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[CAB] Nota da CAB sobre a Intervenção Federal e Militar no Rio de Janeiro

Na última sexta-feira (16) o governo de Michel Temer (MDB) lançou um decreto que colocou a área da segurança pública do Estado do RJ sob o comando do exército brasileiro na figura de seu general Walter Braga Neto. Uma intervenção federal apresentada como solução ao que as elites dominantes chamam de “crise” na segurança pública e que deve ser entendida como um desdobramento do governo de choque já aplicado ao estado.

Não é a primeira vez que o exército atua no RJ. As intervenções militares em comunidades e favelas cariocas são uma realidade. Contudo, a novidade está na centralização de comando de toda a segurança pública nas mãos de um comando militar. Se o expediente militar no controle social e na repressão dos oprimidos foi utilizado inclusive nos governos petistas, um novo passo foi dado.

Com isso o Estado desvia a atenção da população da discussão da reforma da previdência para a questão da segurança pública, e com a criação do Ministério de Segurança Pública, talvez obter maior apoio de setores reacionários da sociedade que urgem pela intervenção militar. Não será com tanques e soldados militares atuando como polícia que um problema  de ordem estrutural do sistema capitalista vai ser resolvido, pelo contrário, isso tende somente a agravar a situação da (in)segurança pública no RJ e manter as comunidades cariocas, onde está o povo preto e pobre, mais que nunca, militarizadas e controladas pelo Estado.

Mas esse passo aprofundará o caos social que vem junto às desigualdades sociais criadas pelo sistema de dominação capitalista. Sistema que na atual etapa exige a retirada de direitos, o colapso dos serviços públicos e sua privatização e que oferece como contrapartida botas, fuzis e capacetes. No curto prazo, este sistema quer fazer passar a todo custo a reforma da previdência que na prática acaba com a aposentadoria dos e das trabalhadoras.

Em síntese, ao lado das políticas de ajuste fiscal e de retirada de direitos, desde os governos petistas com a Lei Anti Drogas, Lei das Organizações Criminosas e por final a Lei Anti Terrorismo, vemos a escalada de um Estado Policial que intensifica a faceta repressiva do sistema contra a população negra, contra a pobreza e contra as lutas sociais sob a desculpa de guerra às drogas e ao crime.

Nós da Coordenação Anarquista Brasileira repudiamos a intervenção federal no RJ e dizemos:

Nem Exército, Nem Reforma!

[FAG] O golpe em curso se chama “Ajuste Fiscal”

Retirado de:                                             https://www.facebook.com/FederacaoAnarquistaGaucha/posts/1057692934242264:0

Passe o que passe no andar de cima, a faca do ajuste nunca deixa de cortar na carne dos trabalhadores e setores populares. A recessão do país castiga, como sempre, as classes oprimidas. Corta direitos, salários e empregos e levam os serviços públicos à falência. Autoriza o saque do capitalismo de mercado sobre os bens púbicos e comuns, sobre a riqueza criada pelas sucessivas gerações de trabalhadores. “Administra” a pobreza pelos mecanismos criminais da justiça-polícia-prisão. Cria o sujeito indesejável, que perturba a segurança da ordem, o discurso punitivo que encarna o sentido comum do dia-a-dia e acomoda a banalização de uma guerra repressiva e genocida sobre negros e pobres, especialmente a juventude. Qualifica o bom e o mau protesto.

A briga desatada no palco do poder político passa longe do ajuste econômico e o Estado Penal. Em todos os cenários que podemos imaginar o sistema dominante trata de defender as medidas e as práticas de governo que empurram mais austeridade. Os trabalhadores brasileiros já estão pagando com o sacrifício dos sonhos e esperanças de dias melhores a farra financeira e criminal do capitalismo global. O fantasma das políticas miseráveis que castigam o povo grego, com desemprego em massa, arrocho salarial, perda de aposentadorias e demais direitos é um exemplo bem fresco.

Recessão e ajuste. O pacto social foi pro ralo.

O modelo que fez os ricos mais ricos e deu uma beirada de consumo, crédito e programas sociais para integrar os setores populares ao mercado já não tem mais vez. Só a indústria automotiva já demitiu 39 mil operários no primeiro semestre. A construção civil prevê 480 mil cortes de postos de trabalho durante o ano. O endividamento popular cresce e aperta o orçamento das famílias. A inflação criada pela subida dos preços administrados pelo Estado amplia a carestia de vida e corrói os salários. Não para por ai. O governo de Dilma e do PT condenou a juventude trabalhadora ao mexer nas regras do seguro-desemprego, esticando o tempo de trabalho para 18 meses. As burocracias sindicais arriaram uma bandeira histórica do movimento operário concertando com a indústria e o governo o programa de redução de jornada com redução salarial, o Pograma de Proteção ao Emprego (PPE), um plano de socorro dos patrões. Por sua vez, o lucro dos banqueiros tem recordes históricos às custas de uma dívida pública infame que arrocha investimentos na saúde, educação, moradia, etc.

No nível dos Estados e municípios a situação também é calamitosa. O achaque feroz da dívida pública, a sonegação e as insenções fiscais da patronal amordaçam o orçamento e os governos como no RS e em GO atacam o funcionalismo com congelamento e parcelamento de salários, corte de verbas sociais e planos de privatizações, concessões e extinção de órgãos e serviços públicos.

O pacto social que prometeu pela mão do desenvolvimento capitalista uma margem de melhorias sociais que chegassem na vida dos mais pobres fracassou. Com ele toda a narrativa triunfalista do crescimento que fez imaginário de uma pretensa prosperidade social fundada no sonho do consumo, no indivíduo flexível e “competitivo” ao gosto do mercado, na moral compensativa do trabalho precário e estafante, na privação dos espaços públicos e dos bens comuns em benefício de interesses especulativos. Quando as estruturas do poder e a riqueza ajustam o jogo todos sabemos onde é que a corda arrebenta.

A política como gestão dos controles do sistema.

De todos os lados a pressão ajoelha o governo do PT e o andar de cima cobra caro pela sobrevida. A rejeição cresce de pesquisa em pesquisa. A direita opositora se reagrupa pelo alinhamento de Eduardo Cunha com o PSDB, o DEM e os partidos que pulam do barco furado do governismo. Aparecem manobras judiciais pelo TCU e o TSE para criar uma situação política favorável ao impeachment ou empurrar a renúncia da presidente Dilma. Buscando jogar água nesse moinho, no último dia 16 de agosto mais uma vez o “antipetismo” foi às ruas por convocação de grupos liberais, conservadores e ultra-reacionários, ao que o governismo pretende contestar com a convocatória do dia 20 de agosto.

A operação Lava Jato, entre outros sentidos, tem reforçado a noção de uma solução judicial-repressiva para a crise. Juízes, promotores e agentes federais caídos nas graças da imprensa burguesa e das ruas. Políticos e altos burocratas do Estado e dos partidos na parede. Em menor medida, empresários graúdos figurando nos processos. Sem dúvidas ganha certa evidência um modus operanti que faz conexões entre as instituições políticas e o mundo corporativo empresarial. Mas há em tudo isso uma idéia sedutora, que faz vetor pro conservadorismo, de que a faxina deve ser feita pelos mesmos aparelhos de poder que punem implacavelmente a pobreza com as grades e o extermínio.

Em todos os casos, o sistema sempre reserva para si, bem longe dos mecanismos de participação popular, o direito de cortar cabeças seletivamente para não entregar o ouro. As redes de corrupção, sonegação e impunidade dos poderes políticos, econômicos e midiáticos são parte da estrutura, moeda corrente da representação burguesa. O que interessa ao andar de cima é deixar a política sempre no domínio privilegiado do parlamento, da justiça burguesa e/ou órgãos auxiliares. Normatizar os de baixo, quando muito, como eleitores.

Agenda de Renan e Levy. A ordem é arrumar uma saída pelo andar de cima.

A mão avarenta e fisiologista do PMDB, por conchavo das velhas raposas, segura, sabe-se lá por quanto tempo, o governismo na beira do precipício. Tudo tem seu preço. A arte de governar o país antes de tudo é a gestão estável dos interesses dos poderosos. As organizações patronais FIESP e FIRJAN além do Bradesco passaram o recado que querem, dentre todas as tramas para sair da crise política, um cenário que não toque no ajuste fiscal e na sua ofensiva sobre os direitos dos trabalhadores. Os editoriais de O Globo e Zero Hora assinam embaixo. Sangrar o governo Dilma e ajoelhar o PT até beijar os pés de quem pode mais agrada os senhores que não pretendem deixar o problema para a imprevisibilidade das ruas.

Nessa perspectiva, a Agenda Brasil anunciada na última semana é um pacote ao gosto das classes dominantes. Obra de um arranjo conservador do governo, tribunais e o senado, onde brilham Renan Calheiros, o PMDB e a política da tesoura do ministro Joaquim Levy. Consumação de uma virada governista ainda mais à direita, que reza missa pra aquelas imagens e lembranças da infame década de 1990 evocadas na campanha eleitoral de 2014. Chantagem barata que recrutava “voto crítico” no “menos pior”.

A saída que vem de cima faz agenda pelo ajuste e corta mais fundo. Com terceirizações e precarização do trabalho, ataque ao sistema gratuito e universal da saúde pública, desvio de receitas para o sistema da dívida. O atropelo de territórios indígenas, quilombolas, bens naturais e normas ambientais para a exploração brutal das mineradoras, construtoras e o agronegócio.

Para consagrar, tramita no congresso por ação do governo o projeto da Lei Antiterrorista. Endurecimento jurídico-represssivo sobre as rebeldias que não são canalizadas pela ordem. Punição dos militantes e das lutas que criam resistência e escapam dos controles burocráticos do Estado.

Luta sem governo, patrões e pelegos. Organizar a resistência dos de baixo

Dos últimos 05 anos emerge uma nova onda de lutas que marcam o caminho por onde é preciso avançar para que os oprimidos construam, por sua própria força, uma saída do cenário de ataques que se agravam. Ocupações por direito a moradia, greves radicalizadas pela base que se voltam contra as direções burocráticas, governistas e patronais dos sindicatos, lutas da juventude por educação e transporte coletivo de qualidade, resistência combativa de indígenas e quilombolas.

A violenta ofensiva da patronal e dos governos contra os de baixo exige a construção de uma alternativa que se gesta nos locais de trabalho, estudo e moradia, que crie resistência e acumule forças para derrubar o andar de cima. Urge a necessidade de superar definitivamente a derrota trágica e inapelável de uma formação política nascida diretamente das organizações operárias e populares que dirigiu uma estratégia obstinada a chegar à presidência, custe o que custar; que afirmou premissas teórico-ideológicas que formaram o credo de toda uma geração da esquerda brasileira e que ainda hoje forma paisagem, inclusive, para setores da burocracia radicalizada que se opõe aos governos do PT por esquerda. Chegar ao “poder” pela via eleitoral, simplificar esse problema pela direção dos aparelhos estatais e atribuir ao Estado o caráter de uma máquina que funciona ao gosto de seus pilotos de turno, que não está penetrado por relações sociais de poder e dominação, mecanismos internos de reprodução de dinâmicas burocráticas e oligárquicas. Uma concepção viciada que se manifesta nos mais diversos conflitos em curso, em métodos que fazem das lutas uma mera força de pressão que visa “persuadir” um possível eleitorado por via de discursos, palavras de ordem e da promoção de lideranças carismáticas ao passo que marginaliza o protagonismo e a organização de base.

A saída para a situação que vem se colocando aos trabalhadores não é uma saída pela eleição de novas direções mas, fundamentalmente, pela organização de base e ação direta popular. Processo que não é uniforme, requer paciência, firmeza, ação metódica, trabalho de base, por vezes silencioso. Distante do barulho que grita uma “alternativa” política que se relaciona com a promoção de lideranças “caudilhistas” que pretendem se alçar como intermediários, fiadores do protesto popular. O lastro ideológico bastardo do petismo é vasto e faz com que ainda se tenha preferência, por exemplo, em atos com carros de som ou os reiterados “encontros” formais onde futuros presidenciáveis possam se manifestar, onde correntes se “cheiram”, procuram “enquadrar” aquelas que julgam “centristas”, fazem chamados e exigências umas as outras, tiram fotos e retornam às suas casas a um piquete ou bloqueio que tranque os serviços, a produção ou a circulação em áreas estratégicas, que ocupe espaços públicos ou privados. O protagonismo do partido na promoção da figura de seu dirigente ainda se sobrepõem ao protagonismo coletivo da classe, na avaliação, nos riscos assumidos, nas vitórias e derrotas.

A superação do legado reformista, social-democrata, que deixou o PT na esquerda ainda requer muito empenho, inserção social e luta política e ideológica a ser travada, fundamentalmente desde as mobilizações em curso. Um período de ofensiva dos de cima e resistência dos baixo requer, antes de mais nada, fortalecer a organização e o protagonismo de base em cada local de trabalho, estudo e moradia que estamos vinculados, acionando a mais ampla solidariedade de classe às lutas em curso, para que os de baixo se afirmem enquanto os verdadeiros protagonistas da construção de uma saída que barre o ajuste e acumule forças para a construção de uma nova sociedade, socialista e libertária.

Porto Alegre, 19 de Agosto de 2015
Federação Anarquista Gaúcha (FAG), Organização integrada à Coordenação Anarquista Brasileira (CAB).

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Nota de Solidariedade à Ocupação da Reitoria da UEL

O dia 23 de Junho foi um dia histórico para o movimento estudantil de Londrina. Os estudantes da UEL (Universidade Estadual de Londrina) deliberaram pela continuidade da greve estudantil e ocuparam a Reitoria exigindo negociação com o Governo do Estado e Reitoria.

A Universidade Estadual de Londrina, assim como toda educação do Paraná, está sofrendo um intenso processo de precarização e sucateamento. Faltam professores e servidores, faltam políticas de acesso, assistência e permanência estudantil.

Em suas pautas, os estudantes exigem a não retaliação, perseguição e criminalização dos lutadores e lutadoras da UEL. Nunca esqueceremos que os estudantes da UEL já foram criminalizados durante a luta contra o PL da previdência. Depois do Massacre do dia 29 de Abril o até então Secretário de Segurança do Paraná procurou bodes expiatórios no movimento de luta e 4 estudantes da UEL foram detidos.

Veja em: https://anarquismopr.org/2015/05/09/nota-de-repudio-a-criminalizacao-do-coletivo-quebrando-muros-estudantes-da-uel-e-antifa-16/

O movimento luta pela nomeação imediata dos servidores e docentes concursados; pela contratação imediata do corpo de servidores necessários para o funcionamento do Restaurante Universitário (RU); almoço e jantar nos finais de semana e medidas de assistência estudantil até que as obras do RU sejam finalizadas.

Exigem a ampliação e o reajuste das bolsas permanências; a ampliação do Centro Estadual de Educação Infantil (CEEI) para que assim os filhos e filhas de pais e mães estudantes, servidores e professores possam estudar e a conclusão das obras da Clínica Odontológica da UEL, que servirá como campo de estágio e atendimento à comunidade.

Outra pauta do movimento é que seja feito o repasse integral da verba custeio da Universidade. O repasse deveria ser de R$ 34 milhões, que serviriam para custos como água, luz, limpeza e bolsa auxílio, mas foi suspenso pelo Governo do Estado desde o início do ano. Os estudantes da UEL exigem que o financiamento das universidades públicas seja feito com dinheiro público.

Sabemos que a tática do neoliberalismo é primeiro precarizar e sucatear os serviços públicos para depois apresentar como “única” saída a privatização. Mas entendemos que a única saída possível é a resistência e organização dos de baixo, que bravamente lutam contra a exploração e dominação da classe oprimida. Os estudantes da UEL estão dando exemplo de garra e o Coletivo Anarquista Luta de Classe oferece todo apoio à sua mobilização.

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Protesto não é crime!

Viva a ação direta dos e das estudantes!

A resistência é a vida, A submissão é a morte!

A nossa luta é todo dia, educação não é mercadoria!

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Nota de Solidariedade à Ocupação da Reitoria da UEL

O dia 23 de Junho foi um dia histórico para o movimento estudantil de Londrina. Os estudantes da UEL (Universidade Estadual de Londrina) deliberaram pela continuidade da greve estudantil e ocuparam a Reitoria exigindo negociação com o Governo do Estado e Reitoria.

A Universidade Estadual de Londrina, assim como toda educação do Paraná, está sofrendo um intenso processo de precarização e sucateamento. Faltam professores e servidores, faltam políticas de acesso, assistência e permanência estudantil.

Em suas pautas, os estudantes exigem a não retaliação, perseguição e criminalização dos lutadores e lutadoras da UEL. Nunca esqueceremos que os estudantes da UEL já foram criminalizados durante a luta contra o PL da previdência. Depois do Massacre do dia 29 de Abril o até então Secretário de Segurança do Paraná procurou bodes expiatórios no movimento de luta e 4 estudantes da UEL foram detidos.

Veja em: https://anarquismopr.org/2015/05/09/nota-de-repudio-a-criminalizacao-do-coletivo-quebrando-muros-estudantes-da-uel-e-antifa-16/

O movimento luta pela nomeação imediata dos servidores e docentes concursados; pela contratação imediata do corpo de servidores necessários para o funcionamento do Restaurante Universitário (RU); almoço e jantar nos finais de semana e medidas de assistência estudantil até que as obras do RU sejam finalizadas.

Exigem a ampliação e o reajuste das bolsas permanências; a ampliação do Centro Estadual de Educação Infantil (CEEI) para que assim os filhos e filhas de pais e mães estudantes, servidores e professores possam estudar e a conclusão das obras da Clínica Odontológica da UEL, que servirá como campo de estágio e atendimento à comunidade.

Outra pauta do movimento é que seja feito o repasse integral da verba custeio da Universidade. O repasse deveria ser de R$ 34 milhões, que serviriam para custos como água, luz, limpeza e bolsa auxílio, mas foi suspenso pelo Governo do Estado desde o início do ano. Os estudantes da UEL exigem que o financiamento das universidades públicas seja feito com dinheiro público.

Sabemos que a tática do neoliberalismo é primeiro precarizar e sucatear os serviços públicos para depois apresentar como “única” saída a privatização. Mas entendemos que a única saída possível é a resistência e organização dos de baixo, que bravamente lutam contra a exploração e dominação da classe oprimida. Os estudantes da UEL estão dando exemplo de garra e o Coletivo Anarquista Luta de Classe oferece todo apoio à sua mobilização.

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Protesto não é crime!

Viva a ação direta dos e das estudantes!

A resistência é a vida, A submissão é a morte!

A nossa luta é todo dia, educação não é mercadoria!

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OPINIÃO ANARQUISTA: 2014 é ano de luta! Rumo à conquista de direitos!

Novo Opinião Anarquista do Coletivo Anarquista Luta de Classe sobre este momento histórico no Brasil:

Opinião Anarquista 06 - 01

Opinião Anarquista 06 - 02

Baixe em PDF: Opinião Anarquista 06

2014 é ano de luta! Rumo à conquista de direitos!

 

Copa para os ricos, miséria para o povo.

Com o maior evento realizado no Brasil nos últimos tempos vieram também milhares de famílias sendo despejadas de suas residências; trabalhadores acidentados e mortos na construção dos estádios da Copa; pessoas pobres, moradores de rua, usuários de drogas, prostitutas e travestis sendo retiradas à força dos centros das grandes cidades para dar aspecto de “limpeza e riqueza” para turista ver; ao mesmo tempo em que aumenta o tráfico de mulheres e exploração sexual de crianças no país. Se não bastasse, cresce enormemente a repressão policial e a criminalização dos movimentos sociais que saem às ruas para lutar por seus direitos.

Durante os preparativos para a Copa do Mundo no Brasil mais de 250 mil pessoas foram removidas à força de suas residências. Além da truculência utilizada para as remoções, as famílias despejadas se quer receberam as indenizações devidas. Por outro lado, os grandes empresários do ramo imobiliário e da construção civil lucraram milhões de reais sobre os terrenos onde antes havia comunidades.

Outro dado que chama atenção é o número de operários que morreram trabalhando na construção dos estádios da Copa: foram 9 trabalhadores! Trabalhadores que morreram por acidentes, quedas e descarga elétrica; vítimas da negligência e do desrespeito das empreiteiras e do Estado, que valoriza o lucro extraído do grande evento, em detrimento da condição de vida e de trabalho do povo.

A higienização social nos grandes centros urbanos, cidades turísticas e cidades que sediarão os jogos do mundial também choca. O Estado, de maneira brutal, retira com violência os moradores de rua, os usuários de droga e impedem que prostitutas e travestis continuem trabalhando nas ruas centrais das cidades para esconder as mazelas sociais brasileiras. Maquiar não é resolver!

Em todos os países que sediaram a Copa, há um exorbitante aumento no tráfico de mulheres, crianças e adolescentes principalmente para a exploração sexual. No Brasil isso não está sendo diferente e as principais vítimas são mulheres negras, jovens, com baixa escolaridade, moradoras da periferia que são enganadas com a promessa de melhoria de vida. Enquanto isso, o Estado não tem políticas públicas que se destinam a combater o turismo sexual e a exploração dessas mulheres.

Por outro lado a FIFA lucra mais de 10 bilhões de reais com a Copa no Brasil. Ao mesmo tempo, trabalhadores ambulantes e artistas independentes são impedidos de trabalhar no entorno dos estádios. Legado para o povo?! O povo não tem saúde, não tem educação, não tem transporte público de qualidade. Os trabalhadores não têm sequer dinheiro para comprar o ingresso e assistir aos jogos nos estádios.

Lucro e privilégio para os opressores e falta de condições para os oprimidos

Os serviços públicos estão cada vez mais sucateados e dando lugar à iniciativa privada. Hospitais sendo vendidos, escolas públicas fechadas por falta de condições, tarifas dos transportes coletivos sendo aumentadas todos os anos sem que o serviço melhore de qualidade, falta de concursos públicos; esses são alguns dos problemas que o povo vem sofrendo na pele diariamente.

O Governo PT, atrelado aos interesses dos convênios de saúde e da indústria farmacêutica, tem deixado que o SUS esteja cada vez mais precário. Podemos perceber isso quando comparamos o número de leitos do SUS e do sistema privado de saúde nos últimos anos. De 2010 até 2013 o SUS perdeu 12,7 mil leitos e a rede privada ganhou 13,4 mil. Por outro lado, cerca de 90% da população brasileira depende dos serviços do SUS, ou seja, está claro que quem tem acesso a saúde privada não é a maior parte da população.

A educação pública é outro serviço fundamental que vai de mal a pior. Atualmente o que se vê é uma grande expansão do ensino privado, ensino esse que não ensina o estudante a pensar e questionar a realidade, mas apenas a reproduzir o conhecimento. De 2000 até 2010 mais de 25 mil escolas públicas foram fechadas! Ao mesmo tempo em que a população em idade escolar aumentou consideravelmente. Para satisfazer essa demanda seriam necessárias mais de 20 mil novas escolas.

Na educação superior vemos a expansão das universidades privadas com incentivo do Estado através de programas como o PROUNI e FIES. No entanto, sabemos que as faculdades privadas, em sua maioria, não oferecem ensino, pesquisa e extensão de qualidade, mas apenas um ensino técnico destinado ao mercado de trabalho. O lucro dessas universidades cresceu entre 2011 e 2013, de R$ 24,7 bilhões para R$ 32 bilhões. Cada vez mais lucro para os donos das universidades particulares e menos condições de ensino para os estudantes nas instituições públicas.

Moradia digna é outro direito essencial que, no entanto, está bem longe de ser garantido. Em 2010, mais de 2,7 milhões de pessoas não tinham acesso à energia elétrica. Em 2013, mais de 100 milhões de brasileiros não tinham acesso à coleta de esgoto e em 2014, 40 milhões não têm acesso à água tratada, o que acarreta milhares de mortes causadas por doenças todos os anos.

Saúde, educação e moradia são só alguns dos inúmeros serviços e direitos que o povo precisa e que deveriam ser garantidos. E mesmo com a chegada de um “governo dos trabalhadores” ao poder esses estão bem longe do ideal, porque não importa o governo, o Estado existe para cumprir um importante papel de dominação de uma classe sobre outra. Por isso, nós, a classe oprimida, precisamos lutar com nossas próprias mãos para conquistar o que queremos!

 O que queremos?

É fato que muitas injustiças já foram cometidas durante a construção da Copa do Mundo 2014, entretanto devemos lutar para reverter, pelo menos em parte, esse legado perverso que será deixado e avançar na luta e organização da classe trabalhadora.

Pelo direito de organização e manifestação! Contra a criminalização dos movimentos sociais! Protesto não é crime!

Pelo fim imediato dos despejos forçados! Pelo direito à moradia!

Pelo fim do processo de higienização social! Pelo direito de ir, vir e permanecer nos espaços públicos! Por albergues dignos!

Pelo direito ao trabalho dos ambulantes, feirantes e artesãos!

Contra a exploração sexual e o tráfico de pessoas!

Por Serviços Públicos de qualidade! Da Copa eu abro mão, eu quero saúde, transporte e educação!

Exigimos pensão vitalícia às famílias dos operários mortos e incapacitados por acidentes de trabalho nas obras da Copa!

 Organização para a luta

Vivemos uma nova etapa da luta de classes no Brasil. Desde as revoltas populares em junho e julho de 2013 uma antiga forma de luta voltou a ter destaque nos movimentos sociais: a ação direta. A luta dos oprimidos feita por suas próprias mãos em resistência à dominação e na exigência de direitos é hoje um método que as organizações populares utilizam e que vem trazendo conquistas.

Cada vez mais a via eleitoral está perdendo espaço, uma vez que o povo está perdendo a esperança de que seus supostos “representantes” podem, de fato, fazer seus direitos avançarem e a desigualdade social diminuir. No lugar disso aparecem as lutas dos trabalhadores, estudantes, moradores da periferia, camponeses, que se organizam de maneira autônoma, em movimentos combativos que forjam seus próprios caminhos de forma coletiva e verdadeiramente democrática.

O descrédito com as eleições burguesas acontece devido à desilusão da classe dos oprimidos com a chegada do PT à presidência. Esse governo que se dizia dos trabalhadores não rompeu com a classe dominante, exploradora e opressora, mas pelo contrário, fez um pacto com essa classe!

Os serviços públicos, as condições de trabalho, ensino e moradia não avançaram com a eleição daqueles que se fizeram passar por “representantes do povo”, mas estão avançando com a ação direta dos oprimidos! A tarifa de transporte público baixou em Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Joinville, Belo Horizonte, Porto Alegre, Manaus e outras várias cidades em 2013. Greves vitoriosas de rodoviários em Porto Alegre e São Paulo e dos Garis no Rio de Janeiro em 2014. Inúmeras ocupações urbanas resistem e têm suas áreas regularizadas a partir de manifestações de rua e muita organização em várias cidades como Curitiba, São Paulo, Florianópolis e Belo Horizonte!

Acreditamos que só com a organização da nossa classe em cada local de moradia, estudo e trabalho, a partir de movimentos sociais combativos, horizontais e classistas que vamos conseguir criar o poder popular!   É com organização, ação direta e democracia de base que vamos resistir e avançar! Seja no grêmio da escola, no centro acadêmico da universidade, no sindicato da categoria, no movimento de bairro ou do campo vamos nos organizar para construirmos uma sociedade que seja igualitária, justa e livre!

Ação Direta é a arma que nós temos para fazer justiça para viver!

Lutar! Criar Poder Popular!