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[CAB] Do luto a luta: Viva o 1° de Maio, dia de luta das trabalhadoras e trabalhadores!

Não é de hoje que Anarquistas se deparam com a encruzilhada que faz atravessar duas expressões que simbolizam – inclusive nas cores de nossa bandeira – a corrente Libertária do Socialismo: A Luta e o luto!

Na data de 1º de maio essas expressões ganham significado materializado nas lutas por direitos e no luto por aqueles que se tornaram os “Mártires de Chicago”. Nunca é demais fazer memória àqueles que entregaram suas vidas para uma luta que representava muito mais que “às 8 horas de trabalho diário”… Aquela era uma luta que carregava os anseios de socialismo e liberdade de toda uma classe, composta por mulheres e homens, das quais somos herdeiros e herdeiras. Esse é um fato que, muito antes de qualquer distinção, nos convoca a compromissos e responsabilidades que não podemos nos furtar.

Vivemos um momento de grandes e graves ataques dirigidos pelas elites econômica/empresarial, judiciária e militar à nossa classe, as e aos oprimidos, as trabalhadoras e aos trabalhadores. Ataques materializados nos cortes de direitos sociais, na destruição dos serviços públicos, no cerceamento de liberdades públicas, no aumento do custo de vida e, sobretudo, através do recrudescimento da repressão sobre toda e qualquer forma de oposição e resistência, seja sobre movimentos sociais ou, direcionada diretamente a lutadores e lutadoras do povo. Convencionamos que neste momento estamos atravessando um “Estado Policial de Ajuste” fortemente marcado pela ação reacionária do judiciário e seus aparatos! Um Estado-policial que caminha junto a ação paramilitar e reacionária no campo e na cidade, materializado no assassinato de militantes de movimentos populares rurais, defensores de direitos humanos (como Marielle) e lideranças camponesas, quilombolas e comunitárias.

Sofremos igualmente o ataque voraz do capital-imperialismo estadunidense e sua ação de pilhagem que se intensificou particularmente no último período em toda a região latino-americana.  Assim como, observamos os ensaios de controle militar dos de baixo, promovidos pelo exército brasileiro e sua intervenção militar-federal no Rio de Janeiro, que desde o seu início colocava-se como um “laboratório” que poderia se estender a outros estados do país.

Além das reformas trabalhista e previdenciária, enfrentamos um cenário de precarização sem precedentes nas relações e nas condições de trabalho, viabilizadas pelas medidas de terceirização e flexibilização dos contratos de trabalho. A grande maioria dessas trabalhadoras e trabalhadores terceirizados enfrenta uma realidade cruel de jornadas de trabalho estafantes, de ausência de equipamentos de proteção individual para evitar acidentes de trabalho e de salários extremamente baixos e muitas vezes pagos de forma parcelada, quando não atrasados por meses.

Tem direitos como férias e 13º salário relativizado e muitas vezes não pagos. Enfrentam subcontratações de empresas fantasmas e de “sindicatos caça-níqueis” que muitas vezes são geridos pelas mesmas contratantes.

Tudo isso conforma um cenário que dificulta sua organização enquanto trabalhadores e trabalhadoras e, por sua vez, praticamente inviabiliza mobilizações que possam confrontar essa situação. Em nossa opinião, a esperança liberal e republicana na democracia burguesa e em seu circuito viciado eleitoral não deve pautar a luta dos/as de baixo. Os palanques eleitorais não são instrumentos de mobilização nem de acúmulo de força social contra a reação dos projetos autoritários. Acreditamos que é apenas fortalecendo um polo de resistência que envolva o conjunto dos movimentos popular e sindical, que conseguiremos, nas bases e nas ruas, derrotar o avanço reacionário e os ataques aos nossos direitos.

A luta e a resistência a essa realidade de destruição de direitos e de precarização das relações de trabalho passa pelos Sindicatos, instrumentos históricos de organização da nossa classe, pelos movimentos camponeses e comunitários. Participar e disputar os espaços de organização sindical e popular para que voltem a estar a serviço dos e das trabalhadoras/es é um dever que nós, enquanto Anarquistas Organizados, não renunciamos!

Apesar do diagnóstico de que os sindicatos estão, em sua maioria, tutelados pelos interesses escusos de partidos eleitorais que se manifestam no modo de agir das grandes centrais sindicais, que mais dificultam e freiam os processos de luta do que os favorecem, defendemos que esses espaços são fundamentais e não podem ser abandonados.

Muitos apontam, então que o problema do sindicalismo seria de “direção”. Mas essa leitura não atinge uma questão central que é o fomento de uma Cultura de Participação Política. Quando falamos de cultura estamos falando de hábitos e costumes, crenças e valores. Das práticas e do universo simbólico que dá significado a essas práticas. De algo que precisa ser fomentado e experienciado, não desmobilizado ou travado como tem ocorrido recorrentemente. Podemos então falar de uma Cultura Política de Participação sindical. A questão central é que a cultura sindical que foi mobilizada durante muitos anos afasta a participação direta (ação direta) em detrimento da “eleição de dirigentes salvadores”, ou até mesmo de filiação a grandes “centrais sindicais” que supostamente teriam a “experiência necessária” para “conduzir e representar” os interesses dos e das trabalhadoras.

Portanto, a maneira mais lúcida de enfrentar a grave situação de retrocessos que vivemos passa pela construção cotidiana dessa Cultura de Participação Política desde os locais onde estamos inseridos que no caso dos e das trabalhadoras e trabalhadores, começa no local de trabalho e ganha expressão de classe no Sindicato. Em um cenário que aponta para o recrudescimento repressivo especialmente sobre a parcela “de baixo” da população, é fundamental retomar valores que estavam presentes naquele 1º de maio de 1886!

A luta e a resistência ao “Estado Policial de Ajuste” passam pelo reconhecimento, valorização e incorporação das experiências da classe trabalhadora tanto do passado quanto do presente. Nesse 1º de maio também é fundamental trazer para as lutas do presente o referencial das Organizações Operárias brasileiras do inicio do século XX, simbolizadas pelo sindicalismo de intenção revolucionária, na histórica Greve Geral de 1917 e pela insurreição geral com forte participação anarquista de 1918 que este ano completa 100 anos. Entre muitos exemplos exitosos, é fundamental reconhecer e aprender com as experiências recentes das greves de operários da construção, da educação, dos transportes, de municipários e municipárias de diferentes localidades do país. Fundamental reconhecer os recentes conflitos e greves envolvendo os setores de serviços onde há grande concentração de trabalhadores e trabalhadoras terceirizadas.

Nesse 1º de Maio saudamos e fazemos memória às experiências históricas de ontem e de hoje! Erguemos nossa voz para afirmar que é somente através da LUTA que garantiremos a manutenção e ampliação de direitos e liberdades que são fruto de anos de Luta e de Luto do conjunto dos e das trabalhadoras e trabalhadores!

1º de Maio é LUTA!

Contra o ajuste e a repressão!

Abaixo o Estado Policial de Ajuste!

Viva à memória dos Mártires de Chicago!

Viva à LUTA das trabalhadoras e dos trabalhadores!

BARRAR AS REFORMAS NAS RUAS E CONSTRUIR PODER POPULAR!

[MATINHOS] Centenário da Greve Geral de 1917 – Mudança de data – Quinta-feira (23/11/2017)

No dia 23 de novembro de 2017, quinta-feira, às 19:30, o Coletivo Anarquista Luta de Classe (CALC) realizará evento na UFPR Litoral sobre o centenário da histórica Greve Geral que aconteceu no Brasil em 1917.

No evento, vamos falar sobre aquele grande movimento de luta da classe oprimida no Brasil e no Paraná; lembrar das vitórias, erros, acertos e conflitos da época; destacar os acúmulos daquelas lutas e as lições que podemos tirar para o presente.

Evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/126654224667474/

QUANDO: 23 de novembro de 2017, quinta-feira às 19:30
ONDE: Sala Multiuso da UFPR Litoral, em Matinhos

O evento já ocorreu em Londrina, realizado conjuntamente com o Coletivo Ação Direta, e acontecerá também em Curitiba ainda neste ano.

A Livraria Alberto “Pocho” Mechoso também estará presente! Conheça nossos títulos: https://anarquismopr.org/livrariapocho/

livrariapochologo

Aguardamos todas as pessoas interessadas!

100 anos da Greve Geral de 1917

Texto retirado do Jornal NO BATENTE 7

No ano em que comemoramos 100 anos de um dos mais emblemáticos episódios de luta da classe oprimida no Brasil também sofremos a perda de vários direitos conquistados naquele período. Por isso é necessário rever seus acontecimentos e utilizar da experiência acumulada para fermentar as lutas que travamos hoje e no futuro.

Contexto histórico

Eram tempos difíceis. Entre 1914 e 1917 o Brasil passou a ser um grande exportador de matéria prima e mercadorias devido à 1ª Guerra Mundial. Com o aumento da demanda na indústria e para obter altos lucros os empresários condenavam as trabalhadoras e trabalhadores a jornadas de trabalho de até 16 horas por dia, incluindo os domingos até o meio-dia, com salários de miséria. Os filhos dos operários de cinco a oito anos também trabalhavam nas fábricas, sofriam com mutilações nas máquinas e com jornadas noturnas.

Nesse cenário começaram a surgir ligas de trabalhadores e sindicatos, em grande parte vinculada a centros culturais e ateneus de presença e influência anarquista. A Greve Geral não aconteceu de forma espontânea, foi fruto de longo período de preparação e auto-organização, partindo dos acúmulos da grande greve de 1903. A pauta da Greve Geral apareceu no 1º Congresso Operário Brasileiro em 1906 e no 2º Congresso em 1913.

As reivindicações eram estabelecidas de acordo com as necessidades econômicas e a organização dos trabalhadores funcionava por meio de assembleias, construindo as decisões de baixo para cima, sem burocracia sindical e com muita solidariedade. Para atrair mais gente e formar quem estava na luta eram feitos centros de cultura, bibliotecas populares, festivais, peças teatrais e jornais.

Naquele período milhares de trabalhadoras e trabalhadores eram anarquistas e o sindicalismo revolucionário era a estratégia sindical mais forte. A primeira Central Sindical Brasileira, a COB (Confederação Operária Brasileira), foi fundada em 1906 e era hegemonicamente Sindicalista Revolucionária.

A Greve Geral no Brasil

A partir de maio de 1917 começam a surgir greves e em junho estouro uma greve das trabalhadoras da indústria têxtil, em São Paulo. O crescimento do movimento grevista provocou o combate entre operários e policiais, causando a morte do sapateiro anarquista José Martinez, o que se tornou a fagulha para iniciar a Greve Geral. A luta, que era mais especificamente por condições no local de trabalho, logo se espalhou para outras categorias e estados. Logo mais de 100 mil pessoas participavam e greve ganhou pautas mais gerais.

As vitórias do movimento foram: 8 horas de trabalho (na maioria das categorias), melhores condições de trabalho, aumento em 20% nos salários, não demissão dos grevistas, proibição do trabalho infantil, libertação dos presos durante a greve e defesa dos direitos das mulheres (que sofriam violência dos patrões e contra-mestres).

A Greve Geral no Paraná

Trabalhadoras e trabalhadores paranaenses foram delegados nos Congressos Operários Brasileiros que antecederam a greve e também organizaram um congresso estadual.

Em Curitiba, desde o início do século XX, já havia a presença de entidades como a Federação Operária Paranaense e a Liga dos Sapateiros de Curitiba, que eram importantes espaços de organização da classe trabalhadora. Em julho de 1917 explodiu a greve na cidade, marcada pela Ação Direta: trabalhadores cortaram a energia elétrica na cidade e derrubaram pontes para evitar a passagem de veículos e mercadorias. A repressão resultou em prisões, desaparecimentos e a tentativa, por parte do governo e dos empresários, de apagar qualquer vestígio que provasse a existência da Greve, porém, a classe oprimida venceu.

Lições para o presente

Passados 100 anos a Greve Geral segue sendo exemplo de luta e organização. Seu marcante caráter de base, calcado na solidariedade e na ação direta garantiram que hoje tivéssemos os direitos que agora estão sendo severamente atacados.

Que possamos nos inspirar na luta histórica das trabalhadoras e trabalhadores por uma sociedade livre, justa, solidária e igualitária, fazendo frente aos muitos ataques que sofremos no presente.

Não está morto quem peleia!
Viva a Greve Geral de 1917!
Viva o Sindicalismo Revolucionário!

[LONDRINA] Centenário de Greve Geral de 1917 – NOVA DATA

No dia 24 de outubro de 2017, terça-feira, às 18:30, o Coletivo Anarquista Luta de Classe (CALC) e o Coletivo Ação Direta (CAD) farão um evento em Londrina, no Anfiteatro do Centro de Letras e Ciências Humanas (CCH) da Universidade Estadual de Londrina (UEL), sobre o centenário da histórica Greve Geral que aconteceu no Brasil em 1917.

No evento, vamos falar sobre aquele grande movimento de luta da classe oprimida no Brasil e no Paraná; lembrar das vitórias, erros, acertos e conflitos da época; destacar os acúmulos daquelas lutas e as lições que podemos tirar para o presente.

Evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/120843335262485

QUANDO: 24 de outubro de 2017, terça-feira, às 18:30
ONDE: Anfiteatro do Centro de Letras e Ciências Humanas (CCH) da Universidade Estadual de Londrina (UEL)

Este evento ocorrerá em outras cidades do Paraná neste ano, como em Curitiba e Matinhos.

Aguardamos todas as pessoas interessadas!

[CAB] Caderno de Formação Sindical #1

Lançado o caderno de formação sindical da CAB!

Baixe o caderno clicando na imagem abaixo ou fazendo o download aqui.

 

EVENTO ADIADO – [LONDRINA] Centenário de Greve Geral de 1917

EVENTO ADIADO. Devido a problemas com reserva do anfiteatro, remarcaremos o evento para outubro.

EM BREVE MAIS INFORMAÇÕES.

No dia 29 de setembro de 2017, sexta-feira, às 18:30, o Coletivo Anarquista Luta de Classe (CALC) e o Coletivo Ação Direta (CAD) farão um evento em Londrina, no Anfiteatro do Centro de Estudos Sociais Aplicados (CESA) da Universidade Estadual de Londrina (UEL), sobre o centenário da histórica Greve Geral que aconteceu no Brasil em 1917.

No evento, vamos falar sobre aquele grande movimento de luta da classe oprimida no Brasil e no Paraná; lembrar das vitórias, erros, acertos e conflitos da época; destacar os acúmulos daquelas lutas e as lições que podemos tirar para o presente.

QUANDO: 29 de setembro de 2017, sexta-feira, às 18:30
ONDE: Anfiteatro do Centro de Estudos Sociais Aplicados (CESA) da Universidade Estadual de Londrina (UEL)

Este evento ocorrerá em outras cidades do Paraná neste ano, como em Curitiba e Matinhos.

Aguardamos todas as pessoas interessadas!

[FAG] 100 anos da Greve Geral de 1917

Retirado de: https://federacaoanarquistagaucha.wordpress.com/2017/08/03/100-anos-da-greve-geral-de-1917-2/

A seguir, o texto de memória histórica lido durante o Ato da FAG  em celebração do centenário da Greve Geral de 1917 no Brasil realizado na última sexta-feira, dia 28 de Julho no Teatro da Cia de Artes em Porto Alegre, RS.

Federação Anarquista Gaúcha – FAG

Com a fraternidade libertária que nos é de costume, estendemos a mão para todos e todas que se fazem presentes neste momento especial em que comemoramos o centenário da greve geral operária de 1917 no Brasil. De princípio fica avisado que não é nosso propósito falar ou pintar um passado puro e irretocável, de sujeitos perfeitos e histórias impecáveis. Alguém já disse e vale muito para as nossas circunstâncias: a inteligência precisa estar armada de memória, não para fazer exercício diletante, MAS PARA CONSTRUIR NO PRESENTE, COM SEDE DE JUSTIÇA SOCIAL E COM VONTADE MAIS TENAZ E POTENTE, UMA SOCIEDADE LIVRE E EQUÂNIME.

O que nos motiva nesse momento é recordar um pedaço de história tingida de sonho e rebeldia dos oprimidos, dessa longa história negra e vermelha, de muitas cores que matizam mais de 500 anos de opressões, lutas e resistências. Nossa melhor homenagem para com todas e todos que nos antecederam é seguir peleando, criando resistência libertária com o coração pulsando um mundo novo, abrindo caminho pelo passo da luta e da organização.

Por regra geral, o esquecimento, a desfiguração, o extravio da memória são armas usadas pelos opressores de ontem e hoje, para liquidar o exemplo que nos encoraja e que transmite saberes e experiências das lutas sociais passadas. A formação e o desenvolvimento das grandes cidades – isso que se chama na língua dominante por progresso capitalista –, foi montado por cima de dores e tragédias, da luta irreprimível dos povos e das “classes perigosas” para o triunfo da prosperidade burguesa.

“(…) de manhã, antes do sol ruborizar o polido horizonte, os becos, as pocilgas infestas e imundas despejam uma multidão de trabalhadores – homens, mulheres e crianças, que pelas ruas escusas e lamacentas, desfilam rotos, andrajosos, mal dormidos e mal alimentados, com os músculos das faces contraídos pela dor, pela fome, pela miséria! Que desfilam todos silenciosamente como fantasmas que a cova não quis guardar, que seguem todos pacificamente como carneiros ao matadouro; os homens encolhidos, cabisbaixos, como que vergados sob o enorme jugo da miséria que os aniquila; as mulheres de semblantes tristes, tangidos pela mágoa e pelo sofrimento, levando para a fábrica saudades dos filhinhos que tiveram que abandonar em casa, chorando, por não encontrarem o alimento suficiente (…); as crianças com as faces ainda umedecidas pelas lágrimas que dolorosamente verteram ao abandonar os cacos que lhes serviam de brinquedos e as flores apanhadas na rua, para ir ao tugúrio, onde as máquinas e engrenagens produzem infernal barulho e permanecem ali durante doze intermináveis longas horas, para ir à fábrica onde seus olhos não poderão ver o sol, onde seus franzinos pulmões não encontrarão ar puro, e onde não poderão brincar com as borboletas e as flores…”

Dolorosa e amarga descrição do cotidiano da classe trabalhadora que faz o companheiro Zenon de Almeida, em conferência pública ao sindicato dos sapateiros em 1914.

SIM! ENQUANTO UNS SEGUEM PARA AS BASTILHAS MODERNAS COM UM MAGRO CAFÉ NO ESTÔMAGO, SEM SABER NEM MESMO SE TERÃO COM QUE ALMOÇAR OU JANTAR, OS OUTROS SEGUEM CHEIOS ATÉ A INDIGESTÃO, PENSANDO QUAIS AS PÍLULAS QUE SERÃO MELHORES PARA RESTITUIR O APETITE.

HOMENS, MULHERES E CRIANÇAS SEGUEM MACABROS PARA O EXAUSTIVO TRABALHO, TRABALHO BESTIAL (…) ENQUANTO OS RICOS PROCURAM O REPOUSO DEPOIS DE UMA NOITE DE AFRODISÍACA ORGIA (…) ESBANJAM O TRABALHO DE MIL BRAÇOS.

A questão social feita bandeira de combate dos miseráveis foi parar nas garras da polícia desde sempre, sobretudo quando o povo se levanta e reclama pela justiça e pela liberdade que o capitalismo lhe nega sistematicamente. Esse, por sua vez, ataca feroz como estrutura de dominação e de violência sistêmica que lhe é tão particular.

A industrialização brasileira e o crescimento da urbanização se deram de forma lenta e se desenvolveram sobre o sangue negro do escravismo-colonial que possibilitou a acumulação gerada pela atividade produtiva agrária.

A concentração da indústria no século XIX se dava em torno do eixo Rio-São Paulo e, em menor escala em Porto Alegre. Já contando com a mão de obra super explorada de negros (antes e depois da Lei Áurea em 1888), a política racista das elites brasileiras incentivou a imigração de europeus para que os postos de trabalho fossem ocupados por brancos. O contingente operário passou a ser formado também por muito imigrantes, italianos, espanhois e portugueses, que trouxeram consigo as experiências e valores do socialismo libertário. As lutas em curso no país já neste período – século XIX –, não foram, no entanto, resultado de uma “importação” pura e simples da experiência que trouxeram os imigrantes. O imaginário da resistência negra e indígena encontrava-se com o horizonte do anarquismo em meio ao tardio desenvolvimento do capitalismo brasileiro dentro de uma nova forma de exploração humana em condições históricas e de formação social específicas.

Organizando, impulsionando e avançando pela luta de classes, o anarquismo criou meios para geração de valores diferentes daqueles vividos pelas classes dominantes. Como movimento de massas, encarnou com todas suas consequências a máxima: “a emancipação dos trabalhadores é obra dos próprios trabalhadores”. O que se vulgarizou como “infância do socialismo” foi, nada mais, nada menos, que as curvas de uma experiência histórica genuína de independência de classe. O Anarquismo faz vetor de uma cultura política feita a pulmão debaixo do fogo inimigo, que rompeu com o colaboracionismo de classe da formação social-democrata que já trazia germes de burocratização e separou o fazer da luta operária dos valores e das instituições do mundo burguês. O incansável trabalho organizativo e de propaganda revolucionária dos libertários gerou instrumentos de luta e conquista econômica no movimento operário (os sindicatos classistas), de educação libertária e popular (as escolas racionalistas e as universidades do povo), de cultura de classe (os ateneus operários, bibliotecas sindicais, grupos de teatro social, bandas e liras operárias, atividades de lazer e recreação para toda família trabalhadora), de literatura socialista (com a publicação e distribuição em massa de livros como A conquista do pão, O salário, No Café, Germinal) de informação (os periódicos operários) e de defesa (os grupos de autodefesa e sabotagem).

Em 1906 é realizado o Primeiro Congresso Operário Brasileiro, onde converge o caudal de forças sociais nucleadas em cenário urbano pelas organizações de resistência. É fundada a Confederação Operária Brasileira (COB) e o jornal “A Voz do Trabalhador”, seu órgão de comunicação.

O sindicalismo revolucionário, já esboçado pela posição de Bakunin e a ala federalista da Primeira Internacional décadas antes, era estratégia para as organizações operárias: nenhuma expectativa nas estruturas do poder do Estado, nenhuma ilusão com as disputas por cargos. A chamada “neutralidade política” nada mais era que a convicção de se manter fora das esferas da política burguesa, e o reforço da importância de manter os sindicatos abertos a todos operários e suas famílias sem adoção de critério de distinção ideológica ou religiosa. Evitava-se, assim, tanto o risco da burocratização e da conciliação de classes, quanto os perigos da disputa interna entre trabalhadores devido a doutrinas ou programas políticos. Defende-se a organização das mulheres, a priorização da luta pelas 8 horas de jornada de trabalho e decide-se pela criação de escolas laicas para os sócios das associações operárias e seus filhos. A ação direta foi adotada como tática do movimento sindical, fortalecendo a concepção de que o protagonismo é de quem vive do trabalho e da luta, não de intermediários de partidos políticos ou chefes de Estado.

O sindicalismo revolucionário como estratégia sindical se confirma pelas teses aprovadas no primeiro Congresso de 1906, quando este:

“aconselha o proletariado a organizar-se em sociedades de resistência econômica, agrupamento essencial e, sem abandonar a defesa, pela ação direta, dos rudimentares direitos políticos de que necessitam as organizações econômicas e, pôr fora do sindicato, à luta política especial de um partido e as rivalidades que resultariam da adoção, pela associação de resistência, de uma doutrina política ou religiosa, ou de um programa eleitoral.” E ainda: “O Congresso considera como único método de organização compatível com o irreprimível espírito de liberdade e com as imperiosas necessidades de ação e educação operária, o método federativo, a mais larga autonomia do indivíduo no sindicato, do sindicato na federação e da federação na confederação e como unicamente admissíveis simples delegações de função sem autoridade.”

Ao unir-se nas associações operárias de resistência – que, a partir de então, no Brasil, passariam a se chamar sindicatos – para lutar, utilizando como métodos a ação direta, a independência e o federalismo, estava em curso uma luta sindicalista de intenção revolucionária. O projeto libertário atribuía dupla função ao sindicato: a luta coletiva e solidária de defesa operária e conquistas imediatas e a acumulação de forças e capacidade política para a autogestão socialista dos meios de produção.

O sindicalismo, ainda que focado em conquistas por dentro do sistema capitalista, era o movimento capaz de preparar a classe trabalhadora para as grandes lutas pelo socialismo e pela liberdade. Ainda hoje, entende-se que é a partir da vida de todos os dias, dos sofrimentos e reivindicações e laços cotidianos que se criam as condições para embates mais amplos e profundos. É com um povo forte, produzido por militância diária, com organizações de base e na luta por direitos e liberdades que se avança rumo ao Poder Popular.

A conjuntura econômica, produzida no contexto prévio à Primeira Guerra, viu ao mesmo tempo o aumento do operariado com a industrialização, os baixos salários, o desemprego com o crescimento das cidades e a carestia da vida. Esses foram os temas de luta no 1º de Maio de 1917 pelo país.

No início de Junho de 1917, operárias da fábrica têxtil Crespi, no bairro da Mooca em São Paulo, paralisam suas atividades reivindicando aumento de salário e redução da jornada de trabalho. É preciso lembrar: a grande greve de 1917 teve impulso com a luta de mulheres. A fábrica havia praticamente dobrado seus lucros em dois anos com aumentos contínuos da jornada de trabalho sem aumento de salário. Além disso, uma motivação é a revolta das trabalhadoras contra o assédio sexual por parte de supervisores. Outras mobilizações já haviam ocorrido contra supervisores em virtude da violência contra as mulheres. As operárias, em sua tripla jornada, também eram aquelas que acompanhavam a perda de poder aquisitivo, pois tinham o controle dos gastos familiares, o que impulsionava também a luta contra a carestia.

A participação das mulheres anarquistas no movimento operário, muitas trabalhadoras têxteis, é decisiva, antes, durante e depois da greve geral de 1917. Militantes como Isabel Cerruti, Maria de Lourdes Nogueira, Branca Nery, Alzira Werkauzer, Elvira Boni e Angelina Soares demonstraram que a luta pela emancipação da humanidade contra o capitalismo passava pela emancipação das mulheres.

No final de Junho, a greve das operárias da Crespi já contava com a solidariedade da adesão de 1.500 operárias e operários da fábrica Ipiranga, também têxtil. Greve que se espalha por outros ramos, como móveis e atinge também a indústria de bebidas Antarctica.

Em Julho, a greve seguia se generalizando por toda a cidade de São Paulo, Rio de Janeiro e outras cidades do país, com batalhas nas ruas. Como as fábricas possuíam pouco ou nenhum estoque, a paralisação das atividades causava impacto quase imediato no comércio, ou seja, no dia a dia da cidade.

Uma unidade de cavalaria da polícia de São Paulo reprime violentamente uma manifestação no dia 9 de Julho. Nesta ação, é assassinado pelas forças da repressão, com um tiro no estômago, o sapateiro espanhol anarquista José Martinez, com apenas 21 anos de idade.

Este episódio causou a ampliação da greve pelo estado e pelo país. Em Campinas tivemos o confronto em uma linha férrea que ficou conhecido como “O massacre da Porteira do Capivara”, onde 16 foram feridos e 3 foram mortos pela polícia. Em sua maioria, os manifestantes eram ferroviários e metalúrgicos, entre eles Armando Gomes, operário negro que impulsionava as ligas operárias de bairros e era também a principal liderança da organização negra, a Liga Humanitária Homens de Cor.

O funeral do jovem operário Martinez, ocorrido no dia 11 de julho, foi o grande estopim da explosão de solidariedade, que se transformou na principal arma de luta dos grevistas contra as baionetas e os sabres da polícia. Uma enorme manifestação popular, com bandeiras negras e vermelhas, refletia a dor e a sede de justiça proletária. As barreiras impostas pelo policiamento eram rompidas pela multidão que seguia impetuosa até o cemitério. Como de praxe, este funeral – transformado em ato político –, resultou em forte repressão por parte da polícia e das tropas do exército, uma vez que alguns batalhões recusaram-se a intervir. Encorajadas pela mobilização, várias entidades de classe de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Sul vão se juntando ao movimento grevista.

Depois de ter enterrado a primeira vítima da greve, o Comitê de Defesa Proletária, núcleo articulador dos diversos setores em São Paulo, reuniu-se, clandestinamente, na noite de 11 de julho, com representantes de trinta e seis associações operárias e de várias comissões de grevistas com o objetivo de agrupar num único Documento/memorando, as reivindicações comuns a todas as categorias profissionais, previamente discutidas nas suas respectivas agremiações. Com os comércios fechados e os transportes parados, os governos se viam impotentes diante da ação operária insurgente. A repressão apenas fortalece a luta e a greve segue firme, com piquetes e sabotagens em fábricas e passeatas pelas ruas.

No Rio Grande do Sul, segundo o companheiro gráfico Polidoro Santos o anarquismo registra atividades desde fim do século XIX. Ao calor da greve generalizada dos 21 dias, em 1906, os trabalhadores anarquistas agrupados na União Operária Internacional (UOI) e, através do jornal A Luta, fizeram ativa propaganda de um sindicalismo de ação direta, formado por organizações de resistência da classe operária, com independência política de governos, partidos e patrões.

A partir de 1909 o sindicalismo classista que praticavam os libertários se integra na Federação Operária do Rio Grande do Sul (FORGS). As ligações com associações do interior eram mais esporádicas e a FORGS congregava, sobretudo, organizações operárias de Porto Alegre, tendo sede no Ateneu Operário da rua Santo Antônio. Teve atividade contínua pelo menos de 1909 até 1927.

Em 1917 os primeiros incidentes se dão quando em Santa Maria um grupo de ferroviários da Viação Férrea do Rio Grade do Sul se apossa de uma locomotiva e percorre a linha de Marcelino Ramos propagandeando a greve. No dia 29 de julho circularia amplamente um protesto que denunciava a exploração dos trabalhadores pela administração da ferrovia.

A assembléia dos operários dos canteiros, pedreiros e carpinteiros, onde o anarquismo radicava uma posição forte, bem como a agitação da UOI (União Operária Internacional) por uma reunião geral de todas categorias na FORGS, no domingo 29 de julho, deram o estalo para a greve geral em Porto Alegre. Mais de 500 trabalhadores se reuniram para aprovar a declaração de greve, nomear um comando que se chamou Liga de Defesa Popular (LDP) e demarcar uma pauta de reivindicações. A FORGS dirigida em 1917 pelo socialismo reformista foi empurrada para a Greve Geral a contra gosto de seus dirigentes.

A pauta de reivindicações versava sobre pontos que atendiam sentidas demandas populares, como o preço dos alimentos, moradia e transporte coletivo, bem como questões classistas de luta contra a patronal, como a redução da jornada de trabalho para 8 horas, o aumento de 25% sobre os salários e a regulamentação do trabalho de mulheres e crianças.

No dia 30, boletins da FORGS e do Sindicato dos Pedreiros, Carpinteiros e Classes Anexas, distribuídos e afixados em postes no Campo do Bomfim, convocam os trabalhadores para uma concentração pública na Praça da Alfândega para o dia seguinte. A LDP (Liga de Defesa Popular) havia preparado um comício para publicizar a greve no dia 31 de julho.

Ao meio-dia os ferroviários do Rio grande do Sul se declaram em greve, o que já condicionou a paralisação do alto comércio neste dia. Na tarde do dia 31 já estavam em greve as estações de Porto Alegre, Santa Maria, Rio Grande, Bagé, Gravataí, Passo Fundo, Couto, Cacequi e Rio Pardo. O inspetor da Viação Férrea promete despedir todos os grevistas, passa a admitir funcionários não especializados e solicita a imediata intervenção das tropas militares.

Uma hora antes do comício já era intenso o movimento de populares na praça da Alfândega, em Porto Alegre. Meia hora depois chegava o policiamento, com mais de 120 homens da BM (brigada militar), Piquete da Chefatura de Polícia, Escolta Presidencial, Polícias Administrativa e Judiciária.

O comício foi aberto por Luiz Derivi e contava com a participação de cerca de 4.000 a 5.000 pessoas e forte reforço policial. Cecílio Vilar dá o tom logo a seguir:

“o momento não é para conciliações, é de luta. A luta mais justificável, a luta pela vida. Os operários devem se erguer como um só homem, para sair as ruas e conquistar o pão que nos está sendo roubado e a fim de protestar contra a exploração de que é vítima a classe trabalhadora”.

Entre 31 e 4 de agosto a vida urbana em Porto Alegre foi completamente alterada. Participaram da greve pedreiros, padeiros, trapicheiros e estivadores, trabalhadores da Cia (companhia) Força e Luz, operários têxteis, carroceiros, caixeiros, choferes, tipógrafos, entre outros. Estimativas apontam para cerca de 30.000 grevistas em Porto Alegre.

No dia da deflagração da greve se reuniu a União dos Condutores de Veículos, decidindo a adesão da categoria. Estes trabalhadores passariam a controlar o tráfego na capital. No dia 1º de agosto o diretor da Santa Casa dirige-se à FORGS para solicitar providências no sentido de manter o fornecimento de gêneros à casa de saúde. Foram fornecidos ao diretor dois salvo-condutos, assim como ao Hospício São Pedro e Asilo da mendicidade, e estaria livre a venda de gêneros as residências onde houvesse doentes. No salvo-conduto, em cujo topo lia-se “Justiça”, em vermelho constava também: “O portador do presente tem plena autorização da Liga de Defesa Popular (LDP) para conduzir carne verde e outros artigos destinados aos doentes da Santa Casa”. Sem o documento não havia circulação de carroças.

No dia 2 de agosto se dá uma ocupação militar da estação de Santa Maria. Em represália, os grevistas arrancam trilhos, derrubam pontes e bloqueiam a via com dormentes e postes telegráficos em vários pontos do estado. Alguns trens passam a circular guarnecidos por tropas. Em Passo Fundo há violentos choques entre ferroviários e forças militares.

Neste mesmo dia é convocada uma manifestação pública para pressionar o governo, cujos locais de concentração seriam a FORGS e a Praça dos Navegantes. A manifestação se dirigiu ao palácio do governo estadual, onde uma comissão da LDP (Liga de Defesa Popular), composta pelos anarquistas Luiz Derivi, Cecílio Vilar e Zenon de Almeida é recebida pelas autoridades. Borges de Medeiros declara que decretaria medidas de controle da exportação e atenderia a questão de horas de trabalho e salários para os empregados do estado. A comissão saiu do palácio e comunicou aos já estimados 5000 manifestantes os intentos do governo estadual e municipal. Após as promessas de Borges a greve não declinou e tampouco se tornou mais “pacífica”.

A partir daí aumenta a pressão pelo fim da greve tanto pela imprensa como pela polícia. No dia 3 o Chefe de Polícia ameaçou a proibir os meetings e as reuniões em praças públicas, e a partir da tarde são proibidos os “ajuntamentos”. A cidade se assemelhava a uma praça de guerra e em todos os recantos suspeitos havia pelotões de infantaria e patrulhas de cavalaria cruzavam com freqüência. Nessas condições, sem possibilidade de manifestações, a greve se reduziria ao confronto patrão-empregado. Durante todo o dia 4 são feitas reuniões na sede da FORGS avaliando a situação, e às 23h a LDP (Liga de Defesa Popular) publica um boletim anunciando o fim da greve e comprometendo-se a apoiar as categorias que ainda se mantivessem paralisadas. Manter-se-ão ainda paralisados estivadores, padeiros, alfaiates, sapateiros, chapeleiros, pedreiros e carpinteiros, calceteiros e canteiros, operários de fábricas de móveis e operários de fábricas de meias.

No dia 5 de agosto chega ao fim a greve dos ferroviários, diante da violenta intervenção das tropas federais, e sem nenhuma reivindicação conquistada devido a intransigência da direção da Viação Férrea, controlada na época por uma concessionária belga.

Também haveria greves importantes em Pelotas, Rio Grande, Passo Fundo, Santa Cruz, Montenegro, Bagé e outros centros.

Em relação a totalidade das reivindicações, pode-se dizer que houve vitória parcial dos trabalhadores. Muitos militantes anarquistas tiveram que sair de Porto Alegre devido às perseguições resultantes de sua atuação na greve, sobretudo após os movimentos que vieram em seguida em 18 e 19.

PORTANTO, COMPAS: “É PRECISO QUE NOS REVOLTEMOS, LUTANDO SEMPRE”, tal como declarou Zenon aos compas sapateiros, na conferência que já fizemos memória.

QUE IMPORTA QUE A AURORA SEJA RUBORIZADA PELO CLARÃO DO INCÊNDIO!” avisou Spartacus do Sul.

QUE IMPORTA QUE NA MADRUGADA DESSE DIA A TEMPESTADE SEJA TEMPESTADE DE SANGUE! O SOL É MAIS BRILHANTE DEPOIS DO VENDAVAL.

HOMEM LIVRE, MULHER LIVRE, SOBRE A TERRA LIVRE!

À LUTA E À ORGANIZAÇÃO!

Com Espertirina, Eulina e as valentes irmãs Martins, Djalma Fetterman, Reinaldo Geyer, Nino e a ação direta que respondeu aos carrascos e algozes do movimento operário. Com a pedagogia libertária de Dorvalina, a agitação de classe e feminina de Alzira, a luta incansável de Luiz Derivi entre os pedreiros, de Polidoro Santos e o grupo solidários dos gráficos, a convicção libertária e classista de Orlando Martins.

Conosco ficam os exemplos de uma vida rebelde que não se amansa, que não se dobra ao opressor. Para armar o cotidiano social-político e nossas práticas de resistência com aqueles valores de solidariedade, liberdade e justiça que dão sentido para palavra COMPA. Para não ceder nossa vontade libertária e se acomodar ao mundo miserável, dominador e opressivo que tanto repudiamos.

Esse é o sentido e o valor da memória que aqui reclamamos em alta voz. Sempre com os que lutam e os que não vendem sua independência por confortos e privilégios da máquina de picar carne do sistema capitalista. Com o socialismo e a liberdade no coração que não teme as ruínas e que leva um mundo novo por onde passa e naquilo que faz.

NÃO SE AJUSTA QUEM PELEIA.

VIVA A ANARQUIA!!!!

[CAB] Luta Social #2 – julho/2017

Mais um número do Luta Social, publicação de circulação nacional da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB) que traz nesse número um editorial sobre a Greve Geral, nota sobre as eleições da APEOESP, artigo histórico sobre os 100 anos da greve geral de 1917, informes sobre trabalho de base e texto sobre a brutal repressão que atinge os camponeses e trabalhadores rurais no Brasil.

Lutar! Criar Poder Popular!

Baixe clicando na imagem ou no link: Luta Social #2 – julho/2017


[OASL] 99 anos da Greve Geral de 1917

Retirado de: https://anarquismosp.org/2016/07/16/99-anos-da-greve-geral-de-1917/

Em 1917, a classe trabalhadora de todo o mundo sofria com os ecos da Primeira Guerra Mundial e com o progresso predatório do capitalismo, que tornava o trabalho nos campos e nas indústrias cada dia mais penoso. A insatisfação das trabalhadoras e trabalhadores reverberava na intensificação de suas lutas, em especial na forma do sindicalismo revolucionário, que se caracterizava como a força mais presente nas lutas da América Latina.

Na cidade de São Paulo, além da precarização do trabalho, dos baixos salários e da ameaça constante do desemprego, também veio a somar uma crise de alimentos que multiplicou o preço do pão sem alterar um centavo no salário. Como resposta, a partir do mês de maio, os sindicalistas tomaram as ruas se manifestando por melhores condições de trabalho e de vida.

José Ineguez Martinez, um jovem sapateiro e anarquista de 21 anos, foi assassinado pela polícia de São Paulo no dia 09 de julho. Com um tiro no estômago, foi levado para a Santa Casa, onde faleceu no mesmo dia. Os sindicatos e jornais operários de toda a cidade espalharam a notícia no dia seguinte, chamando a adesão da classe à greve. Na manhã do dia 11, cerca de 10 mil pessoas acompanharam o seu enterro.

A organização dos trabalhadores, que já vinha sendo construída pelos anos, mostrou resultado no fortalecimento da greve. Estima-se que a greve chegou a ter a adesão de 100 mil trabalhadores. O fim da greve, que hoje completa 99 anos, ocorreu no dia 16 de Julho. Em uma semana conseguiram do poder público, dentre outras conquistas, o compromisso em reduzir os preços dos alimentos e em tirar medidas pela defesa de trabalhadores menores de 18 anos e das trabalhadoras de período noturno. Foi o início de um processo revolucionário: boa parte de São Paulo ficou sobre controle dos trabalhadores e a patronal, temerosa, foi colocada contra a parede.

A Coordenação Anarquista Brasileira vem reconstruindo, desde baixo, o vetor social do anarquismo. No contexto que vivemos hoje, com o crescente corte nos direitos trabalhistas, tão arduamente conquistados pela organização popular, é urgente resgatar a história de luta das e dos anarquistas e sindicalistas de 1917. Vemos hoje a utilização das ferramentas históricas dos trabalhadores, como as ocupações, utilizadas atualmente nas lutas dos povos oprimidos. É o caso dos estudantes e educadores da cultura que atualmente sustentam as ocupações das fábricas de cultura do governo do estado. Mantendo viva sua memória e continuando o seu trabalho, pelas reivindicações, mobilizações e ocupações, é que poderemos construir um mundo novo.

Não nos esqueceremos!

 

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[OASL] Memória – Edgard Leuenroth (1881-1968)

Retirado de: http://anarquismosp.org/2015/11/18/memoria-edgard-leuenroth-1881-1968/

Edgard Leuenroth participou ativamente do movimento operário e foi uma das principais referências do anarquismo brasileiro durante a primeira metade do século XX.

O ofício de tipógrafo o inseriu no movimento operário, onde ajudou a fundar o sindicato dos tipógrafos que mais tarde viria a se tornar o sindicato dos gráficos. Tornando-se uma das referências anarquistas no sindicalismo revolucionário de São Paulo e do Rio de Janeiro, foi um dos articuladores da Greve Geral de 1917.

Partidário do organizacionismo, esteve à frente de importantes periódicos anarquistas como A Plebe e Ação Direta. Foi por meio da imprensa que Edgard ajudou o anarquismo a resistir e se rearticular nos momentos de mais aguda repressão. Este militante compreendia que a memória também é um campo de disputa política, preocupando-se com a preservação da memória do anarquismo e do movimento operário, conservando grande volume de documentos, jornais, periódicos e outros arquivos.

Edgard Leuenroth é parte da história do anarquismo no Brasil.

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