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[Rusga] PARTE 01 – JUDICIALIZAÇÃO, CRIMINALIZAÇÃO, VIGILANTISMO E PERSEGUIÇÃO – REFLEXOS DA DOUTRINA DE SEGURANÇA NACIONAL

O material que trazemos aqui é fruto de pesquisa e reflexões coletivas, da militância da Rusga Libertária; são contribuições, também, fruto da pesquisa de doutorado de um de nossos militantes. O material foi divido em três partes – que estaremos publicando de hoje até quinta-feira – pelo tamanho do material completo e com a intenção de facilitar a leitura e demais ponderações/crítica/contribuições da companheirada que realize essa importante leitura.

O presente material pode sofrer algumas alterações…

Link para Download em PDF: Opinião Anarquista 03 – DSN Uma Análise Anarquista (part.01)

Uma Análise Anarquista – parte 01

Trazemos aqui nossa colaboração com alguns aportes teóricos-históricos sobre o surgimento da Doutrina de Segurança Nacional (DSN), como suas diretrizes nunca estiveram distanciadas da realidade dos que lutam com postura combativa e utilizando a ação direta como mecanismo para construir um povo forte com intenção de realizar severas modificações na estrutura de dominação. Além de tentar desmistificar algo criado recentemente: que a Lei de Segurança Nacional foi criada para dar suporte ao período da Copa do Mundo de 2014 e às Olimpíadas de 2016 – ela foi sancionada ainda no Governo Dilma.

Com esses apontamentos pretendemos nortear algumas questões básicas sobre a forma organizativa que acreditamos e os mecanismos de segurança, estratégia e tática essenciais para o desenvolvimento das lutas das/os de baixo.

A herança da Doutrina de Segurança Nacional

No ano de 2008, o então presidente em exercício Luís Inácio “Lula” da Silva abonou o decreto nº 6.703, de 18 de dezembro do mesmo ano. Esse decreto aprovou a “Estratégia Nacional de Defesa”, que entrou em vigor na data de sua publicação.

Em documento que antecede a proposta oficial, o grupo de trabalho composto pelo Ministro da Defesa (na época Nelson Jobim), dos comandantes das três Forças Armadas e do Ministro da Secretaria de Planejamento de Longo Prazo da Presidência da República (na ocasião Roberto Mangabeira Unger), estabelecia-se os fundamentos doutrinários para o emprego das Forças Armadas (FA) em atendimento às demandas da Defesa Nacional.

Quando nos colocamos a analisar a chamada Doutrina de Segurança Nacional, incluída ainda na época em que os países do Cone Sul estiveram sob a tutela de governos militares, uma das questões que vieram à tona foi a seguinte: como os militares concebiam a ideia de Doutrina e Segurança? Alguma herança foi deixada no seio das organizações das Forças Armadas?

Na análise da DMD (Doutrina Militar de Defesa), há uma definição de tais palavras:

Segundo o documento:

As doutrinas representam uma exposição integrada e harmônica de ideias e entendimentos sobre determinado assunto, com a finalidade de ordenar linhas de pensamentos e orientar ações. Podem ser explicitas ou implícitas. Explicitas, quando formalizadas em documentos, e implícitas, quando praticadas de acordo com costumes e tradições.

O documento ainda ramifica o conceito em doutrinas militares(que englobam a administração, a organização e o funcionamento das instituições militares), doutrinas militares de defesa (formuladas no nível político e estratégico, ligam-se a particularidade de cada Estado, no entanto, no nível administrativo, logístico e operacional, podem ser intercambiáveis, pois se valem da ciência e da técnica), por último, descreve a doutrina militar de defesa brasileira (com produção de análise especifica do território e de documentação interna).

No que tange o conceito de Segurança o documento nos traz a seguinte descrição:

Está relacionada à percepção da existência de ameaças que eventualmente, podem se transformar em agressões. Tais ameaças podem ter origem e implicações no âmbito externo ou interno de um Estado-Nação e manifestarem-se como agressões ao Poder Nacional em todos ou parte dos seus campos.

Tudo que foi exposto, segundo os autores, é fruto dos debates estabelecidos pelo Estado Maior das Forças Armadas (EMFA), criado em 1946. Desta iniciativa, foi construído o primeiro documento doutrinário básico, que foi sendo aperfeiçoado, com o trabalho paralelo da Escola Superior de Guerra (ESG), criada em 1949.

A linha que desejamos abordar aqui é que tais conceitos (Doutrina e Segurança) continuam aportados no que o documento chamou de doutrina implícita (costumes e tradições) e na ideia de segurança onde se concebe ameaças externas e internas. Além disso, queremos apontar que houve um refinamento desses conceitos pela ESG, formuladora e disseminadora da Doutrina de Segurança Nacional nos anos de chumbo, que acabou servindo como referência para outros regimes.

Outro quesito que também nos deixou bastante intrigado é a ideia que aparece no último capítulo: a prevenção e o combate ao terrorismo. Apesar de tomar o devido cuidado e contextualizar “terrorismo”, aos acontecimentos de setembro de 2001 nos Estados Unidos da América (EUA), o conceito de terrorismo é descrito como sendo uma prática “composta por grupos extremistas, aglutinados por compartilharem valores políticos, ideológicos, religiosos, étnicos e culturais, integrados por profissionais determinados em suas ações” e continua descrevendo os objetivos destes chamados ‘terroristas’ que tem como propósito “quebrar ou alterar a vontade do país ou dos países alvos por meio da manipulação do terror”.

No Brasil, a ideia de um inimigo que pratica o terrorismo abriu espaço para a formulação do Projeto de Lei do Senado nº 499, de 2013, que define o que é o terrorismo e quais as penas para tal crime. Essa ideação, é parto da DMD que visa, com isso, virar lei e substituir a Lei de Segurança Nacional (LSN) nº7.170 de 1983, que remonta ao regime militar. Afinal, o que podemos perceber é que no Cone Sul, houveram heranças deixadas pelo regime militar que podem e estão sendo colocadas na pauta do dia; principalmente quando os maiores interesses é avançar nas políticas neoliberais – privatizações e imensa precarização dos direitos sociais e trabalhistas das/os oprimidas/os e ter um segmento armado dotado de novas diretrizes de intervenção remodeladas com a conjuntura política e econômica, onde mecanismos de judicialização possuem maior eficácia através do encarceramento e perseguição de militantes.

O Brasil continua sendo um formulador de teoria militar, embasando-se no processo que o elegeu nesta parte da América como a nação que melhor aplicou o ideário da DSN. É possível perceber que essas ideias, formuladas durante os anos de ditadura, continuam influenciando no campo político latino americano, em especial, tendo como norte da compreensão o crescimento da criminalização e judicialização das lutas sociais nos 14 anos de governo PT, tendo maior ataque com os preparativos para a Copa do Mundo e as Olimpíadas de 2016.

Na década de 1960 e 1970, os EUA deram ênfase no antagonismo Leste-Oeste, fornecendo a devida base ideológica para as ditaduras militares da América do Sul. Segundo Joseph Comblin: “[…] em 1971 existia apenas no Brasil; os outros regimes, ainda que militares, eram de cunho nacionalista[…]”. O Brasil é importante dentro deste cenário, pois foi o primeiro a sistematizar uma ideia latino-americana da DSN.

Durante os anos que se seguiram, podemos dizer que todos os países do Cone Sul tomaram o discurso da DSN para legitimar as ditaduras impostas em seus territórios, em uma primeira fase ainda não alinhados com o discurso anticomunista, mas sim voltados a resolver querelas internas – problemas estruturais, como os econômicos.

Outro fato interessante é que na região sul-americana os militares apareceram com frequência cumprindo papeis no campo político, fenômeno discutido em variados estudos. No percurso histórico, os militares latinos americanos por vezes aparecem como árbitros de questões políticas. No entanto, no período da Guerra Fria é possível perceber a apropriação de um elemento novo: a DSN.

Não queremos transpor aqui, de maneira mecânica, alguns fatos que acreditamos ser importantes para a elaboração desse material. A discussão que trazemos é que o ideário construído pelos EUA foi sendo reformulado pelos regimes militares latinos americanos, no entanto, não nos parece destoante que a troca de concepções entre as instituições militares do Cone Sul começara antes mesmo de estabelecida no campo da formalidade – como podemos ver nas décadas de 1970, com o chamado Plano Condor.

Estados Unidos e a Doutrina de Segurança Nacional

Anteriormente, tentamos fazer um panorama amplo sobre o surgimento, estruturação e reformulações da DSN; todo esse processo foi realizado em consonância com as mudanças políticas e econômicas globais, configurando de acordo com os interesses geopolíticos e econômicos das pequenas oligarquias. Tomando a configuração ideológica dos períodos pós Primeira e Segunda Guerra Mundial, onde o mundo estava imerso em um conflito ideológico protagonizado por duas grandes potências: os Estados Unidos (EUA) e a União das Repúblicas Soviéticas Socialistas (URSS), cujas desenvolveram mecanismos distintos e específicos para a questão da vigilância e contra-inteligência.

Nos EUA, a partir do período Truman (1945-1953), iniciou um debate que girava em torno de deter o avanço do comunismo mundial – é importante ressaltar que as mesmas práticas já foram utilizadas ainda durante a virada do século XIX para o XX, quando vários militantes anarquistas e comunistas passaram por deportações, prisões perpétuas e até mesmo sentenças de morte. No ano de 1947 ocorreu a assinatura do Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR), que tinha como mote a proposta de auxílio mútuo entre as Nações Americanas em casa de qualquer “agressão”.

Em 1948 é fundado a Organização dos Estados Americanos (OEA), cuja descrição é tida como resultado de um longo processo de negociação iniciado em 1945, coincidindo exatamente com o fim da Segunda Guerra Mundial e é justamente quando os EUA começam a intensificar sua preocupação com a URSS e seu ideário comunista. A formulação da Doutrina de Segurança Nacional deu-se nesse contexto e a missão dos EUA era difundir essa principal ideia aos seus satélites, tendo como conceitos básicos: Geopolítica, Nação, Bipolaridade e a Guerra Total. Em a Ideologia de Segurança Nacional, Joseph Comblin realiza uma distinção entre geopolítica e geografia política; através da primeira usasse dos dados geográficos uma orientação para fazer política, enquanto na segunda é abdicado tal objetivo. Por muito tempo, os Estados Unidos, não viu com bons olhos as discussões sobre geopolítica por acreditarem que serviram de base para o nazismo, mas reabilitaram a ideia e apontaram a geopolítica como sendo a ciência dos projetos nacionais baseados na geografia e acreditando que: apenas os países maiores teriam condições de desenvolver uma geopolítica verdadeiramente nacional, aos países pequenos restariam se integrar no conjunto maior.

Os Estados Unidos estabeleciam assim fundamentos científicos via geopolítica para explicar a necessidade do alinhamento dos países latino-americano aos seus interesses.

Surge, em meio de todo esse contexto, o conceito de Nação estabelecido pela geopolítica: a Nação agiria pelo Estado, tornando essas duas ideias indissociáveis. A Doutrina de Segurança Nacional colocava formalmente o que se referia ao Estado não seria distinto da Nação, passava por todos os interesses específicos de cada nação – de acordo com os interesses das que controlam o poder hegemônico. Com essa concepção, os países americanos seriam um só ente, teriam uma só vontade, um único projeto: subordinados aos interesses estadunidense. Através das relações entre os Estados poderia se ter um comando unificado para estabelecer um inimigo comum, alinhar o discurso colocando como possibilidade a luta contra o comunismo internacional.

Os EUA obtiveram relevante crescimento econômico, após a Primeira Guerra, através das suas investidas em empréstimos e fornecimento de alimentos e materiais bélicos – processo que acabou levando a Inglaterra em sua perda de hegemonia mundial e tornando os Estados Unidos a nova potencial em desenvolvimento imperialista. Esse crescimento/desenvolvimento enquanto potência imperialista, num mundo em avanço de novo ciclo capitalista, fez com que os EUA aumentassem sua influência sobre os países da América do Sul fazendo com que levassem suas ideias a cabo; era preciso seguir a nova grande potência que, com sua direção, “salvaria” a América Latina de inimigos internos e externos. Qualquer outra demanda nesse momento seria menor, visto a luta maior travada contra a URSS que tinha como finalidade acabar com o ‘mundo livre’.

O conceito de Guerra Total está dividido entre Guerra GeneralizadaGuerra Fria e Guerra Revolucionária. Na primeira, guarda-se uma noção de uma guerra ilimitada entre os Estados Unidos e a União Soviética, uma guerra que deveria terminar com a derrota total de um dos lados, havendo de estabelecer o fim do inimigo como uma questão de sobrevivência (a meta a ser atingida); na segunda seria a materialização da Generalizada ou total, os países do Ocidente estariam vendo que as preocupações dos EUA não eram descartáveis e que a necessidade de barrar o comunismo não estava somente no campo do simbólico e sim no campo do real.

O conceito construído pela Lei de Segurança Nacional (LSN), formulada pelos estadunidenses contra as ideias “subversivas” colocava a Guerra Revolucionária como sendo a estratégia do comunismo internacional, os EUA passaram a equiparar que todos os fenômenos revolucionários ocorridos no terceiro mundo teriam a mesma base nos interesses soviéticos, a guerra revolucionária deveria ser combatida pois complementa as outras ramificações enquanto técnicas. Era preciso criar uma contratécnica e dar suporte para que ela se estabelecesse em todos os lugares possíveis, estava assim estabelecida toda a base para a Doutrina de Segurança Nacional; a base estabelecida de uma DSN estaria indo de encontro a combater toda forma de movimentação social, trabalhista, popular, sindical e rural, sendo qualquer movimento que pudesse questionar as intenções imperialistas tidas e tratadas enquanto inimigas do “mundo livre”.

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[CAB] Revista Socialismo Libertário 3 – O que é Anarquismo?

Já está disponível para leitura digital o terceiro e mais recente número da revista da Coordenação Anarquista Brasileira, a revista Socialismo Libertário, que tem como tema central “O que é Anarquismo?”. Para baixar a revista em .pdf, clique aqui. Para ler os textos online em separado, clique nos títulos de cada texto abaixo.
Este terceiro número da revista Socialismo Libertário discute o tema anarquismo e estratégia. Ele envolve questões que nós, da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB), temos debatido com afinco no último período, tanto internamente nas organizações, como entre as próprias organizações, que se articulam de norte a sul do país.
Os três textos aqui apresentados constituem o resultado deste debate e os consensos estabelecidos que, a partir de então, incorporam-se como parte de nossas linhas teórica, ideológica e estratégica.
“O que é Anarquismo” estabelece os marcos para conceituar nosso entendimento desta ideologia, que possui praticamente 150 anos de existência e impacto histórico e contemporâneo nas lutas de trabalhadoras e trabalhadores em todo o mundo.
“Objetivos Finalistas: revolução social e socialismo libertário” especifica, com algum detalhe, nossa perspectiva política de futuro, nosso projeto revolucionário e socialista, que vemos como o horizonte de nossa militância cotidiana.
“Para uma Teoria da Estratégia” apresenta alguns fundamentos teóricos com os quais temos trabalhado, definindo a noção de estratégia e diversos conceitos relacionados, num quadro mais amplo das relações de poder e das classes sociais.
Complementa esta edição da revista uma breve homenagem aos 80 da Revolução Espanhola que, juntamente com outros marcos históricos – como os 60 anos da Federação Anarquista Uruguaia, os 110 anos do primeiro Congresso Operário Brasileiro, os 90 anos da Plataforma Organizacional – e contemporâneos – dentre os quais destacamos o crescimento orgânico que tivemos no último período –, nos motivam permanentemente a continuar nossa luta.
Arriba lxs que luchan! Lutar, criar, poder popular!
Rumo à organização nacional!
Coordenação Anarquista Brasileira
Dezembro de 2016

[CURITIBA] 7º ENCONTRO DO CÍRCULO DE ESTUDOS LIBERTÁRIOS (CEL) – NA PRÓXIMA TERÇA (25/10/2016)!

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A organização política anarquista

Na próxima terça-feira, 25 de outubro de 2016, o CALC articulará seu grupo de estudos em Curitiba. Faremos o CEL no Prédio Histórico da Universidade Federal do Paraná, às 18:30, na sala 205 da Psicologia.

Buscaremos estudar neste módulo sobre métodos de organização política que anarquistas defenderam ao longo da história.

Os textos base são:

  • Tática e disciplina do partido revolucionário – Mikhail Bakunin
  • A plataforma organizacional dos comunistas libertários – Dielo Trouda

Baixe aqui: CEL VII

Evento no Facebook:                                             https://www.facebook.com/events/1080191642072319/ 

Para mais informações sobre os textos e temas que discutiremos e discutimos durante o ano, visite:             https://coletivoanarquistalutadeclasse.wordpress.com/grupos-de-estudos-libertarios/

E a Livraria Alberto “Pocho” Mechoso estará presente também! Com dezenas de livros a sua espera! Quer conhecer nossos títulos: https://anarquismopr.org/livrariapocho/

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Venha participar!

Opinião Anarquista #7: Frente aos ataques, a inovação das táticas

Novo Opinião Anarquista do Coletivo Anarquista Luta de Classe sobre a luta por transporte público e de qualidade:

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Baixe em PDF: Opinião Anarquista 7
Frente aos ataques, a inovação das táticas

Mais uma vez, o aumento da tarifa do transporte coletivo pegou o povo de “surpresa”. Apesar do espanto, os ataques ao bolso das pessoas que andam que ônibus já não é mais novidade. Ano após ano, a máfia do transporte de Curitiba aumenta o valor da tarifa e quem sai perdendo são sempre os de baixo, trabalhadores (as) e estudantes em sua maioria.

No último dia 1º de fevereiro, a tarifa dos ônibus de Curitiba passou de R$ 3,30 para R$ 3,70. Um aumento de 40 centavos! Aos domingos, que era cobrado R$ 1,50 passa a ser R$ 2,50. Um aumento de 66%!

A Prefeitura, para tentar minimizar o choque e a revolta da população com esse aumento absurdo, diz que os outros serviços públicos – como água e luz – subiram ainda mais que a passagem de ônibus. Parece brincadeira, não é?

 Os ricos empresários do transporte alegam que não têm mais condições de arcar com os custos de manutenção e operação dos ônibus que circulam na região. O motivo deles é o mesmo de sempre: o aumento no preço de insumos e o reajuste salarial dos (as) trabalhares (as) do transporte.

Desde o último aumento a integração de Curitiba com a Região Metropolitana também foi ameaçada. A prefeitura e os empresários alegam, mais uma vez, que para manter a integração é necessário aumentar ainda mais o preço das passagens. Cidades como Colombo, Piraquara e São José dos Pinhais já não têm integração com Curitiba e possuem preços mais caros que o cobrado na capital.

Com o novo aumento, a tarifa em Piraquara e Fazenda Rio Grande chegou ao patamar de R$ 3,90! Quem mora longe paga cada vez mais caro para andar de ônibus. Com a criação dos chamados “degraus tarifários”, a tarifa cobrada em Bocaiúva do Sul, Contenda, Rio Branco do Sul e Itaperuçu chega ao inaceitável valor de R$ 4,70!

Os ataques ao nosso bolso são cada vez mais intensos e não vemos melhorias concretas na qualidade dos ônibus ou na quantidade de linhas do transporte coletivo. Os ônibus continuam demorando a passar e quando chegam estão quase sempre lotados.

Alguns terminais de ônibus, como o Terminal Santa Cândida, ainda estão em fase de término da obra. Na Linha Verde as obras foram retomadas há pouco tempo, sendo que a promessa era que estivessem prontas antes da Copa do Mundo de 2014! Outros tantos terminais que precisam de reformas urgentes são ignorados pelos governantes.

MOBILIZAÇÃO E AÇÃO DIRETA

No início deste ano vimos várias cidades do país irem às ruas contra o aumento da tarifa do ônibus. São Paulo, Rio de Janeiro, Joinville, Belo Horizonte e Florianópolis tiveram grandes atos. Em Curitiba também tivemos mobilização, chamadas pela Frente de Luta pelo Transporte (FLPT), a campanha “3,70 de nem tenta!” e o Movimento de Acompanhamento ao Transporte Urbano (MATU). No dia 2 de fevereiro, o povo mobilizado foi às ruas e trancou algumas das principais vias do centro da capital. O ato seguiu até a Prefeitura de Curitiba para pressionar o prefeito Gustavo Fruet (PDT) a negociar com o movimento.

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RENOVAR AS TÁTICAS, APRENDER COM OS MAIS NOVOS

No final de 2015 vimos em São Paulo um movimento protagonizado por estudantes secundaristas que foi forte e saiu vitorioso. Foi mais de 200 escolas ocupadas em sinal de resistência ao fechamento de escolas e à “reorganização escolar” planejado pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB).

O processo de ocupações organizado pelo movimento estudantil secundarista retomou instrumentos de organização da classe oprimida até então abandonados pela esquerda tradicional: ação direta, independência de classe, autonomia e autogestão dos espaços de luta. Foram essas as ferramentas que levaram os/as secundaristas à vitória!

Se, para além de muita luta, também queremos vitórias econômicas e políticas, devemos olhar para esse movimento e aprender com ele. Devemos construir o movimento de luta pelo transporte a partir das bases. As escolas são locais muito importantes para a militância na luta por transporte público.

Além das tradicionais e indispensáveis panfletagens nas portas das escolas, é necessário que o movimento esteja nas escolas, construindo diálogo com os/as estudantes e trazendo toda essa galera para a luta.

Hoje, a cada três estudantes que abandonam os estudos, 1 é decorrente dos altos gastos que as famílias têm com o transporte. O transporte é a terceira maior despesa das famílias no Brasil.

Temos visto que existe certo esgotamento do modelo comum de atos de rua, que iniciam em um ponto do centro da cidade e caminham até a Prefeitura, se encerrando com algumas palavras de ordem ou encaminhando uma nova reunião.

O movimento secundarista foi vitorioso porque sua dinâmica de atuação foi diferente do que até então se vinha experimentando. O movimento foi criativo, inovador, combativo e eficaz!

O movimento contra o fechamento das escolas em SP representou um avanço político-organizativo que deve ser observado por toda a esquerda, levando esse acúmulo não apenas para seus grupos de estudos, mas também, para suas ações nas ruas.

Uma tática histórica do movimento pelo transporte é o “catracasso”, abrindo os tubos de ônibus para que as pessoas usufruam de Tarifa Zero! O Movimento de Curitiba tem se utilizado dessa tática, que dialoga com a população e beneficia quem mais precisa.

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CRISE ECONÔMICA x DIREITO À CIDADE

Para entendermos melhor o cenário em que estamos inseridos, é necessário compreender o caminho desde os cortes no orçamento nacional (conhecidos como “ajuste fiscal”) promovidos pela presidenta Dilma Rouseff (PT), até o aumento da tarifa na catraca.

Basicamente, os enormes cortes em saúde, educação e programas sociais por exemplo foram realizados para se alcançar o superávit primário, que é aquilo que o governo “economiza” para o pagamento de juros da impagável divida pública.

O Ministério das Cidades, em conjunto com o Ministério dos Transportes, foram os que, no final do ano passado, sofreram os maiores cortes. Isso quer dizer que os municípios e estados passaram a receber ainda menos dinheiro da União para arcar com os custos do transporte coletivo e demais serviços públicos.

Apesar disso, não podemos cair no erro de achar que é a “falta de dinheiro” o problema central da questão do transporte coletivo em Curitiba. Não é de hoje que estão escancaradas as enormes taxas de lucro dos empresários do transporte na capital paranaense. Eles, além de lucrarem dentro do marco legal do capitalismo (o que, em nossa opinião, já representa roubo aos de baixo), ainda se utilizam de fraudes para ganhar ainda mais à custa do povo.

Desde a década de 70 movimentos sociais de luta por transporte público denunciam a formação de cartel no processo de licitação das linhas de transporte curitibanas. Atualmente, apenas uma família é dona de 70% do sistema de transporte da Grande Curitiba. O poder econômico da família Gulin concede a eles grande influência também no meio político. Por isso, sai prefeito e entra prefeito, mudam os mandatos dos vereadores, mas os Gulin continuam mantendo seu lugar de privilégio. Para se mantiverem ricos, roubam do povo, que perde seu direito à cidade.

Nesse ano de eleição, muitos políticos tentarão construir sua campanha querendo usar a pauta do transporte como alavanca eleitoral em seu próprio beneficio. Serão muitos os charlatões, oportunistas e políticos de má-fé. Nós não devemos acreditar que é votando no candidato A ou B que a vida do povo vai, de fato, mudar.

O Coletivo Anarquista Luta de Classe (CALC) entende que não importa se o candidato (a) veste a roupagem “mais popular” ou “menos popular”, pois todos representam os interesses dos de cima e da máfia do transporte. O que faz a diferença e traz conquistas concretas para a vida do povo é a organização e a luta nas ruas, e será somente isso que trará a vitória para o movimento por transporte verdadeiramente público.

Será com nossas próprias mãos, com nossa força social, que conseguiremos barrar esse aumento. De cima só vêm ataques e migalhas.

Somente com Poder Popular é que as condições de vida irão melhorar e por isso é sempre hora de lutar e reagir. Política se faz todos os dias e de baixo pra cima! Sem nenhuma ilusão na farsa eleitoral, pois o prefeito, os vereadores, a presidenta, e todos os representantes do Estado tem um lado, e não é o nosso!

Por uma vida sem catracas!

Nossas urgências não cabem nas urnas!

CALC, Fevereiro 2016

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[CURITIBA] 7º ENCONTRO DO CÍRCULO DE ESTUDOS LIBERTÁRIOS (CEL) – NA PRÓXIMA TERÇA (10/11/2015)!

A organização política anarquista

A Organização Política Anarquista

Na próxima terça-feira, 10 de novembro de 2015, o CALC articulará seu grupo de estudos em Curitiba. Faremos o CEL no Prédio Histórico da Universidade Federal do Paraná, às 18:30, na sala 205 da Psicologia.

Buscaremos estudar neste módulo sobre métodos de organização política que anarquistas defenderam ao longo da história.

Os textos base são:

-Tática e disciplina do partido revolucionário – Mikhail Bakunin

– A plataforma organizacional dos comunistas libertários – Dielo Trouda

Baixe aqui: CEL VII

Evento no Facebook:                                             https://www.facebook.com/events/1738131769743189/ 

Para mais informações sobre os textos e temas que discutiremos e discutimos durante o ano, visite:             https://coletivoanarquistalutadeclasse.wordpress.com/grupos-de-estudos-libertarios/

E a Livraria Alberto “Pocho” Mechoso estará presente também! Com dezenas de livros  e  uma grande rifa a sua espera! Quer conhecer nossos títulos: https://anarquismopr.org/livrariapocho/

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Venha participar!

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[CURITIBA] 7º ENCONTRO DO CÍRCULO DE ESTUDOS LIBERTÁRIOS (CEL) – NA PRÓXIMA TERÇA (28/10/2014)!

A organização política anarquista

Na próxima terça-feira, 28 de outubro, o CALC articulará seu grupo de estudos em Curitiba. Faremos o CEL no Prédio Histórico da Universidade Federal do Paraná, às 18:30, na sala 205 da Psicologia.

Buscaremos estudar neste módulo as distintas formas de organização política que os anarquistas adotaram ao longo da história.

Os textos base são:

– Organização I e II – Errico Malatesta

– A Síntese Anarquista – Volin

– Rumo a um novo anarquismo – Andrej Grubacic

-Tática e disciplina do partido revolucionário – Mikhail Bakunin

– A plataforma organizacional dos comunistas libertários – Dielo Trouda

Baixe aqui: CEL módulo VII

Evento no Facebook:                 https://www.facebook.com/events/1490107134593825/

Para mais informações sobre os textos e temas que discutiremos durante o ano, visite:               https://coletivoanarquistalutadeclasse.wordpress.com/grupos-de-estudos-libertarios/

Venha participar!

CEL

[Foz do Iguaçu] 200 ANOS BAKUNIN: O ANARQUISMO ORGANIZADO NAS REVOLTAS DO PRESENTE

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Em 2014 faz 200 anos que o militante e teórico anarquista Mikhail Bakunin nasceu.

Coletivo Anarquista Luta de Classe fará vários eventos no Estado do Paraná em meio a este momento de revoltas populares e urgência do anarquismo.

Quando: No dia 19 de outubro, domingo, faremos o evento na cidade de Foz do Iguaçu.

OndeBiblioteca Comunitária do Cidade Nova, Rua Eloi Armando Nedel, 1332.

Horário: 14:00.

No evento, vamos falar sobre a vida e militância deste grande anarquista, discutir sobre suas concepções táticas e estratégicas, além de colocarmos nossas posições em relação à importância do anarquismo nas atuais revoltas do povo.

Evento no Facebook:               https://www.facebook.com/events/634569723329359/

[LONDRINA] 200 ANOS BAKUNIN: O ANARQUISMO ORGANIZADO NAS REVOLTAS DO PRESENTE

Em 2014 faz 200 anos que o militante e teórico anarquista Mikhail Bakunin nasceu.

Coletivo Anarquista Luta de Classe fará vários eventos no Estado do Paraná em meio a este momento de revoltas populares e urgência do anarquismo.

Quando: No dia 27 de setembro, sábado, faremos o evento na cidade de Londrina.

Onde: No Centro de Ciências Humanas (CCH) da Universidade Estadual de Londrina – UELSALA 108.

Horário: 15:00

Evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/327748984064084/?context=create&source=49

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No evento, vamos falar sobre a vida e militância deste grande anarquista, discutir sobre suas concepções táticas e estratégicas, além de colocarmos nossas posições em relação à importância do anarquismo nas atuais revoltas do povo.

[ADIADO – Foz do Iguaçu] 200 anos Bakunin: O Anarquismo Organizado nas Revoltas do Presente

O evento “200 anos Bakunin: O Anarquismo Organizado nas Revoltas do Presente” em Foz do Iguaçu foi adiado devido ao pedido de companheiros e companheiras da cidade que não poderiam comparecer ao evento e pelo local da apresentação que não seria ideal nesta data (21/06). Ainda durante este ano faremos o evento em Foz do Iguaçu contando com a presença de mais compas que poderão ajudar no debate e será em local ideal!

Pedimos desculpas pelo transtorno e esperamos contar com vocês de Foz no evento!


foz 200 anos

Em 2014 faz 200 anos que o militante e teórico anarquista Mikhail Bakunin nasceu.

Coletivo Anarquista Luta de Classe fará vários eventos no Estado do Paraná em meio a este momento de revoltas populares e urgência do anarquismo.

Quando: No dia 21 de junho, sábado, faremos o evento na cidade de Foz do Iguaçu.

Onde: Centro de Convivência Clóvis Cunha Viana – Junto ao ERECS. Rua Julio Brecher, 470 – Santa Rita/Lagoa Dourada.

Horário: 14:00.

No evento, vamos falar sobre a vida e militância deste grande anarquista, discutir sobre suas concepções táticas e estratégicas, além de colocarmos nossas posições em relação à importância do anarquismo nas atuais revoltas do povo.

[CAMPO MOURÃO] 200 ANOS BAKUNIN: O ANARQUISMO ORGANIZADO NAS REVOLTAS DO PRESENTE

200 anos CM

Em 2014 faz 200 anos que o militante e teórico anarquista Mikhail Bakunin nasceu.

Coletivo Anarquista Luta de Classe fará vários eventos no Estado do Paraná em meio a este momento de revoltas populares e urgência do anarquismo.

Quando: No dia 31 de maio faremos o evento na cidade de Campo Mourão.

Onde: Bloco B, Sala 107, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná – Campus Campo Mourão.

Horário: 10:00.

Apoio DCE UTFPR-CM

No evento, vamos falar sobre a vida e militância deste grande anarquista, discutir sobre suas concepções táticas e estratégicas, além de colocarmos nossas posições em relação à importância do anarquismo nas atuais revoltas do povo.

Evento no facebook: https://www.facebook.com/events/393544347451472/?source=3&source_newsfeed_story_type=regular