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[CURITIBA] 1º de Abril, descomemoração dos 50 anos de ditadura!

Ontem, 1º de abril, dia que o golpe militar “comemorava” 50 anos, o CALC-CAB fez parte da agenda de ações que servem para mostrar que não esquecemos e não perdoamos os crimes do Estado.

Em ato organizado pelo Coletivo Anarquista Luta de Classe e demais organizações e entidades que fecharam com a pauta de denúncia aos crimes da ditadura (Centro Acadêmico Hugo Simas, Coletivo Quebrando Muros, Levante Popular da Juventude, Partido Comunista Brasileiro,  Partido Socialismo e Liberdade, RUA e Coletivo Tarifa Zero Curitiba) mostramos que esta data não seria comemorada, mas sim lembrada.

O ato foi marcado pelo escracho e posterior retirada do busto de Flávio Suplicy de Lacerda, ex-Reitor da UFPR que tentou instaurar mensalidades nas universidades públicas durante a ditadura (isto é, privatizar o acesso) e que foi o Ministro da Educação responsável pelo acordo MEC-Usaid, bem como de perseguição muito ferrenha aos estudantes (saiba mais aqui: ATO: 50 anos de ditadura e a repressão continua!). A estátua ainda foi arrastada pelas ruas da cidade, como fizeram os estudantes em 1968 na luta contra as mensalidades.

Suplicy arrancado

Durante a noite, o CALC marcou a data com a mesa “NEM ESQUECER NEM PERDOAR! 50 anos do Golpe Militar: a repressão ontem e hoje”.

Compuseram a mesa: o Professor Doutor da UFPR Adriano Nervo Codato (membro da Comissão da Verdade), Augusto e Leonardo, militantes do CALC. Foi discutido o histórico da ditadura, seus reflexos na atualidade, seus resquícios e a retomada de alguns elementos do Estado de exceção no período após jornadas de junho de 2013. Não poderíamos deixar de fazer lembrar das recentes perseguições que nossos companheiros da organização irmã Federação Anarquista Gaúcha vem sofrendo (a FAG teve sua sede invadida algumas vezes pelo poder estatal, militantes perseguidos na rua e o filho de uma militante assediado por um policial à paisana), assim como a repressão que os pobres, negros e marginalizados nunca deixaram de sofrer. O evento teve um bom público, por volta de 40 pessoas.

Foto Suplicy escrachado

JAMAIS ESQUECER, NEM PERDOAR!
NENHUM PERDÃO AOS CRIMES DO ESTADO!
LUTAR! CRIAR PODER POPULAR!

[CURITIBA] ATO: 50 anos de ditadura e a repressão continua!

Quando: 1º de abril (terça), 12 h.

Onde: Reitoria UFPR

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Há exatos 50 anos, iniciou-se no Brasil um período marcado pelo autoritarismo e repressão: o Regime Militar. Instaurado no dia 1 de abril de 1964, através de um golpe militar pôs fim ao período Populista do até então presidente João Goulart. O golpe de estado foi apoiado pelos setores conservadores da sociedade, que temiam a implantação da reforma de base, alegando que tal medida despontaria numa ditadura comunista. O então chefe do Estado-Maior do exército, Mal. Castelo Branco, um dos principais articuladores do golpe de 64, é eleito presidente pelo Congresso, o primeiro dos cinco que estiveram no poder durante os 21 anos de ditadura militar no Brasil. O plano político do regime era marcado pelo autoritarismo, supressão dos direitos civis, censura prévia aos meios de comunicação e pelas prisões torturas e assassinatos Aqueles que fossem opositores aos golpistas deveriam ser presos. Diversos militantes da esquerda tiveram de se exilar, suas casas foram invadidas, pois qualquer ligação à esquerda ideológica era considerada como uma ameaça ao regime instaurado. Centenas foram mortos pelas forças armadas ou são dadas como desaparecidas até hoje.

Os movimentos sociais passaram a agir na clandestinidade, à margem do governo ditatorial. E temos na ditadura, na linha de frente no combate e represão aos movimentos sociais, em especial o movimento estudantil, um conhecido da comunidade acadêmica da UFPR, o até então reitor da UFPR, Flávio Suplicy de Lacerda, torna-se ministro da educação e decreta a extinção das entidades estaduais e a UNE. As decisões repressivas do governo tornavam a revoltas entre os estudantis ainda maiores. Foi com o AI-5 (que por ato do presidente podia supender o legislativo e judiciário, o executivo ainda podia suspender direitos políticos e a censura aumenta) e o fechamento do Congresso. Por conta desta agenda ainda mais conservadora do Marechal Costa e Silva (segundo ditador), muitos estudantes decidiram aderir à luta armada nos anos seguintes, muitos passaram a compor grupos radicais de resistência, participando de assassinatos, sequestros e assaltos a bancos e supermercados, para financiar as lutas armadas contra o regime militar.

O ministério da educação, sob comando de Suplicy, assinou diversos acordos com a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), e nos relatórios de 1965 a 1968 eram indicados que as instituições buscassem formas alternativas para financiar a educação (ou seja que fossem privatizadas), sem falar que se sugeriam reformas que tornariam nossos cursos superiores tecnicistas. Suplicy tinha ainda no ministério a função de acabar com o Movimento Estudanti, e não exitou em intensificar a perseguição. Como se não basta-se, em 1967, de volta a cadeira de reitor, o ex- ministro da educação, Flavio Suplicy, tenta estabelecer uma taxa de anuidade aos estudantes ingressos na instituição a partir do vestibular daquele ano. O movimento estudantil, organizado realizou uma ampla campanha contra a cobrança da anuidade entre os universitários e secundaristas e por meio de forte mobilização barra as movimentações.

Atualmente temos visto que a repressão continua. Nas manifestações são presos centenas, pelo simples fato de protestar contra esta injusta ordem. Todos os dias vemos “pinheirinhos” serem despejados com uma grande truculência. Greves, como a emblematica greve dos garis no Rio de Janeiro são tratadas como caso de polícia. Temos ainda AI-5 da copa (lei geral da copa) que transforma manifestantes em terroristas, podendo os colocar na prisão pelo período de 2 a 5 anos pelo simples ato de se manifestar durante a copa.

Não avistamos nenhuma homenagem, nenhum monumento aos bravos estudantes lutadores que impediram a implementação de mensalidades na UFPR, e nenhuma homenagem aqueles que entregaram sua vida para lutar contra a ditadura temos em nossa cidade. Todavia encontramos em nosso pátio uma vistosa estátua de Suplicy, e por todas cidades vemos homenagens a estes homens responsáveis por este regime atroz que foi porporcionado pelo golpe militar. A repressão ainda continua dura a quem decide por não se calar as injustiças.

Por isso convocamos a todxs a relembrar este dia que foi o do golpe militar com luto para os que se foram e luta.

NÃO PASSARÃO!

BASTA DE CRIMINALIZAÇÃO AOS MOVIMENTOS SOCIAIS!

ATO POLÍTICO NA REITORIA, DIA 1 DE ABRIL, 12:30.

FIRMAM ESTE ATO:

CAHS-Centro Acadêmico Hugo Simas

CALC- Coletivo Anarquista Luta de Classe

CQM- Coletivo Quebrando Muros

LPJ- Levante Popular da Juventude

PCB- Partido Comunista Brasileiro

PSOL- Partido Socialismo e Liberdade

RUA-

CTZ- Coletivo Tarifa Zero Curitiba

[CURITIBA] NEM ESQUECER NEM PERDOAR! 50 anos do Golpe Militar: a repressão ontem e hoje – Evento no dia 1º de abril

O Coletivo Anarquista Luta de Classe convida todxs a participarem do debate “NEM ESQUECER NEM PERDOAR! 50 anos do Golpe Militar: a repressão ontem e hoje”.

No próximo 1º de abril, completam-se exatos 50 anos do Golpe Militar no Brasil, o início de um período marcado pela repressão militar frente aos movimentos sociais e organizações de esquerda na luta pela redemocratização. Justamente neste marco simbólico de 50 anos do pontapé para a Ditadura Militar vivemos um período em que a criminalização e a forte repressão às mobilizações repercutem com frequência na sociedade. Este fato não deve ser apagado de nossa história e muito menos devemos perdoar os crimes cometidos durante a Ditadura, pois o que se viu ontem e o que se vê hoje estão longe de serem fatos isolados!

Para o debate estarão presentes:
Adriano Codato, professor de Ciência Política da Universidade Federal do Paraná
Leonardo Micheleto, Historiador
Augusto Salmon, graduando de Direito na Universidade Federal do Paraná

O debate acontecerá no 9º do prédio Dom Pedro I, na Reitoria da UFPR. A sala é a 914, no final do corredor. Convidem outras pessoas e compareçam para contribuir com o debate!

[FAG] Uma escalada repressiva sem disfarces!

Retirado de: http://www.federacaoanarquistagaucha.org/?p=324

Conselho Federal da FAG – 16/03/2014

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Na manhã de sexta-feira, dia 14/03, a esquerda porto-alegrense novamente amanheceu sobre uma intensa investida do aparelho repressivo do governo do Estado em conluio com a RB$ e seus plantadores de factóides de plantão. Na manhã desta sexta a Polícia Civil indiciou sete companheiros do Bloco de Lutas como conseqüência do inquérito aberto no 1. de Outubro do ano passado, quando a mesma invadiu o espaço de nossa organização, o Ateneu Libertário, o Espaço Cultural Libertário Moinho Negro, o Assentamento Urbano Utopia e Luta, além de residências de militantes do PSTU e do PSOL. Esse inquérito buscava investigar casos de “depredações e saques” nas jornadas de junho.

Como era de se esperar, as acusações do inquérito, para além de absurdas e ridículas, refletem a determinação com que jogam juntos o Governo Tarso/PT, os oligopólios da imprensa, com especial destaque à RB$ e setores empresarias como a máfia do transporte, para quebrar e silenciar, seja como for, as expressões de luta e resistência que com vigor começaram a ganhar a cidade e o país desde o último ano. Os sete companheiros que hoje são alçados como bodes expiatórios respondem pelos “crimes” de “posse e emprego de explosivos, furto qualificado, dano simples e qualificado, lesão corporal e constituição de milícia privada.” 

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A montagem de um factóide que procura criar um espantalho no afã de semear o pânico e o ódio entre a população contra as lutas que se desenvolvem na cidade foi elaborada minuciosamente pelos algozes de turno de forma a concluir as acusações com uma grande catarse: “constituição de milícia privada”. Com esse arsenal contra as lutas sociais o “progressista” governo Tarso/PT pretende inaugurar no plano jurídico a nefasta portaria do Ministério da Defesa de “Garantia da Lei e da Ordem”, encaminhada pelo também “progressista” governo Dilma/PT. 

No entanto, cabe ressaltarmos que essa investida vai muito além do indiciamento momentâneo destes companheiros e da então investida do 1 de Outubro. Trata-se de uma ampla conspiração, rigorosamente planejada nas salas de redação da RB$ e em menor grau dos demais veículos do oligopólio da comunicação em conjunto com o aparelho repressivo. Os vizinhos da Avenida Ipiranga são colaboradores natos há mais de 50 anos! Assim como na então ditadura civil-militar, nos atuais dias de democracia burguesa operam em conjunto como um elemento de choque do sistema de dominação capitalista, perseguindo e montando factóides contra militantes sociais diuturnamente.

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Ali, entre algumas quadras da Avenida Ipiranga com a Érico Verissimo e João Pessoa está o ninho das serpentes, dos saudosistas de seus áureos tempos de ditadura de segurança nacional, onde a política era um assunto para técnicos “bem qualificados”, onde trabalhador deveria trabalhar e estudante estudar! Buscam hoje, estas mesmas serpentes, comemorar em bom estilo os 50 anos de sua façanha histórica com o atual inquérito e com o que pretendem fazer vir diante do mesmo.

A notícia do indiciamento dos 07 companheiros foi apontada na manhã de sexta com grande entusiasmo pela Zero Hora/RB$ através de Carlos Rollsing, Carlos Wagner e Humberto Trezzi “jornalistas” que de forma sistemática buscam forjar consensos e pavimentar o caminho para uma ferrenha fuzilaria repressiva contra os lutadores sociais. Mais tarde a notícia era veiculada no Jornal Nacional da Rede Globo, onde os nomes completos dos companheiros indiciados eram citados. Ao longo de 2013, em meio as intensas jornadas de luta que, com altos e baixos, seguiram com firmeza exemplar por todo o ano, tendo sua feliz procedência até os dias atuais, estes e outros “jornalistas”, plantaram e replantaram factóides à exaustão nas páginas do aparelho ideológico que é Zero Hora.

Rollsing, o grande dirigente do trio, chegou a afirmar em matéria assinada no 14/06/2013 que os “atos de violência” estavam “liderados por anarquistas com traços sociopatas[1]” para cinco dias depois, 19/06, afirmar que “grupos de anarquistas internacionais estão orientando os líderes do movimento em Porto Alegre a adotar táticas de guerrilha[2]”. Nenhuma linha sobre as chuvas de bombas de gás, efeito moral, de pessoas sendo arrastadas pelos cabelos nas ruas pela cavalaria da Brigada, das torturas feitas nos camburões dentre outras fartas denúncias amplamente documentadas e difundidas na internet por parte deste “rigoroso jornalista investigativo”. No dia seguinte, 20/06, algumas horas antes do ato fortemente reprimido pela BM na Avenida Ipiranga para defender o solo sagrado da RB$, nosso local público, o Ateneu Libertário, era arrombado e pilhado por agentes da Polícia Civil e da Brigada Militar sem nenhum mandado judicial. Na incursão, aprenderam parte expressiva de nossa biblioteca junto ao cadastro de seus sócios (nunca é demais recordar os traços facínoras da então empreitada) que, posteriormente foram apresentados pelo chefe da Polícia Civil Randolfe Vieira Jr como provas de crime “aprendemos vasta literatura anarquista” afirmava orgulhosamente o delegado. Como sequência da provocação, posteriormente a Polícia civil devolveu 3 exemplares de dezenas roubados, na casa de um companheiro como forma de intimidação pessoal. Além disso, também aprenderam tintas e solventes utilizados para a diluição das mesmas, as quais utilizamos para pintura de faixas e de nosso local, apresentando-os como “artefato explosivo”.A conspiração das páginas de Zero Hora atingia sua meta!

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Uma semana depois, Trezzi ocupou as páginas para perguntar e responder: “Quem são os anarquistas[3]?”, com o direito a entrevista de um personagem imaginário que conclui a mesma afirmando ao “entrevistador”: “Um dia tu vai ser degolado, rapaz.” Resgatando a intervenção final no ato político convocado por nossa organização após a incursão do 1 de outubro “Naquela pérola da página 11, dia 29 de julho, em Zero Hora o Sr. Humberto Trezzi chamou uma manchete para contar quem são os anarquistas, fez um parágrafo sorteando chavões achados em vista grossa pelo facebook, a Wikipédia ou a busca do Google e logo tornou ao seu lugar de ofício nas crônicas policiais. A matéria estava premiada com o factóide de uma entrevista com “militante anônimo”, uma ode a estupidez de fazer inveja as piores e mais escabrosas redações de Veja.” Mais adiante afirmávamos “francamente não quis falar de anarquismo, tampouco teria essa liberdade de imprensa se assim o quisesse, quis falar de polícia, convocar a fuzilaria conservadora e arranjou espantalhos para assustar os protestos, ao gosto da política do grupo RBS[4].”

Como estes, muitos foram os factóides plantados nas redações de RB$ no intuito de atiçar a repressão como foi o caso de Rosane de Oliveira acusando explicitamente os 03 companheiros professores presos às vésperas da incursão do 1 de Outubro em uma grotesca montagem policial para responsabilizá-los pela depredação do museu Júlio de Castilhos ao final de um ato[5], assim como da matéria que expôs suas respectivas fotos[6]. Mais recentemente tivemos seu veterano Paulo Sant’Ana disparando ódio contra os rodoviários ao chamá-los de canalhas[7], até porque, vejam só, a greve da categoria dificultava a locomoção de sua empregada doméstica para garantir a limpeza de sua Casa Grande! Realmente um grande drama, “um lamento profundo que percorreu a alma” deste nobre senhor[8].

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Pouco após a histórica e digna greve dos rodoviários o mesmo trio que divulgou/comemorou o indiciamento dos companheiros do Bloco de Lutas plantava um novo factóide, dessa vez afirmando que “líderes de grupos radicais, que teriam contatado patrões do tráfico dos bairros Bom Jesus, Cruzeiro e Vila Conceição. A proposta seria de que jovens dessas regiões fossem enviados aos protestos, com a promessa de ter liberdade para saquear e furtar.” Em meio a matéria reaparece um senhor chamado Gilberto Thums, procurador de justiça e professor da Faculdade Escola Superior do Ministério Público que afirma estar convicto de que as investigações caminham para “comprovar vínculos que até agora eram só suspeita[9].” Thums é o mesmo que durante o Governo Yeda Crusius/PSDB , à frente do Ministério Público fez o possível e o impossível para colocar o MST na ilegalidade no Estado[10]. Hoje, assume na surdina a conspiração contra o Bloco de Lutas. Ao final da matéria na edição impressa (não se encontra na virtual) o brinde é uma cronologia sobre “a escalada de violência” onde dentre diversos acontecimentos citam o 20/06 afirmando “Polícia Civil, em conjunto com BM, fez buscas na sede da Federação Anarquista Gaúcha. O lugar guardava materiais utilizados em confrontos. Foram aprendidos equipamentos de pichação, tintas e produtos inflamáveis.” A insinuação ao leitor é clara: estes aqui são os “radicais”!

Exemplos como estes, caracterizam a história deste famigerado meio de desinformação, a lista de factóides com pretensões de verdade dos aprendizes de Joseph Goebbels vai ao infinito.

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É na esteira desta ampla campanha com vistas a forjar um consenso e impor uma ordem marcada pela pasmaceira de um povo obediente frente aos desmandos e abusos dos de cima, de garantir uma “esquerda” domesticada ao calendário eleitoral, de transformar os atos em meras manifestações cívicas com propósitos conservadores, que temos o indiciamento de nossos companheiros. Essa mesma campanha hoje se estende em todo o país, com uma intensa guerra psicológica que estes meios vem desatando contra a esquerda que resiste ao pacto social costurado pelo governo de turno em aliança com as classes dominantes e as burocracias de diversos movimentos sociais que cada dia mais vão perdendo o seu vigor para se assimilarem a meras ONGs.

A morte do cinegrafista Santiago Andrade em um estúpido acidente no Rio de Janeiro é o maior exemplo de como essa guerra psicológica vem sendo travada em escala nacional, sendo hoje o grande mote para se justificar a aprovação da famigerada lei antiterrorista com a qual pretendem impedir que os setores populares e a esquerda superem a trágica dispersão e desorganização que os caracterizaram nos últimos anos, abrindo um novo ciclo de lutas marcado por uma outra cultura política, que não esteja enraizada em ilusões institucionais, mas sim no protagonismo popular, na ação direta e trabalho de base de todos os dias.

Por estas campanhas pretendem dar a autorização para os indiciamentos e infiltrações que chegaram ao cúmulo de intimidar crianças como vimos por aqui, assim como o emprego das tropas “ninja” que protagonizaram um espetáculo grotesco em um ato que reivindicava o “Não vai ter copa!” no 22/02 em São Paulo; “ninjas” estes que já foram aclamados pelo governo Dilma/PT, quando estiveram reunidos o Governador Geraldo Alckmim (PSDB/SP) e seu Secretário de Segurança Pública Fernando Grella Vieira no Palácio do Planalto com o Ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, dos Esportes Aldo Rebelo e da Defesa Celso Amorim. Para tratar de exportar o “eficiente” modelo de repressão inovado pelos “tucanos da direita” os ministros “progressistas de esquerda” não perderam tempo e foram de imediato saudar a eficiente metodologia de seus primos. 

Em meio a esse clima de intensa guerra psicológica os atuais governos “progressistas” (estadual e federal) tomam carona de forma entusiasmada, fazendo assim uma dobradinha com os oligopólios da imprensa, os mesmos que de forma reiterada acusam de sabotá-los e criar um ambiente golpista.Enquanto a grande imprensa denuncia e planta factóides os governos Tarso e Dilma não vacilam em seguir o bonde e autorizar mandados de busca e apreensão, indiciamentos farsantes, infiltrações, intimidações a crianças, tropas ninja e tudo mais que seja necessário para garantir seu pacto social neo-desenvolvimentista e a sua comemoração a partir dos mega eventos, copa do mundo e olimpíadas. O fazem sem deixar de perder a oportunidade em opinar sobre os desafios da esquerda para a nova etapa, sobre o nefasto papel dos oligopólios de comunicação, e tantas outras análises que suas respectivas mentes criativas o permitem na busca de se criar uma cortina de fumaça sobre seu real caráter político e de classe. 

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Frente a escalada repressiva que vem se acentuando a passos largos, cabe a nós, companheiros e companheiras da esquerda que não se rendeu ao pacto social e a mesquinharia dos cálculos eleitorais que visam condicionar o desenvolvimento das lutas à eleição de parlamentares, seguir firme e sem vacilações em nossa respectiva agenda de lutas. Não se intimidar, não se desmobilizar e rodear de solidariedade todos aqueles que lutam, sem o pernicioso e covarde sectarismo que pretende defender apenas os militantes de suas respectivas organizações e afirmar que não estão presentes “naquela confusão” é a tarefa que devemos assumir e nos atirar com todas as nossas energias.

Desmontar o espantalho da RB$ e do inquérito policial!

Basta de criminalização do protesto! Nenhum lutador social sem solidariedade!

Lutar e vencer fora das urnas! Com ação direta popular!

Sempre com os que lutam!

Federação Anarquista Gaúcha – FAG

[1]Carlos Rollsing: Uma causa que une grupos.http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/noticia/2013/06/carlos-rollsing-uma-causa-que-une-grupos-4169908.html

[2]Carlos Rollsing. Violência em protestos no Rio Grande do Sul preocupa o Palácio Piratini. http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/noticia/2013/06/violencia-em-protestos-no-rio-grande-do-sul-preocupa-o-palacio-piratini-4175283.html  

[3] “Estranhamente” a matéria não se encontra mais no site da Zero Hora, mas foi reproduzida alguns outros sites. Ver: Humberto Trezzi.http://www.defesanet.com.br/riots/noticia/11341/ANARQUISTAS—Nossa-bandeira-e-a-revolucao/

[4] FAG. http://www.federacaoanarquistagaucha.org/?p=78

[5] Rosane Oliveira. Vandalismo não combina com professores.http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/geral/noticia/2013/10/rosane-de-oliveira-vandalismo-nao-combina-com-professores-4287609.html

[6] Cid Martins, Guilherme Pulita e Jocimar Farina. Professores são indicados por vandalismo na catedral e em museu em protesto na Capital.http://wp.clicrbs.com.br/casodepolicia/2013/10/01/professores-sao-indiciados-por-vandalismo-na-catedral-e-em-museu-durante-protesto-na-capital/?topo=52,1,1,,171,77

[7] Paulo Sant’Ana. É uma greve canalha.http://videos.clicrbs.com.br/rs/zerohora/video/paulo-santana/2014/02/uma-greve-canalha-diz-santana/62600/

[8] Paulo Sant’Ana. Um milhão de dramas.http://videos.clicrbs.com.br/rs/zerohora/video/paulo-santana/2014/02/milhao-dramas-diz-santana/62252/

[9] Carlos Rollsing, Carlos Wagner e Humberto Trezzi. Radicais teriam aliciado criminosos para protestos de 2013 em Porto Alegre.http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/geral/noticia/2014/02/radicais-teriam-aliciado-criminosos-para-protestos-de-2013-em-porto-alegre-4420666.html

[10] Eduado Scolese. Conselho de promotores do RS pede fim do MST.http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc2406200824.htm

[CTZ – CURITIBA] Ato do dia 20: Frente de Luta pelo Transporte e Coletivo Tarifa Zero são recebidos pela polícia de Fruet

Ontem dia 20 de fevereiro, foi o dia do primeiro ato contra o aumento da tarifa. Compareceram pouco mais de 200 pessoas nas ruas, para alertar Fruet que as ruas não vão tolerar mais um aumento da tarifa.

Em nossa segunda tentativa de “encontro” com Fruet, mais uma vez esbarramos em seus “cães de guarda”, a GOE (Grupo de Operações Especiais da Guarda Municipal), que na verdade, não é nada mais que um batalhão de choque da GM. Eram mais de 50 guardas para receber uma manifestação que foi pacífica de seu inicio ao final. Mais uma vez fica comprovado que violento é o Estado que trata os movimentos sociais como caso de polícia, sem falar na violência que é a administração do transporte público, violência ao bolso do usuário e violência com aqueles que sequer podem acessar o transporte pelo seu preço, isto é são excluidos daquilo que lhes é um direito, em nome do lucro e ganância do empresariado.

Foto: Ellen Miecoanski

Fruet demonstra que o unico dialogo que esta disposto a traçar com os movimentos sociais é a base de “porrete e a borracha”. Ao mesmo tempo, porém encobre o crime do empresariado, os quais se tem comprovado em três relatórios do poder público (relatório do TCE, CPI do Transporte e Relatório da comissão de análise da tarifa da URBS) administram o transporte coletivo de Curitiba de maneira criminosa. Estes criminosos provavelmente tem lugar cativo na prefeitura, afinal pagam as campanhas eleitoriais de nosso prefeito Fruet, mais que isso tem a Guarda Municipal a sua disposição para defender seus interesses.

Tais fatos somente afirmam, mais uma vez, que Fruet é cumplice nos crimes de cartel (mais de 70% do transporte esta nas mãos de uma familía o que faz os contratos ilegais) e como citado a tarifa é superfaturada ao menos em 0,40 centavos. Deste modo podemos afirmar, temos uma quadrilha formada por Fruet e empresas do transporte (Familía Gulin) administrando o transporte de nossa cidade, e mais tal quadrilha ainda dispõem de um braço armado que é a guarda municipal, para defender seus interesses.

Nós do Tarifa Zero temos somete uma certeza, as ruas não irão se calar diante de mais este abuso, nossa promessa esta mantida SE A TARIFA AUMENTAR CURITIBA VAI PARAR!

Ellen Miecoanski/Gazeta do Povo

II Ato contra o Aumento da Tarifa: Se a tarifa aumentar Curitiba vai parar!

Onde: Boca Maldita.

Quando: Dia 26 de fevereiro, a partir das 18h.

[FAG] (Santa Maria) NÃO SE INTIMIDAR, NEM SE DESMOBILIZAR! REVOGAR O AUMENTO DA TARIFA PELA FORÇA DAS RUAS!

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A luta pelo transporte público em Santa Maria entrou num novo, duro e repressivo momento. Isso por que de forma despótica e anti povo, o prefeito César Schirmer  em beneficio da ATU (Associação de Transportadores Urbanos), aprovou criminosamente o aumento do preço da tarifa de 2,45 para 2,60, apoiado pela grande mídia local, em especial pelas filiais  da “fabrica de mentiras” do Grupo RB$.

O prefeito, aproveitando-se do período de baixas mobilizações que ocorre em tempos de férias numa cidade universitária como Santa Maria, assinou decreto de aumento da passagem. O novo valor da tarifa foi legitimado com sérias contradições pelo mais que duvidoso e interesseiro crivo do CMT (Conselho Municipal de Transportes) com 11 votos à favor e 4 contra. Esta instância consultiva da administração municipal é composta basicamente pela patronal e por entidades do campo popular burocratizadas e cooptadas. Valendo-se da aprovação, Schirmer foi ainda mais à fundo em suas práticas anti povo e para garantir maior lucro dos empresários não formulou nenhum pedido de melhoras no serviço oferecido pelas empresas. Fato justificado mentirosamente, através do argumento que a prefeitura municipal irá promover uma licitação para o transporte coletivo até o fim do ano. Quem conhece as práticas e o jogo de interesses existentes entre a administração municipal e a ATU sabe que isso não será bem assim.

Não podemos esquecer a covardia repressiva da Brigada Militar, dirigida pelo governo Tarso/PT, que a mando da prefeitura e da ATU prendeu 2 companheiros e feriu vários militantes inclusive desacordando a coronhadas de escopeta uma mãe de vitima da tragédia da Boate Kiss no último Ato do Bloco de Lutas. Isso demonstra muito bem o tipo de dialogo que se encontrará daqui pra frente.

Fortalecer e instrumentalizar o Bloco de Lutas pela esquerda para através da mobilização permanente revogar o aumento.

Neste momento de repressão e desinformação promovida pela mídia burguesa, é preciso massificar a luta contra o aumento da tarifa. E para isso, é preciso que os setores populares e da esquerda combativa que militam a pauta do transporte público na cidade fortaleçam e instrumentem o Bloco de Lutas, para através da luta e da mobilização permanente revogar o aumento. Seguindo exemplo claro deixado por Porto Alegre e outras capitais que ao longo do ano passado mostraram generosamente qual o caminho seguir para fazer recuar esse tipo de investida. A via morta da burocracia não garante em nada a conquista de direitos, a história da “esquerda” hegemônica nas últimas décadas em nosso país segue demonstrando isso dia após dia.

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Por tanto é preciso favorecer dentro do Bloco de Lutas a participação, a democracia de base e combater em discurso e principalmente nas coisas de todos os dias práticas vanguardistas que excluem, e vícios burocráticos que de tempos em tempos desviam do central que é a luta. Por isso é extremamente necessário que cada companheiro, coletivo, sindicatos e demais organizações da esquerda anti governista possam se somar de forma decisiva nas atividades e tarefas exigidas pela luta. Garantir e ampliar a autonomia do Bloco de Lutas diante de todos os governos e dos partidos que desejarem aparelhar o movimento tentando tornar este correia de transmissão de seus interesses particulares, minando assim o caráter primordial que este espaço deve ser: juntar o campo popular e de esquerda e conquistar a revogação do aumento, indo além na conquista de um novo modelo de transporte para a cidade.

Cabe ainda à militância combativa via instâncias do Bloco ampliar o dialogo e o trabalho de base junto ao povo pobre da periferia, estudantes e trabalhadores(as), fomentando o debate com os usuários e trabalhadores(as) do transporte público. Até o momento a direção do SITRACOVERS (Sindicato dos Trabalhadores e Condutores Rodoviários de SM e Região) que é a entidade que deveria combater os sanguessugas da patronal ainda não se postou contra estes. Também é lamentável a dubiedade e o entreguismo da diretoria da UAC (União das Associações Comunitárias) que apesar de não se posicionar favorável ao aumento na reunião do CMT teve a capacidade de se posicionar publicamente apoiando a privatização do HUSM (Hospital Universitário de Santa Maria) no fim do ano passado. Certamente não se poderá contar com este tipo de entidade.

Levar a cabo sem vacilações uma linha combativa, organizada e de luta permanente.

Faz-se urgente o estabelecimento de vínculos classistas com a base dos trabalhadores rodoviários para acabar com o falso conflito de interesses existente entre estes e os usuários que é usado com sagacidade pela patronal e a prefeitura para que estes não se postem nas fileiras que combatem a sede de lucro dos empresários. Também é necessário o fomento de espaços de debate sobre o assunto com os usuários nos locais de estudo e moradia. Tudo isso para levar a cabo sem vacilações uma linha clara, combativa, organizada e de luta permanente que com métodos de ação direta e organização popular que revoguem o aumento da tarifa e fustiguem os inimigos de classe, pelegos, patrões e suas autoridades e abra, com exercício de Poder Popular,  o caminho para um novo modelo de transporte  100% público e sob controle dos trabalhadores.

Fortalecer uma costura solidária com o Bloco de Porto Alegre e através do apoio mútuo ir desencadeando ações articuladas, pois por parte da patronal, seu Estado e sua mídia isso ocorre há muito tempo. Exercitar enquanto Bloco de Lutas solidariedade entre as classes oprimidas  para ir acumulando, catalisando e agregando forças para uma luta que não se encerrará com nenhum tipo de aventura eleitoreira e que vai muito além do transporte público. Somente assim poderemos ir construindo verdadeiramente Poder Popular com horizonte de ruptura com o modelo de dominação e exploração capitalista.

Protesto não é crime. Liberdade aos presos políticos.

Revogar o aumento pela força das ruas e com ação direta popular.

Por um modelo de transporte 100% público.

Passe livre já e os ricos que paguem a conta!

Não ta morto quem luta e quem peleia!!!

Federação Anarquista Gaúcha – Integrante da CAB.

Santa Maria, 21/02/2014

[FAG] A verdadeira face da violência!

Na última assembléia do Bloco de Lutas, ocorrida no dia 12/02 no Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (SIMPA) nos esbarramos com mais uma covarde investida do aparato repressivo do Estado que de forma ostensiva tem encaminhado policiais a paisana para atos e instâncias organizativas não só do Bloco de Lutas mas do conjunto dos setores em luta no Estado.

No entanto, dessa vez essa covarde atividade de espionagem que conspira contra o direito de reunião e organização mostrou a sua verdadeira face, deixando evidente que para os de cima a repressão indiscrimida através de métodos da mais perversa e sádica violência é o que lhes interessa para manter “status quo”. Na assembléia em questão, por casualidade, companheiros desmascararam a atividade de um policial a paisana que trabalhava para a empresa de segurança Aquilla, responsável por essa prestação de serviço ao sindicato. Este agente, infiltrado propositalmente no espaço do sindicato com o intuito de investigar as movimentações que lá ocorrem, vinha fotografando diversas pessoas, entre elas o filho de uma companheira de nossa organização.

O fato só foi descoberto quando nossa militante foi informada por seu filho que estava sendo fotografado e provocado através de sinais pelo agente. Ao ser abordado por companheiros presentes na assembléia o caso imediatamente veio a tona quando se observou as dezenas de fotos da criança e companheiros militantes presentes na assembléia, fotos que o agente foi obrigado a apagar por diversos companheiros que o abordaram.

Essa covarde intimidação não é um caso isolado e não se dirige exclusivamente a nossa companheira que teve seu filho ostensivamente intimidado pelo covarde agente na assembléia, mas sim parte de um processo repressivo que segue se intensificando dia-a-dia.

Nas jornadas de luta de 2013, fomos atacados exaustivamente por este aparato repressivo, com atos reprimidos por milhares de bombas de gás lacrimogêneo e efeito moral, balas de borracha, spray de pimenta e cassetetes que vitimaram os diversos protagonistas das jornadas de Junho, quilombolas, indígenas e educadores que lutavam pelo pagamento do piso do magistério além da investida repressiva do 1 de Outubro, quando inúmeros companheiros e organizações que integram o Bloco de Lutas (entre elas nossa organização) foram vítimas de mandados de busca e apreensão, onde a polícia civil aprendeu de forma indiscriminada computadores, cadernos e livros de estudo e fotografou quadros “suspeitos”.

Antes da investida do 1 de outubro nossa organização foi alvo de uma invasão ilegal por parte da polícia civil no mês de junho, quando esta arrombou o Ateneu Libertário, local onde nos concentramos, e aprendeu materiais de propaganda, como tintas e solventes buscando apresentá-los como artefato explosivo, além de aprenderem livros de nossa biblioteca junto do cadastro das pessoas associadas na mesma, apresentando estes livros em uma coletiva como uma prova de crime “aprendemos vasta literatura anarquista” afirmava o delegado Ranolfo Vieira Jr. então chefe da Polícia Civil. Até hoje não tivemos o conhecimento do mandado judicial para tal investida e os poucos livros de nosso acervo devolvidos foram na casa de um companheiro, em uma nítida manobra com o intuito de nos intimidar.

De norte a sul do país, onde as ruas arderam dando um basta a neurótica vida que suportam os de baixo com a precarização cada vez mais acentuada de direitos básicos, como educação e saúde, ao passo que o governo investe fortunas galopantes para garantir a copa e as olimpíadas esse expediente foi via de regra comum, alterando na intensidade de sua manifestação, mas nunca em sua disposição de ir até as últimas consequências para garantir a tal “manutenção da ordem”.

O que temos visto nesse ano que se inicia é uma intensificação destas medidas repressivas. Nas últimas semanas os oligopólios da grande mídia, em especial as organizações Globo, a qual a RBS é afiliada, tem desatado uma verdadeira guerra psicológica, se aproveitando de um estúpido acidente que trágica e lamentavelmente vitimou a vida e a família de um trabalhador cinegrafista, para tensionar a favor da aprovação do projeto de lei antiterrorista no Senado, onde possuem um tal “defensor dos direitos humanos” conhecido como Paulo Paim/PT como um dos principais agitadores da lei, buscando desatar um golpe traumático contra os setores populares organizados que não se fiam pela política de pacto social que hoje costuram o governo Dilma junto às patronais e às burocracias sindicais e de movimentos populares cooptados. A aprovação desta lei tende a abrir precedentes para uma enxurrada de prisões, mandados de busca e apreensões e por que não, torturas e assassinatos? Essa campanha parte hoje do Rio de Janeiro, mas suas consequências já estão se nacionalizando a passos largos e caso os setores populares não respondam a altura o retrocesso será enorme.

Essa intensificação se manifestou por essas terras na última assembléia do Bloco de Lutas. Até então, todos nós, militantes dos mais distintos setores, organizados ou não, sabíamos e denunciávamos que vínhamos sendo perseguidos e vigiados de forma ostensiva, com o grampo de telefones e comunicações virtuais, assim como em muitos casos com agentes de campana nas proximidades de nossas residências. No entanto, essa foi a primeira vez que se revelou a investida policial contra crianças, filhos de militantes. Perseguir e investigar filhos de integrantes das “Forças Oponentes” seria uma clausula secreta do documento “Garantia da Lei e da Ordem”, aprovado em dezembro pelo “progressista” ministro da defesa Celso Amorim? Estão nossos filhos agora sujeitos a prisão, a violação e a tortura, como estiveram inúmeros filhos de milhares de companheiros que lutaram contra o regime de Terror de Estado que se abateu no país há 50 anos, impulsionado por uma sacro santa aliança entre oligopólios da grande mídia (a exemplo das organizações globo), associações patronais (a exemplo da FIERGS e FIESP, assim como dos grupos Gerdau e Ultragás), o aparato repressivo e as oligarquias? Após grampearem os passos de nossas crianças e intimidá-las pretende o Estado e as classes dominantes também sequestrar os filhos de nossas companheiras no momento de seu parto, para trocar suas respectivas identidades?

Ai está a verdadeira face do Estado e suas classes dominantes, o lobo em pele de cordeiro, que fala como vítima da violência quando desata esta violência indiscriminadamente, seja nos atirando em vilas sem saneamento básico, saúde, educação, com a falta de água e luz, na exploração do trabalho precário e sem direitos, seja na força bruta para manter essa situação. Essa é a verdadeira situação que buscam encobrir com um forte apelo sensacionalista as hienas de plantão através do seu monopólio da informação.

Ressaltamos que desde o ocorrido estamos em contato com a direção do SIMPA, que pronto afastou o agente em questão e se comprometeu em tratar o assunto em caráter de urgência em suas respectivas instâncias, assim como seguir solidário nas mobilizações do Bloco de Lutas.

Seguiremos mobilizados e não nos intimidaremos com mais este covarde ataque.

Barrar a criminalização e a lei antiterrorista!
Não se intimidar! Não se desmobilizar! Rodear de solidariedade todos os que lutam!
Não passarão!

Federação Anarquista Gaúcha – FAG


Obs. Divulgamos abaixo o relato da situação escrito por nossa companheira que teve o filho intimidado na assembléia.

Quem são os terroristas que o Estado Brasileiro tenta acossar hoje? Os pobres rebelados? Os negros cansados da escravidão moderna? Os indivíduos que vão a protestos e quebram vidros? Os militantes que se organizam politicamente e que são oposição as elites?

Mas, o relato que quero fazer aqui em caráter de denúncia é que, meu filho que tem sete anos, no dia de ontem, 12 de fevereiro, em ocasião da assembléia do Bloco de Lutas, no Sindicato dos Municipários de Porto Alegre, foi intimidado e fotografado várias vezes por um p2 (polícia a paisana) que estava trabalhando de segurança para o sindicato citado. O meu filho estava tomando banho de chuva ao lado de fora da assembléia quando eu percebi que este homem estava falando de forma estranha com ele , me aproximei e disse que eu era mãe do menino e que ele não podia falar deste jeito com o pequeno. Nisto me volto para assembléia e o pequeno me chama e diz: “mãe o cara ali fez sinal que ta me cuidando e tirou fotos de mim!” Indignada vou atrás de outras pessoas para dizer o que estava acontecendo, nisto outra pessoa também me confirma o relato do meu filho, prontamente fui atrás do homem que estava tentando entrar rapidamente para se esconder dentro do sindicato e eu comecei a perguntar o porque das fotos, o mesmo só dizia que era trabalho dele! Eu perguntei se ameaçar criança e registrar fotos do meu filho era trabalho dele…Nisto companheiros chegaram e cercaram o mesmo para ver seu telefone e realmente havia várias fotos do menino, assim como de outras pessoas da assembléia e de mais outras crianças! O meu filho ficou com medo e muito nervoso e eu também fiquei muito indignada por tamanha covardia por parte dos que querem nos investigar e intimidar, tivemos que sair acompanhando até em casa antes mesmo do fim da reunião. Como lidar com este tipo de coisa é a pergunta que como mãe e militante me faço desde ontem, meu filho desde que nasceu me acompanha nas peleias que eu estive envolvida, desde minha militância no Movimento Sem Terra até os dias de hoje, mas ontem foi a primeira vez que alguém fez um golpe tão baixo, usando o medo do meu filho para me atingir. Lembrei das histórias da ditadura, das perseguições a familiares como forma de amedrontar militantes, lembrei das crianças desaparecidas, lembrei de o quanto isso nos fere. Mas lembrei também que não estamos só, que não vão nos calar, que esta luta é justa, que os terroristas estão no poder, que vamos denunciar esta pessoa, que vamos investigar os motivos destes registros e seus mandantes.

A repressão que está em marcha no país começa a ganhar contornos mais fortes nos últimos dias. A grande mídia como abutre se aproveita dos restos mortais do cinegrafista do RJ para atacar cada vez mais os protestos e as organizações que fazem parte do novo cenário político que, de sul a norte, toma conta das ruas gritando por melhorias nas questões sociais. A passos largos começa a caminhar um ataque furioso ao direito de manifestação, elaborado em conjunto com grandes meios de comunicação que todos os dias produzem suas “verdades” e disseminam ódio contra os que estão em luta. Não bastasse a mídia, também entra em jogo medidas de leis que são completamente criminalizadoras e que vão se aplicar contra aquelas e aqueles que estão nas ruas por garantia de direitos e mudanças concretas, incluindo o direito de se manifestar! Leis como: domínio do fato, lei de segurança nacional ( já usada contra militantes de movimentos sociais do país), agora chega com a mão dura do Estado, ainda para ser aprovada, a lei anti-terrosista, que preve pena de até 30 anos de reclusão.

Certamente, se aprovada, esta lei pode abrir gravíssimos prescedentes aos direitos humanos e democráticos.

Já estou sendo investigada pela Polícia Civil do estado no mesmo processo que indicia vários militantes do Bloco de Lutas. Sou militante da Federação Anarquista Gaúcha (FAG) que durante os últimos anos vem sofrendo com campanhas criminalizadoras por parte da mídia e dos governos, só no último ano tivemos nossa sede invadida pela polícia do governador Tarso Genro (PT) duas vezes em menos de quatro meses, os únicos elementos perigosos encontrados lá dentro foram livros… Esta é a velha política de intimidar, criminalizar, reprimir, perseguir e condenar os movimentos populares e organizações. Mas, intimidar uma criança? Registrar fotos de meu filho? Como fica isso para os governos que se dizem de esquerda e democráticos?

Observo que se alguma coisa acontecer a mim e a meu filho, assim como aos demais compas de luta, consideraremos responsabilidade dos governos que nada fazem para barrar a prática dos infiltrados da polícia dentro dos movimentos sociais, seja para fazer ações que nos culpabilizem, seja para registrar arbitrariamente ou seja para intimidar.

Não vão nos desmobilizar!
Rodear de solidariedade os que lutam!

Lorena Castillo Militante da Federação Anarquista Gaúcha e integrante do Bloco de lutas de Porto Alegre.

[CTZ – CURITIBA] Ato Contra o Aumento da Tarifa é reprimido pela Prefeitura de Curitiba

Retirado de: http://tarifazerocuritiba.wordpress.com/2014/02/14/ato-contra-o-aumento-da-tarifa-e-reprimido-pela-prefeitura-de-curitiba/

Hoje, 13 de fevereiro, foi realizado em frente à Prefeitura Municipal de Curitiba, o primeiro ato do ano pela redução imediata da tarifa do transporte público, articulado pelo Coletivo Tarifa Zero e pela Frente de Luta Pelo Transporte – Curitiba.

Tínhamos como pauta o não aumento da tarifa de ônibus, anunciado para o dia 26 de fevereiro, e o cumprimento imediato das medidas colocadas pelo relatório do TCE (Tribunal de Contas do Estado) – a diminuição de R$0,43 na tarifa técnica e anulação dos contratos fraudulentos com as empresas de transporte coletivo.

No início fomos recebidos por um secretário do prefeito Fruet. O secretário, além de chamar o relatório do TCE de “fajuto”, sem nenhum argumento plausível, ainda afirmou ser mentira a notícia de que o prefeito teria anunciado aumento da tarifa. Porém, não negou a possibilidade de aumento, que é provável pois em fevereiro vence o subsídio do último aumento da tarifa. Além de continuar com a mesma ladainha de que a prefeitura não poderia romper o contrato com as empresas de ônibus por não haver verba para arcar com a multa.

Não recuamos e seguimos com o ato, exigindo reunião imediata com Gustavo Fruet, com fins de obter um posicionamento da prefeitura sobre nossas pautas, mas o prefeito se recusou a nos atender. Portanto, em assembleia feita com os presentes, decidimos por manter um estado de vígilia em frente a prefeitura, até que fosse marcada uma reunião imediata conosco, que tentamos há meses obter.

Nos preparamos com alguns suprimentos, e quando chegaram barracas para nos abrigar, a repressão não tardou a aparecer. Fomos impedidos de ficar no gramado em frente a prefeitura, e ao tentarmos montar as barracas na calçada, a tropa de choque da Guarda Municipal foi imediatamente acionada, nos dando apenas dois minutos para levantarmos acampamento. Tentamos negociar sem sucesso, recebendo ordem para retirar os equipamentos ou eles mesmos nos tirariam à força. E ainda nos obrigaram a ser submetidos à uma revista de nossos pertences, pois éramos “suspeitos”. Em seguida, entregamos nossos panfletos e deixamos o local.

Os acontecidos e as palavras do secretário, que utilizava de falsos argumentos técnicos para nos convencer que não era possível reduzir a tarifa, só torna mais claro a questão política em jogo: a prefeitura não está, e nunca esteve, do lado do povo e suas demandas. Está à serviço dos de cima, dos empresários burgueses, e do lucro acima de qualquer custo. E somente com a força do povo nas ruas obteremos as reais conquistas, pois os poderosos não têm interesse e não nos recebem pela boa vontade.

Mas não recuaremos! Se a tarifa não baixar, Curitiba vai parar!
Pela redução imediata da tarifa e anulação dos contratos, seguiremos lutando!

Dia 20 estaremos de volta às ruas, às 18h, na Boca Maldita, pressionando o governo com a vontade popular!

[CAB] Nota de Solidariedade da Coordenação Anarquista Brasileira à luta em Joinville

De um lado, as empresas de transporte coletivo privado, suas catracas, seus seguranças privados. Mais polícia militar com seus homens (sim, todos homens), sua cavalaria, seu helicóptero, suas armas. Não esquecemos da prefeitura e seus parceiros da casa vizinha, a câmara de vereadores. Do outro lado, as trabalhadoras e trabalhadores, estudantes, desempregadas e desempregados, entre tantos outros que não detém o poder para gerir livremente suas vidas. Parte dessas se encontram diariamente no transporte coletivo, para ir e vir, outras tantas, não conseguem pagar para pela catraca passar.

Os anarquistas, estão de um lado, o lado de seus companheiros de classe, o lado dos de baixo. Diariamente, pegando o “coletivo”, o “busão”, o “latão”, o “zarcão”. Lado a lado, com os seus, as suas. No final da tarde, dessas tardes que voltar para casa ficou mais caro, faixas se posicionam, bandeiras começam a flamejar, vozes a gritar. Do outro lado, escudos, armas, cavalos, e um helicóptero se posicionam. Os anarquistas, estão de um lado, do lado do povo organizado, seu único lado possível, após centenas de anos de história.

Em Joinville/SC, a militância integrante do Coletivo Anarquista Bandeira Negra (CABN), organização integrante da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB), tem uma atuação constante e enérgica no combate a máfia do transporte coletivo representando pelas empresas Gidion e Transtusa, que operam há 50 anos na ilegalidade com o aval dos políticos da classe dominante, do PSDB, PMDB, PT e afins, que ocuparam a Prefeitura Municipal de Joinville. Atuando e se organizando junto ao coletivo local do Movimento Passe Livre ou na Frente de Luta pelo Transporte Público, ao povo organizado.

Na quarta-feira (22/01/2014), dois militantes do CABN acompanhado de outro integrante da Frente de Luta pelo Transporte Público, foram presos após voltarem de a manifestação que exigia a revogação do aumento da tarifa e pela criação de uma empresa pública com tarifa zero para toda população.

A prisão ocorreu por meio de uma emboscada da Polícia Militar de Santa Catarina, onde o Capitão Venera, responsável pela operação, agiu para atender as necessidades das empresas privadas de transporte, colocando mais seis viaturas policiais, cerca de 20 homens fardados e fortemente armados. Os nossos companheiros foram arrastados pela via pública, sofreram com cacetadas e pisaram na cabeça de um deles.

O peso da fúria policial é reflexo do quanto a luta organizada demonstra efetiva combatividade contra o monopólio do transporte coletivo e coloca em risco os interesses da classe política dominante. Por isso, não vamos silenciar em nenhum momento na denúncia e no vigor da luta. Como já lembraram os companheiros anarquistas, “a solidariedade é mais que palavras”. Estamos juntos hoje e amanhã, firmes e dispostos a vencer o capitalismo e violência policial. Não fomos os primeiros, não seremos os últimos.

Pelo fim da polícia militar!
Protesto não é crime!
Contra crimanilização dos movimentos sociais!
Fora Aumento! Fora Gidion e Transtusa!
Aumento Nunca mais!
Por uma cidade sem catracas!

Imagem
Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)
Brasil, 26 de Janeiro de 2014.

[Rio de Janeiro] Mais um dia de luta da educação e mais uma dia de repressão covarde

Mais um dia de luta da educação, mais um dia de repressão covarde do governo Cabral.

O ato dos professores marcado para as 17h começou com muita energia e disposição, até que a polícia militar covardemente atacou os manifestantes.

A PM já tinha tentado várias vezes provocar os manifestantes. Primeiro tentou ir pressionando aqueles que estavam na rua do Amarelinho, na entrada lateral da Câmara. No meio do ato, mais provocação, um policial tentou estacionar o camburão no meio dos manifestantes. Ao lado de muitos militantes, no meu caso, próximo ao MTD Pela Base, da Organização Popular e outros que presenciaram a provocação, os manifestantes começaram os gritos de “Recua polícia recua, o poder popular está na rua” e então a PM recuou.

Não satisfeita a PM voltou a provocar e agrediu os manifestantes que foram para a rua em direção a ALERJ. Tentou depois disso desarticular o acampamento dos professores com bombas de gás lacrimogêneo, balas de borracha e tasers. A resistência dos manifestantes foi legítima.

Essa é a prova de que não devemos esperar nada da democracia burguesa e de seus instrumentos de repressão. Lutar não é crime!

Um professor e militante do MTD Pela Base, Organização Popular e da Federação Anarquista do Rio de Janeiro.