Arquivo da tag: psdb

[CAB] DECLARAÇÃO DO ENCONTRO NORTE/NORDESTE DA COORDENAÇÃO ANARQUISTA BRASILEIRA (CAB) – OUTUBRO 2015

Retirado de: http://anarquismo.noblogs.org/?p=330

No sertão da Bahia, organizações anarquistas afinadas com a corrente especifista, estiveram reunidas nos dias 10, 11 e 12 de outubro, dando continuidade à construção dessa estratégia, especialmente, nas partes do Norte e Nordeste do mapa brasileiro. Este VI Encontro das Organizações Anarquistas Especifistas do NO/NE, teve como particularidade, ser o I como Encontro NO/NE da CAB. Ou seja, todas as organizações participantes, já estão agrupadas organicamente na Coordenação Anarquista Brasileira ou demonstram interesse em tal objetivo.

O discurso de “crise” vai muito além de consequências meramente econômicas. Ele cumpre um papel ideológico na desmobilização das ações populares, mesmo aquelas de cunho apenas reivindicatório. Os cortes de verbas, com a “necessidade” do ajuste fiscal, têm fomentado um contexto social de perda de direitos trabalhistas (a exemplo do PL 4330 – que amplia e legitima um modelo de trabalho precarizado através da terceirização) de aumento da carestia de vida, das chantagens do cassino econômico, a ascensão da criminalização dos protestos – através da intensificação da repressão (como a Lei Antiterrorismo e seu papel na tentativa de silenciar @s que lutam), a redução da maioridade penal – aliada ao fechamento de escolas públicas e abertura de presídios, o desmantelamento de setores públicos como incentivo a privatizações, entre outras ações que representam os interesses do Estado e Capital privado na manutenção do status quo e do controle social.

A ascensão de pautas progressistas que se vislumbrou nas jornadas de junho de 2013, hoje é contrastada por uma direita política e econômica mais articulada e retrógrada. O descrédito das instituições sociais e dos partidos políticos, acompanhado de uma “política do medo” – que legitima políticas segregacionistas e racistas em relação aos espaços públicos –, contribuem para a despolitização dos de baixo e o acirramento das disputas dentro da própria classe trabalhadora.

Neste contexto de midiatização política onde é desenhada uma falsa polarização entre PT e PSDB (e nesta seara, o fortalecimento do PMDB para a retomada da governabilidade), opor-se às ordens petistas, é visto como automática aliança às ideias tucanas. Existe um imaginário onde o Partido dos Trabalhadores ainda encontra-se no conjunto de organizações da classe trabalhadora (mesmo que como traidor desta). Nesse sentido, a oposição ao PT reverbera em diversos setores da luta popular, tendo gerado como uma das consequências o abandono a toda e qualquer forma de mobilização. Rejeitamos frontalmente tal modelo, por enxergarmos que há uma confluência de interesses na política parlamentar, e estes, estão longe de serem favoráveis às necessidades, anseios e sonhos d@s oprimid@s. Sendo assim, as ações de resistência d@s trabalhador@s, como greves, paralisações e piquetes, vêm sendo tomadas cada vez mais de forma independente, visto que as centrais sindicais se articulam apenas para a defesa do governo e não da nossa classe.

Este cenário, ao passo que se constitui ambiente favorável à emergência de posicionamentos fascistas, lança, na outra mão, grandes desafios às organizações libertárias de hoje. As denuncias à institucionalização das lutas sociais, sempre estiveram presentes na práxis anarquista. Assim, princípios, para nós, inegociáveis, apontam um caminho que, em sua longa estrada, empodera @s de baixo, fortalecendo e federalizando as lutas populares em ação direta. Contra todas as formas de opressão, com solidariedade de classe. Urge a necessidade de alternativas não parlamentares, com alianças táticas, construídas à luz das nossas experiências históricas, objetivando uma sociedade radicalmente diferente desta. É nisto que acreditamos. É por isto que estamos aqui.

Fórum Anarquista Especifista (FAE) – BA
Federação Anarquista dos Palmares (FARPA) – AL
Organização Resistência Libertária (ORL) – CE
Coletivo Anarquista Organizado Zabelê (CAOZ) – PI
Federação Anarquista Cabocla (FACA) – PA

Feira de Santana/Bahia, 11 de outubro de 2015

cab

[FAG] O golpe em curso se chama “Ajuste Fiscal”

Retirado de:                                             https://www.facebook.com/FederacaoAnarquistaGaucha/posts/1057692934242264:0

Passe o que passe no andar de cima, a faca do ajuste nunca deixa de cortar na carne dos trabalhadores e setores populares. A recessão do país castiga, como sempre, as classes oprimidas. Corta direitos, salários e empregos e levam os serviços públicos à falência. Autoriza o saque do capitalismo de mercado sobre os bens púbicos e comuns, sobre a riqueza criada pelas sucessivas gerações de trabalhadores. “Administra” a pobreza pelos mecanismos criminais da justiça-polícia-prisão. Cria o sujeito indesejável, que perturba a segurança da ordem, o discurso punitivo que encarna o sentido comum do dia-a-dia e acomoda a banalização de uma guerra repressiva e genocida sobre negros e pobres, especialmente a juventude. Qualifica o bom e o mau protesto.

A briga desatada no palco do poder político passa longe do ajuste econômico e o Estado Penal. Em todos os cenários que podemos imaginar o sistema dominante trata de defender as medidas e as práticas de governo que empurram mais austeridade. Os trabalhadores brasileiros já estão pagando com o sacrifício dos sonhos e esperanças de dias melhores a farra financeira e criminal do capitalismo global. O fantasma das políticas miseráveis que castigam o povo grego, com desemprego em massa, arrocho salarial, perda de aposentadorias e demais direitos é um exemplo bem fresco.

Recessão e ajuste. O pacto social foi pro ralo.

O modelo que fez os ricos mais ricos e deu uma beirada de consumo, crédito e programas sociais para integrar os setores populares ao mercado já não tem mais vez. Só a indústria automotiva já demitiu 39 mil operários no primeiro semestre. A construção civil prevê 480 mil cortes de postos de trabalho durante o ano. O endividamento popular cresce e aperta o orçamento das famílias. A inflação criada pela subida dos preços administrados pelo Estado amplia a carestia de vida e corrói os salários. Não para por ai. O governo de Dilma e do PT condenou a juventude trabalhadora ao mexer nas regras do seguro-desemprego, esticando o tempo de trabalho para 18 meses. As burocracias sindicais arriaram uma bandeira histórica do movimento operário concertando com a indústria e o governo o programa de redução de jornada com redução salarial, o Pograma de Proteção ao Emprego (PPE), um plano de socorro dos patrões. Por sua vez, o lucro dos banqueiros tem recordes históricos às custas de uma dívida pública infame que arrocha investimentos na saúde, educação, moradia, etc.

No nível dos Estados e municípios a situação também é calamitosa. O achaque feroz da dívida pública, a sonegação e as insenções fiscais da patronal amordaçam o orçamento e os governos como no RS e em GO atacam o funcionalismo com congelamento e parcelamento de salários, corte de verbas sociais e planos de privatizações, concessões e extinção de órgãos e serviços públicos.

O pacto social que prometeu pela mão do desenvolvimento capitalista uma margem de melhorias sociais que chegassem na vida dos mais pobres fracassou. Com ele toda a narrativa triunfalista do crescimento que fez imaginário de uma pretensa prosperidade social fundada no sonho do consumo, no indivíduo flexível e “competitivo” ao gosto do mercado, na moral compensativa do trabalho precário e estafante, na privação dos espaços públicos e dos bens comuns em benefício de interesses especulativos. Quando as estruturas do poder e a riqueza ajustam o jogo todos sabemos onde é que a corda arrebenta.

A política como gestão dos controles do sistema.

De todos os lados a pressão ajoelha o governo do PT e o andar de cima cobra caro pela sobrevida. A rejeição cresce de pesquisa em pesquisa. A direita opositora se reagrupa pelo alinhamento de Eduardo Cunha com o PSDB, o DEM e os partidos que pulam do barco furado do governismo. Aparecem manobras judiciais pelo TCU e o TSE para criar uma situação política favorável ao impeachment ou empurrar a renúncia da presidente Dilma. Buscando jogar água nesse moinho, no último dia 16 de agosto mais uma vez o “antipetismo” foi às ruas por convocação de grupos liberais, conservadores e ultra-reacionários, ao que o governismo pretende contestar com a convocatória do dia 20 de agosto.

A operação Lava Jato, entre outros sentidos, tem reforçado a noção de uma solução judicial-repressiva para a crise. Juízes, promotores e agentes federais caídos nas graças da imprensa burguesa e das ruas. Políticos e altos burocratas do Estado e dos partidos na parede. Em menor medida, empresários graúdos figurando nos processos. Sem dúvidas ganha certa evidência um modus operanti que faz conexões entre as instituições políticas e o mundo corporativo empresarial. Mas há em tudo isso uma idéia sedutora, que faz vetor pro conservadorismo, de que a faxina deve ser feita pelos mesmos aparelhos de poder que punem implacavelmente a pobreza com as grades e o extermínio.

Em todos os casos, o sistema sempre reserva para si, bem longe dos mecanismos de participação popular, o direito de cortar cabeças seletivamente para não entregar o ouro. As redes de corrupção, sonegação e impunidade dos poderes políticos, econômicos e midiáticos são parte da estrutura, moeda corrente da representação burguesa. O que interessa ao andar de cima é deixar a política sempre no domínio privilegiado do parlamento, da justiça burguesa e/ou órgãos auxiliares. Normatizar os de baixo, quando muito, como eleitores.

Agenda de Renan e Levy. A ordem é arrumar uma saída pelo andar de cima.

A mão avarenta e fisiologista do PMDB, por conchavo das velhas raposas, segura, sabe-se lá por quanto tempo, o governismo na beira do precipício. Tudo tem seu preço. A arte de governar o país antes de tudo é a gestão estável dos interesses dos poderosos. As organizações patronais FIESP e FIRJAN além do Bradesco passaram o recado que querem, dentre todas as tramas para sair da crise política, um cenário que não toque no ajuste fiscal e na sua ofensiva sobre os direitos dos trabalhadores. Os editoriais de O Globo e Zero Hora assinam embaixo. Sangrar o governo Dilma e ajoelhar o PT até beijar os pés de quem pode mais agrada os senhores que não pretendem deixar o problema para a imprevisibilidade das ruas.

Nessa perspectiva, a Agenda Brasil anunciada na última semana é um pacote ao gosto das classes dominantes. Obra de um arranjo conservador do governo, tribunais e o senado, onde brilham Renan Calheiros, o PMDB e a política da tesoura do ministro Joaquim Levy. Consumação de uma virada governista ainda mais à direita, que reza missa pra aquelas imagens e lembranças da infame década de 1990 evocadas na campanha eleitoral de 2014. Chantagem barata que recrutava “voto crítico” no “menos pior”.

A saída que vem de cima faz agenda pelo ajuste e corta mais fundo. Com terceirizações e precarização do trabalho, ataque ao sistema gratuito e universal da saúde pública, desvio de receitas para o sistema da dívida. O atropelo de territórios indígenas, quilombolas, bens naturais e normas ambientais para a exploração brutal das mineradoras, construtoras e o agronegócio.

Para consagrar, tramita no congresso por ação do governo o projeto da Lei Antiterrorista. Endurecimento jurídico-represssivo sobre as rebeldias que não são canalizadas pela ordem. Punição dos militantes e das lutas que criam resistência e escapam dos controles burocráticos do Estado.

Luta sem governo, patrões e pelegos. Organizar a resistência dos de baixo

Dos últimos 05 anos emerge uma nova onda de lutas que marcam o caminho por onde é preciso avançar para que os oprimidos construam, por sua própria força, uma saída do cenário de ataques que se agravam. Ocupações por direito a moradia, greves radicalizadas pela base que se voltam contra as direções burocráticas, governistas e patronais dos sindicatos, lutas da juventude por educação e transporte coletivo de qualidade, resistência combativa de indígenas e quilombolas.

A violenta ofensiva da patronal e dos governos contra os de baixo exige a construção de uma alternativa que se gesta nos locais de trabalho, estudo e moradia, que crie resistência e acumule forças para derrubar o andar de cima. Urge a necessidade de superar definitivamente a derrota trágica e inapelável de uma formação política nascida diretamente das organizações operárias e populares que dirigiu uma estratégia obstinada a chegar à presidência, custe o que custar; que afirmou premissas teórico-ideológicas que formaram o credo de toda uma geração da esquerda brasileira e que ainda hoje forma paisagem, inclusive, para setores da burocracia radicalizada que se opõe aos governos do PT por esquerda. Chegar ao “poder” pela via eleitoral, simplificar esse problema pela direção dos aparelhos estatais e atribuir ao Estado o caráter de uma máquina que funciona ao gosto de seus pilotos de turno, que não está penetrado por relações sociais de poder e dominação, mecanismos internos de reprodução de dinâmicas burocráticas e oligárquicas. Uma concepção viciada que se manifesta nos mais diversos conflitos em curso, em métodos que fazem das lutas uma mera força de pressão que visa “persuadir” um possível eleitorado por via de discursos, palavras de ordem e da promoção de lideranças carismáticas ao passo que marginaliza o protagonismo e a organização de base.

A saída para a situação que vem se colocando aos trabalhadores não é uma saída pela eleição de novas direções mas, fundamentalmente, pela organização de base e ação direta popular. Processo que não é uniforme, requer paciência, firmeza, ação metódica, trabalho de base, por vezes silencioso. Distante do barulho que grita uma “alternativa” política que se relaciona com a promoção de lideranças “caudilhistas” que pretendem se alçar como intermediários, fiadores do protesto popular. O lastro ideológico bastardo do petismo é vasto e faz com que ainda se tenha preferência, por exemplo, em atos com carros de som ou os reiterados “encontros” formais onde futuros presidenciáveis possam se manifestar, onde correntes se “cheiram”, procuram “enquadrar” aquelas que julgam “centristas”, fazem chamados e exigências umas as outras, tiram fotos e retornam às suas casas a um piquete ou bloqueio que tranque os serviços, a produção ou a circulação em áreas estratégicas, que ocupe espaços públicos ou privados. O protagonismo do partido na promoção da figura de seu dirigente ainda se sobrepõem ao protagonismo coletivo da classe, na avaliação, nos riscos assumidos, nas vitórias e derrotas.

A superação do legado reformista, social-democrata, que deixou o PT na esquerda ainda requer muito empenho, inserção social e luta política e ideológica a ser travada, fundamentalmente desde as mobilizações em curso. Um período de ofensiva dos de cima e resistência dos baixo requer, antes de mais nada, fortalecer a organização e o protagonismo de base em cada local de trabalho, estudo e moradia que estamos vinculados, acionando a mais ampla solidariedade de classe às lutas em curso, para que os de baixo se afirmem enquanto os verdadeiros protagonistas da construção de uma saída que barre o ajuste e acumule forças para a construção de uma nova sociedade, socialista e libertária.

Porto Alegre, 19 de Agosto de 2015
Federação Anarquista Gaúcha (FAG), Organização integrada à Coordenação Anarquista Brasileira (CAB).

11866370_1057692934242264_1711128580306752419_n

 

[CAB] Toda solidariedade à luta das 8 mil famílias das Ocupações da Izidora (MG)!

Retirado de: http://anarquismo.noblogs.org/?p=235

Acompanhamos o drama das 8 mil famílias das três ocupações da Região da Izidora (Rosa Leão, Esperança e Vitória) em Belo Horizonte, Minas Gerais. Manifestamos toda solidariedade à luta dessas famílias e repúdio à forma como o governo Pimentel (PT) está tratando o caso, com cinismo, repressão e terror psicológico.

A luta destas milhares de famílias é em defesa de um direito básico que deveria ser assegurado pelo próprio Estado que hoje criminaliza, reprime e despeja. Em Belo Horizonte o déficit habitacional ultrapassa a casa das 70 mil famílias sem teto. Em Minas Gerais, o déficit chega a 6 milhões. É por conta desta dura realidade, somada ao fator da especulação imobiliária que faz com que o povo pobre seja expulso das proximidades da região central para as margens, que surgem as inúmeras ocupações urbanas.

São inúmeros os lotes vazios, os terrenos devolutos e entregues às moscas da especulação na capital de Minas Gerais, enquanto milhares de trabalhadoras e trabalhadores vivem a penosa realidade do aluguel, de morar de favor, ou de simplesmente não ter um teto para abrigar sua família. Este contraste aponta, inevitável e justamente, para o surgimento de ocupações urbanas, que dão vida e função social para lotes que anteriormente serviam para a especulação e até mesmo para desova de cadáveres, estupros, etc. As ocupações urbanas são exemplos práticos de ação direta do povo organizado que faz valer seu direito que é furtado pelo Capital, pelo Estado e pela (in)Justiça.

Não é diferente com as ocupações da Izidora. A luta das famílias das ocupações coloca de um lado o direito que o povo tem de morar dignamente e de outro a ambição pelo lucro de construtoras e demais especuladores. Enquanto as famílias querem apenas um teto, a Construtora Direcional quer garantir o seu lucro de 15 bilhões com as construções que foram planejadas para o local. Neste embate, o governo Pimentel, a prefeitura de Márcio Lacerda, e o Tribunal de Justiça compraram o lado dos ricos e exploradores.

Somamos nossa voz às vozes de NÃO AO DESPEJO diante da possibilidade de o governador petista Fernando Pimentel promover um verdadeiro banho de sangue no norte de Belo Horizonte. É claro e evidente que um massacre está anunciado, de mesmo tamanho ou até maior do que houve com Pinheirinho, em São Paulo, em 2012. Isso porque a questão da Izidora, pelo tamanho dos terrenos, pela quantidade de famílias e pela disposição destas famílias de resistir ao despejo, é tida como o maior conflito fundiário urbano atualmente no país. Desta forma, o governador que alfinetou Beto Richa, governador do Paraná (PSDB), pelo massacre cometido contra os servidores públicos em 29 de abril deste ano, promoverá um atentado à vida de milhares de trabalhadoras e trabalhadores tão grande quanto o cometido pelo tucano em Curitiba.

Por isso, reafirmamos nossa posição em defesa da luta destas famílias, nos integramos à rede de solidariedade Resiste Izidora e reiteramos que se não for pela união popular, a organização de base e a solidariedade de classe, nossos direitos serão tratorados e, junto com eles, as nossas casas, a nossa dignidade, nossos sonhos e as nossas vidas.

 

Despejo Zero!

Resiste Izidora!

Somos todxs Izidora!

Com Luta, com Garra, a casa sai na Marra!

logo_cab

Nota de repúdio à criminalização do Coletivo Quebrando Muros, estudantes da UEL e Antifa 16

protesto

Após o massacre do movimento de luta pela educação pública no dia 29 de abril, o governo de Beto Richa (PSDB), através da Secretaria de Segurança Pública do Paraná, tentou criminalizar “grupos radicais” por terem iniciado o confronto com a polícia.

Em coletiva de imprensa, o ex-Secretário de Segurança Pública do Paraná (Fernando Francischini) e um delegado da polícia federal “divulgaram as informações coletadas pelo departamento da inteligência da SESP” colocando estudantes da UEL, o Coletivo Quebrando Muros e Antifa 16 como sendo “baderneiros, black blocks” responsáveis pela tentativa de invasão da ALEP. MENTIRAS NÃO PASSARÃO!

O movimento de luta se esforçou para impedir a votação do PL da Previdência a partir da ação direta, da pressão popular, assim como em fevereiro quando o Estado tentou passar o “pacotaço de maldades”. Inúmeras categorias, estudantes e outros movimentos sociais fizeram parte do processo de decisão das ações tanto em fevereiro como no 29 de abril.

O que houve foi um massacre, o braço armado do Estado – a polícia, apenas utilizou de todo seu aparato militar para reprimir o movimento de luta pelos direitos trabalhistas. E ainda ousam criminalizar os libertários.

Ainda por cima, nas reportagens que divulgaram a coletiva de imprensa da SESP, especialmente na CBN e RPC (filiada à Rede Globo), colocaram os grupos como “pregadores da anarquia”, de forma a tentar criminalizar a ideologia anarquista.

NÃO VAMOS ACEITAR ESTE TIPO DE INTIMIDAÇÃO!

Toda solidariedade aos criminalizados e criminalizadas! É inaceitável este tipo de intimidação, com destaque no que foi feito a estudantes da UEL que sofreram humilhações absurdas pela polícia, tendo quatro detidos no dia 29, além de fortíssimos abusos e ameaças. Como na maioria das universidades estaduais, a de Londrina está muito sucateada e o movimento estudantil e sindical cada vez mais mobilizado. TODO APOIO À LUTA DOS TRABALHADORES, TRABALHADORAS E ESTUDANTES DA UEL!

O agrupamento de tendência Coletivo Quebrando Muros tem destacada atuação estudantil e sindical, leia mais em Protestar não é Crime: Quebrando Muros e o Antifa 16 compõe a luta por transporte público a anos e está lado a lado na luta dos servidores e servidoras. FASCISTAS NÃO PASSARÃO!

11146653_10204390969074458_7640724148583555057_o

PROTESTO NÃO É CRIME!

CRIMINOSO É O ESTADO!

RESPEITEM AS BANDEIRAS RUBRO NEGRAS!

RODEAR DE SOLIDARIEDADE OS QUE LUTAM!

TODA SOLIDARIEDADE AO COLETIVO QUEBRANDO MUROS, ESTUDANTES DA UEL, ANTIFA 16 E TODXS CRIMINALIZADXS!

Leiam:

NOTA DO COLETIVO QUEBRANDO MUROS https://quebrandomuros.wordpress.com/2015/05/05/protestar-nao-e-crime-criminoso-e-o-estado/

NOTA DE SOLIDARIEDADE DA CAB: http://anarquismo.noblogs.org/?p=150

PUBLICAÇÃO DO CALC SOBRE O MASSACRE DE 29/04/2015: https://anarquismopr.org/2015/04/30/o-estado-e-29-de-abril-de-2015/

[CAB] Protesto não é Crime! Toda solidariedade ao Coletivo Quebrando Muros!

Retirado de: http://anarquismo.noblogs.org/?p=150

cab

No dia 29 de Abril de 2015, o governador Beto Richa instaurou um verdadeiro estado de exceção no Paraná, sendo o responsável pelo massacre cometido pela polícia contra o movimento dos servidores e servidoras públicas, que contava com o apoio de estudantes e outros setores na luta contra o ataque à previdência.

Os lamentáveis acontecimentos daquele dia escancaram o verdadeiro caráter do Estado e seu papel na manutenção da “ordem”, entendendo-se aqui como a ordem da classe dominante, que utiliza-se do aparato estatal para manter os seus privilégios e garantir a execução de seus interesses. Quem pagou pela crise, mais uma vez, foram as classes exploradas. Porém, sabemos que os verdadeiros responsáveis são aqueles que estão no poder e que tentam forçar o povo a arcar com o ônus da ruína que eles mesmos criaram.

Desta vez, no entanto, os setores oprimidos pagaram não apenas com o seu bolso, mas também com o seu sangue. A repressão ocorrida no Centro Cívico viola todas as garantias constitucionais “democráticas” em matéria de direitos humanos e liberdade de manifestação. O que apenas nos revela, mais uma vez, aquilo que os anarquistas já sabem desde sempre: quando se trata de garantir os interesses da burguesia, não há lei que não possa ser violada pelo Estado. O reforço da lei vale apenas para as classes dominadas; os abusos ilícitos da polícia e do Estado que a comanda raramente são punidos, ainda que venham a ser muito mais graves e criminosos.

Mas os ataques do governo do Paraná àqueles que lutam e resistem não se encerram por aí. Nesta semana, foram veiculadas reportagens em dois meios de comunicação do estado, a CBN e a RPC (filiada à Rede Globo), nas quais a Secretaria de Segurança Pública tecia acusações infundadas ao Coletivo Quebrando Muros, acusando-o de ser um grupo criminoso que teria se “infiltrado” nas manifestações para promover ações violentas contra a polícia. Ora, sabemos muito bem que a responsável pelas ações violentas daquele dia foi a própria polícia e que o Coletivo Quebrando Muros tem militantes ativos no movimento dos professores e professoras do Paraná.

Nas mesmas reportagens, a polícia e os jornalistas acusam os “supostos black blocks”, antifascistas e o Coletivo Quebrando Muros de “pregarem a anarquia”, como se o anarquismo fosse contrário à organização social. Porém, se o Estado acha que isto vai intimidar os libertários e anarquistas, ele está muito enganado. A luta vai continuar e os libertários continuarão ativos!

Este ataque calunioso tem interesses claros: desviar o foco do massacre cometido pela polícia no dia 29 de abril e criminalizar os movimentos e organizações políticas que lutam e defendem os interesses da classe oprimida. A liberdade de organização foi conquistada com o sangue e a vida de centenas de militantes durante a ditadura, apenas para sofrer um novo ataque do governo Beto Richa. Um governo que busca sair impune das graves violações aos direitos humanos cometidas no dia 29, e ainda assim conserva cinismo o suficiente para acusar organizações políticas que apoiavam os protestos de serem criminosas. Tal é o papel do Estado: reprimir os movimentos sociais, perseguir organizações políticas, massacrar manifestações que buscam lutar contra a perda de direitos dos trabalhadores. Tudo para manter os privilégios das classes dominantes intactos.

As mentiras de Beto Richa não intimidarão o povo em luta. Chega de perseguição! Calúnias não intimidarão as organizações em luta!

Protesto não é crime!

Arriba lxs que luchán!

As bandeiras rubro-negras continuarão erguidas!

Toda solidariedade ao Coletivo Quebrando Muros!

11150645_942824429118089_117802241550862872_n

 

[CQM] Protestar não é crime – Criminoso é o Estado!

Retirado de: https://quebrandomuros.wordpress.com/2015/05/05/protestar-nao-e-crime-criminoso-e-o-estado/

Depois da maior repressão ao funcionalismo público da história do Paraná, a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SESP) quer encontrar um bode expiatório para “justificar” o massacre ao movimento de luta que resiste ao desmonte da educação e da previdência dos servidores públicos do Paraná. No dia 29 de abril de 2015, no Centro Cívico de Curitiba, a polícia atacou e feriu centenas de trabalhadores, trabalhadoras e estudantes. Mas o Estado quer culpar alguém por ter começado o dito “confronto”.

Quem tentou impedir a votação desse projeto de lei absurdo, que acaba com a previdência dos funcionários públicos, foi o movimento de luta composto por professores, professoras, agentes penitenciários, funcionários da saúde e educação e estudantes. Não foram grupos ‘radicais’ que protagonizaram a luta direta contra os ataques do governo – como Francischini afirmou em coletiva de imprensa, foram os próprios trabalhadores, trabalhadoras e estudantes, afetados diretamente por tais ataques.

No mês de fevereiro quem impediu que o ‘pacotaço de maldades’ fosse votado a toque de caixa pela Assembleia Legislativa do Estado do Paraná (ALEP) foi a ação direta dos trabalhadores e estudantes que, por meio da ocupação daquela casa, levou à retirada do projeto. Desta vez foram, novamente, os próprios trabalhadores e estudantes que resistiram até o fim contra o PL da Previdência.

Agora, querem acusar os ‘black blocs’, o movimento Antifascista e o Coletivo Quebrando Muros de serem grupos criminosos, mas os verdadeiros responsáveis por esse massacre são Beto Richa, Fernando Francischini e todo braço do Estado (PM, CHOQUE, BOPE, cachorros treinados, atiradores de elite, cavalaria, helicóptero) que nos atacaram com jatos d’água, spray de pimenta, cassetetes, balas de borracha, chutes, socos, bombas de gás lacrimogênio vindas de todos os lados, inclusive do helicóptero, não preservando sequer as crianças da creche que fica ali perto.

Quem começou o ataque foi o próprio Governador Beto Richa quando, por meio da PL 252/2015, atacou o direito à previdência dos servidores do Paraná, e os deputados que votaram favoráveis a esse projeto de lei. O governador se utilizou do maior contingente policial da história do Paraná para reprimir o movimento social.

Foram milhares de pessoas indefesas contra uma artilharia de guerra. Apenas um lado dessa ‘guerra’ tinha armas, o que houve não foi um confronto mas sim um massacre. Centenas de pessoas desmaiaram, ficaram feridas, perderam parte da audição, parte da visão e estão de cama até agora. Além dos milhares de trabalhadores e trabalhadoras que vão ter sua previdência destruída.

Entendemos que não foi por acaso que escolheram justo os libertários e anarquistas para serem bodes expiatórios. Há muito tempo na história da humanidade o anarquismo é erroneamente confundido como sinônimo de baderna e desordem. Entretanto, os libertários compõem um setor dos trabalhadores oprimidos que se organiza para combater toda forma de dominação e exploração. O governador Beto Richa e o seu secretário de segurança Fernando Francischini querem se aproveitar do erro banal do senso comum para colocar na cabeça do povo que a culpa do massacre não é deles, mas nossa! Eles querem usar desse jogo para tirar de foco o massacre do dia 29 de abril!

Hoje, mais de 90% da população paranaense apoia a luta dos professores e a popularidade do governo está em baixa. O governador não vai enganar o povo dizendo que usou de toda aquela força para reprimir ‘black blocs’. O povo sabe por meio da mídia alternativa e dos diversos vídeos que deixam claro que criminalizar “grupos radicais” não passa de mentiras e enganação.

Não nos deixaremos abater! Buscamos derrubar os muros que isolam e alienam todos e todas nós da realidade que nos cerca. Nós, do Coletivo Quebrando Muros, somos um coletivo libertário que atua no movimento estudantil de diversas faculdades e universidades paranaenses; somos professores estaduais do Paraná atuantes no movimento sindical; construímos um movimento comunitário por moradia digna para todas e todos e fazemos diversos trabalhos sociais como hortas agroecológicas, alfabetização de adultos, cursinhos pré-vestibulares e cirandas de educação infantil.

Somos estudantes e trabalhadores que lutam por movimentos construídos horizontalmente, com protagonismo do povo e sem líderes ou patrões. Estamos em defesa da educação, da saúde e do transporte públicos, estamos e vamos continuar na luta contra todas as formas de dominação e opressão que sofremos; nós, trabalhadores, estudantes, mulheres, homossexuais, negros, pobres da periferia.

Nenhum passo atrás!
Nenhum direito a menos!
Não à criminalização dos movimentos sociais!

naoacriminalizacaodosmovimentossociais

[FAG] Contra a trapaça político burguesa e o arrocho da vida dos trabalhadores

Retirado de: http://www.federacaoanarquistagaucha.org/?p=1082

Logo Opinião

O mal estar corre nas ruas do país. A recessão econômica e as amargas medidas do governo Dilma/PT a nível federal e Sartori/PMDB a nível estadual buscam salvar os lucros de banqueiros e empresários, cortando direitos, investimentos e aumentando o custo de vida sob o farsante argumento de que o momento é de “sacrifício para todos”. Aliado a isso tudo, o cheiro podre da corrupção sistêmica impregnado no ar, em que se articula uma complexa constelação de interesses e “escândalos” que envolvem desde os partidos da coalizão governista como aqueles da oposição de direita, grandes empresas e banqueiros e os grandes conglomerados de comunicação.

Aécio-com-Dilma-no-Congresso-dez-2013-FolhapressA operação Lava Jato da Polícia Federal trouxe à superfície um esquema bilionário de saque e espoliação dos recursos da Petrobrás, um trapaceiro “toma lá da cá”, operado por políticos e empresários pra financiar campanhas eleitorais e privilegiar negócios privados. No entanto, nem só de “Lava Jato” e “Petrolão” se alimenta esse artifício estrutural na política brasileira, a corrupção. Recentemente, o chamado “escândalo” do HSBC tem revelado uma complexa rede internacional de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal em paraísos fiscais na Suíça, administrada pelo próprio banco. Entre os implicados brasileiros encontramos os principais conglomerados de comunicação, como a rede globo, bandeirantes, o grupo folha e abril. Daí que esse caso não é motivo de alarde nos chantagistas telejornais de grande audiência.

Depois de ganhar as eleições por um fio, o governo Dilma desmonta a tática de marketing por esquerda (pra não perder eleitores desiludidos) e chama os quadros do sistema financeiro, da patronal e do agronegócio para afiar a faca do ajuste fiscal e do tarifaço contra o povo.

Vida cara e precária. Arrocho nos trabalhadores.

A promessa do capitalismo brasileiro, que vinha crescendo pela mão de uma desapropriação violenta dos bens comuns, pela dominação dos capitais do agronegócio, mineradoras e empreiteiras, quebra a cara com a queda do preço das “commodities” e da desaceleração do capitalismo chinês. As idéias triunfalistas de um país de classe média, puxado pelo consumo e o endividamento de massas, pelos empregos precários e a inclusão dos pobres como sujeito flexível do mercado, mostram sua fragilidade e já entram em desencanto em amplas camadas de trabalhadores do país.

A classe operária vive de novo as demissões na indústria e na construção civil. Só no ramo de autopeças a patronal prega mais uma chantagem, exigindo infinitos incentivos fiscais e flexibilização de direitos, ameaçando em caso contrário com 30 mil demissões ao longo do ano. A falta de água e luz cria calamidade nas periferias urbanas e o preço das contas de energia, da alimentação e dos serviços aumentam mais que a renda dos trabalhadores. A mudança de regras do seguro-desemprego e do acesso a benefícios previdenciários corta direitos e coloca sobretudo uma classe trabalhadora jovem e localizada em empregos precários (terceirizações, telemarketing, construção) em uma situação de maior vulnerabilidade e risco. Agora, as patronais sanguessugas podem demitir hoje e recontratar amanhã para se livrar dos encargos e assim engordar ainda mais seus lucros.

Os impostos castigam o consumo dos setores populares e médios, enquanto aliviam os ricos, donos de empresas e grandes fortunas. Em contrapartida a saúde e a educação pública seguem sucateadas, o transporte coletivo é péssimo, a justiça criminaliza a pobreza e a polícia é racista e mortal nas vilas, favelas e subúrbios.

Os precarizados, a massa dos trabalhadores brasileiros, alçados como modelo do regime de trabalho flexível e super-explorador, sujeitos de uma rotina de pesados sacrifícios, dão sinais de cansaço e irritação. A patronal, não satisfeita com os inúmeros incentivos vindos dos governos, quer mais trabalho precário e pressiona o governo pela lei de terceirizações.

A insatisfação cresce por todos os lados e chega a transbordar para além das velhas estruturas, normas e regras que o sistema oferece para sua canalização. Insatisfação representada por um sentimento difuso que, entre outras coisas, expressa rebeldias que vem de baixo.

Eles são todos sócios da trapaça burguesa-politiqueira.

A Lava Jato não fez nenhuma descoberta extraordinária. Ela volta a pôr em evidência um modo suprapartidário de governar que não toca nos privilégios das oligarquias, no poder dos grupos econômicos e financeiros e no regime ideológico das práticas institucionais. Trata-se de corrupção sistêmica. Como já dissemos outra vez, quem governa com o sistema, pelo sistema é governado.

Os partidos, os políticos, as burocracias, as empreiteiras, os bancos e os lobistas corporativos são todos sócios na corrupção e na impunidade. Uma mão lava a outra e todos tem sua vez. Quem não pactua não governa.

Na concepção liberal burguesa, a representação sempre foi um mecanismo legitimador da usurpação das forças coletivas e dos bens comuns pela vontade das minorias. Por isso que para defender a Petrobras e o patrimônio público a luta dos trabalhadores e do povo deve superar o controle burocrático estatal. Tem que ser uma luta para avançar na gestão direta do patrimônio público, pela mão das organizações operárias e populares.

Qual direita cara pálida?

protesto_diego-648974O agravante desse escândalo é que o PT, do mensalão de 2005 somado ao trambique com as empreiteiras na Petrobras, se afunda de vez na vala comum da política burguesa. E não é a esquerda que se degenera, como quer fazer passar o discurso monopolista da grande mídia e sim um PT domesticado pelo poder conservador das instituições e que cultiva entre os seus aliados, funcionários e políticos de carreira, um patrimônio formado pelos valores, as técnicas, os discursos e a bagagem ideológico-cultural da direita, daqueles que tomam o lado das injustiças e desigualdades da ordem burguesa.

O governismo vive os piores dias na sua carreira de partido da ordem. Enquanto o PT evolui na direção do centro e da direita, governa entre tropeços e comendo na mão das oligarquias. Já o outro setor da direita de partidos como o PSDB e DEM que figuram como oposição, pra não perder o bonde, se reagrupa e faz barulho aliado com as posições mais conservadoras e ultra-reacionárias.

Os grupos monopolistas que controlam a mídia de massas, em que pese terem sido favorecidos por verbas publicitárias, desonerações fiscais pelo governo e vista grossa pelas suas diversas sonegações fiscais, engrossam o caldo do oportunismo. Por um lado empurram as “verdades” da direita, travestidas de um discurso econômico “técnico” e pretensamente objetivo que defende a fatalidade do ajuste fiscal e por outro, surfam no discurso da corrupção para quebrar a moral de toda esquerda classista pela vidraça do PT.

O antipetismo que se manifestou massivamente nas ruas de todo o país no dia 15 de março, como há muito não acontecia, foi convocado por grupos da direita, partidos e formações liberais-conservadoras, as grandes mídias e seus “intelectuais”, setores evangélicos fundamentalistas e a fuzilaria ultra-reacionária de saudosistas do golpe de 64. Por sua vez, essa convocatória também foi capaz de sensibilizar parte expressiva dos trabalhadores, justamente indignados com os intermináveis casos de corrupção, pela estafante vida nas grandes cidades e o aumento no custo de vida. Hoje estes setores da direita já ensaiam uma qualificada disputa pelos rumos do descontentamento popular.

É preciso que se diga, sem meias palavras, que foram encorajados pela capitulação dos sucessivos governos petistas, que se ajoelham aos agiotas do sistema financeiro, sentam no colo das velhas raposas da oligarquia lideradas pelo PMDB e se atolam no balcão de negócios do Planalto, do Congresso e das estatais.

Outra ideologia, outras práticas para construir um povo forte.

A política que não avança na relação de forças contra o poder dominante deixa terreno a ser ocupado. O projeto histórico da frente de centro-esquerda liderada pelo PT, depois de alcançado seu objetivo de chegar à presidência da república, deixou plantada uma desorientação que não é fácil de medir. O avanço da direita na aliança governista e na oposição das ruas, assim como o sentimento confuso de setores populares entre fogo cruzado nos dão hoje uma amostra do lastro político-ideológico dessa trajetória.

trabalhadores-comperj

A experiência do PT, na busca e na conquista do governo, integrando-se nas instituições e nas regras do jogo, trouxe uma mudança importante na cultura e nos valores da esquerda. Aqueles sonhos e esperanças que foram mobilizados e produziam um sujeito de cambio que lutava em todas as frentes do povo para transformar o país e construir socialismo, foram esmorecendo. Muitos militantes do trabalho de base viraram os arrivistas de gabinete, ratos de aparelho. Quando muito, os teimosos foram simplesmente ignorados e substituídos pelos técnicos de gestão ou funcionários burocráticos da máquina. Sindicatos e movimentos sociais trocaram a independência da classe trabalhadora por cargos e ministérios, se fizeram gestores de fundos de pensão, assessores empresariais e linhas auxiliares do governo. Um processo que não se iniciou com a conquista da presidência, encontrando raízes ainda na década de 1980.

Essa subjetividade muito apegada a disputa de cargos e direções do aparelho e que põe o partido antes das lutas da classe, também fez escola entre a esquerda que não foi a reboque.

As relações de poder que encontram nessa conjuntura o suporte das idéias e os movimentos da direita têm haver, em grande parte, com esse processo histórico de desarticulação de forças sociais que amarga o campo classista. A colaboração de classes, a burocracia e o governismo desarmaram as organizações sindicais e populares, dividiram as lutas e as atrelaram ao estado. Formaram uma ideologia que reproduz as práticas das instituições burguesas, que faz do povo um sujeito que espera pelo que vem de cima.

Mudamos tudo ou não se muda nada.

Não formamos parte corrente do impeachment e tampouco as fileiras da tropa de choque do governo. Essa polarização que procura capturar as rebeldias que vem de baixo, definir e qualificar a luta social segundo as suas idéias, é o palco da briga entre elites e classes dominantes, uma briga entre vizinhos de condomínio privado, onde aos de baixo cabe, quando muito, o papel de simpáticos figurantes.

SDC12236

É preciso ter clareza na análise e firmeza em nossos princípios classistas para não entrar no brete que os de cima tentam nos impor, onde tanto o bando governista como o bando da oposição de direita tentam insinuar que estamos fazendo o papel de linha auxiliar de seu “rival”. Nosso caminho não tem saída por cima e busca agrupar forças sociais para atravessar sem fraquejo uma etapa de resistência e fragmentação. Unidos com os setores classistas e os movimentos sociais que vem de baixo, contra o tarifaço, o ajuste fiscal e o passo abusado das direitas. Sem confiança na “mágica” dos acordos de cúpula, seja qual for a procedência. Fazer crescer junto com a insatisfação social as rebeldias do povo, a ação direta, a solidariedade, a participação popular. Reorganizar o tecido social para lutar nas ruas, nas greves e ocupações, desenvolvendo as organizações de base como os núcleos fortes do poder popular. De baixo pra cima, com federalismo e democracia de base, criar os músculos da frente dos oprimidos capaz de construir uma mudança real que Socialize a riqueza e o poder.

CONTRA A TRAPAÇA DOS RICOS E O ARROCHO DO GOVERNO E DOS PATRÕES! ORGANIZAR A REBELDIA DAS RUAS, GREVES E OCUPAÇÕES!

Federação Anarquista Gaúcha – FAG / 20 anos!!!

Integrante da Coordenação Anarquista Brasileira – CAB

[FAG] Lutar e vencer fora das urnas – Opinião Anarquista sobre o 2º turno das eleições

Os resultados parciais das eleições para o governo federal em 1° turno repetem a polarização entre o PT e o PSDB dos últimos 20 anos. Votos brancos, nulos e abstenções chegaram perto de alcançar 30% dos eleitores. O congresso nacional teve pouca renovação e posições conservadoras lograram um avanço. Ao que tudo indica o governo Dilma terá no próximo dia 25 de outubro uma disputa apertada com o candidato Aécio Neves.

Logo Opinião

Em nosso Ato Público de 20 de setembro reafirmamos que a via eleitoral é bloqueada pelos poderes econômicos, pelos mecanismos conservadores do Estado e pelos oligopólios da mídia para fazer mudanças que atinjam as estruturas do poder dominante. Trocando em miúdos, quem faz carreira e se habilita a governar com o sistema, pelo sistema é governado. O espaço de manobras da política dentro das instituições e as relações de poder que a fazem funcionar é marginal e controlado para que nada saia da ordem de coisas estabelecida.

Com isso, não fazemos vista grossa com o que tem de específico e singular entre os candidatos e os partidos da democracia burguesa. A rigor está fora do panorama das eleições presidenciais um projeto reformista, por esquerda, no sentido clássico. O que vemos são variáveis administrativas, modos de operar a máquina que ao final não põem em causa as suas engrenagens, não questionam, ainda que timidamente, as suas regras de funcionamento.

Os governos Tucanos foram a mão pesada do neoliberalismo no Brasil. Dirigiram o ingresso violento do país nos circuitos ideológicos e econômicos do mercado capitalista globalizado. Privatizações de bens públicos, arrocho salarial, recorte de direitos sociais, desemprego de massas e desmonte dos serviços públicos fizeram parte de seu expediente. Em que pese toda rejeição popular suscitada, a direita logrou impor no fundamental os seus estabilizadores da ordem. O que se chama pelo nome de estabilidade econômica é, antes de tudo, a produção de um consenso conservador que tomou de assalto o discurso político e fez recuar posições de esquerda até o ponto de fazer o seu setor majoritário renunciar as pautas mais caras da classe trabalhadora e se integrar ao poder como mais uma peça funcional.

dilma-aecio_1_0O PT governista, na sua escalada ao parlamento e, finalmente no governo central, é expressão de uma história de capitulação ao sistema. Esse processo não começa quando o Lula chega Lá, mas toma definições no curso de uma linha que faz da política parlamentar e da carreira burocrática-institucional a sua escada. Que se consuma em 2002, com a declaração de fé da “carta ao povo brasileiro”, feita ao pé da bandeira da ordem e do progresso capitalista.

O período de 12 anos de governo petista possui elementos distintos aos dos dois mandatos do governo FHC. O PT cria governabilidade com uma política de alianças que atrai e divide setores oligárquicos da direita. Foi empurrado pra vala comum dos conchavos, lobbies, propinas, caixa dois entre tantos esquemas de desvios de verbas públicas e favorecimentos de negócios privados. Na sociedade organiza um pacto social que faz chegar mecanismos de governo nas duas pontas da estrutura de classes. Faz política de crescimento dos ganhos do sistema financeiro e dos grandes capitais e, junto a isso atende com programas sociais os mais pobres que estavam desassistidos de políticas públicas, incluindo os setores populares no mercado via consumo. Contudo, deixa de fora o combate às estruturas de concentração da riqueza e do poder e medidas que atuem nessa direção como a taxação das grandes fortunas, redução da jornada de trabalho sem perdas salariais, fim da terceirização, reforma agrária e urbana que ataque a concentração fundiária e a especulação imobiliária, etc.

O governismo petista conduz ideologicamente a um desarme do projeto independente das organizações e das lutas das classes oprimidas. Quebra a unidade de classe e planta confusão, ambições e valores que formam um perfil técnico-burocrático absolutamente estranho aos valores militantes de esquerda. Faz do sindicalismo oficialista aparelhos de transmissão da vontade do governo e co-gestores de fundos de pensão, quebrando toda a cultura organizativa e de luta com perspectivas de acumulação a um projeto de ruptura e transformando os tradicionais instrumentos de organização da classe em meros gestores burocráticos.

Esse processo de enfraquecimento progressivo da organização da classe trabalhadora atingiu níveis absurdos com a ascensão da coalizão pretensamente reformista ao Planalto, mas vem de antes, muito antes. Em que pese as inúmeras expressões de sindicalismo combativo e de base no seio da CUT ao longo dos anos 1990, podemos afirmar que nessa década, fundamentalmente após o lamentável desfecho da greve dos petroleiros de 1994, a CUT vem consolidando um fazer sindical alheio a sua base. Não são poucos os exemplos onde o aparato governista no movimento sindical atua de forma deliberada para desmobilizar e desmoralizar o conjunto dos trabalhadores.

Nesse sentido, o próprio PT é responsável por criar o estado de coisas que pode impedir sua continuidade enquanto governo. O Partido dos Trabalhadores não está enfrentando simplesmente uma ofensiva dos setores mais à direita, mas fundamentalmente a sua própria cria.

Organizar a rebeldia que vem de baixo

Nosso voto é NULO e ATIVO!

Enquanto anarquistas, não participamos no 1º turno e não participaremos nesse 2º turno das eleições com o nosso voto. Nosso voto foi e será nulo! Um voto nulo ativo, pois ativo é e será nossa militância cotidiana na organização independente dos diferentes setores das classes oprimidas. Enquanto anarquistas politicamente organizados na Federação Anarquista Gaúcha (FAG), apostamos na inserção social orientada estratégica e programaticamente e que dê passos concretos na construção do Poder Popular. Um esforço de fomento e impulso criativo no interior dos movimentos sociais e espaços de base da participação, iniciativa e protagonismo. Nas fábricas, oficinas, escolas, faculdades, bairros, no campo e na floresta.

CABNão temos nada a oferecer, hoje, àqueles e àquelas que pensam as eleições burguesas como um meio mais fácil, rápido e eficaz de resolução dos nossos problemas enquanto povo. O que temos a oferecer é um espaço de organização, um projeto coletivo a se construir no cotidiano das lutas por melhores condições de vida e um horizonte Socialista e Libertário. Não estamos falando de algo para um amanhã que nunca chega e sim da forja diária de valores combativos, de lutas por conquistas parciais no marco de conquistas estratégicas, de acúmulo de forças e de experiências coletivas que não são perdidas tão facilmente na troca de governos de turno.

Nosso voto é nulo, nossa militância ativa, constante e cotidiana!

Organizar a rebeldia que vem de baixo!

Lutar e vencer fora das urnas!