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[ORL] NOTA DE SOLIDARIEDADE AOS LUTADORES E LUTADORAS DA COMUNIDADE DO CUMBE ARACATI – CEARÁ

Nós, da Organização Resistência Libertária [ORL], integrante da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB), prestamos nosso total apoio e solidariedade em virtude do despejo violento sofrido por vinte sete famílias pertencentes à Comunidade do Cumbe, localizada a 12km da cidade de Aracati, litoral leste do Ceará. A comunidade do Cumbe, formada por pescadoras/es, marisqueiras/os e trabalhadoras/es em geral, como prova de resistência da luta pela vida e da manutenção integral de seus territórios, ocupava desde o dia 10 de março de 2013 uma antiga fazenda/viveiro de camarão que se encontrava desativada desde 2004.

Durante os meses da ocupação da área abandonada, a comunidade se organizou localmente para realização de atividades como debates de conservação do ecossistema, discussões com os movimentos sociais e atividades de apoio ao acampamento. Diferente do suposto “dono” que apropriou-se da área para degradá-la, as famílias pertencentes à comunidade do Cumbe vinham autogerindo seu território com a perspectiva de trabalhar na recuperação da área degradada.

Infelizmente, no dia 20 de agosto, de forma violenta e covarde, as famílias foram despejadas pela Policia Militar em uma ação concedida pela justiça, que só tem olhos para defender o grande capital. Acompanhando a policia militar na ação estava um oficial de justiça e o empresário Rubens dos Santos Gomes, que afirma ser dono da terra. Assim, nos perguntamos:Dono? Como assim, Dono? Como o referido empresário, destruidor do meio ambiente, pode ser dono de uma imensa área de manguezal?

O que fica claro, em nosso ponto de vista, é que grande parte desta problemática se deve às relações de favorecimento do Estado com empresários do setor da carcinicultura na região. Essa relação estreita é entendida de forma clara quando o poder executivo concede vastas terras para a exploração e degradação e isto se confirma com as decisões do poder legislativo que cria leis para beneficiar os carcinicultores e quando vemos que sempre que “há problemas nas leis para instalação ou na propriedade”, a justiça julga em favor dos empresários em detrimento da comunidade. Assim como o caso do Cumbe, este conluio entre os agentes políticos e econômicos da região (Estado e o grande capital) há muito tempo vem oprimindo e exterminando as iniciativas coletivas em defesa do manguezal.

Entende-se carcinicultura como a prática do cultivo de camarão em viveiros. Esta tem sido, em parte do litoral cearense e nordestino, uma das atividades que, diretamente, mais afeta o meio ambiente costeiro. Com o objetivo da produção em larga escala, áreas de mangue são substituídas pela instalação de imensos tanques artificiais, impactando o habitat de inúmeras espécies de crustáceos, peixes, aves e insetos, que tem o mangue como verdadeiro berçário de biodiversidade, presentes nas zonas litorâneas. Oficialmente, uma questão que não podemos deixar de chamar atenção é que, de acordo com o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) o ambiente manguezal é uma Área de Proteção Permanente (APP), portanto, é ilegal a destruição da vegetação de mangue e apicum (vegetação nativa do ecossistema manguezal), assim como a promoção da degradação as espécies existentes.

Os povos que residem próximo ao mangue, tem toda uma cultura que foi construída a partir do contato com o ecossistema, que é o local de origem de sua fonte alimentar primária. Desta forma, o mangue se apresenta também como um local secular para os pescadores e marisqueiras da região, em que os costumes e práticas remontam longos períodos, segundo a memória coletiva da comunidade. Em contrapartida, o empresário é um dos devastadores do ecossistema manguezal em nosso Estado, que contribuiu e continuará contribuindo para a redução da área de manguezal do Ceará. A ocupação no viveiro abandonado foi legítima e visava denunciar a devastação ao ecossistema manguezal, assim como reivindicava a garantia de permanência e continuação de seus modos de vida e cultura em seu território.

Somos frontalmente contra a lógica capitalista de destruição do meio ambiente, de defesa do latifúndio, criminalização de lutadoras/es e extermínio de territórios das populações originárias. Somos amantes da igualdade, que só será alcançada através da organização horizontal de base, na construção do poder popular, do ombro a ombro na luta e nas sementes que são plantadas todos os dias pelos lutadores/as de uma outra sociedade, como é o caso dos moradores de luta do Cumbe. Enxergamos a iniciativa do acampamento como um grito que diz basta ao latifúndio, basta à desigualdade, basta à criminalização dos movimentos sociais, basta ao desmatamento dos mangues, basta à poluição das águas, basta à salinização do solo, basta às opressões que sofremos.

Por isso somos contrários a essa atividade, ao dito “progresso” capitalista que é pregado na região e ao Estado que faz uso de sua violência organizada, a polícia, para oprimir os povos lutadores da região litorânea. Somos solidários as famílias de lutadoras/es da comunidade do Cumbe, apoiamos suas resistências e lutas, chamando todas e todos que são contra essa injustiça social e a violência do Estado, a se solidarizarem às companheiras/os lutadoras/es da zona costeira.

 

 

TODA SOLIDARIEDADE DIRETA AOS LUTADORES E LUTADORAS DO CUMBE!

PELO FIM DA CARCINICULTURA E DA DEGRADAÇÃO DE NOSSA ZONA COSTEIRA!

CONTRA A “JUSTIÇA” DOS RICOS E A REPRESSÃO DA PM FASCISTA!

PELA CONSTRUÇÃO DO PODER POPULAR!

Organização Resistência Libertária [ORL-CAB]

30 de agosto de 2013

[CAB] Chamada de solidariedade à Federação Anarquista Gaúcha

No dia 20 de Junho, cerca de 15 agentes da Polícia Civil arrombaram e invadiram o Ateneu Libertário Batalha da Várzea, espaço político social da Federação Anarquista Gaúcha localizado na cidade de Porto Alegre, e levaram diversos materiais. Os agentes não apresentaram mandato de busca e apreensão aos vizinhos que buscaram se informar do que se passava. Além disso, agentes à paisana buscaram prender uma companheira em sua casa nesse mesmo dia pela manhã.

Essa perseguição político-repressiva à FAG, ocorre justamente quando no Brasil acontecem diversas e massivas mobilizações por todo o país pela redução do preço da tarifa do transporte público. Ao mesmo tempo, temos enfrentado a mídia monopolista e os governos estaduais que tem tentado criminalizar os que lutam.

A FAG é uma organização política com 18 anos de existência pública. Ao longo destes anos nunca se escondeu, sempre manteve os espaços públicos com a realização de inúmeras atividades de ordem política e cultural assim como a atuação no campo popular e da esquerda gaúcha e nacional.

Desde nossa origem enquanto corrente política temos sido alvo da sanha repressiva dos patrões em conluio com o Estado. Há mais de um século temos resistido a todas essas investidas covardes, com o punho e a cabeça erguida e não será este episódio que irá afrouxar nossa combativa militância.

Responsabilizamos, por fim, os governos municipal, estadual e federal por mais este ataque covarde a nossa organização. Não nos intimidaremos e seguiremos empregando todos nossos esforços na construção de um povo forte, de um campo popular combativo que organize os oprimidos deste país e suas legítimas demandas.

Fazemos um chamado de solidariedade para que todas as organizações e movimentos sociais manifestem o seu apoio à FAG, colocando em coro o repúdio contra a criminalização das lutas populares e combativas que vem crescendo pelo Brasil.

Avante os que lutam/Arriba los que luchan!

Coordenação Anarquista Brasileira

Federação Anarquista Gaúcha responde ao Governador Tarso

http://www.youtube.com/watch?v=AnVmxtk4drI

Outras notas de solidariedade (nacionais)

Outras notas de solidariedade (internacionais)

  • Em breve

Assinam esta nota de Solidariedade (atualizado continuamente):

Coordenação Anarquista Brasileira

Movimento dos Trabalhadores Desempregados Pela Base – RJ

Organização Popular

[FAG] O enredo de uma farsa! A tentativa de criminalização da Federação Anarquista Gaúcha

Retirado de: http://batalhadavarzea.blogspot.com.br/2013/06/o-enredo-de-uma-farsa-tentativa-de.html

Na tarde de quinta feira (20/06/2013), antecedendo o protesto que já se previa multitudinário na capital gaúcha, ocorreu a invasão mediante arrombamento do Ateneu Libertário A Batalha da Várzea, executado por agentes policiais sem identificação. Devido a isto, no comunicado da madrugada de sexta-feira, dia 21 de junho, informamos que a invasão havia sido realizada pela Polícia Federal, afinal de contas assim se apresentaram os agentes da repressão.

Através da coletiva concedida pela cúpula da Segurança Pública do governo do RS, na tarde da sexta-feira, dia 21 de junho tivemos a informação que tal operação foi realizada de fato por agentes da Polícia Civil, omitindo-se o fato de que a operação se deu de forma ilegal, sem o correspondente mandato judicial, conforme o apurado pela assessoria jurídica que nos apóia nesse momento, de forma solidária.

Esta coletiva de imprensa portanto não poderia anunciar outra coisa se não uma farsa,na busca de um bode expiatório para responsabilizar pelas manifestações de violência ocorridas nos protestos de forma generalizante, acusando que todos os atos de depredações e “vandalismos” fossem de responsabilidade dos anarquistas presentes nos protestos e especificamente dessa organização política, como já dito anarquista.

O fantasma atemorizante criado nas redações da RBS: a presença de bandeiras anarquistas, grupos e indivíduos punks e o já folclórico devaneio do âncora da RBS Lasier Martins “mascarados anarquistas” deram a tônica da conspiração em curso. Apresentaram-se “provas”, segundo a polícia nessa operação ilegal, de materiais para confecções de coqueteis molotovs e um mapa com a identificação de órgãos de segurança do Estado, com o quê buscam afirmar que planejávamos desatar ataques.

Além de tais objetos plantados, a coletiva para a mídia corporativa retira a sua máscara e demonstra a farsa em curso, o real objetivo da operação. Segundo o próprio chefe da Polícia Civil, o delegado Ranolfo Vieira Jr. “é importante dizer que nesse local também foi apreendido vasta literatura, eu diria assim, a respeito de movimentos anarquistas.” Considerando que os geniais homens da “inteligência” invadiram uma biblioteca libertária, é natural que achem livros senhores Ranolfo e Tarso Genro. Não sabíamos que uma literatura anarquista, tanto atual como histórica, constitui prova de crime. Desde quando livros estão proibidos em nosso estado? Sim, isto é verdade, levaram muitos livros e o fichário dos usuários da biblioteca do Ateneo, dos quais exigimos a restituição em nossas prateleiras.

Dentre os “perigosos” livros apreendidos, consta a obra Os Anarquistas no Rio Grande do Sul, de João Batista Marçal. O livro foi editado com apoio da Secretaria de Cultura de Porto Alegre no ano de 1995, justo no período em que Tarso Genro era prefeito! Quem faz a introdução é Luiz Pilla Vares e a apresentação é de Olívio Dutra. Ou seja, se publicar livros anarquistas é crime ou ato suspeito, o atual governador já ajudou nesta ação “perigosa”.

Voltou a Censura no Brasil? Ou só no Rio Grande do Sul? O Ateneo Libertário A Batalha da Várzea localizado na Travessa dos Venezianos é um espaço público, de fato uma biblioteca, como já dito, na qual se organizam várias atividades políticas e culturais, em muitas delas inclusive com a participação da vizinhança local. Usamos também instrumentos musicais, teatro, tintas, pincéis, sprays para expressar através das artes nossas críticas e nossos anseios, enfim nossa ideologia. Quando nos apropriamos de palavras, as usamos para expressar idéias, estas armas perigosíssimas!. Quando tornaram-se criminosas as idéias dissonantes do status quo?

Além dos “perigosos” livros, a repressão política do RS afirma ter encontrado material inflamável. Sabemos que qualquer objeto além de um botijão de gás foi plantado com o objetivo de incriminar e isolar, a partir da repressão e da guerra psicológica, nossa corrente libertária e combativa, do atual cenário político. Começou com os factóides plantados pela RBS, onde aparecíamos como elementos “sociopatas” que planejam desatar inúmeras operações de guerrilha na cidade. Ora, precisamos de gás para aquecer a água pro mate.

Quanto ao mapa citado pelos chefes do aparato repressivo do estado, sob responsabilidade do governador, afirmamos aqui com veemência que não sabemos do que se trata, considerando ser essa operação ilegal, não há dificuldades em supor que seja algo “implantado” numa tentativa clara de nos criminalizar.

Reconhecemos sim e muito bem outro mapa, o da cidade de Porto Alegre, sua periferia e centro, porquê é aqui que vivemos e lutamos junto aos diversos setores das classes oprimidas, organizados ou não, socialistas ou não, enfim, o povo organizado contra a dominação e por melhorias nos serviços públicos e contra as retiradas de direitos conquistados pela luta popular em curso, com suas vitórias e derrotas há mais de um século. Aqui estamos há 18 anos, de forma pública, com bandeira, endereço e publicações tanto impressas como virtuais.

Participamos dos movimentos populares, estudantil, sindical, comunitário, nas rádios comunitárias, no bloco de lutas pelo transporte público, enfim, nas lutas sociais que somos chamados a pelear ou solidarizarmos. Já somos conhecidos sim, pelas policias, pelos movimentos sociais também pelos partidos políticos, inclusive por vários setores do PT e demais que compõem a base do atual governo de turno no RS porque de fato existimos e nunca nos furtamos a pelear.

Logo após a divulgação da operação da Polícia Civil o governador Tarso Genro se apressou a nos atacar da forma mais vil e covarde possível. Ansioso por nos golpear, Tarso nos associou ao fascismo, conclamando as organizações da esquerda a reverem suas políticas de aliança de forma a nos isolar. “— Todos os partidos e pessoas, inclusive os de ultra-esquerda, tem de ajudar a combater isso. Ninguém sobrevive a isso. Todos sucumbem. O caminho é aquele que nós já conhecemos e causou a Segunda Guerra Mundial” Assim se pronunciou o histórico dirigente do PT e governador do Estado Tarso Genro. Aliás, assim se pronunciou o ex-dirigente do Partido Revolucionário Comunista (PRC), irmão de um dos maiores teóricos marxistas do Brasil (Adelmo Genro Filho) e ele mesmo um ex-militante com dezenas de conflitos contra a repressão. Mas isso foi no século passado, não é governador?

Diante da absurda acusação de que somos fascistas, sugerimos aos assessores do palácio e aos agentes dos serviços de inteligência uma rápida pesquisa sobre as inconformidades ideológicas e históricas do que afirma o governador, pois historicamente combatemos o fascismo, existem correntes libertárias que dedicam-se exclusivamente a isto, sobretudo na Europa. Aos senhores jornalistas, lhes sugerimos ainda uma pesquisa sobre a resistência ao fascismo na Espanha e França no contexto da ascenção de Hittler e Mussolini sobre a Europa assim como sobre o episodio de 07 outubro de 1934, na Praça da Sé, em São Paulo, quando a épica coluna operária, formada sobretudo por anarquistas deu combate aos integralistas de Plínio Salgado da AIB (Ação Integralista Brasileira), no fato conhecido como “ a revoada das galinhas verdes”. Fomos e seremos sempre os primeiros nas fileiras de combate a qualquer forma de totalitarismo, sejam eles stalinistas, fascistas ou de qualquer outra natureza. Ser anarquista não é crime.

Já que o senhor Tarso se demonstra tão preocupado com o avanço do fascismo, lhe indagamos: Organizar uma biblioteca pública com foco em literatura anarquista e obras diversas é um crime? Se nossos livros estão sendo apresentados como provas de crime segundo as declarações da cúpula de segurança pública, o que pretendem o senhor Tarso e demais autoridades do estado com isso? Vão fazer como os fascistas e queimar nossos livros em praça pública? Proibir a impressão e venda de títulos relacionados ao anarquismo? Realizar incursões em residências a busca destes títulos, dado o caráter “inflamável” de tal literatura?

Reconsidere suas palavras senhor Tarso, pois são estas operações policiais, sob sua responsabilidade, que afinal se mostram vinculadas a uma prática de perseguição de idéias libertárias, portanto terminam por apoiar práticas que cheiram fascismo. Lembramos ainda que há sim grupos nazistas em Porto Alegre, os quais estavam armados com facas no último protesto do dia 20 de Junho, circulando livremente sem a correspondente repressão que nos dedicam, procurando os anarquistas da FAG. O que lhes parece que queriam, seguramente não era pra debater a conjuntura não é? Quanto a isto o que farão os responsáveis pela segurança pública. Livros não são crime!

Sabemos que a meta do governo estadual é política. O objetivo de toda essa guerra psicológica é semear pânico, isolar-nos do cenário e assim pavimentar o caminho para a sanha repressiva em direção de nossa organização e seus militantes.

Por fim, reafirmamos que não iremos nos dobrar a mais essa investida. Desde o início do ano estamos sendo alvejados pela repressão, ainda que até então ela não tenha nos atingido com tamanha intensidade. No início de abril, logo após um massivo ato contra o criminoso aumento das passagens de ônibus, que reuniu mais de 10 mil pessoas nas ruas de Porto Alegre, tivemos nosso site retirado do ar. Na verdade, o domínio http://www.vermelhoenegro.org simplesmente sumiu, assim como seus domínios espelhos. Esta censura que segue vigente, fazendo com que encontremos espaços alternativos para divulgar nossas opiniões.

Situação semelhante também ocorreu em novembro de 2009, quando nossa antiga sede foi invadida pela mesma Polícia Civil, a mando do então governo Yeda Crusius (PSDB) em função de um cartaz onde responsabilizávamos politicamente a governadora e o oficial da Brigada Militar no comando do campo de operações pelo assassinato do colono Elton Brum da Silva, em 21/08/2009. O militante sem terra foi morto a sangue frio e a queima roupa por um tiro de calibre 12, enquanto protegia as crianças em uma desocupação de terra na campanha de São Gabriel. Naquela ocasião, por fazermos a denuncia e darmos solidariedade também tivemos nosso site censurado e ainda hoje 06 companheiros/as de nossa organização seguem respondendo processo judicial, no qual seguimos reafirmando que Yeda e o comando da BM foram os responsáveis diretos pelo assassinato de Elthon Brum!

Assim como não nos dobramos a repressão vil do governo Yeda, tampouco iremos nos dobrar a repressão do governo Tarso, que busca isolar a esquerda combativa de forma a atacá-la com maior contundência sob os aplausos e gargalhadas dos setores mais reacionários de nosso Estado e país. Tarso, ex-comunista, ex-dirigente revolucionário, mudou de lado e hoje é uma caricatura torta do militante que pretendia ser nos anos ’70 do século passado. Hoje se porta de maneira servil diante da RBS. Para “defender” o papel simbólico da empresa líder na comunicação social, orienta a Brigada Militar a atacar os manifestantes quando passam do outro lado do Arroio Dilúvio, em uma avenida de seis pistas! Não foram os anarquistas que lideraram a linha de frente da marcha da ultima quinta feira em direção a ZH. Choveu bombas de gás e balas de borrachas sobre as cabeças com caras pintadas de verde e amarelo e flores nas mãos. A imagens dos protestos da última semana em Porto Alegre têm a marca das bombas da BM lançadas contra o povo ordeiramente em marcha na direção da Zero Hora.

Enfim, esse é o caminho pelo qual trilham, invariavelmente, as políticas de pacto social. A história já nos demonstrou de forma clara, basta olharmos a social democracia alemã e sua caça aos conselhos operários sob influência dos então spartarkistas, delegados revolucionários e também de muitos anarquistas. Caçada essa que levou a ostensiva perseguição de valorosos militantes da classe trabalhadora alemã, como Rosa Luxemburgo, Karl Liebknecht e Gustav Landauer, este último militante de nossa corrente anarquista. Todos eles presos e assassinados a coronhadas pelas forças de repressão da social democracia. Todos estes militantes serviram de bode expiatório para as políticas de conciliação de classe, que, somadas com a inércia decisória, levaram ao caos e ao nazi-fascismo. Governador, conforme foi dito, se nós estivéssemos à beira da 2ª Guerra Mundial, seríamos milicianos espanhóis, resistentes franceses ou partigianos italianos. Já o senhor, de que lado estaria? De que lado está agora?

A FAG, com 18 anos de história e vida pública e permanente atuação em diversas das lutas sociais em nosso estado e país, é parte de um legado histórico de uma corrente que há quase dois séculos levou às últimas conseqüências o combate a reação, as classes dominantes e seu Estado lacaio. Sim temos relações internacionais e estas surgiram em 1864, na 1ª Associação Internacional dos Trabalhadores, AIT. Todas as correntes do socialismo têm relações com agrupações afins em diversos países. Todas as vertentes do socialismo são internacionalistas, ou o ex-dirigente do PRC também considera isso um crime? Se hoje no país os trabalhadores têm assegurados alguns direitos, estes são fruto de 40 anos de luta sindical antes de 1932. Esta luta era mobilizada por sindicatos livres, desvinculados de partidos políticos, e os organizadores eram militantes anarquistas. O anarquismo é parte da luta popular no Brasil e no Rio Grande do Sul e continuará sendo. Nossa organização ajuda a organizar a luta pelo direito à mobilidade urbana, pelo passe livre e redução dos preços das passagens. Somos parte integrante do Bloco de Luta pelo Transporte Público desde sua fundação, assim como militamos e participamos em diversas frentes de lutas sociais, como Movimento Sem Terra, Rádios Comunitárias, Sindicatos, Movimentos Estudantis, de Luta pela Moradia, Comunitário, somos linha de frente na luta pela diversidade e desde o começo nos Comitês Populares da Copa.

A nossa história, “excelentíssimas autoridades” é escrita com o sangue e suor das barricadas dos oprimidos e assim sempre será. Vossa sanha repressiva nunca será capaz de nos calar. Não tememos as hienas e nem a fábrica de mentiras da RBS! A verdade fala mais alto entre os militantes do povo. Somos militantes de esquerda não parlamentar, militantes populares e não terroristas. Terrorista é quem joga bombas contra dezenas de milhares de pessoas caminhando desarmadas. Tarso Genro, RBS e oligarquia gaúcha, sua campanha difamatória tem pernas curtas e a mentira não passará.

Não tá morto quem peleia!
Federação Anarquista Gaúcha, 22 de junho de 2013

[FAG] Polícia Federal invade a sede da Federação Anarquista Gaúcha

Retirado de: http://batalhadavarzea.blogspot.com.br/

Polícia Federal invade a sede da Federação Anarquista Gaúcha – FAG

Na tarde desta quarta feira, 20/062013, entre 12 a 15 agentes a paisana, em blazers e utilizando coletes pretos, dizendo ser da Polícia Federal arrombaram e invadiram o Ateneu Batalha da Várzea, espaço político social da Federação Anarquista Gaúcha localizado na Travessa dos Venezianos, e levaram diversos de nossos materiais. Os agentes não apresentaram mandato de busca e apreensão aos vizinhos que buscaram se informar do que se passava. Além disso, agentes, também a paisana, buscaram prender uma companheira em sua casa nessa manhã.

A FAG é uma organização política com 18 anos de existência pública. Ao longo destes anos nunca nos escondemos, sempre mantivemos nossos espaços públicos onde realizamos inúmeras atividades de ordem política e cultural assim como nossa atuação no campo popular e da esquerda gaúcha e nacional. O Ateneu é um espaço onde ao longo de 03 anos temos dado sequência a essas atividades, mantendo uma biblioteca pública e realizando periódicas atividades.

Recordamos também que em Outubro de 2009 tivemos nossa antiga sede, à época localizada na Lopo Gonçalves, invadida pela Polícia Civil por ordens da então governadora Yeda Crusius em função de um cartaz onde a responsabilizávamos, e seguimos responsabilizando, pelo assassinato do militante do MST Elthon Brum em São Gabriel. Na ocasião tivemos todos os materiais da sede apreendidos, levaram inclusive nossas lixeiras.

Desta vez, após inúmeros factóides publicados na RBS, acusando-nos de sociopatas e fantasiando que estaríamos tramando em conjunto com militantes de outros países o emprego de táticas de guerrilha na cidade, com o nítido motivo de semear pânico e instigar a repressão a nossa militância.

Assim como as provocações e factóides plantados pela imprensa reacionária, a repressão empregada pelos aparelhos de repressão do Estado burguês não é nenhuma novidade à nós. Desde nossa origem enquanto corrente política temos sido alvo da sanha repressiva dos patrões em conluio com o Estado. Há mais de um século temos resistido a todas essas investidas covardes, com o punho e a cabeça erguida e não será este episódio que irá afrouxar nossa combativa militância.

Responsabilizamos, por fim, os governos municipal, estadual e federal por mais este ataque covarde a nossa organização. Não nos intimidaremos e seguiremos empregando todos nossos esforços na construção de um povo forte, de um campo popular combativo que organize os oprimidos deste país e suas legítimas demandas.

Não passarão!
Abaixo a repressão aos que lutam!

Federação Anarquista Gaúcha – FAG

20 de Junho de 2013

[FARJ] Ato contra o aumento das passagens ocupa as ruas do centro e é reprimido pela Polícia Militar

Retirado:http://anarquismorj.wordpress.com/2013/06/09/ato-contra-o-aumento-das-passagens-ocupa-as-ruas-do-centro-e-e-reprimido-pela-policia-militar/

Cerca de 500 manifestantes ocuparam a Avenida Presidente Vargas em direção a Central do Brasil na noite de quinta-feira. A concentração do ato começou às 17h na Candelária e partiu em direção a Central gritando diversas palavras de ordem contra o vergonhoso aumento das passagens de ônibus.

As vias públicas foram interrompidas durante o trajeto diversas vezes (Av. Presidente Vargas). Cabe ressaltar que o ato não pediu nenhuma autorização  para ser feito! E assim deve ser sempre! O povo não precisa de autorização para ocupar um espaço que é seu: a rua!

Nós da Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ), organização integrante daCoordenação Anarquista Brasileira (CAB) somamos modestamente nossas forças neste ato, levando nossa bandeira rubro-negra junto com a bandeira negra da tendência combativa e autônoma Organização Popular (OP) e distribuindo nossos jornais LIBERA. O fim do ato foi reprimido com tiros de balas de borracha e gás lacrimogênio pela tropa de choque que como de costume protegeu os interesses de patrões e políticos. Não vamos mais ter ilusões com os “trabalhadores” de farda, termo enganoso que coloca do mesmo lado opressores e oprimidos. A manifestação se reagrupou dentro do saguão da Central do Brasil e depois foi se dispersando. Várias pessoas foram feridas e algumas presas, mas a luta continua e amanhã vai ser maior!!! Em breve mais notícias e análises em nosso site.

[FAG] PROTESTO NÃO É CRIME! CONTRA A CRIMINALIZAÇÃO DOS QUE LUTAM!

Retirado de: http://batalhadavarzea.blogspot.com.br/

Nota pública da FAG

NÃO SE INTIMIDAR.
NÃO DESMOBILIZAR.
RODEAR DE SOLIDARIEDADE OS QUE LUTAM!
PARAR A CRIMINALIZAÇÃO DO PROTESTO!
Porto Alegre, RS
A redução da tarifa do transporte coletivo peleada pela força das ruas foi uma vitória moral do movimento popular liderado pela juventude combativa. Continuar esse movimento é uma causa fora de renúncia. Só a luta social decide de baixo pra cima um modelo de transporte público, que arranque dos patrões o poder sobre o direito de ir e vir dos estudantes, da classe dos trabalhadores e da periferia urbana.
Nossos últimos dias de luta indicam que chegamos a uma nova fase da peleia. O bloco da reação volta ao ataque pela criminalização do protesto. Se conta cerca de 20 companheiros que já foram intimados e 5 indiciados pela polícia. Classe patronal, autoridades dirigentes do município e Estado, a imprensa monopolista estão coordenados no mesmo plano. Criminalizar os lutadores sociais, criar espantalhos, desencorajar a participação popular na luta pelo direito a cidade.
As audiências na delegacia de polícia que estão sucedendo com os companheiros intimados a depor confirmam essa linha da reação. A suposição de uma “organização secreta” que dirige as ações do movimento para fins ocultos é um espantalho pra assustar os desavisados e convocar a fuzilaria conservadora. Para esse discurso das instituições a luta social que vem de baixo sempre anda a reboque de interesses que não conhece. Velho artifício da batalha de ideias usado para confundir, desqualificar e liquidar com a oposição das ruas pelo controle do juízo público.
Na região metropolitana, os protestos que tomam as ruas em distintos municípios pela pauta da redução da tarifa tem enfrentado o discurso conservador da máfia do transporte que falsifica a planilha de custos. No expediente da polícia está a orientação de intimidar e identificar aqueles que protestam, inclusive querendo saber o endereço dos mesmos.
Não podemos aceitar a perseguição político-judicial dos companheiros de luta. Nossa mobilização tem que ser firme e decidida para não marchar pra trás e defender nessa hora nossos direitos de reunião, de associação e manifestação. A solidariedade com os processados deve ser uma palavra com a força de uma tonelada para a toda a esquerda combativa.
Na manifestação do Bloco da última terça-feira, a  tática da polícia formou um corredor polônes com duas linhas da cavalaria. Querem provocar o medo e desmobilizar a adesão aos protestos. Por sua vez, a investigação que deveria estourar a caixa preta da ATP (e seus sócios colaboradores da política e da grande mídia) rastreia e chafurda a vida dos manifestantes. Na semana passada, a polícia do Governo Tarso ensejou uma reunião para negociar e anunciou medidas de controle mais agressivas.
Diante disso nós reforçamos nossa atitude, a pauta do transporte público não é  um caso de polícia, a questão social urgente e necessária que se acusa só pode ser resolvida por decisão política. E para fazer cumprir suas demandas o povo não pode confiar seus interesses ao poder burocrático dos conchavos de gabinete e às decisões tomadas a portas fechadas entre elites políticas e grupos econômicos dominantes. A democracia de base é um mecanismo social que se representa na política pelas assembleias, pelas marchas, distintas formas de luta e organização de base dos setores populares.
Estamos unidos com o Bloco de Lutas na defesa de um modelo de trasporte coletivo 100% público, que liquide com o lucro dos patrões na exploração de nossos direitos, das liberdades públicas de acesso e mobilidade do conjunto do povo sobre a cidade. Um modelo público de transporte coletivo, junto com o fortalecimento da oposição sindical dos rodoviários contra os pelegos e o controle e a vigilância dos setores populares formam um projeto social que exige longas peleias pelo caminho. Para os anarquistas da FAG, o modelo público é um marco para acumular forças de mudança, avançar direitos e conquistar melhores serviços à revelia do controle dos capitais privados. Luta para empoderar o povo e não se acomodar nas estruturas burocráticas do poder, que usurpa a força coletiva em direito público, mas em causa particular.
Federação Anarquista Gaúcha – FAG
Porto Alegre, 01 de maio de 2013

[CAB] Nota de Repúdio em solidariedade aos estudantes da UFMT

Constantemente é dito que não vivemos mais em uma ditadura, mas presenciamos o quanto isso é questionável. Durante todo período da ditadura militar no Brasil ocorreu todo tipo de prática repressiva inimaginável contra os movimentos sociais, talvez em maior proporção aos movimentos estudantis que naquele momento se colocavam de maneira mais radical contra a censura e aos ataques aplicados contra a liberdade de expressão. Estamos chegando aos quarenta e nove anos do golpe militar no Brasil, quase meio século do fim de uma ditadura que prendeu, torturou, violentou, assassinou e sumiu com os corpos de militantes da esquerda brasileira. Mesmo depois de quase meio século dessa barbáridade, voltamos a ver essas mesmas práticas repressivas sendo aplicadas contra os movimentos sociais.

Em Cuiabá, cidade do estado de Mato Grosso, presenciamos no dia seis de março uma brutal repressão contra estudantes que fizeram uma manifestação por melhorias na assistência estudantil e contra o fechamento de cinco casas destinadas para a moradia dos estudantes universitários da UFMT (Univesidade Federal de Mato Grosso). Os estudantes fecharam pacificamente a avenida Fernando Correa da Costa quando foram surpreendidos pela presença da ROTAM que foi chamada para realizar a dispersão e liberação da avenida que foi utilizada como ponto da manifestação, porém foi na avenida lateral ao campus universitário de Cuiabá conhecida como Alzira Zarur – avenida principal do bairro Boa Esperança, mesmo bairro onde um estudante da UFMT, natural de Guiné-Bissau, foi brutalmente assassinado pela policia militar do estado mato-grossensse – que os estudantes foram brutalmente espancados e presos. A prática de disperção utilizada foi tapas e socos, principalmente, nos rostos dos e das estudantes, disparos de balas de borracha a queima-roupa que atingiu também um pedreiro que trabalhava em uma obra próxima ao ato. Uma estudante tomou um tiro de bala de borracha na mão e com isso sofreu uma fratura e terá que passar por cirurgia. Outro estudante tomou um tiro na costela que fez com que o mesmo espelice sangue pela boca… sem contar as possíveis torturas que devem ter sido aplicadas aos estudantes detidos. Foi contabilizado através de informações de alguns participantes que dez pessoas ficaram feridas e seis foram presas.

Essa é a política ideológica da “Ordem e Progresso” e essa é a democracia na qual vivemos. Uma repressão, disfarçada de democracia, cada vez maior contra os movimentos sociais, uma repressão que vem crescendo cada vez mais dentro das periferias para a realização da Copa do Mundo em 2014 e da Olimpíada em 2016.

Nós da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB) também nos colocamos contra as políticas de mercado aplicadas pelo Plano Nacional de Educação (PNE), voltadas para a precarização e a privatização da educação pública, e, reivindicamos a ampliação e implementação de políticas efetivas de assistência estudantil que garantam o acesso e a permanência. Algumas das várias bandeiras defendidas pelo movimento estudantil.

Portanto, declaramos total repúdio a brutalidade exercida pelo corpo militar repressivo do de Cuiabá e a postura conivente da administração superior da UFMT.

Declaramos também nossa total solidariedade a todas e todos estudantes que foram feridos e presos!

Por uma Educação Pública e de Qualidade!

Pela Autonomia dos Movimentos Sociais!

Contra a Brutal Repressão aplicada pelo Estado contra os Movimentos Sociais
Combativos e Classistas!

A História são os pobres que as fazem, a Vitória está nas Mãos de
quem Peleia!

Não tá morto quem peleia!

Coordenação Anarquista Brasileira – CAB

Coordenação Anarquista Brasileira

 

[FAG] Justiça intima para audiência militantes da FAG processados pela ex-governadora Yeda Crusius

Retirado de: http://vermelhoenegro.org/blog/2012/11/14/justica-intima-para-audiencia-militantes-da-fag-processados-pela-ex-governadora-yeda-crusius/

PROTESTO NÃO É CRIME!

Em 29 de outubro de 2009 a sede da FAG foi invadida por forças da polícia civil, com mandados de busca e apreensão de equipamentos e materiais de agitação política. 6 companheiros foram processados por crime de calúnia e difamação a mando da então chefe do governo do estado. O causador de tal medida: a campanha solidária com a luta dos Sem Terra em São Gabriel e a acusação da responsabilidade do governo pelo assassinato de Eltom Brum, com um tiro pelas costas da polícia durante despejo de uma ocupação.

Para a FAG esta ação judicial-repressiva pretendia mais que tudo criminalizar o protesto social. Não negociamos nossa liberdade de expressão e tampouco silenciamos nossos reclamos de justiça e punição dos mandantes e assassinos do trabalhador Sem Terra Elton Brum. Ao longo dos últimos três anos temos militado essa causa, junto de outros companheiros e outros setores populares, sem descanso e nem esquecimento.

No dia 3 de dezembro deste 2012 seis companheiros processados neste caso estão mais uma vez intimados pela justiça para uma audiência no Foro de Porto Alegre, 6° Vara Criminal.

Quer saber mais sobre o processo e a ação repressiva sofrida pela FAG, leia a entrevista realizada pelo jornal Socialismo Libertário n°24 feita em meados de 2010 no link abaixo.

Entrevista com a FAG no Soli nº 24.

NÃO TÁ MORTO QUEM PELEIA!
Federação Anarquista Gaúcha

[FARJ] Devemos apoiar a greve da polícia?

 O presente texto foi publicado no site de nossos companheiros e companheiras da FARJ. Resolvemos publicá-lo por termos acordo com seu conteúdo.  Fora que  agora, aqui no Paraná, tanto a Polícia Militar quanto a Polícia Civil, ameaçam entrar “em greve”. Vejamos então sua pertinência para a práxis de nossos lutadores:

Devemos apoiar a greve da polícia?

Retirado do site http://www.farj.org/ no dia 16 de fevereiro de 2012.

Federação Anarquista do Rio de Janeiro

A recente greve da polícia militar da Bahia retoma uma discussão antiga no interior do campo das esquerdas. A discussão se orienta, basicamente, no que diz respeito à posição dos trabalhadores em relação à greve policial e o apoio, ou não, a esta “categoria”. Em termos gerais, as posições podem ser dividas em dois blocos[1]. Há os que defendem greve dos policiais por ser esta uma categoria de assalariados e, portanto, de explorados, ou seja, trabalhadores como quaisquer outros, e aqueles que não defendem os policiais, por entenderem que o papel destes vincula-se diretamente à repressão. E aqueles que não defendem a greve por identificarem o papel de repressão social que cabe à polícia no sistema capitalista, ou seja, pertencentes à classe dos opressores e exploradores.

Os grupos que apóiam a greve dos policiais reivindicam principalmente que, dentro das PMs, haveria uma “divisão classista”[2]: um setor mais ligado às classes dominantes (oficialato) e outro, explorado pelo primeiro, composto pelas chamadas baixas patentes (soldados, cabos, sargentos), que por sua condição de explorados, deveriam receber taticamente o apoio das esquerdas “revolucionárias”. Outro argumento, reforçando a tese dos que defendem o apoio à greve dos policiais, é o de que a polícia estaria também em “disputa”. Assim, ignorar a possibilidade de influenciar este setor seria, entre outras coisas, um posicionamento puramente “idealista” para aqueles que desejam a ruptura num processo revolucionário.

Valendo-nos da nossa constituição ideológica libertária, antes de irmos ao campo da teoria, onde nossas análises poderão ser melhor fundamentadas. Lembremos do despejo do Pinheirinho, executado “magistralmente” pela Polícia Militar, cujos setores do baixo oficialato, mesmo “explorados” economicamente, cumpriram eficientemente sua função ao reprimir, espancar e despejar (sem mencionar as denúncias de violência sexual). Recordemo-nos também da atuação da Polícia Militar nos morros cariocas, que mata e assassina nosso povo pobre e negro sob o pretexto do combate ao narcotráfico. Vamos recordar as ações repressivas das Polícias Militares em manifestações estudantis e de trabalhadores, permitindo ao capital seu livre trânsito e reprodução. Sem mencionar, ainda que fosse necessário, a função da polícia na manutenção das desigualdades e na defesa dos exploradores e dominadores de nosso povo. Alguns satisfariam-se com as reflexões feitas até aqui. Acrescentaríamos à estas certezas ideológicas, o reforço da experiência de muitos militantes dos movimentos populares em que estamos inseridos, e que convivem dia a dia com a opressão, o racismo e a repressão dos “trabalhadores” policiais!

Mas é preciso também combater no terreno da teoria, já que determinadas organizações políticas de esquerda, que apóiam a greve policial, responderiam-nos que essa polícia só é desta forma por causa dos que a controlam, e que a tática de apoio à greve policial está inscrita numa estratégia muito mais “ampla” de derrota do capitalismo.

Neste ponto entramos no campo das análises para fundamentarmos melhor as nossas reflexões. Em grande medida, aqueles que defendem o apoio aos policiais o fazem, principalmente, por aplicarem leituras teóricas completamente equivocadas. Comecemos pelo primeiro equívoco que diz respeito ao funcionamento do poder. Entender a instituição policial apenas pela ação daqueles que a controlam é um erro grave de análise que leva a reducionismos. A sociedade capitalista está estruturada  por relações de poder e esferas de dominação, estas últimas interdependentes. Deste modo, não se pode explicar a dominação social exercida pela polícia apenas como um efeito “secundário” da esfera econômica, cuja “natureza” seria modificada apenas com a mudança do sistema capitalista pelo socialista, ou se a instituição fosse gerida por uma “ditadura do proletariado”. Há de se perceber que o socialismo e a liberdade se forjam com novas instituições, novos valores. A natureza da polícia não pode ser compreendida apenas em função de quem a “controla”, tampouco entendê-la exclusivamente a partir dos acordos de “gabinetes” e dos discursos emitidos por sua cúpula. Deve ser compreendida pela ação concreta que teve esta instituição na história: do soldado ao oficial, a polícia sempre esteve a serviço dos exploradores e dominadores e fôra o núcleo duro da reação contra os trabalhadores. Há interdependência desta estrutura repressiva com as outras esferas de dominação (econômica, política, cultural/ideológica, etc). As esferas policial e militar cumprem, deste modo, um papel tão relevante para a manutenção do capitalismo quanto a esfera econômica. Acreditar que a instituição policial (e também o Estado) pode ser “moldada” à vontade de seus gestores é ignorar os processos históricos que nos indicam que:

[…] a classe burguesa tem que remodelar um estado que já vinha antes e que tem suas coisas próprias. A “nova classe” burguesa se adapta à dominação existente, resultando outra conformação do poder político[3].

A esquerda que decide apoiar os “trabalhadores” policiais acredita, ingenuamente, que seja capaz de “moldar” à vontade a esfera militar do sistema de dominação capitalista em seu núcleo mais duro? Garantem, assim, não os caminhos táticos que levariam à desestruturação do sistema, mas com este apoio a polícia acabam reforçando, na população e nos movimentos sociais, a idéia de que essa esfera de dominação jamais deva ser colocada em questão!

Nesse sentido, a lição da Revolução Mexicana traz um elemento teórico fundamental da desintegração da esfera de dominação militar da burguesia: é o povo em armas que põem a polícia numa crise decisiva, e não a própria polícia! A polícia não está em disputa! Um povo forte põem a polícia em crise! Não é a toa que o primeiro golpe contra a esfera militar da burguesia tenha sido dado, não à partir de seu interior, mas surja pela generalização de elementos do poder popular que a colocam francamente em cheque como instituição.

Outra questão é o conceito de classe, extremamente simplista, utilizado pelos grupos que defendem a tese do “trabalhador de farda” ou “trabalhador da segurança”. Ao generalizar um conceito de classe baseado apenas no quesito da exploração econômica e das relações de produção capitalistas, entende-se erroneamente o policial como um “trabalhador explorado”, já que este também é assalariado e, assim, poderia obter uma consciência de classe a partir desta sua condição. Para isto retomemos os anarquistas que aprofundaram com maior complexidade este tema. O policial pode estar inserido em uma condição de assalariado, e até ser “oprimido” no interior de sua estrutura institucional, mas possui uma função vital para a perpetuação do sistema de dominação capitalista, que é a defesa da propriedade privada, além do controle, repressão e extermínio das classes oprimidas e todos aqueles setores da população que buscam se organizar de alguma forma para a a reivindicação de demandas sociais.

Qualquer ideologia que busque a ruptura e a revolução social, e pretenda construir sua teoria de ação eficaz nesse sentido, deve buscar um conceito de classe amplo e que tenha correspondência com a complexidade das sociedades atuais. Num entendimento de que as pessoas se movem não apenas por interesses e demandas materiais e econômicas, ou que todas as esferas sociais não passam de desdobramentos das relações de produção capitalista. Existem demandas culturais, morais, religiosas que os trabalhadores constróem e atribuem sentido socialmente. Assim como existem relações de dominação que extrapolam as relações de produção, como a dominação de gênero, por exemplo. Nenhuma destas relações de dominação exclui o fato de termos de lutar contra a dominação econômica, articulando esta luta com as demais lutas contra a dominação. Isto não significa afirmar que este conceito mais amplo de classe esbarre no vazio intelectual daqueles que insistem em dizer que as “classes não existem”, ou que a realidade modificou-se tão rapidamente, que é impossível dizer o que é uma classe ou que este conceito não dá conta da realidade. À estes lembramos apenas de Pinheirinhos[4], de Oaxaca e mais recentemente, do confronto dos trabalhadores e policiais nos trens do Rio de Janeiro! Não pretendemos cair num subjetivismo estéril, deixemos isso aos charlatães e os candidatos a iconoclastas. O capitalismo continua forte e sabe adaptar-se, se entrecruzando com outras formas de dominação, mas o núcleo duro repressivo (exército e a polícia) é  fundamental para sua manutenção.

Alguém acredita que aqueles que trabalham prazeirosamente dentro da polícia, mesmo nos setores do baixo oficialato o fazem apenas por motivações econômicas?

            Não sejamos levianos ao comparar uma greve policial a uma greve de outras categorias dos trabalhadores e dizer que ambas se equivalem e são a mesma coisa. É preciso ter cuidado com o discurso que diz que todas as categorias, ou mesmo políticas governamentais, dentro de um sistema de dominação se equivalem. Dizer que tudo é equivalente (um professor, um parlamentar, um policial, um juiz), é não ser sincero com os fatos. Não podemos dizer que “tudo se equivale”, pois o que caracteriza o efeito da distribuição desigual do poder, e portanto, também das classes, é, de certo modo, a localização que os agentes ocupam na estrutura dura do sistema de dominação, e os benefícios individuais (não necessariamente econômicos) que estes indivíduos recebem por ocupar essas posições. O apoio a greve da polícia em ano das eleições contra o governo petista da Bahia, a defesa da “polícia” cidadã e da militarização das cidades, são estratégias perigosas, e pouco contribuem a luta pelo socialismo e pela liberdade. A greve policial não pode ser vista além do que realmente é: uma reivindicação que visa o aumento de salário e a melhora de condições para continuar chacinando nosso povo e defender de forma mais eficiente a burguesia e o capital. Ainda que existam “setores explorados” no baixo oficialato, isto não muda em nada a função francamente reacionária do aparato policial contra nós trabalhadores.


[1] Cf. FERREIRA, HEMERSON. A esquerda diante da greve de PMs na Bahia: o que fazer? Disponível em <http://www.diariodaclasse.com.br/forum/topic/show?id=3451330:Topic:59955&xgs=1&xg_source=msg_share_topic&gt; Acessado em 08/02/12.

[2] Idem.

[3] Federação Anarquista Uruguaia-Federação Anarquista Gaúcha. Documento Wellington Gallarza-Malvina Tavares. Impresso em 2011.

[4] Os lumpemproletariados de Pinheirinhos, pela teoria marxista tradicional, deveriam comportar-se como verdadeiros reacionários, já que Marx no Manifesto Comunista, relaciona a posição excluída do lumpemproletariado no sistema de produção com o apoio as camadas mais reacionárias das elites dominantes. Chama-os de “rebotalho” do capitalismo (incluindo também os camponeses). Felizmente os sistemas teóricos vez ou outra são contrariados pela prática e a experiência da classe.

Solidariedade do CALC com a FAG: Luta não é crime!

Solidariedade com a Federação Anarquista Gaúcha

Moção de apoio de organizações à FAG.

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Na 5ª feira, 29 de outubro, a Polícia Civil do Rio Grande do Sul (Brasil) sob comando da governadora Yeda Crusius, invadiu a sede da Federação Anarquista do Rio Grande do Sul. A polícia apreendeu vários materiais como cartazes, atas de reunião, o HD de um computador e também o conteúdo de latas de lixo que estavam no local. Ela também tentou intimidar aqueles que demonstraram sua solidariedade e cujos nomes estavam no site da organização. Dois companheiros foram levados à delegacia para depor e estão sendo processados.

Os companheiros da FAG lutam há anos contra a exclusão e a precariedade, defendendo a justiça e condições de vida mais dignas. É muito conhecido seu trabalho com os catadores (coletores de materiais recicláveis), com os sem-teto, os sem-terra. Um trabalho que é realizado há anos com os “de baixo”.

Este é o motivo de a polícia do estado do Rio Grande do Sul estar reprimindo os companheiros da FAG. Um estado imerso em escândalos de corrupção e que adota uma atitude repressora contra coletivos e organizações que exercem livremente a liberdade de expressão para criticar as diferentes políticas antipopulares do governo. Esta é a resposta do governo aos protestos sociais. E a FAG não foi a primeira a ser atacada: devemos recordar do assassinato do camponês sem-terra Eltom Brum e a morte de Marcelo Cavalcante em fevereiro passado.

Condenamos fortemente estes atos de repressão. Denunciamos a incongruência da política governamental brasileira, uma política de direita com discurso de esquerda. Uma política que é regida pelos mesmos parâmetros econômicos que ditam as multinacionais e portanto por suas mesmas táticas militaristas e repressoras.

Não só rechaçamos a repressão governamental, mas também queremos manifestar nossa solidariedade e apoio aos companheiros e companheiras da FAG pelo trabalho que realizam com as pessoas simples de seu povo, um trabalho constante e tenaz, que os poderes governamentais e policiais pretendiam calar por meio do terror, da intimidação, da repressão. Estamos seguros que não vão conseguir.

È importante demonstrarmos nosso apoio e solidariedade. Por este motivo, apelamos a todos coletivos e organizações anarquistas, libertários ou de base para protestarem contra este ataque.

30 de Outubro 2009

Federazione dei Comunisti Anarchici (Itália)
Zabalaza Anarchist Communist Front (África do Sul)
Alternative Libertaire (França)
Melbourne Anarchist Communist Group (Austrália)
Workers Solidarity Movement (Irlanda)
Federação Anarquista do Rio de Janeiro (Brasil)
Pró-Federação Anarquista de São Paulo (Brasil)
Red Libertaria Popular Mateo Kramer (Colômbia)
Federación Anarquista Uruguaya (Uruguai)
Workers Solidarity Alliance (E.U.A.)
Organização Resistência Libertária (Brasil)
Unión Socialista Libertaria (Perú)
Organización Revolucionaria Anarquista “Voz Negra” (Chile)
Pró-Coletivo Anarquista Organizado de Joinville (Brasil)
Coletivo Anarquista Zumbi dos Palmares (Brasil)
Estrategia Libertaria (Chile)
Vermelho e Negro (Brasil)
Rusga Libertária (Brasil)
Coletivo Anarquista Luta de Classes (Brasil)
Union communiste libertaire (Quebeque, Canadá)
Československá anarchistická federace (Checoslováquia)
Counter Power (Noruega)

* Este texto foi baseado na moção de apoio enviada pela CGT da Espanha.