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[CQM] Criminalizar a combatividade: isso sim é fazer o jogo da direita

Em um artigo de opinião publicado em 02 de dezembro no site oficial da Insurgência, corrente interna do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), o militante Eduardo d’Albergaria apresenta uma análise sobre os acontecimentos do dia 29 de novembro, quando o Senado Federal aprovou, em primeira votação, a Proposta de Ementa Constitucional nº 55 (antiga PEC 241, que congela em 20 anos os investimentos em serviços públicos) por 61 votos a 14 enquanto do lado de fora da Casa se estabelecia um cenário de guerra entre manifestantes de todo o Brasil e as polícias da capital.

A análise se configura em uma crítica à atuação do chamado Black Bloc não apenas nesse ato em específico e sim, de forma generalizada, no Brasil, sendo motivada por um recente retorno da prática de desqualificação e criminalização de ações mais radicalizadas por parte de determinados setores que reivindicam a luta das massas. Essa prática volta à tona no momento em que a tática Black Bloc torna a ganhar expressão no cenário de mobilizações nacional contra o processo de medidas anti-povo acelerado por Michel Temer, mas já vinha acontecendo desde o levante de junho de 2013 e, com força ainda maior, durante as manifestações contra a Copa do Mundo de 2014. Durante esse período, tais setores da esquerda – principalmente ligados ao petismo – fizeram coro uníssono com a direita contra a juventude combativa que tomava as ruas convicta de sua luta e autonomia e inovando em táticas, reforçaram a narrativa reacionária que distingue manifestantes de “mascarados” e inclusive chegaram a confrontar e entregar manifestantes para a polícia, atuando como a P2 do próprio movimento.

O texto apresenta diversas falhas de leitura sobre os fatos que sucederam no dia 29 de novembro, algumas mais “inofensivas” como ao comemorar uma suposta baixa adesão de (ex)governistas ao ato quando a presença desses setores e o papel cumprido por eles de recuar a manifestação foram nítidos, ou então ao apontar o número de “mascarados” entre 50 e 100. Outras falhas, porém, são mais sérias e não podem ser vistas como mero descuido: o artigo literalmente responsabiliza as ações dos adeptos da tática pela truculência policial, como se a força policial que mais mata no mundo fosse incapaz de atacar uma manifestação pacífica e como se qualquer manifestação que incomodasse minimamente aqueles que terão seus interesses protegidos pela PEC 55 não seria reprimida pelo braço armado do Estado que só governa para os de cima.

O Black Bloc é uma tática essencialmente de defesa das manifestações e seus adeptos se utilizam de diversos materiais para evitar danos maiores aos manifestantes. Então, ao invés de alegar que não haveria repressão policial caso não houvesse ação dos Black Blocs em Brasília, por que não se perguntar como seria a repressão policial caso não houvesse resistência em Brasília? O confronto não teria durado horas, a manifestação teria dispersado logo no início e todo mundo voltaria para suas cidades (e só com muito cinismo com a sensação de dever cumprido). Como seria o massacre de 29 de abril em Curitiba se não houvesse “mascarados” com seus escudos a frente da manifestação para que uma quantidade menor de bombas e balas de borracha atingissem os presentes, chutando as bombas de volta para a polícia, carregando os feridos para longe do confronto e ajudando-os, distribuindo materiais que amenizam o efeito das bombas, etc.?

É de extrema irresponsabilidade colocar a polícia e o Black Bloc como atores de um mesmo papel que protagonizou as imagens que a mídia burguesa precisava para desmoralizar a manifestação, esvaziando todo o debate político que ela deveria trazer. Assim como o empresariado, banqueiros, grandes proprietários de terras e caciques políticos, os detentores dos meios de comunicação da grande mídia fazem parte de um pequeno grupo que trabalha para manter seu poder e privilégios. A maior parte da população será prejudicada pela PEC 55, mas se informa principalmente através destes veículos de comunicação e não está consciente disso – não porque um grupo de manifestantes quebrou algumas vidraças e a mídia foi obrigada a retratar isso de forma negativa, mas sim porque a imprensa promove cotidianamente propaganda favorável à PEC 55 e a qualquer outra medida que continuará privilegiando os velhos privilegiados enquanto ataca a nossa classe.

Agora, se a mídia “alternativa” (que de independente não tem nada) reproduz o mesmo discurso que criminaliza as ações mais radicalizadas – como os Jornalistas Livres que insinuaram que os jovens que estavam no front em Brasília eram infiltrados – se faz necessário analisar as coisas com muito mais cautela do que simplesmente comprar e reproduzir esse discurso. É curioso notar que, logo após o impeachment de Dilma e as primeiras movimentações pelo “Fora Temer”, essas ações, mesmo que desordenadas, foram recebidas de forma até mesmo amigável pelas organizações e mídias com maior proximidade com o governo que acabara de ser deposto. A partir do momento que esses setores percebem que não podem parar essa juventude no canetaço e acordaço com os patrões como fazem com as greves de seus sindicatos aparelhados ou que não podem organizar esses jovens em suas fileiras por rejeitarem a representatividade e a verticalidade que são tudo o que essas organizações têm a oferecer, o discurso muda. Aqueles que, por sua coragem, disposição e desbravamento, são várias vezes convidados a contribuírem para o movimento, agora são inimigos e devem ser combatidos – no discurso ou não.

O artigo aponta ainda para uma suposta despolitização e desorganização dos adeptos da tática Black Bloc, coisas que eles não podem provar pura e simplesmente por falta de contato. Desconsideram esse setor, em sua maioria da juventude periférica, que vai às ruas ardendo pela transformação social e está aprendendo, a partir da prática, a importância da organização popular cotidiana. Estas pessoas não reconhecem nas velhas formas um campo fértil para sua atuação, o que não quer dizer que não possam avançar no processo crítico para uma construção coletiva mais efetiva.

É muita ingenuidade ou falta de autocrítica afirmar que apenas a violência nos protestos afasta as massas da luta. O povo que ainda não se organiza e vai às ruas também rejeita boa parte das bandeiras, organizações e partidos que compõe os atos. O PT e a esquerda institucional têm responsabilidade nessa rejeição, mas a grande culpada é a mídia burguesa que cumpre o seu papel de fazer com que a população tenha aversão à organização e luta populares, pois é isso que dá as condições de libertar a classe trabalhadora de sua condição de explorada.

É claro que o Black Bloc enquanto tática utilizada pelos movimentos sociais tem muitas limitações e nunca foi intenção de seus adeptos derrubar sozinhos a PEC. Nós entendemos que apenas a organização de base nos diferentes locais de estudo, trabalho e moradia e outros que torna possível acumular força suficiente para barrar esses ataques. Não existem atalhos para reverter décadas de despolitização e burocratização nos movimentos, e para isso é preciso trabalhar junto ao povo desde já. No entanto, é necessário superar essa falsa distinção entre ação direta e trabalho de base, porque as duas coisas são perfeitamente possíveis e complementares. Conforme os movimentos sociais se fortalecem, devemos avançar no planejamento estratégico e nas instâncias de democracia direta para aplicar força da maneira mais eficiente no alcance de nossos objetivos. A radicalidade leva acúmulos históricos para o movimento. Nesse sentido, sendo a tática Black Bloc bastante recente no Brasil, entendemos como perfeitamente natural que haja problemas de organização e que a atuação até o momento não seja a ideal, mas a crítica que tem sido feita não vai ao sentido de aperfeiçoá-la, mas sim de criminalizar e silenciar toda expressão de combatividade.

O ponto mais preocupante que o texto levanta é a afirmação de que a lógica do enfrentamento seria “macho-centrada” e, portanto, afastaria mulheres e LGBT’s. Além de desconsiderar a realidade de movimentos como o Zapatista do México, a Revolução Curda no Oriente Médio e o papel fundamental das mulheres na Revolução Espanhola, o autor também demonstra desconhecimento sobre as raízes do próprio Black Bloc. Vale lembrar que LGBT’s também protagonizaram levantes extremamente radicais contra a perseguição institucionalizada pelo Estado. O que teria sido Stonewall (nos EUA), se não uma demonstração de força do movimento LGBT contra a violência policial? É impossível negar a contribuição daquela rebelião para a luta e organização pelos direitos desse setor oprimido da sociedade. LGBT’s e mulheres cerraram fileiras e resistiram nas barricadas em Brasília e em outras lutas ao redor do mundo. Enfrentamento é coisa de mulher sim e reivindicar fragilidade e incapacidade de se autodefender é que é machista e LGBTfóbico!

A desinformação acerca da tática Black Bloc propagada por esse campo da esquerda volta a se estabelecer, mas é preciso tomar cuidado para que ela não ganhe espaço e assuma uma face ainda mais perigosa e reacionária: da criminalização posta em prática e não apenas em discurso, como algumas organizações já se demonstraram capazes de fazer. É necessário combater o quinta-colunismo e esvaziar seu discurso, nos afastar do purismo tático e debater para longe do oportunismo toda ação autônoma e combativa.

Seguir organizando a revolta popular com independência de classe e de forma autônoma a disputa do Estado, pela força das ruas!

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[Foz do Iguaçu] 200 ANOS BAKUNIN: O ANARQUISMO ORGANIZADO NAS REVOLTAS DO PRESENTE

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Em 2014 faz 200 anos que o militante e teórico anarquista Mikhail Bakunin nasceu.

Coletivo Anarquista Luta de Classe fará vários eventos no Estado do Paraná em meio a este momento de revoltas populares e urgência do anarquismo.

Quando: No dia 19 de outubro, domingo, faremos o evento na cidade de Foz do Iguaçu.

OndeBiblioteca Comunitária do Cidade Nova, Rua Eloi Armando Nedel, 1332.

Horário: 14:00.

No evento, vamos falar sobre a vida e militância deste grande anarquista, discutir sobre suas concepções táticas e estratégicas, além de colocarmos nossas posições em relação à importância do anarquismo nas atuais revoltas do povo.

Evento no Facebook:               https://www.facebook.com/events/634569723329359/

[LONDRINA] 200 ANOS BAKUNIN: O ANARQUISMO ORGANIZADO NAS REVOLTAS DO PRESENTE

Em 2014 faz 200 anos que o militante e teórico anarquista Mikhail Bakunin nasceu.

Coletivo Anarquista Luta de Classe fará vários eventos no Estado do Paraná em meio a este momento de revoltas populares e urgência do anarquismo.

Quando: No dia 27 de setembro, sábado, faremos o evento na cidade de Londrina.

Onde: No Centro de Ciências Humanas (CCH) da Universidade Estadual de Londrina – UELSALA 108.

Horário: 15:00

Evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/327748984064084/?context=create&source=49

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No evento, vamos falar sobre a vida e militância deste grande anarquista, discutir sobre suas concepções táticas e estratégicas, além de colocarmos nossas posições em relação à importância do anarquismo nas atuais revoltas do povo.

Lançamento online do Jornal No Batente #3 – Bakunin 200 Anos: A Urgência do Anarquismo Organizado nas Revoltas do Presente

Este é o terceiro número do jornal No Batente, órgão de informação e análise do Coletivo Anarquista Luta de Classe (CALC). Ficamos felizes por mais uma edição poder chegar aos companheiros e companheiras de luta! Após um ano desde nossa ultima edição, informamos que a partir de agora o No Batente será semestral.

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Esta edição será especialmente dedicada ao bicentenário de nascimento do grande militante e teórico Mikhail Aleksandrovitch Bakunin, nascido em 30 de maio de 1814.

Buscaremos homenageá-lo contando sua trajetória militante, bem como algumas de suas contribuições teórico-práticas fundamentais para a consolidação do Socialismo Revolucionário e do Anarquismo. Também aproveitamos a oportunidade para apresentar uma reflexão sobre as contribuições do pensamento bakuniniano para as revoltas populares do presente.

Leia completo em PDF: NO BATENTE 3

[ADIADO – Foz do Iguaçu] 200 anos Bakunin: O Anarquismo Organizado nas Revoltas do Presente

O evento “200 anos Bakunin: O Anarquismo Organizado nas Revoltas do Presente” em Foz do Iguaçu foi adiado devido ao pedido de companheiros e companheiras da cidade que não poderiam comparecer ao evento e pelo local da apresentação que não seria ideal nesta data (21/06). Ainda durante este ano faremos o evento em Foz do Iguaçu contando com a presença de mais compas que poderão ajudar no debate e será em local ideal!

Pedimos desculpas pelo transtorno e esperamos contar com vocês de Foz no evento!


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Em 2014 faz 200 anos que o militante e teórico anarquista Mikhail Bakunin nasceu.

Coletivo Anarquista Luta de Classe fará vários eventos no Estado do Paraná em meio a este momento de revoltas populares e urgência do anarquismo.

Quando: No dia 21 de junho, sábado, faremos o evento na cidade de Foz do Iguaçu.

Onde: Centro de Convivência Clóvis Cunha Viana – Junto ao ERECS. Rua Julio Brecher, 470 – Santa Rita/Lagoa Dourada.

Horário: 14:00.

No evento, vamos falar sobre a vida e militância deste grande anarquista, discutir sobre suas concepções táticas e estratégicas, além de colocarmos nossas posições em relação à importância do anarquismo nas atuais revoltas do povo.

[CAMPO MOURÃO] 200 ANOS BAKUNIN: O ANARQUISMO ORGANIZADO NAS REVOLTAS DO PRESENTE

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Em 2014 faz 200 anos que o militante e teórico anarquista Mikhail Bakunin nasceu.

Coletivo Anarquista Luta de Classe fará vários eventos no Estado do Paraná em meio a este momento de revoltas populares e urgência do anarquismo.

Quando: No dia 31 de maio faremos o evento na cidade de Campo Mourão.

Onde: Bloco B, Sala 107, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná – Campus Campo Mourão.

Horário: 10:00.

Apoio DCE UTFPR-CM

No evento, vamos falar sobre a vida e militância deste grande anarquista, discutir sobre suas concepções táticas e estratégicas, além de colocarmos nossas posições em relação à importância do anarquismo nas atuais revoltas do povo.

Evento no facebook: https://www.facebook.com/events/393544347451472/?source=3&source_newsfeed_story_type=regular

[Maringá] 200 Anos Bakunin: O Anarquismo Organizado nas Revoltas do Presente

Em 2014 faz 200 anos que o militante e teórico anarquista Mikhail Bakunin nasceu.

Coletivo Anarquista Luta de Classe fará vários eventos no Estado do Paraná em meio a este momento de revoltas populares e urgência do anarquismo.

Quando: No dia 30 de maiodia em que Mikhail Bakunin nasceu, faremos o evento na cidade de Maringá.

OndeAuditório Bloco I 12 da Universidade Estadual de Maringá.

Horário15:00.

Apoio CAFF

No evento, vamos falar sobre a vida e militância deste grande anarquista, discutir sobre suas concepções táticas e estratégicas, além de colocarmos nossas posições em relação à importância do anarquismo nas atuais revoltas do povo.

Evento no facebook: https://www.facebook.com/events/238460566352739/

[Curitiba] 200 Anos Bakunin: O Anarquismo Organizado nas Revoltas do Presente

Em 2014 faz 200 anos que o militante e teórico anarquista Mikhail Bakunin nasceu.

O Coletivo Anarquista Luta de Classe fará vários eventos no Estado do Paraná em meio a este momento de revoltas populares e urgência do anarquismo.

Quando: No dia 30 de maio, dia em que Mikhail Bakunin nasceu, faremos o evento na cidade de Curitiba.

Onde: Sala 914 da Reitoria da Universidade Federal do Paraná.

Horário: 19:30.

No evento, vamos falar sobre a vida e militância deste grande anarquista, discutir sobre suas concepções táticas e estratégicas, além de colocarmos nossas posições em relação à importância do anarquismo nas atuais revoltas do povo.

Evento no facebook: https://www.facebook.com/events/1481262675424609/?context=create&source=49

200 Anos Bakunin: O Anarquismo Organizado nas Revoltas do Presente

Em 2014 faz 200 anos que o militante e teórico anarquista Mikhail Bakunin nasceu.

O Coletivo Anarquista Luta de Classe fará vários eventos no Estado do Paraná em meio a este momento de revoltas populares e urgência do anarquismo.

Vamos falar sobre a vida e militância deste grande anarquista, discutir sobre suas concepções táticas e estratégicas, além de colocarmos nossas posições em relação à importância do anarquismo nas atuais revoltas do povo.

Estaremos divulgando os locais e datas dos eventos, venha participar!

Viva Bakunin!

Viva o Anarquismo Organizado!

Lutar! Criar Poder Popular!

[CAB] 50 Anos do golpe: os crimes do Estado seguem vigentes

Edição nº 29 – Ano X – Março de 2014

logo soliVivemos um momento emblemático em nosso país, com o aumento das perseguições políticas a lutadores sociais e organizações políticas, inquéritos com acusações absurdas e descabidas e um constante ataque por parte dos grandes meios de comunicação às lutas sociais, destilando seu ódio de classe, suas mentiras, e pintando uma realidade existente apenas em suas cabeças. As manifestações são alvo constante da “inteligência” policial, que xereta, espiona, classifica e identifica manifestantes que eles consideram criminosos perigosos, vândalos, subversivos. As reivindicações dos de baixo são ignoradas pelos governos e tratadas como caso de polícia. Tudo isso em um ano que marca os 50 anos do golpe civil-militar de 1964. Há uma herança deixada por esse período e a natureza criminosa e perversa do modo de dominação capitalista mantém sua vigência.

O aniversário do golpe no atual estado nada democrático de direito

CARTAZ MEMÓRIA 2011Necessitamos contextualizar a conjuntura em que vivemos a partir dos mecanismos e dispositivos legais e ideológicos deixados pela ditadura civil-militar. Mecanismos e dispositivos atualizados pelas práticas dos aparatos repressivos e utilizados pelos governos de turno para neutralizar e reprimir as lutas sociais. O golpe de estado civil-militar de 31 de março de 1964 foi um golpe da classe dominante, responsável pela repressão, pelo sequestro, pela tortura, pela prisão e assassinato não apenas de militantes, mas de todo o povo oprimido. Os povos indígenas e quilombolas também foram alvo da ditadura, que retirou inúmeros direitos sociais e políticos de amplas camadas da população ao passo que disseminou generalizadamente o medo e uma mentalidade conservadora que parece estar sendo reatualizada em nossa época de Estado Democrático de Direito. Se não podemos dizer que estamos às portas de uma ditadura ou mesmo de um estado policial, podemos sim dizer que há uma onda crescente de repressão, criminalização e cerceamento de direitos políticos e sociais. O Estado continua cometendo crimes e não é à toa que, segundo dados da ONU, a taxa de homicídios no Brasil é de 43 mil por ano.

Lei Geral da Copa, Lei Antiterrorismo e a Portaria do Ministério da Defesa de “Garantia da Lei e da Ordem” são exemplos de como o governo dito “progressista” de Dilma/PT vem conduzindo suas políticas e de como vem dando respostas às pautas de reivindicação exigidas nas jornadas de luta de 2013, que voltam à cena com força nesse início de 2014. As manifestações são tratadas como casos de polícia e classificadas entre as “boas” e as “más” manifestações. Mulheres e homens são presos arbitrariamente, espancados, humilhados e expostos pela mídia burguesa. Isso sem falarmos na cotidiana violência que sofrem os homens e mulheres das periferias, que são seqüestrados, assassinados e tratados como animais (como o caso da trabalhadora negra que foi arrastada por uma viatura da PM do Rio de Janeiro). Máscaras são proibidas, casas e sedes públicas são invadidas, espantalhos são criados, bodes expiatórios utilizados para montagens absurdas que claramente visam perseguir as ideologias e organizações políticas combativas. Os movimentos sociais são tratados como “Forças Oponentes” e passíveis de serem combatidos por manobras e táticas militares próprias de um contexto de guerra. Querem acabar com o direito à greve e à livre manifestação durante a Copa do Mundo.

Trata-se de uma conjuntura em que, assim como na ditadura civil-militar, Estado, aparato repressivo e grande mídia operam em conjunto como um elemento de choque do sistema de dominação capitalista, perseguindo e montando factóides contra militantes sociais diuturnamente.

Não começou em 2013, não vai acabar em 2014

1964910_284530675038418_164829884_nAs jornadas de luta de 2013 abriram novas possibilidades em nosso país. Possibilidades de gestação de um novo período de embates, com novas características, contra as forças da ordem na peleia por melhores condições de trabalho e de vida. As experiências de ação direta, de mobilizações massivas e de forte repressão vividas por amplas camadas da população deixaram marcas que podemos perceber no conjunto das lutas do início do ano. A greve dos correios e dos rodoviários em Porto Alegre e as lutas pela água com corte e barricadas de rua na região metropolitana do RS; a greve dos garis e a dos operários do Complexo Petroquímico de Itaboraí, no RJ; as mobilizações de rua contra a Copa do Mundo e outras inúmeras greves que são deflagradas em todo o Brasil demonstram que o ciclo de lutas aberto pelas jornadas de 2013 está longe de se fechar.

Se não vemos a mesma massividade de 2013, salta aos olhos a combatividade destas lutas. Suas características indicam uma maior radicalização e protagonismo das bases, que em vários casos tem atropelado as direções sindicais pelegas e conquistado vitórias. É pelo medo de que essas lutas tenham continuidade e se aprofundem em seu grau de organização e radicalização que os de cima e seus lacaios têm tentando a todo custo intimidar e acabar com a luta dos de baixo. A grande mídia pretende forjar consensos e pavimentar o caminho para uma ferrenha fuzilaria repressiva contra os lutadores sociais.

No Rio Grande do Sul há uma intensa campanha contra alguns lutadores sociais do Bloco de Luta pelo Transporte Público e contra professores combativos do magistério estadual. Inquéritos policiais claramente políticos e ideológicos vem sendo construídos como forma de intimidação. Até “constituição de milícia privada” aparece nas acusações. Em Santa Catarina o foco da repressão policial com prisões e violações de direitos humanos é realizado para manter o modelo de exploração capitalista no transporte coletivo. Além das prisões, processos criminais são encaminhados para tentar punir a população organizada que luta pela tarifa zero e por uma empresa pública de transporte coletivo. Em São Paulo vemos o emprego das tropas “ninja” e de efetivos cada vez maiores de policiais – entre tropa ninja, de choque, força tática, cavalaria, etc. – com o claro intuito de intimidar e restringir o direito de se manifestar dos/das que lutam; e no Rio de Janeiro, foram os garis que tiveram de enfrentar uma forte campanha midiática disposta a deslegitimar sua greve histórica, uma prefeitura conservadora obstinada a não atender suas reivindicações e uma polícia militar que agiu como os antigos “capitães do mato”; a mesma polícia que assassina diariamente centenas de Claúdias e de Amarildos.

É na esteira desta ampla campanha, com vistas a forjar um consenso e impor uma ordem marcada pela pasmaceira de um povo obediente frente aos desmandos e abusos dos de cima, de garantir uma “esquerda” domesticada ao calendário eleitoral, de transformar os atos em meras manifestações cívicas com propósitos conservadores, que temos as dezenas de casos de repressão, abusos e perseguições político-ideológicas em todo o país. Trata-se de uma intensa guerra psicológica que estes meios vêm desatando contra a esquerda que resiste ao pacto social costurado pelo governo de turno em aliança com as classes dominantes e as burocracias de diversos movimentos sociais que cada dia mais vão perdendo o seu vigor para se assimilarem a meras ONGs.

A morte do cinegrafista Santiago Andrade em um trágico acidente no Rio de Janeiro é o maior exemplo de como essa guerra psicológica vem sendo travada em escala nacional. Com isso, tentam justificar a aprovação da famigerada lei antiterrorista com a qual pretendem impedir que os setores populares e a esquerda superem a trágica dispersão e desorganização que os caracterizaram nos últimos anos. Quando o real motivo é o medo da classe dominante diante de um novo ciclo de lutas marcado por uma outra cultura política, que não esteja enraizada em ilusões institucionais, mas sim no protagonismo popular, na ação direta e trabalho de base de todos os dias.

É em meio a esse clima de intensa guerra psicológica que vemos os atuais governos “progressistas” ensaiando uma dobradinha com os oligopólios da imprensa, os mesmos que de forma reiterada acusam de sabotá-los e criar um ambiente golpista. Enquanto a grande imprensa denuncia e planta factóides, diversos governos estaduais, com a aprovação do governo Dilma, não vacilam em seguir o bonde e autorizar mandados de busca e apreensão, indiciamentos farsantes, infiltrações, intimidações a crianças, tropas ninja e tudo mais que seja necessário para garantir seu pacto social neodesenvolvimentista e a sua comemoração a partir dos mega-eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas.  Revelam, assim, o seu real caráter político e de classe.

Não temos dúvidas com relação ao nosso papel enquanto esquerda libertária de intenção revolucionária. Cabe a nós defender que as lutas em curso e a organização dos setores que compõem as classes oprimidas ganhem a profundidade e a intensidade necessárias para impedirmos o avanço desse estado de repressão e criminalização sobre as lutas sociais. A unidade dos de baixo não só é desejável como extremamente necessária na conjuntura em que estamos vivendo e as ilusões alimentadas por uma esquerda eleitoralista precisam ser questionadas, pois nossas urgências não caberão nas urnas dos de cima! Se não há direitos para o povo, não vai ter copa para os ricos.

Nossa memória aos de ontem será nossa luta com os de hoje! Ditadura nunca mais!

Barrar a criminalização do protesto e dos lutadores sociais com organização e pela força das ruas!

Rodear de Solidariedade à todos(as) os(as) que lutam!

Coordenação Anarquista Brasileira – CAB