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[CAB] Contra os Ataques aos Movimentos Sociais, Punho Cerrado e Resistência!

Toda Solidariedade ao MST

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Imagem capturada por membros do MST na ENFF, durante a ação invasora e truculenta da polícia – sem mandato judicial!

Na manhã de hoje, 04/11/2016, o Estado e seus órgãos de repressão iniciaram mais uma operação de criminalização, terror e tentativa de “castrar” a organização social de trabalhadoras/es – no tocante, via a nomenclatura de “Operação Castra”, que tem como alvo realizar o cumprimento de “14 mandados de prisão preventiva, outros 10 de busca e apreensão e ainda dois de condução coercitiva”. O primeiro alvo dessa operação foi a Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF) que teve além de disparos de arma letal a tentativa de prisão de duas pessoas que são solidárias ao movimento e estavam na escola em apoio nas atividades de formação e educação que são realizadas na unidade.

Os Movimentos Sociais e de Direitos Humanos já anunciavam a chegada dessa política de criminalização, repressão e vigilantismo que não é fruto apenas do atual governo federal, apresentou se as ameaças ainda no casamento do PT-PMDB; em 13 anos não houve avanço da reforma agrária, mas o terreno foi preparado para uma maior contundência das políticas repressoras contra toda classe trabalhadora e povos das florestas, em especial as que lutam por um pedaço de terra.

Nós da Coordenação Anarquista Brasileira, repudiamos a ação iniciada na ENFF e já apontamos nosso repúdio contra as próximas ações apontadas para serem cumpridas no Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul – pois temos convicção e firmeza na reflexão de que essa operação é mais uma tentativa de avançar na criminalização dos movimentos sociais que se colocam em luta contra os ataques aos direitos e contra o monopólio latifundiário existente no Brasil.

Estendemos nossos braços a toda companheirada de luta do MST e fechamos nossos punhos – a frente e ao alto – contra os ataques do Estado e teus órgãos de repressão!!!

Lutar Não É Crime!

Chega de Criminalização aos Movimentos Sociais!

Chega de Criminalização do MST!!!

Arriba Las/Los Que Luchan!!!
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Coordenação Anarquista Brasileira – CAB

Novembro de 2

[FAG] As frentes, a unidade e os anarquistas

Retirado de: https://federacaoanarquistagaucha.wordpress.com/2016/01/11/as-frentes-a-unidade-e-os-anarquistas/

Por Neto (militante da Federação Anarquista Gaúcha)
Janeiro de 2016

womenworkersMuito se fala sobre as opções disponíveis para que o conjunto da esquerda de intenção revolucionária, ou mesmo a de intenção reformista, possa contribuir de uma maneira mais efetiva na criação de uma conjuntura mais favorável para o enfrentamento das classes oprimidas à retirada de direitos, intensificação da criminalização ao protesto e a pobreza, aumento do custo de vida e ao sucateamento dos serviços públicos que os de cima vêm colocando sobre nossas costas.

Enquanto anarquistas organizados politicamente e nos reconhecendo como parte de uma esquerda de intenção revolucionária que toma como trincheira de luta o interior dos movimentos sociais, sindicais, estudantis e populares – desde baixo e à esquerda – gostaríamos de compartilhar a nossa opinião sobre algumas dessas opções e o que consideramos como alternativas a esse contexto de ofensiva dos de cima e resistência dos de baixo.

A importância da unidade

A matriz socialista da qual extraímos muitos ensinamentos em mais de 100 anos de luta e organização e dentro da qual nos forjamos como corrente libertária e anti-autoritária, ainda no âmbito dos debates e polêmicas da 1º Internacional dos Trabalhadores, muito tem a dizer sobre o valor e a importância da unidade. Muita polêmica e propaganda foram feitas por centenas de militantes anarquistas na defesa de idéias e práticas caras à nossa concepção organizativa, ética e política. É certo que houve um esforço sistemático de nossos adversários e inimigos (de esquerda e de direita) para encobrir esse pedaço da história do socialismo e que, conseqüentemente, o teor dessas polêmicas seja amplamente desconhecido pela maioria da militância da esquerda. Mas o esforço sistemático da geração de anarquistas dos anos 80, 90 e 2000 em retomar a inserção social, a organização política e a crítica anarquista das relações de poder e dominação, está ai para desmistificar e acabar com a ignorância com relação a nossa ideologia.

asambleaA unidade foi e continua sendo de extrema importância para nós. Mas qual unidade? Que unidade precisamos no atual contexto e, que unidade é condição imprescindível para avançar estrategicamente? A nosso ver, unidade de baixo pra cima, materializada na articulação entre instâncias organizativas e de mobilização de base. Unidade que se expresse em um programa mínimo de reivindicações e que tenha como projeção lutas reivindicativas concretas. Mas e o lugar dos partidos (não eleitorais) nessa unidade? Em segundo plano e como minorias ativas, como impulsores e motores dessa unidade. Alguns poderão dizer que isso não está no horizonte das possibilidades imediatas. A estes respondemos que sim, sabemos que estamos falando de um horizonte estratégico. Mas como a esquerda parece estar desacostumada a colocar horizontes estratégicos naquilo que faz!

Mas para nós esse horizonte é condição para sairmos do lamaçal em que nos encontramos. De imediato, apostamos num esforço de criação de espaços de articulação inter e multisetoriais a partir dos locais em que temos inserção. Pois é essa experiência de organização por local de trabalho, estudo e moradia – não apenas a mobilização – que será pedagógica no sentido da politização, da construção de uma alternativa concreta que escape da armadilha do dirigentismo vanguardista, das esperanças em governos de turno e das burocracias que emperram sistematicamente a disposição pra luta.

As frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular

poder-popular-mulherSeria possível dizer que as frentes Povo Sem Medo e a Brasil Popular são embriões desse espaço de unidade desde a base a que nos referimos anteriormente? Do nosso ponto de vista elas projetam publicamente a fauna partidária da esquerda mais ou menos eleitoral, seus métodos de ação e estilo militante e, portanto, não.

Enquanto militantes organizados, não temos e não tivemos problemas em nos colocar junto e ao lado nos processos de luta (em unidade) com diversos partidos e organizações políticas que participam de ambas construções. Mas o fizemos a partir de outros critérios. O sectarismo não faz parte da nossa concepção, assim como não faz parte a ideia de partido único, de vanguarda auto-esclarecida e de construção de uma ditadura, seja ela burguesa ou proletária.

Achamos que os partidos e organizações ideológicas, assim como as organizações político-sociais, possuem um lugar importante no interior das lutas. Por isso nos organizamos politicamente enquanto anarquistas e tomamos o lugar que nos corresponde. No entanto, entendemos que a unidade permitida pelas duas frentes não dá conta dos esforços que precisam ser despendidos pra criar participação e organização de base, pois esta é uma unidade por cima, entre dirigentes, entre a “vanguarda”, e que não é capaz de produzir ideologia de transformação, de confiança nas próprias forças das classes oprimidas.

São frentes que reproduzem os mesmos vícios que as direções sindicais – conscientemente ou não – acabam reproduzindo no cotidiano das lutas sindicais, estudantis e populares. A prática consequente e necessária para impulsionar a unidade entre os de baixo e a partir de suas iniciativas, inclusive para construir sólidas alianças políticas que ampliam o escopo de ação nesse sentido, acaba ficando em segundo plano. Tudo em nome de uma conjuntura que em boa medida se gestou pelo “deixa pra depois” no que toca a participação organizada, independente e autônoma das classes oprimidas no terreno político que lhes é próprio: a rua, o bairro, a fábrica, a escola, o campo e a floresta. Tudo em nome da política como a disputa no parlamento, feita por profissionais, seja com vistas a administrar ou a tomar o Estado. Tudo em nome do “meu programa é mais revolucionário que o seu”, enquanto os diretamente atingidos pelos ataques dos de cima sequer opinam sobre qual o programa deve ser construído e levantado.

É por isso que escolhemos o nosso caminho e apostamos em uma construção tático-estratégica que construa Poder Popular. Certamente estaremos ombro a ombro nas peleias com uma centena de companheiros e companheiras que escolhem outros meios que não os nossos e, assim como nós, não podem ser acusados de sectarismo. Que os diversos esforços possam confluir para forjar povo forte e que a correlação de forças muda ao nosso favor. Mas para isso estamos certos que não há atalhos e caminhos curtos.

[SINDITEST] Nicolas Pacheco é absolvido; o militante sofria processo por lutar contra a privatização do HC

Retirado de:                                                 http://www.sinditest.org.br/noticias_detalhe/11/informe-juridico/2785/nicolas-pacheco-e-absolvido-o-militante-sofria-processo-por-lutar-contra-a-privatizacao-do-hc

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Saiu hoje, 15, a sentença que absolve Nicolas Pacheco – estudante e militante pela ANEL e PSTU – das acusações de resistência à prisão e constrangimento ilegal, pesadas contra ele desde o dia 28 de agosto de 2014.

O estudante fez parte da Frente de Luta Contra a Privatização do HC e foi detido de forma arbitrária por agentes da Polícia Federal que estavam dentro do prédio da Reitoria da UFPR. No fatídico 28 de agosto, muitas bombas, bala de borracha, gás de pimenta e lacrimogêneo foram utilizados pela Polícia Militar e pela PF para reprimir manifestantes que se opunham à privatização do Hospital de Clínicas, que seu deu pela aprovação da EBSERH.

Avanílson Araújo, da assessoria jurídica do Sinditest, comenta que ainda que haja recurso  contra a absolvição de Nicolas, é pouco provável acontecer alguma reversão da decisão. Para Avanílson a sentença fortalece a perspectiva de que lutar por direitos não é crime. “Tem que ser assegurado o direito de lutar, embora a gente esteja vivendo no Brasil um contexto de acentuar a criminalização dos movimentos”, defende.

Em outubro de 2014 foi lançado o Comitê Lutar não é Crime, uma frente contra a criminalização dos movimentos sociais que exigia o arquivamento do processo de Nicolas Pacheco e de demais militantes do Paraná e Santa Catarina presos por lutarem. “É importante reforçar que o Nicolas foi absolvido não foi por falta de prova, foi porque inexistiu a conduta criminosa no que diz respeito ao crime de constrangimento ilegal. Foi uma ação do movimento de massas, legítima de um estado democrático”, diz Avanílson.

[FAG] 20 anos a enraizar anarquismo

Retirado de: anarquismo.noblogs.org/?p=366

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Entre os dias 20, 21, 22 e 23 de novembro a FAG/CAB realizaram um conjunto de atividades programadas para as comemorações do 20° aniversario de vida militante desta organização política anarquista. Foram momentos de fraternidade libertária, de debates e cultura política, afirmação da concepção especifista para as lutas de classe e dos povos oprimidos. Onde o emotivo também fez sua presença. Brindaram gerações que não tem visto cansados seus esforços. Trocaram experiências, aportes e solidariedades delegações de distintas partes do Brasil, América Latina, Europa e Estados Unidos.

Um plenário sindical de militantes da CAB tomou lugar para fazer planos e afiar as ferramentas de luta no movimento dos trabalhadores. As companheiras fizeram seu debate no dia 22. Como contexto geral uma feira libertária em praça pública com charlas diversas, livros e materiais de propaganda, teatro e música popular. Dia 23 uma reunião internacional de delegações para firmar pactos de apoio mútuo, discutir elementos de concepção para um anarquismo forte politicamente e inserto nas lutas sociais, gerar internacionalismo desde as conjunturas concretas e as estruturas do poder que tocam nossos povos.

O Ato Público se fez num teatro cheio no coração do centro de Porto Alegre. Entre os oradores a FAU, a FAR, o cancioneiro popular libertário e “rompidiomas” de Chito de Melo. Por fim a palavra de CAB e FAG. Ambiente muito concentrado no que era exprimido pelos oradores e com uma emoção que não disfarçava as alegrias e as recordações do caminho percorrido até aqui. Cartas de adesões vindas de muitos lugares, sopros de generosa saudação a este momento tão especial. Saúdos em própria voz de Alternativa Libertária da França, Alternativa Libertária/FdCA da Itália, Federação Anarquista Rosa Negra dos Estados Unidos, Grupo Via Libre da Colômbia, núcleo sul do Congresso Comunista Libertário do Chile. No encerramento do Ato, um desfecho simbólico marcado de lenços vermelho e negros ao som de A Internacional.

Aqui reproduzimos os textos de apoio dos oradores do ATO:

DISCURSO DA COORDENAÇÃO ANARQUISTA BRASILEIRA – CAB

ATO 20 ANOS DA FAG
Porto Alegre, 21 de novembro de 2015.

A CAB faz sua saudação a este Ato Público que se realiza quando cumpre 20 anos a nossa Federação Anarquista Gaúcha.

Não se trata de uma trajetória militante isolada num canto do país, digamos de passagem. São 20 anos percebidos dentro das coordenadas de uma construção nacional e de um vivo e incansável trabalho pra fortalecer a resistência libertária num marco regional latino-americano. Internacionalismo que se faz desde o pedaço de mundo que nos toca atuar, que não ignora, em nome de um cosmopolitismo de propaganda, o complexo e específico processo histórico-cultural que nos conforma como região. Projeto onde cooperaram muitas mãos, culturas e sotaques brasileiros, do qual a FAG é uma das expressões.

A Coordenação Anarquista Brasileira pretende ser uma ferramenta de união militante, escola de lutas e capacidade política para atuar em contextos históricos concretos. Nos reconhecemos como parte somada na caminhada das rebeldias que vem de baixo, das lutas insurgentes contra as relações de dominação, os dispositivos e estruturas opressivas que atravessam nossa formação social. O Anarquismo não é a “planta exótica” que sugeriu o discurso do poder quando se referia ao brasileiro como um povo dócil, estranho aos conflitos. Antes que um setor do movimento operário levantasse a ideologia anarquista como sua bandeira de combate anti-sistema, aqui deixaram seu caudal de resistência e liberdade as lutas indígenas, quilombolas e populares contra o escravismo-colonial.

A formação da ordem burguesa, do mercado capitalista, do Estado nacional e das ideias, valores e crenças que produzem a norma onde se reconhece o “povo brasileiro”, foram construídos pela guerra social sancionada pelos vencedores. Tem o sangue rebelde que peleou batalhas contra o genocídio, a escravidão, o saque e a violência colonialista, a propriedade da terra, o racismo de estado até chegar nas formas da exploração do trabalho assalariado no regime das fábricas.

Mais que comemorar os 20 anos de vida da FAG, o Anarquismo brasileiro comemora 20 anos de um projeto militante que faz luta e organização com as classes oprimidas e com as cores de nosso povo. História peleada que não começa com a gente e também não termina conosco. Jornada que tem seus passos, tropeços, provas e ajustes e que na modéstia e com firmeza afia ferramentas para um posto de combate libertário. Criar um mundo novo que tem que ser peleado hoje, com meios que se articulam ao cotidiano, inseparável das noções de um imaginário radical carregado de socialismo e liberdade.

Esse lugar no mundo, com tantas riquezas naturais e culturais, de formação mestiça, contrasta com desigualdades brutais que reservam os privilégios e o poder político e econômico para uma fração das classes dominantes associadas com a estrutura do imperialismo. Sociedade marcada por estruturas de dominação que operam pelas classes, pelo racismo e por toda sorte de violências que segregam e oprimem. Dispositivos de poder que classificam na vida cotidiana os sujeitos de direitos, selecionados pela competição perversa do mercado, e os sujeitos de exceção governados pelo Estado penal. Pesa forte na nossa formação social uma ideologia que normaliza tanta miséria e injustiça, dor e tragédia de setores populares jogados ao azar, convivendo ao lado de tanta ganância, soberba e impunidade ostentada pelos de cima.

***

Compas:

A narrativa triunfalista do crescimento econômico, do pacto social feito com os capitais com vocação “desenvolvimentista” pra fazer crescer o bolo nacional e ajeitar um lado pros mais pobres, veio abaixo. A locomotiva da desapropriação de bens e produção de commodities minerais e agrícolas para o mercado freiou com a desaceleração da China. Todo o frenesi das mega-obras e da especulação imobiliária foi desmanchado pós-copa pelo escândalos de propinas e os esquemas que sangraram a Petrobras para o benefício do empresariado e das campanhas eleitorais. O novo setor dos trabalhadores integrados, pela lógica financeira, no mercado de consumo, vê subitamente as dívidas, o aumento dos preços e o desemprego cobrarem caro pela fantasia de “nova classe média” que vendeu o governo. O que se chamou entre analistas de distintas lentes de neo-desenvolvimentismo foi um vôo de galinha que mal começou bater as asas e despencou.

O cenário recessivo mundial toca o país. Desde o começo do ano está em cena um ajuste violento contra o povo, representado por um pacote de medidas que corta direitos adquiridos dos trabalhadores, aumenta os preços administrados pelo Estado que atingem o custo de vida das massas e arrocha o orçamento público e do seguro social para pagar os juros dos agiotas da dívida pública.

O sistema financeiro reforça seus controles sobre os gastos públicos. Seus quadros ocupam setores privilegiados na máquina do Estado, constituindo uma equipe blindada junto a Joaquim Levy, formada nas idéias da escola de Chicago. O cassino global especula com a fome dos povos ao converter alimentos em commodities no mercado capitalista e ao torná-los derivados financeiros. Os juros adotados pelo COPOM causa um impacto bilionário na dívida pública, gerando lucros fantásticos ao capitalismo rentista e dando a essas corporações um poder privado sobre os recursos nacionais. As montadoras transnacionais usam de milhares de demissões e do expediente das férias coletivas para ajustar seus planos ao novo cenário. A patronal força por mais flexibilização do trabalho com a lei das terceirizações. O Programa de Proteção do Emprego ofusca uma bandeira histórica do movimento operário condicionando a redução de jornada com redução de salários, financiados com fundos do FAT- Fundo de Amparo ao Trabalhador.

Como dissemos: uma conjuntura de deterioração acelerada do modelo de pacto social e de políticas residuais de ajuda social dos setores populares integrados pelo mercado de crédito e pelo consumo e do modelo de geração de empregos precários vinculados ao regime flexível das obras e serviços.

O desfecho do segundo turno das eleições presidenciais de novembro de 2014 ligaram o alerta para um escandaloso estelionato eleitoral em curso manobrado pelo governo reeleito. Foram enterrados os votos do “menos pior” ou a esperança das regiões mais pobres de que os direitos, o trabalho e condições de vida não seriam castigados pela recessão. O segundo mandato de Dilma, ao longo do ano, afundou o modelo de controle social que vinha se corroendo pelo tempo junto com a calamidade da situação internacional e evoluiu, violentamente, para as pautas da austeridade, das barganhas da direita alugada e a precarização dos direitos trabalhistas reclamados pela ofensiva patronal.

Ao lado do desengano dos seus eleitores, agrega-se o impacto no imaginário social dos escândalos das redes de corrupção que as investigações da Policia Federal com a operação Lava Jato tem apurado. O espólio e o saque de recursos da Petrobrás pelas redes do poder político e econômico colocam em evidência conexões corruptas que capturam banqueiros, políticos de todas as cores e empresários que controlam os capitais que festejaram como ninguém o crescimento atribuído aos melhores anos da administração do PT. A rigor, estão todos de rabo preso. Esse é o sistema corrupto e criminal dos de cima, assim funciona suas estruturas fundamentais e assim agem seus operadores privilegiados. No entanto, é o PT em particular que recebe os holofotes por ser a autoridade máxima na gestão da máquina. A “corrupção” representada sob um viés moralista possibilita o oportunismo da direita opositora. Também é o artifício de pressão das oligarquias aliadas ao governismo. Por sua vez, os monopólios informativos tiram partido dessa situação para livrar uma luta ideológica implacável contra toda cultura de esquerda, atacando movimentos populares, direitos sociais, trabalhistas e bens públicos.

O discurso da estabilidade dos últimos vinte anos, produtor de sentido das relações do sujeito com o governo e as instituições e enquanto técnica de controle da vida das massas, sofre uma pressão desestabilizadora. Foi a prática do PT no governo de coalizão junto do PMDB que afundou este modelo. Em princípio foi o refresco, foi o fator político de um pacto de classes que desarmou o antagonismo social ao sistema. Agora é o fator detonador que frustrou as expectativas que vinham por esquerda, e ao se acomodar às estruturas de poder, jogou água no moinho da direita. Cooptou as utopias de parte da esquerda do Fora FHC e dos Fóruns Sociais Mundiais capturando pelas instituições de Estado a força social dos de baixo, desorganizou e fragmentou a classe trabalhadora e os setores oprimidos. Por correlação deu lugar, voz, gabinetes, verbas e lugar pro coro reacionário gritar em massa na ruas e jogar na confusão setores populares.

A tragédia é que as decepções, os fracassos e as capitulações ao modus operandi do sistema ativaram um recalque coletivo que conduz a um rebaixamento das expectativas gerais da sociedade com a política. Deixa lastro ideológico para os discursos de ódio que fazem aparecer rebentos de fascismo na classe média ou de fundamentalismos religiosos entre os populares.

Mensalão, petrolão, cortes de direitos sociais, privatização de infraestrutura e reservas, “Plano de Desinvestimento da Petrobras”, jogam definitivamente o PT na vala comum da política burguesa e produzem uma dilatação confusa e ambígua dos sentidos de esquerda e direita. A cena política privilegia as luzes e as sombras de um discurso polarizador que seleciona e narra os acontecimentos conforme uma lógica binária que exclui o desejo e os interesses das maiorias. Temos uma disputa mais feroz entre setores das elites dirigentes e as classes dominantes pela direção da máquina do Estado. Não é rigorosamente uma luta de classes, onde se enfrentam setores populares contra a burguesia e seus conexos. É uma luta de poder entre vizinhos do mesmo condomínio particular, que jogam seus efeitos de subjetivação no povo ao qual se reserva historicamente, quando muito, a área de serviços.

Os setores populares do país vêm sentindo cada vez mais os efeitos dessa conjuntura de aumento do custo de vida, de recortes nos benefícios sociais, falta de água e luz, desemprego, crise urbana e ambiental. A deterioração do governismo e do sistema político está agravando o desencanto com o modelo capitalista brasileiro. A insatisfação cresce por todos os lados e em alguns momentos chega a derramar pra fora dos velhos recipientes, das normas e das regras que o sistema reserva para sua canalização.

As jornadas de junho de 2013 puseram a insatisfação social e distintas e as vezes controversas demandas de setores populares e médios nas ruas. Abriram um espaço de indeterminação na política nacional ao fugir das regras dos conchavos oligárquicos, dos lobbies corporativos e os acordões entre partidos que formam o expediente normal da governabilidade. Por alguns momentos, correram por fora do jogo do poder capturado pelas instituições burguesas, formas sociais de protesto, de rechaço e saturação do sistema que escaparam do monopólio oficial da luta política, romperam o preto no branco e fizeram vazão de um imaginário social que é irredutível a polarização das elites.

Nos rastros do alegórico discurso de melhoria na condição de vida dos brasileiros apresentados nos programas de propaganda da gestão Petista vem à tona a dor dos povos desterrados, das mães que choram os filhos vítimas do racismo da cadeia e do extermínio, os moradores despejados de suas casas, os atingidos pela sanha predadora das empreiteiras e mineradoras, os trabalhadores estafados pelo regime de exploração, a juventude revoltada com seus horizontes negados.

Há poucos dias atrás fomos golpeados com a notícia da maior tragédia sócio-ambiental da história recente do Brasil. Ainda neste mês, 5 de novembro de 2015, o distrito de Bento Rodrigues em Mariana, interior de Minas Gerais, foi literalmente soterrado de lama tóxica depois do rompimento de duas barragens de rejeitos operada pela mineradora Samarco, propriedade das empresas Vale e BHP. As imagens são espantosas. Um povoado inteiro arrasado, dezenas de mortos e desaparecidos, entre elas crianças, cerca de 700 famílias desabrigadas, destruição da infraestrutura de bens e serviços públicos, contaminação irreparável do meio ambiente, e danos a toda a bacia do rio doce que abastecia a região, da terra cultivada pelos trabalhadores do campo. Afetando também cidades do Espirito Santo segundo estimativas de técnicos cerca de 3.000 km2 no litoral norte e uns 7.000 km2 no litoral ao sul, atingindo três Unidades de Conservação marinhas do território capixaba. Os estudos preliminares indicam alta concentração de metais pesados no meio ambiente, pois amostras de água coletada, por exemplo, apontam um índice de 1 milhão e trezentos mil por cento acima do tolerável.

Os rastros de morte que avançaram de Mariana ao Espírito Santo pra nada se referem a uma fatalidade natural. Tragédia que tem a marca tóxica e repugnante de seus proprietários. Do arranjo burocrático-corporativo que viola as licenças ambientais, que desrespeita a vida e os bens comuns para o deleite dos seus acionistas. O poder voraz e assassino do capitalismo extrativista escreve mais uma página da ação predadora e ecocida do sistema.

Em outro lugar do país, região centro oeste, estado do Mato Grosso do Sul, ao crescimento da produção da carne, da soja e da cana as cadeias do agronegócio fazem prospecção de negócios com a invasão violenta dos territórios indígenas Guarani e Kaiowá, Terena e Kadiwéu. O discurso de ódio das oligarquias se traduz em um repertório de ações atrozes sobre esses povos. Assassinatos e emboscadas, pulverização de veneno sobre as terras e águas da aldeia, cerco armado sobre os locais de conflito, mortes de crianças por fome e inanição. Em fins de agosto Semião Vilharva, kaiowá, foi assassinado com uma bala na cabeça de calibre 22 em mais um ataque de pistoleiros a soldo do ruralismo. A policia e a justiça são coniventes, aparelhos articulados na mesma estrutura do poder dominante.

Nos últimos 12 anos foram assassinados 390 indígenas no estado e 586 se suicidaram. Contabilidade sinistra do genocídio, produção de commodities para o mercado global com o sangue de um massacre covarde e implacável sobre os povos originários. Fatura da classe ruralista e da especulação financeira sobre a fome dos povos pelo modelo mortal e imundo do agronegócio.

No nordeste brasileiro, no último dia 12 de novembro, a chacina da Messejana, periferia de Fortaleza, deixou 11 mortos e vários feridos. Destes 10 jovens e metade menores de idade. Os moradores contam que policiais fardados agiram durante a madrugada, invadindo casas e arrastando as vítimas. Execução sumária da policia que dizem ter sido motivada por represália a morte de um soldado, durante assalto. No princípio do ano os policiais da Rondesp da Bahia, depois de executarem 12 jovens na chacina da Cabula em Salvador, foram estupidamente agraciados pelo governo estadual e ganharam a impunidade da justiça.

Em Osasco, mês de agosto, a chacina acabou com a vida de 19 pessoas. Noite de terror na periferia paulista acossada pela fúria sanguinária do grupo de extermínio da policia militar. Por regra geral, pobres e negros são o alvo.

Das mais de 56 mil mortes por homicídio no Brasil divulgada pelo Mapa da Violência de 2014 mais da metade são de jovens e destes 77% são jovens negros. O sistema prisional tem cerca de 600 mil presos e destes maioria jovem e quase 70% são negros. A polícia militar do RJ responde por 15% dos assassinatos do estado. O extermínio da juventude negra volta a apontar o Estado como uma máquina de matar, arrebentar, punir e prender os de baixo.

Em fins de outubro uma mobilização de mais de 5 mil companheiras ganhou a Cinelândia no Rio de Janeiro para dar luta contra um projeto de lei que corre no congresso nacional para modificar o atendimento de mulheres vítimas de violência sexual. O projeto de autoria do presidente da câmara Eduardo Cunha ataca os direitos femininos e criminaliza o aborto da gestação que resulta do estupro. O protesto se espalhou em várias capitais do país. A violência contra mulheres em 2013 registrou uma média de 13 homicídios por dia. A cada 1 hora e 50 minutos uma mulher é assassinada nesse país, a quinta posição do feminicídio mundial. Entre as negras um aumento de 54% dos homicídios em 10 anos. Números que certamente não podem mensurar todo o universo de violências sexuais e simbólicas a que estão sujeitas. Essas micro relações do poder reproduzem e conservam uma ordem sociocultural que oprime debaixo do patriarcado mais da metade da sociedade.

O capitalismo brasileiro tem avançado a passos largos para a terceirização e junto com ela o trabalho precário e mais vulnerável ao poder dos patrões, o aumento dos acidentes de trabalho. De cada 10 acidentes 8 são de terceirizados. Acrescenta-se jornadas esticadas por horas extras, salários baixos e repressão da organização de classe nos locais de trabalho. Violências de classe que estão codificadas nas técnicas e nos modos de gestão da força produtiva dos trabalhadores, poder que mata, mutila e invalida. O discurso da economia dominando como valor supremo, que faz da tragédia operária de todos os dias mola propulsora do crescimento capitalista.

Extrativismo depredador do meio ambiente, dos modos de vida e parasita dos bens comuns. Genocídio indígena. Encarceramento e extermínio da juventude e do povo negro. Violência estrutural sobre as mulheres. Regime de precarização dos trabalhadores. Ajustes que cortam fundo na carne do povo. Lei antiterrorismo que amordaça a ação direta popular e faz a “segurança jurídica” dos abutres do sistema capitalista. A formação social brasileira produz sujeitos historicamente (des)qualificados como bucha de canhão. Toda uma produção subjetiva que age nas relações sociais e que funciona pela rotina das instituições, naturaliza a tragédia social e sofrimento dos de baixo e faz dos privilégios e das posições de controle na hierarquia social um prêmio pra quem “merece”. A democracia que promete o sistema é a verdade cruel e traçante de quem joga nas regras do seu mecanismo de seleção. Os direitos para quem tem o mérito de tê-los. Punição para quem não aceita, de uma ou outra forma, o jogo da injustiça e a brutalidade: os desajustados, os indesejáveis.

O Brasil não tem saída a curto prazo que não venha pela mão dos concertos que vem de cima, do palco do sistema corrupto da democracia burguesa, do golpe do ajuste na carne do povo que cobram as classes dominantes. Tampouco das velhas fórmulas de frente popular das burocracias do sindicalismo e dos movimentos sociais atados ao governismo. Mas a luta de classes e dos povos oprimidos terá vazão com ou sem o PT e qualquer especulação que possamos fazer sobre o futuro do governo da república. As estruturas do poder dominante o ajoelharam e o fizeram jogar nas suas regras, como um partido da ordem, um personagem que se equivale com todos os outros no balcão de negócios da moeda podre do sistema.

O ajuste do Governo Dilma tem previsão de um corte de 32 bilhões em 2016 que atinge a saúde, a educação, moradia, programas sociais e os trabalhadores dos setores públicos. No congresso nacional, avançam as pautas de restrição de direitos das mulheres e da livre orientação sexual, violação dos territórios indígenas e quilombolas, desmonte da legislação ambiental para as mineradoras, a infame Lei Anti-terrorismo cobrada pelo sistema financeiro. Estados e municípios sangram o orçamento dos serviços públicos para pagar a dívidas infames.

E o povo reage!!!! Os petroleiros pelejam com greve contra a venda de ativos da Petrobrás e o leilão de campos de exploração ao capital transnacional.
Em São paulo até o momento mais de 70 escolas foram ocupadas por estudantes e professores contra a reforma do ensino do governo do PSDB que fecha 94 escolas e atinge a educação de cerca de 300 mil alunos.

Os trabalhadores da Usiminas fazem luta pelas táticas de ação direta ao plano de 8 mil demissões anunciado pela empresa.
Em Cubatão a resistência operária e a disposição de não ceder os empregos e enfrentar a patronal pela greve foi severamente reprimida pela polícia e coagida a volta ao trabalho.

As marchas contra o genocídio do povo negro ganham expressão em várias partes do país.

Os sem teto ocupam terrenos e prédios.

Camponeses, indígenas e quilombolas lutam sem trégua pela terra e contra o complexo do agronegócio, das mineradoras e as mega-obras de infraestrutura e energia como o da Belo Monte.
Teimosos das famílias de pescadores tradicionais e dos pequenos agricultores do 5o distrito de São João da Barra no RJ que resistem as remoções que beneficiariam o complexo logístico do Porto do Açu terminal do maior mineroduto do mundo que rouba minério de ferro do solo da cidade Conceição do Mato Dentro MG, rasgando a vida de 33 municípios em mineiros e fluminenses desembocando matéria-prima pro capital transnacional.

A CAB não faz aposta no quanto pior melhor da mesma forma que não cai na armadilha do menos pior. Nossa concepção anarquista parte das resistências que produz esse drama cotidiano, encontra seus modos de ser no antagonismo ao sistema, como ideologia que conjuga liberdade, justiça e apoio mútuo na experiência diária desses combates. Toma a ferramenta da organização política em articulação com as dinâmicas das lutas sociais, aprende, elabora e se une com elas. Não faz exercício diletante no alto da torre vigilante dos princípios puros e estáticos. Desafiado a arriscar suas críticas, propostas e ações no interior dos problemas que tocam os oprimidos, as classes trabalhadoras e os setores populares, a autodeterminação dos povos, os direitos étnicos-culturais, das mulheres e da diversidade sexual, a ecologia social e a defesa dos bens comuns.

Como já dissemos: somos partidários de um programa de lutas pra construir um povo forte, que não troque sua independência de classe por cargos, favores ou razões governistas. Como pequena mas resoluta forças de combate ao lado dos oprimidos continuaremos como sempre nas lutas que vem de baixo, fora do governo e da colaboração com os patrões. E vamos construir resistência junto com quem luta por soluções práticas, sem renunciar nossa intenção libertária e socialista, com o sentimento de que nada podemos esperar que não seja de nós mesmos.

Ir tecendo pelas práticas da democracia de base e o federalismo, por dentro do sindicalismo classista e dos movimentos populares, a rede de solidariedade que seja vetor de uma frente dos oprimidos. Desenvolver a musculatura de um povo forte pela ação direta popular. Gerar a cultura e os valores de um mundo novo pelo exercício das formas de poder popular que vem de baixo.

Contra o ajuste econômico e
a criminalização do protesto e da pobreza.
A rebeldia não se ajusta.
Sempre com os que lutam.
Lutar e criar Poder Popular.

DISCURSO DA FAG

Boa noite companheiros e companheiras

Estas últimas semanas têm sido muito especiais para nós anarquistas da FAG. Receber companheiros e companheiras de distintas partes do Brasil, da América Latina e do mundo para juntos celebrarmos um pedacinho dessa rica história do anarquismo, nos enche de alegria! Aqui encerramos um ciclo para começarmos um novo. Um ciclo de maior organização; de maior firmeza em nossos vínculos e em nossos laços de fraternidade e solidariedade; de reafirmar a luta, o protagonismo popular e a transformação revolucionária das nossas relações e da nossa sociedade como os únicos caminhos fecundos para romper definitivamente as amarras desse sistema sanguinário que nos oprime todos os dias.
São 20 anos de construção anarquista nacional. São 20 anos de FAG, de OSL, de FAO, de CAB, de FARPA, de Rusga Libertária, de CALC, de FARJ, de CABN, de ORL, de FACA, de OASL e de muitos outros que com seus esforços vem forjando anarquismo militante, classista, com raízes na história de combate do nosso povo. Duas décadas cultivando raízes anarquistas para que floresça bela e forte o poder do povo, o Poder Popular.

Na ocasião do Ato Público de 10 anos da FAG dizíamos:

“Nascemos porque morreram homens como Mikail Bakunin, Errico Malatesta, Nestor Makhno, Sepé Tiaraju, Zumbi dos Palmares. Nascemos porque morreram mulheres como Espertirina Martins, Malvina Tavares, Anastácia, Anita Garibaldi e tantos outros e outras anônimas ou não que morreram defendendo a justiça e a liberdade.

Nascemos pelas mesmas mãos que o anarquista Djalma Feterman usou para atirar uma bomba disfarçada de buquê de flores, que carregava a também anarquista Espertirina Martins com seus 15 anos de idade, na carga de cavalaria da Brigada Militar durante a Guerra dos Braços Cruzados em 1917.

Nascemos pelas mesmas mãos que pegaram em armas no Uruguai, enfrentaram a ditadura, foram torturados e presos, porém, não desistiram: já completaram meio século e foram decisivos para a formação da FAG neste canto do Brasil: assim foi o apoio generoso da FAU, presente conosco hoje e sempre.

Nascemos e renascemos todos os dias pelas mesmas mãos das pessoas simples, gente humilde, que nas suas mãos, carregam as marcas de ser parte dos de Baixo.

Dizem por ai que pobre vive de teimoso. Foi por teimosia que a FAG nasceu. É por teimosia que continuamos vivos e lutando e vamos completar mais dez anos insistindo em dizer que é somente o povo organizado e em luta que vai conseguir conquistar tudo o que precisa e quer.”

E aqui estamos companheiros e companheiras, 10 anos depois, cumprindo e dando continuidade a um Compromisso, a uma Idéia, a uma Prática: O SOCIALISMO COM LIBERDADE!!!

Não tem sido tarefa fácil. Nossa busca tem sido sempre a de fazer do anarquismo uma ferramenta atual e à altura das diferentes conjunturas que nos toca viver e atuar. Uma ferramenta dinâmica, que nos permita ampliar coletivamente as forças que individualmente seriam muito limitadas; um anarquismo militante e organizado que construa junto, ao lado dos de baixo, propostas concretas contra os ataques dos de cima. Um anarquismo prático, dotado de táticas e de um programa mínimo e, ao mesmo tempo, uma anarquismo finalista, dotado de um programa estratégico e de longo prazo. No fim e ao cabo, um anarquismo político que contra e por fora do Estado solucione o problema do Poder, do que colocar no lugar das instituições burocráticas, centralistas e autoritárias do Sistema de Dominação Capitalista.

Um anarquismo Federalista, Autogestionário, que produza com suas práticas, métodos, críticas e experiências, uma ideologia de transformação. Sem vanguardismos, ditaduras ditas proletárias, vocação pra partido único. Pois não se trata de fazer da Política a tarefa de conduzir um Estado, seja ele qual for, em nome das classes oprimidas para daí impor a nossa vontade enquanto povo às classes dominantes. Trata-se de fazer da Política a tarefa de construir um Povo Forte, com seus instrumentos, instituições, ferramentas que vão gestando o novo na medida em que vão golpeando e destruindo o velho. Colocaremos no lugar do Estado e de seus aparatos as instituições das classes oprimidas, construídas desde baixo, articuladas e coordenadas entre si.

Como já escrevemos em outro momento,

É certo que o trânsito até uma sociedade distinta deve ser feito dentro deste sistema. Mas a experiência vivida indica que existem meios, orientações, uso de instrumentos, de instituições e formas de organização de atividades sociais que devem ser dispensados se queremos ir conformando forças sociais capazes de produzir verdadeiras mudanças nas formas da organização social. É imprescindível outro enfoque se queremos ir construindo uma sociedade distinta. Não parece ser boa estratégia escolher aquelas vias, aqueles lugares e trajetos que tem dono e o poder de imprimir seu selo ao que ali entra. Quantas organizações políticas, quantos lutadores cheios de ideais e sonhos terminaram pensando com a lógica do sistema e vendo como inimigos a seus queridos companheiros de ontem.

Outro sujeito histórico não virá do nada, não aparecerá como arte de magia, deve ser o fruto de práticas que internalizem outras questões que chocam com o dominante. A participação efetiva, a autogestão, a ação direta, a forma federal de funcionamento realmente democrático, a solidariedade e apoio mútuo, necessitam de mecanismos, organizações, práticas regulares para seu desenvolvimento. E só se produzida no povo é que a mudança se tornará uma realidade.

Uma estratégia que tenha em seu interior um mundo distinto que vai emergindo desde o seio de outro que lhe é antagônico. O famoso “usar todos os meios” pode ser uma maneira efetiva de assegurar que não se construa nenhuma estratégia antagônica portadora dos elementos de desestruturação do sistema vigente.

Relacionado a isso, está a necessidade de forjar um inconfundível estilo de trabalho.

Um estilo de trabalho também é elemento da produção ideológica, se define como um modo especial do fazer político-social em todos os seus atos, no discurso, no comportamento de grupo, nas relações entre companheiros e com a sociedade, nos planos de ação, etc.. A ideologia libertária se materializa, é produzida e reproduzida, entre outras coisas, nessa forma estimulada de representar seus valores, sua ética e aspirações nas práticas de todos os dias. Assim, o estilo de trabalho que marcamos nos processos de luta e organização, em uma boa medida, vai dizer quem somos pelo que fazemos, como fazemos, com que coerência ideológica estão formados nossos atos de organização militante.
Reconhecer entre iguais a dignidade do outro, como irmãos na luta e no projeto para mudar a sociedade, sempre será a base da estrutura e das normas jurídicas que constituem um pacto federativo. A fraternidade que permeia um projeto militante dá o vínculo moral fundamental para formação das relações de confiança. E a política, como apontam as investigações teóricas que temos estudado, tem suas razões e suas sem razões. Não é só feita de escolhas racionais, tem boas doses de conteúdo sensível, está atravessada pelas formações ideológicas que constituem o sujeito.

Está em jogo uma pedagogia do exemplo, a forja de referências a partir daquilo que fazemos, pelos valores que veiculamos em nossas práticas, e nas nossas ações diárias.

O estilo pra promover nessa perspectiva deve produzir: iniciativa pras tarefas, responsabilidade plena com os mandatos coletivos, resoluta solidariedade, pedagogia do exemplo, liderança moral, maturidade para crítica, exigência fraterna, preocupação formativa.

São esses alguns dos desafios a que nos propomos todos os dias ao participarmos do movimento sindical, do movimento estudantil, na militância nos bairros, vilas e favelas; nas lutas urbanas, contra as violências de gênero e raça; no campo e na floresta e em toda ação de solidariedade aos enfrentamentos da diversidade dos sujeitos que compõe as classes oprimidas. UNIR O DISPERSO, ORGANIZAR O DESORGANIZADO, SOLIDARIEDADE É MAIS DO QUE PALAVRA ESCRITA, RODEAR DE SOLIDARIEDADE OS QUE LUTAM, são algumas consignas que expressam bem de que transformação social estamos falando.

Porque é mais importante para nós CRIAR UM POVO FORTE do que UM PARTIDO FORTE. Uma nova articulação entre o POLÍTICO e o SOCIAL, como dois planos de ação simultânea e devidamente articulados. Mas cada um com sua independência relativa, com sua própria especificidade. Somos assim partidários de um trabalho simultâneo, dentro de um mesmo projeto: da organização política libertária e do trabalho em todo o campo social.

Esse é o nosso especifismo, essas são as bases da nossa construção.

E que Base precisamos para esses tempos difíceis em que estamos vivendo. Já vivemos épocas difíceis, pois quem não se lembra do ataque aos profesores, aos catadores e aos sem terra no governo Yeda do PSDB, em que o sempre presente Elton Brum da Silva foi assassinado com um tiro de calibre 12 pelas costas pela Brigada Militar? Ano em que tivemos nossa sede pública invadida e companheiros procesados. Quem não se lembra dos 10 mil gaseificados, das balas de borracha, das pauladas, da violência psicológica e da nova invasão de nossa sede pública assim como de casas de outros lutadores sociais na jornada de lutas de 2013 durante e sob as ordens do governo Tarso Genro do PT? Ano em que companheiros foram procesados, presos e criminalizados em processos judiciais políticos e ideológicos.

2013 merece nossa consideração a parte, pois foi um ano intenso e atípico para nossa militância. Participamos desde o inicio das jornadas de luta por um transporte 100% público em Porto Alegre. Construímos juntos e em unidade com outros setores da esquerda o Bloco de Lutas pelo transporte público e fizemos días memoráveis lado a lado de milhares de lutadores. Não poderia ser diferente. Assim, Porto Alegre formou parte de um processo nacional de lutas que brindou novos elementos para nossa análise. Diziamos na ocasião de nosso 6º Congresso:

“O povo fez dias de luta no país que se fizeram irreprimíveis em junho. A luta por um transporte público coletivo, que é organizada por militantes de esquerda de um movimento social que leva anos, e a indignação com relação aos altos gastos na Copa das Confederações em detrimento de outras áreas como saúde, educação, etc.; deu vez a um turbilhão de demandas que latejavam na vida neurótica, precária e estafante dos setores médios e populares. Grande parte da geração jovem e combativa que forma as mobilizações de massa dessa hora cresceu nos últimos 10 anos de governos do PT e encarna a expressão conflitiva e saturada do seu modelo capitalista de crescimento econômico.

Traz na bagagem a confusão e as incertezas que se gestam numa nova experiência com a política, com um imaginário nos protestos que sacodem o mundo, muito apoiada aos modos de interação e reconhecimento social que produzem as novas tecnologias de comunicação. O povo em conceito amplo não opõe classe contra classe e joga na cena dos acontecimentos uma disputa de ideias, de valores e projeto social para atuar criticamente, com uma concepção classista em dia com a formação social brasileira dos tempos que vivemos. Contudo, não temos dúvidas que o movimento que vem debaixo é o terreno mais fértil para fazer luta de classes, construir democracia direta e desenvolver músculos para uma estratégia de poder popular.

Na gestação dessa nova correlação de forças a luta contra o aumento das tarifas do transporte coletivo é a expressão mais articulada de uma avalanche de sentimentos e demandas reprimidas que extrapolam os controles dominantes da sociedade brasileira.

As chamadas jornadas de junho e julho foram, portanto, expressão do descontentamento com o quadro acima descrito. Indicam, por sua composição, magnitude e mesmo pelas formas com que foram convocadas em algumas cidades, mudanças e elementos a tomar em consideração na hora de concebermos uma estratégia própria daqui pra frente.”

Levando em consideração estes e outros elementos, procuramos caracterizar o período (a etapa) em que estávamos entrando como uma ETAPA DE RESISTÊNCIA COM VIÉS COMBATIVO. Por este conceito, sem referência com velhos esquemas que sugerem um traçado reto e linear do processo social-histórico, quisemos representar um cenário político para os fatores de cambio social e os elementos característicos de uma correlação de forças na sociedade.

“A luta das classes oprimidas e do projeto socialista passa uma etapa de refluxo, de restruturação dos meios organizativos, de ações dispersas e fragmentárias que não alcançam formar um conjunto com elementos ideológicos e programáticos que façam um antagonismo forte ao sistema. Uma parte importante dos setores populares, das organizações e sindicatos, embarcam nas velhas promessas do crescimento econômico e se curvam para as ideias do neodesenvolvimentismo. Há uma crise de movimento social, de organizações de base, de forças acumuladas pela luta que superem atos espontâneos e alcancem a ação federada. Estão seriamente ajuizadas pela história recente as estratégias de esquerda que buscam mudanças sociais por dentro das instituições funcionais as relações do poder dominante. O tempo é de divisão de águas, ajuste de lentes para pensar as condições e possibilidades da relação de forças do momento. Exige capacidade de inserção de um projeto finalista revolucionário no interior dos problemas e conflitos deste presente histórico. Trabalho de base entre as demandas populares que não são absorvidas pelos controles do modelo capitalista, na direção de um povo forte, de práticas de ruptura que favoreçam a construção histórica de um sujeito antagonista as estruturas do capitalismo.”

Neste sentido concreto e operativo que aplicamos esta categoria para fazer baliza de condições e possibilidades de nossa prática política. Contudo, tinham emergência na cena dos acontecimentos históricos, ventos novos que nos provocaram uma leitura mais matizada, elementos conflitivos com certo peso ideológico que indicavam abertura para um passo diferente. Percebíamos a possibilidade de uma acumulação de forças combativas que até então estava fora de nosso panorama.

Deriva daí nossa aposta estratégica expressa no conceito de intersetorial dos combativos:

“vamos operar nesta etapa com uma proposta militante para ligar o espectro das lutas sociais que confrontam com o modelo dominante do capitalismo brasileiro com um programa mínimo de soluções populares. Ajudar na forja de unidade de baixo pra cima, criar um povo forte que imponha na cena nacional uma nova correlação de forças pra aplicar um projeto de transformação social.

Nessa linha atravessa o trabalho metódico e determinado de radicar nossas posições libertárias em organizações de base, em sindicatos, coletivos e movimentos sociais que serão nosso vetor social. Mas vai além. Implica fazer uma costura com outros setores sociais e políticos que atuam também onde não alcançamos, não pisamos, pra formar um campo de alianças dentro de princípios e acordos que fortaleçam uma posição de força para a independência de classe. Que favoreça, concorra e apoie a gestação de uma nova estrutura de massas, catalizadora do poder social das classes oprimidas, articulada pelas bases, que não se integre nas vias burocráticas dos controles institucionais burgueses.”
Desde então muita água rolou. Entramos no ano de 2015 e novos elementos se apresentaram na conjuntura do RS. O eleito ao governo estadual, o gringo José Ivo Sartori do PMDB, veio para aprofundar os ataques aos direitos e condições de vida dos de baixo. Aprovou um pacote de medidas que cortou fundo na carne do povo oprimido em benefício da manutenção dos privilégios e lucros de governos e patrões. Parcelou salários do funcionalismo estadual, quis extinguir orgãos públicos fundamentais à pesquisa e preservação ambientais e cortou verbas de áreas imprescindíveis aos trabalhadores como as de saúde e educação. Sem falar na sua brigada militar que segue matando a juventude negra e pobre nas periferias.

“Ao lado do ajuste que saca dinheiro dos hospitais e postos de saúde, das escolas, programas sociais, da ampliação do espaço comum e da rede de serviços públicos que aumentam bem estar e condições de vida do povo, é martelada diariamente, sobretudo pela voz do grupo RBS, a bandeira da segurança. O grupo de comunicação que é bom pagador de propina pra sonegação fiscal, dono de um patrimônio que figura na lista seleta das elites gaúchas, avaliza o ajuste e faz campanha de terror e medo pra reclamar mais segurança. Aí está! Segurança é um discurso que dá sentido e faz funcionar um poder de controle e vigilância que institui a paz para a vida normal do sistema e dos bem nascidos e que instala a guerra que pune e criminaliza a pobreza. A segurança que ecoa fundo nas preocupações das elites e da classe média é a que sempre reforça a violência policial sobre as “classes perigosas”.

“Faltam recursos porque os capitalistas reservam os privilégios e os lucros para suas propriedades e estouram as contas públicas nas costas do povo. Todo um sistema de pilhagem que funciona pelo mecanismo da dívida pública, que espreme o patrimônio construído pelos trabalhadores, que desmonta e privatiza bens públicos e produz um discurso econômico liberalóide de déficit e responsabilidade fiscal. Os partidos de governo se sucedem sempre dentro desta ordem: uma camisa de forças do sistema que todos vestem. O PT subscreveu os contratos com o Banco Mundial durante o governo Yeda Crusius que ampliou o poder do sistema financeiro sobre o controle dos gastos públicos. Na sua vez no Piratini, Tarso Genro teve que amargar a pena de devedor do Piso Nacional do magistério.”

Um contexto em que frente aos ataques dos de cima, houve luta e resistência dos de baixo.

“Uma série de setores sociais dão fôlego a seus processos de mobilização e indicam a disposição de luta para dar combate a lógica imposta pelos de cima que precariza a vida do povo. Diversas mobilizações e ações de rua que no nosso entendimento contribuem para o fortalecimento da organização, capacidade de enfrentamento e acúmulo de forças dos de baixo para o próximo período. Experiências como as greves em curso, os piquetes, as manifestações de rua, o diálogo com a população e os cortes da via pública em todo o Estado são ensaios de um processo que não termina aqui.”

Infelizmente, as burocracias sindicais fizeram de tudo para frear os ânimos e conduzir as rebeldias populares para a arena institucional de seus partidos da ordem. O desespero e a indignação dos trabalhadores frente a essa política de austeridade não encontraram eco e canais adequados para a promoção de uma luta sem trégua que alterasse a correlação de forças em seu favor. Acelerar pisando no freio e manter o controle e a ordem das ações de base das categorias foram e são marcas de uma concepção sindical burocratizada e verticalizada que não se movimenta no sentido de organizar e dar impulso a disposição de luta da base.

A mobilização do funcionalismo público estadual, em especial os trabalhadores em educação gaúchos, é um exemplo emblemático dos resultados nefastos de tal concepção sindical. Deslegitimar e isolar as iniciativas combativas de setores de base; apostar numa greve unificada com setores da repressão; fazer da categoria base de apoio a politicagem de seus deputados na Assembléia Legislativa; promover fragmentadas paralisações para fingir que faz pressão nos políticos de turno ao invés de promover, organizar e favorecer uma greve por tempo indeterminado com a solidariedade e participação dos estudantes e das comunidades para dar uma resposta a altura dos desmandos do governo; são alguns dos feitos responsáveis pela desmobilização de uma categoria que há anos não se mobilizava como se mobilizou.

E como não seria diferente…

“Nessa conjuntura, a criminalização veio forte. Por lutar, rodoviários da Carris em solidariedade a paralisação estadual do dia 03/08 foram demitidos, e os servidores municipais da Assistência Social e da Saúde de São Leopoldo-RS sofreram processo de criminalização judicial. Esses são nítidos exemplos de perseguição política e sindical e é emblemático o caso da Carris em que os demitidos são militantes sindicais que tiveram seu direito ao trabalho anulado.

E ainda sobre o aparato repressivo

Duas prisões na capital durante uma Manifestação de trabalhadores da Educação vinculados ao Cpers. Além desse fato, cabe destacar a intimidação realizada pela “segurança” nos piquetes no Centro Administrativo Fernando Ferrari (CAFF) e o assassinato, pelas costas, de um jovem negro no Morro Santa Tereza, em Porto Alegre. Esses são nítidos indícios de que a repressão nunca estará ao lado dos trabalhadores e dos de baixo e que seu papel é de repressão aos que lutam e de extermínio da juventude negra e pobre das periferias.
“Nem com os que mandam por cima, nem com os que reprimem por baixo!” diziamos.

Nacionalmente, uma conjuntura de intensificação nos ataques aos direitos dos trabalhadores, do golpe dos ajuste fiscal que corta na carne e no bolso dos de baixo para manter os privilégios e os lucros dos de cima, de aumento da violencia contra as mulheres, em especial as mulheres negras, de retrocesso nos processos de demarcação das terras indígenas e quilombolas; de aumento da criminalização da pobreza e do protesto; de cortes de verbas na educação e de forte investida de setores conservadores contra uma educação transformadora; de lei dita “anti-terrorista” mas que na verdade é uma lei contra os movimentos sociais. Tudo isso no marco de um lastro político e ideológico de desarme organizativo das classes oprimidas deixados por 12 anos de governo petista. Esses são alguns dos elementos atuais que precisamos ter em conta na hora de atuar.

Um novo ciclo também parece se abrir na politicagem e nas disputas entre vizinhos de um mesmo condominio, o dos de cima. Uma nova descontinuidade que vai reelaborar elementos gestados no pasado recente para manter a dominação político, económica e ideológica de sempre. Assim, afiar os nossos instrumentos para uma conjuntura e quem sabe uma etapa mais peleada para os de baixo é demanda permanente. Nossa FAG e nossa CAB estará ai! Assim como estarão ai nossa FAU, nossa FAR e todos os nossos companheiros e companheiras que de cima a baixo de nossa América Latina e de todos os outros continentes vem construindo processos de luta e organização.

São curdos, africanos, norte americanos, mapuches, kaingang, chilenos, uruguaios, argentinos, brasileiros, quechuas, palestinos, gregos, guaranis, espanhóis, zapatistas, entre tantos outros povos, os que lutam, se erguem contra as opressões, forjam exemplos, inscrevem pelas suas práticas, referências! É sobre todos que a criminalização se coloca. É assim, uma luta que deve ser feita em conjunto e a partir da diversidade de lutas, de combate as opressões e dominações que cada segmento dos de baixo levanta!

É porque não esquecemos os milhares de Eltons, de Claúdias, de Amarildos, de Zumbis, de Dandaras, de Elenas, de Pochos, de Idilios, de Espertirinas, de Hebers, de Louises, de Lucys, de Polidoros, de Domingos, de Emmas, de Marias Lacerdas e de tantos outros homens e mulheres inscritos em nossa memória com seus exemplos de luta e resistência que ESTAMOS AQUÍ!

E AQUÍ ESTAREMOS ATÉ O FIM DESSE SISTEMA DESUMANO E CRUEL CHAMADO CAPITALISMO!

QUE VENHAM MAIS 20, 30, 50, 100 ANOS A ENRAIZAR ANARQUISMO!!!

NÃO TÁ MORTO QUEM PELEIA!

VIVA A FAG, VIVA A CAB!

VIVA A ANARQUIA!!!

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Saudação do Coletivo Anarquista Luta de Classe aos 20 anos da Federação Anarquista Gaúcha

“A organização, mantendo e promovendo o espírito de revolta, assume como próprias todas as exigências presentes e futuras de um processo revolucionário. E a partir do trabalho militante organizado, e somente a partir dele, que se pode promover coerentemente e com força redobrada a criação, o fortalecimento e a consolidação das organizações populares de base, que constituem os núcleos do poder popular revolucionário.” (fAu)

É com muita alegria que saudamos as companheiras e companheiros que construíram e constroem a Federação Anarquista Gaúcha, nestes seus 20 anos de muita luta e organização. O anarquismo especifista se enraíza no Rio Grande do Sul e no Brasil muito pelos esforços da FAG e estaremos juntos nas próximas décadas a enraizar ainda mais o anarquismo organizado nas terras brasileiras.

Construímos conjuntamente a Coordenação Anarquista Brasileira (CAB), uma ferramenta de organização do anarquismo especifista no Brasil, desde sua fundação em 2012 e nos esforçamos para avançar rumo à criação de uma organização nacional. A partir da articulação entre as organizações especifistas da região sul (CALC-PR, CABN-SC e FAG-RS) estamos conseguindo cada vez mais avançar no rumo que esperamos.

Nesta etapa de resistência da classe oprimida no Brasil, é necessário que continuemos firmes a fermentar a luta rebelde de nossa classe e nos organizarmos cada vez mais para romper com todos os tipos de dominação. Em um momento de ajuste fiscal, ataque aos direitos da classe oprimida, genocídio dos negros e indígenas, violência machista, homofóbica e transfóbica, criminalização da pobreza e do protesto, só nos resta um caminho: seguirmos lutando.

Os conflitos sociais se intensificam. Neste ano, por exemplo, tivemos lutas intensas do funcionalismo público no Paraná e Rio Grande do Sul, dia 29 de abril será para sempre lembrada pelo massacre de professores e estudantes paranaenses. A luta contra as terceirizações se fortalece; centenas de greves – em que muitas passam por cima da burocracia sindical; a luta contra PEC 215, contra o genocídio indígena e quilombola; dezenas ocupações em São Paulo contra o fechamento de escolas e muito mais.

Somente com muita luta e organização vamos conseguir romper com este sistema de dominação, tendo como inspiração a revolução social curda que está em processo. Na América Latina, está claro que temos um caminho longo a percorrer até o socialismo libertário, mas temos confiança que estamos nos fortalecendo e desde as bases criando poder popular, como o exemplo das lutas no Rio Grande do Sul, com especial influência da FAG, nos demonstram.

Lutar! Criar Poder Popular!
Viva o Anarquismo Especifista!
Viva a Federação Anarquista Gaúcha!
Viva a Coordenação Anarquista Brasileira!

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[CAB] DECLARAÇÃO DO ENCONTRO NORTE/NORDESTE DA COORDENAÇÃO ANARQUISTA BRASILEIRA (CAB) – OUTUBRO 2015

Retirado de: http://anarquismo.noblogs.org/?p=330

No sertão da Bahia, organizações anarquistas afinadas com a corrente especifista, estiveram reunidas nos dias 10, 11 e 12 de outubro, dando continuidade à construção dessa estratégia, especialmente, nas partes do Norte e Nordeste do mapa brasileiro. Este VI Encontro das Organizações Anarquistas Especifistas do NO/NE, teve como particularidade, ser o I como Encontro NO/NE da CAB. Ou seja, todas as organizações participantes, já estão agrupadas organicamente na Coordenação Anarquista Brasileira ou demonstram interesse em tal objetivo.

O discurso de “crise” vai muito além de consequências meramente econômicas. Ele cumpre um papel ideológico na desmobilização das ações populares, mesmo aquelas de cunho apenas reivindicatório. Os cortes de verbas, com a “necessidade” do ajuste fiscal, têm fomentado um contexto social de perda de direitos trabalhistas (a exemplo do PL 4330 – que amplia e legitima um modelo de trabalho precarizado através da terceirização) de aumento da carestia de vida, das chantagens do cassino econômico, a ascensão da criminalização dos protestos – através da intensificação da repressão (como a Lei Antiterrorismo e seu papel na tentativa de silenciar @s que lutam), a redução da maioridade penal – aliada ao fechamento de escolas públicas e abertura de presídios, o desmantelamento de setores públicos como incentivo a privatizações, entre outras ações que representam os interesses do Estado e Capital privado na manutenção do status quo e do controle social.

A ascensão de pautas progressistas que se vislumbrou nas jornadas de junho de 2013, hoje é contrastada por uma direita política e econômica mais articulada e retrógrada. O descrédito das instituições sociais e dos partidos políticos, acompanhado de uma “política do medo” – que legitima políticas segregacionistas e racistas em relação aos espaços públicos –, contribuem para a despolitização dos de baixo e o acirramento das disputas dentro da própria classe trabalhadora.

Neste contexto de midiatização política onde é desenhada uma falsa polarização entre PT e PSDB (e nesta seara, o fortalecimento do PMDB para a retomada da governabilidade), opor-se às ordens petistas, é visto como automática aliança às ideias tucanas. Existe um imaginário onde o Partido dos Trabalhadores ainda encontra-se no conjunto de organizações da classe trabalhadora (mesmo que como traidor desta). Nesse sentido, a oposição ao PT reverbera em diversos setores da luta popular, tendo gerado como uma das consequências o abandono a toda e qualquer forma de mobilização. Rejeitamos frontalmente tal modelo, por enxergarmos que há uma confluência de interesses na política parlamentar, e estes, estão longe de serem favoráveis às necessidades, anseios e sonhos d@s oprimid@s. Sendo assim, as ações de resistência d@s trabalhador@s, como greves, paralisações e piquetes, vêm sendo tomadas cada vez mais de forma independente, visto que as centrais sindicais se articulam apenas para a defesa do governo e não da nossa classe.

Este cenário, ao passo que se constitui ambiente favorável à emergência de posicionamentos fascistas, lança, na outra mão, grandes desafios às organizações libertárias de hoje. As denuncias à institucionalização das lutas sociais, sempre estiveram presentes na práxis anarquista. Assim, princípios, para nós, inegociáveis, apontam um caminho que, em sua longa estrada, empodera @s de baixo, fortalecendo e federalizando as lutas populares em ação direta. Contra todas as formas de opressão, com solidariedade de classe. Urge a necessidade de alternativas não parlamentares, com alianças táticas, construídas à luz das nossas experiências históricas, objetivando uma sociedade radicalmente diferente desta. É nisto que acreditamos. É por isto que estamos aqui.

Fórum Anarquista Especifista (FAE) – BA
Federação Anarquista dos Palmares (FARPA) – AL
Organização Resistência Libertária (ORL) – CE
Coletivo Anarquista Organizado Zabelê (CAOZ) – PI
Federação Anarquista Cabocla (FACA) – PA

Feira de Santana/Bahia, 11 de outubro de 2015

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A “justiça” do Estado tem um lado. E não é o do povo.

Não é de hoje que o Poder Judiciário deixa de servir a quem ele teoricamente deve, aos “cidadãos e cidadãs da nação”, às “pessoas de bem”. O direito, tal como é organizado hoje, tem o papel de garantir a propriedade de quem já a tem e marginalizar quem não se encaixa nos padrões do sistema capitalista de dominação.

Enquanto protege os interesses dos grandes, do capital e de todos aqueles que têm condições de pagar um bom advogado, mercantiliza o direito à liberdade e à defesa na atual “democracia”, criminaliza a pobreza e os movimento sociais.

O dito “Estado Democrático de Direito” da Constituição Federal é o Estado Oligárquico de Direito na prática – direitos para os ricos, para os brancos; migalhas, chacinas e prisões para os pobres, pretos e marginalizados.

Não é preciso uma pesquisa minuciosa para que encontremos casos em que fica explícito qual o lado das autoridades judiciárias. Num conflito judiciário em que uma parte tem residência fixa, estuda ou estudou na universidade, é branca e pode bancar um advogado renomado contra um pobre, desempregado e que necessita da Defensoria Pública; a dita igualdade só existe no papel.

Trazendo para um caso da realidade paranaense atual, é importante fazermos um breve histórico. Curitiba até alguns anos atrás era marcada pela grande presença e ação de gangues nazi-fascistas nas ruas da cidade, como podemos destacar nas seguintes manchetes tiradas de canais de comunicação:

Neonazistas atacam em Curitiba depois de protesto deste domingo e geram pânico
http://revistaladoa.com.br/2015/03/noticias/neonazistas-atacam-em-curitiba-depois-protesto-deste-domingo-geram-panico”;

Grupo de skinheads causa terror no Largo da Ordem de Curitiba
http://pr.ricmais.com.br/cidade-alerta-parana/videos/grupo-de-skinheads-causa-terror-no-largo-da-ordem-de-curitiba/”;

Jovem assassinado por skinheads foi confundido com punk, diz a polícia – http://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/jovem-assassinado-por-skinheads-foi-confundido-com-punk-diz-a-policia-f5los39ezvfoh25cjgkw2i6ha”;

Estudante sofre ataque homofóbico
http://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/estudante-sofre-ataque-homofobico-eijxzdx1pz9p59lrolj1cipu6;

Polícia identifica estudante skinhead que matou punk em Curitiba
http://pr.ricmais.com.br/seguranca/noticias/policia-identifica-estudante-skinhead-que-matou-punk-em-curitiba/;

Quatro são esfaqueados após briga no Curitiba Rock Carnival, diz polícia –
http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2014/03/quatro-sao-esfaqueados-apos-briga-no-curitiba-rock-carnival-diz-policia.html;

Guarda Municipal é preso após atirar contra rapaz no Largo da Ordem
http://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/guarda-municipal-e-preso-apos-atirar-contra-rapaz-no-largo-da-ordem-77cw3c42ek0i0sp4ljj5po026

Dentre os casos listados, queremos listar um, o de Adriano de Souza Martins, conhecido com Pararaio. Três meses atrás, dia 31 de julho de 2015, Pararaio retornou à liberdade após estar preso desde março de 2014.

Pararaio é um lutador antifascista da cidade de Curitiba que foi acusado por 4 tentativas de homicídio depois de ter se envolvido numa briga para defender seu amigo Diego (conhecido com Xarope) que estava sendo espancado e esfaqueado no chão por um grupo de nazi-fascistas durante o evento do Curitiba Rock Carnival. Pararaio foi inclusive acusado de ter esfaqueado o próprio amigo Xarope, para ilustrar a “justiça” do Estado e sua falta de sensibilidade perante os acontecimentos.

Pararaio foi levado pela polícia sob a acusação de ter esfaqueado 3 nazi-fascistas e Diego, enquanto foram os fascistas que deram 6 facadas em Diego – que ficou gravemente ferido. Nenhum nazi-fascista foi detido e foram considerados vítimas; levando o aval para continuarem cometendo as atrocidades que costumam fazer.

Mais uma amostra de que a “justiça do Estado” tem um lado e que obviamente não é a dos que lutam contra o racismo, machismo, homofobia e o fascismo. Não é nem necessário dizer qual a origem social de Pararaio e Diego em contraponto com a dos nazi-fascistas, que estavam em maioria e tiveram advogados, promotores e juízes ao seu lado.

Quem acabou sofrendo com isso? Pararaio ficou encarcerado por 1 ANO E 5 MESES A MAIS do que “deveria”, de acordo com a própria “justiça” burguesa. O julgamento levou 1 ano e 5 meses para acontecer e lá Pararaio foi condenado a 1 ano, sendo que não deveria ser em regime fechado – mas é claro que se o “criminoso” tivesse muito dinheiro e família conhecida não passaria uma noite na cadeia superlotada.

O Estado não recua em suas decisões, ele é a materialização da intransigência e violência – seja pela polícia, seja pelas prisões ou por outras instituições. Quanto mais quando se trata dos pobres e dos movimentos sociais organizados, porque quando você é pobre, é excluído sistematicamente das discussões e decisões políticas da sociedade; quando você é pobre e se organiza com outros pobres para exigir o direito de participar da vida política do seu bairro, da sua cidade, do seu país você representa uma ameaça aos interesses dos poderosos – e o Estado está aí para isso, defender os interesses dos de cima.

O caráter do Estado reverbera em todos os campos da sociedade, desde as crianças pobres e negras que serão as primeiras a sofrer com a redução da maioridade penal até os idosos que tem suas aposentadorias saqueadas quando o Estado “quebra” o seu caixa. O pobre pode morrer na fila do SUS, pode ficar desempregado e sem uma educação de qualidade, mas os lucros milionários sempre são garantidos. O Estado está nas mãos de quem manda e nós não queremos que só alguns possam decidir sobre o futuro de todos e todas – por isso lutamos pelo socialismo libertário.

Não vamos nos esquecer da mídia de massas, que cumpre um papel essencial na formação ideológica conservadora da sociedade e que muito contribui para que o Estado e o direito sirvam sempre aos poderosos. Pegando mais um exemplo do nazi-fascismo na atualidade, vejamos como a mídia reage quando o réu é um branco fascista:  http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2015/08/me-sinto-um-lixo-diz-assassino-confesso-que-esquartejou-propria-tia.html; na própria manchete, nem citada é a palavra “skinhead”, comumente designada para se dirigir a esse grupos neonazistas, e muito menos as palavras “nazi” ou “fascista”.

Fica claro que tudo isso é uma questão de CLASSE. Os anarquistas, os antifascistas, lutam contra a dominação de classe – que os grandes capitalistas, latifundiários e burocratas do Estado impõem sobre o povo; contra dominação de gênero, etnia, etc. Enquanto os fascistas defendem essa dominação e ainda agem para que ela seja maior e mais violenta. É por isso que jovens como Pararaio sofrem todos os dias as retaliações, não por cometerem crimes, mas por pertencerem à classe dominada, por serem pobres, por morarem na periferia. Mas a nossa luta não vai parar!

SOLIDARIEDADE A PARARAIO!

DIEGO PRESENTE! LAGARTO PRESENTE!

VIOLENTO É O ESTADO!

NÃO VAMOS ESQUECER, NEM PERDOAR!

SOLIDARIEDADE AO COLETIVO ANTIFA 16 E À LUTA ANTI-FASCISTA

fascismo não se discute

[CAB] Jornal Socialismo Libertário #30 – Julho/2015

Retirado de: https://anarquismo.noblogs.org/?p=242

soli jornal

RETOMAR OS VALORES E AS LUTAS DA CLASSE TRABALHADORA

O primeiro semestre de 2015 segue com as nefastas políticas do governo PT/PMDB garantindo o máximo lucro para o capital empresarial e financeiro (nacional e internacional), e com o ataque aos direitos do povo. Está claro que mulheres, negros, indígenas, pobres e camponeses estão excluídos destas políticas, tocadas pelo executivo junto a um congresso conservador e reacionário e um ministério que busca implementar as políticas de austeridade do sistema financeiro, do agronegócio e da precarização da classe trabalhadora, não restando mais nada do projeto petista de conciliação de classes.

Tudo isso reforça que não há, e nunca houve, possibilidade de disputa deste governo. Ou que o problema seja de “crise de direção” ou que o governo esteja politicamente em uma situação de “refém” para garantir a governabilidade. Pelo contrário, o PT tomou a decisão política de governar de tal forma, fazendo o povo sangrar e evidenciando mais uma vez que o mecanismo representativo não constrói poder popular nem transformação social.

Os recentes acordos bilaterais firmados com os Estados Unidos indicam mais uma guinada à direita do governo Dilma. Acreditando na necessidade destas políticas, o governo vem aplicando um receituário marcadamente neoliberal frente a uma conjuntura internacional que não possibilita mais as mesmas condições anteriores que alavancaram as políticas neodesenvolvimentistas nesses 12 anos de PT no governo. E as últimas quedas vertiginosas da bolsa da China, que chegaram até 30%, podem causar impactos na economia brasileira e selam o esgotamento da política neodesenvolvimentista.

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CORTAM NA CARNE DOS TRABALHADORES. QUEREM PRENDER OS JOVENS NEGROS E POBRES QUE NÃO SE AJUSTAM.

O governo segue a receita da austeridade. Já sofremos nos estados e municípios com as políticas de ajuste fiscal e graves cortes sociais, como na saúde e na educação. Fazendo o povo pagar uma conta cara para o lucro dos investidores internacionais. Dentro desse pacote, a ampliação das terceirizações (PL 4330) e o ataque a direitos como o seguro-desemprego e a aposentadoria (MPs 664 e 665) fazem a classe trabalhadora virar carne barata no capitalismo de mercado. O Programa de Proteção ao Emprego criado pelo governo Dilma em medida provisória é um plano de socorro aos patrões que autoriza redução salarial de até 30%. É um retrocesso brutal feito com a chancela das burocracias da CUT e da Força Sindical. O acordo coletivo específico entre empresa e trabalhador, previsto na MP, abre precedente pra flexibilização dos direitos trabalhistas. Para as mulheres a situação é ainda pior. Em nossa sociedade patriarcal e opressora a terceirização e a precarização no mundo do trabalho sempre foram uma realidade, com salários mais baixos e desigualdade de direitos em relação aos homens.

Em paralelo avançam uma série de iniciativas conservadoras e de ataque aos direitos humanos, como a redução da maioridade penal e a tentativa de excluir a temática de gênero do debate educacional. Os setores da direita do governo em conjunto com a oposição de direita tentam avançar as pautas conservadoras que aprofundam a criminalização e o extermínio dos/as pobres e fazem retroceder avanços importantes na luta contra as opressões de gênero e sexualidade. Os Povos indígenas também sofrem com a perda de seus territórios e o campesinato com a estagnação da reforma agrária e a falta de ações que garantam sua vida e permanência no campo. Com as pressões de bancadas como a ruralista, evangélica e da bala, estas pautas vem se materializando, contando com a ajuda da mídia burguesa que faz terrorismo e trabalha para naturalizar determinados valores conservadores na população.

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DE DENTRO E DE FORA DO GOVERNO A DIREITA LATE E MORDE O OSSO

Enquanto o governo Dilma evolui para a direita, os setores burgueses que não vestem a farda do governismo se alinham com as posições mais extremas e conservadoras para se distinguirem na turbulência da cena política. O conservadorismo ganha inserção e cresce na base da sociedade. O PT está jogado na vala comum da política burguesa, sujo até o pescoço na corrupção dos políticos e patrões, encurralado entre a barganha das oligarquias e o fogo oportunista da direita opositora. As hipóteses de cassação de mandato ou impeachment voltam a ameaçar e para todos os efeitos provocam a sangria da presidenta até as eleições de 2018. A crise do governismo faz palco de uma luta feroz de setores das classes dominantes e das elites dirigentes. Briga de cachorro grande para ver com quem fica com o osso e com quem se reparte o farelo.

A reforma política dirigida por Eduardo Cunha no congresso é um projeto em causa própria para lavar a cara dos políticos e patrões, parasitas dos recursos e bens públicos. Estão fora de pauta os mecanismos de participação e democracia direta dos de baixo. Outro elemento a se levar em consideração são as diversas iniciativas em curso de construção de frentes, campanhas e mobilizações por parte da esquerda. Em nenhum dos casos parece estar em jogo um processo que possibilite o acúmulo organizativo e ideológico das classes oprimidas para mudar a correlação de forças no país. A experiência tem mostrado que tais “frentes” tem sido movidas mais em um sentido pragmático eleitoral do que de mobilização popular concreta. Valores e práticas históricas da classe trabalhadora, como a greve geral e o piquete não devem ter seu sentido esvaziado como mero slogan ou visando a autopromoção política. Eles são fruto de mobilização social e sintomas de quando os trabalhadores sentem que tem força e que é preciso fazer ações para contrapor a opressão dos patrões e poderosos.

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PARA OS OPRIMIDOS A SAÍDA NÃO VEM DE CIMA. NUNCA VEIO.

Duros ataques nos direitos e condições de vida também produzem resistência, como foram as greves dos trabalhadores do setor público, estudantes e professores estaduais e federais do Paraná, duramente reprimidas pelo governo. Como as recentes greves nas mais de trinta instituições de ensino federais. E é essencial que as ações populares e mobilizações sejam dotadas de métodos que estimulem o protagonismo da base e sejam fruto da luta cotidiana. Ação direta, federalismo, autogestão e greve geral são valores históricos da classe trabalhadora e devem ter seu sentido ideológico retomado e reafirmado. É essencial que os organismos sociais como movimentos populares e sindicatos tenham autonomia política e tenham seus rumos decididos por suas bases, livres de práticas verticalizadas e burocratizantes.

Pela unidade de classe e mobilização do povo contra os ataques conservadores e dos poderosos! Punho fechado contra a redução da maioridade penal e contra a criminalização da pobreza! Repudiamos as atuais políticas de terceirização, flexibilização e precarização do trabalho! A greve é um direito e, assim como as manifestações e os protestos, não devem ser reprimidos nem criminalizados pelo Estado e pela mídia burguesa! Todo apoio às lutas e à articulação entre o povo do campo e da cidade. Contra as políticas de exclusão dos pobres das cidades e pelo acesso a um transporte digno, eficiente e sem catracas! Todo apoio às lutas da juventude, mulheres, negros, LGBTT e resistência contra todas as formas de opressão!

nem reducao nem terceirizacao

LUTAR, CRIAR PODER POPULAR!

soli jornalfim

Nota de Solidariedade à Ocupação da Reitoria da UEL

O dia 23 de Junho foi um dia histórico para o movimento estudantil de Londrina. Os estudantes da UEL (Universidade Estadual de Londrina) deliberaram pela continuidade da greve estudantil e ocuparam a Reitoria exigindo negociação com o Governo do Estado e Reitoria.

A Universidade Estadual de Londrina, assim como toda educação do Paraná, está sofrendo um intenso processo de precarização e sucateamento. Faltam professores e servidores, faltam políticas de acesso, assistência e permanência estudantil.

Em suas pautas, os estudantes exigem a não retaliação, perseguição e criminalização dos lutadores e lutadoras da UEL. Nunca esqueceremos que os estudantes da UEL já foram criminalizados durante a luta contra o PL da previdência. Depois do Massacre do dia 29 de Abril o até então Secretário de Segurança do Paraná procurou bodes expiatórios no movimento de luta e 4 estudantes da UEL foram detidos.

Veja em: https://anarquismopr.org/2015/05/09/nota-de-repudio-a-criminalizacao-do-coletivo-quebrando-muros-estudantes-da-uel-e-antifa-16/

O movimento luta pela nomeação imediata dos servidores e docentes concursados; pela contratação imediata do corpo de servidores necessários para o funcionamento do Restaurante Universitário (RU); almoço e jantar nos finais de semana e medidas de assistência estudantil até que as obras do RU sejam finalizadas.

Exigem a ampliação e o reajuste das bolsas permanências; a ampliação do Centro Estadual de Educação Infantil (CEEI) para que assim os filhos e filhas de pais e mães estudantes, servidores e professores possam estudar e a conclusão das obras da Clínica Odontológica da UEL, que servirá como campo de estágio e atendimento à comunidade.

Outra pauta do movimento é que seja feito o repasse integral da verba custeio da Universidade. O repasse deveria ser de R$ 34 milhões, que serviriam para custos como água, luz, limpeza e bolsa auxílio, mas foi suspenso pelo Governo do Estado desde o início do ano. Os estudantes da UEL exigem que o financiamento das universidades públicas seja feito com dinheiro público.

Sabemos que a tática do neoliberalismo é primeiro precarizar e sucatear os serviços públicos para depois apresentar como “única” saída a privatização. Mas entendemos que a única saída possível é a resistência e organização dos de baixo, que bravamente lutam contra a exploração e dominação da classe oprimida. Os estudantes da UEL estão dando exemplo de garra e o Coletivo Anarquista Luta de Classe oferece todo apoio à sua mobilização.

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Protesto não é crime!

Viva a ação direta dos e das estudantes!

A resistência é a vida, A submissão é a morte!

A nossa luta é todo dia, educação não é mercadoria!

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Nota de Solidariedade à Ocupação da Reitoria da UEL

O dia 23 de Junho foi um dia histórico para o movimento estudantil de Londrina. Os estudantes da UEL (Universidade Estadual de Londrina) deliberaram pela continuidade da greve estudantil e ocuparam a Reitoria exigindo negociação com o Governo do Estado e Reitoria.

A Universidade Estadual de Londrina, assim como toda educação do Paraná, está sofrendo um intenso processo de precarização e sucateamento. Faltam professores e servidores, faltam políticas de acesso, assistência e permanência estudantil.

Em suas pautas, os estudantes exigem a não retaliação, perseguição e criminalização dos lutadores e lutadoras da UEL. Nunca esqueceremos que os estudantes da UEL já foram criminalizados durante a luta contra o PL da previdência. Depois do Massacre do dia 29 de Abril o até então Secretário de Segurança do Paraná procurou bodes expiatórios no movimento de luta e 4 estudantes da UEL foram detidos.

Veja em: https://anarquismopr.org/2015/05/09/nota-de-repudio-a-criminalizacao-do-coletivo-quebrando-muros-estudantes-da-uel-e-antifa-16/

O movimento luta pela nomeação imediata dos servidores e docentes concursados; pela contratação imediata do corpo de servidores necessários para o funcionamento do Restaurante Universitário (RU); almoço e jantar nos finais de semana e medidas de assistência estudantil até que as obras do RU sejam finalizadas.

Exigem a ampliação e o reajuste das bolsas permanências; a ampliação do Centro Estadual de Educação Infantil (CEEI) para que assim os filhos e filhas de pais e mães estudantes, servidores e professores possam estudar e a conclusão das obras da Clínica Odontológica da UEL, que servirá como campo de estágio e atendimento à comunidade.

Outra pauta do movimento é que seja feito o repasse integral da verba custeio da Universidade. O repasse deveria ser de R$ 34 milhões, que serviriam para custos como água, luz, limpeza e bolsa auxílio, mas foi suspenso pelo Governo do Estado desde o início do ano. Os estudantes da UEL exigem que o financiamento das universidades públicas seja feito com dinheiro público.

Sabemos que a tática do neoliberalismo é primeiro precarizar e sucatear os serviços públicos para depois apresentar como “única” saída a privatização. Mas entendemos que a única saída possível é a resistência e organização dos de baixo, que bravamente lutam contra a exploração e dominação da classe oprimida. Os estudantes da UEL estão dando exemplo de garra e o Coletivo Anarquista Luta de Classe oferece todo apoio à sua mobilização.

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Protesto não é crime!

Viva a ação direta dos e das estudantes!

A resistência é a vida, A submissão é a morte!

A nossa luta é todo dia, educação não é mercadoria!

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