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[FAG] Periferia do Vale do Gravataí se levanta contra o governo e o patrão

Retirado de: http://www.federacaoanarquistagaucha.org/?p=1127

20304_1010062269005331_5515766845836631583_nA última semana foi marcada por focos de resistência que ganharam expressão local e estadual lutando contra o governo municipal e a máfia do transporte metropolitano. Nos referimos aqui, principalmente, a luta travada pela periferia em oposição ao fechamento arbitrário de Unidades Básicas de Saúde e ao piquete promovido na zona norte da cidade contra a empresa laranja de transporte metropolitano, a Transcal, que opera há alguns anos com nova razão social da mesma máfia que comanda o serviço há décadas na região do Vale do Gravataí.

No caso de Cachoeirinha, é importante registrar que em ambos os processos de luta popular, além da presença libertária, operam interesses escusos de forças políticas que são base de apoio do governo federal. Citamos aqui principalmente o PT e o PCdoB que almejam aprofundar o desgaste político do PSB que há quase uma década comanda a Prefeitura desde o racha do “irmão bastardo” Stédile, sendo Cachoeirinha a maior base do partido no Estado do RS. No entanto, sempre é bom ressaltar que, independente do jogo partidário, a luta popular e as suas respectivas pautas são completamente legítimas, embora a coligação que governa o município tente deslegitimar toda e qualquer resistência dos de baixo.

O desafio que sempre esteve na ordem do dia é o de garantir, além da independência de classe, a permanência e coordenação ao longo do tempo dessas expressões de resistência do povo em luta na região, pois há inúmeros processos que resultaram dispersos após a conquista da necessidade imediata. Isso sem falar na fragmentação por força da cooptação e da intimidação.

Entre esses processos de resistência temos exemplos recentes que vão desde a vitoriosa luta contra a privatização da água em 2010 reunindo diversos sujeitos e tendo na comunicação popular o catalisador da revolta; as ações diretas com algumas vitórias pontuais da Frente de Luta pelo Transporte Público nos anos de 2012, 2013 e 2014; a conquista da moradia pela comunidade Arinos de Gravataí em 2014 e as lutas pela água de diversas comunidades; a resistência dos trabalhadores municipários de Cachoeirinha por meio do sindicato da categoria, sendo a oposição política de mais expressão e estabilidade ao longo dos últimos sete anos.

Porém, longe de simplesmente contar histórias onde o anarquismo operou como motor desses processos de luta na região, queremos fazer memória dessa resistência para que, a partir da experiência política acumulada, possamos superar os limites que foram comuns a essas lutas. Até mesmo porque na atual conjuntura onde partidos com origem de esquerda e hoje estão no governo federal aplicando as medidas de ajuste fiscal, não representam alternativa de poder real para solucionar as demandas dos de baixo, pois o aparente engajamento e dedicação militante tem prazo de validade até a disputa eleitoral de 2016. Portanto, fazemos essa reflexão e análise para debate junto as companheiras e companheiros que constroem conosco no dia a dia a necessidade de engajamento para mudança e transformação desse sistema de dominação que em nossa região opera com algumas características singulares.

A luta da saúde é uma pauta comum dos usuários e trabalhadores do ramo

Nas últimas semanas em Cachoeirinha, a pauta da saúde tem sido protagonizada pela periferia que luta contra o fechamento e a reestruturação arbitrária das Unidades Básicas. A ação direta realizada em frente è prefeitura municipal e que ocupou por iniciativa popular o gabinete do chefe do poder executivo pra fazer pressão, rendeu no dia seguinte a promessa do Secretário de Saúde de manutenção das atividades dos postos sem cessar o atendimento. Vitória parcial do povo organizado. No entanto, o desafio neste momento é colocar em movimento usuários e trabalhadores do ramo, pois as ações antipopulares do governo municipal são apenas parte da estratégia de tratar o serviço de saúde como um negócio privado. Isso irá afetar tanto a comunidade quanto os trabalhadores do ramo, pois a lógica a ser implantada é a da meritocracia, do fazer mais com menos recursos e impor ao trabalhador a disputa competitiva sob o engodo da premiação por produtividade. Portanto, é urgente e necessário unificar os interesses dos trabalhadores e usuários numa perspectiva classista.

A luta pelo transporte público é das comunidades, dos estudantes e dos rodoviários

O piquete da última sexta-feira em frente à garagem da Transcal durou bravamente mais de cinco horas, inviabilizou a circulação dos ônibus na região metropolitana na região e ganhou repercussão em todo o Estado do RS. Foi uma experiência ímpar de enfrentamento direto com a patronal do transporte, tendo a comunidade como sujeito protagonista desse processo que enfrentou sem medo a intimidação truculenta da empresa e da Brigada Militar. Na pauta de reivindicações, para além da revolta em virtude da redução dos horários e mudança de itinerário de algumas linhas, incorporaram-se solidariamente demandas dos trabalhadores rodoviários que não são defendidas pelo sindicato metropolitano, tão pelego e mafioso quanto o da capital. Como conquista imediata obteve-se o retorno do itinerário comum da linha que circula pelo bairro Granja Esperança naquele mesmo dia. As demais pautas ficaram na promessa de serem atendidas pela empresa até a próxima semana, mas todos cientes da necessidade de manter a mobilização permanente para pressionar a Transcal no cumprimento dessas demandas. O cenário deste próximo mês torna imprescindível a necessidade de unificar a luta pelo transporte público desde as comunidades, dos estudantes e dos trabalhadores rodoviários, pois está anunciado o aumento das passagens de ônibus concomitante ao dissídio da categoria, tanto a nível municipal, quanto na região metropolitana. Sabemos que a empresa irá tentar justificar o aumento jogando trabalhadores contra usuários, portanto, essa experiência recente do piquete abre um precedente na luta pelo transporte público de aliança entre os distintos segmentos e que deve ser mantida a todo o custo.

A luta pela água é contra a privatização do saneamento

Como parte das lutas na região, as diversas mobilizações da comunidade no ano de 2014 em virtude da falta da água expuseram a precariedade dos serviços prestados pela CORSAN. Estivemos dentro desse processo, porém com uma linha firme de defesa do caráter público do serviço e contra a privatização:http://www.federacaoanarquistagaucha.org/?p=245

Naquela circunstância o prefeito Marco Alba já insinuava o rompimento do contrato com a CORSAN para abertura de licitação e privatização do saneamento. Nessa semana, porém, num cenário distinto em relação ao do ano passado onde vivemos um considerável descenso das diversas lutas na cidade, o prefeito do PMDB anunciou que fará o rompimento do contrato com a CORSAN. Está na ordem do dia, portanto, o movimento popular e sindical tomar parte dessa pauta sob o risco de sofrermos uma enorme derrota enquanto classe.

Potencializar a luta sindical para além do corporativismo e coordenar as lutas na região para fortalecer o poder dos de baixo

Diante do contexto de mobilizações nacionais contra as terceirizações (PL 4330) e o ajuste fiscal (MPs 664 e 665), que flexibiliza diversos direitos, como o seguro desemprego, a atual conjuntura torna-se ímpar para que as mobilizações locais ganhem amplitude e repercussão ao mesmo tempo em que serão fortalecidas. Nossa modesta força militante está atuante nesses processos de luta com uma linha e conduta coerente de fortalecimento do poder de baixo. Não trocamos nossa independência política por cargos e tampouco nos engajamos nas lutas com pretensões políticas-eleitorais. Nossa estratégia de mudança passa pela construção do Poder Popular que vem sendo gestado e criado a partir das experiências concretas acumuladas ao longo dos 20 anos que completa nossa organização. Está na hora de coordenamos as experiências de luta na região com critérios de independência, solidariedade de classe e protagonismo de base.

Todos à luta no dia 29 de Maio, contra a terceirização do PL 4330 e o ajuste fiscal das MPs 664 e 665!
Por uma coordenação das lutas na região para fecharmos o punho contra o inimigo de classe e superarmos a fragmentação!
Que a ofensa feita a um seja a luta de todos!

Federação Anarquista Gaúcha – FAG – Organização integrante da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)
20 anos (1995-2015)
24 de Maio de 2015

[FARJ] Toda Solidariedade aos trabalhadores e trabalhadoras rodoviários/as!

greve não é crime

Retirado de: http://anarquismorj.wordpress.com/2014/05/14/toda-solidariedade-aos-trabalhadores-e-trabalhadoras-rodoviariosas/

Manifestamos nossa solidariedade com os trabalhadores e trabalhadoras rodoviários/as do Rio de Janeiro em greve! A greve desses companheiros e companheiras é justa e é resultado da exploração brutal dos empresários (capitalistas) do ramo do transporte!

A concentração brutal de capital favorece apenas poucas famílias que monopolizam e exploram economicamente o serviço de transporte público. São esses capitalistas que financiam campanhas políticas, elegem sua bancada de políticos na Assembleia Legislativa e fazem pressão para o aumento da exploração do trabalhador!

Trabalhadores são obrigados a cumprir extenuantes jornadas de trabalho, sem acesso a uma estrutura mínima de trabalho (faltam banheiros, faltam locais de alimentação, sofrem violência cotidiana, assédio moral etc.), são obrigados a exercer dupla função, de motorista-cobrador, e recebem um valor de alimentação que não cobre nem as necessidades mais básicas!

Ao contrário do que diz a mídia burguesa, sempre aliada aos patrões, a greve não PREJUDICA o trabalhador. A greve é o instrumento de DEFESA do trabalhador, contra patrões, policiais, políticos e todos aqueles que se colocam ao lado dos opressores! Muitas conquistas dos trabalhadores foram fruto das greves realizadas por diferentes categorias.

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A greve dos rodoviários, assim como a dos Garis, também mostrou como não podemos esperar nada dos pelegos sindicais, sempre atrelado aos patrões e políticos! Precisamos reconstruir uma alternativa sindical autônoma, que expulse, pela força da base, os pelegos dos sindicatos e acabe com a estrutura que atrela o sindicato ao Estado! O sindicalismo que defendemos é o sindicalismo de base, onde o sindicato é resultado das decisões do conjunto da categoria e não de burocratas!

Um sindicato atrelado ao Estado apenas favorece a repressão do governo e dos patrões. Com um sindicalismo de base, combativo e autônomo, os patrões não poderão exercer as pressões pela justiça burguesa e a luta chega a um outro nível de enfrentamento. Isso ficou nítido na atuação corajosa dos rodoviários e rodoviárias, que fizeram piquetes na porta das garagens, pararam ônibus dirigidos por fura-greves e estão realizando sucessivas manifestações para reivindicar seus direitos.

Porém, nesse possível ascenso grevista é ainda mais necessário articular as diferentes categorias dos trabalhadores (sindicais, do campo, das favelas etc), para conseguir superar o corporativismo e evitar que o governo e os patrões massacrem as categorias separadamente. Para reivindicar os direitos que a FIFA, o governo do PT e os capitalistas insistem em pisotear precisamos fortalecer a luta popular e sindical! E a greve dos rodoviários e rodoviárias é só o começo!

Protestar não é crime!
Greve não é crime! Greve é direito das trabalhadoras e dos trabalhadores!
Lutar, criar, poder popular!

[FAG] (Greve dos rodoviários) Fortalecer a resistência para arrancar as reivindicações cortando o lucro dos patrões!

Retirado de: http://www.federacaoanarquistagaucha.org/?p=273

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Assembléia dos rodoviários

 

Completaram duas semanas da greve dos rodoviários e neste momento estamos diante de um aumento do ataque dos patrões e seus aliados: a grande mídia, a prefeitura e o judiciário. Ao longo desses dias os companheiros vivenciaram a perseguição patronal através das ameaças, do corte do ponto e da suspensão do plano de saúde. Apesar das dificuldades, os piquetes continuaram firmes fazendo cumprir a decisão soberana da assembléia em manter a greve. Diante desse contexto, é importante fazermos uma avaliação do atual momento em que se encontra essa luta para superar os desafios que o inimigo de classe nos impõe.

O papel dos meios de comunicação na defesa dos patrões!

Ao longo dessa última semana, as notícias sobre a greve que foram veiculadas tanto na televisão, quanto no rádio ou no jornal, não tiveram como fonte principal o rodoviário grevista  Ou seja, muitos falaram e opinaram sobre a greve, porém muito pouco a mídia entrevistou o comando de greve e menos ainda aqueles que estavam à frente dos piquetes. Coincidentemente, nos programas e nas entrevistas as fontes eram técnicos, “especialistas”, vereadores e burocratas. Pra resumir, o efeito intencional que se quis produzir com isso foi o de não dar visibilidade para os protagonistas da greve e as suas razões, pois a mobilização está sob o controle da base e propagar isso seria multiplicar a luta.

Na véspera da última assembléia a fábrica de mentiras chamada RB$ plantava a notícia de que haviam rodoviários querendo voltar ao trabalho, semeando discórdia na base da categoria para enfraquecer a greve. A mesma linha editorial foi repetida diariamente onde a mídia burguesa conspirou com a patronal para tentar produzir efeito de verdade e minar o movimento. Por outro lado, pouquíssima ênfase foi dada ao conteúdo do relatório do Tribunal de Contas do Estado que expõe o verdadeiro sistema de privilégios onde é nítido o favorecimento das empresas que lucram há décadas no transporte público da capital às custas das tarifas abusivas, do arrocho salarial dos rodoviários e intensas jornadas de trabalho com banco de horas.

Hoje, os trabalhadores rodoviários além de receberem péssimos salários, são explorados também por uma estressante jornada de trabalho e pelo banco de horas que os deixa refém dos patrões na medida em que impede o trabalhador de controlar sua jornada de trabalho, sendo obrigado a mudar seus horários, fazer horas extras e comprometer sua folga a favor dos patrões sanguessugas. Nada disso é considerado pela RB$ e nunca será, pois são porta-vozes de nossos inimigos de classe.

O papel da justiça na sociedade de classes.

A decisão da última sexta tomada pelo Juiz do Trabalho é mais uma favorável aos patrões. Na prática, proíbe os piquetes a partir de segunda-feira e dá precedente para o uso da força policial. Na verdade, não é a primeira e nem será a última vez em que a “justiça” se posicionará contra os trabalhadores que lutam pelos seus direitos. A própria greve é considerada ilegal pelos de cima (as classes dominantes), mas isso tampouco foi fator capaz de impedir que, de forma legítima, os rodoviários aprovassem a greve por unanimidade.

A forma de fazer justiça, para os debaixo (o povo oprimido), é através da ação direta expressada hoje nos piquetes nas garagens e na tomada das ruas pelas lutas em defesa do transporte público. É aí que reside a força capaz de virar o jogo e colocar em xeque os interesses dominantes. Apenas pra tomar como exemplo, foi a força das ruas das dezenas de milhares de lutadores que ao longo do ano fez a pauta do transporte avançar pela condução do Bloco de Lutas e não pelo conchavo dos gabinetes. Apesar das perseguições e das medidas repressivas por parte dos patrões e governos, é a unidade e a coesão do movimento que tem garantido algumas conquistas importantes. Portanto, não podemos nos intimidar diante dos fatos, pois no patamar em que estamos nessa luta é mais do que necessário a firmeza na defesa das nossas convicções.

A pelegada convoca a imprensa para reafirmar sua obediência aos patrões e polemizar contra a greve.

Na última sexta-feira, a direção pelega do sindicato ao lado da Força Sindical convocou uma coletiva de imprensa que tinha por objetivo prestar contas aos patrões sobre o papel obediente do sindicato e defender o fim da greve. A atitude do sindicato ocorreu à revelia do comando de greve chegando inclusive a disparar acusações contra esses companheiros eleitos em assembléia. Essa foi uma demonstração desesperada de uma direção sem nenhuma legitimidade na categoria, mas que tirou proveito da circunstância para destilar veneno e ódio propagado pela mídia contra as forças de esquerda, sindicatos solidários à greve e o Bloco de Lutas. Mais uma vez, a conspiração patronal e midiática tentando fragmentar a luta dos trabalhadores usando de um discurso supostamente apolítico ventilado pelo sindicado, mas que tem o seu presidente como vereador pelo PMDB no município de Alvorada e a Força Sindical que é uma histórica aliada de governos e entidades patronais.

Solidariedade, esse é o nosso dever! Unificar as lutas!

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Assembléia dos trabalhadores rodoviários da Carris

Neste momento em que há uma reação conservadora envolvendo os patrões, a mídia, os pelegos e a justiça burguesa, a solidariedade de classe com a greve dos rodoviários deve ser pauta prioritária do conjunto da esquerda do movimento sindical e popular combativo. Respeitada a decisão soberana da assembléia, é mais do que fundamental fortalecer os piquetes nas garagens e medidas de apoio a greve como panfletagens nas vilas, organização de atos públicos como os recentemente organizados pelo Bloco de Lutas e todo tipo de medida que estiver ao alcance.

Essas duas semanas de conflito deflagrado contra patronal do transporte, deixou evidente os interesses conservadores da classe dominante bastante influente nas decisões não só econômicas, mas também políticas da cidade. É por isso que as urgências reivindicadas pelos rodoviários e pelo Bloco de Lutas não cabem nesse modelo de transporte e tampouco serão fruto de um voto nas urnas. Para fazer valer de forma integral a pauta reivindicada por ambos os setores o modelo é de um transporte 100% público sob controle dos trabalhadores e usuários. Que os ricos paguem a conta!

Como medida de luta, é hora do movimento sindical colocar generosamente suas forças na defesa intransigente do direito de greve. Está na ordem do dia também a unificação dos distintos movimentos de greve que estão em luta na cidade, a exemplo do estado de greve dos municipários da área da saúde e trabalhadores dos correios, pois é com unidade pela base que se fortalecem as lutas das distintas categorias para enfrentar os patrões e governos. Nossas lutas devem ir muito além de nossas categorias e reivindicações pontuais, transformando-se em uma verdadeira luta de classe, dos trabalhadores e oprimidos como um todo. Se os patrões e governantes se unificam em suas associações e juntos nos atacam, pela grande mídia, com retirada de direitos, entre outras formas, nos resta também nos unificarmos para resistir e contra-golpear esses parasitas que se enriquecem com nosso suor.

Não se intimidar! Não se desmobilizar! Rodear de solidariedade os que lutam!

Por aumento salarial sem aumento nas tarifas! Redução da jornada de trabalho para 6h e fim do banco de horas!

Avançar nossos direitos cortando o lucro dos patrões!

Toda solidariedade a greve dos rodoviários!

[FAG] SOLIDARIEDADE À GREVE DOS RODOVIÁRIOS! PARA DERROTAR OS PATRÕES, OS PELEGOS E A MÍDIA.

Retirado de: http://www.federacaoanarquistagaucha.org/?p=224

 

SOLIDARIEDADE À GREVE DOS RODOVIÁRIOS!
PRA DERROTAR OS PATRÕES, OS PELEGOS E A MÍDIA!

Chegamos ao 9º dia de uma greve histórica que tem servido de exemplo para todos os trabalhadores desse país. Uma greve que nos bastidores concorria com os interesses dos patrões chorando prejuízo e tentando usar os trabalhadores para chantagear um aumento da tarifa. Uma greve em que a pelegada levou um rodo da base que aderiu 100% ao movimento enquanto a burocracia do sindicato se mostrou mais amistosa com a brigada militar do que com os piquetes nos portões. Enfim, a cada dia que passa os trabalhadores rodoviários tomaram conta do movimento e terminamos a primeira semana de greve com a sensação de que o poder de virar o jogo está em nossas mãos.

A greve não é ilegal, é legítima!

Durante todos esses dias os meios de comunicação ficam martelando na cabeça do povo as determinações da justiça de que a greve é ilegal e deveríamos manter um percentual de ônibus nas ruas. Porém, nada falam que há décadas as empresas lucram às custas das abusivas tarifas cobradas e de que o salário pago aos rodoviários é cada vez menor proporcionalmente. O papel cumprido pelos meios de comunicação, em especial o Grupo RB$, tem deixado os patrões da máfia do transporte de lombo liso e ainda tentam jogar o povo trabalhador contra o movimento. De forma ridícula, tentaram criminalizar o movimento alegando que a cidade está insegura, mas essa ninguém engoliu. Para contrapor a tentativa de isolar os rodoviários, a participação do movimento sindical e do Bloco de Lutas pelo Transporte Público nos piquetes tem sido a prova de solidariedade, assim como foi a caminhada até à frente do tesourinha na assembleia da última sexta que provou a importância da aliança para além da categoria. Portanto, é fundamental fortalecer a relação direta com os setores solidários sem deixar ser levado à reboque dos partidos e da burocracia sindical.

Seguir na luta para avançar sem conchavos à revelia dos trabalhadores.

Assumir as rédeas da luta e garantir que os trabalhadores sejam protagonistas do seu destino também exige critérios, pois a todo o momento algumas armadilhas têm sido plantadas pelo inimigo para tentar puxar o tapete da força coletiva. Por isso é fundamental um conjunto de princípios e métodos que garantam o controle dos trabalhadores sobre os rumos da luta sindical: o debate permanente, a participação através da ação direta e da democracia direta, a assembleia como a instância soberana de decisão dos trabalhadores, ou seja, uma conduta sindical que zela pela independência de classe jamais delegando o que é tarefa nossa aos intermediários presentes nos governos, aos técnicos, burocratas e parlamentares como se esses tivessem a solução para os problemas do transporte público.

Avançar nos direitos cortando o lucro dos patrões!

Nenhum passo atrás na pauta de reivindicações! Fazer a defesa incondicional dos direitos e fazer justiça cortando o lucro dos patrões! Por um transporte 100% público sob controle dos trabalhadores! Fortalecer as táticas de ação direta e seguir na greve em solidariedade com os que lutam! Lutar, criar, Poder Popular!

Federação Anarquista Gaúcha – FAG

 

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