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[CAB] Luta Social #1 – Novo tabloide da CAB

https://anarquismo.noblogs.org/?p=688

Para ler o Luta Social #1, baixe o .pdf aqui.

É com grande prazer que a Coordenação Anarquista Brasileira (CAB) lança a primeira edição de Luta Social, uma publicação autogestionária e de circulação nacional que tem como objetivo a divulgação de temas e trabalhos que ilustram a expansão das ideias e práticas anarquistas no Brasil e no mundo.

Essa nova publicação reverencia e alinha-se à histórica tradição de muitas outras publicações anarquistas como A Lanterna, A Voz do Trabalhador e Ação Direta, que tiveram não só significativo papel na divulgação de lutas e princípios de organização anarquista, mas também representam hoje importantes documentos e registros de sua época.

Esta edição, dedicada à celebração da participação das mulheres nas lutas populares, conta com um artigo principal, na capa, que faz um balanço histórico e crítico da relevância e do envolvimento das mulheres em movimentos e lutas sociais no Brasil e no mundo. Ela também traz um texto que trata da luta das mulheres indígenas no Brasil, um dos grupos que sofrem maior perseguição política hoje no país; além disso, na sessão “Você Sabia?”, há uma breve introdução ao movimento das mulheres curdas, que integram as forças armadas e dividem postos de decisão e liderança nas comunas autogestionárias em Rojava.

Na entrevista do mês, a militante Lorena Castillo, que há mais de uma década integra a Federação Anarquista Gaúcha (FAG), comenta suas impressões sobre o histórico e atualidade da participação das mulheres nas lutas libertárias e anarquistas. O trabalho de formação com objetivo de levar técnicas de autodefesa para mulheres realizado em Alagoas é retratado num artigo assinado pelo Coletivo Mulheres Resistem, e no espaço de livre expressão, a companheira Leila Maria, da Bahia, traz poemas que refletem os desafios e dilemas implicados na luta popular anarquista.

Para fechar, a edição conta ainda com um relato sobre 12º Encontro Latino Americano de Organizações Populares Autônomas (ELAOPA), realizado em fevereiro deste ano em Montevidéu, e um informe sobre o caso de Rafael Braga, preso injustamente em 2013.

A publicação Luta Social é trimestral e todo conteúdo que não é produção da própria Coordenação Nacional é assinado pelo grupo colaborador. Se você quiser divulgar trabalhos que informem e reflitam lutas sociais, desde uma perspectiva libertária e/ou anarquista, mande sua sugestão para: cab.br@riseup.net.

Divulgar para informar, informar para lutar, lutar para resistir!
Vida longa ao anarquismo organizado!
Lutar! Criar! Poder popular!

[CQM – CURITIBA] A Revolução Curda Hoje (PRÓXIMO SÁBADO)

Retirado de: https://www.facebook.com/events/1745196022385273/

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Na região do Oriente Médio, mais especificamente nas fronteiras da Síria, Turquia, Irã e Iraque, há um cinturão denominado Rojava onde um processo revolucionário está ocorrendo. Nessa região, o povo curdo – que há tempos luta por sua autodeterminação e independência – está construindo uma nova forma de organização social pautada pela democracia de base, anticapitalista, antiestatal e pela libertação das mulheres.

Nesse processo as mulheres são protagonistas do movimento, e além de pegarem em fuzis para combater os ataques do Estado Islâmico, organizam-se em uma brigada própria (Unidade de Proteção das Mulheres – YPJ) para influenciarem na organização dessa sociedade e combaterem os regimes opressivos da região e de seu próprio povo.

O espaço contará com a presença de um militante que esteve em regiões curdas e trará elementos e relatos desse processo revolucionário que consideramos dos mais importantes no contexto atual. Pretendemos relacioná-lo a outros processos de luta e entender o que isso tem a ver com a nossa realidade, na prática.

QUANDO: Sábado (25/06), às 14:30
ONDE: Reitoria UFPR – Dom Pedro I, Sala 613

[CAB] Nota pública da Coordenação Anarquista Brasileira: 8 de Março, Dia Internacional da Mulher

“Somos escravas dos escravos. Exploram-nos mais impiedosamente que aos homens.” Lucy Parsons.

Resgate histórico sobre 8 de Março, Dia Internacional da Mulher:

Possuímos uma cultura do esquecimento, de apagamento de nossa memória, somos fruto de uma história que gerações antepassadas construíram. Por isso é de suma importância que nós, enquanto anarquistas feministas organizadas, façamos o resgate e a preservação cultural da história da luta da classe oprimida, das lutas empregadas por grandes mulheres que não se submeteram ao regime patriarcal dominador de sua época.

Datas importantes e que foram históricas na luta de classes, como o 8 de Março e o 1° de Maio, são “comemoradas” sem que haja o conhecimento suas origens. Sabemos que a classe dominante tem sua própria versão da história, versão essa que apaga deliberadamente as lutas sociais contra a dominação e exploração. Ainda mais por isso é que devemos nos apropriar da história de nossa classe, valorizar suas conquistas e aprender com seu movimento.

8 de Março:

O Dia internacional de luta das mulheres tem origem em 8 de Março de 1857. Em um episódio de muita repressão e violência empregadas contra a luta das mulheres operárias do setor têxtil e ao seu movimento grevista. As operárias haviam ocupado a fábrica em que trabalhavam, reivindicando redução da jornada de trabalho, equiparação salarial aos dos homens, que chegavam a receber três vezes mais pelo mesmo tipo de serviço, e mais dignidade no ambiente de trabalho. Na cidade de Nova Iorque, os patrões, em resposta ao movimento, trancaram as operárias e incendiaram a fábrica, carbonizando e matando cerca de 130 tecelãs.

Se vivemos sob a lógica de dominação e exploração, que faz milhares de pessoas viverem submetidas às várias formas de opressões, também podemos ter a certeza de que são as mulheres as que mais sofrem com toda a desigualdade e a injustiça social do capitalismo. Elas já são exploradas enquanto trabalhadoras, o que se intensifica ainda por serem mulheres numa sociedade regida pelo machismo.

Conjuntura política de ataques às mulheres:

E hoje, em uma sociedade em que o ascenso da direita conservadora é inegável, vemos os ataques às de baixo se intensificarem ainda mais. Um dos ataques é o Projeto de Lei 5069/2013 de autoria do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), que trata sobre a prática do aborto, em que “Tipifica como crime contra a vida o anúncio de meio abortivo e prevê penas específicas para quem induz a gestante à prática de aborto.” Prevê pena de prisão de 4 a 8 anos, para quem auxiliar de forma direta ou indireta a gestante na prática do aborto. E isso se acentua ainda mais em relação ao auxílio e/ou orientação por parte de profissionais, com penas entre 5 a 10 anos de prisão.

Este deve ser um momento de unificação dos setores da classe oprimida para reagir contra os ataques dos de cima. Só com muita organização e força social nós, mulheres, avançaremos em nossas conquistas econômicas e políticas e arrancaremos das forças do capital e do Estado, os direitos que sempre nos foram negados durante a história da luta de classes.

Podemos dizer que o ano de 2015 foi de avanços para a luta das mulheres. Além da 5ª Marcha das Margaridas, em agosto de 2015, que reuniu mulheres indígenas, quilombolas e agricultoras de todo o Brasil, também em Brasília ocorreu a Primeira Marcha da Mulher Negra, que serviu para dar mais visibilidade para quem até então “não aparecia na foto carregando o piano”, como disse Juliana Gonçalves, jornalista e uma das coordenadoras do movimento em São Paulo.

Curdas e Zapatistas:

Em outros dois pontos do globo terrestre, um tanto quanto distantes do Brasil, estão em curso processos muito interessantes de auto-organização e empoderamento feminino, em que podemos nos debruçar e atentar um pouco mais, servindo de referência e inspiração.

Um deles é o processo revolucionário curdo, em que as mulheres, em uma região historicamente dominada e regida por um machismo perverso, que as impedia de mostrar o próprio rosto, vêm protagonizando um papel central na luta contra o Estado Islâmico e o Estado Turco, dois grandes inimigos do povo curdo.

Mais próximo a nós, há as Zapatistas, no México, onde desde 1994 as mulheres indígenas vem chamando a atenção do mundo todo na luta em defesa de seus territórios e de sua cultura. Como se vê na Ley Revolucionária de Mujeres de EZLN, “Noveno: Las mujeres podrán ocupar cargos de dirección en la organización y tener grados militares en las fuerzas armadas revolucionarias.”

Neste 8 de Março, queremos chamar atenção especial para o assassinato de Berta Cáceres. Ela foi coordenadora Geral do Conselho Cívico de Organizações Populares e Honduras Indígena (COPINH). Havia repetidamente manifestado-se contra as ações e intenções de ambas as atuais concessões governamentais de recursos naturais e empresas transnacionais estrangeiras nefastas através da construção de barragens e captura dos recursos dos povos indígenas. Foi assassinada em sua casa, em 03 de março. Por ela, nenhum minuto de silêncio. Todas nossas vidas de luta!

A Coordenação Anarquista Brasileira (CAB) vem a público dizer que faz parte, com todas as mulheres, desta luta contra o sistema capitalista patriarcal e pelo resgate da memória histórica das lutas das mulheres. Chamamos todas as pessoas para a luta em defesa da mulher trabalhadora, da mulher ribeirinha, da mulher indígena, da mulher camponesa, da mulher quilombola, da mulher negra, da mulher LGBT, de todas as mulheres exploradas e oprimidas!!

zapatistas  curdas

VIVA 8 DE MARÇO!!

VIVA BERTA CÁCERES!!

VIVA AS CURDAS E ZAPATISTAS!!

NÃO AO PL 5069/13 !

Mulheres da CAB, 8 de março de 2016

cab

[BRRN] Declaração sobre o recente massacre em Suruc, Turquia – Tradução

Retirado de: https://anarquismorj.wordpress.com/2015/07/21/brrn-declaracao-sobre-o-recente-massacre-em-suruc-turquia-traducao/


bombing
Traduzimos a nota da oranização americana Black Rose Anarchist Federation/ Federacion Anarquista Rosa Negra sobre o massacre ocorrido em Suruc, Turquia, dia 20 de julho.

Original: http://www.blackrosefed.org/statement-on-bombing-turkey-suruc/
Espanhol: http://www.blackrosefed.org/declaracion-sobre-el-reciente-masacre-en-suruc-turkia/

Declaração sobre o recente massacre em Suruc, Turquia
BLACK ROSE ANARCHIST FEDERATION / FEDERACION ANARQUISTA ROSA NEGRA (EUA)

20 de julho, 2015

‪#‎Rojava‬ ‪#‎SurucBomb‬ ‪#‎SuruçtaKatliamVar‬

Hoje lamentamos a perda de amigos e amigas, companheiros e companheiras, e renovamos nosso comprometimento com uma luta revolucionaria internacional em memoria deles e delas.

Meio-dia, na cidade de Suruc, fronteira da Turquia com Curdistão, uma bomba explodiu nos corpos de comunistas, socialistas e anarquistas, que estavam a caminho de ajudar na reconstrução de Kobane. Dezenas de pessoas foram mortas e muitas outras feridas. Um militante da Black Rose estava presente ajudando na preparação para uma campanha em suporte a reconstrução de Kobane e Rojava, porém não ficou ferido.

Meia hora após a explosão, a cidade de Suruc tremeu outra vez, quando uma segunda bomba atingiu a fronteira em Kobane. Notícias indicam que foi um ataque de carro-bomba que foi impedido por forças de autodefesa que minimizaram as perdas.

A viagem a Kobane foi organizada pela organização marxista-leninista Sosyalist Gençlik Dernekleri Federasyonunun (SGDF) – Associação das Federações da Juventude Socialista. A organização trouxe jovens e famílias inteiras através da Turquia e outros lugares para dar suporte revolucionário a revolução social que está ocorrendo em Rojava. Quase 300 pessoas estavam se preparando para atravessar a fronteira interditada para ajudar na reconstrução da cidade, aprender sobre os desenvolvimentos políticos e conectar as lutas da esquerda turca com o movimento curdo.

Depois da bomba, os primeiros a responder foram os veículos militares armados do ocupado estado Turco que desceram a rua em frente ao Centro Cultural Amara para bloqueá-la e apontar suas armas aos e as recentemente feridos/as e afligidos/as revolucionários/as. As ambulâncias demoraram tanto tempo pra chegar ao local que carros privados foram organizados para levar feridos/as aos hospitais. Os militares e policiais estavam no local em poucos minutos, tratando de formar uma barreira de policiais antes das ambulâncias chegarem. A vigilância deles não foi uma surpresa ja que estavam assediando os ônibus de revolucionários/as indo a Suruc naquela manha, monitorando muitos deles/as e fizeram ligações aos familiares dizendo que seus jovens parentes estavam se juntando a terroristas em Rojava.

Isso demonstra a atitude do estado e e indicativo de uma triste realidade: a Turquia esta continuando sua política de extermínio contra os Curdos e esse ataque pode ser visto como a realização da promessa de Erdogan (presidente da Turquia) de deter Rojava a qualquer custo. Nos próximos meses, a Black Rose continuará a expandir o plano de organizar comitês e redes em solidariedade a Rojava. Contamos com sua ajuda.

Biji Rojava! Rojava vive!

Secretaria Internacional, Black Rose Anarchist Federation/Federacion Anarquista Rosa Negra (BRRN)

Tradução: FARJ