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Saudação do Coletivo Anarquista Luta de Classe aos 20 anos da Federação Anarquista Gaúcha

“A organização, mantendo e promovendo o espírito de revolta, assume como próprias todas as exigências presentes e futuras de um processo revolucionário. E a partir do trabalho militante organizado, e somente a partir dele, que se pode promover coerentemente e com força redobrada a criação, o fortalecimento e a consolidação das organizações populares de base, que constituem os núcleos do poder popular revolucionário.” (fAu)

É com muita alegria que saudamos as companheiras e companheiros que construíram e constroem a Federação Anarquista Gaúcha, nestes seus 20 anos de muita luta e organização. O anarquismo especifista se enraíza no Rio Grande do Sul e no Brasil muito pelos esforços da FAG e estaremos juntos nas próximas décadas a enraizar ainda mais o anarquismo organizado nas terras brasileiras.

Construímos conjuntamente a Coordenação Anarquista Brasileira (CAB), uma ferramenta de organização do anarquismo especifista no Brasil, desde sua fundação em 2012 e nos esforçamos para avançar rumo à criação de uma organização nacional. A partir da articulação entre as organizações especifistas da região sul (CALC-PR, CABN-SC e FAG-RS) estamos conseguindo cada vez mais avançar no rumo que esperamos.

Nesta etapa de resistência da classe oprimida no Brasil, é necessário que continuemos firmes a fermentar a luta rebelde de nossa classe e nos organizarmos cada vez mais para romper com todos os tipos de dominação. Em um momento de ajuste fiscal, ataque aos direitos da classe oprimida, genocídio dos negros e indígenas, violência machista, homofóbica e transfóbica, criminalização da pobreza e do protesto, só nos resta um caminho: seguirmos lutando.

Os conflitos sociais se intensificam. Neste ano, por exemplo, tivemos lutas intensas do funcionalismo público no Paraná e Rio Grande do Sul, dia 29 de abril será para sempre lembrada pelo massacre de professores e estudantes paranaenses. A luta contra as terceirizações se fortalece; centenas de greves – em que muitas passam por cima da burocracia sindical; a luta contra PEC 215, contra o genocídio indígena e quilombola; dezenas ocupações em São Paulo contra o fechamento de escolas e muito mais.

Somente com muita luta e organização vamos conseguir romper com este sistema de dominação, tendo como inspiração a revolução social curda que está em processo. Na América Latina, está claro que temos um caminho longo a percorrer até o socialismo libertário, mas temos confiança que estamos nos fortalecendo e desde as bases criando poder popular, como o exemplo das lutas no Rio Grande do Sul, com especial influência da FAG, nos demonstram.

Lutar! Criar Poder Popular!
Viva o Anarquismo Especifista!
Viva a Federação Anarquista Gaúcha!
Viva a Coordenação Anarquista Brasileira!

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Solidariedade aos povos indígenas do Brasil! Ação direta para garantir direitos!

Sabemos que a formação social brasileira é bastante característica, tendo sido os povos originários massacrados pela ganância da coroa portuguesa e de toda a elite branca europeia. Para pensar em um processo revolucionário no Brasil é fundamental considerar e fortalecer a organização os povos do campo, da floresta e do mar.

A conjuntura atual do Brasil é de grandes ataques contra a classe oprimida e os povos indígenas, mais uma vez, têm seus direitos históricos ameaçados. Dessa vez pela Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 215, de autoria do deputado Almir Sá (PL), que diz respeito à transferência da atribuição de demarcação de terras indígenas, quilombolas e reservas ambientais, que hoje se encontra nas mãos do Poder Executivo (representado pela União, FUNAI e INCRA) para o Poder Legislativo (representado pelo Congresso Nacional, que se compõe da Câmara dos Deputados e do Senado Federal).

Sabemos qual a composição do Congresso Nacional, composta por frentes parlamentares conservadoras como a bancada ruralista; que serve aos interesses do agronegócio, grandemente interessada na aprovação da PEC 215. Assim, fica clara a dimensão do ataque que a aprovação dessa PEC representará. As terras indígenas e quilombolas que já foram homologadas e/ou registradas com muita organização e ação direta do movimento indígena e quilombola também estão sendo ameaçadas, pois a PEC também possibilita a revisão das terras já demarcadas.

Na luta contra a aprovação da PEC 215, o movimento indígena foi às ruas no dia 3 de novembro demonstrar que está mobilizado e não aceitará calado os ataques do Estado. A manifestação contou com cerca de 50 pessoas, que afirmavam que a luta será suada e que não vão abrir mão de ter os direitos dos povos originários reconhecidos no país.

Na última quarta-feira, dia 11 de novembro, o movimento foi novamente às ruas nos estados do Paraná, Goiás, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Rio Grande do Sul. Os indígenas trancaram importantes rodovias com o intuito de dar visibilidade e fazer pressão na defesa de seus direitos.

Aqui no Paraná, cerca de 100 pessoas, dentre as quais os indígenas da Aldeia Araçaí (Piraquara) e de outras aldeias da região, além de advogados do movimento e apoiadores da causa, bloquearam a rodovia BR 277, que liga Foz do Iguaçu à Paranaguá, onde está localizado o importante Porto de Paranaguá, ponto de escoação de commodities do agronegócio brasileiro. Após 3 horas e meia de bloqueio da rodovia nos dois sentidos, os indígenas decidiram finalizar o ato caminhando até a praça de pedágio da concessionária ECOVIA e liberaram as cancelas para passagem gratuita. Logo após, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) reprimiu, de maneira intransigente, o ato político dos indígenas.

Nós, Coletivo Anarquista Luta de Classe (CALC) e da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB), demonstramos nosso apoio e solidariedade ao movimento indígena, que está indo às ruas lutar por seus direitos. Demonstram que os direitos dos de baixo não são concedidos, mas conquistados somente através da ação direta.  Com grande radicalidade e combatividade os povos indígenas escrevem a sua história!

SOLIDARIEDADE AO MOVIMENTO INDÍGENA!

SEMIÃO VILHALVA VIVE!

TODA FORÇA A ALDEIA AÇARAÍ!

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[FARJ] Ato de mulheres no Rio de Janeiro reúne mais de 3000 manifestantes

Retirado de: https://anarquismorj.wordpress.com/2015/11/13/ato-de-mulheres-no-rio-de-janeiro-reune-mais-de-3000-manifestantes/

Manifestação de mulheres no centro do Rio de Janeiro reuniu milhares de manifestantes ontem (12 de novembro). Organizações, movimentos sociais, coletivas feministas e ativistas se manifestaram contra o PL 5069/2013 e à favor da legalização do aborto! Para contextualizar, o projeto de lei 5069, encampando pelo conservador Eduardo Cunha prevê a detenção de 4 a 8 anos a qualquer mulher ou profissional de saúde que opte pela medida abortiva. Esse projeto está sendo tocado pelo setor mais reacionário e conservador da sociedade brasileira. Os governistas não foram poupados durante o ato, que mostrou a contradição de se apoiar um governo que com seu ajuste fiscal e leis reacionárias (promovidas principalmente pela base de apoio do governo) atinge duramente as mulheres (principalmente mulheres negras). A manifestação contou com muita energia e disposição e foi seguida pela polícia em todo o trajeto.

A FARJ esteve presente modestamente, cerrando fileiras com milhares de indignadas e revoltadas com as políticas machistas e patriarcais, entendendo que essa luta não se esgota na saída de Eduardo Cunha na presidência da câmara, mas que a luta feminista deve dar combate em todas as esferas da sociedade, construindo um mundo novo à partir do presente. Barrar esse projeto reacionário é uma urgência para salvar a vida das mulheres, ameaçadas pela ação machista, reacionária e covarde da bancada conservadora! Que venham mais atos.

Viva a luta das mulheres! Abaixo o patriarcado!
Contra o PL5069!
A revolução será roxa e negra ou não será!

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Lutas Sociais e o Retorno do Anarquismo Organizado às terras paranaenses

Retirado de: https://coletivoanarquistalutadeclasse.files.wordpress.com/2010/11/no-batente-out2015-versc3a3o-final.pdf

Publicado no jornal No Batente #5

Anarquismo e a luta de classes: no mundo, no Brasil, no Paraná

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O Anarquismo, Socialismo Libertário, é um projeto político ideológico forjado na luta entre a classe dominada e a dominante, surgindo no século XIX. É na Europa e na luta entre os trabalhadores urbanos e seus patrões que o anarquismo vai se constituindo, consolidando-se enquanto projeto político dentro da Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT). A partir da segunda metade do século XIX, o anarquismo passa a ter muita relevância nos movimentos do campo e da cidade, destacando-se em movimentos revolucionários em Paris, México, Ucrânia, Manchúria e Espanha.

No Brasil, o anarquismo começou a se desenvolver a partir do final do século XIX, em meio ao crescimento da população urbana e da indústria. A exploração dos trabalhadores e trabalhadoras, com jornadas de trabalho extenuantes, condições insalubres e salários baixos, deu espaço a inúmeras revoltas e greves. Neste período, milhares de imigrantes europeus vieram ao Brasil e se juntaram a um povo lutador e mestiço que já batalhava aqui, trazendo consigo também a ideologia do anarquismo que tinha grande influência nos movimentos populares na Europa.

É no final do século XIX que a Colônia Cecília surgiu, comuna que ocorreu no município de Palmeira no Paraná, e no começo do século XX que as mobilizações urbanas tiveram grande força e influência anarquista no Paraná e no Brasil.

Com greves e revoltas históricas, os trabalhadores e trabalhadoras brasileiras conquistaram aumentos de salário e direitos trabalhistas, mas, com a repressão e criminalização do Estado, tanto o movimento sindical como a articulação dos anarquistas enfraqueceu. Com centenas de deportações e prisões, o anarquismo deixou de ter destaque nas mobilizações populares por quase todo o resto do século XX no Brasil e até o século XXI no Paraná.

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Após a repressão e criminalização às organizações anarquistas no início do século XX, o anarquismo perdeu seu vetor social, isto é, perdeu sua relevante inserção nos movimentos populares durante várias décadas. No Paraná, o CALC tem como objetivo retomar este vetor social, assim como as demais organizações da CAB pretendem fazê-lo em seus estados. Para nós, é essencial que a organização anarquista influencie os movimentos sociais para que eles sejam os mais combativos e agreguem mais gente possível, construindo a partir das bases a luta contra a dominação.

O Paraná é e foi palco de muita luta da classe oprimida. No campo e na cidade, a revolta e a organização dos de baixo é marca presente neste estado do sul do Brasil. Os conflitos agrários e sindicais estão muito presentes desde o final do século XIX, a luta por reforma agrária e melhoria de salários já perdura por mais de um século e a resistência dos de baixo se manteve contra a ditadura civil-militar, contra os latifundiários e patrões.

Desde o final da ditadura no Brasil, muita luta e organização foi feita no Paraná, surgindo aqui o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), fundado em Cascavel na década de 80; existindo um histórico forte de luta sindical nos 80 e 90 nos centros urbanos; criando-se vários movimentos de luta por moradia e associações de moradores que permitiram que milhares de pessoas tivessem uma moradia e conquistassem serviços públicos nas periferias desde a década de 80; além de um movimento estudantil que luta a décadas contra a precarização e privatização.

Atualmente vivemos uma conjuntura muito difícil para a classe oprimida, no Paraná e no Brasil. Para grande parte do povo brasileiro o Partido dos Trabalhadores (PT) representou a esperança de mudança e melhoria de vida. Porém, apesar de o PT estar inserido fortemente em inúmeros movimentos sociais no campo e na cidade, seu objetivo sempre passou por “conquistas eleitorais”, de modo que qualquer transformação radical deixa de ser possível. Especialmente quando o PT ganha a presidência do Brasil evidencia-se como vários instrumentos de luta da classe oprimida (como sindicatos, associações de moradores, entidades estudantis, movimentos do campo) estavam dependentes desse partido, passando a ser cada vez mais burocratizados e atrelados a interesses partidários. Entretanto, tais interesses são muitas vezes antagônicos aos de quem o partido se propõe a representar.

Retomada do Anarquismo Organizado nas lutas sociais no Paraná

Neste cenário recente é que o CALC surge e tem como tarefa se inserir nos movimentos e contribuir para que não se reproduzam os mesmos erros e vícios da esquerda institucional, que considera os movimentos sociais como meio de disputar o Estado. Propomos e temos agido no sentido da busca de transformações da realidade concreta, a partir da defesa do caráter classista e combativo dos movimentos, acumulando força social para que consigamos acabar com o sistema capitalista.

Desde seu surgimento, o CALC atua em diversas frentes de luta e seu esforço é para ampliar ainda mais sua atuação. Mesmo antes de seu lançamento público, seus militantes fundadores atuaram no movimento estudantil universitário, na luta pelo transporte público e na luta comunitária, em Curitiba. E com o decorrer dos anos foi estendendo sua atuação para a luta sindical, pela saúde e expandindo sua influência para além da capital paranaense.

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Luta pela Educação

Atuamos nas greves de 2011, 2012 e 2015 na UFPR, que tiveram várias conquistas importantes no âmbito da assistência e permanência estudantil, com caráter combativo e organizado desde as bases dos cursos.

Diante da crise econômica gerada pelos de cima, os de baixo são obrigados a pagar a conta, mais uma vez. No Brasil, o ano de 2015 iniciou com a ameaça de um ajuste fiscal que pretendia enxugar os gastos públicos para aumentar o lucro dos grandes bancos e empresariado. A educação sofreu corte de 18 bilhões de reais e está previsto corte ainda maior para o ano de 2016, com congelamento dos salários e na contratação de professores até 2017. Em consequência disso, diversas universidades pelo país estão sem verbas para manter seu funcionamento; sem verbas de custeio (pagamento de trabalhadores terceirizados, água, luz, telefone) e com inúmeros prejuízos para programas de assistência e permanência estudantil (corte de bolsas, programas pesquisa, extensão e monitoria). Em resposta ao grande golpe que a educação enfrenta, 46 universidades federais entraram em greve neste ano. A UFPR não ficou de fora da luta, trabalhadores técnico-administrativos, professores e estudantes entraram em greve geral em defesa da educação pública e contra o ajuste fiscal. Diante da postura intransigente do Reitor Zaki Akel, os estudantes decidiram ocupar o prédio da Reitoria e só saíram de lá com negociação de pautas e garantia de um calendário de negociação continuado.

No âmbito estadual a educação pública também sofre cada vez mais ataques dos governos e, atualmente, sofre duros golpes do Governador Beto Richa (PSDB), tanto cortando investimento, como reprimindo e criminalizando a luta dos estudantes, trabalhadores e trabalhadoras. No primeiro semestre de 2015 tivemos uma luta histórica contra as medidas de austeridade do governo Richa, duas ocupações da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) e muita ação direta para impedir o “pacotaço de maldades” do governo. O movimento sindical dos servidores públicos, com destaque aos professores do magistério estadual, em conjunto com o movimento estudantil secundarista e universitário barraram medidas que cortariam direitos dos trabalhadores, sucateariam ainda mais as escolas e tirariam a autonomia universitária.

Porém, com as dívidas do Estado do Paraná podendo colocar em risco o futuro político de Beto Richa, era “necessário” atacar a previdência dos servidores públicos para conseguir pagar as contas. Mas o movimento de luta não aceitaria isso de braços cruzados. Então, no histórico dia 29 de abril, a Praça Nossa Senhora da Salete no Centro Cívico de Curitiba, tornou-se cenário de guerra. Milhares de trabalhadores, trabalhadoras e estudantes indefesos contra uma artilharia de guerra. Apenas um lado tinha armas, o que houve não foi um confronto, mas, sim, um massacre. Centenas de pessoas desmaiaram, ficaram feridas, e tiveram sequelas. Sem contar com inúmeras detenções que ocorreram naquele dia e os milhares de trabalhadores e trabalhadoras que estão tendo sua previdência roubada.

Durante e após as mobilizações contra as medidas de austeridade, Beto Richa e seus comparsas do governo do Paraná tentaram criminalizar os libertários e anarquistas como sendo “infiltrados” no movimento legítimo dos professores e colocando o anarquismo como sinônimo de bagunça e desordem. Ao mesmo tempo em que a burocracia sindical fazia o desserviço de pedir para que abaixássemos as bandeiras rubro-negras. Não vão nos intimidar! A bandeira rubro-negra continuará erguida! Protesto não é crime!

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Luta Comunitária

A luta comunitária e por moradia tem um grande histórico no Paraná, especialmente em Curitiba. Entretanto, nas últimas décadas anda desarticulada e burocratizada, com associações de moradores servindo na maioria das vezes para apoiar candidatos em épocas eleitoreiras e sem fazer luta direta ou articular os moradores e moradoras para conquistar direitos e moradias dignas. Os movimentos por moradia ligados ao PT, após a “vitória nas urnas” passaram a se desarticular e perder força nas periferias. Como resposta a isso, é criado o Movimento de Organização de Base (MOB) no Paraná em 2014 – movimento social comunitário e por moradia que é baseado na independência de classe, democracia de base e ação direta. Hoje o CALC contribui para o fortalecimento do MOB em Curitiba e no Paraná, movimento que tem lutas importantes por regularização fundiária, água, luz, e tem construído cooperativas e ações culturais.

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Luta pelo Transporte

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A luta pelo transporte público tem seu ápice nas Jornadas de Junho de 2013, primeira vez em mais de 30 anos foi feita uma luta de massas a revelia das lideranças e organizações alinhadas ao PT, com manifestações com dezenas de milhares de pessoas e ocupações de prédios públicos – em Curitiba tivemos a ocupação da Câmara Municipal em outubro daquele ano. O CALC compõe desde lá a Frente de Luta Pelo Transporte em Curitiba, e contribuiu com a construção do Coletivo Tarifa Zero (CTZ), que faz parte da federação do Movimento do Passe Livre (MPL). No Paraná, quem manda no transporte público são as máfias do transporte e só com muita força social organizada conseguiremos transporte coletivo público e tarifa zero.

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Luta pela Saúde

Outra luta relevante e intensa em que tivemos inseridos foi a luta contra a EBSERH (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares), privatização do Hospital de Clínicas da UFPR, o maior hospital público do Paraná – a partir da Frente de Luta pra Não Perder o HC. Em 2014, o movimento estudantil e sindical da UFPR se organizou para não permitir que a EBSERH fosse aceita na universidade, algo que já estava acontecendo em quase todos os outros hospitais escola do país. Após muita resistência do movimento, em um golpe articulado pelo Reitor Zaki Akel e em meio a bombas de gás lacrimogênio e tiros de bala de borracha, a EBSERH foi aprovada em 28 de agosto. A privatização do HC-UFPR foi aceita em uma “reunião por celular” entre os conselheiros universitários.

barramos de novo

Muita luta aconteceu e muito mais está por vir!
Pela construção dos movimentos pela base!
Viva a organização do povo!
Lutar! Criar Poder Popular!

5 anos

[CURITIBA] 6º ENCONTRO DO CÍRCULO DE ESTUDOS LIBERTÁRIOS (CEL) – NA PRÓXIMA TERÇA (27/10/2015)!

Autogestão, Federalismo e Socialismo Libertário

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Na próxima terça-feira, 27 de outubro, o CALC articulará seu grupo de estudos em Curitiba. Faremos o CEL no Prédio Histórico da Universidade Federal do Paraná, às 18:30, na sala 205 da Psicologia.

Buscaremos neste estudo compreendermos as bases da sociedade socialista libertária, bem como de que forma tais perspectivas estratégicas regulam as organizações anarquistas no presente.

Os textos base são:

– A concepção anarco-sindicalista de autogestão – René Berthier

– Objetivos finalistas: Revolução social e socialismo libertário, capitulo 5 do livro Anarquismo Social e Organização – Federação Anarquista do Rio de Janeiro

Baixe aqui: Módulo VI CEL

Evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/540672359422736/

Para mais informações sobre os textos e temas que discutiremos durante o ano, visite:https://coletivoanarquistalutadeclasse.wordpress.com/grupos-de-estudos-libertarios/

E a Livraria Alberto “Pocho” Mechoso estará presente também! Com dezenas de livros  e  uma grande rifa a sua espera! Quer conhecer nossos títulos: https://anarquismopr.org/livrariapocho/

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Venha participar!

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[FARJ] O que sobrou de junho? Uma reflexão sobre o “pós-2013”

Retirado de:  https://anarquismorj.wordpress.com/2015/08/22/reflexao-pos-2013/

Candelária, Avenida Rio Branco, Avenida Presidente Vargas, Cinelândia, Avenida Primeiro de Março… O preço da passagem, o aluguel, a alimentação, o custo de vida aumenta para a classe trabalhadora. A política de segurança no Rio de Janeiro, com as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), mata jovens negros trabalhadores e oprime o povo que mora nas favelas. A milícia cresce com a “vista grossa” do poder público. Greves pipocam e são reprimidas pelas forças de segurança, ou são freadas pela burocracia sindical e patrões. A Copa do Mundo de 2014 se aproxima apresentando um Brasil que não existe e é vitrine da propaganda das elites. O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional Sul-Americana (ou plano IIRSA) motivam grandes obras que beneficiam empreiteiros enquanto povos e comunidades são violentamente despejados. Camponeses, indígenas e quilombolas perdem espaço com o avanço do agronegócio, direitos são retirados por um legislativo conservador, que ataca os LGBTT’s. Os alimentos transgênicos são liberados, assim como a barragem de Belo Monte e a Transposição do São Francisco.

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A população, que parecia amortecida pela máquina de propaganda midiática começa a se movimentar e apresentar sua insatisfação com a situação social. Centenas de milhares de pessoas ocupam as ruas, os punhos se elevam até mais de um milhão (com a direita disputando os atos), e os gritos abalam a sociedade brasileira de uma maneira que nunca teríamos pensado. O povo de outras cidades também se mobiliza e o movimento ganha o país.

Há exatos dois anos atrás o Movimento Passe Livre (MPL) iniciava sua vitoriosa jornada de lutas, que terminou com a derrubada do aumento das passagens. Vitória essa que é patrimônio das e dos de baixo, vitória que foi arrancada ao preço de muito gás lacrimogêneo, balas de borracha e luta nas ruas. Junho de 2013 significou não só que o povo ainda está disposto a lutar com unhas e dentes, mas que este é o único caminho possível para a conquista e a defesa de direitos, e para transformar a realidade a partir das demandas populares em direção ao socialismo libertário.

Mas se olharmos para hoje, depois desses dois anos, a conjuntura mudou. O que era esperança, virou decepção. A direita “tradicional” entendeu que o PT, essa direita envergonhada já não tem condição de controlar e domesticar totalmente a raiva das ruas. O avanço das forças conservadoras, os ataques aos direitos dos trabalhadores, o assanhamento da extrema-direita, mostram que os tempos são nebulosos. O governo PT/PMDB continua garantindo o lucro para o capital empresarial e financeiro (nacional e internacional). Não há e nunca houve possibilidade de disputa desse governo, bancado como qualquer outro pelos grandes empresários, empreiteiras, latifúndios e pelo capital financeiro. Governo que pôs o exército nas favelas e prosseguiu com a política de genocídio da população negra e pobre. Governo que beneficia o agronegócio, realiza o menor número de assentamentos na história da reforma agrária no país e impõe um ajuste fiscal de corte neoliberal que faz com que as/os mais pobres paguem a conta da crise internacional. Governo que bem alinhado à classe dominante (vingando-se de 2013) propõe a PL 2.016, que sob a desculpa de combater o “terrorismo” atacará os movimentos populares, organizações políticas e qualquer rebelde que questione o sistema capitalista. O PT portanto, é parte dessa onda conservadora. Um governo que preparou o terreno para a direita mais tacanha avançar com pautas conservadoras, como a da redução da maioridade penal e a tentativa de excluir o debate de gênero da educação. Dentro ou fora do governo, a direita faz sua festa e o povo é convidado a assistir.

Abaixo e à Esquerda: reconstruir o campo independente das/os de baixo

Somos chamados a refletir sobre a conjuntura e a necessidade da organização. Por mais que os momentos da revolta sejam importantes não são suficientes por si só para mudar a correlação de forças da sociedade capitalista. A ilusão de que tudo mudaria tomando o Estado e elegendo um partido “dos trabalhadores” escorre como água das mãos de seus defensores. 2013 também mostrou que a classe dominante não vai entregar nada de bandeja para as oprimidas e oprimidos, e sem resistência. E que as revoltas pontuais se perdem diante da repressão e da organização da classe dominante quando não canalizam e acumulam para uma estratégia coerente. Parte da esquerda tenta seguir o caminho derrotado do PT, reeditando a tentativa fracassada de eleger “deputados combativos” que logo se tornam burocratas desavergonhados e que vão dar a linha nos movimentos e partidos ditos revolucionários.

Velhos e novos gerentes do capitalismo.

A espontaneidade da luta também dá lugar à frustração e à decepção quando não acumula para movimentos populares e organismos de base sindical independentes, classistas e anticapitalistas. Quantos revolucionários/as de junho não se decepcionaram com o refluxo do ano que se seguiu? Com muita modéstia sabemos que o campo anticapitalista e autônomo ainda tem muito que avançar para influenciar e gerar força social. O momento é de trabalhar para uma reconstrução urgente do campo combativo dos movimentos populares e sindicatos. Isso não será feito de um dia para o outro mas deve ser construído desde já. O que propomos, sabendo que essa não é só uma tarefa nossa mas de todo o campo anticapitalista, é a construção permanente de movimentos populares bem organizados, independentes e com um projeto bem definido de luta (no campo sindical, comunitário, camponês, estudantil e outros) que supere o governismo pelo método e pela prática. Defendemos o federalismo como metodologia para garantir a autonomia e a democracia direta na luta dos organismos populares.

Para isso é necessário trabalhar para superarmos a fragmentação das lutas que o capitalismo nos impõe cotidianamente, pois nenhum/a militante ou experiência de poder popular é capaz de resistir isolada e sem apontar para um horizonte estratégico e coletivo. “Cada um fazendo o seu”, mesmo com boas intenções, é tudo o que poderosos querem para nos explorar e esmagar com mais força. Quaisquer experiências, por mais importantes que sejam, se não confluem para um projeto coletivo, autogestionário e federalista, perdem-se no pragmatismo e no imediatismo do cotidiano.

É preciso abandonar a crença de que o Estado pode ser disputado e que a opção das eleições pode andar junto da opção da luta popular. A única disputa em curso é a disputa interna entre os velhos e novos gerentes do capitalismo. O campo anticapitalista deve ajudar os movimentos a romper com o governismo e propor uma pauta própria e independente. É a rebeldia popular, trancando ruas, ocupando terras e prédios e se organizando com um trabalho de base constante e permanente (nas escolas, fábricas e nos bairros/favelas e no campo) que faz a classe dominante tremer, apontando para o poder popular (autogoverno). E isso só pode ser feito com movimentos populares organizados e com o horizonte de independência e luta. Não vamos fechar fileiras com a velha direita e os raivosos reacionários que marcham apenas para trocar os opressores de lugar. Tampouco vamos defender um governo que desarmou a classe trabalhadora e dela só se alimenta para gerir o modelo de dominação. Nossa saída é a das lutas populares no campo e na cidade. São essas lutas que disputam um projeto de transformação radical de sociedade e que combatem os velhos conservadores e o governismo.

Organizar e lutar com as/os de baixo. Muralismo na cidade do Rio de Janeiro.

Não há tempo certo nem errado para se construir movimentos populares. A organização não vai cair do céu nem vem com quem lança mais comunicados “radicais”, sem base na realidade concreta. A realidade que desejamos é construída com a vontade permanente das/os de baixo em iniciativas de organização e luta. É dever das/os anarquistas trabalhar como combustível na organização do povo superando o espontaneísmo, o ativismo sem estratégia e a burocracia nos espaços sindicais e populares. Convidamos as/os anarquistas e militantes populares à participar estrategicamente dessa etapa de resistência. Para isso serve o anarquismo, a FARJ e a CAB como ferramentas de organização e luta do povo.

 

Construir federalismo popular / libertário!

Povo na rua pra resistir e lutar,

Povo que avança para o Poder Popular!

Viva a luta popular no campo e na cidade!

[BRRN] Nossas perspectivas e tarefas na Revolução de Rojava – Tradução

Retirado de: https://anarquismorj.wordpress.com/2015/08/05/brrn-nossas-perspectivas-e-tarefas-na-revolucao-de-rojava-traducao/

Tradução da FARJ do texto da organização norte-americana Black Rose Anarchist Federation/ Federacion Anarquista Rosa Negra sobre a Revolução de Rojava, onde apontam as perspectivas que a organização possui de um ponto de vista anarquista, além de como pretendem se envolver com a revolução curda. A Black Rose / Rosa Negra enviou militantes para o local com a finalidade de entender melhor a conjuntura e ajudar na reconstrução de Kobane, que foi destruída pelo Estado Islâmico.

Original: Our Perspectives and Tasks on the Revolution in Rojava

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Enquanto revolucionários na América do Norte, gostaríamos de apresentar as bases da nossa perspectiva política e, também, como nós, enquanto organização, concordamos em nos relacionar com os recentes acontecimentos e a luta que ocorre em Rojava no Oriente Médio.

Nossa Perspectiva

A Revolução de Rojava provavelmente obteve mais avanços rumo ao socialismo libertário do que qualquer outra luta de grande escala, pelo menos desde a insurreição Zapatista. Por apenas essa razão já é importante participar desta luta para sustentar seus elementos mais revolucionários e apoiar como um exemplo internacional do que a auto-organização das classes populares pode alcançar.

Ao mesmo tempo que temos muitas questões sobre a ideologia política do Partido dos Trabalhadores Curdo (PKK) e do Partido da União Democrática (PYD) (o que demandaria um artigo em separado e mais longo), o projeto especifico de confederalismo democrático (que é apenas uma parte da sua visão política de “modernidade democrática” e de reorganização da sociedade) tem posto as classes populares do Curdistão em movimento, construindo alternativas autônomas ao capitalismo, opressões e ao Estado. Em Rojava, e em alguns casos também em Bakur, norte do Curdistão, quando a repressão do Estado não proíbe, cooperativas de trabalho estão sendo formadas, terras estão sendo coletivizadas, coletivos de mulheres estão se espalhando, assembleias de comunidades estão tomando o poder, justiça restauradora está substituindo o sistema de tribunal, uma milícia democrática está defendendo a região e outros aspectos de autogestão estão sendo organizados. Isso não é tudo que há nesta luta – parte das terras e capital está planejado a ficar em mãos privadas, o PYD criou um novo Estado mínimo em vez de abolir o estado, conscrição forçada foi eventualmente implantada, políticos do PYD tem buscado influência em países ocidentais, investimentos corporativos estrangeiros estão sendo aspirados etc. Porém, apesar de muita coisa permanecer vaga sobre detalhes específicos do que está acontecendo no chão (até para muitas pessoas que estiveram em Rojava), é claro que grande parte da classe popular no Curdistão está envolvida em um processo revolucionário que nós deveríamos apoiar. Também é bastante claro que já que uma revolução democrática é baseada na vontade do povo, será apenas com uma formação política de longo prazo e organizando trabalhos entre as classes populares de Rojava que a revolução será generalizada para além da atual minoria ativa e continuará a tomar forma. Acreditamos que temos a responsabilidade de contribuir com esse processo e aprender com ele.

Black Rose / Rosa Negra vê a Revolução de Rojava como um grande movimento social com muitas forças sociais puxando e empurrando umas às outras. Estas forças sociais representam interesses de classe e visões politicas contraditórias. Enquanto a visão política de Abdullah Ocalan (líder do PKK) é a ideologia dominante dentro do movimento, essa visão é por vezes muito vaga e aberta a diferentes interpretações por diferentes forças sociais. Por exemplo, ativistas queer dentro do movimento levantaram a questão que a ideologia essencialmente feminista vinda das guerrilhas do PKK excluíam identidades queer e trans e isso deverá ser superado para o progresso da revolução. Outra contradição é que o programa econômico do socialismo democrático enfatizado por alguns no movimento irá inevitavelmente entrar em conflito com os interesses da elite conservadora dentro do movimento. Ao mesmo tempo que esperamos que o movimento tenha as ferramentas necessárias para continuar a receber críticas internas e fortalecer sua luta contra a opressão, veremos como conflitos sobre exploração de classes irão se desenvolver já que estão entre grupos com interesses materiais muito distintos. Em todos esses debates entre diferentes forças, os revolucionários terão que tomar partido, com objetivo de fortalecer nossas próprias políticas e as forças dos companheiros no Curdistão.

Nós apoiamos este movimento em Rojava e no resto do Curdistão como um dos mais fortes em relação ao feminismo, socialismo libertário e uma sociedade com democracia direta que o mundo viu nas últimas décadas. Para continuar avançando em direção a esses objetivos, as forças dentro do movimento que estão mais próximas destes objetivos políticos precisam se fortalecer e serem apoiadas pela esquerda internacional. Senão o movimento encarará a morte nas mãos dos seus inimigos militares ou a reintegração pelo capitalismo (no melhor dos casos capitalismo socialdemocrata). Os mesmos resultados virão a não ser que nós não aproveitemos a oportunidade de trazer para os nossos locais a luta revolucionária para atacar as bases do imperialismo norte-americano e do capitalismo global.

A esquerda, e os anarquistas especificamente, encaram muitas questões de como podemos fazer isso. Pelas nossas reuniões e observações no Curdistão, temos visto muitos modelos diferentes de como revolucionários – curdos, turcos e estrangeiros – estão se envolvendo na luta. Temos visto que a luta em Rojava e Bakur, apesar de sua natureza ampla, não pode ser separada da sua estrutura organizacional oficial do movimento – as diferentes interconexões políticas estruturais que juntas implementam a ideologia de Öcalan, como o PKK, HDP (Partido Democrático do Povo), PYD, DTK (Congresso Democrático da Sociedade), KCK (União das Comunidades Curdas) etc. Até onde sabemos, todo grupo de esquerda que se integrou seriamente ao movimento de libertação curdo – de stalinistas a anarquistas inssurrecionalistas a Apocu (seguidores do Öcalan) – o fizeram se aliando às estruturas oficiais de algum jeito. Porém, há alguns que fizeram essas alianças se dissolvendo por completo dentro delas, enquanto outros fizeram a aliança e mantiveram diferentes níveis de autonomia organizacional e política. Estes diferentes modelos apresentam um leque bastante complexo de opções de até onde revolucionários podem se envolver com as diferentes forças políticas e sociais dentro do movimento trabalhando com os companheiros do Curdistão. Tais opções devem ser avaliadas com cuidado baseado tanto na situação do Curdistão quanto na nossa situação, capacidade e objetivos políticos.

Apesar do grande apoio e interesse que a revolução de Rojava tem tido na esquerda dos EUA e Canadá, há pouco apoio organizado, apesar das últimas semanas terem visto um maior alcance de organização. Há grupos de solidariedade a Rojava em duas grandes cidades e um disperso suporte online. Nós vemos as razões para isso como, primeiramente, a natureza desorganizada e fragmentada da esquerda nos EUA e Canadá, em especial a esquerda libertária. Segundo, outro importante fator é a falta de uma grande comunidade curda nos EUA e a falta de conexão entre a América do Norte e a esquerda curda ou da região em volta. Acreditamos ser nossa responsabilidade ajudar a mudar essa situação e mobilizar a esquerda e movimentos sociais rumo ao envolvimento com a Revolução de Rojava, enquanto aprendemos com a nossa história de solidariedade com os Zapatistas e Palestinos.

Nossas Tarefas

Black Rose / Rosa Negra define como seus objetivos organizacionais o seguinte:

– Criar uma comissão interna para coordenar os esforços da organização e trabalhar com outros grupos de solidariedade para construir uma rede continental de suporte a Rojava. Uma rede maior pode ajudar a organizar protestos coordenados nos consulados Turcos pedindo o embargo para ser suspenso, coletar material de apoio para sessões legais do movimento de libertação curdo, construir relações diretas com o movimento, fazer formação política sobre Rojava e a política de autonomia e forçar o governo dos EUA a tirar o PKK da lista de organizações terroristas.

– Desenvolver um conjunto claro de princípios políticos a partir dos quais basear nosso trabalho e a partir deles, desenvolver nossos contatos no Curdistão e começar esforços para levantar fundos e material, para organização específica anarquista no Curdistão e para grupos mais amplos.

– Priorizar o intercâmbio de militantes entre os EUA e Curdistão, organizando turnês de palestras nos EUA e enviando companheiros/as para participar da reconstrução de Kobane.

– Promover a luta revolucionária de Rojava e fazer formação sobre, compartilhando relatos frequentes de atividades de solidariedade, noticiais e análises da situação no Curdistão. Além de traduzir material do Curdistão e enviar material de propaganda traduzido para distribuição aos nossos companheiros no Curdistão.

Tradução: FARJ

[BRRN] Declaração sobre o recente massacre em Suruc, Turquia – Tradução

Retirado de: https://anarquismorj.wordpress.com/2015/07/21/brrn-declaracao-sobre-o-recente-massacre-em-suruc-turquia-traducao/


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Traduzimos a nota da oranização americana Black Rose Anarchist Federation/ Federacion Anarquista Rosa Negra sobre o massacre ocorrido em Suruc, Turquia, dia 20 de julho.

Original: http://www.blackrosefed.org/statement-on-bombing-turkey-suruc/
Espanhol: http://www.blackrosefed.org/declaracion-sobre-el-reciente-masacre-en-suruc-turkia/

Declaração sobre o recente massacre em Suruc, Turquia
BLACK ROSE ANARCHIST FEDERATION / FEDERACION ANARQUISTA ROSA NEGRA (EUA)

20 de julho, 2015

‪#‎Rojava‬ ‪#‎SurucBomb‬ ‪#‎SuruçtaKatliamVar‬

Hoje lamentamos a perda de amigos e amigas, companheiros e companheiras, e renovamos nosso comprometimento com uma luta revolucionaria internacional em memoria deles e delas.

Meio-dia, na cidade de Suruc, fronteira da Turquia com Curdistão, uma bomba explodiu nos corpos de comunistas, socialistas e anarquistas, que estavam a caminho de ajudar na reconstrução de Kobane. Dezenas de pessoas foram mortas e muitas outras feridas. Um militante da Black Rose estava presente ajudando na preparação para uma campanha em suporte a reconstrução de Kobane e Rojava, porém não ficou ferido.

Meia hora após a explosão, a cidade de Suruc tremeu outra vez, quando uma segunda bomba atingiu a fronteira em Kobane. Notícias indicam que foi um ataque de carro-bomba que foi impedido por forças de autodefesa que minimizaram as perdas.

A viagem a Kobane foi organizada pela organização marxista-leninista Sosyalist Gençlik Dernekleri Federasyonunun (SGDF) – Associação das Federações da Juventude Socialista. A organização trouxe jovens e famílias inteiras através da Turquia e outros lugares para dar suporte revolucionário a revolução social que está ocorrendo em Rojava. Quase 300 pessoas estavam se preparando para atravessar a fronteira interditada para ajudar na reconstrução da cidade, aprender sobre os desenvolvimentos políticos e conectar as lutas da esquerda turca com o movimento curdo.

Depois da bomba, os primeiros a responder foram os veículos militares armados do ocupado estado Turco que desceram a rua em frente ao Centro Cultural Amara para bloqueá-la e apontar suas armas aos e as recentemente feridos/as e afligidos/as revolucionários/as. As ambulâncias demoraram tanto tempo pra chegar ao local que carros privados foram organizados para levar feridos/as aos hospitais. Os militares e policiais estavam no local em poucos minutos, tratando de formar uma barreira de policiais antes das ambulâncias chegarem. A vigilância deles não foi uma surpresa ja que estavam assediando os ônibus de revolucionários/as indo a Suruc naquela manha, monitorando muitos deles/as e fizeram ligações aos familiares dizendo que seus jovens parentes estavam se juntando a terroristas em Rojava.

Isso demonstra a atitude do estado e e indicativo de uma triste realidade: a Turquia esta continuando sua política de extermínio contra os Curdos e esse ataque pode ser visto como a realização da promessa de Erdogan (presidente da Turquia) de deter Rojava a qualquer custo. Nos próximos meses, a Black Rose continuará a expandir o plano de organizar comitês e redes em solidariedade a Rojava. Contamos com sua ajuda.

Biji Rojava! Rojava vive!

Secretaria Internacional, Black Rose Anarchist Federation/Federacion Anarquista Rosa Negra (BRRN)

Tradução: FARJ

Comunicado em apoio e solidariedade a luta do DAF na Turquia

Companheiras/os da DAF (Devrimci Anarşist Faaliyet / Ação Revolucionária Anarquista):

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Queremos em primeiro lugar deixar chegar até vocês, de maneira conjunta, nosso abraço fraterno de solidariedade com a causa do anarquismo turco comprometido com as lutas sociais e causas revolucionárias, que são as mesmas nossas causas. Em segundo lugar comemoramos e expressamos a nossa alegria que esses dois companheiros da DAF, que foram cruelmente presos pelo Estado turco, foram colocados finalmente em liberdade, sendo isso resultado da luta de rua de cada companheiro / a.

Queremos dizer-lhes que as nossas organizações seguem atentas e a postos para espalhar por todos os meios possíveis, os acontecimentos revolucionários no Curdistão ocidental e no quadro de solidariedade regional que eles criaram e, que estes enxergam vocês como protagonistas também neste processo, juntamente com outras organizações irmãs. Com profundo respeito, e sabendo que muitas vezes as distâncias impõem limites quando precisamos lançar ações de apoio a nossa causa como anarquistas, no entanto queremos fazer chegar até vocês toda a força e o apoio militante a seus esforços, não apenas por realçar a vizinha Rojava revolucionária, mas também pela tentativa cotidiana de construir uma alternativa anarquista na Turquia.

Desde já afirmamos toda a solidariedade a seus esforços, desde onde nos toca viver e atuar, aqui no sul do continente Latino Americano.

Viva a revolução de Rojava!
Viva a DAF!!!
Liberdade para Zeynep Celaliyan!
Arriba lxs que luchán!

CALC – Coletivo Anarquista Luta de Classe (Paraná, Brasil)                     FAU – Federación Anarquista Uruguaya (Uruguay)
FAG – Federação Anarquista Gaúcha (Río Grande do Sul, Brasil)
FAR – Federación Anarquista de Rosario (Rosario, Argentina)

A Revolução dentro da Revolução e o Protagonismo Feminino no Curdistão

Rojava

Retirado de: http://jornalismob.com/2015/02/23/a-revolucao-dentro-da-revolucao-e-o-protagonismo-feminino-no-curdistao/

Texto escrito por Lorena Castillo, militante da Federação Anarquista Gaúcha e do Ateneu Libertário A Batalha de Várzea, pro blog Jornalismo B

Somente há pouco tempo ficamos sabendo que em uma determinada região do Oriente Médio, mais precisamente no oeste do território curdo (Rojava), existe um processo revolucionário que se desenlaça e coloca no cerne da questão política a liberdade das mulheres e a negação do Estado-Nação. A luta revolucionária hoje no Curdistão é algo que recoloca no debate político da esquerda mundial a possibilidade de fazer a ruptura com a podridão do sistema capitalista e patriarcal. Hoje, o povo curdo, que está em luta contra os regimes opressivos da região, dá o exemplo de como é possível viver em uma sociedade baseada na democracia de base, no poder popular e no alto nível de liberdade das mulheres.

Fotos: Kurdish Female Fighters Y.P.J

A toda essa proposta política elas e eles dão o nome de Confederalismo Democrático. Essa proposta surge a partir das leituras do militante curdo Abdullan Ocalan, que é uma figura de referência para toda a esquerda curda, sendo um dos fundadores do Partido Trabalhista Curdo (PKK), e que está preso há 16 anos, com pena perpétua para ser cumprida em uma ilha-prisão da Turquia.  Na prisão, Ocalan aprofundou suas leituras dos textos anarquistas de Bakunin, Kropotkin e Proudhon, e, como proposta de modelo político para ser trilhado na revolução social do Curdistão, ele rebatiza o Municipalismo Libertáriodo também anarquista Murray Bookchin. Esse projeto político, o Confederalismo Democrático, vê o Estado como o principal oponente às ideias de autodeterminação dos povos e sua independência. A independência que é proposta pelo projeto do Confederalismo Democrático não busca obter fronteiras de um Estado-Nação. Pelo contrário, a luta curda hoje é qualquer coisa exceto nacionalista.

Nas montanhas acima de Erbil, no antigo coração do Curdistão, passando pelas fronteiras da Turquia, Irã, Iraque e Síria, nasce uma revolução social, uma proposta radical de democracia de base esfrega na cara da esquerda mundial que o caminho para a superação deste modelo injusto e assassino começou a ser trilhado longe do que tradicionalmente se esperava.

A luta revolucionária do povo curdo está construindo uma sociedade livre do Estado, e isso coloca em cena a antiga e maior polêmica entre a esquerda centralista e a federalista, que é a questão do Estado e também o tema já tão conhecido por nós, anarquistas, de que o socialismo é com liberdade ou não é socialismo. E o que está acontecendo por lá, no Curdistão revolucionário, é isso mesmo: desde os conselhos mais locais, sejam eles em bairros, municípios ou distritos, se pratica formas de democracia direta, onde todas as pessoas podem deliberar sobre as diferentes questões da nova sociedade que estão construindo. As ferramentas de organização específicas para as mulheres, jovens e para toda a comunidade encarnam fortemente no dia a dia os princípios de democracia radical de base e liberdade. O federalismo do ponto de vista anarquista, como um conceito de descentralização de poder encontra nesta experiência terreno fértil para fazer defesa desta concepção. O que temos hoje no Curdistão é o desenlace de um povo forte, que neste momento está em armas contra as terríveis ideias e ações do Daesh (ISIS, ou Estado Islâmico).

Algo extremamente importante de ressaltar nesse processo todo é a conformação, em todos os níveis de organização, da inserção das mulheres curdas nessa luta revolucionária, onde as mulheres estão desempenhando um papel determinante no combate ao Estado Islâmico. Elas não estão ali somente porque as condições da guerra contra o Estado Islâmico requeira isso, não porque sejam “símbolos de propaganda”, as mulheres curdas estão metidas nesse processo como grandes protagonistas de um duro combate às forças que mais matam, escravizam e massacram os povos oprimidos da região. Elas carregam no seu “núcleo duro” político-ideológico uma proposta de ruptura ao sistema capitalista-patriarcal, e estão atuando dessa forma naquela região do mundo, onde já escutamos milhares de vezes que os direitos das mulheres são terrivelmente negados. Isso também é o que torna essa experiência revolucionária com caráter feminista ainda mais entusiasmante.

O movimento de mulheres no Curdistão sabe que a proposta de um Estado-Nação não é a solução para a vida dos mais oprimidos e que sim, a solução está fora do Estado, a despeito do Estado, em combate à lógica do Estado-Nação, capitalista e patriarcal. E é no fortalecimento de uma lógica democrática de baixo para cima que temos visto os curdos levando adiante sua revolução social, fortalecendo suas cooperativas, conselhos e assembleias.

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O Estado Islâmico e as grandes potências ocidentais são as principais ameaças, ao menos por hora, para os revolucionários curdos. O E.I. é uma força ultraconservadora de interpretação do islamismo que está tentando se conformar como um Estado nas regiões do Iraque e Síria. Eles têm como principal objetivo dos seus ataques pessoas desarmadas, e se utilizam de métodos de terror para capturar e massacrar os povos dessas regiões. Com uma certa prioridade, o E.I. quer massacrar o povo curdo, sem falar que contra as mulheres eles praticam um verdadeiro feminicídio.

É importante contextualizar que, apesar das confusões sugeridas pelos interesses das potências dominantes e os seus meios de comunicação, o E.I. é um agente que tem origens na Al-Qaeda, vindo a ser uma cisão desta. Então, é bom lembrar que a Al-Qaeda e os Estados Unidos têm relações históricas de negócios entre as famílias Bush e Bin Laden.  Portanto, é ilusório e ignorante acreditar na afirmação de que exista combate contra o E.I. a não ser o que dá o povo curdo em armas.

Os desafios de defesa desse processo revolucionário são gigantes, pois os interesses das grandes potências são, em grande medida, os mais preocupantes. Todavia, não sabemos em que momento o povo curdo pode ser alvo de artilharia pesada vinda também da parte Ocidental do mundo, sem falar que para a esquerda, a nível internacional, ainda falta maior engajamento na defesa dessa revolução. Não podemos cometer o erro histórico, como organizações de intenção revolucionária, de largar à própria sorte os povos em armas que se erguem pelos cantões do Curdistão.

O papel que essa experiência cumpre para os demais povos oprimidos do mundo é imensurável, a revolução social em marcha no Curdistão é a prova viva de que podemos destruir esse sistema de opressões com organização desde a base, sem hierarquia político-econômica e social e com real protagonismo dos oprimidos.

No que diz respeito à luta das mulheres, o que vemos por lá, como falado anteriormente, é ainda mais empolgante, pois o projeto do Confederalismo Democrático busca em prioridade a liberdade e autodeterminação das mulheres, sendo essa premissa o “medidor” para uma sociedade realmente livre e democrática. Com isso, me atreveria a dizer que, por mais que em outros processos revolucionários tenhamos visto uma grande participação das mulheres, como é o exemplo da Comuna de Paris com suas “incendiárias” e um papel destacado para a companheira Louise Michel, na Revolução Espanhola com as valentes “Mujeres Libres” e nas demais revoluções sociais, nada se compara ao que estamos vendo fazer, aqui e agora, essas mulheres e homens das montanhas do Curdistão.

Dentro do debate político que fazem por lá, os companheiros homens podem opinar sobre tudo, menos sobre a vida das mulheres e sua livre determinação. Já viram isso antes? Acredito que não. Pois bem, está em prática por lá, também, o fim derradeiro dos casamentos de crianças, da poligamia e da violência sexual ou de qualquer outra ordem contra as mulheres e, se um homem cometer algum tipo de violência contra as mulheres, este será afastado de qualquer cargo que possa estar ocupando na organização dessa nova sociedade. Isto prova que a liberdade das mulheres não é conquista para depois da revolução social, e sim é parte constitutiva no processo da mesma.