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[RL] 10 ANOS DE RUSGA LIBERTÁRIA: 10 ANOS CONSTRUINDO O ANARQUISMO ORGANIZADO EM MATO GROSSO

As reticências, as meias-verdades, os pensamentos castrados, as complacentes atenuações e concessões de uma diplomacia covarde não são os elementos dos quais se formam as grandes coisas: elas fazem-se, apenas, com corações elevados, um espírito justo e firme, um objetivo claramente determinado e uma grande coragem. Empreendemos uma grande coisa, […], elevemo-nos à altura de nossa empreitada: grande ou ridícula, não existe meio-termo, e para que ela seja grande é preciso, pelo menos, que por nossa audácia e por nossa sinceridade tornemo-nos também grandes.

Em 18 de novembro de 1918, os anarquistas realizaram uma insurreição no Rio de Janeiro; as primeiras três décadas do século XX, no Brasil, o anarquismo esteve vivo e combativo conjuntamente às lutas operárias, educacionais e campesinas – do campo à cidade, envolvidos na intenção de construção do Socialismo Libertário, da Revolução Social. São 98 anos desde a Insurreição Anarquista, noventa e oito anos que não deixa ser apagado nossa memória de luta, organização, rebeldia, solidariedade, apoio mútuo, fraternidade, internacionalismo e Ação Direta! Mesmo não sendo a data de nossa fundação, é uma data que faz parte da nossa história, da história de mulheres e homens que se colocaram em sagacidade nas lutas por um mundo melhor, uma nova sociedade; da Rússia ao México, dos Estados Unidos à Espanha, do Japão à Coreia… do Uruguai ao Brasil. O anarquismo esteve presente em todos os continentes, sendo na construção do sindicalismo revolucionário, da luta camponesa, da luta pela libertação e emancipação das/os oprimidas/os – Na Luta Contra o Estado!

E foi através dessas experiências prática e teórica, em mais de 150 anos de anarquismo militante, que se deu as primeiras intenções de construção de uma organização especificamente de anarquistas, em terras mato-grossenses. Construção iniciada através de companheiros e companheiras que já se articulavam com outras organizações do Brasil, em meados da década de noventa, até a concretização do Fórum do Anarquismo Organizado (FAO) – instância organizativa que foi destinada para o amadurecimento de linhas táticas e estratégicas, teóricas e práticas, de intervenção nos movimentos sociais e construção de ferramentas que possibilitasse o avanço das lutas populares com corte de classe libertário – que percorreu 10 anos de existência, até a fundação da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB).

Pelo Grupo de Estudos e Ações Libertárias (GEAL), foram aplicados os primeiros germes formativos, em Mato Grosso, para se avançar na perspectiva de construção de uma organização especificamente anarquista; ali foi possível trocar reflexões, afinar nortes programáticos e chegar no ponto X da concretização da Rusga Libertária – entre os últimos meses de 2005 e 2006. Hoje, dez anos depois, também optamos por percorrer com tranquilidade/firmeza/ética/estilo militante/compromisso e humildade os passos para o enraizamento da crença em nosso projeto político ideológico, um projeto enraizado ao nosso próprio projeto de vida: Organizativo, Libertário, Solidário, Internacionalista e Revolucionário! Dez anos percorridos através de avanços, estagnações, embates, amadurecimentos, crítica, autocrítica, humildade – para chegar na nossa maturidade ideológica e programática.

10 anos caminhando com passos firmes, humilde, porém convicto do que queremos!

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E foi com imensa satisfação que recebemos saudações de organizações irmãs do Brasil, da América Latina e da África do Sul. Essas saudações foram lidas e introjetadas em toda nossa militância como um adicional de ânimo e determinação para que possamos comemorar mais 10 anos de existência…

Agradecemos a todas e todos que se fizeram presentes nesse momento de alegria e reafirmação do nosso projeto de luta por uma nova sociedade!

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América Latina

Federacion Anarquista de Rosario (FAR)

Companheiros/as da Rusga Libertaria:
Orgulha-nos tremendamente este importante evento para o anarquismo brasileiro. Este é um passo-chave nesta etapa da construção da CAB e tambem na consolidação das praticas libertarias no histórico Caa Guazú guaraní, hoje mais conhecido como Mato Grosso.
Sem dúvida, isto contribui para as bases da sustentabilidade regional do anarquismo especifista. Como mostram eles é vital a premissa organizacional aos níveis sociais e político-ideológico, marcando um caminho a seguir para a militancia matogrossense e deixando à vista a capacidade, compromisso e necessidade do momento de envolver-nos em as lutas sociais do nosso povo, ombro a ombro com os nossos irmãos de classe.
Os 2500 km que nos separam não são em absoluta distância para pensar em conjunto a estratégia regional de resistência contra o avanço das classes opresoras da região, que via eleições ou golpes institucionais vieram para completar o programa de ajuste selvagem para os de baixo.
Nos só desejamos longa vida ao anarquismo organizado no Mato Grosso.
Contra la clase dominante, anarquismo militante!
Viva la Rusga!!!
Arriba lxs que luchan!!!
FAR – Federación Anarquista de Rosario (Argentina)

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Federacion Anarquista Uruguaya (fAu)

Salu compañeras y compañeros de Rusga Libertaria.

Desde Uruguay queremos saludar y celebrar a la distancia los 10 años de organizacion y lucha anarquista en Mato Grosso.

Ha sido un buen tiempo de construccion anarquista de la organización en sus diferentes etapas que debe ser capital de una mirada profunda para arraigar aun mas nuestra perspectiva libertaria y alternativa de lucha de clase.

Recordamos los primeros años cuando nuestros hermanos y hermanas de la FAG nos informaban sobre el trabajo alli y las potencialidades concretas. Hoy con cierto orgullo tambien les damos nuestro saludo.

Vamos a dar la lucha desde abajo, sin caer ni meternos solos en los
corrales de rama del sistema y los juegos electorales.

Por una alternativa de lucha de los de abajo!

Por el socialismo libertario! // Arriba los 10 años del FAO! // Arriba la CAB! // Arriba los que luchan!

federacion Anarquista uruguaya

África do Sul

Frente Anarco-comunista Zabalaza (ZACF)

Companheiros e companheiras,

Em nome da Frente Anarco-comunista Zabalaza (ZACF) da África do Sul lhes mandamos saudações solidários aos/às companheiros/as da Rusga Libertária no seu decimo aniversario.

Sabemos que dever ter sido um largo e difícil caminho a construir sua organização e desenvolver sua prática política para chegar em este ponto histórico num país e contexto bastante desigual aonde o anarquismo, mesmo que tendo uma história larga e de nobreza no Brasil, ainda não voltou a ser muito bem conhecido nem recebido por as classes oprimidas desde a perda do seu vector social no século anterior.

Sabemos também que o Brasil, como muitos países incluso o nosso, está voltando cada vez mais num país autoritário aonde o governo e a classe dominante pouco se toleram ideologias, grupos políticos ou movimentos sociais que defendem a igualdade e transformação social e aonde o espaço democrático para fazer crítica do sistema, levantar as nossas propostas, lutar e desenvolver alternativas libertárias se fica cada vez menor.

Mesmo assim, temos visto de longe como o trabalho de base consistente e paciente das organizações especifistas brasileiras, organizados na Coordenação Anarquista Brasileira, há começado a dar frutinhas, e nos parece que o anarquismo está começando a surgir mais uma vez como uma referência e ferramenta de luta nas lutas populares e sociais que nos parece que estão explorando no Brasil – das lutas de 2013 contra o aumento da tarefa e contra a absurdidade da Copa do Mundo até a onda de ocupações escolares do ano passado até agora.

Da Turquia aos Estados Unidos, da Argentina ao Brasil, a extrema direita, o fascismo e o autoritarismo discriminador, de uma forma ou outra, estão crescendo. Mais de trinta anos do neoliberalismo há enfraquecida as organizações populares da resistência e há f eito que as classes oprimidas se quedam divididos e confusos, sem confiança e esperança na luta nem solidariedade de classe. A esquerda autoritária, pragmática e oportunista não tem nada pra oferecer as classes oprimidas. Só a luta de classe, desde abaixo e por fora do estado, nos salvará. Só o anarquismo nos mostra uma saída deste sistema tão deplorável. Se as classes oprimidas não se organizam e levantam para dar fim à esse mundo capitalista, ou as bombas de guerra imperialista ou as alterações climáticas o fará.

Agora, mais que nunca, o mundo e os povos se necessitam o anarquismo. Agora, mais que nunca, nós temos que organizar, temos que defender as nossas ideias, demostrar que a nossa alternativa libertaria tem valor e nos oferece uma chama de esperança num mundo escuro e absurdo.

Respeitamos e apreciamos o compromisso e trabalho, tanto social e de base quanto político, de cada um/a de vocês em construir um anarquismo organizado e um povo forte no Mato Grosso e no Brasil mesmo. Em construir um mundo novo e libertário.

Nós lhes desejamos mais uma década de resistência libertária e organização especifista.

Viva Rusga Libertaria!! Viva CAB!! // Arriba lxs que luchan!!

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Brasil

Coletivo Anarquista Bandeira Negra (CABN) – SC

Saudação do Coletivo Anarquista Bandeira Negra aos 10 anos da Rusga Libertária

Desde que a militância anarquista se organizou em Santa Catarina, fazendo do CABN nossa ferramenta de construção de um novo mundo nos idos de 2011, contamos com um forte laço de rebeldias, sonhos e muita luta em Mato Grosso, laço que não se afrouxa pela longa distância que nos separa. Maior que a distância é nossa convicção na importância de derrubar esse sistema injusto. Convicção também de que a mais ampla solidariedade entre os povos oprimidos será decisiva para essa tarefa!

Saudamos o momento em que a Rusga Libertária alcança seus dez anos e desejamos muito debate solidário, acúmulo e ainda mais força para as lutas que virão. Quando a labuta cotidiana na resistência ficar pesada, lembrem que aqui no Sul também estamos dedicando os mais honestos esforços pela revolução.

Pelo socialismo e a liberdade!

Coletivo Anarquista Bandeira Negra,

novembro de 2016

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Coletivo Mineiro Popular Anarquista (COMPA) – MG

Belo Horizonte, Minas Gerais, 18 de novembro de 2016.

Estimadas e estimados companheiras e companheiros da organização Rusga Libertária,

O Coletivo Mineiro Popular Anarquista, organização integrante da Coordenação Anarquista Brasileira, saúda os 10 anos da Rusga Libertária, irmã de coordenação nacional e peleja anarquista na região mato-grossense.

Fundada em 18 de novembro de 2006, propositalmente neste dia para prestar justa homenagem à tentativa de insurreição anarquista realizada no Rio de Janeiro em 1918 (homenagem que endossamos e fazemos questão de ressaltar, a propósito), desde então a Rusga Libertária exerceu papel destacado na consolidação de nossa ideologia em âmbito nacional, vivenciando, construindo e fortalecendo os espaços de construção de nossa militância no país, como o antigo Fórum do Anarquismo Organizado, fundado em 2002, e a atual Coordenação Anarquista Brasileira, fundada em 2012.

Foi resultado dos esforços militantes das e dos companheiros da Rusga Libertária (junto a companheiros gaúchos, cariocas, alagoanos e outros), que o anarquismo especifista se expandiu para todas as regiões do país, de norte ao sul, com organizações anarquistas especifistas consolidadas em 12 estados, sendo o COMPA um exemplo direto disso.

Por sua determinação, por sua história de luta, firmeza, postura e de fazer valer a nossa bandeira nos espaços onde estamos presentes, prestigiamos essa organização irmã com a qual pactuamos as tarefas maiores de construir a nossa organização nacional, de trazer o anarquismo à luz da classe trabalhadora como uma alternativa real de luta e de nova sociedade, e também de fazer a revolução social.

Forte abraço, companheiras e companheiros, não tá morto quem peleia! Seguimos juntas e juntos a enraizar anarquismo em nossas lutas e em nossa classe!

Viva a Rusga Libertária!
Viva a CAB!
Viva o anarquismo!

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Coletivo Anarquista Luta de Classes (CALC) – PR

Saudações do CALC aos dez anos da Rusga Libertária/CAB!

O Coletivo Anarquista Luta de Classe (CALC), organização anarquista especifista localizada no estado do Paraná, saúda e comemora uma década de construção da Rusga Libertária em terras mato-grossenses! Compomos desde 2012 a Coordenação Anarquista Brasileira (CAB) em conjunto com a organização-irmã Rusga Libertária e, neste momento, contamos com outras 10 organizações anarquistas especifistas espalhadas pelo Brasil.

Alegramo-nos em saber que os/as companheiros/as mato-grossenses têm se empenhado na tarefa árdua e cotidiana de construção de uma alternativa política frente as burocracias dos movimentos sociais, num contexto estadual em que reina o poderio dos latifundiários da soja e do agronegócio em geral.

Numa conjuntura nacional de lutas cada vez mais acirradas, com destaque neste momento para a luta contra a MP 746 (Reforma do Ensino Médio) e PEC 241 (55) – com direito a muita ação direta (ocupações, atos de rua e mais), é necessário continuarmos a construção de novos referenciais políticos. Somente nessa intensa peleia, com muito esforço organizativo nas escolas, bairros, favelas campos, florestas e locais de trabalho, conseguiremos construir um outro horizonte que rompa com as estruturas do capitalismo, do Estado e de qualquer dominação.

Ao mesmo tempo, passamos por um momento de aumento da repressão e criminalização à pobreza e aos movimentos sociais. Com os marcantes casos de Rafael Braga e da invasão à Escola Nacional Florestan Fernandes, destacando também o contínuo genocídio do povo negro e dos povos originários. Só nos resta a solidariedade entre a classe oprimida para resistirmos e avançarmos.

A cada modesto passo que damos, a cada ano que completamos de luta e organização, ficamos mais fortalecidos. Com muita convicção e firmeza, a partir de raízes históricas bem sólidas, seguimos na construção de uma matriz ideológica anarquista latino-americana, ampliando nossa atuação e amadurecendo nossas organizações.

Continuamos juntos, lado a lado. Partilhamos das mesmas concepções, princípios, estratégias, táticas, leituras da realidade. Nossa convicção e sentimento de pertencimento a algo maior aumenta nossas chances de vitória sobre os vários tipos de dominação. Seguimos construindo uma outra sociedade, fundada em outros valores, uma sociedade de socialismo e liberdade!

Saudações aos/às anarquistas especifistas do Mato Grosso! Seguimos sabendo que só a luta popular decide! Toda força para o nosso projeto de construção de uma sociedade justa e igualitária!

Lutar! Criar Poder Popular!

Viva o Anarquismo no Centro-Oeste!

Viva a Rusga Libertária! Viva a CAB!

CALC, Novembro de 2016.

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Federação Anarquista Cabana (FACA) – PA

Companheiros e companheiras da Rusga Libertária!

A Federação Anarquista Cabana – FACA saúda com grande entusiasmo e profundo respeito o aniversário de 10 anos da Rusga Libertária – CAB. Organização coirmã que tanto inspira nossa prática militante. Falamos isto não como simples palavra ou mero devaneio.  Nossos parabéns se pautam na construção teórica e prática de um socialismo libertário com nossa face. Com a cara negra e índia. Na sua relação profunda com a natureza de nosso continente latino americano e também de nossa grande região Amazônica.

Nossa realidade comum, marcada pela lógica perversa de uma colonialidade do ser, do saber e do poder nos colocou no mesmo campo de batalha. E mais do que isso. Apresentou o grande desafio da construção de um anarquismo militante, inserido e atuante nas lutas de nosso povo. Da grande, emancipada e autônoma Abya Yala até a realidade Centro Oeste brasileiro. Na tarefa de construção da resistência cabocla, negra e indígena contra a escravidão e a invasão de nossas terras.

Nosso espírito cabano, desde as partes mais setentrionais do Brasil, deseja que estes dez anos se multipliquem. Que se ampliem. Que nosso esforço comum de construção de uma organização em nível nacional se efetive e que nossas forças se enraízem onde se tenha uma luta contra a exploração econômica e a opressão de todas as ordens. No alvorecer de um dia onde celebraremos a autodeterminação, a auto-organização e a autogestão material e simbólica do viver. Isto tudo acompanhado de uma solidariedade plena e orgânica.

 Em nossa concepção libertária de socialismo, não existe “lutar para o povo” e sim lutar com o povo, como militantes populares. Justamente por sermos filhas e filhos do povo brasileiro, queremos participar da nossa libertação, caso contrário, não existe luta libertária possível. Não acreditamos em benevolência da classe dominante, por isso, sabemos que a nova sociedade somente nascerá das entranhas da classe trabalhadora. Este é o grande o exemplo e legado que a Rusga nos dá neste seu aniversário.

Hoje, como ontem, a nossa luta é no campo e na cidade, na floresta e no cerrado, na caatinga e nos pampas. A construção de nossa corrente é internacional. Mas, sobretudo, latino americana. Que viva o anarquismo especifista. E que viva a RUSGA LIBERTÁRIA!                                               @ Secretariado da FACA

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Federação Anarquista Gaúcha (FAG) – RS

Desde o sul do Brasil enviamos a toda Rusga Libertária nosso grande abraço de comemoração pelos seus 10 anos de luta. São 10 anos construindo o anarquismo no país. Que todas e todos saibam que nos sentimos parte desta construção, nos sentimos comemorando com vocês também este momento.

É importante que se diga que vivemos momentos difíceis para os de baixo, não que já tenha sido fácil algum dia, mas temos vários desafios à mais nesta infeliz conjuntura de retiradas de direitos e de repressão. Reafirmar nossa convicção libertária está na ordem do dia. Demarcar nosso campo ideológico, dar batalha de ideias, se enraizar mais e mais no trabalho de base são ações compartilhadas entre nós e servem de ânimo para a árdua jornada de luta que não termina amanhã e tampouco começou hoje.

Hoje, dia 18 de Novembro também vamos comemorar nossos 21 anos de FAG, mas o punho erguido e o grito de Arriba los que luchán é para Rusga Libertária!!!

Vida longa a Rusga Libertária!

Vida longa a CAB!

Viva a Anarquia!

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Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ) – RJ

Nós, da Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ) saudamos os dez anos de nossa organização-irmã Rusga Libertária (RL), integrante da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB) e com presença no estado de Mato Grosso. Nosso país de extensões continentais nos impõe uma tarefa árdua que recebemos com toda dignidade: fincar raízes de luta e rebeldia em todo território brasileiro. Retomar e fazer crescer a influência do anarquismo organizado, modestamente é um trabalho que vem sendo feito por nossa coordenação e com ela, a organização Rusga Libertária, com afinco e determinação.

São 10 anos de luta e construção da proposta anarquista no estado de Mato Grosso, mas a história de resistência é muito mais antiga, o levante do rusguentos, resgatado pela organização especifica local, surgiu de um contexto de indignação dos explorados que responderam com ação direta abrindo caminho para na sequência de outras revoltas como a Farroupilha (RS), Cabanagem (PA), Sabinada (BA), Balaiada (MA) dentre tantos capítulos do poder popular e se mistura com as lutas indígenas tocadas contra a implantação do criminosos Estado-nacional brasileiro. Temos em nossas veias as memórias e as lições de resistência indígena, a luta popular de base e a federação das que lutam cotidianamente contra os desmandos do capital em todas as regiões desse país chamado Brasil. Temos em Rusga Libertária, uma aliada fiel da revolta popular e do anarquismo de nossa corrente.

Organização que se dedicou com afinco na construção anarquista brasileira que tem seu salto qualitativo no Fórum do Anarquismo Organizado (FAO) e depois Coordenação Anarquista Brasileira (CAB), saudamos os esforços da militância anarquista organizada no estado de Mato Grosso.

Que cresça a revolta e a luta popular! Que cresça a força das e dos de baixo contra os desmandos dos latifundiários e capitalistas!

Viva a Rusga Libertária (RL)!
Viva a Coordenação Anarquista Brasileira!

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Organização Anarquista Socialismo Libertário (OASL) – SP

Saudação OASL

É com grande entusiasmo que saudamos e comemoramos os 10 anos de organização da Rusga Libertária, organização que sempre andou ombro a ombro com os de baixo no Estado do Mato Grosso.

Nessa década a Rusga fez parte do bom combate contra as classes dominantes e tem contribuído com modéstia mas decisivamente para o fortalecimento do Anarquismo no Brasil e para a construção do Poder Popular nesse país e no mundo.

Por isso nesse dia tão importante aos anarquistas brasileiros, que não atoa também é aniversário de nossa organização, saudamos esses 10 anos que nossas e nossos companheiros tem dedicado ao socialismo e a liberdade, que venham muitos mais!

Viva a Rusga Libertária!
Viva a Anarquia!
Via a CAB!
Lutar! Criar! Poder Popular!

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Organização Resistência Libertária (ORL) – CE

É com imensa alegria e satisfação que nós da Organização Resistência Libertária [ORL/CE], integrante da Coordenação Anarquista Brasileira, viemos saudar aos 10 anos da Rusga Libertária. Em Mato Grosso, Estado em que o capitalismo finca as cercas do agronegócio e o Estado impõe os Bandeirantes como identidade colonial, acreditamos na firmeza e na resistência da nossa organização irmã na luta contra o latifúndio, contra o genocídio dos povos originários e do povo preto, contra a precarização da vida urbana e pelo fim da violência contra a mulher, da homofobia e da transfobia. Mais que isso, acreditamos na Rusga Libertária como semente da anarquia no Centro-Oeste do Brasil. Em tempos de avanço do conservadorismo, retrocessos dos direitos sociais e de expansão do projeto neoliberal, ter uma organização irmã resistindo e lutando ombro a ombro desde baixo nos dá fortalecimento para também continuarmos na luta contra o capitalismo e construindo o socialismo libertário. Desde a CAB, marchamos com o preto do luto e o vermelho da luta, contra a dominação supremacista e a exploração sangrenta que atinge o povo oprimido. Viva os 10 anos da Rusga, Viva a organização anarquista cuiabana e uma veia da luta internacionalista!!

Enraizar o Anarquismo no Centro-Oeste do Brasil!!!

Viva a Rusga Libertária!

Viva a Coordenação Anarquista Brasileira!

10 anos Rusga Libertária e 3° Encontro Regional Centro-oeste/Sudeste da CAB
10 anos Rusga Libertária e 3° Encontro Regional Centro-oeste/Sudeste da CAB

Saudações do CALC aos dez anos da Rusga Libertária/CAB!

O Coletivo Anarquista Luta de Classe (CALC), organização anarquista especifista localizada no estado do Paraná, saúda e comemora uma década de construção da Rusga Libertária em terras mato-grossenses! Compomos desde 2012 a Coordenação Anarquista Brasileira (CAB) em conjunto com a organização-irmã Rusga Libertária e, neste momento, contamos com outras 10 organizações anarquistas especifistas espalhadas pelo Brasil.

Alegramo-nos em saber que os/as companheiros/as mato-grossenses têm se empenhado na tarefa árdua e cotidiana de construção de uma alternativa política frente as burocracias dos movimentos sociais, num contexto estadual em que reina o poderio dos latifundiários da soja e do agronegócio em geral.

Numa conjuntura nacional de lutas cada vez mais acirradas, com destaque neste momento para a luta contra a MP 746 (Reforma do Ensino Médio) e PEC 241 (55) – com direito a muita ação direta (ocupações, atos de rua e mais), é necessário continuarmos a construção de novos referenciais políticos. Somente nessa intensa peleia, com muito esforço organizativo nas escolas, bairros, favelas campos, florestas e locais de trabalho, conseguiremos construir um outro horizonte que rompa com as estruturas do capitalismo, do Estado e de qualquer dominação.

Ao mesmo tempo, passamos por um momento de aumento da repressão e criminalização à pobreza e aos movimentos sociais. Com os marcantes casos de Rafael Braga e da invasão à Escola Nacional Florestan Fernandes, destacando também o contínuo genocídio do povo negro e dos povos originários. Só nos resta a solidariedade entre a classe oprimida para resistirmos e avançarmos.

A cada modesto passo que damos, a cada ano que completamos de luta e organização, ficamos mais fortalecidos. Com muita convicção e firmeza, a partir de raízes históricas bem sólidas, seguimos na construção de uma matriz ideológica anarquista latino-americana, ampliando nossa atuação e amadurecendo nossas organizações.

Continuamos juntos, lado a lado. Partilhamos das mesmas concepções, princípios, estratégias, táticas, leituras da realidade. Nossa convicção e sentimento de pertencimento a algo maior aumenta nossas chances de vitória sobre os vários tipos de dominação. Seguimos construindo uma outra sociedade, fundada em outros valores, uma sociedade de socialismo e liberdade!

Saudações aos/às anarquistas especifistas do Mato Grosso! Seguimos sabendo que só a luta popular decide! Toda força para o nosso projeto de construção de uma sociedade justa e igualitária!

Lutar! Criar Poder Popular!
Viva o Anarquismo no Centro-Oeste!
Viva a Rusga Libertária! Viva a CAB!

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CALC, Novembro de 2016.

 

[Rusga Libertária] Quem é Lucy Parsons? A Mitologização e a re-apropriação de uma heroína radical (Casey Williams)

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Neste 8 de março, Dia Internacional de Luta da Mulher, compartilhamos o excelente trabalho feito pelo pessoal do Rusga Libertária, organização anarquista integrante da Coordenação Anarquista Brasileira do Mato Grosso, de tradução de uma cartilha sobre Lucy Parsons, militante anarquista negra estado-unidense.

Leia em: https://rusgalibertaria.wordpress.com/2015/02/23/quem-e-lucy-parsons-a-mitologizacao-e-a-re-apropriacao-de-uma-heroina-radical-casey-williams/


[FAG] 20 ANOS DA FAG | Discurso da FAG lido no Ato Público

Retirado de:              https://www.facebook.com/FederacaoAnarquistaGaucha/posts/1104931392851751:0

Boa noite companheiros e companheiras

Estas últimas semanas têm sido muito especiais para nós anarquistas da FAG. Receber companheiros e companheiras de distintas partes do Brasil, da América Latina e do mundo para juntos celebrarmos um pedacinho dessa rica história do anarquismo, nos enche de alegria! Aqui encerramos um ciclo para começarmos um novo. Um ciclo de maior organização; de maior firmeza em nossos vínculos e em nossos laços de fraternidade e solidariedade; de reafirmar a luta, o protagonismo popular e a transformação revolucionária das nossas relações e da nossa sociedade como os únicos caminhos fecundos para romper definitivamente as amarras desse sistema sanguinário que nos oprime todos os dias.

São 20 anos de construção anarquista nacional. São 20 anos de FAG, de OSL, de FAO, de CAB, de FARPA, de Rusga Libertária, de CALC, de FARJ, de CABN, de ORL, de FACA, de OASL e de muitos outros que com seus esforços vem forjando anarquismo militante, classista, com raízes na história de combate do nosso povo. Duas décadas cultivando raízes anarquistas para que floresça bela e forte o poder do povo, o Poder Popular.

Na ocasião do Ato Público de 10 anos da FAG dizíamos:

“Nascemos porque morreram homens como Mikail Bakunin, Errico Malatesta, Nestor Makhno, Sepé Tiaraju, Zumbi dos Palmares. Nascemos porque morreram mulheres como Espertirina Martins, Malvina Tavares, Anastácia, Anita Garibaldi e tantos outros e outras anônimas ou não que morreram defendendo a justiça e a liberdade.

Nascemos pelas mesmas mãos que o anarquista Djalma Feterman usou para atirar uma bomba disfarçada de buquê de flores, que carregava a também anarquista Espertirina Martins com seus 15 anos de idade, na carga de cavalaria da Brigada Militar durante a Guerra dos Braços Cruzados em 1917.

Nascemos pelas mesmas mãos que pegaram em armas no Uruguai, enfrentaram a ditadura, foram torturados e presos, porém, não desistiram: já completaram meio século e foram decisivos para a formação da FAG neste canto do Brasil: assim foi o apoio generoso da FAU, presente conosco hoje e sempre.
Nascemos e renascemos todos os dias pelas mesmas mãos das pessoas simples, gente humilde, que nas suas mãos, carregam as marcas de ser parte dos de Baixo.

Dizem por ai que pobre vive de teimoso. Foi por teimosia que a FAG nasceu. É por teimosia que continuamos vivos e lutando e vamos completar mais dez anos insistindo em dizer que é somente o povo organizado e em luta que vai conseguir conquistar tudo o que precisa e quer.”

E aqui estamos companheiros e companheiras, 10 anos depois, cumprindo e dando continuidade a um Compromisso, a uma Idéia, a uma Prática: O SOCIALISMO COM LIBERDADE!!!

Não tem sido tarefa fácil. Nossa busca tem sido sempre a de fazer do anarquismo uma ferramenta atual e à altura das diferentes conjunturas que nos toca viver e atuar. Uma ferramenta dinâmica, que nos permita ampliar coletivamente as forças que individualmente seriam muito limitadas; um anarquismo militante e organizado que construa junto, ao lado dos de baixo, propostas concretas contra os ataques dos de cima. Um anarquismo prático, dotado de táticas e de um programa mínimo e, ao mesmo tempo, uma anarquismo finalista, dotado de um programa estratégico e de longo prazo. No fim e ao cabo, um anarquismo político que contra e por fora do Estado solucione o problema do Poder, do que colocar no lugar das instituições burocráticas, centralistas e autoritárias do Sistema de Dominação Capitalista.

Um anarquismo Federalista, Autogestionário, que produza com suas práticas, métodos, críticas e experiências, uma ideologia de transformação. Sem vanguardismos, ditaduras ditas proletárias, vocação pra partido único. Pois não se trata de fazer da Política a tarefa de conduzir um Estado, seja ele qual for, em nome das classes oprimidas para daí impor a nossa vontade enquanto povo às classes dominantes. Trata-se de fazer da Política a tarefa de construir um Povo Forte, com seus instrumentos, instituições, ferramentas que vão gestando o novo na medida em que vão golpeando e destruindo o velho. Colocaremos no lugar do Estado e de seus aparatos as instituições das classes oprimidas, construídas desde baixo, articuladas e coordenadas entre si.

Como já escrevemos em outro momento,

“É certo que o trânsito até uma sociedade distinta deve ser feito dentro deste sistema. Mas a experiência vivida indica que existem meios, orientações, uso de instrumentos, de instituições e formas de organização de atividades sociais que devem ser dispensados se queremos ir conformando forças sociais capazes de produzir verdadeiras mudanças nas formas da organização social. É imprescindível outro enfoque se queremos ir construindo uma sociedade distinta. Não parece ser boa estratégia escolher aquelas vias, aqueles lugares e trajetos que tem dono e o poder de imprimir seu selo ao que ali entra.

Quantas organizações políticas, quantos lutadores cheios de ideais e sonhos terminaram pensando com a lógica do sistema e vendo como inimigos a seus queridos companheiros de ontem.
Outro sujeito histórico não virá do nada, não aparecerá como arte de magia, deve ser o fruto de práticas que internalizem outras questões que chocam com o dominante. A participação efetiva, a autogestão, a ação direta, a forma federal de funcionamento realmente democrático, a solidariedade e apoio mútuo, necessitam de mecanismos, organizações, práticas regulares para seu desenvolvimento. E só se produzida no povo é que a mudança se tornará uma realidade.

Uma estratégia que tenha em seu interior um mundo distinto que vai emergindo desde o seio de outro que lhe é antagônico. O famoso “usar todos os meios” pode ser uma maneira efetiva de assegurar que não se construa nenhuma estratégia antagônica portadora dos elementos de desestruturação do sistema vigente.
Relacionado a isso, está a necessidade de forjar um inconfundível estilo de trabalho.

Um estilo de trabalho também é elemento da produção ideológica, se define como um modo especial do fazer político-social em todos os seus atos, no discurso, no comportamento de grupo, nas relações entre companheiros e com a sociedade, nos planos de ação, etc.. A ideologia libertária se materializa, é produzida e reproduzida, entre outras coisas, nessa forma estimulada de representar seus valores, sua ética e aspirações nas práticas de todos os dias. Assim, o estilo de trabalho que marcamos nos processos de luta e organização, em uma boa medida, vai dizer quem somos pelo que fazemos, como fazemos, com que coerência ideológica estão formados nossos atos de organização militante.

Reconhecer entre iguais a dignidade do outro, como irmãos na luta e no projeto para mudar a sociedade, sempre será a base da estrutura e das normas jurídicas que constituem um pacto federativo. A fraternidade que permeia um projeto militante dá o vínculo moral fundamental para formação das relações de confiança. E a política, como apontam as investigações teóricas que temos estudado, tem suas razões e suas sem razões. Não é só feita de escolhas racionais, tem boas doses de conteúdo sensível, está atravessada pelas formações ideológicas que constituem o sujeito.

Está em jogo uma pedagogia do exemplo, a forja de referências a partir daquilo que fazemos, pelos valores que veiculamos em nossas práticas, e nas nossas ações diárias.

O estilo pra promover nessa perspectiva deve produzir: iniciativa pras tarefas, responsabilidade plena com os mandatos coletivos, resoluta solidariedade, pedagogia do exemplo, liderança moral, maturidade para crítica, exigência fraterna, preocupação formativa.

São esses alguns dos desafios a que nos propomos todos os dias ao participarmos do movimento sindical, do movimento estudantil, na militância nos bairros, vilas e favelas; nas lutas urbanas, contra as violências de gênero e raça; no campo e na floresta e em toda ação de solidariedade aos enfrentamentos da diversidade dos sujeitos que compõe as classes oprimidas. UNIR O DISPERSO, ORGANIZAR O DESORGANIZADO, SOLIDARIEDADE É MAIS DO QUE PALAVRA ESCRITA, RODEAR DE SOLIDARIEDADE OS QUE LUTAM, são algumas consignas que expressam bem de que transformação social estamos falando.

Porque é mais importante para nós CRIAR UM POVO FORTE do que UM PARTIDO FORTE. Uma nova articulação entre o POLÍTICO e o SOCIAL, como dois planos de ação simultânea e devidamente articulados. Mas cada um com sua independência relativa, com sua própria especificidade. Somos assim partidários de um trabalho simultâneo, dentro de um mesmo projeto: da organização política libertária e do trabalho em todo o campo social.

Esse é o nosso especifismo, essas são as bases da nossa construção.

E que Base precisamos para esses tempos difíceis em que estamos vivendo. Já vivemos épocas difíceis, pois quem não se lembra do ataque aos profesores, aos catadores e aos sem terra no governo Yeda do PSDB, em que o sempre presente Elton Brum da Silva foi assassinado com um tiro de calibre 12 pelas costas pela Brigada Militar? Ano em que tivemos nossa sede pública invadida e companheiros procesados. Quem não se lembra dos 10 mil gaseificados, das balas de borracha, das pauladas, da violência psicológica e da nova invasão de nossa sede pública assim como de casas de outros lutadores sociais na jornada de lutas de 2013 durante e sob as ordens do governo Tarso Genro do PT? Ano em que companheiros foram procesados, presos e criminalizados em processos judiciais políticos e ideológicos.

2013 merece nossa consideração a parte, pois foi um ano intenso e atípico para nossa militância. Participamos desde o inicio das jornadas de luta por um transporte 100% público em Porto Alegre. Construímos juntos e em unidade com outros setores da esquerda o Bloco de Lutas pelo transporte público e fizemos días memoráveis lado a lado de milhares de lutadores. Não poderia ser diferente. Assim, Porto Alegre formou parte de um processo nacional de lutas que brindou novos elementos para nossa análise. Diziamos na ocasião de nosso 6º Congresso:

“O povo fez dias de luta no país que se fizeram irreprimíveis em junho. A luta por um transporte público coletivo, que é organizada por militantes de esquerda de um movimento social que leva anos, e a indignação com relação aos altos gastos na Copa das Confederações em detrimento de outras áreas como saúde, educação, etc.; deu vez a um turbilhão de demandas que latejavam na vida neurótica, precária e estafante dos setores médios e populares. Grande parte da geração jovem e combativa que forma as mobilizações de massa dessa hora cresceu nos últimos 10 anos de governos do PT e encarna a expressão conflitiva e saturada do seu modelo capitalista de crescimento econômico.

Traz na bagagem a confusão e as incertezas que se gestam numa nova experiência com a política, com um imaginário nos protestos que sacodem o mundo, muito apoiada aos modos de interação e reconhecimento social que produzem as novas tecnologias de comunicação. O povo em conceito amplo não opõe classe contra classe e joga na cena dos acontecimentos uma disputa de ideias, de valores e projeto social para atuar criticamente, com uma concepção classista em dia com a formação social brasileira dos tempos que vivemos. Contudo, não temos dúvidas que o movimento que vem debaixo é o terreno mais fértil para fazer luta de classes, construir democracia direta e desenvolver músculos para uma estratégia de poder popular.

Na gestação dessa nova correlação de forças a luta contra o aumento das tarifas do transporte coletivo é a expressão mais articulada de uma avalanche de sentimentos e demandas reprimidas que extrapolam os controles dominantes da sociedade brasileira.

As chamadas jornadas de junho e julho foram, portanto, expressão do descontentamento com o quadro acima descrito. Indicam, por sua composição, magnitude e mesmo pelas formas com que foram convocadas em algumas cidades, mudanças e elementos a tomar em consideração na hora de concebermos uma estratégia própria daqui pra frente.”

Levando em consideração estes e outros elementos, procuramos caracterizar o período (a etapa) em que estávamos entrando como uma ETAPA DE RESISTÊNCIA COM VIÉS COMBATIVO. Por este conceito, sem referência com velhos esquemas que sugerem um traçado reto e linear do processo social-histórico, quisemos representar um cenário político para os fatores de cambio social e os elementos característicos de uma correlação de forças na sociedade.

“A luta das classes oprimidas e do projeto socialista passa uma etapa de refluxo, de restruturação dos meios organizativos, de ações dispersas e fragmentárias que não alcançam formar um conjunto com elementos ideológicos e programáticos que façam um antagonismo forte ao sistema. Uma parte importante dos setores populares, das organizações e sindicatos, embarcam nas velhas promessas do crescimento econômico e se curvam para as ideias do neodesenvolvimentismo. Há uma crise de movimento social, de organizações de base, de forças acumuladas pela luta que superem atos espontâneos e alcancem a ação federada. Estão seriamente ajuizadas pela história recente as estratégias de esquerda que buscam mudanças sociais por dentro das instituições funcionais as relações do poder dominante. O tempo é de divisão de águas, ajuste de lentes para pensar as condições e possibilidades da relação de forças do momento. Exige capacidade de inserção de um projeto finalista revolucionário no interior dos problemas e conflitos deste presente histórico. Trabalho de base entre as demandas populares que não são absorvidas pelos controles do modelo capitalista, na direção de um povo forte, de práticas de ruptura que favoreçam a construção histórica de um sujeito antagonista as estruturas do capitalismo.”

Neste sentido concreto e operativo que aplicamos esta categoria para fazer baliza de condições e possibilidades de nossa prática política. Contudo, tinham emergência na cena dos acontecimentos históricos, ventos novos que nos provocaram uma leitura mais matizada, elementos conflitivos com certo peso ideológico que indicavam abertura para um passo diferente. Percebíamos a possibilidade de uma acumulação de forças combativas que até então estava fora de nosso panorama.
Deriva daí nossa aposta estratégica expressa no conceito de intersetorial dos combativos:

“vamos operar nesta etapa com uma proposta militante para ligar o espectro das lutas sociais que confrontam com o modelo dominante do capitalismo brasileiro com um programa mínimo de soluções populares. Ajudar na forja de unidade de baixo pra cima, criar um povo forte que imponha na cena nacional uma nova correlação de forças pra aplicar um projeto de transformação social.

Nessa linha atravessa o trabalho metódico e determinado de radicar nossas posições libertárias em organizações de base, em sindicatos, coletivos e movimentos sociais que serão nosso vetor social. Mas vai além. Implica fazer uma costura com outros setores sociais e políticos que atuam também onde não alcançamos, não pisamos, pra formar um campo de alianças dentro de princípios e acordos que fortaleçam uma posição de força para a independência de classe. Que favoreça, concorra e apoie a gestação de uma nova estrutura de massas, catalizadora do poder social das classes oprimidas, articulada pelas bases, que não se integre nas vias burocráticas dos controles institucionais burgueses.”

Desde então muita água rolou. Entramos no ano de 2015 e novos elementos se apresentaram na conjuntura do RS. O eleito ao governo estadual, o gringo José Ivo Sartori do PMDB, veio para aprofundar os ataques aos direitos e condições de vida dos de baixo. Aprovou um pacote de medidas que cortou fundo na carne do povo oprimido em benefício da manutenção dos privilégios e lucros de governos e patrões. Parcelou salários do funcionalismo estadual, quis extinguir orgãos públicos fundamentais à pesquisa e preservação ambientais e cortou verbas de áreas imprescindíveis aos trabalhadores como as de saúde e educação. Sem falar na sua brigada militar que segue matando a juventude negra e pobre nas periferias.

“Ao lado do ajuste que saca dinheiro dos hospitais e postos de saúde, das escolas, programas sociais, da ampliação do espaço comum e da rede de serviços públicos que aumentam bem estar e condições de vida do povo, é martelada diariamente, sobretudo pela voz do grupo RBS, a bandeira da segurança. O grupo de comunicação que é bom pagador de propina pra sonegação fiscal, dono de um patrimônio que figura na lista seleta das elites gaúchas, avaliza o ajuste e faz campanha de terror e medo pra reclamar mais segurança. Aí está! Segurança é um discurso que dá sentido e faz funcionar um poder de controle e vigilância que institui a paz para a vida normal do sistema e dos bem nascidos e que instala a guerra que pune e criminaliza a pobreza. A segurança que ecoa fundo nas preocupações das elites e da classe média é a que sempre reforça a violência policial sobre as “classes perigosas”.

“Faltam recursos porque os capitalistas reservam os privilégios e os lucros para suas propriedades e estouram as contas públicas nas costas do povo. Todo um sistema de pilhagem que funciona pelo mecanismo da dívida pública, que espreme o patrimônio construído pelos trabalhadores, que desmonta e privatiza bens públicos e produz um discurso econômico liberalóide de déficit e responsabilidade fiscal. Os partidos de governo se sucedem sempre dentro desta ordem: uma camisa de forças do sistema que todos vestem. O PT subscreveu os contratos com o Banco Mundial durante o governo Yeda Crusius que ampliou o poder do sistema financeiro sobre o controle dos gastos públicos. Na sua vez no Piratini, Tarso Genro teve que amargar a pena de devedor do Piso Nacional do magistério.”

Um contexto em que frente aos ataques dos de cima, houve luta e resistência dos de baixo.

“Uma série de setores sociais dão fôlego a seus processos de mobilização e indicam a disposição de luta para dar combate a lógica imposta pelos de cima que precariza a vida do povo. Diversas mobilizações e ações de rua que no nosso entendimento contribuem para o fortalecimento da organização, capacidade de enfrentamento e acúmulo de forças dos de baixo para o próximo período. Experiências como as greves em curso, os piquetes, as manifestações de rua, o diálogo com a população e os cortes da via pública em todo o Estado são ensaios de um processo que não termina aqui.”

Infelizmente, as burocracias sindicais fizeram de tudo para frear os ânimos e conduzir as rebeldias populares para a arena institucional de seus partidos da ordem. O desespero e a indignação dos trabalhadores frente a essa política de austeridade não encontraram eco e canais adequados para a promoção de uma luta sem trégua que alterasse a correlação de forças em seu favor. Acelerar pisando no freio e manter o controle e a ordem das ações de base das categorias foram e são marcas de uma concepção sindical burocratizada e verticalizada que não se movimenta no sentido de organizar e dar impulso a disposição de luta da base.

A mobilização do funcionalismo público estadual, em especial os trabalhadores em educação gaúchos, é um exemplo emblemático dos resultados nefastos de tal concepção sindical. Deslegitimar e isolar as iniciativas combativas de setores de base; apostar numa greve unificada com setores da repressão; fazer da categoria base de apoio a politicagem de seus deputados na Assembléia Legislativa; promover fragmentadas paralisações para fingir que faz pressão nos políticos de turno ao invés de promover, organizar e favorecer uma greve por tempo indeterminado com a solidariedade e participação dos estudantes e das comunidades para dar uma resposta a altura dos desmandos do governo; são alguns dos feitos responsáveis pela desmobilização de uma categoria que há anos não se mobilizava como se mobilizou.

E como não seria diferente…

“Nessa conjuntura, a criminalização veio forte. Por lutar, rodoviários da Carris em solidariedade a paralisação estadual do dia 03/08 foram demitidos, e os servidores municipais da Assistência Social e da Saúde de São Leopoldo-RS sofreram processo de criminalização judicial. Esses são nítidos exemplos de perseguição política e sindical e é emblemático o caso da Carris em que os demitidos são militantes sindicais que tiveram seu direito ao trabalho anulado.

E ainda sobre o aparato repressivo,

Duas prisões na capital durante uma Manifestação de trabalhadores da Educação vinculados ao Cpers. Além desse fato, cabe destacar a intimidação realizada pela “segurança” nos piquetes no Centro Administrativo Fernando Ferrari (CAFF) e o assassinato, pelas costas, de um jovem negro no Morro Santa Tereza, em Porto Alegre. Esses são nítidos indícios de que a repressão nunca estará ao lado dos trabalhadores e dos de baixo e que seu papel é de repressão aos que lutam e de extermínio da juventude negra e pobre das periferias.

“Nem com os que mandam por cima, nem com os que reprimem por baixo!” diziamos.

Nacionalmente, uma conjuntura de intensificação nos ataques aos direitos dos trabalhadores, do golpe dos ajuste fiscal que corta na carne e no bolso dos de baixo para manter os privilégios e os lucros dos de cima, de aumento da violencia contra as mulheres, em especial as mulheres negras, de retrocesso nos processos de demarcação das terras indígenas e quilombolas; de aumento da criminalização da pobreza e do protesto; de cortes de verbas na educação e de forte investida de setores conservadores contra uma educação transformadora; de lei dita “anti-terrorista” mas que na verdade é uma lei contra os movimentos sociais. Tudo isso no marco de um lastro político e ideológico de desarme organizativo das classes oprimidas deixados por 12 anos de governo petista. Esses são alguns dos elementos atuais que precisamos ter em conta na hora de atuar.

Um novo ciclo também parece se abrir na politicagem e nas disputas entre vizinhos de um mesmo condominio, o dos de cima. Uma nova descontinuidade que vai reelaborar elementos gestados no pasado recente para manter a dominação político, económica e ideológica de sempre. Assim, afiar os nossos instrumentos para uma conjuntura e quem sabe uma etapa mais peleada para os de baixo é demanda permanente. Nossa FAG e nossa CAB estará ai! Assim como estarão ai nossa FAU, nossa FAR e todos os nossos companheiros e companheiras que de cima a baixo de nossa América Latina e de todos os outros continentes vem construindo processos de luta e organização.

São curdos, africanos, norte americanos, mapuches, kaingang, chilenos, uruguaios, argentinos, brasileiros, quechuas, palestinos, gregos, guaranis, espanhóis, zapatistas, entre tantos outros povos, os que lutam, se erguem contra as opressões, forjam exemplos, inscrevem pelas suas práticas, referências! É sobre todos que a criminalização se coloca. É assim, uma luta que deve ser feita em conjunto e a partir da diversidade de lutas, de combate as opressões e dominações que cada segmento dos de baixo levanta!

É porque não esquecemos os milhares de Eltons, de Claúdias, de Amarildos, de Zumbis, de Dandaras, de Elenas, de Pochos, de Idilios, de Espertirinas, de Hebers, de Louises, de Lucys, de Polidoros, de Domingos, de Emmas, de Marias Lacerdas e de tantos outros homens e mulheres inscritos em nossa memória com seus exemplos de luta e resistência que ESTAMOS AQUÍ!
E AQUÍ ESTAREMOS ATÉ O FIM DESSE SISTEMA DESUMANO E CRUEL CHAMADO CAPITALISMO!

QUE VENHAM MAIS 20, 30, 50, 100 ANOS A ENRAIZAR ANARQUISMO!!!

NÃO TÁ MORTO QUEM PELEIA!

VIVA A FAG, VIVA A CAB!

VIVA A ANARQUIA!!!

[CAB] Declaração do II Encontro Regional Centro Oeste/Sudeste da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

Retirado de: http://anarquismo.noblogs.org/?p=332

Nos dias 10, 11 e 12 de outubro, foi realizado, em Belo Horizonte (MG), o segundo encontro da Regional Centro-Sudeste da CAB, contando com a presença das organizações Rusga Libertária (Mato Grosso), Federação Anarquista do Rio de Janeiro (Rio de Janeiro), Organização Anarquista Socialismo Libertário (São Paulo) e o Coletivo Mineiro Popular Anarquista (Minas Gerais).

O encontro teve como objetivo estreitar nossa relação regional, aprofundando em termos organizativos, formativos e práticos, servindo como um espaço de análise de conjuntura, de formação e levantamento de perspectivas para que as nossas lutas caminhem juntas em um mesmo rumo organizativo e combativo.

Estamos em uma conjuntura de maiores ataques aos oprimidos e oprimidas, ataques oriundos – historicamente – do Estado contra a classe trabalhadora, contra as mulheres e povos originários, ao mesmo passo em que amargamos uma crise econômica que, como todas as crises do sistema capitalista, gerida pelo governo de turno (PT/PMDB), atinge somente aos de baixo. A criminalização e perseguição aos movimentos sociais continuam em curso, com a tentativa do Estado de calar aquelas e aqueles que lutam.

Por esse momento exigir maior organização e determinação na luta, entendemos que nosso encontro teve um papel destacado na articulação e fortalecimento de nossas organizações, tanto em seus respectivos estados quanto em nível regional. A articulação de nossa militância em diversas frentes de luta (comunitária, estudantil e sindical), assim como o aprofundamento do debate de gênero e variadas formas de opressões, é fundamental para a ação anarquista.

Dessa forma, concluímos o encontro com a sensação de termos avançado em pontos fundamentais para a nossa militância, mas ainda com muito trabalho a ser feito. A tarefa é árdua e exige um trabalho prolongado, alinhado tanto regional quanto nacionalmente, que é o que a CAB vem humildemente construindo. Após o III encontro da Regional Sul no meio deste ano, a recente fundação da FARPA (Federação Anarquista do Palmares / AL) e a realização do I Encontro NO/NE da CAB no mesmo momento em que realizávamos nosso encontro regional CO/SE, visualizamos nosso encontro como mais um resultado positivo do trabalho que viemos realizando de forma coordenada no âmbito nacional.

É na firmeza de nossos princípios ideológicos que vamos caminhando com passos firmes, modestos e radicalizados nas trincheiras da luta popular em que estamos/estaremos inseridos, é na prática constante da crítica e autocrítica que avançamos na construção de um Povo Forte e com perspectivas reais da construção do Poder Popular e do Socialismo Libertário!

Desde Mato Grosso, Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, seguimos na luta.

Viva o Anarquismo Organizado!

Viva a Coordenação Anarquista Brasileira!

Não tá Morto Quem Peleia. Organizar, Lutar, Criar o Poder Popular!

Rusga Libertária
Federação Anarquista do Rio de Janeiro / FARJ
Organização Anarquista Socialismo Libertário / OASL
Coletivo Mineiro Popular Anarquista / COMPA

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[Rusga Libertária] CARTILHA BAKUNIN, MALATESTA E O DEBATE DA PLATAFORMA: A QUESTÃO DA ORGANIZAÇÃO POLÍTICA ANARQUISTA

Retirado de:                                              http://rusgalibertaria.noblogs.org/post/2015/10/06/cartilha-bakunin-malatesta-e-o-debate-da-plataforma-a-questao-da-organizacao-politica-anarquista/
Capa Impressão
A intenção de produzir este material em formato de cartilha é a de trazer para discussão a necessidade da organização anarquista. Apresentamos, assim, alguns importantes referenciais teóricos que realizaram esse debate durante o próprio desenvolver histórico/prático do anarquismo.

Para nós da Rusga Libertária, a organização deve ter “por base comum um regulamento interno e um programa estratégico; os quais estabelecem, respectivamente, seu funcionamento orgânico, suas bases político-ideológicas e programático-estratégicas, forjando um eixo comum para a atuação anarquista”.

Trazendo as reflexões de Bakunin, Malatesta e o Grupo Dielo Truda – também os debates realizados entre os dois últimos. É exposto, neste material, um pouco do referencial que tomamos para a própria formação da nossa organização política. Jamais tomando como “deuses” ou “dogmas irrefutáveis”, mas, tendo-os como ferramenta importante para a própria compreensão dos debates traçados sobre a forma e o papel da organização política anarquista.

Estudar, Organizar e Lutar – unindo sempre teoria e prática – tendo como norte a Construção do Poder Popular!!!

[Rusga Libertária] AOS DE BAIXO, TODA NOSSA SOLIDARIEDADE! AOS DE CIMA, PUNHOS FECHADOS SEMPRE!

Retirado de:
http://rusgalibertaria.noblogs.org/post/2015/10/01/aos-de-baixo-toda-nossa-solidariedade-aos-de-cima-punhos-fechados-sempre/

NOTA DE SOLIDARIEDADE À COMPANHEIRADA URUGUAIA!

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Organizando-nos com os de baixo, vemos historicamente as diversas tentativas do Estado e do Sistema que nos explora de ceifar nossas lutas e violentar aquelas e aqueles que lutam por um outro mundo possível. Nesse momento, vivenciamos mais um ataque, a lutadores que se organizam e vão para as ruas no Uruguai, em luta por melhorias na educação. Criminalizações e brutalidades foram desfechadas contra estudantes, organizações sociais e sindicais; a força repressiva que serve aos de cima foi acionada contra a luta legítima e necessária no Uruguai.  No dia 28 de setembro, após conflitos que resultaram da ocupação do Codicen (orgão da educação pública), agentes da inteligência perseguiram e prenderam lutadores que lutam e resistem – como a detenção do companheiro e militante Ary do Suatt e de outros dois companheiros que foram presos recentemente.

Em cada canto, a força e a voz dos de baixo se fazem uma e se encontram na resistência contra as investidas do poder capitalista e do Estado. Por essa razão, em cada canto, palpita também um sentimento único de solidariedade dos que lutam ombro a ombro para construir as bases de um mundo novo. Nossa luta é a mesma, e nossa ideologia permanece forte nas trincheiras de batalhas, daqui ou do Uruguai. E é por revelarmos a violência do poder e do Estado que usam essa mesma violência contra nossa luta; uma vez que, para os de cima, tal é a única via de manutenção da sociedade que deve se prender às suas regras e poder.

Manifestamos toda nossa solidariedade aos lutadores violentamente perseguidos e presos no Uruguai por lutar e defender a transformação social do povo e para o povo. Às forças repressivas, lembramos que a resistência marcou e marcará sempre nossa memória de luta com os de baixo; e a liberdade será forjada dessas batalhas contra o Estado que oprime e explora.

Daqui, de Mato Grosso / Brasil, estendemos nossa solidariedade e nos colocamos na luta pela liberdade das/os lutadoras/es do Uruguai. Certos de que resistiremos e caminharemos ombro a ombro na luta por todos os cantos.

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Não tá Morto Quem Peleia, Arriba Lxs Que Luchan!

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Organização Integrante da Coordenação Anarquista Brasileira

[Rusga Libertária] Memória do assassinato de Nicola Sacco e Bartolomeo Vanzetti – 88 anos do assassinato cometido pelo Estado Xenofóbico, Capitalista e Opressor!

Retirado de:  https://www.facebook.com/RusgaLibertariaRL/photos/a.295628697234842.1073741828.295624600568585/734965853301122/?type=1&theater

Iniciando a memória do assassinato de Nicola Sacco e Bartolomeo Vanzetti – 88 anos do assassinato cometido pelo Estado Xenofóbico, Capitalista e Opressor!

Viva a Anarquia!

A carta de um condenado
Nicola Sacco…

21 de agosto de 1927.

Da Casa da Morte na prisão de Massachusetts.

Meu caro Dante:

Ainda espero, e combateremos até o último momento, reivindicando o nosso direito de vida e de liberdade, mas todas as forças do Estado e do dinheiro e reação são implacavelmente contra nós, porque somos libertários ou anarquistas.

Escrevo pouco a respeito disto porque és ainda muito criança para compreender estas e outras coisas sobre as quais eu gostaria de conversar contigo.

Mas hás de crescer e compreender o caso meu e de teu pai, os princípios meus e de teu pai, princípios pelos quais nos vão matar dentro em pouco.

Digo-te agora que, por tudo que sei de teu pai, ele não é criminoso, mas um dos homens mais direitos que já conheci. Um dia compreenderás o que te estou dizendo. Que teu pai sacrificou tudo o que há de mais caro e sagrado ao coração e à alma humana pela justiça e liberdade de todos. Nesse dia terás orgulho de teu pai, e se fores bastante corajoso, tomarás o seu lugar na luta entre a tirania e a liberdade e vingarás o seu (os nossos) nomes e o nosso sangue.

Se de fato morreremos agora, saberás um dia, quando te tornares capaz de compreender esta tragédia em toda a sua extensão, como teu pai foi bom e corajoso contigo, teu pai e eu, durante estes oito anos de luta, tristeza, angústia e aflição.

Desde este instante mesmo serás bom e corajoso com tua mãe, com Inês (irmã de Dante) e com Susie (amiga da senhora Sacco, com quem ela e seus filhos viviam nos últimos anos do caso) – e farás tudo para as consolar e ajudar.

Gostaria também que te lembrasses de mim como camarada e amigo de teu pai, de tua mãe, de Inês, de Susie e de ti, e te afianço que também não sou um criminoso, que não cometi nenhum roubo nem morte, mas apenas combati modestamente para abolir os crimes entre os homens e para defender a liberdade de todos.

Sabe, Dante, que quem disser o contrário de teu pai e de mim, é um mentiroso a insultar dois mortos inocentes que viveram como homens de bem. Sabe também, Dante, que, se teu pai e eu tivéssemos sido covardes e hipócritas e renegadores de nossa fé, nos teríamos salvado. Não se condenaria nem mesmo um cão leproso, não se executaria nem mesmo o escorpião mais venenoso com fundamento nas provas que forjaram contra nós. Conceder-se-ia novo julgamento a um matricida e criminoso relapso, se apresentasse recurso como o que apresentamos para obter novo julgamento.

Lembra-te, Dante, lembra-te sempre disto; não somos criminosos; forjaram uma traça para condenar-nos; negaram-nos um novo julgamento; e se formos executados depois de sete anos, quatro meses e dezessete dias de indizíveis torturas e injustiças, será pelo que já te disse; porque éramos pelos pobres e contra a exploração e opressão do homem.
…………………………………………………………………………………………………………………………..
Dia virá em que compreenderás a causa atroz das palavras acima escritas, em toda a sua extensão. Então nos honrarás.
Sê sempre bom e corajoso. Dante. Abraço-te.

Bartolomeo Vanzetti

[RL]1º DE MAIO: DIA DE MEMÓRIA DA REBELDIA, LUTA E RESISTÊNCIA DAS/DOS TRABALHADORAS/TRABALHADORES!!!

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Os Mártires de Chicago – 1º de Maio é uma data simbólica para a luta!

No dia 1º de maio de 1886 – Chicago –, os principais centros industriais dos Estados Unidos foram paralisados. Os embates dessa época tiveram seu desfecho em um conflito envolvendo os trabalhadores e a polícia. No dia 4 de maio, o desenrolar desta contenda, foi a morte de sete agentes policiais ocasionadas pela explosão de uma bomba. A polícia, então, abriu fogo sobre a multidão de trabalhadores, matando vários e levando à prisão militantes do movimento, que foram acusados de serem os culpados pela explosão. O desfecho: trabalhadores foram condenados à morte em julgamentos vergonhosos que tinham como jurados patrões e pessoas diretamente ligadas a eles.

 

Em 2015, anos e lutas mais tarde! 129 anos do episódio dos Mártires de Chicago!

As condições vividas pelos trabalhadores daquela época não mudaram de maneira significativa. Continuamos a viver em uma sociedade com baixos salários, em que impera a pobreza e muitos passam por dificuldades em detrimento do luxo de poucos.

Os meios de comunicação controlados pela elite, junto com os que se venderam aos patrões, têm tornado o dia internacional do trabalhador mais um de seus “feriados oficiais”. Infringe, desse modo, uma violência simbólica que coloca em pauta uma data ao trabalho e não ao trabalhador; uma comemoração que não relembra a luta e sim um “culto ao trabalho”, com a pretensão de se passar por neutra e genérica, deixando de lado a dor e o sangue derramado nessas reivindicações.

Trazemos sempre em nossa memória essa data como dia de relembrar companheiras e companheiros que tombaram lutando por um ideal de libertação, rebeldia e foco na tática pela transformação estrutural da sociedade, que ainda não mudou da forma que tanto almejamos!

 

O ataque aos direitos dos trabalhadores!

Nesse momento, enfrentamos a ameaça de retirada de direitos conquistados com muito suor e sangue. Políticas neoliberais estão sendo aplicadas à conta gotas, aumentando a precarização do trabalho. Como exemplo, podemos citar aqui o projeto de lei que autoriza a ampliação da terceirização do trabalho (PL 4330).

Para nós trabalhadores, a terceirização significa um dos maiores retrocessos em anos! Além da precarização nas condições de trabalho, as empresas terceirizadas acabam retirando seu lucro dos salários dos trabalhadores que já ganham, em média, 20% a menos e, com a aprovação do projeto, essa redução será de 30% nos salários dos terceirizados; não tendo a possibilidade de reivindicação de direitos diretamente com o patrão, dificultando também a organização sindical; nossos direitos passam a correr riscos maiores. Em suma, com a terceirização ampla, o resultado será: aumento do desemprego, perda da estabilidade trabalhista, os trabalhadores poucos qualificados sofrerão mais ainda, haverá um significativo aumento da rotatividade dos trabalhadores.

Dentro desse bojo de assaltes aos direitos dos trabalhadores, também existem as medidas provisórias 664 e 665 – que reduzem e atacam direitos trabalhistas como: FGTS e Seguro Desemprego. Lembremos que esse ataque não é exclusividade de partido “X” ou “Y”. O governo do Partido dos Trabalhadores, que há muito traiu o povo, inaugurou essa nova fase de restrições aos direitos trabalhistas. Com isso, abriu caminho para partidos que historicamente estão alinhados com a elite, a exemplo do PMDB e do PSDB. O governo do PT concluiu o projeto iniciado no governo de Fernando Henrique Cardoso. Diga-se de passagem, nós trabalhadores devemos sempre lembrar que, na democracia dita representativa, os partidos acumulam para os partidos, e não para a luta do povo. Não há partido que represente a vontade dos trabalhadores, pois: Nenhuma de Nossas Urgências Cabe em Urnas!

A maioria dos sindicatos e suas centrais viraram departamentos do governo, com funções assistencialistas e recreativas. Em vez de greves e manifestações, os sindicatos se ocupam das maiores trivialidades. Os sindicatos, outrora combativos, dão lugar aos sindicatos pelegos, que defendem o interesse do governo e dos patrões ao invés das reivindicações dos trabalhadores.

Não tarda que algumas discussões voltem a ser pauta do dia, a exemplo: Previdência Complementar (baseado no PL 1.992/07), Fundações Públicas ou Privadas (baseado no PLP 92/07), Direito de greve (baseado no PL 4.497/01), Demissão por insuficiência de desempenho (baseado no PLP 248/98), entre outros. Com alvos claros, os que estão no poder – a serviço dos que exploram os trabalhadores – têm como objetivo enfraquecer a luta, impondo ao povo a ideia de conciliação de classe, valorização do trabalho (e não do trabalhador), subserviência e respeito à ordem opressora. Basta lembrar que a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), criada em 1943, foi baseada na Carta del Lavoro, legislação da Itália Fascista. Com muita luta, durante anos, temos tensionado para que as condições de trabalho tornem-se toleráveis porque longe estão de ser as ideais. O retrocesso que sofremos em direitos nos últimos anos não pode e não será tolerado!

É cada vez mais urgente nossa organização desde baixo! É cada vez mais urgente nosso enfrentamento nas greves, nas ocupações, nas ruas! Avançar em Novas Conquistas e Contra a Retirada dos Direitos já Conquistados!

Lutar de novo e sempre por nossos direitos! Ombro a ombro, com combatividade!

O caminho nos leva à memória de luta e rebeldia dos Mártires de Chicago!

Viva o 1° de Maio. Viva a luta dos trabalhadores!

[CAZP] BOLETIM CAZP

Retirado de: https://cazp.wordpress.com/2015/03/10/boletim-cazp/
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ESTADO, PATRIARCADO E OPRESSÕES: O FEMINISMO NA PERSPECTIVA SOCIALISTA LIBERTÁRIA

“O homem mais oprimido pode oprimir um ser, que é a sua mulher. Ela é a proletária do próprio proletário”.
(Flora Tristan, 1803-1844)

Na história do feminismo no mundo, muitos movimentos levantaram várias bandeiras contra a opressão da mulher. Contudo, apesar de muitos avanços, na atual sociedade capitalista ainda é muito vivida (e indispensável) a subordinação das mulheres para a manutenção do sistema, seja socialmente ou no núcleo familiar, uma vez que o exercício de tarefas domésticas e de criação dos filhos é condição primordial para o pleno exercício das atividades laborativas do trabalhador.

Nesse sentido, um feminismo de concepção anarquista coloca a luta contra a opressão feminina num outro patamar, pois compreende que existe uma teia de relações opressivas ao qual a mulher está submetida.  As mulheres trabalhadoras (portanto, a maioria das mulheres no mundo capitalista atual) sofrem dois tipos de opressão: uma transversal a todas as classes sociais como mulheres, e outra transversal a toda classe trabalhadora, portanto desprovida dos meios de produção. Destacamos também a dimensão étnico-racial que põem para as trabalhadoras negras o peso de uma opressão de múltiplas dimensões: econômicas, políticas e ideológicas-culturais.

Os partidos de esquerda frequentemente fazem o necessário “corte de classe” para distinguir as diferenças entre trabalhadoras e burguesas, porém, muitas vezes fazem “vista grossa” no tocante às disparidades entre as trabalhadoras e os trabalhadores. Isso decorre, geralmente, pelo fato da esquerda não trabalhar as questões de solidariedade interclasses e intragênero – consciente ou inconscientemente – que existe dentro do gênero masculino como forma de subordinar a mulher e manter seus privilégios perante esta.

Na perspectiva de enfrentamento ao Estado, percebe-se que este, na medida em que se apropria da ideia de exploração econômica dos trabalhadores, também toma como cerne de sua construção o patriarcado. O patriarcado é uma ideologia que, historicamente, perpassou por inúmeras sociedades já existentes. Trata-se de uma ideologia de múltiplas formas de dominação do homem sobre a mulher, sendo o homem considerado superior à mulher; uma organização social baseada no poder do pai, e a descendência e o parentesco seguem a linha masculina – o pai é a lei. O Estado se apropria dessa concepção na medida em que também determina e regula a vida em sociedade: o “Pai/ Deus” criador das leis que o permite usar da violência para manutenção da ordem vigente – tal ordem deve ser inquestionável e inquebrantável.

Desse modo, em sua lógica de dominação, a relação entre Estado e patriarcado, nos leva à perspectiva de que não podemos separar a luta contra a opressão de gênero da luta classista e a recíproca torna-se verdadeira quando compreendemos que a luta contra o Estado e o capital não pode ser desvencilhada da luta contra o patriarcado.

Há ainda uma tradição forte na esquerda em colocar o debate feminista, assim como os que envolvem relações étnico-raciais e sexualidade, como algo de menor importância, algo “a ser discutido depois” ou uma questão que é incorporada de maneira oportunista. É preciso avançar para uma concepção e prática que identifique e articule estruturalmente a luta feminista em conjunto com a luta contra o capitalismo e o Estado. O socialismo não é sexista e heteronormativo, ele deve ser integralmente libertário.

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QUEM É LUCY PARSONS? A MITOLOGIZAÇÃO E A RE-APROPRIAÇÃO DE UMA HEROÍNA RADICAL.

Casey Williams

Como uma anarquista radical, Lucy Parsons dedicou mais de sessenta anos de sua vida a lutar pela classe trabalhadora norte-americana e pobre.1 Uma oradora habilidosa e escritora apaixonada, Parsons desempenhou um papel importante na história do radicalismo norte-americano, especialmente no movimento operário da década de 1880, e permaneceu uma força ativa até sua morte em 1942. A única pergunta da qual ela nunca se desviou foi “como levantar a humanidade da pobreza e desespero?”.2 Com essa questão impulsionando o trabalho de sua vida, Parsons foi ativa em uma infinidade de organizações radicais, incluindo o Socialist Labor Party (Partido Socialista Trabalhista), a International Working People’s Association (Associação Internacional das Pessoas Trabalhadoras) e a Industrial Workers of the World(Trabalhadores Industriais do Mundo). Paralelamente com seu longo envolvimento no movimento trabalhista norte-americano, estava sua solida visão de uma sociedade anarquista, filosofia que era a base de sua crítica às instituições econômicas e políticas opressivas dos Estados Unidos da América.

Sua oposição ao capitalismo e ao autoritarismo estatal foi solidificada em 1887, quando seu marido, Albert Parsons, foi executado injustamente.3 Após a bomba e as execuções de 1886, na manifestação de Haymarket, Parsons dedicou os próximos cinquenta anos de sua vida aos desempregados e à classe trabalhadora norte-americana. De fato, o poder do caso Haymarket na formação da vida adulta de Parsons não pode ser subestimado. Os acontecimentos de 1886 e 1887 fixam uma animosidade inflexível entre Parsons e o Departamento de Polícia de Chicago. Durante a vida de Parsons, a polícia a perseguiu, suprimindo sistematicamente seu direito à liberdade de expressão, prendendo-a várias vezes sem justificação. Ao longo da vida, Parsons se esforçou ativamente para construir uma identidade de classe comum entre todos os trabalhadores norte-americanos.69Muito antes do episódio da bomba de Haymarket, Parsons pediu às “massas para aprender que” os seus interesses estariam sempre em oposição à classe dominante.

O legado de Parsons também foi transformado em história de uma heroína feminista. Especialmente nas arenas de memória pública, Parsons é rotineiramente chamada de feminista. Ao longo de sua vida, ela abordou muitas questões que as mulheres enfrentam. Ela se enfureceu contra as práticas corrosivas que pressionavam as mulheres para absorver empregos domésticos e incentivou as mulheres a abraçar o controle da natalidade. Como uma mãe trabalhadora, Parsons acreditava que falava em nome de todas as mulheres que trabalhavam quando participou da fundação do IWW. No entanto, seus esforços em nome das mulheres sempre fizeram parte de sua dedicação à luta de classes. Seu interesse pela libertação feminina manteve-se focado em questões que lhe foram mais diretamente ligadas ao trabalho e ao capitalismo.

A história Lucy Parsons é mais ampla e mais complexa do que sua condensação em uma biografia ou do que um pequeno livro de fontes documentais pode capturar. Estudos sobre Parsons e o radicalismo em geral, não podem ser considerados finais – como ela mesma salientou:

“Nada é considerado tão verdadeiro ou tão certo, que as descobertas futuras não possam prová-lo falso”.

Tradução: Rusga Libertária

Adaptação: CAZP

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