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[FARJ] A intervenção federal no Rio de Janeiro e o xadrez da classe dominante

Retirado de: https://anarquismorj.wordpress.com/2018/02/18/a-intervencao-federal-no-rio-de-janeiro-e-o-xadrez-da-classe-dominante/

Estamos presenciando a inauguração de mais um capítulo do governo de “choque” aplicado ao estado do Rio de Janeiro. Um capítulo que é a plena continuação da nefasta política de segurança pública implementada no estado, alinhada ao avanço do golpe contra os trabalhadores, que destituiu anteriormente um governo que não servia mais aos plenos interesses da classe dominante nessa nova fase do sistema capitalista.

No carnaval desse ano e seguindo a tradição de resistência da cultura afro-brasileira, a Paraíso do Tuiti lavou a alma de todos os/as trabalhadores/as brasileiros, mostrando que a reforma da previdência e trabalhista são ataques contra seus direitos sociais e escancarou o passado escravocrata da elite brasileira. Agora, essa mesma elite, faz um novo acordo e aprova um plano de intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro, que agora vai ficar sob controle do general do exército Walter Braga Neto.

Contenção dos/as de baixo à partir do controle das favelas e periferias

Com o avanço da barbárie neoliberal, a classe dominante recorre a contenção dos de baixo, substituindo a falida política das UPP’s promovida pelo governo Dilma-Lula-Cabral pela intervenção direta do Exército e a criação do Ministério da Segurança. A implementação no passado da chamada “Força Nacional”, que resultou em diversas operações em conjunto do exército com a polícia em diferentes favelas do Rio de Janeiro, já indicavam que seguiriam os assassinatos de moradores (em sua maioria negros e jovens) pelas forças militares e o descumprimento de direitos mínimos – sob argumento de combate ao roubo de cargas e a e“guerra as drogas”. Nada causa mais temor nas elites e em parte dos setores médios alinhados com a mídia corporativa/burguesa, do que a “sensação de insegurança” de perder seus bens ou sua vida, numa barbárie produzida pelo próprio sistema capitalista e que atinge mais duramente trabalhadores e trabalhadoras. Essa sensação de insegurança é produzida principalmente pelos jornais burgueses, que semanas antes da intervenção federal, mostravam incessantemente roubos a pedestres e moradores da zona sul. Esta necessidade de militarização frequente da sociedade e controle social de parte significativa da classe trabalhadora é uma demanda de longo prazo e que já foi experimentada com as diversas ocupações do exército nas favelas cariocas, acabando com os direitos de trabalhadores/as e instituindo o arbítrio policial sem melhorar em nada a vida da classe trabalhadora (do asfalto e das favelas). Sofrerão assim, principalmente a população negra e pobre do estado, que segue vítima do arbítrio e do genocídio do sistema estatal-policial.

Desde antes do carnaval, o “vampiresco” e presidente golpista avisava que iria criar o Ministério da Segurança Pública depois da festa popular, obedecendo uma antiga demanda dos setores mais reacionários que operam fora e dentro do Estado brasileiro. A fundação do Ministério da Segurança Pública dá mais um passo na consolidação desse Estado policial brasileiro, que junto à lei anti-terrorismo (também aprovada pelo PT e seus aliados) aperfeiçoa o padrão para o tratamento aos de baixo. E também possui um objetivo pragmático, fornecer capital eleitoral para o falido Temer e PMDB.

O papel do exército e do judiciário brasileiro na instituição do pesadelo neoliberal

O exército brasileiro possui um histórico papel de controle das classes subalternas e já tinha mencionado em declarações de seus superiores, que não aceitaria uma situação de “caos social”. Concomitantemente, exercícios militares há alguns meses em frente a estação do Guandu (da CEDAE), atestavam o papel submisso do exército brasileiro, que enquanto canta o hino nacional, garante a segurança das vendas das estatais (como a CEDAE) a preço de banana ao capital internacional. Assim, enquanto trabalhadores pobres e negros morriam soterrados, ou perdiam seus bens com as fortes chuvas que atingiram o Estado essa semana, o exército vem não para socorrer a população, mas para garantir o trânsito comercial das empresas e passar uma falsa sensação de tranquilidade a população. Pode também, ter livre trânsito para assumir a inteligência das força de segurança e aplicar a tese do “inimigo interno” (movimento populares, organizações políticas de esquerda etc).

Intervenção federal e militar no RJ.

Para cumprir o acordo nacional “com o Supremo, com tudo”, o papel do judiciário é fundamental na implantação do neoliberalismo no país. Se na fase anterior do capitalismo, o neoliberalismo era imposto pela via “chilena” de golpes e regimes militares, agora temos dentro de governo democrático de “choque”, a ação do judiciário endossando o Regime de Recuperação Fiscal (RFF) em nosso estado e judicializando a política (perseguindo militantes, sindicatos e organizações). Recentemente, a ministra Carmen Lúcia, do STF (com o supremo, com tudo…) suspendeu a obrigação do governo do estado do RJ em nomear 900 professores aprovados em concurso. A justificativa usada foi o de que a contratação dos 900 professores provoca “desequilíbrio orçamentário”! Isso, vindo de um judiciário que ganha salários de centenas de milhares de reais, extrapolando o teto público e que tem direito a diversos auxílios (moradia, educação, etc) enquanto a maioria do povo segue morrendo nas filas dos hospitais, nas filas para fazer a matrícula escolar dos seus filhos e enfrentando o desemprego estrutural. Nada mais político e covarde que um judiciário e as forças armadas pretensamente neutras mas alinhadas integralmente com o neoliberalismo, seu estado de choque e em pleno ataque aos direitos dos/as de baixo!

Plano das elites: abafar a resistência e aprovar a reforma da previdência…

O governo Temer já indicou que a intervenção no Rio de Janeiro atua como um anteparo a aprovação da reforma da previdência. Um estado de sítio provisório e pirotécnico (que pode  virar modelo para outros estados) que fortalece e dá unidade ao governo na sua busca pela destruição da aposentadoria de todos/as os trabalhadores  do país. Além disso, o povo do estado do Rio de Janeiro possui um belo histórico de manifestações, protestos e rebeldias. Sendo um dos estados mais precarizados pela barbárie neoliberal, a classe dominante sabe, que uma faísca de luta popular coletiva pode acender um fogo e exemplo incontornável para o restante do país. Abafar o protesto e a luta de classes e garantir a tranquilidade das eleições que se aproximam será o papel das elites e de todos que acreditam na ilusão de que essa situação poderá ser mudada nas urnas. Com um governo estadual envolvido até os fios do cabelo com casos de corrupção, com um prefeito omisso (e de baixa popularidade) a intervenção cai como uma luva e parece ter sido acordada por parte significativa do conjunto das elites, contando com o apoio da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, da Rede Globo e de outros setores, que manifestaram sua adesão a presença dos militares no RJ, a aprovação da reforma da previdência e a instituição do regime de recuperação fiscal.

Cabe, ao os movimentos populares e sindicatos apontar o caminho da luta nas ruas. Lutar contra a intervenção arbitrária do exército e contra o regime de recuperação fiscal!

Derrotar o plano da classe dominante e o neoliberalismo nas ruas!

Derrotar a reforma da previdência! Não a intervenção!

Federação Anarquista do Rio de Janeiro

[CAB] Opinião Anarquista: o Anarquismo é luta social e exige respeito

Diante do ataque orquestrado pela polícia civil do Rio Grande do Sul em conluio com a Rede Globo, denominado “Operação Érebo”, que tem como objetivo criar precedente para enquadrar a ideologia anarquista na Lei Antiterrorismo, a Coordenação Anarquista Brasileira afirma que somos historicamente fruto das lutas do povo oprimido. Nossa ideologia nasceu na luta das/os de baixo, da classe trabalhadora contra todas as formas de dominação. As violências que a nossa classe sofre no cotidiano com a falta de acesso aos direitos mais básicos são o que impulsiona o trabalho realizado pelo anarquismo, em meio ao povo e na defesa de uma sociedade mais justa sem desigualdade social e livre de todas as formas de opressões.

Por isso os militantes da Coordenação Anarquista Brasileira, da qual a Federação Anarquista Gaúcha faz parte, são trabalhadoras e trabalhadores, filhos e filhas do povo. Somos militantes, e como tais, atuamos em sindicatos, ocupações de moradia e movimento estudantil e demais espaços sociais. Defendemos o trabalho de base, buscando mobilizar distintos sujeitos sociais desde seus locais de trabalho, estudo e moradia. Portanto não nos prestamos a caricaturas pintadas pela Rede Globo e pelo Delegado Jardim.

Diante desta calunia, que tem por finalidade não apenas tipificar o anarquismo na Lei Antiterror mas também paralisar toda a esquerda revolucionária através do medo, afirmamos que não vamos nos acovardar, seguiremos em luta contra o ajuste e a repressão.

O Anarquismo é luta social e exige respeito

O Anarquismo existe há mais de 150 anos, é fruto do socialismo e uma ferramenta da classe trabalhadora par a conquista de seus direitos. Esteve presente na construção da Primeira Internacional e está nas lutas sociais da atualidade. Uma ideologia que historicamente participou de muitas das lutas organizadas e forjadas pelas mãos dos/as trabalhadores/as em diferentes continentes e países: Comunas Parisienses, Revolução Russa, Revolução Ucraniana, Revolução na Manchúria, Revolução Mexicana e a Patagônia Rebelde na Argentina; as Federações Operárias Regionais na Argentina (FORA) e no Uruguai (FORU). O Anarquismo também esteve presente e contribuiu muito no chamado “sindicalismo revolucionário” no Brasil, ajudando a impulsionar lutas e greves no início do século passado, como a Greve Geral de 1917.

O anarquismo, como ontem, permanece cotidianamente envolvido nas causas sociais, nas lutas sindicais, nas associações de bairros, de moradores. Compromissado em combater as desigualdades e opressões, defendendo o avanço nos direitos das mulheres e LGBTTT, pela demarcação dos territórios indígenas e quilombolas, em apoio e solidariedade aos povos e trabalhadores do campo.

A violência da mídia e da Globo

No último domingo, dia 29/10, em seu programa Fantástico, a Rede Globo tentou, de forma grosseira, confundir sobre o que de fato é a ideologia anarquista, chegando ao ponto de compará-la ao nazismo.

Violência é o que a Globo pratica, ao criminalizar e difamar a ideologia anarquista. Ao expor trocas de mensagens de celular sem nenhuma permissão para isso. É uma atitude irresponsável e leviana que pode prejudicar trabalhos sociais sérios construídos com esforço e compromisso no dia a dia.

Esse tipo de jornalismo serve apenas a seus próprios interesses, buscando lucrar vendendo factoides grosseiros e calúnias. É também um jornalismo servil aos interesses do Capital e da crescente Direita no país repete assim o mesmo papel que teve durante a ditadura civil-militar.

A violência dos poderosos contra o povo

É importante falarmos aqui também de toda a violência contra o povo praticada pelo capital, pelo Estado e governantes. A violência das eternas filas de espera dos hospitais, da falta de remédios e recursos, de salários não pagos aos profissionais da saúde. A violência dos transportes públicos, superlotados e sucateados, dominados por mafiosos amigos de governadores e prefeitos. Vamos lembrar da violência do ensino público abandonado pelo governo para ser privatizado. Os trabalhadores e trabalhadoras da educação que não recebem seus salários, e os estudantes que também são violentados pelo Estado. A violência dos latifundiários, grileiros e bancada ruralista contra os povos indígenas, sendo expulsos de seus territórios, contra os sem-terra e os pequenos agricultores. A violência do Estado e da polícia contra o povo negro, o genocídio nas favelas e periferias.

Mas, apesar disso, quem o estado, a polícia e a mídia rotulam de terroristas e violentos são aqueles que se organizam na busca pela transformação social, pelo fim de toda essa injustiça e desigualdade social promovidas pelos poderosos e capitalistas.

Solidariedade para avançar contra os ataques

A solidariedade por parte da esquerda é fundamental neste momento. Este não é apenas um ataque isolado contra a ideologia Anarquista. Não é possível compreender estes acontecimentos se não os pensarmos inseridos no contexto de avanço da direita no país. E mais ainda, na estrutura mundial de dominação do capital, em especial o imperialismo norte-americano e a forma como ele vêm atuando na América Latina e no Brasil. Para que os recursos naturais deste continente e seus povos sejam cada vez mais explorados, se faz necessário criminalizar e reprimir os movimentos sociais e as organizações políticas. Por isso é, toda a esquerda que está sob ameaça e ataque, assim como os movimentos populares. E todos aqueles que se opõem à sanha do capital internacional e nacional que quer colocar suas garras sobre os recursos naturais e as terras, e explorar ao máximo o povo, destruindo todos os direitos que foram conquistados com muita luta.

Por isso estes ataques devem ser denunciados. É preciso mostrar que o Anarquismo não é que mostra a mentirosa reportagem da Rede Globo, e que vem sendo veiculado pelos outros grandes veículos de informação (SBT e BAND). Não aceitamos nenhuma forma de criminalização muito menos ideológica. Somos historicamente fruto das lutas do nosso povo oprimido e permaneceremos firmes na luta anticapitalista por um mundo novo e uma nova sociedade que carregamos em nossos corações.

CONTRA A FARSA DA REDE GLOBO

ANARQUISMO NÃO É CRIME, É LUTA!

VIVA O ANARQUISMO!

[FAG] Fantástica Infâmia!

Fantástica Infâmia!
Uma teoria da conspiração ao gosto da extrema direita!

INFAMIA! Não há outro termo para se referir à farsa que foi promovida neste domingo pela Rede Globo através do programa “Fantástico”. Conhecido por seu aspecto idiotizante e sensacionalista, o Fantástico já alertava, logo em seus primeiros quadros, seu fetiche por teorias da conspiração ao apresentar mais uma de suas matérias sobre misteriosos OVINIS. Embaladas na onda conservadora, as teorias da conspiração, “rigor e sabedoria” dos estúpidos, vêm ganhando espaço cada vez maior nos grandes meios de comunicação. Não seria justo o Fantástico quem deixaria de aplicar uma “autêntica”.

O sensacionalismo apresentado em torno de uma nova teoria da conspiração foi a matéria sobre uma suposta “organização anarquista criminosa”, propagandeada ostensivamente ao longo dos últimos dias e guardada como a “chave de ouro” do programa.

A matéria em questão, abordou a operação da Polícia Civil do Rio Grande do Sul direcionada ao espaço cultural Parhesia, a ocupação urbana Pandorga, e nossa organização política, Federação Anarquista Gaúcha/Coordenação Anarquista Brasileira (FAG/CAB). Desde o início da operação (dia 24/10), a grande mídia local, com a RBS na linha de frente, já demonstrava ser parte ativa nessa conspiração. Acompanhando e difundindo quase que em tempo real todo o procedimento da Polícia Civil, os telejornais endossavam completamente a versão policial, emitindo toda sorte de juízo e condenações. Em meio ao show de horrores destacou-se o telejornalismo do SBT afirmando que se tratavam de grupos neo-nazistas.

Atentados isolados passaram a ser associados de forma escandalosa a ideologia anarquista e a nossa organização em particular. O cálculo é claro e largamente conhecido: buscam através do bombardeio midiático coagir os militantes sociais que se identificam com o anarquismo, deixar na defensiva, obrigar sairmos a público rezando a cartilha da “moral e dos bons costumes” dos “cidadãos de bem”, linchadores e hatters de internet, que cada vez mais estão ganhando terreno no país.

Buscam, através de factoides, criminalizar iniciativas de caráter artístico-cultural além de nossa organização, conhecida por mais de 20 anos de militância ininterrupta nas diversas lutas e organizações dos trabalhadores e oprimidos.

Trata-se de uma operação ao gosto da extrema-direita que vem se agrupando em torno de uma agenda moralista e com um discurso fortemente macarthista. Extrema direita essa que desde a onda de ocupações de escolas vem investindo na promoção de milícias para provocar, intimidar e, quando possível, atacar fisicamente atos promovidos pela esquerda ou contra aquilo que julgam um atentado aos “bons costumes”.

Enquanto isso proto-milícias fascistas e seus crimes de ódio passam impunemente!

Reunindo-se, entre outros, em grupos pró-Bolsonaro, estes militantes da extrema direita estão fazendo um grande carnaval reacionário nas redes sociais, exibindo armas e convocando os “cidadãos de bem” a atacar os “esquerdistas” e “defensores de bandidos”, enquanto cada vez mais levam sua demência para as ruas.

Em uma mobilização dos municipários de Porto Alegre, na ocasião em Estado de greve, um professor foi agredido com um bastão retrátil por um capanga de um youtuber, ambos vinculados ao MBL. No dia seguinte, eram recebidos com grande cordialidade no Paço dos Açorianos pelo prefeito Marchezan/PSDB, que pronto agradeceu seus feitos.

Como o ovo da serpente choca de norte a sul, vimos recentemente uma turba tumultuar e inviabilizar uma atividade acadêmica a respeito do centenário da Revolução Russa na Universidade Federal do Pernambuco (UFPE) aos gritos de “intervenção militar já”! O ataque a atividade docente, com vistas a patrulhar e censurar tudo aquilo que é dito nas escolas e universidades tem sido uma das muitas histerias presente na agenda da extrema-direita. Mas, se estamos falando da região sul do país, a extrema-direita historicamente teve uma presença “sombria”, pouco ou nada abordada. Trata-se do nazismo, ou neo-nazismo.

Foi justamente em Porto Alegre onde se abrigou a Editora Revisão, responsável por editar e difundir amplamente literatura nazista e de negação do holocausto, cuja página na internet segue ativa. Foi em Porto Alegre onde, em razão de um quipá, jovens foram esfaqueados em um bairro boêmio da cidade e também é aqui onde nas ruas são diários casos de agressões físicas a casais homosexuais, a travestis, a moradores de rua, mulheres, negros e imigrantes, haitianos e senegaleses sobretudo. Por detrás desses ataques operam grupos neo-nazistas e integralistas que atuam de forma coordenada em um “corredor do ódio” que envolve Porto Alegre-Serra Gaúcha-Blumenau-Curitiba. Periodicamente realizam encontros, no caso, as “gigs” de bandas “RAC” onde aproveitam para fazer uma espécie de ritual ao final dos concertos: sair em bando nas ruas para ”beber e se divertir”.

Toda essa confraria da extrema direita, que pratica e estimulam covardes atos de ódio, são muito bem conhecidas pelo Delegado Jardim, regente mor da conspiração em curso contra o anarquismo. Há mais de 10 anos, o Delegado Jardim é incumbido da tarefa de investigar a atuação destes grupos da extrema-direita, no entanto, até o presente momento, Jardim não apresentou nada além de aparições televisivas com sua empáfia característica.

A Síndrome de Estocolmo de um “novo” cruzado contra a esquerda!

Essa não é a primeira vez que Jardim direciona sua carga à lutadores sociais. Em 2013, em meio às muitas manifestações populares que reivindicavam o direito à cidade e protestavam contra os gastos da copa em Porto Alegre, uma operação de caça de militantes da Brigada Militar resultou na prisão de 3 professores que caminhavam após a dispersão do ato com uma bandeira do CPERS.

Jardim foi o Delegado que se encarregou do caso e logo buscou enquadrar os militantes como responsáveis pelo apedrejamento ao Museu Julio de Castilhos e a Catedral em meio a uma série de suposições. Precisavam de um bode expiatório para apresentar como troféu na grande mídia, encaminhando-os ao presídio. Impossibilitado de concluir seu objetivo, dada a forte solidariedade que garantiu a liberação d@s companheir@s, Jardim não se conteve e fez questão de convocar o serviço sujo da RBS. No dia seguinte, lá estava uma matéria destacada na Zero Hora e no ClicRbs que acusava professores de “atos de vandalismo”. Não bastasse citar o nome completo de dois companheiros e uma companheira, a matéria estampava uma foto de Jardim mostrando suas fotos. Em mais de 10 anos com a responsabilidade de investigar a atuação neo-nazista, Jardim nunca expôs publicamente um de seus milicianos. No entanto, quando se trata de alguma mobilização popular, alguma manifestação de esquerda, Jardim parece espumar.

Não seria exagero sugerir que todo esse tempo enquanto responsável da Polícia Civil para investigar o neo-nazismo no Rio Grande do Sul tenha levado o senhor Jardim à uma Síndrome de Estocolmo, apaixonando-se por aqueles que estava responsável por reprimir. A manifestação da simpatia enrustida não poderia vir de melhor forma que clamando cadeia, prisão e deportação à militantes sociais e a esquerda, elemento basilar de toda manifestação nazi-fascista.

O que representa a aventura do Delegado Jardim e da Rede Globo?

O episódio mais recente parece estar configurando o “momento de ouro” do delegado, que nunca teve tamanha audiência. Representante “do bem”, cruzado contra “quadrilhas do mal”, Jardim se depara agora em uma encruzilhada onde terá de decidir qual figura detestável na história dos oprimidos buscará “reencarnar”. Pode ser que queira ser uma versão dos trópicos de Frederick Katzmann em sua farsa contra Sacco e Vanzetti ou de Hermann Göring em seu alarme pelo incêndio ao Reichstag.

Seja o que for, nesta semana, a triste figura de Jardim roubou a cena na conjuntura política do país buscando criar um espantalho para conclamar uma caça às bruxas. Taxar e intimidar uma ideologia e uma organização política em meio a um momento de importantes greves na região, onde sua militância toma parte ativa buscando levar às últimas consequências as disposições de luta e organização que brotam em cada local de trabalho, estudo e moradia. Jardim e a Rede Globo buscam semear pânico e desorientação; em um primeiro momento no anarquismo militante, logo em seguida, se arvorarão em completar sua investida farsesca, carregada de factoides e arapongagens, ao conjunto da esquerda e dos movimentos sociais. Jardim roubou a cena para escancarar a verdadeira farsa que é a alternativa da extrema direita e seus aventureiros de plantão, que com o beneplácito do oligopólio da grande mídia se desenvolvem em tribunais e no aparelho repressivo do Estado, convocando e promovendo o genocídio da juventude negra nas periferias, a violência contra LGBTs e a intolerância religiosa; o extermínio dos povos indígenas e quilombolas e o ajuste fiscal.

Terrorismo contra os de baixo, terrorismo contra nossa classe! Jardim, a Rede Globo e seus cruzados que fiquem cientes que não nos curvaremos!

Contra o ajuste e a repressão! Luta e organização!

Federação Anarquista Gaúcha (FAG) – Organização integrada à Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

[FAG] Urgente! Contra a criminalização, rodear de solidariedade aos que lutam!

Ficamos sabendo há poucas horas de uma operação da polícia civil contra um suposto grupo responsável por diversos ataques contra viaturas policiais, banco, concessionárias de veículos, delegacias e sedes de partidos políticos. Segundo notícia divulgada no G1, serão atribuídos a este suposto grupo os crimes de formação de quadrilha, uso de explosivos e tentativas de homicídio. O endereço da nossa antiga sede pública, localizada na Travessa dos Venezianos, foi invadido pela polícia que apreendeu computadores, telefones, livros e outros pertences do grupo cultural que mantinha o espaço. Ficamos sabendo que o mandado era endereçado à nossa Organização. Outros locais político-culturais também receberam “visita” da polícia civil.

Trata-se de mais um FACTÓIDE que pretende criar um espantalho, um bode expiatório, para criminalizar e reprimir o conjunto dos movimentos sociais e da esquerda não-eleitoral e em específico a nossa ideologia. Em uma conjuntura de retirada de direitos, de ajuste fiscal, de intensificação da exploração e da dominação sobre o conjunto das classes oprimidas, a mão pesada da criminalização contra os e as anarquistas entra em cena.

Ainda não tivemos nosso local público invadido, mas acreditamos que pode ser só questão de tempo. Alertamos o conjunto dos e das lutadoras sociais sobre isso e sobre a necessidade de SOLIDARIEDADE a todos e todas que lutam!

NÃO SE INTIMIDAR!
CONTRA A CRIMINALIZAÇÃO DOS QUE LUTAM!
RESISTÊNCIA E SOLIDARIEDADE!

Federação Anarquista Gaúcha – FAG
25 de Outubro de 2017

Fortalecer a identidade, promover organização de base e seguir na luta em defesa de direitos sociais!

Em uma tarde de sol e fortes rajadas de vento nos campos do sudoeste paranaense, neste último sábado – 5 de novembro, foi realizada mais uma atividade de comunicação popular e organização de base por estudantes, indígenas, professores e comunicadores populares na ocupação da Universidade Federal Fronteira Sul em Laranjeiras do Sul. Esta foi a primeira universidade federal a puxar este processo de ocupações pelo imediato cancelamento da PEC 241 (55) e da MP 746/16.

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Organizada pelo movimento estudantil autônomo da universidade, foi realizada uma oficina sobre comunicação popular e as rádios populares, livres e comunitárias como instrumento de luta e organização dos/das oprimidos/as. Foram exibidos trechos do filme “Uma Onda no Ar”, de Helvécio Ratton, e distribuído o jornal “No Batente”, publicação do Coletivo Anarquista Luta de Classe (CALC). Promovido pelo Coletivo de Articulação de Rádios e Comunicação Popular Indígena e por estudantes kaingang de Educação do Campo da UFFS, o objetivo da atividade foi dar seguimento ao processo de articulação da comunicação popular indígena, envolvendo além dos lugares de moradia, os lugares de estudo e trabalho. Esta também foi uma atividade importante pelo marco histórico que representa – um ano de construção de organização popular através de rádio livre no sudoeste paranaense em território kaingang!

Através de um debate sobre o que a comunicação popular pode denunciar e propor através da nossa própria luta cotidiana, os participantes da oficina tiveram a iniciativa de construírem pequenos áudios-programas sobre temas cotidianos que hoje estão “fora” da mídia comercial, no entanto estão dentro do dia-a-dia de cada um. Assim foram construídos pequenos programas sobre a luta e a dignidade indígena[1], sobre a ocupação da UFFS[2], uma entrevista de uma estudante ocupada na UFFS[3] e um relato dos educadores populares presentes na oficina[4].

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Estamos em uma conjuntura de avalanche de ataques aos nossos direitos sociais e para respondermos a esses ataques é necessário nos organizarmos a partir de instrumentos de luta como as rádios populares, livres e comunitárias. Desde a década de 1950, várias populações tradicionais da América Latina têm se organizado por meio de rádios e da comunicação popular na denúncia dos ataques de grupos de mineradoras, de empresas com claros objetivos de privatizar recursos naturais, grandes madeireiras, indústrias farmacêuticas, contra seus territórios tradicionais. É fato que antes mesmo de servirem como instrumento de defesa dos direitos sociais, as rádios populares, livres e comunitárias servem para o fortalecimento da identidade e cultura indígena, com uma programação construída pelo próprio povo. A reprodução da programação no idioma nativo fortalece uma cultura que esta cada vez mais ameaçada pela expansão da cultura branca, apoiada na mídia comercial.

No Brasil, o maior conglomerado de comunicação é controlado por uma só família, a família Marinho. A Rede Globo detém uma complexa, hierarquizada e capilarizada organização dos meios de comunicação, que vai desde jornais, revistas, rádios, TVs, portais de internet até selos de gravadoras, grupos de publicidade, propaganda e marketing, estúdios fonográficos, entre outros, conformando sua influência no país e dando um tamanho poder de dizer “a verdade” sobre a formação histórica da sociedade brasileira e como ela pensa. Construir alternativas a estes meios de comunicação é estrategicamente necessário para caminharmos rumo a autonomia e como ferramenta de combate ao capitalismo.

Apostamos nossas energias na construção de rádios populares, livres e comunitárias em territórios indígenas, quilombolas, camponeses, favelas, ocupações urbanas, escolas, universidades, bairros e todo espaço de encontro dos/das marginalizados/as, excluídos/as, oprimidos/as, explorados/as. A partir da discussão sobre nossa realidade, nossos cotidianos, a organização em torno de instrumentos de classe, de rádios populares por exemplo, é possível darmos voz a quem nunca foi ouvido/a, expressar aquilo que sempre foi marginalizado, denunciar aquilo que nunca tinha sido denunciado.

Pela reforma agrária da terra e do ar!

Por uma comunicação popular e livre!

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 Novembro de 2016, Laranjeiras do Sul, Paraná.

Coletivo de Articulação de Rádios e Comunicação Popular Indígena

Coletivo Rádio Gralha

Coletivo Anarquista Luta de Classe/CAB

[1]           https://archive.org/details/radio_ocupa_uffs

[2]           https://archive.org/details/Radio_Ocupa_Uffs_2

[3]           https://archive.org/details/radio_ocupa_uffs_3

[4]           https://archive.org/details/radio_ocupa_uffs_4

[CAB] Contra a Reforma do Ensino Médio e a PEC 241! Todo apoio às mobilizações estudantis e às ocupações de escolas no Brasil!

Retirado de: https://anarquismo.noblogs.org/?p=551

No dia 22 de setembro de 2016, foi publicada a Medida Provisória 746/16, que institui uma reforma no Ensino Médio brasileiro. Ela tem força de lei e começa a valer imediatamente, devendo ser votada em até 120 dias pelo Congresso Nacional. Ou seja, está sendo implementada de forma vertical e autoritária, ignorando todos os debates construídos por movimentos estudantis e dos trabalhadores e trabalhadoras em educação.

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A MP 746 busca modificar os currículos no sentido de torná-los mais tecnicistas e voltados para a formação de mão-de-obra para o mercado de trabalho. Além disso, abre margem para uma maior participação do setor privado na educação. Tais objetivos tornam-se claros quando descobrimos quem está por trás de tais proposições: setores empresariais como o “Todos Pela Educação”, que inclui grupos como Rede Globo e Record, bancos Itaú, Santander e Bradesco, além das federações de indústria via Sistema S. A classe dominante quer lucrar com a educação pública, precarizar o trabalho e modificar a formação da classe oprimida, com o objetivo de torná-la ainda menos qualificada e com menor capacidade de fazer uma leitura crítica da sociedade.

Um dos primeiros artigos da medida provisória fala sobre o aumento gradual da carga horária obrigatória de 800 horas/aula por ano até 1400 horas aula/ano. A justificativa é a implementação do ensino em tempo integral. Essa é uma pauta histórica do movimento e por isso pode se confundir como algo positivo, mas temos clareza da perversidade dessa medida. Primeiro, as escolas não têm estrutura para receber essa medida. Já existem salas superlotadas, com mais de 40 estudantes, em várias partes do país. Muitas escolas possuem ensino médio e fundamental que compartilham o mesmo espaço, não havendo espaço físico para tal medida ser eficaz.

Além da questão da infraestrutura, o artigo 36 da MP considera experiência de trabalho, atividades de educação técnica oferecidas por outras instituições de ensino, cursos e educação a distância como possibilidades para cumprir essa carga horária. Sabemos que muitos jovens trabalham e estudam, tendo direitos trabalhistas mínimos garantidos. A medida abre as portas para os estágios precários, em que o estudante trabalhará para cumprir a carga horária obrigatória do curso, com salários baixíssimos e sem os mesmos direitos que um trabalhador contratado. Isso caminha lado a lado com a reforma trabalhista que vem sendo preparada e a “flexibilização” do trabalho a partir dos 14 anos. A possibilidade de se realizar cursos em instituições privadas abre margem para que mais dinheiro público seja jogado na iniciativa privada, com o fornecimento de bolsas de estudos para os “bons alunos”, através de sistemas meritocráticos de avaliação, ou mesmo o lucro direto pelo aumento de matrículas de estudantes nos cursos do sistema S (SESI/SENAI). Além disso, a qualidade da educação via ensino a distância é muito menor, sendo que nessa modalidade um número menor de professores pode atender um maior número de estudantes, sem conseguir tirar dúvidas e ter mais contato com os/as estudantes, sem contar que nem todos da classe oprimida têm acesso à tecnologia necessária para isso.

Outro ponto é a mudança curricular, que institui uma carga horária obrigatória de 1200 horas/aula, a ser definida de acordo com a Base Nacional Curricular Comum, sendo o resto do tempo dedicado à formação em um dos campos específicos: ciências da natureza, ciências humanas, linguagens, matemática ou formação técnica e profissional, sendo que as unidades de ensino não precisam ofertar todas as modalidades. As matérias de filosofia, sociologia, educação física, artes e espanhol perdem o caráter de obrigatoriedade. Além disso, existe a possibilidade das outras matérias poderem ser agrupadas como “ciências humanas” ou “ciências exatas”. As únicas que continuam sendo obrigatórias nos três anos do ensino médio são português e matemática. Estudantes que optarem pelos cursos técnicos podem não ter aulas de ciências humanas ou exatas nos últimos anos do ensino médio, por exemplo. Essas mudanças no currículo visam diminuir a formação humanística, diminuindo a capacidade de crítica social dos estudantes, reforçando o papel de instrumento de dominação que a escola cumpre. O fato das unidades de ensino não precisarem ofertar todas as modalidades limitará o acesso dos estudantes ao conhecimento. É possível que muitas escolas ofertem somente cursos técnicos, fazendo aqueles que desejarem outra formação terem que se deslocar para escolas distantes ou para o ensino privado. Ou seja, uma clara divisão de classes: quem tem dinheiro pode escolher o que estudar, quem não tem, deve se submeter às profissões mais precárias.

Uma outra possibilidade da MP é a redução de custos com o pagamento de trabalhadores e trabalhadoras. O artigo 61 permite a contratação de profissionais com notório saber, isso, aliado com a divisão por áreas de ensino, permite a redução do número mínimo de professores por escola, ao permitir que uma mesma pessoa dê aulas de física, química e biologia ao colocar o ensino por áreas, por exemplo. Além disso, abre margens para o fim dos concursos públicos, com a contratação dos profissionais de notório saber. É importante ressaltar que além de conhecimentos técnicos, educadores e educadoras possuem uma formação pedagógica, o que não é levado em conta no caso das contratações por notório saber. Outro ponto é o interesse da iniciativa privada, de que seus profissionais sejam inseridos dentro da escola pública, não somente pela questão do lucro, como também para reforçar a ideologia dominante do empreendedorismo e da meritocracia em meio à classe oprimida.

Para garantir a implementação dessa medida, o Governo Federal ainda oferece um aporte financeiro para os estados onde as instituições de ensino adotem a medida, sendo calculado por aluno afetado.

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É importante ressaltar que apesar da forma repentina que a medida tomou no governo Temer, o governo PT já vinha apontando no sentido dessa reforma, porém de forma mais lenta e gradual. A Base Nacional Curricular Comum já vinha sendo “discutida” com a comunidade escolar desde 2015. Nela já se apontava para a divisão do ensino por áreas. Assim como a relação do Ministério da Educação com o Todos Pela Educação remonta ao governo petista. Portanto, como quase todos os ataques promovidos pelo governo Temer, ele tem um caráter de aceleração e aprofundamento do que já vinha sendo feito pelo governo anterior.

Para completar essa análise, devemos levar em conta a PEC 241, que congela os gastos públicos com a educação de 2017 até 2037. Isso deixa mais claro o caráter de precarização e desmonte do ensino público. Para existirem condições de melhorar o ensino é necessário mais investimentos e a PEC vai no sentido contrário disso. Ela aponta para o congelamento dos salários dos trabalhadores e trabalhadoras da educação e falta de verbas para a infraestrutura e melhoria das escolas.

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Por isso apoiamos as mobilizações estudantis, em especial as ocupações de escola que ocorrem em vários estados do país – com destaque para as mais de 500 escolas ocupadas no Paraná -, também ocorrendo várias ocupações de institutos federais e universidades. A ação direta estudantil foi capaz de vencer os governos estaduais em várias lutas em 2015 e 2016, a exemplo da luta contra a reorganização escolar protagonizada pelos estudantes de SP. Essa luta toma um caráter de autonomia frente a organizações e partidos, sendo protagonizada pelo próprio movimento. Defendemos essa autonomia, em especial frente às tentativas de aparelhamento por parte de entidades como a UBES e partidos políticos.

A mobilização dos estudantes traz novamente uma forma de lutar sem a necessidade das velhas estruturas burocratizadas do movimento estudantil ou sindical. Rejeitando a conciliação de classes, a mobilização da juventude pode impulsionar outros setores a se colocarem em movimento contra as reformas propostas pelo governo. O chamado de greve geral feito pelas centrais sindicais encontra dificuldades devido aos longos anos de burocratização e aparelhamento delas. Enquanto isso, o movimento estudantil abre o caminho para a necessária resistência com ação direta, com autonomia, de baixo para cima. E é dessa forma que uma luta mais ampla da classe oprimida deve ser construída para que tenha condições de fazer frente aos ataques que vêm sendo desferidos.

Esse momento é de extrema importância, visto que a força das mobilizações será o termômetro para o governo implementar as outras reformas que já estão no gatilho, como a reforma trabalhista e a reforma da previdência. Nos dois últimos anos o movimento estudantil e o movimento sindical de trabalhadores e trabalhadoras da educação mostraram sua força, derrotando os governos em diversos estados. Se não mostrarem essa força novamente, a classe dominante sentirá que tem força para implementar sua agenda completa. Portanto, devemos prestar todo apoio e solidariedade aos e às estudantes em sua luta!

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Todo apoio às ocupações de escola!

Contra a reforma do ensino médio e a PEC 241!

Lutar! Criar! Poder Popular!

Imagens tiradas nas ocupações de escola no Paraná

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Coordenação Anarquista Brasileira (CAB) – Outubro/2016

[FAG] Nota da FAG sobre o vídeo de Jair Bolsonaro, que identifica nossa militância de forma criminalizadora

Nota da FAG sobre o vídeo de Jair Bolsonaro, que identifica nossa militância de forma criminalizadora, exibido no dia 29 de abril de 2016, titulado como “O Brasil precisa saber a verdade”.

(https://www.youtube.com/watch?v=ytstUHk8rg4).

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O coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra tem lugar eterno na galeria das grandes infâmias, daquelas que o poder dominante perdoa e deixa impune, mas que a memória dos oprimidos não esquece jamais. O deputado Jair Bolsonaro é penas mais que merece destaque na galeria dos grandes estúpidos. Em mais uma de suas façanhas, em video do dia 29 de abril, depois de cortejar pela milésima vez a política truculenta do milico torturador que atuou a soldo da ditadura civil-militar, passou a exibir imagens de companheiras e companheiros, nomes, suas organizações e a atacá-los indiscriminadamente por associação com o PT. A campanha de atacar a esquerda classista pela vidraça do PT ajustado e jogado na vala comum dos partidos burgueses é evidente. Dessa orquestra não se furtam as organizações patronais, os oligopólios da mídia e a direita liberal que goza de mais aparelho organizativo e expressão eleitoral do que os “palhaços da corte”.

Nós somos uma organização política anarquista que não se envergonha de suas convicções socialistas e que faz solidariedade resoluta com todos/as que lutaram e lutam ainda hoje por liberdade, igualdade e por uma mudança social de fundo. Somos uma corrente libertária que luta contra a sociedade dividida por classes e todas as opressões. Essa marca não nos acovarda. Ainda que com nossas diferenças ideológicas, não somos mesquinhos e sectários para ignorar o valor humano dos homens e mulheres que fizeram resistência à ditadura e entregaram a vida por esta luta. O que queremos afirmar aqui novamente é que o que está em franca decomposição é uma concepção que partiu do reformismo, lavou seu programa para governar e quando tocou sua vez como gestor do capitalismo brasileiro foi rendida pelas relações de poder que dominam as instituições. Isso no mínimo nos diz que as instituições burguesas não são neutras, que não são uma máquina que funcionam ao gosto dos seus pilotos. Pra vencer o sistema dominante as classes oprimidas devem preparar suas organizações de luta separadas da política das oligarquias, como núcleos de democracia de base de um poder popular, articulado de baixo pra cima.

A ultra-direita são as bestas-feras que o sistema põe na cena pública pra latir e acuar os desavisados. Os estúpidos são postos a marchar na frente ladrando com a intolerância facínora para que a norma finalmente possa governar pela dominação das classes de sempre. Jair Bolsonaro, nesse momento da crise política que temos no Brasil, é expressão raivosa e patética de um sistema de poder muito mais complexo que opera nos nossos dias. As estruturas de dominação de um regime de morte dos opositores políticos durante a ditadura foram remanejadas pela democracia liberal burguesa como instituições de punição seletiva sobre a pobreza, vetores de racismo e violência sobre os direitos das mulheres e a livre orientação sexual.

Porque não devemos permitir que mentalidades como a do Bolsonaro se criem.

O discurso de ódio proferido, inúmeras vezes, por este sujeito, que declara homenagens ao coronel torturador e assassino Brilhante Ustra, não pode ficar sem reposta. Estas homenagens causam a todas e todos lutadores sociais, principalmente aos familiares ou vitimas do regime de terror da Ditadura Militar, repulsa, indignação e no mínimo devem ser denunciadas. Não é possível aceitar esta ideologia se espalhando, imbuída de formas e discursos excludentes e discriminatórios. Como organizações políticas e sociais, com intenções revolucionárias, precisamos dar combate ideológico sim, as ideias autoritárias que propaga esta besta. Jair Bolsonaro é símbolo de mais um parasita da fé alheia, que em nome de um Deus defende torturadores, machismos, racismos, intolerâncias das mais diversas origens e o faz publicamente, sem nenhum pudor. A isto se chama “Bolsomito”. São ideias como a do Comissário Jair B. que dão origens a grupos e ações de intolerância, de comportamentos fascitoides. É importante que se diga, que este asno intolerante, defensor das garras de ferro do aparato militar, só ganha visibilidade publica, a partir de uma entrevista feita pela asquerosa revista Veja, onde ele revela planos de explodir dinamites dentro do seu quartel militar, assim sendo, além de ser um imbecil defensor de torturador, o Bolsonaro é mais um dos que ele mesmo acusa, radical, porém é um radical (saudoso) do assassino esquadrão militar. Veja o link(http://observatoriodaimprensa.com.br/jornal-de-debates/capitao-bolsonaro-a-historia-esquecida/).

Ele tem como seus aliados os grandes empresários, banqueiros, ruralistas e reacionários, como já dissemos antes. No entanto, seu mandato também “surfa” na “onda” Apolítica, gerada pela pilantragem da democracia burguesa, formadora de opiniões, manipuladora das pessoas distanciadas de qualquer analise mais rigorosa do sistema. Como dizemos, em suma, o “senso comum, é as ideias comuns, das classes que dominam. No caso brasileiro em questão, uma parte não menos importante de pessoas, tende a se inclinar para posições mais conservadoras, dependendo inclusive, quase que exclusivamente, para onde soprem os ventos da mídia dominante (neste caso não precisamos nem argumentar muito sobre a cobertura da rede Globo e outros grandes meios (sonegadores), que são fervorosos propagandistas de uma agenda de ajustes, privatizações e criminalização dos movimentos populares.

Esta afronta direitosa, que vem se materializando cada vez mais, é consequência da conjuntura caótica do país , de como se encontra boa parte da esquerda, que estão maneadas por anos de acomodação entre interesses de classes, cooptação, burocracias cristalizadas, ao invés de trabalho de base. O governo do PT, e suas alianças com a oligarquia da política brasileira, conseguiu o “êxito” de acumular mais derrotas do que conquistas para os setores mais desfavorecidos do país. As desigualdades sociais continuam alarmantes, o neo desenvolvimentismo foi a genial alavanca para o fortalecimentos dos grupos tradicionais ou não de direitas. Os mais ricos sempre foram os mais beneficiados, aqui não existe punição aos atores e financiadores da ditadura militar, o PT, este que de esquerda não tem nada, ao contrário do que afirma o estúpido (nunca é demais reafirmar) Bolsonaro, não é vitima do golpismo institucional, ele foi validador com a sua conciliação de classes que gera o que está acontecendo. Mesmo assim, com todos os ventos difíceis que estamos vivendo, temos construído e acompanhado com animo diversas lutas de resistência fora das burocracias sindicais e governistas. Estamos convictos que a saída contra a agenda conservadora de retirada de direitos, vai se forjar desde a base, também pela militância anarquista a nível nacional, em conjunto com todos os grupos que prezem pela independência de classe.

O vídeo do estúpido Bolsonaro, do qual aqui denunciamos a intencionalidade criminalizadora, acusa abusivamente à resistência política e social no Brasil, contra a infame ditadura militar, como “terrorista”. Irônico que estas acusações venham, justo de um sujeito como o Bolsonaro, que foi preso por planejar explosões, na época em que era militar contra o próprio Exército.

Militantes políticos do sul do país, mais precisamente de Porto Alegre, são expostos com seus nomes e suas organizações. Consideramos isso um ataque contra nossa liberdade de associação, ou é crime estar organizado politicamente? Mas, claro que as bestas-feras como Bolsonaro, não cessaram até reconstituir regime de terror no país, porém é importante lembrar este personagem que nossas ideias são à prova de balas, nossos anseios por liberdade não se dobram, que nossas ganas por um mundo mais justo são mais forte que do que suas afrontas. Estamos dispostos a lutar, em conjunto com os demais setores combativos do país, contra qualquer agenda consevadora-fundamentalista.

Não, aqui o fascismo não passará sem luta.

Apesar da forçada tentativa de nos aproximar do PT, este vídeo apenas reafirma que o poder ideológico do sistema quer apontar alvos para expor e combater, neste caso, nossa militância.

Reafirmamos que o petismo ajustado ao poder econômico, sócio da corrupção sistêmica e colaborador dos opressores é encorajador do golpismo e das bestas-feras da ultra direita.
Não se ajusta e nem se dobra quem peleia!

Toda solidariedade aos demais militantes e as suas organizações que foram expostos de forma indevida e condenatória!
Pela memória, verdade e justiça, contra os crimes da Ditadura Militar!
Bolsonaro e a corja de fascistas não Passarão!

Federação Anarquista Gaúcha.
3 de Maio de 2016.

[CAB] Entre a farsa do pacto social e a tragédia golpista: só a luta de classes decide!

Entre a farsa do pacto social e a tragédia golpista: só a luta de classes decide!

20 de março de 2016

Manifestamos aqui nossa posição, das e dos anarquistas da CAB, diante do agravamento no cenário de disputa feroz entre os setores dominantes pela direção do poder político nacional.

Os expedientes usados pelo juiz Sergio Moro, a Polícia Federal e o MPF, combinado com o espetáculo orquestrado pelos oligopólios da comunicação, em especial a rede Globo, desde a condução coercitiva de Lula até os grampos vazados em paralelo a sua nomeação como ministro, são descritivos de uma luta cada vez mais agressiva pela máquina do Estado.

A direita opositora ao governo do PT se vale da judicialização da política e de toda produção do discurso seletivo e criminalizador da mídia para atuar numa “zona de fronteira” dos marcos constitucionais do direito democrático burguês. Em meio a esse cenário, têm sido comuns entusiasmadas manifestações oportunistas de setores da esquerda anti-governista com pretensões eleitorais em torno da judicialização da política. Ao contrário do que sugere estas manifestações, a judicialização da política não guia para a esquerda, muito menos para uma “revolução política”. Sugerir isso demonstra o retrocesso de expectativas e horizonte estratégico e um esvaziamento de significado que faz do que se entende historicamente por “revolução”, uma infantil bravata para ser agitada de forma torpe nas redes sociais. O oportunismo que hoje abraça esse espetáculo abre caminho para a capitulação de amanhã. Trágicos exemplos que seguiram essa via não nos faltam.

Antes de mais nada, a judicialização da política joga efeitos ideológicos que repercutem em ideias e noções conservadoras de uma salvação nacional pelas mãos do poder judiciário, da polícia ou das forças armadas. Tanto ceticismo, indiferença, a ascensão de discursos de ódio e ressentimento com a política amesquinhada pelos partidos da democracia burguesa são o caldo de cultura de um pensamento fantasioso. Uma noção de política que dispensa a participação popular e governa pelas técnicas do controle e da ordem. Pode dar asas para a imaginação autoritária de onde nascem as criaturas mais infames da política.

É pela via desses artifícios que um golpe branco está em curso. Mas, digamos em linhas muito francas para evitar equívocos: este é um tipo de golpe orquestrado por setores da direita no congresso, no judiciário, na mídia, nas organizações patronais que tomam coragem em cima da situação ridícula e patética em que caíram o PT, as autoridades do governo e as burocracias dos movimentos populares que fazem parte de seu arco de sustentação. Um PT atirado na vala comum da política burguesa é o álibi perfeito de uma ofensiva que vem para castigar os direitos e liquidar recursos e serviços públicos.

O sistema de dominação capitalista não leva a Constituição debaixo do braço para atuar. Quando tem oportunidade, ele torce a legalidade, rasga o estado de direito, mexe nas regras do jogo pela força e impõe seu poder de fato. Quando a esquerda tentou fazer reformismo apoiada nessa estrutura legal, foi, primeiramente, empurrada ao recuo organizativo e ideológico para em seguida ser severamente reprimida. A história tem vários episódios que contam isso.

Mas esse não é o caso do PT. O Partido dos Trabalhadores, parafraseando Lula, foi acovardando seu reformismo desde os anos 80 até chegar ao governo pela eleição de 2002 com um programa negociado com as estruturas do poder dominante. Foi um eficiente e deslumbrado gestor de turno do capitalismo brasileiro, associado com patrões, banqueiros e ruralistas, amigado com uma oligarquia nojenta. O PT atraiu um setor da direita para um pacto de classes com prazo de validade e o pior é que se convenceu e segue convencido que pode ser parte confiável do sistema das classes dominantes.

O fracasso da colaboração de classes que sonhou o PT e seus governos arrastou junto o movimento sindical e popular, tirou a independência de classe na luta da classe trabalhadora, dividiu e burocratizou as organizações de resistência. Fez toda uma cultura política que produziu um sujeito domesticado pelo poder, que pôs freios e cabrestos na luta de classes.

Se esse projeto sempre rezou a cartilha das regras do jogo institucional do Estado burguês, no campo popular nunca dispensou a possibilidade de pisotear os mais elementares princípios de democracia de base. Fraudes em eleições e assembleias de organizações sindicais e estudantis, manobras, agressões e perseguições a correntes e militantes dissidentes foram se afirmando como o script por excelência na base dos maiores movimentos que dão sustentação ao projeto “democrático-popular”. Nesse sentido, é sintomático notar que as burocracias dos movimentos populares a reboque são muito mais enérgicas e combativas para defender o governo de turno do que para defender a classe, constantemente aviltada por esse mesmo governo e também pelos rebaixados acordos assinados por seus sindicatos com as patronais que hoje convocam a liquidação de ambos.

Por outro lado, ativou na sociedade um recalque furioso pelo que não foi, que desperta ódios e abre espaço para emergência nas ruas de setores fascistizantes de extrema-direita, que, animados por esse mesmo recalque, buscam hoje um linchamento público de tudo aquilo que cheire esquerda, fazendo-se valer da vidraça do PT.

Quem quer assumir o governo agora e pisa por cima da carniça do PT são partidos de oposição ressentidos por ficarem de fora do controle dessa estrutura de privilégios, mas que nunca ficaram de fora do rateio dos recursos públicos e da farra com os patrões sobre o orçamento e o patrimônio público. Mas também está o mercado com o sistema financeiro e os industriais que ganharam toda sorte de juros, benefícios e privilégios durante os melhores dias da narrativa do crescimento econômico. Os agiotas, sonegadores, genocidas do povo indígena e negro, que fazem de conta que estão de fora do esquema. Eles cospem no prato que comem, engordaram com o PT e agora querem fazer da sua queda o palco de imposição do ajuste no grau máximo. Um ajuste que busca rasgar de vez os direitos trabalhistas, fazer a cama para os vampiros das patronais que pretendem precarizar ainda mais as condições de trabalho, impor o PL das terceirizações, a reforma da previdência, manter as falências fraudulentas, atirando os trabalhadores vítimas de acidentes de trabalho no olho da rua como se fossem dejetos, demitindo em massa para recontratar em condições cada vez mais precárias.

Esse é o golpe que está em processo. Que se vale do PT sócio da corrupção com as empreiteiras, avalizador do ajuste, de entrega do pré-sal, autor da lei antiterrorismo, das UPPs, da paralização da reforma agrária e da violência contra os povos indígenas e quilombolas. Que o toma como patético refém e o execra publicamente para fazer o ajuste cortar ainda mais fundo e sangrar sem limites as classes oprimidas.

O curto prazo promete um concerto por cima. Seja como for, vem um governo de coalizão agressivo contra os trabalhadores e o povo. Independente do desfecho deste trágico espetáculo, o que veremos serão coxinhas e jararacas, cada qual a sua forma, buscando fazer valer o ajuste, ainda que com graus de variações distintos. A punhalada está vindo de frente pela direita ideológica, mas também pelas costas, aplicada por um governo e partido que não deixa de se valer de um discurso emotivo e irracional, que convoca mitologias e fetiches em torno de um passado de luta como forma de criar uma cortina de fumaça ao seu ajuste e ao seu claro projeto político de centro-direita.

A eterna espera pela “guinada à esquerda” nesses dias se manifesta na defesa intransigente de um Lula ministro que não esconde que chega para tentar salvar a aliança com o PMDB e o restante da base aliada, leiloando o que pode, com os joelhos dobrados cada vez mais à direita. Enquanto a cortina de fumaça midiática agita uma polarização de “torcidas”, as mãos se fecham em acordos pelo avanço da privatização das empresas estatais e adequamento do aparato repressivo para a maior criminalização do povo que luta.

Somos contra este golpe, porque ele implica um corte mais profundo na carne das classes oprimidas e abre caminho para uma correlação de forças ainda mais desfavorável para os de baixo. Mas não admitimos negociar nenhum direito para servir como moeda de troca deste governo moribundo que cavou sua própria cova ao trair as expectativas dos/as trabalhadores/as e ao sancionar a lei antiterrorista em plena crise política. Vamos lutar realmente contra esta tentativa de golpe, sem aderir ao reboquismo e ao mesmo tempo sem perdoar a pelegada, ao fortalecer uma posição à esquerda, de combate e a partir da concepção de que só podemos contar com nós mesmos e com o povo em luta organizado construindo seu próprio caminho, contra todo e qualquer golpe historicamente aplicados pelas/os de cima contra as/os de baixo.

Nosso lugar nessa dramática e decisiva disputa é fazer valer a independência de classe como a real alternativa às classes oprimidas. Uma alternativa de classe que no curto prazo, marcado pelo trágico desmantelamento organizativo do tecido social, se traduz na mais resoluta solidariedade de classe. Dar disputa ideológica em defesa das lutas que surgem desde baixo e aportar toda solidariedade possível; buscar estender e massificar as greves, ocupações, atos contra as medidas de austeridade e a carestia para, a partir daí, se acumular forças reais para radicalizar a independência de classe, colocando-a como efetivo embrião de poder popular, de um forte e solidário punho a se estender dos oprimidos em todos os rincões do país e golpear de forma altiva e destemida os patrões, governos e também o peleguismo e a traição de classe.

A organizar os diversos setores que compõem a classe trabalhadora, construindo movimentos sociais e fortalecendo seu protagonismo popular, pautando sua autonomia e combatividade! Apenas o avanço do poder popular será capaz de tanto dar resposta ao avanço da onda conservadora que toma o país, quanto resistir aos retrocessos impostos pelo governo.

Uma só classe, uma só luta!

Derrotar a direita golpista e avançar na luta contra o pacto de classes!

Pelo socialismo e pela liberdade!!!

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COORDENAÇÃO ANARQUISTA BRASILEIRA – CAB

[CAB] Contra a Crise e o Oportunismo: Ação Direta com as/os De Baixo

Link do site da CAB: http://anarquismo.noblogs.org/?p=375

A Coordenação Anarquista Brasileira manifesta sua opinião sobre os recentes acontecimentos resultantes da lógica dominante do capital financeiro especulativo, nacional e internacional, que opera seus interesses por meio do Estado e suas estruturas jurídicas, políticas, repressoras e midiáticas. São expressões disso as defesas de um terceiro turno por parte do PSDB, as investidas nos avanços dos cortes de direitos trabalhistas e sociais, os cortes de verbas à educação e a lei antiterror que o PT colocou em pauta, e o caso das quatro contas bancárias em paraíso fiscal por parte de Eduardo Cunha (PMDB).

Aqui, declaramos nossa opção de luta classista, que prima a organização com os debaixo na luta cotidiana, ombro a ombro, na luta diária. Vemos que existem questões mais profundas, estruturais, que vão além da chantagem da direita declarada no jogo político (representada por Cunha e pelo PSDB) ou pela manutenção de uma esquerda institucional (PT e seus comparsas). Lembremo-nos das declarações do EZLN de que a “esquerda institucional nada mais é do que uma direita envergonhada”. O PT, PSDB, PMDB e tantas outras siglas não se envergonham do que fazem, nem têm tentado esconder o que pensam. São carrascos e traidores da luta popular, e devem ser tratados, denunciados e combatidos como tal.

Repudiamos a manipulação da Rede Globo e demais empresas da mídia burguesa. Empresas que fazem campanha pela desestabilização do país, colaborando com os interesses do capital financeiro especulativo e industrial de governos e empresas dos EUA e da Europa. Esses que veem o caos no Brasil como porta aberta para avançar nas políticas de privatização e redefinição dos critérios de exploração do pré-sal, privatização da Petrobras e demais setores estratégicos e lucrativos como os da energia, recursos naturais e transportes. Assim, podem fazer avançar ainda mais as políticas neoliberais de privatizações e de austeridade, já em profunda aplicação nos países da União Europeia. A ganância do capital e os interesses mesquinhos dos políticos não autorizam o PT, o PMDB, o PSDB, Cunha e sua quadrilha a fazerem um “governo de reféns”. Quem de fato sofre e se torna refém é o povo, que é quem sente na carne com desemprego, cortes sociais, especulação imobiliária e perda de direitos básicos como: saúde, moradia, educação e transporte.

Entendemos que grande parte dessa situação é resultado das escolhas mais do que conscientes do PT nos treze anos de governos Lula e Dilma. Resulta também de uma política de coalizão de classes, que já chegou ao seu esgotamento e da política de barganhas a qualquer preço para garantir a manutenção da governabilidade e de seu projeto de Poder. Um caminho tomado de forma planejada e pragmática pelo PT e que só poderia levar a essa situação, dadas as concessões e negociações com o capital e poderosos – não esquecendo da sua aliança permanente com o próprio PMDB.

O povo está refém de partidos e políticos que só defendem seus próprios interesses e de seus financiadores. A “estagnação” do país é conveniente apenas para determinadas pautas, em meio a chantagens, permutas e disputas internas. No entanto, quando se faz necessário, a direita e os governistas esquecem supostas divergências e comerciam de forma conjunta para fazer duros cortes no social e transferir o pagamento da “crise” para as/os trabalhadoras/es. Tal situação pode ser observada com clareza no congresso que trabalha de modo rápido, eficiente e articulado para onerar o povo. Esse é o caminho da política institucional e parlamentar, palco de propinas, barganhas, pilantragens e roubalheiras sistemáticas, praticadas hoje por PT, PMDB, PSDB e toda essa corja de parasitas do Congresso, Senado e judiciário. Ou seja, independente do partido que está no governo, as reais demandas do nosso povo nunca foram, nem serão, prioridades da via institucional-parlamentar.

Desse modo, com que cinismo o PT vem pedir mobilização permanente em defesa de seu governo? Um governo que não avança um milímetro na defesa dos reais interesses do povo, mas só recua seus direitos e o violenta, com recessão, políticas de austeridade, fechamento de escolas do campo e da cidade. Degrada hospitais públicos, deixa a reforma agrária estagnada, mas privilegia o empresariado e o mercado internacional. O PT foi conivente e opera as políticas de direita, criando espaço para o conservadorismo e negociando com a agiotagem do FMI (e o capital especulativo), mas se pinta de vermelho quando convém. Com isso, possibilitou o avanço da direita mais retrógrada e de setores conservadores que cada vez mais conseguem implementar suas pautas, o que, pelo que tem demonstrado, são suas também.

Com que argumento o PT vai pedir apoio se continua sangrando o povo? Mantendo a mesma lógica de exploração da classe trabalhadora com uma política social mínima e uma economia baseada nas taxas de juros beneficiando a agiotagem do setor financeiro especulativo, e no modelo de exploração e venda de commodities oriundos da mineração e da monocultura extensiva do agronegócio? Como pedir apoio se assistimos ao maior desastre ambiental da história do país, protagonizado por parte da terrorista Vale por meio de sua testa de ferro SAMARCO, e o governo apresenta uma lentidão inacreditável sem aplicar nenhum tipo de punição ou ação proporcional que obrigue esta multibilionária empresa a se responsabilizar e custear os irreparáveis danos sociais e ambientais causados?

O resultado dessa política do PT/PMDB é que o povo paga a conta da crise. É o povo que fica sem terra e sem condições para plantar e viver no campo. Fica sem moradia, sem hospitais e escolas, sem transporte e sem direitos sociais garantidos. O povo negro é exterminado diariamente nas periferias com a política de segurança e os pobres e movimentos sociais são criminalizados. Mulheres e indígenas têm seus direitos sequestrados, mas os ricos, banqueiros, empresários, latifundiários e demais poderosos, continuam a ser beneficiados e priorizados pelas políticas do governo.

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Retomar os legítimos valores da luta da classe trabalhadora: por independência de classe e organização pela base!

Os setores políticos progressistas dizem que a democracia está em risco com essa disputa política, mas são os valores e conquistas históricas da luta popular classista construída pela força das/os de baixo que estão realmente em risco, e não é de hoje! Os movimentos sociais não podem mais ficar esperando e acreditando que vão conseguir pautar ou disputar o governo. Esse governo (muito menos outros) não está em disputa, como prova o final da última eleição, quando muitos trabalhadores apoiaram “criticamente” o PT e este simplesmente executou grande parte da agenda neoliberal do adversário derrotado, o tucano Aécio Neves.

A esquerda em geral, os movimentos sociais e sindicatos não podem se deixar mais cooptar pelo PT no governo nem pelo governismo. Assim como foi com Lula e com a reeleição de Dilma, não podemos deixar se repetir mais uma situação ridícula de mobilização da esquerda em apoio ao PT, seguida de mais recuo nas pautas sociais por parte do governo. Foi justamente isso que ocorreu com a reeleição de Dilma e é eminente que se repita com esse processo de impeachment. Acontecendo ou não o impeachment da presidenta, o que vale para eles nesse jogo político é construir uma base de apoio ao governo e um amplo consenso para manter a dominação de classe no próximo período. O central da pauta conservadora já está estabelecido, agora a disputa é entre quem se candidata a executá-la nos próximos anos.

O nosso entendimento é de que a esquerda e os movimentos sociais devem romper com essa lógica suicida do governismo, se não querem ir para o fundo do poço junto com o PT. Não se pode ser revolucionário e crítico e, ao mesmo tempo, manter apoio incondicional a um governo que permite e é cúmplice da lei antiterrorismo. Um governo que é cúmplice dos avanços das políticas conservadoras contra mulheres, LGBTTs e o genocídio do povo negro e dos povos originários e aumenta a criminalização dos pobres; que nomeia uma ministra ruralista para dar mais poder ao agronegócio e piora ainda mais a situação de sem-terras e camponeses. Um governo em que indígenas, ribeirinhos, catadores de caranguejo, quebradeiras de coco babaçu, pescadores e pescadoras artesanais são cada vez mais violentados e perdem seus territórios para os ruralistas que têm bancada no congresso; que assume uma política neoliberal com um verniz progressista sacrificando os pobres para satisfazer os interesses dos investidores e do FMI.

Já passou a hora dos movimentos sociais irem para as ruas sim, não para defender este governo, que é totalmente indefensável, mas para fazer frente ao avanço dos setores conservadores e de direita e também contra as políticas de direita do governo.

O governismo também é nosso inimigo, pois atua dentro dos movimentos barrando a revolta popular. Muitas das recentes experiências de luta, como as ocupações de escolas em São Paulo, mostram que as práticas governistas e burocráticas são incapazes de pautar o significado e a direção das lutas quando há métodos de empoderamento popular desde a base, dotados de princípios organizativos como a ação direta e a autonomia. Mas o governo ainda tem seus aliados e muitas direções de movimentos se deixaram cooptar. É preciso romper com a subordinação da luta de massas e a suspensão de bandeiras de luta ao calendário eleitoral, aos conchavos do Estado e às disputas internas dos políticos profissionais.

Essa polarização, impeachment ou o governismo aferrado, sustentada pelos petistas, burocracias sindicais e certas direções de movimentos sociais não são alternativas para a luta contra o ajuste que golpeia a vida da classe oprimida. Os consertos e os arranjos oligárquicos que vêm de cima, o sistema corrupto e criminal que faz estelionato eleitoral com a democracia burguesa, não produzem mudança real. A democracia que tem de ser peleada nessa hora é a democracia de base e tem de ser a afirmação da independência de classe em relação aos sistemas de representação burguesa. Assembleias nas escolas ocupadas, nos locais de trabalho onde a patronal corta direitos, salários e ameaça demitir. Assembleias nas comunidades da periferia que é perseguida pela violência policial e privada de serviços públicos, luta nos territórios de resistência indígena, quilombola e camponês, extensão e radicalização de uma participação decisiva que não aceita intermediação burocrática e faz exercícios de poder popular.

Só um povo forte e organizado pode exigir seus direitos e mudanças nessa política, que não é apenas do Levy, da Kátia Abreu ou do Congresso Nacional, mas sim da lógica perversa e opressora do capitalismo e do Estado, a qual o PT soube se adaptar e barganhar muito bem desde a “Carta ao Povo Brasileiro”. E isso não aconteceu por acaso, foram décadas de uma prática burocrática de setores da esquerda, que abandonaram o trabalho de base e que agora cobram seu preço. Treze anos de acomodações de muitos movimentos sociais se deixando cooptar pelo governo PT agora cobram seu preço. O imaginário popular da esquerda foi abalado e as práticas do PT no governo têm grande parcela de culpa nesse processo. O avanço conservador é a derrota do discurso de que este governo é um projeto “democrático-popular”, quando na verdade é o avanço de um governo que caminha cada vez mais e abertamente para a aplicação do projeto neoliberal.

Lutar com as/os de baixo, pela construção de um Povo Forte e Organizado que deve caminhar pela via da Independência de Classe ao Poder Popular

O jogo está posto e quem tem perdido com essa disputa entre elites, somos nós: pobres, trabalhadores, negras/os, quilombolas, moradoras/es das favelas e periferias, indígenas, mulheres, LGBTTs, campesinas/os e povos originários – nós, as/os de baixo. É mais que necessário e urgente a nossa organização contra o verdadeiro golpe que tem sido aplicado pelos de cima (os opressores), na retirada de direitos conquistados e na precarização dos nossos direitos básicos: saúde, educação, moradia e transporte etc.

Defendemos a retomada dos valores classistas e práticas históricas de luta da classe trabalhadora. Com ação direta, federalismo e democracia direta na construção e condução das lutas. Fortalecendo organismos populares de base, desburocratizados e organizados em espaços e movimentos sociais, com autonomia e unidos pela solidariedade de classe e apoio mútuo. Só podemos construir o Poder Popular com o protagonismo desde as bases e radicalizando a democracia em todas as esferas. Lutando com as/os de baixo nos processos cotidianos, como único caminho para construção do Poder Popular e de um sujeito de transformação social com vias a um novo mundo, Socialista e Libertário.

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Coordenação Anarquista Brasileira
08 de dezembro de 2015

[FAG] AVANÇAR A GREVE ESTADUAL DOS SERVIDORES DO RS SEM ARREGO! UNIDADE DOS TRABALHADORES PELA BASE E SEM REPRESSORES!

Retirado de:                                       https://www.facebook.com/FederacaoAnarquistaGaucha/posts/1058297487515142

Só a luta pela base dos trabalhadores, dos setores populares e estudantis pode fazer resistência ao ajuste que vem da tesoura do governo, da fraude e do privilégio dos patrões. Cortes fundos nos direitos, empregos e serviços públicos vem do planalto em Brasília, pelo arranjo governista com a direita tramposa do PMDB, com o sistema financeiro, o agronegócio e os industriais.

O estado do RS e os municípios se valem das mesmas receitas amargas. Castigam os pobres para salvar os ganhos dos ricos e os interesses burocráticos da máquina. E o fazem cortando na carne dos trabalhadores do serviço público, congelando salários, achacando a saúde, a educação, a moradia, o transporte coletivo, etc.. Já os agiotas parasitas da dívida pública são pagos religiosamente e as empresas sonegadoras e privilegiadas por isenções de impostos ficam de lombo liso.

Essa é a crise financeira do estado que o governo Sartori/PMDB tem no colo. Faltam recursos porque os capitalistas reservam os privilégios e os lucros para suas propriedades e estouram as contas públicas nas costas do povo. Todo um sistema de pilhagem que funciona pelo mecanismo da dívida pública, que espreme o patrimônio construído pelos trabalhadores, que desmonta e privatiza bens públicos e produz um discurso econômico liberalóide de déficit e responsabilidade fiscal. Os partidos de governo se sucedem sempre dentro desta ordem: uma camisa de forças do sistema que todos vestem. O PT subscreveu os contratos com o Banco Mundial durante o governo Yeda Crusius que ampliou o poder do sistema financeiro sobre o controle dos gastos públicos. Na sua vez no Piratini, Tarso Genro teve que amargar a pena de devedor do Piso Nacional do magistério.

A dívida que tem que ser paga e que as estruturas do poder caloteiam é a dívida com os trabalhadores e com o povo. Dívida social com o piso, com os direitos, com a qualidade dos serviços públicos, de moradia, de terra para os pobres do campo. Já a segurança é outra história.

Ao lado do ajuste que saca dinheiro dos hospitais e postos de saúde, das escolas, programas sociais, da ampliação do espaço comum e da rede de serviços públicos que aumentam bem estar e condições de vida do povo, é martelada diariamente, sobretudo pela voz do grupo RBS, a bandeira da segurança. O grupo de comunicação que é bom pagador de propina pra sonegação fiscal, dono de um patrimônio que figura na lista seleta das elites gaúchas, avaliza o ajuste e faz campanha de terror e medo pra reclamar mais segurança. Aí está! Segurança é um discurso que dá sentido e faz funcionar um poder de controle e vigilância que institui a paz para a vida normal do sistema e dos bem nascidos e que instala a guerra que pune e criminaliza a pobreza. A segurança que ecoa fundo nas preocupações das elites e da classe média é a que sempre reforça a violência policial sobre as “classes perigosas”.

O congelamento salarial da LDO votada na assembléia legislativa e o parcelamento dos vencimentos mexeram forte com a paciência dos servidores estaduais. A assembléia geral do Cpers da terça-feira dia 18 de agosto deu a temperatura da indignação dos trabalhadores em educação do estado. Conseguiu convocar uma participação de base que há muito não se via. Teve adesão de setores e escolas que não estão sindicalizados e que, lamentavelmente, foram constrangidos pelos dirigentes sindicais a ficar de fora da assembléia do gigantinho.

Da parte das outras categorias do funcionalismo público cresce a mobilização. Foram estimados mais de 50 mil participando do movimento da última terça. As soluções privatistas do governo Sartori e o alvo na extinção de órgãos públicos como a Fundação Zoobotânica são provocadoras de uma luta sem arrego que terá duras peleias para fazer resistência, não entregar patrimônio e não liquidar a pesquisa ambiental para tapar os buracos da crise financeira que empurra a dívida pública e as fraudes patronais.
O movimento dos trabalhadores tem que fazer a greve que não desejam as burocracias sindicais. Construir unidade pelas lutas de base. Descartar a fita métrica da polícia como medida do alcance das mobilizações. Os repressores do povo não são aliados. A periferia urbana está farta do genocídio de pobres e negros que produzem. O protesto social tem memória do camburão, das balas, do gás e das cicatrizes que produzem ao serviço do aparelho repressivo. A conveniência da hora não muda nossa convicção pelo fim da polícia militar.

A paralisação de uns dias, já sabemos, é uma medida envergonhada das burocracias atreladas ao aparelho de estado para não aprofundar a crise do governismo em Brasília. Tem ideias fortes embutidas nessa concepção, que pagam alto tributo ao pior do reformismo. Para a burocracia sindical o excesso de luta desestabiliza e faz a cama para o inimigo deitar. Nós pensamos totalmente ao contrário. Que a luta de classes, pela ação direta dos trabalhadores e a união dos organismos de democracia de base, é o fator de resistência que muda a correlação de forças. A ação de greves, piquetes, ocupações e a solidariedade de classe produzem ideologia de um povo forte e peleador que não anda a reboque das saídas tramadas por cima pelas classes dominantes. Pra não deixar dúvidas: a falta de luta pelas bases e a ausência das táticas de ação direta desarmam nossa classe e consomem nossas forças. Ganho do burocratismo ou da corrente conservadora.

A greve da educação se fortalece unida com os servidores estaduais. Mas a força do movimento faz trincheira lá onde a burocracia não controla. O palco dos intermediários não dobrará o governo pelos artistas da negociação, nem tampouco o verbo radical do proselitismo auxiliar. A radicalidade de uma greve só pode achar terreno no piquete decisivo que paralisa o funcionamento da máquina e no corte de rua que faz a cidade parar. A greve será greve pela mão dos comandos de mobilização regionais, pelas zonas e os bairros, onde os trabalhadores do setor público se unam com os moradores da periferia, criem organismos de democracia de base nas comunidades para que participem os setores populares. Façam espaço solidário pra que a luta seja tomada pelo povo como luta pelas demandas populares por educação, saúde e por mais serviços públicos.

Greve unida pela base e sem arrego!
Criar Povo Forte.
Lutar e vencer pela independência de classe.