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[MATINHOS] 5º ENCONTRO DO CÍRCULO DE ESTUDOS LIBERTÁRIOS (CEL) – NA PRÓXIMA TERÇA (11/10/2016)!

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Autogestão, Federalismo e Socialismo Libertário

Na próxima terça-feira, 11 de outubro, o CALC articulará seu grupo de estudos em Matinhos. Faremos o CEL na Universidade Federal do Paraná-Litoral, às 14:00, na sala 23B (Sala Temática de Agroecologia), 2º andar.

Começamos o CEL-Matinhos em 2016, discutindo vários temas relevantes para os movimentos sociais, para a esquerda e para o anarquismo.

Buscaremos neste estudo compreendermos as bases da sociedade socialista libertária, bem como de que forma tais perspectivas estratégicas regulam as organizações anarquistas no presente.

Os textos base são:

– A concepção anarco-sindicalista de autogestão – René Berthier

– Objetivos finalistas: Revolução social e socialismo libertário, capitulo 5 do livro Anarquismo Social e Organização – Federação Anarquista do Rio de Janeiro

Baixe aqui: Módulo V CEL

Evento no Facebook:                                                                              https://www.facebook.com/events/1100637716679112/

Para mais informações sobre os textos e temas que discutiremos durante o ano, visite:                                                           https://coletivoanarquistalutadeclasse.wordpress.com/grupos-de-estudos-libertarios/

E a Livraria Alberto “Pocho” Mechoso estará presente também! Quer conhecer nossos títulos:                                                                     https://anarquismopr.org/livrariapocho/

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[CURITIBA] 5º ENCONTRO DO CÍRCULO DE ESTUDOS LIBERTÁRIOS (CEL) – NA PRÓXIMA TERÇA (30/08/2016)!

cel 5 - autogestao, federalismo e socialismo libertario

Autogestão, Federalismo e Socialismo Libertário

Na próxima terça-feira, 30 de agosto, o CALC articulará seu grupo de estudos em Curitiba. Faremos o CEL no Prédio Histórico da Universidade Federal do Paraná, às 18:30, na sala 205 da Psicologia.

Buscaremos neste estudo compreendermos as bases da sociedade socialista libertária, bem como de que forma tais perspectivas estratégicas regulam as organizações anarquistas no presente.

Os textos base são:

– A concepção anarco-sindicalista de autogestão – René Berthier

– Objetivos finalistas: Revolução social e socialismo libertário, capitulo 5 do livro Anarquismo Social e Organização – Federação Anarquista do Rio de Janeiro

Baixe aqui: Módulo V CEL

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[FARJ] Contribuições de Bakunin ao debate sobre a organização política anarquista – Felipe Corrêa e Rafael V. da Silva

Retirado de:                                                                         https://anarquismorj.wordpress.com/2015/12/13/contribuicoes-de-bakunin-ao-debate-sobre-a-organizacao-politica-anarquista-felipe-correa-e-rafael-v-da-silva/

Felipe Corrêa e Rafael V. da Silva [1]

Apesar das obras completas de Bakunin terem sido publicadas recentemente em francês – na edição de 2000 do IIHS de Amsterdã, depois de tentativas importantes de compilar parte significativa de sua obra –, seus escritos sobre as chamadas “Fraternidade”, de 1864, e “Aliança”, de 1868, para utilizar a terminologia proposta por Max Nettlau, são pouquíssimo conhecidos. A estratégia de massas de Bakunin vem sendo melhor discutida, em textos relevantes como, por exemplo, Bakunin: fundador do sindicalismo revolucionário, de Gastón Leval [2] e vários outros de René Berthier. [3]

No entanto, sua teoria da organização política, amplamente abordada em documentos escritos com o intuito de fundamentar – em termos de princípios, programa, estratégia e organicidade – suas propostas políticoorganizativas, é pouco ou quase nada discutida. Parece haver, em especial entre os anarquistas franceses, certo constrangimento desses escritos, como se constituíssem parte de uma herança autoritária, talvez de inspiração blanquista e jacobina, que permaneceu no pensamento do autor e que não deveria ser trazida a tona.[4] Consideramos que as posições de Bakunin sobre a organização política anarquista, de 1868 em diante, podem ser conciliadas plenamente com sua estratégia de massas, proposta para a Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT), e, assim, ser considerada parte relevante de seu anarquismo. Tais posições parecem ter força, ainda hoje, para subsidiar reflexões frutíferas acerca do modelo organizativo mais adequado para uma intervenção anarquista na realidade.

Bakunin sustentou que a Aliança da Democracia Socialista (ADS) deveria ter um duplo objetivo; por um lado, estimular o crescimento e o fortalecimento da AIT; [5] por outro, aglutinar em torno de princípios, de um programa e de uma estratégia comum, aqueles que tivessem afinidades político-ideológicas com o anarquismo – ou, como em geral se chamava à época, do socialismo ou coletivismo revolucionário. [6] Em suma, criar/fortalecer uma organização política e um movimento de massas, o dualismo organizacional:

Eles [os militantes da ADS] formarão a alma inspiradora e vivificante desse imenso corpo a que chamamos Associação Internacional dos Trabalhadores […]; em seguida, se ocuparão das questões que são impossíveis de serem tratadas publicamente – eles formarão a ponte necessária entre a propaganda das teorias socialistas e a prática revolucionária. [7]

Para Bakunin, a ADS não precisaria ter uma quantidade muito grande de militantes: “o número desses indivíduos não deve, pois, ser imenso”; ela deveria constituir uma organização política, pública e secreta, de minoria ativa, com responsabilidade coletiva entre os integrantes, que reunisse “os membros mais seguros, os mais devotados, os mais inteligentes e os mais enérgicos, em uma palavra, os mais íntimos”, nucleados em diversos países, com condições influenciar determinantemente as massas trabalhadoras.[8] Essa organização deveria ter por base comum um regulamento interno e um programa estratégico, os quais estabeleceriam, respectivamente, seu funcionamento orgânico, suas bases político-ideológicas e programático-estratégicas, forjando um eixo comum para a atuação anarquista.

Poderia tornar-se membro da organização somente “aquele que tiver francamente aceitado todo o programa com todas suas consequências teóricas e práticas e que, junto à inteligência, à energia, à honestidade e à discrição, tenham ainda a paixão revolucionária”.[9] Internamente, a organização política bakuniniana não possui hierarquia entre os membros e as decisões são tomadas de baixo para cima, em geral por maioria (variando do consenso à maioria simples, a depender da relevância da questão), e com todos os membros acatando as decisões tomadas coletivamente. Isso significa aplicar o federalismo – defendido como forma de organização social, que deve descentralizar o poder e criar “uma organização revolucionária de baixo para cima e da circunferência ao centro” – nas instâncias internas da organização anarquista. Externamente, a ADS não deve exercer relação de dominação e/ou hierarquia sobre a AIT, mas a complementar; o inverso também seria verdadeiro. Juntas, essas duas instâncias organizativas se complementam e potencializam o projeto revolucionário dos trabalhadores, sem a submissão de qualquer uma das partes.

A Aliança é o complemento necessário da Internacional… – Mas a Internacional e a Aliança, tendendo para o mesmo objetivo final, perseguem ao mesmo tempo objetivos diferentes. Uma tem por missão reunir as massas operárias, os milhões de trabalhadores, com suas diferenças de profissões e países, através das fronteiras de todos os Estados, em um só corpo imenso e compacto; a outra, a Aliança, tem por missão dar às massas uma direção realmente revolucionária. Os programas de uma e de outra, sem serem de modo algum opostos, são diferentes pelo próprio grau do seu desenvolvimento respectivo. O da Internacional, se tomado a sério, contém em germe, mas somente em germe, todo o programa da Aliança. O programa da Aliança é a explicação última do [programa] da Internacional.[10]

O dualismo organizacional bakuniniano caracteriza-se pela união dessas duas organizações – uma política, de minorias (quadros); outra social, de maiorias (massas) – e sua articulação horizontal e permanente potencializaria a força dos trabalhadores e aumentaria as chances do processo de transformação social com fins anarquistas.

Dentro do movimento de massas, a organização política dá mais eficácia aos anarquistas nas disputa de posições e na construção de um projeto revolucionário. Ela contrapõe, organizadamente e em favor de seu programa, forças que agem em sentido distinto e que buscam: elevar à condição de princípio uma das diferentes posições político-ideológicas e/ou religiosas, minimizar seu caráter eminentemente classista, fortalecer as posições reformistas (que veem as reformas como um fim) e a perda de combatividade do movimento, estabelecer hierarquias internas e/ou relações de dominação, direcionar a força dos trabalhadores para as eleições e/ou para estratégias de mudança que envolvam a tomada do Estado, atrelar o movimento a partidos, Estados ou outros organismos que retiram, neste processo, o protagonismo das classes oprimidas e de suas instituições.

[1] Este texto é um excerto (com novo título) extraído da cartilha de formação “BAKUNIN, MALATESTA E O DEBATE DA PLATAFORMA A QUESTÃO DA ORGANIZAÇÃO POLÍTICA ANARQUISTA”. O leitor pode ler o artigo completo no site do Instituto de Teoria e História Anarquista (ITHA).

[2] LEVAL, Gaston. Bakunin, Fundador do Sindicalismo Revolucionário. São Paulo: Imaginário/Faísca, 2007

[3] Cf., por exemplo: BERTHIER, René. “Bakounine: une théorie de l’organisation”. In: Monde Nouveau, 2012. Idem. “Postface”. In: ANTONIOLI, Maurizio. Bakounine: entre syndicalisme révolutionnaire et anarchisme. Paris: Noir et Rouge, 2014.

[4] Nas últimas décadas, o constrangimento dos anarquistas franceses com parte da obra de Bakunin é notável, especialmente no que diz respeito ao tema da organização política. Praticamente nenhum dos numerosos programas da Aliança da Democracia Socialista foi incluído nos livros publicados deste anarquista. Talvez isso possa ser explicado pela hipótese de René Berthier, relatada numa palestra de 2014 no Brasil. Para ele, durante muito tempo, os franceses aproximaram Bakunin do marxismo ou mesmo de um suposto “marxismo libertário” defendido por Daniel Guérin. Poder-se-ia justificar, assim, ainda segundo ele, o fato de uma revista como Itineraire, que dedicou seus números aos “grandes anarquistas” da história, não ter um número sobre Bakunin. É o próprio Berthier que, em certa medida, e junto com alguns outros pesquisadores e militantes, tem retomado mais recentemente a discussão da obra bakuninana.

[5] A maior realização histórica concreta de militantes que estiveram envolvidos com a ADS foi a criação da AIT em países onde ela ainda não existia e o estabelecimento de novas seções da Internacional onde ela já estava em funcionamento; tais foram os casos da Espanha, da Itália, de Portugal e da Suíça, além de casos na América Latina, estimulados por correspondências. Cf. CORRÊA, Felipe. Surgimento e Breve Perspectiva Histórica do Anarquismo (1868-2012). São Paulo: Biblioteca Virtual Faísca, 2013.

[6]BAKUNIN, Mikhail. “Carta a Morago de 21 de maio de 1872”. In: CD-ROM Bakounine: Ouvres Completes, IIHS de Amsterdã, 2000.

[7] Idem. “Carta a Cerretti de 13-27 de março de 1872”. In: CD-BOC.

[8]  Idem. “Status Secrets de l’Alliance: programme et objet de l’organization révolutionnaire des frères internationaux”. In: CD-BOC. Idem. “Carta a Cerretti de 13-27 de março de 1872”. In: CD-BOC. Idem. “Carta a Morago de 21 de maio de 1872”. In: CD-BOC.

[9] Idem. “Status Secrets de l’Alliance: organization de l’Alliance des frères internationaux”. In: CD-BOC. Idem. “Status Secrets de l’Alliance: programme et objet de l’organization révolutionnaire des frères internationaux”. In: CD-BOC.

[10]  Idem. “Carta a Morago de 21 de maio de 1872”. In: CD-BOC.

[CURITIBA] 6º ENCONTRO DO CÍRCULO DE ESTUDOS LIBERTÁRIOS (CEL) – NA PRÓXIMA TERÇA (27/10/2015)!

Autogestão, Federalismo e Socialismo Libertário

cel 6 - autogestado, federalismo e socialismo libertario

Na próxima terça-feira, 27 de outubro, o CALC articulará seu grupo de estudos em Curitiba. Faremos o CEL no Prédio Histórico da Universidade Federal do Paraná, às 18:30, na sala 205 da Psicologia.

Buscaremos neste estudo compreendermos as bases da sociedade socialista libertária, bem como de que forma tais perspectivas estratégicas regulam as organizações anarquistas no presente.

Os textos base são:

– A concepção anarco-sindicalista de autogestão – René Berthier

– Objetivos finalistas: Revolução social e socialismo libertário, capitulo 5 do livro Anarquismo Social e Organização – Federação Anarquista do Rio de Janeiro

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CEL

[CABN] Boletim CABN nov/2014

Retirado dehttp://www.cabn.libertar.org/boletim-cabn-nov2014/

Salve companheiras e companheiros!

Neste boletim de novembro: Terrorismo de Estado no México; Ateneu libertário em Porto Alegre; 19 anos da FAG; 2 anos da Ocupação Contestado; 16 dias de ativismo pelo fim da violência contra a mulher; entrevista sobre Mikhail Bakunin

Terrorismo de Estado no México

A Federação Anarquista Uruguaia e a Coordenação Anarquista Brasileira escreveram uma nota sobre o terrorismo de Estado realizado no México, onde 43 estudantes foram desaparecidos e mortos por milícias ligadas diretamente ao governo. Neste momento, o povo mexicano se levanta contra a impunidade e o Estado opressor. Toda solidariedade a quem luta!
https://anarquismorj.wordpress.com/2014/11/23/fau-con-los-43-estudiantes-que-nos-faltan-siempre-contra-la-impunidad/

Ateneu libertário “A Batalha da Várzea”

O Ateneu “A Batalha da Várzea”, em Porto Alegre, está de portas abertas e com uma importante programação de debates, exibição de filmes, lançamento de livros, etc. Leia mais aqui:
https://www.facebook.com/abatalhadavarzea

19 anos da Federação Anarquista Gaúcha

A FAG, importante organização para a construção da corrente especifista no Brasil e pela formação da Coordenação Anarquista Brasileira, completou 19 anos de vida. Seguimos na luta, ombro a ombro, pois “não tá morto quem peleia”!
http://www.federacaoanarquistagaucha.org/?p=1041

2 anos da Ocupação Contestado

A Ocupação Contestado, de São José, completou esse mês 2 anos de existência na luta por moradia e vida dignas. O portal Maruim produziu reportagens e vídeos sobre a Ocupação:
https://medium.com/@midiamaruim/ocupacao-contestado-em-sao-jose-sc-completa-2-anos-750f43f1c79a

16 dias de ativismo pelo fim da violência contra a mulher

Em Joinville, nas últimas semanas, diversas atividades fizeram parte da iniciativa “16 dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher”. O Centro de Direitos Humanos “Maria da Graça Bráz” divulgou várias das palestras e debates:
https://www.facebook.com/cdhmgb

Entrevista com René Berthier sobre Bakunin

Recomendamos o material publicado pelo Instituto de Teoria e História Anarquista, uma entrevista com René Berthier sobre a obra e o legado do anarquista russo Mikhail Bakunin:
http://ithanarquista.wordpress.com/2014/11/27/rene-berthier-teoria-politica-e-metodo-de-analise-no-pensamento-de-bakunin-entrevista/

Saudações libertárias!

Coletivo Anarquista Bandeira Negra, integrante da Coordenação Anarquista Brasileira

ca-bn@riseup.net | http://cabn.libertar.org

Para entrar em nossa lista de notícias, envie um e-mail para ca-bn@riseup.net.

[CURITIBA] 6º ENCONTRO DO CÍRCULO DE ESTUDOS LIBERTÁRIOS (CEL) – NA PRÓXIMA TERÇA (30/09/2014)!

Autogestão, Federalismo e Socialismo Libertário

Na próxima terça-feira, 30 de setembro, o CALC articulará seu grupo de estudos em Curitiba. Faremos o CEL no Prédio Histórico da Universidade Federal do Paraná, às 18:30, na sala 205 da Psicologia.

Buscaremos neste estudo compreendermos as bases da sociedade socialista libertária, bem como de que forma tais perspectivas estratégicas regulam as organizações anarquistas no presente.

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CEL

[FARJ] Anarquismo: uma introdução ideológica e histórica

Retirado de: http://anarquismorj.wordpress.com/textos-e-documentos/teoria-e-debate/anarquismo-introducao-historica-rafael-v-da-silva/

“Com a crescente presença do anarquismo nas ruas, nos movimentos populares e, principalmente, como uma referência aos que hoje lutam, determinados teóricos marxistas correm para tentar “provar” que o anarquismo é uma ideologia fracassada e pequeno-burguesa. Alguns destes teóricos, num devaneio cínico, ousam sugerir, com desrespeito aos anarquistas que tombaram lutando contra o capitalismo, que o anarquismo é algo parecido com o neoliberalismo.

Para os anarquistas que há anos lutam e defendem um programa político libertário nas lutas sociais, o momento é de esclarecer equívocos, pois mesmo com uma história rica de lutas e tradições de resistência ao capitalismo, o anarquismo é vilipendiado por acadêmicos e intelectuais “orgânicos” mal intencionados. Reproduzindo o discurso burguês, que tenta transformar o anarquismo numa caricatura, em vez de realizarem um debate baseado em fatos históricos bem fundamentados e contextos concretos, pensam o anarquismo pelas lentes da burguesia ou simplesmente imaginam o anarquismo, pelo que eles acham que é.”

Texto teórico que responde as deformações que certos “intelectuais” marxistas tentam fazer com o anarquismo. Como se já não bastasse a mídia burguesa manipulando e nos caricaturando, certas legendas trotskistas tentam por meio do golpe baixo teórico, dizer o que o anarquismo NÃO É. Não fugimos do debate teórico e das polêmicas, apesar de achar muito mais produtivo, afirmar nossa posição em meio às lutas dos movimentos populares e golpear o inimigo em comum. Tampouco podemos dizer que ficamos confortáveis ao ler uma série de inverdades, incorreções históricas e absurdos sem nenhum fundamento nos fatos. Qualquer um que conheça minimamente o anarquismo se assustaria com tamanha capacidade de produzir uma crítica sectária e inverídica de nossa ideologia política!

Enquanto determinadas legendas morenistas insistem em atacar o anarquismo seguimos com segurança ideológica e firmeza ética combatendo os inimigos em comum!

Anarquismo é luta!

 

Texto integral:

 

Anarquismo: uma introdução ideológica e histórica – Rafael V. da Silva

Rafael V. da Silva é Historiador e Membro da Comissão Editorial da Faísca Publicações e do Instituto de Teoria e História Anarquista (ITHA).

INTRODUÇÃO

Com a crescente presença do anarquismo nas ruas, nos movimentos populares e, principalmente, como uma referência aos que hoje lutam, determinados teóricos marxistas correm para tentar “provar” que o anarquismo é uma ideologia fracassada e pequeno-burguesa. Alguns destes teóricos, num devaneio cínico, ousam sugerir, com desrespeito aos anarquistas que tombaram lutando contra o capitalismo, que o anarquismo é algo parecido com o neoliberalismo.

Organização Popular

Bandeira rubro-negra não incomoda apenas a burguesia, mas também determinadas legendas políticas.

Para os anarquistas que há anos lutam e defendem um programa político libertário nas lutas sociais, o momento é de esclarecer equívocos, pois mesmo com uma história rica de lutas e tradições de resistência ao capitalismo, o anarquismo é vilipendiado por acadêmicos e intelectuais “orgânicos” mal intencionados. Reproduzindo o discurso burguês, que tenta transformar o anarquismo numa caricatura, em vez de realizarem um debate baseado em fatos históricos bem fundamentados e contextos concretos, pensam o anarquismo pelas lentes da burguesia ou simplesmente imaginam o anarquismo, pelo que eles acham que é. Essa é uma atitude, utilizando o jargão marxista, completamente idealista, pois não parte de fatos históricos, mas de suposições sem qualquer respaldo concreto na realidade.

Cabe dizer que parte da responsabilidade do crescimento do anarquismo ou de sua influência vem da prática de muitos partidos marxistas, alguns dos quais formaram governos de “esquerda” e aliaram-se à burguesia (compostos por antigos ou novos quadros marxistas). Há décadas, muitos trabalhadores acreditaram na formação do Partido dos Trabalhadores (PT) como uma ferramenta de luta e emancipação. É esse mesmo partido que hoje massacra, criminaliza e persegue manifestantes e movimentos sociais. É esse mesmo partido que viabiliza os mega-eventos com apoio dos setores mais conservadores da sociedade e desenvolve o controle social nas favelas e periferias. Muitos que estão na oposição de esquerda ao PT reproduzem algumas práticas semelhantes aquelas do partido; vem daí, e não apenas da mídia burguesa, o sentimento de apartidarismo nos movimentos populares e sociais. Oposições supostamente revolucionárias e libertárias no “discurso” reproduzem comportamentos burocráticos/autoritários ou atuam como freio das lutas, fortalecendo práticas de aparelhamento de entidades estudantis e populares.

Quando derrotados do ponto de vista de seus métodos, ou desmoralizados perante os fatos, resta como medida desesperada, apelarem para os ataques ao nosso núcleo duro ideológico. Nossa indignação não é por fazer um debate teórico e ideológico, mas por ter de recorrer a dados tão elementares aos que se pretendem socialistas “científicos”, mas que reproduzem discursos completamente vazios e superficiais – ou seja, baseiam-se no senso comum mais vulgar, que contradiz qualquer perspectiva científica. Para ser mais preciso: alguns partidos e pretensos teóricos precisam debater a política e o anarquismo de forma séria, ou correm o risco de virar uma caricatura permanente.

 

O QUE O ANARQUISMO É?

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Longe das caricaturas políticas construída pelos nossos adversários, o anarquismo tem princípios políticos-ideológicos muito bem definidos.

Para evitar caricaturas sobre o anarquismo ou qualquer corrente política precisamos primeiro evitar a tentação ahistórica e, portanto, não científica, de definir uma ideologia política pela sua análise etimológica. Uma análise etimológica do termo “anarquia” e de seus derivados só pode apontar para uma negação – do governo, do Estado, da autoridade –, ou seja, para elementos “destrutivos”, de crítica social; o anarquismo, entretanto, sempre possuiu elementos construtivos, objetivos e estratégias para atingi-los.

Mikhail Bakunin e James Guillaume, conforme apontam Marianne Enckel (1991, p. 199 apud Corrêa; Silva, 2013.) e René Berthier (2010, p. 127 apud Corrêa; Silva, 2013), tiveram reticências em relação à utilização do termo “anarquista” para caracterizar nossa corrente socialista e libertária, justamente por razão do senso comum que existia em torno dele. Foi somente a partir da cisão da Primeira Internacional, em 1872, e da fundação, naquele mesmo ano, da Internacional Antiautoritária, uma associação popular e operária que reuniu a maior parte dos anarquistas europeus, que o termo “anarquia” e seus derivados passaram a ser utilizados mais constantemente pelos próprios anarquistas.

Os fatos históricos demonstram que o anarquismo surge a partir dos dilemas, das lutas e do contexto histórico de formação da classe trabalhadora na segunda metade do século XIX. É absurdo e completamente falso, do ponto de vista histórico, dissociar a raiz e o tronco socialista e classista do anarquismo. O anarquismo não surgiu da cabeça de meia dúzia de pensadores (ainda que muitos teóricos tenham dado sua contribuição) e tampouco é uma filosofia “individual”, pois ele surge de uma experiência da classe trabalhadora. O anarquismo se desenvolve dentro das discussões sobre quais seriam os meios de se chegar à sociedade socialista. O anarquismo é a ala libertária do socialismo que surgiu das discussões e reflexões coletivas da classe trabalhadora. As divergências sobre quais seriam as melhores estratégias para conduzir os trabalhadores a uma sociedade sem classes, acabaram por conformar a própria tradição anarquista e definir também as diferenças desta tradição com outros campos do socialismo, como o marxismo.

Não é coincidência que onde há anarquismo, no final do século XIX, há seções da Associação Internacional dos Trabalhadores, e há perspectivas de formação do sindicalismo revolucionário nos principais centros urbanos do mundo. Para o anarquismo sempre foi bastante claro e bem definido a identificação de que, nos diversos sistemas de dominação, com suas respectivas estruturas de classes, as dominações de classe permitem conceber a divisão fundamental da sociedade em duas grandes categorias globais e universais, constituídas por classes com interesses inconciliáveis: as classes dominantes e as classes oprimidas. O conflito social entre essas classes caracteriza a luta de classes e a superação do capitalismo está na raiz da proposta econômica anarquista.

O anarquismo também não é sinônimo de individualismo, antiestatismo ou antítese do marxismo; constitui um tipo de socialismo caracterizado por um conjunto preciso de princípios político-ideológicos, que inclui a oposição ao Estado, mas que não se resume a ela. Os anarquistas historicamente se opuseram aos individualistas e consideravam o individualismo uma “influência burguesa no anarquismo” (Fabbri, 2009). Bakunin, Kropotkin e Malatesta foram todos duros críticos do individualismo, apenas para citar os mais conhecidos. O individualismo sempre foi historicamente um fenômeno marginal no anarquismo, apesar do anarquismo sempre reconhecer a importância de conciliar o socialismo com a liberdade individual e coletiva.

O anarquismo baseia-se em análises racionais, métodos e teorias que não são idealistas (explicações metafísicas/teológicas). Não afirma, em geral, a prioridade das idéias em relação aos fatos; apresenta distintas posições teóricas a este respeito. Do ponto de vista dos anarquistas clássicos, pode-se dizer que Bakunin, Piotr Kropotkin, Élisée Reclus, Rudolf Rocker e Errico Malatesta sustentavam perspectivas teóricas distintas, sem terem deixado, por isso, de ser anarquistas. Os debates fundamentais dentro do anarquismo se dão em torno dos seguintes temas: organização, lutas de curto prazo e o papel da violência. As divergências estão nos debates estratégicos, que dão origem às diferentes correntes anarquistas. Por isso é equivocado reproduzir a caricatura burguesa de que há “dezenas de anarquismos” ou que há “tantos anarquismos quanto anarquistas” no mundo. Há diferentes estratégias que dividem o anarquismo em correntes (como qualquer ideologia política), mas seu tronco histórico tem princípios políticos muito bem definidos e que demonstram a existência de uma coerência interna.

Os anarquistas em sua grande maioria não negam a organização e as lutas de curto prazo como um possível caminho para se atingir a revolução. Por isso, é completamente infundado e incorreto afirmar que os anarquistas desejam abolir o Estado imediatamente como num “passe de mágica” ou “por decreto”. Aliás, a última coisa que os anarquistas acreditam é numa revolução feita por decreto, em parlamentos burgueses ou na via institucional. Os anarquistas sabem que qualquer luta contra o capitalismo deve partir de necessidades materiais e as lutas de curto prazo, nesse sentido, constituem ferramentas privilegiadas. Qualquer luta contra um adversário desse porte envolve a busca permanente de força social. E no parlamento não é possível gerar o antagonismo necessário para a superação do capitalismo, apenas uma oposição. Era isso que a estratégia sindical dos anarquistas defendia dentro dos sindicatos revolucionários do início do século e é isso que fazem hoje a maioria dos anarquistas organizados em movimentos populares, rurais e sindicatos na construção do que chamamos de poder popular. Os anarquistas históricos chamavam essa etapa de “ginástica revolucionária”, que era a conquista das necessidades populares a partir da luta, da ação direta, sempre visando à destruição final do sistema capitalista e do Estado. Pois se o Estado é produto de um determinado contexto histórico e de afirmação do capitalismo, sua existência reintroduz a dominação política e reforça a dominação econômica. Por isso, Bakunin entende o Estado como a forma específica de organização das classes dominantes. E mais: além de defender os interesses das classes dominantes, ele possui a capacidade estrutural de selecionar membros de diversas classes e transformá-los em uma classe dominante particular, a burocracia. Assim, para ele, os trabalhadores não podem utilizar o Estado como meio para atingir uma sociedade socialista e libertária visto que fazendo isso, no máximo, o que se pode atingir é a transformação de um restrito setor dos trabalhadores numa nova classe dominante. Qualquer Estado implica dominação e existência de classes sociais. Portanto, para um projeto de emancipação, os anarquistas defendem uma coerência estratégica que subordina as táticas à estratégia e esta ao objetivo finalista, de maneira que por meios libertários e igualitários se possa caminhar a uma sociedade libertária e igualitária, ou seja, de fato, socialista. Para Bakunin, o Estado não deve ser substituído por uma organização “ideal”, mas pela organização de classe dos trabalhadores; em seu tempo, pelas estruturas de base da Internacional. Não se trata de um sistema perfeito, mas que é criado a partir da experiência histórica e concreta da classe trabalhadora.

Mapa produzido pelo pesquisado sulafricano Michael Schmidt mostra os intentos revolucionários do anarquismo ao redor do mundo,

Mapa produzido pelo pesquisado sulafricano Michael Schmidt mostra os intentos revolucionários do anarquismo ao redor do mundo,

O anarquismo, muito distante de imaginar “uma revolução e um homem ideal”, sempre partiu de realidades e contextos reais para fazer política. Se não fosse desse jeito, sua extensão e impacto históricos não teriam sido tão amplos: presente desde 1868 aos dias de hoje, e com presença registrada nos cinco continentes. A principal tarefa à qual se dedicaram os anarquistas foi a construção de sindicatos revolucionários e a participação nesses sindicatos. Portanto, ignorar as manifestações do anarquismo nos movimentos populares, em especial no seio do sindicalismo de intenção revolucionária, implica amputar do anarquismo sua principal manifestação histórica: a luta econômica e social.

O sindicalismo revolucionário que é sua principal estratégia histórica foi hegemônico em distintos países: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Cuba, França, Paraguai, Peru, Portugal e Uruguai. O anarquismo protagonizou episódios revolucionários no México (1910-1911), na Espanha (1936-1939), na Ucrânia (1919-1921) e na Manchúria (1929-1931). O anarquismo teve uma participação importante e relevante em processos de luta na África do Sul, Alemanha, Argélia, Austrália, Bulgária, Canadá, China, Egito, Equador, Estados Unidos, Grécia, Inglaterra, Itália, Japão, Namíbia, Nigéria, Nova Zelândia, Rússia, Suécia, Venezuela, Zâmbia e Zimbábue. Pode-se dizer que o anarquismo se constituiu como uma expressão de massa em diversos e variados casos, mesmo tendo sido combatido por governos comunistas e capitalistas e a despeito de sua história ter sido mascarada e distorcida por muitos acadêmicos marxistas e liberais. Os anarquistas não estiveram apenas envolvidos em lutas no início do século e o anarquismo não morreu nas barricadas da guerra civil espanhola. Os anarquistas estiveram envolvidos ativamente nas lutas contra o fascismo e o stalinismo na Bulgária, na Revolução Cubana, na resistência armada à ditadura uruguaia (OPR-33 e FAU) e argentina (Resistência Libertária). Envolveram-se nas lutas do Maio de 68, nos movimentos de libertação africanos e argelinos, na Comuna de Oaxaca em 2006 e para dizer o óbvio, nas últimas décadas e lutas populares do Brasil.

O anarquismo, ao contrário dos detratores mal informados ou mal intencionados, não é uma ideologia restrita a estudantes ou a “pequena-burguesia”. O anarquismo mobilizou em especial o proletariado urbano (operariado), mesmo que trabalhadores dos campos, campesinato, marginalizados e pobres em geral tenham sido mobilizados permanentemente e reforçado a noção de sujeito revolucionário plural do anarquismo, que se forja no seio da luta de classes. Como parte de um estudo de mais de 10 anos, Michael Schmidt realiza uma comparação entre 27 localidades com significativa presença histórica anarquista. Ele demonstra que os anarquistas mobilizaram historicamente trabalhadores industriais, rurais e camponeses. Em 19 dessas localidades, as bases do anarquismo estão nas cidades, entre os trabalhadores da indústria, correspondendo a 70% dos casos em questão; em oito delas, as bases do anarquismo estão nos campos, principalmente entre camponeses, correspondendo a 30% dos casos.

Por fim, o anarquismo também não é negação da política, do poder. Os anarquistas defendem uma determinada concepção de política e de poder. O que os anarquistas condenam é um determinado tipo instituído de relação de poder, que é a dominação (econômica, política, social), cujo pilar não é apenas o sistema de produção capitalista, mas também o Estado, a religião, a educação dominante, o imperialismo, a dominação de gênero e de raça. Nessa crítica, a dominação de classe possui grande relevância. Além da crítica do sistema de dominação, os anarquistas elaboram a defesa de um sistema de autogestão e das estratégias capazes de promover a transformação social de um sistema para outro. O poder para os anarquistas está na tomada das fábricas, dos bairros, dos meios de produção, das minas, das ruas e finalmente no que os zapatistas chamam de “povo em armas”. Beira a calúnia insinuar que o anarquismo defenda pequenas unidades econômicas sem articulação umas com as outras, como se o anarquismo (insinuam os críticos) não fosse adequado para as grandes cidades industriais. Afirmar que o anarquismo defende o pleno governo do “indivíduo” e a liberdade irrestrita é o discurso que a burguesia construiu contra nós e que infelizmente alguns “socialistas” e oportunistas compraram e vendem em seus jornais. A concepção de liberdade do anarquismo sempre foi social e choca-se com a existência do capitalismo. “Ser coletivamente livre é viver no meio de homens livres e ser livre pela liberdade deles” afirmou Bakunin. Não é possível para os anarquistas, portanto, ter liberdade no capitalismo enquanto o outro é escravo.

É falso dizer que os anarquistas não têm idéias bem definidas a respeito da economia ou da sociedade. Essas idéias foram postas em prática na Espanha e em outros processos revolucionários. Na Espanha em 1936, trens, ônibus, cinemas e 70% da produção industrial de sua região mais industrializada foi autogerida pelos trabalhadores com sucesso, mesmo num contexto de guerra civil e de luta contra o fascismo. Não se pode dizer que não houve problemas, mas os anarquistas não pretendem resolver “idealmente” todos os problemas antecipadamente, pois sabem que muitas das questões deverão ser resolvidas pelo próprio povo. E que nos processos revolucionários, mesmo as idéias mais bem determinadas e delineadas (como a de Engels, que achava que quando os comunistas tomassem o Estado sua abolição ia ser lenta e gradual) são constantemente superadas pela realidade dos fatos (Stálin, URSS). A luta popular e a auto-organização dos trabalhadores mostram que vale à pena lutar e caminhar com o anarquismo. Ele é um guia importante para os trabalhadores e assim o será, gostem seus detratores ou não.

REFERÊNCIAS

 BAKUNIN, Mikhail. Escritos de Filosofía Política II. In: KCL. [http://www.kclibertaria.comyr.com/lpdf/l105.pdf]

BERTHIER, René. Do Federalismo. São Paulo: Editora Imaginário, 2011.

CORRÊA, Felipe; SILVA, Rafael Viana da. “Anarquismo, Teoria e História”. In: ITHA, 2013. [http://ithanarquista.wordpress.com/2013/09/22/correa-silva-anarquismoteoriaehistoria/]

COORDENAÇÃO ANARQUISTA BRASILEIRA. Distintas Abordagens Teóricas dos Anarquistas: a relação entre as esferas sociais. No Prelo.

FABRRI, Luigi. “Influencias Burguesas sobre el Anarquismo”. In: Anarkismo.net, 2009. [http://www.anarkismo.net/article/14546]

FARJ. Anarquismo Social e Organização. Rio de Janeiro: Editora Faísca, 2008.

LÓPEZ, Fabio López. Poder e Domínio: uma visão anarquista. Rio de Janeiro: Achiamé, 2001.

Ata do Lançamento dos livros “Negras Tormentas…” e “Além de Partidos e Sindicatos” – dia 27/08/11

Retirado de:

http://www.cabn.libertar.org/?p=39

Florianópolis, 28/08/11

SEEB – Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários, 17:00 horas

Nos dias 26, 27 e 28 de agosto foi realizado nas cidades de Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre respectivamente, o lançamento do livro de Alexandre Samis, “Negras Tormentas: o Federalismo e o Internacionalismo na Comuna de Paris”, editado pela Hedra. Tivemos a satisfação de realizar a primeira atividade oficial do Coletivo Anarquista Bandeira Negra que contou com aproximadamente 50 pessoas. O debate dos autores foi mediado pelo compa Khaled que também apresentou o CABN e sua Carta de Princípios.

O livro de Samis traz de volta à luz uma das maiores experiências de organização da classe trabalhadora que pela autogestão formaram durante dias “o último levante de massas” e o primeiro episódio da luta pelo internacionalismo proletário. Segundo o Professor Wallace dos Santos, na apresentação de sua orelha, este livro “deve ser saudado com uma grande festa, tanto pela comunidade acadêmica como pelos leitores em geral.” Em sua apresentação, Alexandre Samis explica como o episódio da Comuna foi reconhecida como um processo de acumulação das reivindicações revolucionárias naquele período do século XIX. Sistematicamente ele analisa, clara e objetiva, como se dão os conceitos de internacionalismo e federalismo, destacando assim, a definição da autogestão com propósito de transformação social radicalizada. Este livro marca os 140 anos da Comuna de Paris, bem prefaciado por René Berthier, francês e pesquisador da Comuna. Alexandre Samis é doutor em História pela Universidade Federal Fluminense e professor do Colégio Pedro II. Também escreveu os livros Clevelândia: anarquismo, sindicalismo e repressão política no Brasil (Imaginário/Achaimé, 2002) e Minha pátria é o mundo inteiro: Neno Vasco, o anarquismo e o sindicalismo revolucionário em dois mundos (Letra Livre, 2009).

Como evento misto, tivemos a participação especial do nosso companheiro José Carlos Mendonça, pesquisador e técnico do Laboratório de Sociologia do Trabalho (LASTRO-UFSC) que também está lançando o livro “Alem de Partidos e Sindicatos: Organização Política em Anton Pannekoek”, editado pela Achiamé também este ano.

A duração do debate teve em quase 3 horas participações de estudantes, militantes de movimentos sociais e interessados em geral. Para a primeira apresentação do Coletivo Anarquista Bandeira Negra, esta atividade buscou contemplar e amplificar a divulgação de autores que seguem a linha pela transformação social na medida em que se discuta abertamente os contextos sociais e políticos, passado e presente, para novos núcleos formadores. O objetivo do CABN é a longo prazo a confluência, a nível social e político, catalização das frentes de luta junto aos movimentos sociais. Nascendo assim de forma minoritária mas solidificante, para construir a nossa prática e estratégica dentro dos preceitos do anarquismo especifista.Uma lista de presenças foi passada com o intuito das pessoas interessadas nas futuras atividades desenvolvidas pelo CABN estarem informadas. Também estavam à disposição de venda a preços módicos os exemplares de ambos livros.

Com o fim desta atividade que não seja considerada um fato isolado propomos que um novo encontro seja organizado pelo CABN a fim de ampliar novos debates para uma formação mais concreta da pró-organização específica anarquista em Florianópolis, para que se somem e contribuam junto ao FAO – Fórum do Anarquismo Organizado. Desta forma, fica agendada um próximo encontro para o dia 24/09.

Longa Vida ao Coletivo Anarquista Bandeira Negra!

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