Arquivo da tag: resistência

[ORL] SAUDAÇÕES À COMEMORAÇÃO DOS 5 ANOS DA ORGANIZAÇÃO RESISTÊNCIA LIBERTÁRIA

Retirado de: http://www.resistencialibertaria.org/index.php?option=com_content&view=article&id=110:saudacoes-a-comemoracao-dos-5-anos-da-organizacao-resistencia-libertaria&catid=84:anarquistas&Itemid=64

No último dia 14 de novembro a Organização Resistência Libertária [ORL/CAB] comemorou seus 5 anos de luta. Na ocasião tivemos uma mesa-debate pública chamada “O Anarquismo e suas contribuições para os Movimentos Sociais”, ao lado de organizações políticas irmãs do Nordeste e Norte desse país. Reproduzimos abaixo as saudações que nos foram enviadas pelas Organizações da Coordenação Anarquista Brasileira [CAB] e que não puderam estar presentes. Pedimos desculpas por não reproduzir aqui algumas saudações pronunciadas por Organizações irmãs e indivíduos na ocasião no evento – só não estamos fazendo pela falta do registro escrito, já que não gravamos a fala.*

 


 

Saudação do Coletivo Anarquista Zumbi dos Palmares [CAZP-Alagoas]

Sementes foram e continuam sendo plantadas por estes lados, hoje, do solo nordestino, podem ser colhidos os frutos da luta pelo Socialismo Libertário. Esta luta não é simples, nem tampouco de curta duração. Para tal é necessário vontade histórica, determinação enquanto lutadoras e lutadores organizados, além de inflexibilidade quanto aos nossos princípios.

Nós, do Coletivo Anarquista Zumbi dos Palmares, certos estamos que o dito cima é aceito e compartilhado com as companheiras e companheiros da Organização Resistência Libertária, que, com retidão ética, muita generosidade ao ensinar e muita vontade em aprender, tem estimulado o diálogo e a participação – dos indivíduos e organizações mais próximas aos indivíduos e organizações mais distantes -; dando uma contribuição imensurável à nossa ideologia anarquista e, especialmente, à nossa estratégia especifista.

Desde a terra de Palmares, saudamos, portanto, a Organização Resistência Libertária neste seu quinto aniversário, motivados não apenas pela alegria desta comemoração – embora esta não seja pouca – mas também, a partir da compreensão de que nossa luta é um processo contínuo, desejamos que cada aniversário seja revertido em ânimo para seguirmos juntos nessa caminhada.

Coletivo Anarquista Zumbi dos Palmares

 

Alagoas – Novembro de 2013

 

Saudação do Coletivo Anarquista Luta de Classes [CALC-Curitiba]

 

Curitiba, 13 de novembro de 2013.

Saúde aos 5 anos de luta e resistência da ORL!

Salve companheiros e companheiras da Organização Resistência Libertária!

É com muita alegria que nós, do Coletivo Anarquista Luta de Classes, os saudamos pelos árduos, mas construtivos, 5 anos de luta e resistência anarquista no Ceará. Por mais que a distância que nos separe seja grande, a nossa proximidade política à suprime. Temos em mente que nosso objetivo é o mesmo: superar o capital e acabar com toda forma de dominação. Esperamos sinceramente que o anarquismo social no Brasil continue à se fortalecer e isso não pode ser construído sem a solidariedade entre as organizações e companheiros/as anarquistas organizados. Sabendo que os/as companheiros/as da ORL acreditam e colocam em prática os princípios que são tão caros à nós, anarquistas organizados, tal como afirmam em sua carta de apresentação:

uma organização específica de anarquistas, resultante da livre vontade de indivíduos de unir e coordenar seus esforços de forma horizontal e autônoma, pautados na liberdade e na responsabilidade individual e coletiva, no apoio mútuo e na democracia direta, com a disposição de militar socialmente, visando contribuir para a construção de experiências de organização e de lutas sociais com perspectiva anti-capitalista

Isto por si só, e a consciência de que os/as companheiros/as colocam tais princípios em prática, já nos basta à ser totalmente solidários e à desejar estar junto em nossas lutas. Acreditamos, assim como a ORL, que este sistema de dominação e exploração não é sustentável, e utópico é quem não aceita o fim inevitável deste sistema.

Por fim, sabemos que estamos juntos hoje e esperamos que nossa unidade tenha vida longa, assim como a ORL! Que venham mais 5, 10, 15 anos!

Saúde à ORL!

Viva a CAB!

Viva o anarquismo organizado!

Coletivo Anarquista Luta de Classes – CALC-CAB

 

Saudação da Federação Anarquista Gaúcha [FAG-Rio Grande do Sul]

ADESÃO FAG AOS 5 ANOS ORL

Nós da Federação Anarquista Gaúcha queremos saudar a ORL pelo seu aniversário de 5 anos e mandar a toda sua militância um caloroso abraço!

Para nós é significativo que 3 organizações que integram a CAB estejam de Aniversário em datas próximas (nós, vocês e a FARJ). Acreditamos, dessa forma, que é um momento importante de reafirmarmos nossa convicção e firmeza ideológica e nosso pertencimento a essa fraternidade libertária que é a CAB e que tem muito ainda a contribuir com a organização e luta das classes oprimidas.

Vivenciamos uma conjuntura importante nesse ano que passou, aprendemos muito e acredito que ainda temos muito a aprender, coletiva e organizadamente é claro. O ano que se aproxima, ano de Copa e de Eleições, nos parece ser um ano de recrudescimento da repressão, do aprofundamento das medidas de cerceamento das liberdades legais… Não podemos dizer que estamos às portas de uma ditadura. Trata-se de mecanismos que a democracia burguesa tem utilizado quando aumenta a indignação e a luta popular. Mas podemos dizer que o ano de 2013 foi um marco e tem nos indicado que entraremos em um novo período da luta de classes. Necessitamos ajustar nossas lentes e estar em dia com a análise da conjuntura para melhor nos situarmos politicamente. Acreditamos que é um bom momento para intensificarmos a propaganda Anarquista e consolidarmos o Anarquismo como uma referência que já é para muitos, mas que pode ser para muitos mais.

E vamos adiante companheirada!

Um forte abraço desde o Rio Grande do Sul, desde a militância da FAG e Não tá morto quem peleia!

Viva a ORL, Viva a Anarquia!!!

 

Saudação do Coletivo Anarquista Bandeira Negra [CABN-Santa Catarina]

SAUDAÇÃO À ORGANIZAÇÃO RESISTÊNCIA LIBERTÁRIA

Companheiras e companheiros,

O Coletivo Anarquista Bandeira Negra, de Santa Catarina, escreve esta saudação referente aos cinco anos de existência da Organização Resistência Libertária, de Fortaleza, Ceará.

Apesar da longa estrada que nos separa geograficamente, nos sentimos próximos por conta do trabalho incessante de construção do anarquismo com laços efetivamente solidários, classistas e inseridos nas lutas pela transformação social da realidade perversa que o capitalismo neodesenvolvimentista impõe ao povo sofrido das diferentes regiões do Brasil. Que por toda parte sigamos avançando juntos/as, ombro a ombro, na luta dos/as de baixo, criando o poder popular!

Desejamos às nossas irmãs e irmãos de classe e de ideologia muita força e rebeldia para as lutas e desafios que virão pela frente!

Lutar hoje e sempre!

Pelo Socialismo Libertário!

Vida longa à Organização Resistência Libertária!

 

Coletivo Anarquista Bandeira Negra

Santa Catarina, 13 de novembro de 2013.

 

Saudação da Federação Anarquista do Rio de Janeiro [FARJ-Rio de Janeiro]

Saudamos os compas da ORL pela coerência, perseverança e compromisso ético para lutar pelo socialismo e a liberdade. Nós consideramos Organização Irmã, com os desafios e punhos cerrados do anarquismo levantados em diferentes regiões do país.

José Oiticica vive exemplo de luta da ORL!

Viva o Anarquismo!

Viva a CAB!

Vida longa a ORL, até a batalha final!

Federação Anarquista do Rio de Janeiro

14 de novembro de 2013

 

Saudação da Organização Anarquista Socialismo Libertário [OASL-São Paulo]

Saudação da OASL aos 5 anos da ORL

Companheiras e companheiros da ORL,

Já se vão 5 anos daquele 2008, quando o anarquismo se rearticulava no Ceará e se fundava a Organização Resistência Libertária! Parece que foi ontem aquele debate cheio de pessoas interessadas e muito frutífero, realizado no momento de fundação da organização.

Como sabemos, esse esforço custou muito esforço e dedicação da militância. É sempre difícil organizar algo localmente quando não há uma geração precedente de militantes ou mesmo uma tradição recente de anarquismo. E vocês tiveram o mérito de, partindo de relações estabelecidas com outros estados, construir um processo sólido em Fortaleza, que vem estabelecendo raízes junto ao povo cearense. Avançaram nas discussões, fortaleceram o trabalho de base e a propaganda.

Fortaleza possui um caminho com o qual nos identificamos. Temos uma trajetória com alguma similaridade, pois, mesmo encontrando na FARJ certo referencial, tivemos de nos desenvolver localmente; tivemos de aprender a caminhar caminhando.

Sem dúvidas, desde sua fundação, a ORL tem construído trabalhos sólidos e aprofundado suas linhas ideológica e estratégica, dando continuidade a uma proposta coerente aos objetivos do anarquismo especifista.

Hoje, a ORL é uma organização chave da CAB, espaço que ajudou a conformar em 2012. Estamos orgulhosos que vocês estejam fortalecendo o anarquismo no nordeste e esperamos que esse esforço possa continuar nos próximos anos, com a mesma motivação que tem caracterizado esses cinco anos de luta.

Arriba l@s que luchan!

Lutar, criar, poder popular!

Organização Anarquista Socialismo Libertário – OASL

São Paulo, novembro de 2013

 

* Os seguintes grupos e individualidades também fizeram saudações à comemoração dos 5 anos da ORL: Coletivo Libertário Delmirense [COLIDE], Núcleo Anarquista Resistência Cabana [NARC], Coletivo Anarquista Ademir Fernando [CAAF], Carlão (Anti-quiprocó), Adelaide Gonçalves (UFC), José Ribamar (Professor da Rede Pública Estadual), Patrícia Ximenes (Psicóloga)

 

Saudação à fundação do Núcleo Anarquista Resistência Cabana (NARC-Pará)

1459270_1436857969871384_1707581584_n

É com felicidade que nós aqui do Sul, mais exatamente do Paraná, do Coletivo Anarquista Luta de Classe recebemos a noticia da fundação de mais uma organização Especifica, o NARC (Núcleo Anarquista Resistência Cabana), pois acreditamos que  este esforço organizativo, leva nosso anarquismo organizado ao norte deste país, terra marcada pela resistência indígena, negra e claro dos trabalhadores/as.

Sabemos que somente com organizações anarquistas espalhadas por todo o território brasileiro que poderemos fazer do anarquismo um instrumento de luta para as classes exploradas.  Temos visto o anarquismo ocupando espaço protagonista nas lutas sociais que tomaram as cidades do Brasil, todavia sabemos que se não apresentarmos alternativas organizativas a justa revolta que toma as ruas, dificilmente poderemos fazer do anarquismo a “bussola” que deve ser, apontando para o caminho do socialismo e da liberdade.

Temos a certeza que de que o NARC buscara inserir o anarquismo nas lutas sociais, do contrário não teria escolhido prestar homenagem a Cabanagem, revolta de caboclos, índios e negros, que ocorreu entre os anos de 1835 e 1840, na então Província de Grão-Pará  . Deste modo acreditamos cerrar fileiras junto ao NARC que já busca fazer do anarquismo instrumento de luta dxs exploradxs, honrando o espírito Cabana .

Vida longa ao NARC!

Lutar, Criar Poder Popular!

calc_cmyk_01

[FAG] DE YEDA A TARSO REFORMA AGRÁRIA SEGUE SENDO CASO DE POLÍCIA EM SÃO GABRIEL.

Retirado de: http://batalhadavarzea.blogspot.com.br/2013/10/de-yeda-tarso-reforma-agraria-segue.html

Crônica sobre os fatos ocorridos ontem dia 03 de outubro no Assentamento Madre Terra, São Gabriel/RS.

Localizado à mais de 80 kms de qualquer centro urbano, cravado na divisa dos municípios de Santa Maria e São Gabriel, o assentamento Madre Terra é uma pequena ilha da agricultura familiar rodeada de latifúndio e monocultura por todos os lados, onde algumas dezenas de famílias extremamente pobres lutam para ganhar a vida plantando arroz orgânico e produzindo diversos outros alimentos mesmo à contragosto dos governos e do agronegócio. Esse assentamento foi criado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) em 2009. Porém, de lá pra cá, se passaram quatro anos e nada do que foi planejado e prometido por parte do órgão à essas famílias foi realizado.

No Madre Terra em 2013 ainda não existe energia elétrica, não existe rede de água potável, as famílias não acessaram os créditos mínimos para poder produzir, não existe estradas para o escoamento da produção e transporte escolar. Foi por tudo isso que, na tarde de ontem, após deliberação coletiva estas famílias resolveram reter um caminhão da Prefeitura Municipal de São Gabriel que estava circulando pela localidade de modo a denunciar e cobrar do INCRA, da Prefeitura e do Governo do Estado providências com relação as estradas e as demais demandas do assentamento.

Mas ao contrario desse gesto de protesto abrir o dialogo com os órgãos responsáveis o que se viveu no Madre Terra ontem foi outro cenário; as famílias trabalhadoras homens, mulheres, idosos e crianças foram sitiados na sede do assentamento pela Brigada Militar. Terror psicológico empreendido pela BM fortemente armada com fuzis, escopetas e outras armas de grosso calibre que tem ameaçado à todo instante “transformar o local numa Southall”.

Só para lembrar e deixar claro o que estavam tentando dizer com o “transformar numa Southall”: a Fazenda Southall foi palco inúmeras repressões violentas sofridas pelas famílias Sem-Terras de 2003 até fins de 2009 ela foi ocupada diversas vezes e suas desocupações sempre foram truculentas a ponto de em 21 de agosto de 2009 a BM assassinar a sangue frio, pelas costas o companheiro Elton Brum. Existem ainda engavetados registros de torturas e diversas outras violações contra os direitos humanos em São Gabriel protagonizadas pela “nobre instituição” a mando dos latifundiários, dos políticos locais e do agronegócio.

Porém, ontem as hienas ao contrário do que desejavam devido a distância que se encontravam do próprio ninho e sem mandado de reintegração de posse do veículo e a resistência por parte das famílias assentadas tiveram que abandonar o local, sem conseguir machucar ninguém e sem poder levar o objeto em disputa, o caminhão. Saíram ameaçando voltar em maior número.

Hoje saiu o mandato de reintegração de posse, porém uma delegação de assentados foi a cidade negociar a situação e apresentar a pauta aos órgãos do governo. As famílias seguem resistindo e prometem seguir com o protesto até terem suas demandas atendidas.

Reforma Agrária de verdade. Já!
Não ta morto quem luta e quem peleia!!!

Federação Anarquista Gaúcha – FAG

*Foto da mobilização das famílias do Assentamento Madre Terra no INCRA e Ministério Público de São Gabriel, em ato por infra estrutura para os assentamentos e em memória a mais um ano do assassinato covarde e impune de Elton Brum.

[CAB] Protesto não é crime! Basta de criminalização aos movimentos sociais!

Nota da Coordenação Anarquista Brasileira

Nesse primeiro semestre houve diversas mobilizações de norte a sul do Brasil que enfrentaram a reação conservadora dos governos, do aparelho repressivo e da mídia. Desde as lutas em defesa do transporte público nas capitais, passando pelas greves nos canteiros de obras do PAC, até a resistência indígena dos povos originários, todas essas lutas foram alvos da criminalização do protesto que segue em curso no país sede da Copa do Mundo.

Vivemos um dos momentos mais agudos dos ataques das classes dominantes aos povos originários no Brasil. O capital internacional avança diariamente a passos largos, explorando os trabalhadores e as trabalhadoras na busca do lucro.

A Copa vem aí! E além de mega-eventos como este, temos os mega-empreendimentos do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) e da IIRSA (Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional Sul-americana). Com eles, a implementação de muitas das atuais políticas públicas urbanas, energéticas e rurais, manifestam-se na forma destes ataques, aprofundando ainda mais as feridas destes 500 anos de massacres!

Desapropriações e despejos estão a todo vapor e empreendimentos surgem num piscar de olhos. O dinheiro do povo, numa fração de segundos, desce pelo ralo do desperdício. Em várias cidades que sediarão (e mesmo as que não sediarão) a Copa, construções e mais construções são anunciadas. De licitação em licitação, as empreiteiras saem ganhando às custas do suor do povo, e os governos estaduais e municipais botam em funcionamento seu rolo compressor em benefício de grandes empresários e da especulação imobiliária.

Ao passo que avançam os grandes projetos para beneficiarem as elites, é parte desse processo também a criminalização do protesto e da pobreza com a repressão e perseguição daqueles que lutam contra as injustiças nesse país.

A luta pelo transporte público como ensaio de poder dos oprimidos da cidade.

Todos os anos, em distintas cidades de nosso país somos atacados logo nos primeiros meses pela patronal do transporte em conjunto com o poder público com escandalosos aumentos nos preços das passagens de ônibus. O precário transporte coletivo que envolve ônibus em péssimo estado (sem as devidas adaptações para deficientes físicos), linhas atrasadas e superlotadas, um regime de super exploração aos trabalhadores do setor aliado a uma tarifa exorbitante, fazem parte de uma série de desrespeitos impostos pelos de cima aos trabalhadores e oprimidos de norte a sul deste país.

Essa escandalosa situação tem levado sobretudo a juventude a se mobilizar e tomar as ruas contra os aumentos, pelo passe livre estudantil e para desempregados e por um outro modelo de transporte, que seja 100% público.Já se vai mais de uma década onde inúmeras capitais brasileiras começaram a ser literalmente sacudidas pelas lutas contra o aumento da tarifa de ônibus e pelo passe livre para estudantes e desempregados. Temos como exemplo mais recente as vitórias que se deram pela força das ruas em Porto Alegre/RS e Goiânia/GO. Longe de haver sido uma conquista exclusiva da atuação de um determinado partido, a revogação do aumento da tarifa é fruto da contundente decisão com que milhares de jovens, trabalhadores e desempregados, tomaram as ruas, ocuparam terminais, organizaram piquetes em garagens e mobilizaram seus amigos e companheiros nos locais de trabalho, estudo e moradia, na luta contra o aumento.

A redução da tarifa do transporte coletivo pela força das ruas é uma vitória moral do movimento popular liderado pela juventude combativa. Longe de terem sido mobilizações virtuais, essa reação é fruto de um árduo trabalho de inúmeros companheiros e companheiras, onde modestamente temos aportado nossa contribuição.

Outras lutas pela redução da tarifa multiplicam-se pelo Brasil e ao mesmo tempo a reação conservadora formada pelos governos, pela mídia e os empresários tentam legitimar a repressão e a criminalização dos lutadores sociais com dezenas de prisões durante os protestos e processos judiciais. Classe patronal, autoridades dirigentes do municípios e Estados, a imprensa monopolista, todos estão coordenados no mesmo plano: criminalizar os lutadores sociais, criar espantalhos, desencorajar a participação popular na luta pelo direito a cidade.

Não podemos aceitar a perseguição político-judicial dos companheiros de luta. Nossa mobilização tem que ser firme e decidida para não marchar pra trás e defender nessa hora nossos direitos de reunião, de associação e manifestação. A solidariedade com os processados deve ser uma palavra com a força de uma tonelada para a toda a esquerda combativa.

Diante disso nós reforçamos nossa atitude, a pauta do transporte público não é um caso de polícia, a questão social urgente e necessária que se acusa só pode ser resolvida por decisão política. E para fazer cumprir suas demandas o povo não pode confiar seus interesses ao poder burocrático dos conchavos de gabinete e às decisões tomadas a portas fechadas entre elites políticas e grupos econômicos dominantes.

A democracia de base é um mecanismo social que se representa na política pelas assembleias, pelas marchas e nas distintas formas de luta e organização de base dos setores populares.

Estamos unidos na defesa de um modelo de transporte coletivo 100% público, que liquide com o lucro dos patrões na exploração de nossos direitos, das liberdades públicas de acesso e mobilidade do conjunto do povo sobre a cidade. Para os anarquistas da CAB, o modelo público é um marco para acumular forças de mudança, avançar direitos e conquistar melhores serviços à revelia do controle dos capitais privados. Lutar para empoderar o povo e não se acomodar nas estruturas burocráticas do poder, que usurpa a força coletiva em direito público, mas em causa particular.

A resistência indígena diante do agronegócio e os mega-empreendimentos.

Diversas mobilizações dos povos indígenas marcaram o primeiro semestre deste ano, entre essas, a legítima ocupação do plenário da Câmara dos deputados por cerca de 300 indígenas, além dos diversos protestos por todo o Brasil na semana que registrava o dia internacional do meio ambiente, o 5 de junho. Há mais de uma centena de proposições legislativas contrárias aos direitos dos povos em tramitação na Câmara e no Senado. Dentre elas, destaca-se a PEC 215. PEC quer dizer, Proposta de Emenda à Constituição, pode ser apresentada pelo Presidente, pelo Senado ou por mais da metade das Assembleias Legislativas e, sendo aprovada, permite que se façam mudanças no texto da Constituição. Junto com a mudança do código florestal, esta PEC 215 significa mais um atentado da conservadora bancada ruralista contra o povo, apoiada por partidos como o PMDB, PP, DEM, PSD, PR, PSDB, PTB, PDT e PPS. Se for implementada, a proposta de emenda dará ao Congresso o direito e a responsabilidade de demarcar, ratificar e estabelecer critérios de regulamentação das terras indígenas e dos povos originários, atividade que até o momento é atribuição da FUNAI. Ou seja, vai dar às raposas total controle do galinheiro, pois no Congresso Nacional há forte presença da bancada ruralista, que quer tomar as terras indígenas para transformá-las em latifúndios à serviço do lucro desenfreado do agronegócio.

Dessa forma, a atual configuração da luta de classes e do capitalismo no Brasil, que afeta também os povos originários, pode ser entendida como um modelo marcado, em um de seus aspectos, pela força do agronegócio, baseado na monocultura latifundiária de exportação, que para expandir-se ataca a agricultura familiar, explora e expulsa os trabalhadores rurais e rouba as terras de povos indígenas. Este modelo concentra a renda, gera miséria, violência e pobreza em praticamente todas as regiões onde se instala. No campo e na cidade mata lentamente os trabalhadores que aplicam ou consomem os alimentos envenenados com agrotóxicos. Há também o encarecimento dos alimentos básicos (como arroz, feijão e trigo) que representam 70% do consumo do país, mas que ocupam apenas 30% das terras agricultáveis, por conta do avanço das monoculturas latifundiárias.

Mesmo com a desigual correlação de forças, os povos indígenas deram uma demonstração de resistência e ação direta, ocupando a casa legislativa e adiando a votação da vergonhosa PEC. A ação dos indígenas foi muito mais efetiva para barrar a votação da PEC 215 do que a inerte “disputa de hegemonia” dos parlamentares de esquerda que se opuseram ao projeto de votação.

De sul a norte do país a nossa força militante está vigilante e solidária à pauta dos povos originários. Desde os processos de resistência na Aldeia Maracanã no Rio de Janeiro, à vitoriosa luta dos Pitaguarys no Ceará e o apoio às mobilizações dos guaranis e kaingangs no Rio Grande do Sul, estamos ombro a ombro juntamente com os indígenas em defesa do território e contra os impactos do Plano IIRSA.

Solidariedade é mais que palavra escrita! Cercar de solidariedade os que lutam!

Com o avanço dos ataques das classes dominantes (nacional e internacional) e seus empreendimentos, serão ainda mais frequentes as ameaças aos povos originários e a todos aqueles que são oprimidos no campo e na cidade. Para prosseguirmos na organização e resistirmos aos megaeventos e ao avanço do agronegócio, é preciso acúmulo de força social para a auto-organização da classe trabalhadora e dos oprimidos do campo e da cidade. Nós, anarquistas federados politicamente nas organizações que compõem a CAB, modestamente reafirmamos nosso esforço, fortalecendo as organizações de base dos trabalhadores num projeto de federalismo e poder popular que não tem nas urnas ou na disputa de aparatos parlamentares seu horizonte estratégico.

Não formamos uma organização política para se fazer de intermediários burocráticos da pressão social, não buscamos o reconhecimento da mídia e das autoridades burguesas como interlocutores válidos. Nossa política aponta na construção de um povo forte. A ação direta como método de luta e a democracia de base como fator de participação decisiva do sujeito nas suas demandas são ferramentas para que cresça o poder popular, desde baixo. Nosso lugar é de impulso criador no interior das pautas do movimento social, no desenvolvimento de fatores ideológicos de mudança combativa, na construção de capacidade política pela união solidária dos oprimidos. O protesto social deve ter suas próprias perspectivas, não é escada para a carreira eleitoral.

É tarefa de agora rodear de solidariedade os companheiros perseguidos, não se intimidar e seguir firme em nossos propósitos, reivindicando com firmeza a legitimidade de nossa luta e dos métodos que temos utilizado. Esses são compromissos de primeira ordem àqueles que estão implicados nas lutas de todos os dias.

Coordenação Anarquista Brasileira
Junho de 2013

[FARJ] Libera! # 157 – VIOLÊNCIA NO CAMPO: FRUTO PODRE DA BURGUESIA E DO ESTADO

A FARJ publicou semana passada o mais recente número do seu periódico, o Libera!

O Libera de número 157 é fruto da militância e da reflexão da organização na luta dos movimentos sociais do Campo (MST e MPA), O número é inteiramente dedicado ao problema que os trabalhadores do campo enfrentam em seu cotidiano de luta e resistência.

Além dos textos da organização, o periódico apresenta dois textos clássicos (Errico Malatesta e Ricardo Flores Magón),  notícias libertárias referente aos meses de Janeiro a Março, assim como um relato da manifestação que participamos e organizamos em frente ao consulado da Argentina (em libertação aos presos/as de Bariloche).

O Libera #157 está disponível fisicamente na Biblioteca Social Fábio Luz para distribuição e pode ser baixado, em PDF AQUI Caso queira receber alguns para distribuição, basta entrar em contato com farj@riseup.net. O Libera também se encontra com a nossa militância dos movimentos populares que estamos construindo.

Aproveitamos para reforçar o grito de resistência em homenagem aos dois compas que nos deixaram!

Cícero e Regina presentes!!!

[Ceará] TRABALHADORES GRÁFICOS DO CEARÁ REALIZAM MANIFESTAÇÃO EXIGINDO MELHORES CONDIÇÕES DE VIDA E TRABALHO

Retirado de: http://resistencialibertaria.org/index.php?option=com_content&view=article&id=97:fortaleza-trabalhadores-graficos-do-ceara-realizam-manifestacao-exigindo-melhores-condicoes-de-vida-e-trabalho&catid=88:lutas&Itemid=64

“A imprensa é tão poderosa no seu papel de construção de imagem que pode fazer um criminoso parecer que ele é a vítima e fazer a vítima parecer que ela é o criminoso. Esta é a imprensa, uma imprensa irresponsável. Se você não for cuidadoso, os jornais terão você odiando as pessoas que estão sendo oprimidas e amando as pessoas que estão fazendo a opressão.”

Malcolm X

Ocorreu em Fortaleza no último dia 29 uma manifestação pública dos trabalhadores gráficos do Ceará em frente à sede do jornal Diário do Nordeste (imprensa corporativa), próximo à Praça da Imprensa. Os gráficos do setor de jornais e revistas estão em greve desde o dia 18 de maio, por melhores condições de vida e trabalho para a categoria, uma das mais sofridas e exploradas no estado. No decorrer da manifestação, os trabalhadores do Sindicato da Construção Civil da Região Metropolitana de Fortaleza – em greve há 24 dias (desde o dia 07 de maio), que se dirigiam em caminhada à Assembleia Legislativa, resolveram somar-se aos gráficos, num ato de solidariedade.

Durante o protesto, que transcorria de forma organizada e tranquila, um segurança particular do Diário do Nordeste provocou um dos manifestantes, pegando uma pedra e insinuando atirá-la contra os trabalhadores. Diante disso, os manifestantes perderam a paciência e responderam com uma ação direta espontânea, quebrando uma porta de vidro da recepção do jornal, que até então estava fechada e com vários seguranças impedindo qualquer pessoa de entrar ou sair. Diferente do que diz o jornal, “apurando” os fatos de forma antiética, ninguém foi atingido ou ficou ferido.

Os gráficos perderam a paciência não apenas com as provocações e insinuações do segurança do jornal. Há vários dias os trabalhadores estavam em greve e os jornais da grande mídia do Ceará (entre eles O Povo e Diário do Nordeste) não davam a mínima atenção às reivindicações da categoria, tratando-os com desprezo. O sindicato dos gráficos procurou por diversas vezes os responsáveis pelos jornais para abrir um canal de negociação, que foi negado, em atitude de total indiferença com os grevistas.

Nos dias anteriores e após o início da greve, a situação foi ficando mais tensa nas sedes dos jornais e nos locais de trabalho. Os trabalhadores gráficos foram provocados por seus superiores, que cometeram vários atos de ilegalidade, efetuando uma verdadeira perseguição política. Praticaram violência simbólica, psicológica e verbal contra os trabalhadores, fazendo ameaças de demissão aos que se envolvessem na greve, confinando trabalhadores dentro das dependências do jornal e substituindo os grevistas por gráficos vindos de outros locais, inclusive do interior do estado. Todas práticas ilegais e que ferem frontalmente o direto de greve assegurado a todos os trabalhadores. Além disso, na tentativa de intimidar os trabalhadores e impedir o exercício do direito de greve, foram contratados seguranças armados com armas de fogo para vigiar a entrada da sede dos jornais.

No momento, a imprensa mercenária (como chamavam acertadamente os trabalhadores gráficos do Ceará há mais de cem anos) e seus jornalistas fazem uma campanha difamatória e caluniosa, criminalizando os trabalhadores pela ação realizada, taxando os gráficos e os trabalhadores da construção civil de “vândalos”, “bárbaros”, “agressores”, “selvagens”, “maus sindicalistas” e várias outras palavras negativas. A tentativa é de construir uma imagem dos trabalhadores em greve como violentos, desordeiros, criminosos e promotores do medo.

Os trabalhadores gráficos escreveram uma nota em conjunto com os trabalhadores da construção civil, na qual expõem sua versão do ocorrido à sociedade. A nota (que pode ser vista logo abaixo), assim como outras informações, encontra-se no site do Sindicato dos Trabalhadores Gráficos do Ceará (www.sintigrace.org). Os gráficos e trabalhadores da construção solicitam solidariedade de todos os movimentos sociais, organizações, grupos e das pessoas sensíveis do mundo, nesse difícil momento de perseguição e criminalização, que vai se desdobrar em ações judiciais, demissões e retaliações das mais variadas formas.

Toda solidariedade aos trabalhadores gráficos em greve!

Pela solidariedade de classe entre os trabalhadores em luta!

Contra toda forma de criminalização dos movimentos sociais e do protesto popular!

Alexandre Buenaventura

[ORL] MOÇÃO DE APOIO EM SOLIDARIEDADE AOS TRABALHADORES GRÁFICOS DO CEARÁ

Retirado de: http://resistencialibertaria.org/index.php?option=com_content&view=article&id=96:solidariedade-graficos&catid=88:lutas&Itemid=64

Qui, 31 de Maio de 2012 18:47

Moção de Apoio em Solidariedade aos Trabalhadores Gráficos do Ceará

Olá companheiros de luta,

Expressamos por esta carta nosso total apoio e solidariedade a vocês trabalhadores(as) gráficos do Ceará, que estão em greve há mais de 14 dias.

Acompanhamos as ações dos companheiros nos últimos dias e sabemos o quanto a imprensa corporativa, aliada aos interesses dos poderosos e dos donos da comunicação, está lhes perseguindo e criminalizando, tal como vem fazendo com os trabalhadores da construção civil e de várias outras categorias há tantos e tantos anos.

Lançamos nossa voz de apoio solidário a esta que é uma das categorias com mais forte tradição de luta no Ceará. Sabemos que vossos camaradas, há mais de cem anos contribuem de forma decisiva na luta contra a opressão e exploração dos trabalhadores sob o capitalismo, essa sociedade doentia, cruel e desumana em que vivemos.

Ações como a que vocês realizaram recentemente na sede deste mentiroso, antiético e péssimo veículo de comunicação (que nem vale a pena citar o nome) devem ser entendidas como respostas dos trabalhadores diante das provocações e intimidações que são feitas cotidianamente por aqueles que são opressores e exploradores do nosso trabalho, que vivem à custa do nosso suor, minando nossas vidas a cada dia, com as péssimas condições de trabalho e os salários de miséria que nos pagam.

Ações como as que vocês protagonizaram, são a explosão da revolta contra as perseguições e a criminalização que são praticadas contra quem luta por melhores condições de vida e trabalho. São ações desse tipo que marcam uma forma de sindicalismo de resistência, por meio da ação direta combativa e autônoma, diferente do sindicalismo pelego que estamos acostumados a ver instalado no país há várias décadas, um sindicalismo burocrata, de carreira, e repleto de “sindicalistas” de escritório, que vivem da negociata e dos conchavos políticos que só beneficiam a eles, aos políticos profissionais e aos donos da economia no país.

Em certos momentos são necessárias ações como essa, companheiros, ações diretas violentas, sem intermediários políticos e que marquem a diferença entre quem violenta os trabalhadores e nós que lutamos em legítima defesa. Sim, porque é isso que fazemos quando resistimos aos opressores e exploradores do nosso trabalho: lutamos em legítima defesa. Eles é que são os criminosos, eles é que nos violentam todos os dias. São eles os causadores diretos dos sofrimentos, das mortes (como a dos 28 trabalhadores da construção civil nos canteiros de obras desde o ano de 2011) e da dura vida que levamos. Uma vida que eles querem que seja vivida apenas em função do trabalho, para engordar os bolsos de quem vive de arrancar tudo o quanto pode da nossa saúde, do nosso tempo com a família, da nossa existência.

Esperamos que tenham êxito em suas reivindicações, companheiros, conseguindo arrancar o máximo de conquistas possíveis. Estamos à disposição de colaborar nas próximas manifestações e atividades, participando com nossas humildes forças militantes, quando for necessário.

Desejamos força e resistência na luta!

Autonomia, Combatividade e Liberdade!

Toda solidariedade aos trabalhadores gráficos do Ceará!

Quando os de baixo se movem, os de cima caem!

Os grandes só são grandes porque estamos de joelhos. Levantemo-nos!!

Fortaleza, 31 de maio de 2012.

Organização Resistência Libertária [ORL]

[FAG] Lutando e Criando Poder Popular!

Enquanto a agenda do Fórum Social Mundial é pautada pelos debates oficiais patrocinado pelos governos e pela máfia sindical, na contramão do calendário oficial estamos juntos com outra forma de lutar e de fazer política.

brasilprotesta.jpg

Enquanto a agenda do Fórum Social Mundial é pautada pelos debates oficiais patrocinado pelos governos e pela máfia sindical, na contramão do calendário oficial estamos juntos com outra forma de lutar e de fazer política.

Nesses últimos dias do mês de janeiro estivemos juntos com os que lutam, construindo um poder dos debaixo através de práticas concretas e não somente em discursos.

Começando pelo fim, a recente ocupação do Palácio da Justiça em Porto Alegre na última terça-feira em memória às famílias de Pinheirinho, indica que “Sempre haverá Resistência” e a ação direta é arma que nós temos pra fazer justiça pra viver.

No dia anterior, a concentração na esquina democrática em repúdio ao massacre de Pinheirinho e o ato no final do dia articulado nacionalmente pelos Comitês Populares da Copa, demonstraram que é sem pedir licença e nem bexiga que devemos lutar e nos organizar com independência pelos nossos direitos.

Valorizando a iniciativa e a autonomia, por fim, saudamos aos companheiros e companheiras que organizaram e participaram do Encontro de Educação Libertária em Sapiranga.

Com modéstia e dedicação, vamos aportando nosso grão de areia às lutas e iniciativas construídas com horizontalidade e independência, pois esses são ingrediente e fermento na estratégia construção do Poder Popular.

Não tá morto quem luta e quem peleia!

Federação Anarquista Gaúcha (FAG)

Discurso do FAO nos 55 anos da FAU

Companheiros e companheiras,

É com muita alegria que compartilhamos com vocês a celebração deste 55º aniversário da Federação Anarquista Uruguaia. Sentimos a presença viva de nossas raízes. Os companheiros fundadores da FAU nos contam hoje os feitos históricos dos velhos que conviveram com a mais antiga geração de militantes do séc XIX. E nós, somos uma geração nova de militantes e organizações que surgiram no Brasil há pouco mais de uma década. No entanto, apesar de jovens nos sentimos parte da epopéia vivida pelos primeiros anarquistas do final do século XIX e início do século XX. Trazemos a luta histórica para as necessidades contemporâneas e assumimos a nossa condição de origem.

 

Até o nosso primeiro contato com a FAU, foi preciso quase um ano de relações permanentes, enfrentando os custos, as distâncias e as dificuldades de comunicação através das cartas que não tinham fim. O informe da viajem de um companheiro brasileiro a Montevidéu, deu a empolgação e o fermento para a criação da organização anarquista um ano depois. Em 1995, era fundada a Federação Anarquista Gaúcha. Os anos foram passando e seguimos trabalhando na construção de uma organização anarquista brasileira através da coordenação conjunta com grupos e organizações regionais. Iniciamos em 2002 o Fórum do Anarquismo Organizado que fez adesão à proposta especifista. Com erros e acertos, temos amadurecido e aprendido com esse processo de coordenação que completará uma década contando com dez estados em todo Brasil.

 

 

Do nosso vizinho Uruguai, herdamos as tradições da luta libertária ininterrupta desde 1870. E é na região do Rio da Prata onde se concentraram os imigrantes italianos e espanhóis que trouxeram na bagagem a influência bakuninista da 1ª Internacional. Trouxeram também posições questionadoras a fundo da ordem capitalista, partidárias da ação direta e da insurreição violenta. Essa paixão pela liberdade depois se fez presente nos anarquistas expropriadores, no sindicalismo classista e combativo, ambos fatores importantes que vão influenciar a criação da nossa co-irmã Federação Anarquista Uruguaia. Ao longo dos 55 anos de história, a FAU enfrentou o Estado, a oligarquia e o imperialismo, promovendo a luta de classes e a ação direta em todos os níveis.

 

Conjuntura internacional: o golpe financeiro e a luta dos povos

 

O poder financeiro global deu um golpe infame nos cofres públicos desde o estouro da bolha imobiliária de setembro de 2008. A desregulamentação do setor deu liberdade de movimento para os esquemas especulativos do capitalismo e permitiu uma gigante operação fraudulenta com produtos financeiros sem lastro real – uma série imensurável de derivativos afogou o mercado capitalista. A bancarrota dos maiores bancos do mundo, partindo dos norte-americanos espalhou por todos lugares, em maior ou menor grau, o drama econômico que assistimos.

 

Os altos executivos e operadores de Wall Street montaram um esquema sofisticado nas barbas da política liberticida das autoridades monetárias. Na bolha imobiliária, para fazer um exemplo curto e grosso, as financiadoras da casa própria vendiam no mercado os seus papéis para grandes bancos e fundos de investimentos explorarem os juros do mutuário. Os bancos por sua vez contratavam seguro para suas aplicações e especulavam contra elas para tirar lucros do seguro. A inadimplência do mutuário sujeito a trampa financeira detonou o esquema e arrastou toda a economia para o atoleiro com despejos em massa de moradores, milhões de demissões, falências da indústria, recorte de direitos sociais e serviços públicos. Que ninguém se engane: a jogatina não foi simplesmente uma aventura descontrolada dos capitais financeiros, todo o universo da propriedade capitalista se meteu no cassino financeiro global.

 

Resulta que após o golpe dos “abutres” o governo dos Estados Unidos e dos Estados mais fortes da Europa abraçaram a causa dos bancos e empresas com um socorro generoso da ordem de mais de U$ 12 trilhões prestado com dinheiro do tesouro público. A essa “socialização das perdas” se somou uma brutal “privatização dos ganhos” em que a classe dos dirigentes do sistema financeiro foram premiados com bônus milionários pagos com fundos do Estado. Aqui chegamos na dívida pública. Os governos dos EUA e Europa se valeram do mecanismo para absorver os prejuízos dos bancos com emissão de títulos públicos.

 

Em seu momento Noam Chomsky comentará: “a liberalização financeira teve efeitos para muito além da economia. Há muito que se compreendeu que era uma arma poderosa contra a democracia. O movimento livre dos capitais cria o que alguns chamaram um “parlamento virtual” de investidores e credores que controlam de perto os programas governamentais e “votam” contra eles, se os consideram “irracionais”, quer dizer, se são em benefício do povo e não do poder privado concentrado.” A conta desse delito sistêmico do poder financeiro a pagam hoje a classe dos trabalhadores, com a nova pobreza resultante da perda de empregos, direitos, salários e serviços públicos, pedra de toque do ajuste fiscal dos governos do mundo rico e receita para todos os demais. Nos Estados Unidos se ampliam os movimentos contra o sistema financeiro. A Europa vive uma conjuntura tempestuosa com uma deterioração da questão social que tem suscitado protestos populares de toda cor e de todo tipo. Desde manifestações violentamente anti-capitalistas como na Grécia, a greves combativas do sindicalismo da região, a ação direta de massas dos jovens “indignados” na Espanha ou a fúria incendiária dos subúrbios urbanos da Inglaterra.

A revolta dos povos árabes

As rebeliões generalizadas que marcam a conjuntura internacional nos dizem que a hora dos povos segue vigente. Isso tem grande significado. Diversos fatores políticos, econômicos e ideológicos são motores dessa revolta, a exemplo da miséria, da opressão e da falta de perspectivas básicas de vida. Cada país tem suas particularidades, mas há um elemento comum de rebelião que aponta para a destruição das brutais estruturas de opressão. A ação direta dos povos ganhou as ruas e enfrentou a repressão no Egito, Argélia, Bahrein, Yemen, Jordânia, Marrocos, Síria e Líbia. Com isso foram questionados e derrotados alguns regimes da região, colocando a vontade popular na equação de uma nova geopolítica.

A Resistência Popular na América Latina e o tema da integração

Assim como a luta popular tem imposto derrotas as ditaduras no oriente, na América Latina a última década tem sido marcada pelas lutas massivas do povo impondo derrotas ao neoliberalismo. A ação direta popular derrubou governos, deu resistência a tentativas de golpes de Estado e fez virar a balança de poder regional para um posição mais independente em relação ao imperialismo yankee. Porém, não descansamos nossas esperanças nos governos de turno. O exemplo recente do massacre indígena na Bolívia traz à tona os limites do desenvolvimentismo que atropela os anseios populares e faz colaboração com as elites. Apesar do genocídio indígena, mais uma vez o povo organizado mostrou a sua força nas marchas que duraram 65 dias e fizeram o governo voltar atrás na sua decisão. Fica a nossa solidariedade latino americana na luta contra o Plano IIRSA. É nosso dever desmascarar esse projeto de integração do território sul americano a um verdadeiro sistema de saque dos nossos bens e riquezas.

As mudanças no Brasil de Dilma que mantém a estrutura conservadora

No cenário brasileiro, Dilma, sucessora de Lula assumiu a presidência sob o lema: “País rico é país sem pobreza”. Dilma chega a 71% de aprovação com a ampliação das políticas de combate à miséria, a exemplo do bolsa-família, e com denominada “faxina ética” alardeada na imprensa como palavra de ordem de Dilma no combate à corrupção. Foram 6 ministros que despencaram até o presente momento, sendo um a cada 50 dias. Porém, a faxina de Dilma é na verdade sujeira varrida para baixo do tapete. A impunidade segue e forma par inseparável das estruturas burocráticas e oligárquicas da corrupção do poder político burguês. O Estado é uma estrutura de poder com alto instinto de conservação. Para governar com suas instituições, a experiência do PT no executivo assim o confirma, entre outros meios, é preciso se arranjar com as oligarquias que dominam a política burocrática e historicamente escoram seus interesses nos mecanismos públicos de gestão.

No que se refere à dívida pública, a política brasileira é a de engordar os bancos. Logo no início desse ano foram cortados R$ 50 bilhões no orçamento. Para o próximo ano a proposta orçamentária irá sangrar 48% dos recursos para pagar juros e amortizações da dívida. No ramo industrial, as federações da indústria e o governo lançaram recentemente um plano que visa aumentar a produtividade e a competitividade brasileira no plano internacional em acordo com a burocracia sindical. A verdadeira orientação do governo baseia-se nos cortes de investimentos sociais, no congelamento salarial, na flexibilização dos direitos. Tudo isso é feito através de um pacto social onde a patronal, banqueiros, governo e burocracia sindical controlam o jogo. Em 2008 era a crise a justificativa para a patronal demitir, atacar direitos e fazer lobby para que o Estado lhe fornecesse recursos e isenções. Agora sob o lema da competitividade a história repete.

Apesar das medidas de conciliação, nesse ano de 2011 alguns setores do movimento sindical deflagraram greves que se estenderam durante semanas e até meses. Trabalhadores dos correios, de universidades e institutos federais, do magistério e bancários abriram conflitos com o governo em que a disposição da base para a luta atropelou a burocracia sindical e obteve algumas conquistas. A ação direta e a independência de classe estiveram em pauta nessas lutas e esse exercício de poder dos trabalhadores pode surtir bons resultados daqui pra frente.

Se na luta sindical se abrem alguns caminhos, no que se refere à luta por memória, verdade e justiça, no Brasil vivemos um retrocesso. Recentemente foi criada a chamada “Comissão da Verdade” como uma tentativa do Executivo de aliviar os constrangimentos políticos que vêm causando sucessivas denúncias em escala internacional contra as violações aos direitos humanos no país.

A comissão da verdade, no entanto, é composta por apenas 07 membros, todos eles indicados pelo Executivo, sendo um representante das FFAA, a qual tem tensionado a necessidade de se averiguar os “crimes promovidos pela esquerda no período”? Com o estreito prazo de dois anos para a apresentação de seu trabalho final, a comissão, além de não ter autonomia (financeira e política) frente ao Executivo, também se vê desafiada a investigar os acontecimentos que vão não apenas do golpe de Estado ao processo de “redemocratização”, mas, inexplicavelmente, a “investigação” aborda um recorte temporal que se inicia em 1946 e vai até o ano de 1988, desviando assim o que deveria ser seu foco principal.

A não divulgação dos arquivos, ainda secretos, das FFAA, outro assunto que o Executivo não enfrenta com decisão, é uma prova cabal do quanto os resquícios do terror de Estado seguem vivos, pairando, ainda que silenciosamente, na sociedade, passados mais de 30 anos do início da transição pactuada. A Comissão, por sua vez, é outro fiasco no sentido de pautar a abertura dos arquivos da ditadura. Em seu parágrafo 2° do artigo 4° o PL afirma que: “os dados, documentos e informações sigilosos fornecidos à Comissão Nacional da Verdade não poderão ser divulgados ou disponibilizados a terceiros, cabendo a seus membros resguardar seu sigilo”. Ou seja, além de não haver a abertura dos arquivos, estes serão fornecidos por seus guardiões, as FFAA, que, na ausência de um decreto obrigando-as a abrir os documentos, mais uma vez irá divulgar papéis “podres” sem nenhuma autenticidade. A impunidade a torturadores, a industriais e banqueiros que respaldaram direta ou indiretamente a ditadura esta mais uma vez garantida.

Para nós, anarquistas organizados na FAO, a vitória da Verdade e da Justiça, só será possível quando o conjunto das forças populares (movimentos sociais, estudantis, sindicatos e organizações da esquerda) forem capazes de pautar de forma contundente a questão, o que infelizmente não temos visto. O que em países como Argentina e Uruguai é uma espécie de termômetro para a avaliação das forças de esquerda e populares, no Brasil, infelizmente, é tratado em muitos casos como uma questão secundária. Há que se virar a mesa, levando a luta por memória, verdade e justiça para as ruas, muros, para os sindicatos, movimentos sociais, estudantis, dentre outros, pois ainda há tempo!

Assim, esta data é importante não só para celebrarmos e reafirmarmos estas décadas de luta, como para reforçarmos que a proposta libertária segue vigente. Caminhando a cada dia rumo à revolução social, e acreditando que o Poder Popular se dá no trabalho cotidiano e na construção de um povo forte.

Diante das injustiças do sistema capitalista seguimos de pé!

Não esquecemos e jamais perdoaremos!Verdade e Justiça! Castigo aos culpados!

Pelo fim das ditaduras que massacram os povos!

Fortalecer a luta dos oprimidos e unificar os movimentos de greve!

Contra as medidas de austeridade!

Estendemos nossa solidariedade na luta contra o Plano IIRSA!

Nossa saudação à Federação Anarquista Uruguaia nesses 55 anos de lutas pelo socialismo e pela liberdade! Aos companheiros que ficam em nossa memória e estarão sempre presentes em nossas lutas!

Cecília presente!

Pelo Socialismo e pela Liberdade! Viva a anarquia!

Fórum do Anarquismo Organizado – FAO

 

Coletivo Anarquista Zumbi dos Palmares (Alagoas)


Federação Anarquista Gaúcha (Rio Grande do Sul)


Federação Anarquista do Rio de Janeiro


Organização Anarquista Socialismo Libertário (São Paulo)