Arquivo da tag: psol

[FAG] NÃO SE INTIMIDAR, NÃO DESMOBILIZAR. RODEAR DE SOLIDARIEDADE OS QUE LUTAM!

Retirado de: http://batalhadavarzea.blogspot.com.br/2013/10/nao-se-intimidar-nao-desmobilizar.html

Nota pública da FAG sobre a caça as bruxas do dia 01 de outubro em Porto Alegre – RS
A grande operação que a polícia civil desatou ontem, atingindo diversos companheiros e organizações de esquerda que militam em torno do Bloco de Lutas aponta a necessidade da solidariedade como uma tarefa de urgência.
Nesse momento urge encararmos a questão no seu devido conjunto. Não se tratou de uma repressão dirigida especificamente a uma organização, mas sim um golpe contra toda militância de esquerda. O momento é de tomarmos a solidariedade para com todos os companheiros e organizações perseguidas como um dever que esteja acima de vinculações ideológicas e organizativas, não caindo na mesquinharia de titubear a solidariedade em função de preferências políticas.
Após todo esse sórdido operativo, Tarso teve a frieza e a cara de pau para divulgar um depoimento onde faz questão de defender o mega operativo, frisando que o mesmo se deu respeitando todos os marcos do “Estado democrático de direito”. Omite todo um roteiro de invasões em residências e locais como o Moinho Negro, Utopia e Luta, Ateneu Libertário, invadido pela segunda vez em menos de 4 meses. Tarso cita os casos dos companheiros do PSOL e PSTU e convida os dirigentes dos partidos para uma audiência com o objetivo de relatarem o ocorrido.
O convite de Tarso entra como a proposta de um jogo cretino, pois o que busca em realidade é arbitrar, a revelia de um movimento popular, quem são seus interlocutores, além de pressionar para a colaboração. Isso fica claro quando, ao negligenciar o restante do operativo afirma não acreditar que “atos criminosos” sejam praticados por “militantes políticos”, logo já apresenta a fatura aos demais companheiros e organizações atingidas. Nada disso é novidade, no mês de junho, quando tivemos nossa sede invadida, através de um artifício ilegal (até hoje não temos conhecimento do mandato judicial), o mesmo Tarso foi a imprensa para chamar-nos de fascistas e reivindicar que estes partidos revissem sua política de alianças nos movimentos sociais.
Por fim, chamamos atenção para o grave caso dos 03 companheiros professores arbitrariamente presos no último ato do Bloco de Lutas que foram indiciados no dia de hoje. Estes 03 companheiros foram abordados por um ônibus da Brigada e presos logo em seguida enquanto se dirigiam a uma lancheria na Cidade Baixo após o término do ato. A isca para abordá-los foi que um destes companheiros carregava uma bandeira do CPERS-Sindicato.
A prisão destes companheiros logo revelou uma meticulosa operação policial que tinha como intuito caçar aleatoriamente manifestantes ao final do ato, de forma a efetuar prisões e plantar “flagrantes” de forma a apresentá-los como bodes expiatórios por casos de depredações. Sem provas, resumindo tudo ao depoimento de brigadianos não identificados, os companheiros foram acusados de depredação de patrimônio público, crime ambiental por pichação em patrimônio tombado e agressão a brigadianos. O grande objetivo da operação era encaminhar os companheiros ao presídio central dada o valor exorbitante da multa/chantagem que se aplicou: R$4 mil para cada em espécie.
Enquanto a polícia civil respeitando o “Estado democrático de direito” invadia residências de companheiros e locais de organizações, o delegado Paulo César Jardim, responsável pela “investigação” das prisões do último ato, concluía sua nobre tarefa.
Curioso é o fato que o mesmo Jardim é também o delegado responsável pela investigação dos grupos neo-nazistas que atuam impunemente no Estado, mais especificamente em Porto Alegre e na Serra Gaúcha, realizando inúmeros ataques, especialmente de ordem homofóbica e racista. Nunca vimos tamanha agilidade deste “grande investigador”, para autuar esses verdadeiros criminosos e tampouco medidas efetivas por parte do governo Tarso/PT nesse sentido.
É hora de levar o abraço solidário a todos e todas que lutam para que o protesto social não se envergue ao poder e resista a fuzilaria reacionária dos monopólios da mídia. Mobilizar uma frente comum de todo o campo da independência de classe para romper o cerco repressivo e impedir a criminalização dos movimentos sociais.
Contra o medo e a repressão. Luta e Organização!
1e0f7-noticia_171585b15d5b15d
Leia também:

ATENEU LIBERTÁRIO É INVADIDO PELA POLÍCIA PELA 2 VEZ EM MENOS DE 4 MESES

Na tarde desta última terça-feira, 1 de outubro de 2013, o Ateneu Libertário A Batalha da Várzea que faz local político-social para a Federação Anarquista Gaúcha foi invadido pelas forças repressivas do governo Tarso do PT pela segunda vez. A porta da sede foi arrombada e teve suas dependências e equipamentos revirados. Por cima de uma mesa foi deixado um bilhete que dizia: “passei por aqui e a porta estava aberta. Gostaria de participar da FAG.”
A terça-feira amanheceu com uma forte operação repressiva desatada pelo governo estadual e a justiça sobre militantes do Bloco de Lutas e organizações de esquerda. Invasão de residências particulares, locais públicos de esquerda e campanas sobre companheiros/as foram levados a cabo durante todo o dia. Falam-se de mais de 70 mandatos judiciais de busca e apreensão ainda por serem executados. Na última quinta-feira, quando da dispersão do ato público do Bloco de Lutas cinco companheiros foram detidos e incriminados.
O governo Tarso quer calar o protesto social que foge do seu controle, que não se engana com seus malabarismos retóricos e nem se amansa com expedientes repressivos.

Não ta morto quem peleia!

Eleições Municipais 2012: O consenso conservador em Curitiba

Balanço das eleições em Curitiba CALC (Coletivo Anarquista Luta de Classe):

O consenso conservador em Curitiba

Curitiba hoje é a 17° cidade mais desigual do mundo e a 5° do país. Comparada as cidades da Europa e famosa por ser a “cidade modelo”, ela esconde por trás deste slogan todas as mazelas dos grandes centros urbanos: violência em altos níveis, falta de serviços básicos ou acesso precário a eles, além da especulação imobiliária (quase 10% dos imóveis da cidade estão vazios) que afeta as condições de vida e moradia de milhares de curitibanos.

Entre os candidatos do primeiro turno temos velhos conhecidos vindos das elites locais. Luciano Ducci, herdeiro político de Beto Richa (filho de proeminente político da região), do mesmo grupo que há algumas décadas vem administrando a cidade, afinadíssimo com os interesses do capital. Como “oposição” temos Gustavo Fruet (até bem pouco tempo do PSDB de Richa), filho de outro político da região da época da reabertura, agora no PDT, com uma suspeita aliança de ocasião com o PT. Temos para reforçar o time das “figurinhas carimbadas” Rafael Greca, prefeito na “era de ouro” de Curitiba, quando a cidade era “exemplo” de urbanismo (leia-se urbanismo e exclusão social) onde foi sucessor e continuador dos projetos de Lerner e “sua turma” (grupo do qual hoje Richa e Ducci são os “continuadores” oficiais), grupo que vem dando as cartas na cidade há algum tempo e que fez da Curitiba a “cidade modelo”, hoje em uma suspeita oposição.

Dos quatro candidatos com maior número de votos, três eram, foram, ou são (fica difícil saber até que ponto romperam um dia…) do grupo que domina a política local e que governa há anos para as classes dominantes, todos ou são provenientes das elites, ou mantém estreitos laços com elas. Por “fora” a “verdadeira alternativa” (ao menos com chance real de vencer as eleições), temos Ratinho Jr., o mais votado no primeiro turno. Se não é vinculado às elites locais e de família já tradicional na política, é filho de um grande comunicador, latifundiário, dono de empresas de telecomunicações, e outros tantos negócios. Com toda certeza este ultimo também não é um candidato que vem das camadas populares, mas sim é mandatário das classes dominantes tanto como os outros, apenas busca “disfarçar-se” por trás da “popular” personalidade de seu pai, Ratinho pai. Esse candidato busca confundir seus eleitores reivindicando-se de uma família de trabalhadores (afinal seu pai é mais um dos exemplos daqueles que “venceram” na vida e que se construíram com “seu” trabalho, como se fosse possível enriquecer com seu próprio trabalho).             Olhando para os possíveis prefeitos da cidade, não se tinha chance nenhuma de a burguesia perder o poder político da cidade (nem poderia ser diferente), entre os quatro possíveis para chegar ao segundo turno (é certo que Greca sempre esteve bem pouco cotado), três vem do grupo que há anos controla a cidade. Longe de ser surpreendente, isso somente afirma que as eleições são uma teatralização da escolha e da democracia, sequer passando perto de alterar os grupos de poder e o status quo, mostrando que nada ou muito pouco pode mudar para os de “baixo” através delas. Não são mais que disputas personalistas do aparato do Estado, de busca por um lugar privilegiado e cativo em meio às classes dominantes.

No espectro das diferenças entre estes candidatos, programaticamente percebemos que são pouco perceptíveis. Há muito o PSDB de Curitiba aprendeu com o PT como adentrar os movimentos populares e colocá-los dentro do Estado. Sua política em Curitiba abarcou certos elementos propostos pelos gestores petistas no que tange a participação. Na gestão de Richa foram pouco mais de 200 audiências públicas, na de Ducci (2 anos apenas) foram mais nove. Isto coloca o PT(agora aliado ao PDT) em difícil situação, já que alguns dos bairros onde tinha vinculação histórica são cooptados. E mais, o PSDB aporta essa proposta mostrando claramente que não tem nenhum problema (e é até mesmo conveniente, pois promove a conciliação de classe) para a burguesia em colocar a classe trabalhadora para ajudar a gerir suas mazelas junto ao Estado, que esta política participativa pode ser bancada pelos partidos burgueses stricto senso, assim de certa forma roubando a originalidade do projeto petista de gestão, cabe citar que Ducci chega a aportar até mesmo a economia solidaria e o cooperativismo . Fruet em sua campanha não conseguem ir além de propostas em torno da transparência (mesmo nas privatizações) e ética, negando bandeiras históricas dos trabalhadores/as como as não privatizações.  Talvez algumas singelas diferenças que vemos entre as candidaturas de PDT/PT e PSB/PPS (com massivo apoio de PSDB) estão no que tange um discurso privatizante mais explicito de Ducci que se mostra um apologeta da entrada do privado nos serviços públicos via “concessões”, gerindo de maneira neoliberal. Fruet ainda se diferencia de uma linha extremamente conservadora (ao menos no discurso) no debate da segurança pública, pois Ducci trata a criminalidade simplesmente como “caso de policia”, sua política é inequívoca nesse sentido vide a implementação das UPSs(Unidade Paraná Seguro, claramente inspiradas nas UPPs do RJ). O candidato do PDT encara a problemática tratando-a como de ordem social a relacionado a desigualdade social e a concentração de renda.

Já Ratinho Jr. sequer apresenta um programa, sua politica é baseada meramente no marketing político. Observamos um conservadorismo extremo quando aborda as problemáticas das drogas e criminalidade “evocando” as autoridades religiosas para o auxiliarem na moralização da cidade. Manifestou-se também, publicamente, contra o casamento entre homossexuais, o que gerou uma certa comoção do público LGBT no intento de deslegitimá-lo e boicotar sua candidatura. Em suas propostas formalizadas articula demandas das classes mais populares, ao mesmo tempo que carrega o velho conservadorismo e as “parcerias” com o setor privado, elencando a necessidade de estabelecer mais vínculos entre prefeitura e FIEP.

Greca traz a campanha mais agressiva, enfatizando os problemas gerados pelo sobrecarregamento do sistema público de serviços de Curitiba e recordando com “saudosismo” a “maravilha” que eram os serviços em seus gloriosos tempos de “Curitiba modelo”, omitindo que os problemas que a população de Curitiba enfrenta são decorrentes do modelo de cidade que ele mesmo ajudou a consolidar, afinal Richa e Ducci são seus sucessores

Naqueles que disputaram “para valer” o primeiro turno encontramos um mesmo consenso conservador, seja no que se refere a uma “idílica” história de Curitiba que deve ser retomada, um projeto que deve “retomar os trilhos” para que voltemos a ser a cidade “modelo”, que avancemos de cidade “ecológica” para “sustentável”, ou no “manter as conquistas de Curitiba”, mostra que nenhum destes candidatos tem um compromisso, a menos que discursivo, em transformar a situação da classe trabalhadora, pois defendem a “velha” Curitiba, que afasta a pobreza (inclusive isto é marca de seu planejamento) e que se molda aos interesses do capital de todas as ordens imobiliárias, industrial, automobilístico, etc.

Outro componente de destaque é a postura que as esquerdas diretamente vinculadas ao Estado tomam nestas eleições. Sua degeneração chegou a um nível em que nem mais dissimulam o pragmatismo político na disputa pelo poder. PT e PC do B aliados históricos, agora frente a frente no segundo turno, o primeiro com Fruet o segundo com Ratinho, ambas candidaturas dissociadas de qualquer movimento de base, e inclusive imposta as suas bases no caso do PT. Fica eminente que no caso da disputa do Estado, o que era meio vira fim, a tática vira estratégia, e em troca do poder, da “máquina”, vale tudo. Assim auferindo o maior pragmatismo político, cada um aposta num “cavalo” diferente e que vença o “melhor”.

Na “margem esquerda” das eleições encontramos PSOL e PSTU, ambos partidos que reivindicam-se revolucionários. O programa do Prefeito Avanilson, candidato do PSTU, é bastante coerente no que diz respeito as condições sócio econômicas de Curitiba, apresentando uma tese marxista sobre Estado contemporâneo. Apresenta uma proposta classista, porém resume os problemas do Estado aos seus gestores e a corrupção, referindo-se aquela velha história da “crise de direção” e propõe-se, é claro, à gerir a máquina de forma socialista. O programa do PSOL sequer existe, lança sua candidatura apenas com consignas e, através destas, traz propostas bastante mediadas na tentativa de conquistar apoio da “classe média” (comumentemente se denominam setores mais abastados da classe trabalhadora, ou seja maior inserção no consumo como uma classe, discordamos de tal definição, mas entendemos a quem se refere). Para isso, acaba abandonando a perspectiva classista, seu programa socialista vai mais no sentido da conciliação de classes e de resolver os problemas do capital no capital do que de rompimento com as suas contradições e exploração dos trabalhadores. O abandono chega a tal ponto que algumas candidaturas se dirigem inclusive ao pequeno empresariado, sintomático para um partido que se propunha socialista.

E com o fim do primeiro turno, resta ao curitibanos escolher entre Ratinho Jr. e Gustavo Fruet, ou seja, manter a velha elite, ou trocá-la por uma nova. No fim das contas sabemos para quem o novo prefeito irá governar, independente de qual seja eleito. E mais uma vez, através das eleições, burguesia legitima seu domínio e exploração sobre os trabalhadores.

 

Bartolomeu Nascimento

[FAG] Nota em Resposta e de Repúdio à Zero Hora

Retirado de : http://anarkismo.net/article/22145

Nós da Federação Anarquista Gaúcha viemos a público em resposta a matéria veiculada no jornal Zero Hora de 29/02 sobre a luta pela revogação do aumento das passagens em Porto Alegre.

fag.jpg

Nós da Federação Anarquista Gaúcha viemos a público em resposta a matéria veiculada no jornal Zero Hora de 29/02 sobre a luta pela revogação do aumento das passagens em Porto Alegre. Enquanto participantes, em conjunto com outros coletivos, grupos, entidades sindicais e indivíduos, do movimento que vem se desenvolvendo desde o início de fevereiro, não podemos deixar passar mais uma tentativa de criminalização e difamação do protesto popular por parte deste veículo de “comunicação” do oligopólio da família Sirotsky, sustentado sobre mentiras e inúmeras confusões.

A matéria da ZH joga sujo ao aproveitar-se da participação de alguns partidos políticos no Bloco de Luta por um Transporte Público para associar a luta pela revogação do aumento das passagens com os interesses eleitoreiros de partidos como Psol e Pstu. O que a Zero Hora faz é tentar deslegitimar uma luta que vem sendo construída de forma independente, auto-organizada e unitária ao associar esta a uma suposta “ambição eleitoral dos partidos de extrema esquerda”. As diversas manifestações, desde seu início, tiveram em seu horizonte a revogação do aumento das passagens e a luta por outro modelo de transporte, de fato público, questionando mais um roubo à população de porto alegre por parte das empresas privadas de transporte e do poder “público” municipal.

Outra falácia desse veículo de comunicação da elite gaúcha é questionar a afirmação do movimento de que este não teria líderes ao afirmar que o militante do Movimento Juntos, vinculado ao Psol, Rodolfo Mohr, se destacaria como uma das principais figuras do movimento. Rodolfo Mohr, desde seu início foi apenas mais um participante do Bloco de Luta (e não Comitê tal como fala a ZH) e nunca foi autorizado a se colocar como porta-voz, representante ou dirigente das manifestações. Mais uma vez a tentativa é de associar a construção que até então vem de forma horizontal, coletiva e independente à figura de um dirigente partidário e consequentemente a agenda eleitoral de um ou outro partido. O Bloco de Luta por um Transporte Público não tem dirigentes, sejam estes de partido ou sem partido; possui definições coletivas que nos dão a direção a seguir.

O Bloco de Luta por um Transporte Público foi e continua sendo um movimento aberto à estudantes, trabalhadores, desempregados, sindicalistas, militantes ou não, partidários ou não que tem como objetivo único a revogação do aumento da passagem de Porto Alegre e a ampliação do debate sobre um outro modelo de transporte na cidade, público, gratuito e de qualidade. Nenhum partido ou sindicato está por detrás ou à frente do movimento, pois são apenas participantes subordinados às decisões coletivas das assembléias, assim como todos os demais.

A Federação Anarquista Gaúcha, organização política anarquista, por defender a independência e autonomia do Bloco de Luta pelo Transporte Público, denuncia o oportunismo da Zero Hora e sua tentativa de criminalização da luta, sua má fé tratar o movimento como sendo uma articulação partidária com interesses eleitorais e por cumprir o único papel que é o de fazer parte da estrutura de dominação desinformando e mentindo ao povo.

Seguiremos lutando e denunciando mais um ataque aos que ousam se levantar!
Pela revogação do aumento das passagens, pelo passe livre e na defesa de um transporte público e de qualidade!
Pela força das ruas e com o protagonismo popular, venceremos!

Federação Anarquista Gaúcha