes do IPA), Gremio do liceo 11, Gremio do liceo 61, Gremio do liceo Bauzá, AFUTU (Sindicato dos Trabalhadores da UTU – Universidade Técnica do Uruguai), PROMOPEZ (indúsdria pesqueira), FUCVAM (Federação Uruguaia de Cooperativas de Moradia por Ajuda Mútua), ADEOM (Associação de Empregados e Operários Municipais), COVITEA (Cooperativa de moradia de la Teja), _COVIDE (Cooperativa de moradia do CERRO, UN LUGAR EN EL MUNDO (Cooperativa de moradia do Cerro), COVICENOVA(Cooperativa de moradia do Cerro), Movimiento de Moradores en contra o Chumbo e pela Vida, EL PUENTE FM (Radio Comunitaria de LA Teja), DE LA VILLA FM (Radio Comunitaria del Cerro), EN CONSTRUCCIÓN (Radio Comunitaria de Santa Catalina), LA KLASISTA (Radio Comunitaria de la Aguada), Bazar de trocas de Santa Catalina, Bazar de Trocas “Casa de la Amistad”, Bazar de Trocas “Santa Romero”, Refeitório Infantil do Cerro, Ateneo del Cerro, Ateneo Carlos Molina (La Teja), Ateneo Germinal (Villa Colón e Lezica), Ateneo Pocho Ríos(Santa Catalina), Movimiento de Moradores contra o Porto Militar do Cerro, Comissão em defensa da Agua e da Vida, Movimiento de Moradores contra impunidade, Comissão nacional contra a Impunidade, Comissão de defesa da educação pública, comissão de defesa de ANCAP.

Nossa marcha tem se mantido ano após ano encabeçada por distintos sindicatos em conflito, pela denúncia de distintas problemáticas sociais que afligem nossos bairros e o conjunto de nosso povo. Também, ano após ano várias quadras de moradores destes bairros operários, que conhecem o sacrifício e a luta tem marcado presença.

Aqui também nomearemos rapidamente algumas das pautas encabeçadas pela Coluna nestes 31 anos.

Apoio a sindicatos em conflito, pronunciamento e participação em Todos os plebiscitos populares, participação ativa e sustentada em todos os temas relacionados com a violação dos Direitos Humanos, a liberdade de expressão, rechaço à invasão norte-americana do Irak, entre outras.

Neste ano, como já mencionamos acima, a nossa Coluna esteve pautada por um tema demasiadamente sensível e preocupante para nossos bairros. Estamos nos referindo a violência e abuso policial que se vivencia de forma cotidiana nos bairros denominados de periferia. As qualificadas, com teor de discriminação social, zonas “vermelhas”.
Não é uma problemática nova, mas nestes últimos anos tem aumentado e estes casos tem sido de público conhecimento. Sem dúvida que o assassinado do jovem Sergio em Santa Catalina é uma exemplo, mas queremos dizer que este repugnante acontecimento não é, como se busca transparecer um caso isolado, afinal de contas há um responsável direto que o executou, mas tudo o que envolveu o operativo em seu conjunto, o espancamento aos familiares, a moradores em pleno Posto de Saúde do Cerro, toda a manipulação de provas no local do assassinato, os episódios anteriores de abuso contra jovens do bairro, com ameaças, agressões, detenções, perseguições não foram levadas não foram levadas em conta na ocasião do assassinato de Sergio. Situações não muito distintas rodearam os assassinatos policiais de Santiago Yerle e Guillermo Machado.

Podíamos destinas páginas inteiras referindo-nos a casos cotidianos de prepotência policial a que nossos bairros enfrentam cotidianamente. Essa situação é conhecimento de todos, sabem muito bem disso não só nós que vivenciamos, sabem muito bem todos os políticos, todos os ministros, meios de comunicação, etc.

Agora a investida pela redução da maioridade penal que repudiamos e a queima simbólica de um boneco. A mensagem é clara, é política, é também uma linguagem. Estamos ante uma política repressiva e seu braço executor contra infância e a juventude, a ânsia por aprisionar os que são quase crianças. Esse é o fato que simbolicamente repudiou e buscou pautar a Coluna. “Nossos guris não vão para as prisões, o melhor de nosso povo não dará nenhum voto pela redução da maioridade penal” manifestaram textualmente desde a tribuna do PIT-CNT. O Cerro e la Teja tampouco darão voto algum à redução.

Mas que não se equivoquem os sindicatos policiais, eles não são nossos companheiros, tampouco os consideramos trabalhadores. Sua função, dado o posto que ocupam na estrutura do sistema, é de repressão, de golpear e reprimir o povo sempre que o exijam. Sua instituição está educada, disciplinada, infestada de valores para garantir a tarefa de zelar pelos interesses dos ricos e poderosos, dos donos deste sistema. A ordem que lhes interessa que seja zelada a cassetadas e tiros é a de suas propriedades e de seu poder.

Esses bens e poder mais os mecanismos que os sustentam. Estes que volta e meia são questionados por aqueles que se cansam das injustiças e é quando vocês saem a intervir. Os temos visto ao longo de toda história, aqui nestes bairros, espancando e arrastando pelos cabelos, algemando, estrangulando e espancando as pessoas no chão nos estádios de futebol, aos trabalhadores frigoríficos constantemente. Para mencionarmos apenas alguns casos, o paralelo 38[1] e mais recentemente o massacre do filtro[2]. Sem contar os espancamentos a estudantes em inúmeras ocasiões, em alguns casos a estudantes, pais e professores como fizeram no Liceo 70 mais recentemente. Pelo visto ali também havia delinquentes que exigiam um banheiro para seus filhos. Mais recentemente presenciamos a polícia tomando conta de todo o bairro em uma patrulha que atropelou uma criança. Foram os vizinhos que tiveram de socorrer a criança enquanto os policiais eram atendidos primeiramente pelos médicos. O repúdio dos vizinhos se transformou nisso que agora chamam perversamente de delinqüência: fecharam a ponte do Pantanoso queimando pneus, marcharam à delegacia e fizeram diversas manifestações em nosso bairro. Não senhores, vocês não são nossos companheiros, se fizessem um consulta sindical que transcendesse os “dirigentes” burocratas, vocês não estariam em nosso PIT-CNT. Chegará a hora em que as coisas terão seu devido lugar.

Uma ideología do sistema para esta etapa é elevar a primeiro plano, sobredimencionar, o tema da segurança. Os meios de comunicação criam o ambiente para dar-lhe a dimensão que necessitam, recheando com horror e sangue o revestem adequadamente para que o medo se encarreguem do restante. Por que este tema esta pautado em nosso país da mesma forma que nos demais? Que coincidência, não? O chamado neo-liberalismo semeou o mundo de miséria, raiva, desesperança. Organizou esta etapa para que cada vez uma minoría tenha mais e para que a maioria tenha cada vez menos. Uma das respostas às rebeldias e descontentos que surgem e seguirão surgindo é a montagem de dispositivos ideológicos como o chamado: Segurança. Não falam de outra segurança que a deles.

Para os de baixo se expressa no que temos visto. O aumento da tecnificação da repressão, ao inundar as ruas de policiais em nossos bairros, o endurecimento das penas para os jovens, abrir prisões e abarrotá-las. Sabe-se muito bem e experiências nos sobram em tal sentido, que não é por ai que se vai solucionar a conjuntural problemática social que padecemos. Isso sem pautarmos o problema de fundo que é o mais transcendente.

O que aquí se busca é calar as legítimas denúncias, reclamações, reivindicações. Criar espantalhos em direção aos descontentos e rebeldias. Judicializar e criminalizar o protesto. Ficou muito claro que isso não passa para aqueles que assassinaram, seqüestraram, torturaram e violaram e que seguem contando com impunidade que quase todos cobrem e amparam. Que quando surge uma juíza como Motta que busca unicamente investigar rapidamente a retiram de seu posto, encaminhando-a aos últimos rincões. Isso sim, processos para aqueles que protestam pela tamanha artimanha da corte. Impunidades e prisões de luxo. Mas outras impunidades estão sendo somadas e não dizem outra coisa se não como tudo isso funciona.

O Sr. Ministro do Interior, Bonomi afirmou que somos delinqüentes. Velha novidade para nós! Assim o sistema e seus personagens catalogaram a todos os lutadores sociais através dos tempos. Classificaram assim, recentemente, a Jose Gervasio Artigas que também era um bandido; classificaram também estes Mártires de Chicago que nestes dias recordamos que eram delinqüentes e outras coisas. Também lhe recordamos que coisas parecidas disseram a Raúl Sendic e Pocho Mechoso, lutadores que são uma referência e exemplo para todos os que lutam. E poderíamos seguir. Sim, somos destes delinqüentes, claro que sim, e inclusive conseqüentes. Seremos destes delinqüentes enquanto haja opressão, injustiça, desigualdade. Prometemos nos portar bem quando haja um ambiente de liberdade, solidariedade, novos valores e a civilização existente esteja a serviço de todos os seres humanos.

Contra toda Impunidade, por Moradia, Saúde, Educação e Trabalho para nossos jovens.
Basta de repressão em nossos bairros.
No a redução da maioridade penal
Porque nosso 1° de maio é sempre um dia de luta, classista e combativo.

Columna Cerro-Teja

[1] Se refere as massivas greves dos “gremios solidários” que pararam o Uruguai nos anos 1951 e 1952. Na ocasião os bairros Cerro e La Teja foram sitiados pelas forças policiais e militares em função de ser nestes bairros operários onde a luta se desenvolvia com maior vigor e combatividade. Em função desse cerco, que isolava estes bairros do restante de Montevidéu, a região passou a ser chamada de “paralelo 38”, em alusão a linha divisória entre a Coreia do Norte e do Sul durante a Guerra da Coreia (1950-1953). [Nota da tradução.]

[2] O episódio conhecido como “masacre del Hospital Filtro” ocorreu na noite de 24 de Agosto de 1994 nas imediações do hospital Filtro em Montevidéu. Na ocasião milhares de pessoas faziam uma vigília no hospital contra a extradição dos cidadãos bascos Jesús Maria Goitia, Mikel Ibáñez Oteiza e Luiz Lizarride acusados pelo governo espanhol de serem vinculados ao ETA e que se encontravam internados no hospital em função de uma greve de fome. A brutal repressão promovida pelo então governo de Luis Lacalle resultou em centenas de feridos e dois mortos: Fernando Morrini e Roberto Facal. Hoje, 20 anos passados o massacre segue impune. [Nota da tradução.]

Tradução: Federação Anarquista Gaúcha – FAG

[CAB] Saudações internacionalistas ao primeiro de maio, do luto à luta!

Saudações internacionalistas ao primeiro de maio, do luto à luta!

 Companheiras e companheiros da Federação Anarquista Uruguaia, a Coordenação Anarquista Brasileira vem, com esta mensagem, saudar o dia Internacional de Memória e Luta dos Trabalhadores e Trabalhadoras.

O ano que se passou foi particularmente importante para nós, anarquistas e trabalhadores e trabalhadoras da Coordenação Anarquista Brasileira. Com ele, ressurgiram manifestações massivas que tomaram as cidades brasileiras de norte a sul. Essas manifestações encheram de esperança a luta popular e apontaram os limites de um projeto de dominação e de expansão do capital que oprime e massacra as/os de baixo. Esse projeto se apresenta hoje de maneira cruel, com seus efeitos nefastos. Mata trabalhadoras e jovens negros nas favelas e periferias, impõe o terror dos latifundiários no campo e contra os povos indígenas e quilombolas, e, ainda, reprime brutalmente os que resistem. É esse projeto que também implementa as remoções de ocupações urbanas em várias cidades brasileiras, que aumenta a exploração do trabalho e tenta vender a imagem de que o “Brasil é um gigante que vai bem”.

Porém, nós, os e as de baixo, sabemos que para os trabalhadores e trabalhadoras nada vai bem! Sabemos que os lucros da Copa do Mundo de futebol e das Olímpiadas, que serão realizados no Brasil, estão sendo produzidos sobre a exploração e repressão. E que os grandes empresários estão sendo beneficiados com o suor dos verdadeiros produtores da riqueza.

Cabe lembrar, nesta data, que os projetos de dominação no nosso continente não são novos. Nesse mês e nesse ano, a ditadura empresarial-militar (apoiada por alguns setores civis) implementada no Brasil com o golpe de 1964 fez exatos 50 anos. 50 anos em que a classe dominante, com a ação decisiva dos militares, colocou o Brasil numa noite escura que durou vinte e um anos. Somos filhos dessa história, que, em seu fio condutor, encontra a luta de lutadores e lutadoras em diversos momentos históricos de resistência.

 Conscientes do papel do anarquismo na luta popular e em nossa América do Sul, nós da Coordenação Anarquista Brasileira reforçamos aqui a solidariedade e os laços de organicidade com nossas companheiras e companheiros da FAU. Porque sabemos que a globalização do capital encontrará punhos forte e fechado da internacionalização de nossa luta. Para que não se repitam mais tragédias do capital.

Para que a memória dos Mártires de Chicago seja lembrada para sempre como um dia de luta!

Aos Mártires de Chicago e a todos e todas que se foram combatendo as ditaduras do capital de ontem e de hoje, fica nosso recado: NENHUM MINUTO DE SILÊNCIO, MAS TODA UMA VIDA DE LUTA!

Viva o Primeiro de Maio!

Viva o Internacionalismo dos Trabalhadores e das Trabalhadoras!

Viva a FAU!

Vivam os Mártires de Chicago!

Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

Saludos internacionalistas al Primero de Mayo, del luto a la lucha!

Compañeras y compañeros de la Federación Anarquista Uruguaya, la Coordinación Anarquista Brasilera viene, a través de este mensaje, saludar el dia Internacional de La Memória y de Lucha de los Trabajadores y Trabajadoras.

El año que se pasó fué particularmente importante para nosotros, anarquistas y trabajadores y trabajadoras de la Coordinación Anarquista Brasilera. Con el, manifestaciones masivas ha resurgido que tomaron las ciudades brasileras de norte a sur. Estas manifestaciones llenaron de esperanza a la lucha popular y señalaron los límites de un proyecto de dominación y de expansión del capital que oprime y masacra a los/las de abajo. Este proyecto se presenta hoy de una manera cruel, con sus efectos adversos. Mata a las trabajadoras y jóvenes negros en las favelas y periferias, impone el terror de los terratenientes en el campo y en contra los pueblos indígenas y quilombolas (afrodescendientes), y no más, reprime brutalmente a los que aún resisten. Es este el proyecto que también lleva a cabo el translado de ocupaciones urbanas en varias ciudades brasileras, que solo aumentan la explotación del trabajo y intenta vender la imagen de que “Brasil es un gigante que va bien”.

Sin embargo, nosotros, los y las de abajo, sabemos que para los trabajadores y trabajadoras nada va bien! Sabemos que los lucros de la Copa del Mundo de fútbol y los Juegos Olímpicos, que se celebrará en Brasil, se están produciendo sobre la explotación y la represión. Y que los grandes empresários se benefician con el sudor de los verdaderos productores de la riqueza.

Vale a pena recordar, en esta fecha, que los proyectos de dominación en nuestro continente no son nuevos. En este mes y neste año, la dictadura empresarial-militar (con el apoyo de algunos sectores civiles) implementada en Brasil con el golpe de 1964 hizo exactamente 50 años. 50 años en que la clase dominante, con la acción decisiva de los militares, puso Brasil en una noche oscura que duró veintiún años. Somos hijos de esta historia, que en su hilo, encuentra la lucha de las/los que pelean en diversos momentos historicos de resistencia.

Concientes del papel del anarquismo en la lucha popular y en nuestra Sudamérica, nosotros de la Coordinación Anarquista Brasilera reforzamos acá la solidaridad y los lazos de organicidad con nuestras compañeras y compañeros de la FAU. Porque sabemos que la globalización del capital encontrará puños fuertes y cerrados de la internacionalización de nuestra lucha. Para que no se repitan más tragedias del capital.

Para que la memoria de los Mártires de Chicago sea recordada para siempre como un día de lucha!

A los Mártires de Chicago y a todos y todas que se fueron combatiendo las dictaduras del capital de ayer y de hoy, queda nuestro mensaje: NINGÚN MINUTO DE SILENCIO, PERO TODA UNA VIDA DE LUCHA!

¡Viva el Primero de Mayo!

¡Viva el Internacionalismo de los Trabajadores y de las Trabajadoras!

¡Viva la FAU!

¡Vivan los Mártires de Chicago!

Coordinación Anarquista Brasilera (CAB)

[GEAPI – Grupo de Estudos Anarquistas do Piauí] – Festa ou protesto?

Retirado de: http://anarquistas-pi.blogspot.com.br/2014/05/festa-ou-protesto.html

FESTA OU PROTESTO?

O texto disponibilizado é uma matéria do jornal A Voz do Trabalhador – Órgão da Confederação Operária Brasileira – Ano I, n° 10, dia 1° de maio de 1909.

Como deve ser compreendido o 1° de maio por todos aqueles que trabalham, por todos que através dos tempos tem passado uma vida infame e cheia de miséria?

Sim! Todos os que passaram longos anos executando um trabalho extenuante, sem nunca terem alcançado um pouco de bem estar servindo toda a sua vida à classe capitalista, como devem eles comemorar o 1° de maio?

Creio que todos os trabalhadores nesse dia devem protestar energicamente contra esta ordem de coisas, demonstrando a toda essa gente a hipócrita tirania, que não estão dispostos a aceitar a fome, a miséria, em paga do seu esforço, feito em benefício de meia dúzia de bandidos sanguessugas da humanidade, mas sim a lutar energicamente em prol de uma vida mais livre, onde o seu esforço represente unicamente a sua própria vontade; e do qual possam obter o necessário para a completa satisfação das suas necessidades; compartilhando assim do progresso humano para o qual a completa satisfação das suas necessidades; compartilhando assim do progresso humano para o qual concorrem na medida das suas forças.

Esse dia, deve ser de revolta, e não de festa; digo de revolta, porque creio ser necessário revoltarem-se todos os seres que mourejam diariamente dentro das oficinas, das fábricas, nas minas e nos campos, contra essa sociedade nefanda, que procura artimanhosamente escravizar-nos, negando-nos o direito que nos assiste de gozar de todas as riquezas que a natureza possui, e das quais nós tratamos! Digo que não deve ser de festa, porque festejar o trabalho na atual sociedade seria o mesmo que festejar a nossa escravidão, a miséria que nos avassala, equivaleria a dizer que estamos contentes com esta corrente tirânica que nos oprime e satisfeitos com o jugo aniquilador que nos faz curvar sob o seu peso.

É preciso que todos os oprimidos se rebelem contra a organização atual, é necessário que demonstrem francamente o que seu descontentamento por toda essa miséria que invade os lares daqueles que duto produzem e nada gozam; que todos os proletários com palavras vibrantes ponham bem visível o seu ódio a todos esses cancros sociais.

Quando toda essa legião de seres humanos assalariados pelo capital, se unam para acabar com todas essas infâmias praticadas por essa classe escravocrata que se apoia na inconsciência das criaturas incultas, faltas de experiência própria, para poderem compreender os direitos que lhes assistem na terra.

Todos os operários conscientes devem por em relevo perante os que menos compreendem, que acima de tudo devemos considerar a liberdade sobre a terra, pela qual temos que lutar; lutar sem tréguas, até adquirirmos tudo o que por direito nos pertence, e que até hoje nos tem sido extorquido pela infame e degenerada sociedade burguesa.

O homem só será feliz quando for “livre sobre a terra livre”; assim escreveu não sei quem, não me lembro agora, mas aceito esse pensamento como lógico e verdadeiro, por que nele se encerra toda a felicidade da vida.

Eurípedes Floreal

[CABN] 1º de Maio… a memória não morre

Retirado de: http://www.cabn.libertar.org/1o-de-maio-a-memoria-nao-morre/

O trabalho ocupa todo o seu tempo, Hora extra é necessário pro alimento
Uns reais a mais no salário, esmola do patrão
Ser escravo do dinheiro é isso, fulano! 360 dias por ano sem plano
Se a escravidão acabar pra você. Vai viver de quem? Vai viver de quê?

(Periferia é Periferia – Racionais MC’s)

O 1º de Maio tem sido, ao longo dos anos, uma comemoração, um feriado para quem trabalha ou quem está sem emprego, um dia de descanso, uma data no calendário de feriadões a mais no ano. Vemos toda uma apologia ao lazer e ao ócio, literalmente um dia em que os empresários e demais setores do trabalho fazem desta data uma festa. A começar pela propaganda: “Dia do Trabalho!”. Sindicatos fazem sorteios de carros e prêmios, apresentações artísticas, dentre outros eventos culturais que, segundo eles, visam ao prazer do ofício.

O que muita gente não sabe é que a história deste “feriado” condiz com uma batalha constante de luta por melhores condições de vida e que, nesta batalha, muitas vidas se perderam e muitas vitórias foram alcançadas. Seu nome correto é Dia do Trabalhador, ou mais precisamente: Dia do Internacionalismo Proletário. Algumas pessoas pensam que aquelas lutas por direitos são muito antigas e hoje já estão ultrapassadas, por isso não há motivos para continuar vivendo de velhas memórias. Será mesmo?

1º de Maio não é festa! Está na hora de abrirmos os olhos e ver o horizonte à frente, livre de exploração, desigualdade e miséria. O ideal de uma vida conquistada pela solidariedade e na luta. Vivemos numa sociedade onde a extrema miséria, desemprego e informalidade são reais e nossas ações estão cada vez mais voltadas a interesses alheios, o que não difere dos séculos passados. Desde sempre, não são os rebeldes que criam os problemas no mundo, são os problemas do mundo que criam os rebeldes.

1º de Maio é para resistir contra: a precarização de todos os serviços básicos; a lógica do Capital; a falta de moradia, terra, mobilidade e empregos; a militarização das polícias; o controle midiático; as políticas de higienização social; a criminalização das manifestações populares e da classe trabalhadora; a opressão que sofrem cotidianamente os povos tradicionais e indígenas, as mulheres, a população negra e a população LGBT; contra o apartheid social e a busca constante de esterilização dos movimentos sociais na luta de classes.

1º de Maio pelo 
direito à organização popular, pelo direito aos de baixo levantarem suas vozes e suas bandeiras contrao terrorismo de Estado, a invisibilização da pobreza e todo tipo de opressão e exploração!

NÃO SE INTIMIDAR, NÃO DESMOBILIZAR.

RODEAR DE SOLIDARIEDADE OS QUE LUTAM!

PROTESTAR NÃO É CRIME!

Coletivo Anarquista Bandeira Negra

1 ° de maio, do luto à luta, das origens aos dias atuais

Primeiro de maio é dia de luto e luta, não de festa!

Texto publicado na primeira edição de Opinião Anarquista  do CALC, distribuído  no primeiro encontro do CEL (Círculo de Estudos Libertários), no dia 01 de Maio de 2013.

1° de Maio: Lutar com os de “baixo” ou festejar com os de “cima”?

“Tenho sido tratado aqui como um assassino e só se me tem provado que sou anarquista. Pois repito que protesto contra essa bárbara pena, porque não me foi provado crime algum. Porém se tenho de ser enforcado por professar ideias anarquistas, por meu amor à igualdade, à liberdade, à fraternidade, então nada tenho a objetar. Se a morte é a pena correlativa à nossa ardente paixão pela liberdade à espécie humana eu digo bem alto: disponde de minha vida!”

(Adolph Fisher, um dos mártires de Chicago)

Breve histórico das origens do 1° de Maio no mundo:

A data do 1° de maio tem sua origem relacionada a eventos que ocorreram no ano de 1886, nos Estados Unidos da América, em Chicago. Naquele ano ocorreram em todo os E.U.A. manifestações que tinham em comum a luta pela jornada de 8 horas diárias de trabalho. Em Chicago 35.000 pessoas foram as ruas buscando tal reivindicação no em 1886, resultando desta manifestação 6 mortos e 4 feridos. No quatro de Maio, em meio a um meeting operário que ocorrera na Praça de Haymarket, uma bomba é “misteriosamente” arremessada na policia.

Sem conseguir encontrar um culpado a policia decide por prender anarquistas, destacados militantes do movimento operário. Foram presos: George Engel, Adolph Fisher, Louis Lingg, August Spies, Samuel Fielden, Oscar Neeb, Michael Schwab, Wilian Lessinger, Jhon Most. Mais tarde, antes que ocorresse o julgamento Albert Parsons, também procurado pelo caso, mas foragido, se entregaria em sinal de lealdade a seus companheiros. O julgamento ocorre no dia 28 de agosto de 1887, este segundo as pesquisadoras do movimento operário Cardoso e Araújo tinham como objetivo por parte das “(…) autoridades judiciárias norte-americanas viam neste julgamento a oportunidade de eliminar a influência do anarquismo entre os operários” (CARDOSO & ARAÚJO, 1986). Os resultados do julgamento são condenações a forca para Parsons, Fisher, Engel, Spies, prisão perpétua para Fielden, Schwab, 15 anos de reclusão para Neeb e a expulsão de Most dos E.U.A. Lingg havia suicidado-se no cárcere e Lessinger desapareceu no presídio no qual estava.

Em memória aos “mártires de Chicago”, como ficaram conhecidos os trabalhadores condenados por ocasião do “massacre da praça de Haymarket”, o Congresso da II AIT (Associação Internacional dos Trabalhadores), ocorrido no dia 11 de junho de 1889 declara o 1° de maio dia de luta pelas 8 horas. Tal congresso ainda contava com a militância anarquista em seus espaços (expulsos em 1896). Em 1890 os E.U.A. aprovam a jornada de 8 horas, em 1894 é revisado o julgamento dos “mártires de Chicago” que passam a ser considerados inocentes, graças à luta e organização dos trabalhadores americanos.

O 1° de Maio na Terra das  Araucárias

A primeira comemoração genuinamente operária do 1° de maio no Brasil se dá em Santos em 1892. No Paraná, a data inicialmente era comemorada como um “pacto” de classes, as autoridades e a mídia empresarial da época estimulavam a cordialidade dos trabalhadores, que deveriam receber a data como “presente” de seus patrões. Podemos ver na matéria publicada na mídia local de Curitiba no 1° de maio de 1900: “Aos operários paranaenses apresentamos no dia de hoje as expressões de nossas simpatia pelo modo pacífico e digno com que festejam e glorificam.” (Apud, Diário da Tarde, Curitiba, 1° de maio 1900). Nos anos subsequentes permaneceu o “bom comportamento” até que em 1907 a Liga dos Sapateiros chama uma passeata e atividades artísticas que memorassem o dia de “luto e luta” no Teatro Guaíra. A partir deste momento a data seria alvo de disputa por parte da classe trabalhadora e das elites, bem como seu direito de livre organização. Nesse mesmo ano é aprovado o artigo (n°1637) que possibilitava a expulsão de imigrantes. Nos anos posteriores teremos atos públicos da classe trabalhadora: em 1908 na Associação Curitibana dos Empregados do Comércio é fundada a Liga Operária 1° de maio e em 1909 ocorre o ato do 1° de maio na Sociedade Protetora do Operário, quando a data passa a ser motivo de mobilizações também em várias cidades do litoral impulsionada pelas manifestações da capital. Mais tarde em 1913 a data é motivo de uma manifestação massiva contra a carestia que força a prefeitura a negociar com uma comissão de operários, o dia passa a ser um momento de exercício da ação direta, tal elemento pode ser encontrado no 1° de maio de 1917, segundo Araujo e Cardoso um prenuncio da Greve Geral de 1917.

Frente a uma conjuntura de forte ascensão da organização da classe operária, ao mesmo tempo em que uma revolução proletária ocorre na Rússia, e intentos similares ocorrem no Brasil como a Insurreição de 1918 no Rio de Janeiro, o Estado por meio de seus governos cumpre seu papel de defensor das classes dominantes. O Presidente Arthur Bernardes criaria em 1923 a lei 5221 que possibilitava o fechamento de associações operárias, o que na verdade regularia uma prática, na medida em que a União Operária Paranaense, por exemplo, já havia sido fechada em 1920. Os anarquistas, principais animadores do movimento operário naquele momento, tem “atenção especial da repressão”, tendo uma lei que proíbe sua propaganda promulgada em 1921 a lei 4269. Os anos de 1929 e 1930 figuram como momentos de resistência onde vemos a data ser comemorada pelos operários de forma desvinculada das elites.

Em 1930 é eleito Getúlio Vargas, um populista que buscava selar o pacto de classes. Em 1931 cria o Ministério do Trabalho, trazendo consigo a lei de sindicalização, subordinando os sindicatos à outorga do estado, situação que permanece até hoje. Tal lei acaba por destruir a liberdade de organização dos trabalhadores. Como a repressão não bastava para apaziguar os ânimos das classes exploradas, em 1932 são aprovadas as primeiras leis trabalhistas, sob a tutela do “pai dos pobres”, que buscava com tais medidas apagar da história os anos de luta da classe operária, verdadeira responsável pela aprovação de tais leis. Para ter dimensão do período: se aprovava leis de proteção ao trabalho de um lado, e se proibiam os desfiles no 1°de maio do outro.

A repressão se intensificaria nos anos de governo Vargas, que terminaria como uma ditadura no período do Estado Novo (1937-1945). Este período faria por destruir todo movimento operário autônomo. Segue-se neste momento uma série de tentativas de vincular o 1° de maio a uma data cívica, festiva, como bem já se apontava em 1919 com a transformação desta em feriado, em 1943 é aprovada a CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) nesta data, em mais um dos esforços de Vargas em demonstrar que a luta de classes não era necessária.

Tal tendência se consolidaria no movimento local, e mesmo nacional, que não conseguiria reagir nas décadas seguintes. Durante toda a década de 50 registram-se as “festas do trabalho”, com fito de memorar o pai dos pobres. Passariam longos anos assim, até que por volta dos anos 60, reapareceriam manifestações de rua de cunho reivindicatório. Mas tal movimento não amadureceria e em 1964 temos um segundo golpe de Estado, agora militar, regime que proibiria os sindicatos. De 1964 a 1968 vemos uma forte repressão ao movimento operário. O regime militar tornaria a data um momento cívico novamente, de festejos, práticas esportivas, de “ordem”, tudo menos luta. Nos fins dos anos 70 veríamos um esboço de reação do movimento de trabalhadores local, sucedem-se naquele ano muitas manifestações e greves por direitos democráticos.

Durante toda a década de 80 o movimento dos trabalhadores acumularia forças para derrubar a ditadura. No ano de 1983 as primeiras manifestações por eleições diretas ocorrem pelo Brasil, tendo Curitiba como um local de manifestações de massa em torno da pauta.

Tal movimento acumulou forças por todo o período da reabertura democrática, forjando as organizações da classe que seriam responsáveis por tocar as lutas das classes exploradas, dentre elas a CUT (Central Unica dos Trabalhadores). Esta desde cedo se identifica em muito com o projeto do PT (Partido dos Trabalhadores), pois este partido é formado pelos que estavam nas lutas por liberdade e direitos, e mais, impulsiona com sua militância tais organismos. Estes passam a ter ligações “umbilicais”. Durante toda a década de 90 o PT amadurece seu projeto eleitoral. A CUT segue como base de apoio de tal projeto, que culmina na vitória presidência de Lula em 2002. Isso nos coloca em uma conjuntura em que o movimento dos trabalhadores acaba por tornar-se suporte das candidaturas trabalhistas.

No atual momento é um partido de origem trabalhista que dirige o país. O Estado, todavia, não mudou seu caráter, continuando a atacar os direitos da classe trabalhadora. O que mudou com tudo isso foi a postura da classe e seus organismos, hoje totalmente envolvidos pela agenda do Estado. Se “ontem” eram os “representantes” das classes dominantes que reprimiam e cassavam os direitos dos trabalhadores, hoje são oriundos da classe trabalhadora aqueles que governam em prol da exploração. O último ataque é encabeçado por sindicalistas, aplaudido pelo governo e pelos patrões, que é a ACE (Acordo Coletivo Especial), que visa tornar lei os acordos sindicais (entre patronal e laboral). Tal lei faria por acabar com os direitos trabalhistas na prática, pois atualmente a imensa maioria dos sindicatos se encontra descolada da base em suas decisões, e que tem direções facilmente cooptáveis.

Em mais um 1° de maio estamos na eminência de mais ataques à classe trabalhadora. Por todo o século XX, as classes dominantes com apoio do Estado buscaram acabar com o movimento dos trabalhadores independente, combativo e revolucionário. Hoje o movimento se encontra na defensiva, e mais, a regra é a cooptação dos trabalhadores para projetos eleitoreiros, fazendo do movimento mera base de candidaturas “trabalhistas”, trazendo os trabalhadores para o hall da política burguesa (o Estado). Hoje aqueles que buscavam ser os “representantes” da classe são aqueles que gerenciam a exploração. O confronto ideológico entre a ideia de um 1° de maio dia da “Festa do trabalho” ou dia de “luto e luta”, é cada vez mais necessário, vide as grandes “festividades” financiadas por entidades sindicais, partidos políticos e Estado. É necessário recuperar não só o 1° de maio, mas o movimento dos trabalhadores para as mãos destes, afinal a “emancipação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores”.

Baixe a versão que foi impressa do Opinião Anarquista/CALC  n° 1 aqui Opinião Anarquista 1-1de maio 2013

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Círculo de Estudos Libertários convida: 1 ° de Maio, do Luto à Luta, das origens aos dias atuais

No dia 1º de maio temos o feriado do Dia do Trabalhador e da Trabalhadora. E o Coletivo Anarquista Luta de Classe convida a todos e todas para relembrarmos esta data de luto por àqueles que lutaram por nossos direitos!

Faremos um Círculo de Estudo Libertários especial:

– Exibiremos o curta metragem “Maio Nosso Maio” – que é sobre a origem desta data significativa

– Faremos uma discussão sobre o texto: “1° de Maio: Lutar com os de ‘baixo’ ou festejar com os de ‘cima’?” – para baixar o texto clique aqui: Texto 1º de Maio

– Faremos uma confraternização com lanche e músicas operárias com o cancioneiro anarquista!

Onde: DCE UFPR (Rua General Carneiro, 390 — Centro)
Quando: 1° de maio de 2014 a partir das 14:00

Venha participar!