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[FAG] Fantástica Infâmia!

Fantástica Infâmia!
Uma teoria da conspiração ao gosto da extrema direita!

INFAMIA! Não há outro termo para se referir à farsa que foi promovida neste domingo pela Rede Globo através do programa “Fantástico”. Conhecido por seu aspecto idiotizante e sensacionalista, o Fantástico já alertava, logo em seus primeiros quadros, seu fetiche por teorias da conspiração ao apresentar mais uma de suas matérias sobre misteriosos OVINIS. Embaladas na onda conservadora, as teorias da conspiração, “rigor e sabedoria” dos estúpidos, vêm ganhando espaço cada vez maior nos grandes meios de comunicação. Não seria justo o Fantástico quem deixaria de aplicar uma “autêntica”.

O sensacionalismo apresentado em torno de uma nova teoria da conspiração foi a matéria sobre uma suposta “organização anarquista criminosa”, propagandeada ostensivamente ao longo dos últimos dias e guardada como a “chave de ouro” do programa.

A matéria em questão, abordou a operação da Polícia Civil do Rio Grande do Sul direcionada ao espaço cultural Parhesia, a ocupação urbana Pandorga, e nossa organização política, Federação Anarquista Gaúcha/Coordenação Anarquista Brasileira (FAG/CAB). Desde o início da operação (dia 24/10), a grande mídia local, com a RBS na linha de frente, já demonstrava ser parte ativa nessa conspiração. Acompanhando e difundindo quase que em tempo real todo o procedimento da Polícia Civil, os telejornais endossavam completamente a versão policial, emitindo toda sorte de juízo e condenações. Em meio ao show de horrores destacou-se o telejornalismo do SBT afirmando que se tratavam de grupos neo-nazistas.

Atentados isolados passaram a ser associados de forma escandalosa a ideologia anarquista e a nossa organização em particular. O cálculo é claro e largamente conhecido: buscam através do bombardeio midiático coagir os militantes sociais que se identificam com o anarquismo, deixar na defensiva, obrigar sairmos a público rezando a cartilha da “moral e dos bons costumes” dos “cidadãos de bem”, linchadores e hatters de internet, que cada vez mais estão ganhando terreno no país.

Buscam, através de factoides, criminalizar iniciativas de caráter artístico-cultural além de nossa organização, conhecida por mais de 20 anos de militância ininterrupta nas diversas lutas e organizações dos trabalhadores e oprimidos.

Trata-se de uma operação ao gosto da extrema-direita que vem se agrupando em torno de uma agenda moralista e com um discurso fortemente macarthista. Extrema direita essa que desde a onda de ocupações de escolas vem investindo na promoção de milícias para provocar, intimidar e, quando possível, atacar fisicamente atos promovidos pela esquerda ou contra aquilo que julgam um atentado aos “bons costumes”.

Enquanto isso proto-milícias fascistas e seus crimes de ódio passam impunemente!

Reunindo-se, entre outros, em grupos pró-Bolsonaro, estes militantes da extrema direita estão fazendo um grande carnaval reacionário nas redes sociais, exibindo armas e convocando os “cidadãos de bem” a atacar os “esquerdistas” e “defensores de bandidos”, enquanto cada vez mais levam sua demência para as ruas.

Em uma mobilização dos municipários de Porto Alegre, na ocasião em Estado de greve, um professor foi agredido com um bastão retrátil por um capanga de um youtuber, ambos vinculados ao MBL. No dia seguinte, eram recebidos com grande cordialidade no Paço dos Açorianos pelo prefeito Marchezan/PSDB, que pronto agradeceu seus feitos.

Como o ovo da serpente choca de norte a sul, vimos recentemente uma turba tumultuar e inviabilizar uma atividade acadêmica a respeito do centenário da Revolução Russa na Universidade Federal do Pernambuco (UFPE) aos gritos de “intervenção militar já”! O ataque a atividade docente, com vistas a patrulhar e censurar tudo aquilo que é dito nas escolas e universidades tem sido uma das muitas histerias presente na agenda da extrema-direita. Mas, se estamos falando da região sul do país, a extrema-direita historicamente teve uma presença “sombria”, pouco ou nada abordada. Trata-se do nazismo, ou neo-nazismo.

Foi justamente em Porto Alegre onde se abrigou a Editora Revisão, responsável por editar e difundir amplamente literatura nazista e de negação do holocausto, cuja página na internet segue ativa. Foi em Porto Alegre onde, em razão de um quipá, jovens foram esfaqueados em um bairro boêmio da cidade e também é aqui onde nas ruas são diários casos de agressões físicas a casais homosexuais, a travestis, a moradores de rua, mulheres, negros e imigrantes, haitianos e senegaleses sobretudo. Por detrás desses ataques operam grupos neo-nazistas e integralistas que atuam de forma coordenada em um “corredor do ódio” que envolve Porto Alegre-Serra Gaúcha-Blumenau-Curitiba. Periodicamente realizam encontros, no caso, as “gigs” de bandas “RAC” onde aproveitam para fazer uma espécie de ritual ao final dos concertos: sair em bando nas ruas para ”beber e se divertir”.

Toda essa confraria da extrema direita, que pratica e estimulam covardes atos de ódio, são muito bem conhecidas pelo Delegado Jardim, regente mor da conspiração em curso contra o anarquismo. Há mais de 10 anos, o Delegado Jardim é incumbido da tarefa de investigar a atuação destes grupos da extrema-direita, no entanto, até o presente momento, Jardim não apresentou nada além de aparições televisivas com sua empáfia característica.

A Síndrome de Estocolmo de um “novo” cruzado contra a esquerda!

Essa não é a primeira vez que Jardim direciona sua carga à lutadores sociais. Em 2013, em meio às muitas manifestações populares que reivindicavam o direito à cidade e protestavam contra os gastos da copa em Porto Alegre, uma operação de caça de militantes da Brigada Militar resultou na prisão de 3 professores que caminhavam após a dispersão do ato com uma bandeira do CPERS.

Jardim foi o Delegado que se encarregou do caso e logo buscou enquadrar os militantes como responsáveis pelo apedrejamento ao Museu Julio de Castilhos e a Catedral em meio a uma série de suposições. Precisavam de um bode expiatório para apresentar como troféu na grande mídia, encaminhando-os ao presídio. Impossibilitado de concluir seu objetivo, dada a forte solidariedade que garantiu a liberação d@s companheir@s, Jardim não se conteve e fez questão de convocar o serviço sujo da RBS. No dia seguinte, lá estava uma matéria destacada na Zero Hora e no ClicRbs que acusava professores de “atos de vandalismo”. Não bastasse citar o nome completo de dois companheiros e uma companheira, a matéria estampava uma foto de Jardim mostrando suas fotos. Em mais de 10 anos com a responsabilidade de investigar a atuação neo-nazista, Jardim nunca expôs publicamente um de seus milicianos. No entanto, quando se trata de alguma mobilização popular, alguma manifestação de esquerda, Jardim parece espumar.

Não seria exagero sugerir que todo esse tempo enquanto responsável da Polícia Civil para investigar o neo-nazismo no Rio Grande do Sul tenha levado o senhor Jardim à uma Síndrome de Estocolmo, apaixonando-se por aqueles que estava responsável por reprimir. A manifestação da simpatia enrustida não poderia vir de melhor forma que clamando cadeia, prisão e deportação à militantes sociais e a esquerda, elemento basilar de toda manifestação nazi-fascista.

O que representa a aventura do Delegado Jardim e da Rede Globo?

O episódio mais recente parece estar configurando o “momento de ouro” do delegado, que nunca teve tamanha audiência. Representante “do bem”, cruzado contra “quadrilhas do mal”, Jardim se depara agora em uma encruzilhada onde terá de decidir qual figura detestável na história dos oprimidos buscará “reencarnar”. Pode ser que queira ser uma versão dos trópicos de Frederick Katzmann em sua farsa contra Sacco e Vanzetti ou de Hermann Göring em seu alarme pelo incêndio ao Reichstag.

Seja o que for, nesta semana, a triste figura de Jardim roubou a cena na conjuntura política do país buscando criar um espantalho para conclamar uma caça às bruxas. Taxar e intimidar uma ideologia e uma organização política em meio a um momento de importantes greves na região, onde sua militância toma parte ativa buscando levar às últimas consequências as disposições de luta e organização que brotam em cada local de trabalho, estudo e moradia. Jardim e a Rede Globo buscam semear pânico e desorientação; em um primeiro momento no anarquismo militante, logo em seguida, se arvorarão em completar sua investida farsesca, carregada de factoides e arapongagens, ao conjunto da esquerda e dos movimentos sociais. Jardim roubou a cena para escancarar a verdadeira farsa que é a alternativa da extrema direita e seus aventureiros de plantão, que com o beneplácito do oligopólio da grande mídia se desenvolvem em tribunais e no aparelho repressivo do Estado, convocando e promovendo o genocídio da juventude negra nas periferias, a violência contra LGBTs e a intolerância religiosa; o extermínio dos povos indígenas e quilombolas e o ajuste fiscal.

Terrorismo contra os de baixo, terrorismo contra nossa classe! Jardim, a Rede Globo e seus cruzados que fiquem cientes que não nos curvaremos!

Contra o ajuste e a repressão! Luta e organização!

Federação Anarquista Gaúcha (FAG) – Organização integrada à Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

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[FAG] QUARTA INVESTIDA REPRESSIVA SOBRE A FAG EM MENOS DE 10 ANOS

A Organização está solidária com os espaços e grupos que também foram atingidos pela ação repressiva – Parrhesia e Ocupa Pandorga – e toma uma postura resoluta pelo direito de associação e livre pensamento.

29 de outubro de 2009 a sede da organização política foi invadida por agentes da civil e teve equipamentos, arquivos e suportes de propaganda apreendidos pela polícia. Era reação oficial a campanha de agitação desatada pela FAG que reclamava justiça pelo caso do Sem Terra Elton Brum da Silva, assassinado pela Brigada Militar a mando da governadora Yeda Crusius. Sede invadida, material apreendido e 6 militantes processados, o que mais tarde caducou por fragilidade do processo.

20 de junho de 2013, na luz do dia em que se anunciava uma mega-marcha da épica jornada do Bloco de Lutas o Ateneu Libertário Batalha da Várzea é arrombado e invadido sem indicação de mandado judicial por uma força repressiva a soldo do governador Tarso Genro. Em coletiva de imprensa da secretaria de segurança, após o sucedido, o chefe da polícia civil se consagrou pela pérola de que a ação encontrou provas contundentes em “vasta literatura anarquista”. Tarso Genro disparando sandices e disparates contra a revolta popular que não podia controlar usou o selo de “anarco-fascista” pros desafetos e autorizou sua polícia a fazer a imprudência de sequestrar livros da biblioteca do Ateneu, entre eles de um destacado e notório anarquista e antifascista italiano. O Estado do RS logo calou sobre essa infâmia e devolveu na calada parte dos livros depois da vergonha pública de uma piada sem graça que ganhou o país.

1° de outubro de 2013 o Ateneu é novamente visitado com violência pela polícia durante uma operação de caça as bruxas sobre militantes e organizações que formavam o Bloco de Lutas. O mandado faz buscas em locais coletivos e domicílios. O plano buscava elementos pra provar a teoria do domínio do fato sobre o setor mais ativo das jornadas de junho. A ideia tão simples como estúpida que estava embutida na peça era de que tudo que se produzia ao interior da revolta de massas que foi desatada pelas ruas da capital, em onda com o país, passava pelo comando dos compas e locais investigados. Resulta dessa operação 6 militantes do Bloco, de diferentes filiações ideológicas, processados pela figura penal de quadrilha e “formação de milícias privadas”, com tramite até os dias atuais.

25 de outubro de 2017 vem novo factoide associado com nossa Organização e que atinge também outros espaços e concepções libertárias. A polícia civil diz ter cerca de 10 locais e 30 pessoas investigadas e criminalizadas pelo seu factóide. Nossa solidariedade com a Ocupa Pandorga da Azenha e o Parrhesia na Cidade Baixa, que foram invadidos e tiveram publicações e equipamentos de trabalho sequestrados pela operação policial durante o dia. São locais públicos e conhecidos por seus projetos sociais junto a vizinhança ou a comunidade de interesses que reúnem.

O discurso criminal e individualizador sobre os radicais é um artifício antigo pra assustar e desmobilizar, plantar confusão e desconfiança, neutralizar a atração de um sindicalismo de ação direta ou os marcadores combativos que pode subir o tom do movimento popular. Querem cabrestear a rebeldia levando pro juízo fácil do noticiário uma fantasia de quadrilha de propósitos confusos. Justo no meio de lutas sociais duras contra o ajuste, no estado com a greve da educação, e no município pela mão dos servidores de Porto Alegre. Greves com participação forte e indignada das categorias e com determinação de criar resistência a todo pano ao projeto de arrocho e desmonte dos serviços públicos, onde a FAG toma parte modestamente com seu grupo de militantes, como trabalhadores que somos, como tendência libertária que marca sua mirada própria sobre as coisas, entre os muitos outros colegas que formam o campo de luta que ganha expressão unida no sindicato.

O anarquismo que tem voz em nosso projeto é uma luta estratégica contra o poder que se apoia em estruturas de desigualdade social, de violência colonial, de genero e raça, de dominação de classe. Anarquismo que abraça um programa de socialismo na economia e no poder político, com autogestão da produção pelos trabalhadores e democracia direta e federalismo no regime da vida pública. A nossa é uma organização política pra atuar pela tática nas lutas sociais e políticas e cavar mundo novo pela ação das organizações de base do movimento social. Lutar e criar PODER POPULAR com ação direta de classe e independência dos governos e patrões.

A memória de Elton Brum grita e acusa o policial assassino que a mesma justiça que criminaliza os anarquistas tenta soltar.

Basta de impunidade da quadrilha dirigente do Estado brasileiro, o empresariado da propina e da sonegação e os parasitas do sistema financeiro.

FORA TEMER E TODOS OS DEMOLIDORES DE DIREITOS.

TODO APOIO A GREVE DA EDUCAÇÃO DO RS E DOS MUNICIPÁRIOS DE POA.

CHEGA DE FARSA JUDICIAL-REPRESIVA SOBRE OS LUTADORES/AS.

NÃO SE AJUSTA QUEM PELEIA!

[Rusga] PARTE 01 – JUDICIALIZAÇÃO, CRIMINALIZAÇÃO, VIGILANTISMO E PERSEGUIÇÃO – REFLEXOS DA DOUTRINA DE SEGURANÇA NACIONAL

O material que trazemos aqui é fruto de pesquisa e reflexões coletivas, da militância da Rusga Libertária; são contribuições, também, fruto da pesquisa de doutorado de um de nossos militantes. O material foi divido em três partes – que estaremos publicando de hoje até quinta-feira – pelo tamanho do material completo e com a intenção de facilitar a leitura e demais ponderações/crítica/contribuições da companheirada que realize essa importante leitura.

O presente material pode sofrer algumas alterações…

Link para Download em PDF: Opinião Anarquista 03 – DSN Uma Análise Anarquista (part.01)

Uma Análise Anarquista – parte 01

Trazemos aqui nossa colaboração com alguns aportes teóricos-históricos sobre o surgimento da Doutrina de Segurança Nacional (DSN), como suas diretrizes nunca estiveram distanciadas da realidade dos que lutam com postura combativa e utilizando a ação direta como mecanismo para construir um povo forte com intenção de realizar severas modificações na estrutura de dominação. Além de tentar desmistificar algo criado recentemente: que a Lei de Segurança Nacional foi criada para dar suporte ao período da Copa do Mundo de 2014 e às Olimpíadas de 2016 – ela foi sancionada ainda no Governo Dilma.

Com esses apontamentos pretendemos nortear algumas questões básicas sobre a forma organizativa que acreditamos e os mecanismos de segurança, estratégia e tática essenciais para o desenvolvimento das lutas das/os de baixo.

A herança da Doutrina de Segurança Nacional

No ano de 2008, o então presidente em exercício Luís Inácio “Lula” da Silva abonou o decreto nº 6.703, de 18 de dezembro do mesmo ano. Esse decreto aprovou a “Estratégia Nacional de Defesa”, que entrou em vigor na data de sua publicação.

Em documento que antecede a proposta oficial, o grupo de trabalho composto pelo Ministro da Defesa (na época Nelson Jobim), dos comandantes das três Forças Armadas e do Ministro da Secretaria de Planejamento de Longo Prazo da Presidência da República (na ocasião Roberto Mangabeira Unger), estabelecia-se os fundamentos doutrinários para o emprego das Forças Armadas (FA) em atendimento às demandas da Defesa Nacional.

Quando nos colocamos a analisar a chamada Doutrina de Segurança Nacional, incluída ainda na época em que os países do Cone Sul estiveram sob a tutela de governos militares, uma das questões que vieram à tona foi a seguinte: como os militares concebiam a ideia de Doutrina e Segurança? Alguma herança foi deixada no seio das organizações das Forças Armadas?

Na análise da DMD (Doutrina Militar de Defesa), há uma definição de tais palavras:

Segundo o documento:

As doutrinas representam uma exposição integrada e harmônica de ideias e entendimentos sobre determinado assunto, com a finalidade de ordenar linhas de pensamentos e orientar ações. Podem ser explicitas ou implícitas. Explicitas, quando formalizadas em documentos, e implícitas, quando praticadas de acordo com costumes e tradições.

O documento ainda ramifica o conceito em doutrinas militares(que englobam a administração, a organização e o funcionamento das instituições militares), doutrinas militares de defesa (formuladas no nível político e estratégico, ligam-se a particularidade de cada Estado, no entanto, no nível administrativo, logístico e operacional, podem ser intercambiáveis, pois se valem da ciência e da técnica), por último, descreve a doutrina militar de defesa brasileira (com produção de análise especifica do território e de documentação interna).

No que tange o conceito de Segurança o documento nos traz a seguinte descrição:

Está relacionada à percepção da existência de ameaças que eventualmente, podem se transformar em agressões. Tais ameaças podem ter origem e implicações no âmbito externo ou interno de um Estado-Nação e manifestarem-se como agressões ao Poder Nacional em todos ou parte dos seus campos.

Tudo que foi exposto, segundo os autores, é fruto dos debates estabelecidos pelo Estado Maior das Forças Armadas (EMFA), criado em 1946. Desta iniciativa, foi construído o primeiro documento doutrinário básico, que foi sendo aperfeiçoado, com o trabalho paralelo da Escola Superior de Guerra (ESG), criada em 1949.

A linha que desejamos abordar aqui é que tais conceitos (Doutrina e Segurança) continuam aportados no que o documento chamou de doutrina implícita (costumes e tradições) e na ideia de segurança onde se concebe ameaças externas e internas. Além disso, queremos apontar que houve um refinamento desses conceitos pela ESG, formuladora e disseminadora da Doutrina de Segurança Nacional nos anos de chumbo, que acabou servindo como referência para outros regimes.

Outro quesito que também nos deixou bastante intrigado é a ideia que aparece no último capítulo: a prevenção e o combate ao terrorismo. Apesar de tomar o devido cuidado e contextualizar “terrorismo”, aos acontecimentos de setembro de 2001 nos Estados Unidos da América (EUA), o conceito de terrorismo é descrito como sendo uma prática “composta por grupos extremistas, aglutinados por compartilharem valores políticos, ideológicos, religiosos, étnicos e culturais, integrados por profissionais determinados em suas ações” e continua descrevendo os objetivos destes chamados ‘terroristas’ que tem como propósito “quebrar ou alterar a vontade do país ou dos países alvos por meio da manipulação do terror”.

No Brasil, a ideia de um inimigo que pratica o terrorismo abriu espaço para a formulação do Projeto de Lei do Senado nº 499, de 2013, que define o que é o terrorismo e quais as penas para tal crime. Essa ideação, é parto da DMD que visa, com isso, virar lei e substituir a Lei de Segurança Nacional (LSN) nº7.170 de 1983, que remonta ao regime militar. Afinal, o que podemos perceber é que no Cone Sul, houveram heranças deixadas pelo regime militar que podem e estão sendo colocadas na pauta do dia; principalmente quando os maiores interesses é avançar nas políticas neoliberais – privatizações e imensa precarização dos direitos sociais e trabalhistas das/os oprimidas/os e ter um segmento armado dotado de novas diretrizes de intervenção remodeladas com a conjuntura política e econômica, onde mecanismos de judicialização possuem maior eficácia através do encarceramento e perseguição de militantes.

O Brasil continua sendo um formulador de teoria militar, embasando-se no processo que o elegeu nesta parte da América como a nação que melhor aplicou o ideário da DSN. É possível perceber que essas ideias, formuladas durante os anos de ditadura, continuam influenciando no campo político latino americano, em especial, tendo como norte da compreensão o crescimento da criminalização e judicialização das lutas sociais nos 14 anos de governo PT, tendo maior ataque com os preparativos para a Copa do Mundo e as Olimpíadas de 2016.

Na década de 1960 e 1970, os EUA deram ênfase no antagonismo Leste-Oeste, fornecendo a devida base ideológica para as ditaduras militares da América do Sul. Segundo Joseph Comblin: “[…] em 1971 existia apenas no Brasil; os outros regimes, ainda que militares, eram de cunho nacionalista[…]”. O Brasil é importante dentro deste cenário, pois foi o primeiro a sistematizar uma ideia latino-americana da DSN.

Durante os anos que se seguiram, podemos dizer que todos os países do Cone Sul tomaram o discurso da DSN para legitimar as ditaduras impostas em seus territórios, em uma primeira fase ainda não alinhados com o discurso anticomunista, mas sim voltados a resolver querelas internas – problemas estruturais, como os econômicos.

Outro fato interessante é que na região sul-americana os militares apareceram com frequência cumprindo papeis no campo político, fenômeno discutido em variados estudos. No percurso histórico, os militares latinos americanos por vezes aparecem como árbitros de questões políticas. No entanto, no período da Guerra Fria é possível perceber a apropriação de um elemento novo: a DSN.

Não queremos transpor aqui, de maneira mecânica, alguns fatos que acreditamos ser importantes para a elaboração desse material. A discussão que trazemos é que o ideário construído pelos EUA foi sendo reformulado pelos regimes militares latinos americanos, no entanto, não nos parece destoante que a troca de concepções entre as instituições militares do Cone Sul começara antes mesmo de estabelecida no campo da formalidade – como podemos ver nas décadas de 1970, com o chamado Plano Condor.

Estados Unidos e a Doutrina de Segurança Nacional

Anteriormente, tentamos fazer um panorama amplo sobre o surgimento, estruturação e reformulações da DSN; todo esse processo foi realizado em consonância com as mudanças políticas e econômicas globais, configurando de acordo com os interesses geopolíticos e econômicos das pequenas oligarquias. Tomando a configuração ideológica dos períodos pós Primeira e Segunda Guerra Mundial, onde o mundo estava imerso em um conflito ideológico protagonizado por duas grandes potências: os Estados Unidos (EUA) e a União das Repúblicas Soviéticas Socialistas (URSS), cujas desenvolveram mecanismos distintos e específicos para a questão da vigilância e contra-inteligência.

Nos EUA, a partir do período Truman (1945-1953), iniciou um debate que girava em torno de deter o avanço do comunismo mundial – é importante ressaltar que as mesmas práticas já foram utilizadas ainda durante a virada do século XIX para o XX, quando vários militantes anarquistas e comunistas passaram por deportações, prisões perpétuas e até mesmo sentenças de morte. No ano de 1947 ocorreu a assinatura do Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR), que tinha como mote a proposta de auxílio mútuo entre as Nações Americanas em casa de qualquer “agressão”.

Em 1948 é fundado a Organização dos Estados Americanos (OEA), cuja descrição é tida como resultado de um longo processo de negociação iniciado em 1945, coincidindo exatamente com o fim da Segunda Guerra Mundial e é justamente quando os EUA começam a intensificar sua preocupação com a URSS e seu ideário comunista. A formulação da Doutrina de Segurança Nacional deu-se nesse contexto e a missão dos EUA era difundir essa principal ideia aos seus satélites, tendo como conceitos básicos: Geopolítica, Nação, Bipolaridade e a Guerra Total. Em a Ideologia de Segurança Nacional, Joseph Comblin realiza uma distinção entre geopolítica e geografia política; através da primeira usasse dos dados geográficos uma orientação para fazer política, enquanto na segunda é abdicado tal objetivo. Por muito tempo, os Estados Unidos, não viu com bons olhos as discussões sobre geopolítica por acreditarem que serviram de base para o nazismo, mas reabilitaram a ideia e apontaram a geopolítica como sendo a ciência dos projetos nacionais baseados na geografia e acreditando que: apenas os países maiores teriam condições de desenvolver uma geopolítica verdadeiramente nacional, aos países pequenos restariam se integrar no conjunto maior.

Os Estados Unidos estabeleciam assim fundamentos científicos via geopolítica para explicar a necessidade do alinhamento dos países latino-americano aos seus interesses.

Surge, em meio de todo esse contexto, o conceito de Nação estabelecido pela geopolítica: a Nação agiria pelo Estado, tornando essas duas ideias indissociáveis. A Doutrina de Segurança Nacional colocava formalmente o que se referia ao Estado não seria distinto da Nação, passava por todos os interesses específicos de cada nação – de acordo com os interesses das que controlam o poder hegemônico. Com essa concepção, os países americanos seriam um só ente, teriam uma só vontade, um único projeto: subordinados aos interesses estadunidense. Através das relações entre os Estados poderia se ter um comando unificado para estabelecer um inimigo comum, alinhar o discurso colocando como possibilidade a luta contra o comunismo internacional.

Os EUA obtiveram relevante crescimento econômico, após a Primeira Guerra, através das suas investidas em empréstimos e fornecimento de alimentos e materiais bélicos – processo que acabou levando a Inglaterra em sua perda de hegemonia mundial e tornando os Estados Unidos a nova potencial em desenvolvimento imperialista. Esse crescimento/desenvolvimento enquanto potência imperialista, num mundo em avanço de novo ciclo capitalista, fez com que os EUA aumentassem sua influência sobre os países da América do Sul fazendo com que levassem suas ideias a cabo; era preciso seguir a nova grande potência que, com sua direção, “salvaria” a América Latina de inimigos internos e externos. Qualquer outra demanda nesse momento seria menor, visto a luta maior travada contra a URSS que tinha como finalidade acabar com o ‘mundo livre’.

O conceito de Guerra Total está dividido entre Guerra GeneralizadaGuerra Fria e Guerra Revolucionária. Na primeira, guarda-se uma noção de uma guerra ilimitada entre os Estados Unidos e a União Soviética, uma guerra que deveria terminar com a derrota total de um dos lados, havendo de estabelecer o fim do inimigo como uma questão de sobrevivência (a meta a ser atingida); na segunda seria a materialização da Generalizada ou total, os países do Ocidente estariam vendo que as preocupações dos EUA não eram descartáveis e que a necessidade de barrar o comunismo não estava somente no campo do simbólico e sim no campo do real.

O conceito construído pela Lei de Segurança Nacional (LSN), formulada pelos estadunidenses contra as ideias “subversivas” colocava a Guerra Revolucionária como sendo a estratégia do comunismo internacional, os EUA passaram a equiparar que todos os fenômenos revolucionários ocorridos no terceiro mundo teriam a mesma base nos interesses soviéticos, a guerra revolucionária deveria ser combatida pois complementa as outras ramificações enquanto técnicas. Era preciso criar uma contratécnica e dar suporte para que ela se estabelecesse em todos os lugares possíveis, estava assim estabelecida toda a base para a Doutrina de Segurança Nacional; a base estabelecida de uma DSN estaria indo de encontro a combater toda forma de movimentação social, trabalhista, popular, sindical e rural, sendo qualquer movimento que pudesse questionar as intenções imperialistas tidas e tratadas enquanto inimigas do “mundo livre”.

[CAB] Nota de adesão à solidariedade internacional contra a criminalização da pobreza e do protesto na África do Sul

A Coordenação Anarquista Brasileira repudia a criminalização covarde dos lutadores e lutadoras sociais da África do Sul e sua perseguição.

Em fevereiro de 2015, quatro militantes comunitários foram sentenciados a 16 anos de prisão por participar de um protesto em sua comunidade. Depois de um breve período em liberdade provisória, dois dos quatro militantes foram novamente encarcerados em 19 de junho de 2017.

No dia 6 de fevereiro de 2016, Papi Tobias, pai de três filhos e líder comunitário em luta por moradia e direitos sociais na sua comunidade desapareceu enquanto saía para assistir um jogo de futebol num bar. Ele foi visto saindo de um bar na presença do comandante de polícia local, Jan Scheepers. Até hoje ele está desaparecido.

A classe dominante sul-africana vem utilizando frequentemente leis e expedientes criminosos da época do Apartheid para condenar a classe trabalhadora negra e pobre e criminalizar as atividades de militantes e lutadores/as sociais.

Assim como no Brasil (caso Rafael Braga e muitos outros), a classe dominante da África do Sul utiliza o expediente da justiça e do seu aparato armado racista para promover a criminalização da pobreza, do protesto e fortalecer o racismo.

A continuidade entre o terrorismo de Estado e seus os aparatos prossegue independente do governo que assuma, na África do Sul ou no Brasil!

Liberdade para Dinah e Sipho!
Justiça para Papi!

Mais um episódio de racismo e agressão do Poder Repressivo do Paraná. Toda solidariedade a Renato Freitas.

Na tarde da última quinta-feira (25 de agosto), Renato Freitas, jovem advogado negro, foi detido pela Guarda Municipal por estar ouvindo “RAP muito alto” próximo a um prédio público no centro de Curitiba. Levado para delegacia, também acusado de desacato à autoridade, foi agredido, colocado nu em uma cela e ofendido com inúmeras injúrias raciais. Mais um exemplo da violência cotidiana que os jovens negros sofrem todos os dias nas mãos das polícias.

A criminalização e violência que jovens negros, pobres e da periferia sofrem diariamente são marcas de um sistema punitivo racista. As polícias são formadas para selecionar as pessoas negras, vigiá-las, criminalizá-las ou executá-las, e usam como desculpa um suposto “combate à violência” para justificar o terrorismo contra o Povo.

Mesmo considerando que a maior parte dos abusos cometidos por policiais não é registrada, alguns números que destacam o genocídio do povo negro e a violência policial já demonstram o absurdo: no Brasil, estima-se que por ano mais de 2500 pessoas negras são assassinadas (mais de 70% dos homicídios); são mais de 700 mil pessoas encarceradas em condições desumanas, e mais de 60% delas são negras; a polícia brasileira é a que mais mata no mundo (maior parte, pessoas que já se renderam).

Este ano, só no primeiro semestre a polícia do Paraná matou 156 pessoas. No Rio de Janeiro, ainda há luta pela liberdade de Rafael Braga, jovem negro e ex-morador de rua, foi preso por portar uma garrafa de pinho sol ao passar perto das manifestações de Junho de 2013. Em Maceió, das 898 pessoas assassinadas esse ano, apenas 2 eram brancas.

Todos os dias são milhares de Amarildos, Cláudias e Eduardos condenados à morte nas mãos da Polícia. Todos os dias a população periférica sofre o terrorismo do Estado nas mãos de Unidades Pacificadoras, Guardas Municipais militarizadas e da PM. Renato foi mais uma vítima, por ser negro e por estar ouvindo um estilo musical que representa a cultura popular, a resistência negra, periférica e crítica da sociedade. Estas barbaridades têm que acabar e só a luta popular pode transformar esta situação.

                Devemos rodear de solidariedade aquelas e aqueles lutam e resistem diariamente, aquelas e aqueles que são criminalizados e massacrados pelo Estado. E devemos urgentemente nos organizar enquanto Povo Oprimido nos movimentos sociais, e fazer as transformações por nossas próprias mãos, nós por nós!

Toda solidariedade a Renato Freitas!

Pelo fim da criminalização e genocídio do povo negro!

Liberdade para Rafael Braga!

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[ORL] Questionando a relação de maternidade, transformando as relações sociais

Retirado de: http://resistencialibertaria.org/2016/05/06/maternidade/

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Questionando a relação de maternidade, transformando as relações sociais

 É preciso de uma tribo inteira para educar uma criança.
Provérbio africano

Mesmo que muitas mulheres não sejam mães, isso não exime nenhuma mulher (e nenhum homem) socialista e libertária de debater o tema da maternidade sob o viés feminista e de forma crítica para a construção de nossas organizações políticas e de um projeto de transformação da sociedade. Como esse tema é muito abrangente e complexo, este texto se propõe a pontuar alguns tópicos para se tentar construir uma nova postura diária diante das mulheres-mães que se tem contato, seja de forma rotineira ou esporádica, valendo essas reflexões para todos e todas que se interessam pelo tema e por construir relações mais solidárias e libertárias com as mulheres que são mães.

Iniciando a discussão a nível de Estado, embora algumas (insuficientes) políticas públicas reconheçam e atendam às necessidades de gestantes e puérperas, muito ainda precisa ser feito. O Estado e o patriarcado violentam as mulheres de forma sistemática, não só não atendendo suas necessidades típicas do feminino na saúde, educação, segurança e transporte, mas tirando direitos e criminalizando mulheres, principalmente as negras, quando se tenta resistir às opressões da máquina.

Atualmente, assistimos indignadas à culpabilização das mulheres em virtude do nascimento de crianças com microcefalia.  Sabemos que o zica vírus é transmitido e se perpetua por falhas em políticas públicas de saneamento básico e saúde, entre outras. Ao invés de garantir as condições de saúde pública para o desenvolvimento das pessoas, nesse caso, o Estado territorializa o corpo e a vida das mulheres, culpando-as por contrair o zica vírus. Junte-se a isso o abandono dos pais e do próprio Estado através do não-fornecimento de políticas públicas, trazendo à tona a discussão inadiável da descriminalização do aborto, de tonar a maternidade uma escolha e não algo compulsório.

A conjuntura há muito é de ataque aos nossos direitos e às nossas vidas. Exemplos disso são a criminalização do aborto, o estatuto do nascituro, pouco atendimento diferenciado na saúde (física e mental) para mulheres, carência na proteção à mulher (e principalmente às negras) contra a violência doméstica, ausência do feminismo como assunto a ser abordado nas escolas e, em alguns Estados, há inclusive uma proibição expressa nesse sentido, dentre tantos outros!

A nível de relações cotidianas e no campo simbólico, a romantização da maternidade é um mecanismo machista e patriarcal de naturalizar e perpetuar a sobrecarga de trabalho sobre as mães. Decorrente dessa romantização surge a CONIVENTE E CONVENIENTE figura do “pai quando dá”. É possível facilmente constatar variados casos de relações em que o pai é ausente e só faz o papel de cuidador quando quer, ou ainda quando usa a criança como chantagem para se aproximar da mãe, quando a responsabilidade com a criança é só da mãe, mesmo se dividirem o mesmo espaço etc. Vivenciamos ou presenciamos diversos casos e relatos de mulheres, casadas ou não, que trabalham, vão buscar as crianças na escola e fazem tudo dentro de casa, e o pai é ausente nas atividades do dia a dia.

O “pai quando dᔓ(…) infelizmente não percebe [ou simplesmente não se importa] que o preço de sua liberdade e de sua mobilidade se faz à custa da territorialização da mulher e do tempo feminino. E que todas as vezes que ele sai pela rua sozinho, caminhando com as suas próprias pernas, é porque tem uma mulher que está fazendo o trabalho de cuidado de seu(sua) filho(a)” (Camila Fernandes).

Atrelado à territorialização da mulher e do tempo feminino, acaba por sobrar pouco (nenhum) tempo e espaço para a mulher curtir o ócio, o lazer, o trabalho, uma leitura, um hobby, um sonho ou o que quer que seja sem os/as filhos/as. Acaba também que a necessidade psicológica (fundamental!) de que as mulheres-mães tenham condições de encarar um processo de autoconhecimento, de reflexão sobre si mesmas, de cuidado de sie empoderamento coletivo fica relegado para …. DEPOIS (nunca). Resultado: muitas mulheres frustradas e deprimidas, mas se perguntando “por quê?”.

Segundo Maria José, psiquiatra do Coletivo Feminino Plural, “as mulheres casadas que têm mais de três filhos, isso é um risco para a saúde mental. Porque são elas que fazem tudo, cuidam da casa, criam as crianças sozinhas, são elas que abortam, elas que gerenciam a casa. Quando chegam do trabalho, se forem pobres, vão ter que fazer de novo tudo que fizeram na casa da patroa […]. É uma sobrecarga que não termina nunca. Então, o casamento é um risco para a vida das mulheres. Infelizmente, essa é a realidade. Porque aumenta demais a sobrecarga de trabalho”.

Do outro lado da romantização da maternidade, um outro mecanismo de violência sobre as mulheres é a exclusiva culpabilização da sociedade sobre ela por engravidar, o que se torna um grande tormento psicológico proveniente dos olhares de julgamento em cima da mulher (mais ainda quando é preta e pobre), além da falta de cuidado, da grande carência na gentileza e acolhimento a essas mulheres nos espaços públicos e dos insultos contínuos que a sociedade e(muitas vezes) a família reforçam e descarregam. Nada mais humilhante do que as palavras “Quem pariu que crie”, “abriu as pernas agora vai ter”, “é obrigação sua criar”, “quem mandou não se prevenir?!”.  Estes e outros insultos pesam para que a mulher carregue a culpa de ser mãe para o resto da vida. E ainda acreditando no romantismo da maternidade, a mãe sente que tem que aceitar tudo isso calada e sem rebater.

Diante desse quadro desolador, principalmente para as mães negras e pobres, é necessário um conjunto de ações que rompam com esses dispositivos (reais e simbólicos) do poder machista e patriarcal. A começar pelo conselho: “mais do que questionar, aproveite a oportunidade para auxiliar, para por em prática sua gentileza, seja puxando um carrinho no mercado enquanto a mãe segura o filho no colo, seja dando o lugar na fila”. (Mariana).

Também temos necessidade de progressivamente desromantizar a maternidade, como uma forma de mostrar que não só a mulher tem a obrigação de cuidar ou de ocupar todo o seu tempo nesta função.  Não falamos aqui em deixar de cuidar do filho ou da filha, mas de dividir as responsabilidades, garantindo que a mãe possa dar continuidade a seus planos de vida. Portanto, que apareçam nos discursos cotidianos e em nossas ações o incômodo e o desconforto do privilégio do “pai quando dá” – que pode ser um amigo, um colega, um familiar.

Também incentivamos a prática libertária de comuna e de responsabilidade coletiva pela socialização e criação das crianças. Buscar formas de dividir responsabilidades e multiplicar a educação das crianças é uma das maneiras mais potentes de empoderar as mulheres na luta feminista! Daí as organizações políticas, os movimentos sociais e coletivos precisarem estar atentos para as mulheres-mães que frequentam seus espaços e constroem a luta. É fundamental reconhecer que o simples fato de essa mãe estar levando sua criança para um espaço de esquerda já é uma contribuição para o fortalecimento das lutas e para a construção de uma sociedade mais justa, a partir da educação de crianças em espaços com cultura libertária.

E aqui, nós, que organizamos espaços coletivos e libertários, precisamos estar atentas: “ao se aproximar de ambientes e coletivos feministas, sejam eles presenciais ou não, a mulher precisa se sentir acolhida, segura e representada. Com a mãe não é diferente. Mas estar em um lugar onde há muita antipatia com a sua condição de mãe não é lá muito legal. Agora imaginem um ambiente feminista que não é acolhedor para uma criança. Se não acolhe a criança, logo não vai acolher a mãe”(Adauana Campos). Por isso que é tão valioso que as organizações políticas e os movimentos sociais incluam as mães em sua agenda e na sua estrutura e disposição política de se fazer movimento.

Por fim, gostaríamos de terminar o texto com a importância da desobediência para nossas crianças – tema tão caro para nós, anarquistas! Não se trata aqui da rebeldia sem causa, mas da consciência de se estar sofrendo uma injustiça e da raiva decorrente disso bem direcionada e expressa. Não se trata só de desobedecer, mas de saber quando e como desobedecer! E que ato de coragem e ousadia é se nossas mães-amigas libertárias estimularem nossas crianças a despertarem suas capacidades críticas a isso – ainda mais diante delas mesmas ou de outras figuras de “autoridade”!

“Na verdade, quanto mais permitimos que o outro siga a sua própria vontade e criamos um ambiente de condições favoráveis e saudáveis para que isso ocorra, mais respeito conquistamos nessa relação e, de lambuja, contribuímos para quebrar esse ciclo autoritário, competitivo e dominador que impera em nosso contexto social. As pessoas mais criativas e que surpreendem nesse mundo são as que aprenderam que é preciso desobedecer. Quando aprendemos a desobedecer, (re)descobrimos o prazer da vida, aquela felicidade genuína da infância e passamos a obedecer (aí sim), a nós mesmos, ao nosso coração.” (Bruna Gomes)

Referências

Camila Fernandes:

http://www.geledes.org.br/pai-quando-da/?fb_ref=4725e72374f240998357609a68798cbf-Facebook

Adauana Campos:

https://www.facebook.com/ogatoeodiabo/photos/a.189948551181226.1073741826.189944834514931/523383297837748/?type=3&theater

Julia Harger:

https://temosquefalarsobreisso.wordpress.com/2015/11/22/desconstruir-a-maternidade-romantica-e-nosso-papel/

Maria José:

http://www.geledes.org.br/o-casamento-e-um-risco-para-a-vida-das-mulheres-diz-medica-especialista-em-saude-mental-feminina/#ixzz44LrTTyRk

Bruna Gomes:

http://brincandoporai.com.br/a-importancia-da-desobediencia/

Mariana:

http://porumavidadeverdade.com/eu-mae-solo-de-tres-puerpera-longe-da-familia-e-feliz/

[FARJ] Terroristas do Estado brasileiro fazem mais cinco vítimas

Retirado de:                https://www.facebook.com/anarquismorj/photos/a.163241370531736.1073741826.161858530670020/440969509425586/?type=3&theater

terror

Cinco jovens negros foram fuzilados pela polícia na noite de sábado, no bairro de Costa Barros, Rio de Janeiro. Não satisfeitos, os policiais que fuzilaram os jovens, numa prática comum e rotineira da PMERJ, tentaram armar um “flagrante”, colocando uma pistola de plástico próximo ao carro (como se isso justificasse a chacina).

Não foi “acidente”, não foi “erro operacional”. É apenas o racismo estrutural da polícia e do Estado brasileiro em curso, tendo sempre como alvo a população negra e pobre.

Enquanto a lei anti-terrorismo é aprovada, o Estado continua seu genocídio. Pela nova lei, um/a manifestante poderá ser enquadrado/a como terrorista por quebrar uma vidraça de um banco. Enquanto isso, o mesmo Estado que aprova esta lei, assassina sistematicamente a juventude negra das favelas.

Não foi acidente.
Chega de massacre. Chega de extermínio.
Terrorista é o Estado!

[CABN] Boletim CABN nov/2014

Retirado dehttp://www.cabn.libertar.org/boletim-cabn-nov2014/

Salve companheiras e companheiros!

Neste boletim de novembro: Terrorismo de Estado no México; Ateneu libertário em Porto Alegre; 19 anos da FAG; 2 anos da Ocupação Contestado; 16 dias de ativismo pelo fim da violência contra a mulher; entrevista sobre Mikhail Bakunin

Terrorismo de Estado no México

A Federação Anarquista Uruguaia e a Coordenação Anarquista Brasileira escreveram uma nota sobre o terrorismo de Estado realizado no México, onde 43 estudantes foram desaparecidos e mortos por milícias ligadas diretamente ao governo. Neste momento, o povo mexicano se levanta contra a impunidade e o Estado opressor. Toda solidariedade a quem luta!
https://anarquismorj.wordpress.com/2014/11/23/fau-con-los-43-estudiantes-que-nos-faltan-siempre-contra-la-impunidad/

Ateneu libertário “A Batalha da Várzea”

O Ateneu “A Batalha da Várzea”, em Porto Alegre, está de portas abertas e com uma importante programação de debates, exibição de filmes, lançamento de livros, etc. Leia mais aqui:
https://www.facebook.com/abatalhadavarzea

19 anos da Federação Anarquista Gaúcha

A FAG, importante organização para a construção da corrente especifista no Brasil e pela formação da Coordenação Anarquista Brasileira, completou 19 anos de vida. Seguimos na luta, ombro a ombro, pois “não tá morto quem peleia”!
http://www.federacaoanarquistagaucha.org/?p=1041

2 anos da Ocupação Contestado

A Ocupação Contestado, de São José, completou esse mês 2 anos de existência na luta por moradia e vida dignas. O portal Maruim produziu reportagens e vídeos sobre a Ocupação:
https://medium.com/@midiamaruim/ocupacao-contestado-em-sao-jose-sc-completa-2-anos-750f43f1c79a

16 dias de ativismo pelo fim da violência contra a mulher

Em Joinville, nas últimas semanas, diversas atividades fizeram parte da iniciativa “16 dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher”. O Centro de Direitos Humanos “Maria da Graça Bráz” divulgou várias das palestras e debates:
https://www.facebook.com/cdhmgb

Entrevista com René Berthier sobre Bakunin

Recomendamos o material publicado pelo Instituto de Teoria e História Anarquista, uma entrevista com René Berthier sobre a obra e o legado do anarquista russo Mikhail Bakunin:
http://ithanarquista.wordpress.com/2014/11/27/rene-berthier-teoria-politica-e-metodo-de-analise-no-pensamento-de-bakunin-entrevista/

Saudações libertárias!

Coletivo Anarquista Bandeira Negra, integrante da Coordenação Anarquista Brasileira

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[fAu – ESPANHOL] Con los 43 estudiantes que nos faltan. Siempre contra la impunidad!!!

Retirado de: http://federacionanarquistauruguaya.com.uy/2014/11/21/con-los-43-estudiantes-que-nos-faltan-siempre-contra-la-impunidad/

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 Con los 43 estudiantes que nos faltan. Siempre contra la impunidad

Nuevas marcas, más tenebrosas historias de impunidad continúa sufriendo nuestra América Latina. Impunidad de los poderosos de nuestros suelos. Con asistencia, obsecuencia, y consecuencia, con participación arreglada y entramada en su terrorismo de estado. Su facial violenta, rancia e intolerante; sus estrategias y formas para dominar y someter las rebeldías y rebeliones de los de abajo.

Allí en Iguala y Ayotzinapa, en el estado de Guerrero, Méjico

Sin mayores correlatos los artículos periodísticos de análisis y opinión internacional que refieren a América Latina están dedicando su trabajo a la masacre del estado de Guerrero, y a las movilizaciones que ya en todo el mundo se están produciendo. El eje es la impunidad que opera tan evidentemente con el Estado en medio de una tormenta de acusaciones, por entramar un gran arreglo con fuerzas paramilitares del narcotráfico (en este caso Guerreros Unidos), con la policía y más organismos represivos que viene cobrando muertes y desapariciones desde ya décadas.

Hoy esa impunidad, ese arreglo, ese orden sanguinario de los de arriba rompe la escena y la barrera de los grandes medios de comunicación, quienes enjuagándose la cara buscan también arreglar y dar fin a lo que estalló luego de la brutal represión desatada contra estudiantes y sindicalistas de la educación el 26 de setiembre en la ciudad de Iguala. Allí las fuerzas del orden, del estado – narcotráfico, desplegaron su brutalidad represiva torturando y asesinando a 6 personas y secuestrando 43 estudiantes de la Escuela Normal Rural de Ayotzinapa que hasta hoy siguen desaparecidos.

Inmediatamente todas las autoridades negaron conocer datos de asesinatos o desapariciones. Estando los estudiantes desaparecidos, secuestrados allí en alguna parte, en el entorno, en la zona de los hechos nadie ve, nadie dice, nadie olle… cuando inmediatamente comienza a gritar todo aquel país de Magones y Zapatas. Todos los organismos estatales dicen no saber, o podemos pensar que no dan importancia al asunto, en un país de varios miles de asesinados y desaparecidos en los últimos años. No les asombrará a ellos, no les importará, ya que eso es parte del “Estado” de las cosas. Pero el grito es fuerte y amplio, y al poco tiempo y ya ante lo flagrante de lo sucedido y todo un país en marcha se pide el procesamiento de 22 policías implicados en la brutal represión.

Así como complejas son las estructuras de poder, mediante las que opera el sistema en todas sus facetas, es igual de complejo identificar “él” responsable, en su carácter de singular. Y aunque está claro que las investigaciones dentro de la administración del propio estado exponen que quien dio la orden de reprimir a como fuera fue el alcalde de Iguala José Luis Abarca, debemos sumarle que en la operativa concreta y cotidiana durante los últimos años ha operado tanto las diferentes fuerzas policiales como el ejército, con la colaboración del grupo narco paramilitar Guerreros Unidos. El líder de este grupo se llama Salomón Pineda Villa, cuñado del Alcalde de Iguala.

También existe la más clara evidencia que es la policía responsable por la desaparición de los 43 estudiantes, ya que son los que dan la captura al ómnibus donde viajaban, son los que dirigen el operativo, y son quienes los ocultan. El alcalde Abarca y su mujer, quienes dieron la orden y elaboraron la masacre dispusieron de una fácil cortina de humo solicitando licencias políticas para garantizar la mejor investigación y proceso. Apenas unos días pasaron y desaparecieron del mapa ante lo que les señalaba. Prófugos de los aparatos de la justicia quedaron, hasta que hace unos días fueran encontrados y detenidos en Méjico DF. Ante la movilización ya mundial y el señalamiento al estado mejicano y su impunidad era muy costoso

Entonces la masacre de Igula denuncia a los más altos niveles de opinión y análisis del orbe hasta donde es capaz de llegar esta bestialidad de corrupción. Más cuando la impunidad es la pauta jurídica para definir los alcances de lo que se hace. Ya no le alcanzan sus armas y herramientas legales a los poderosos para sostenerse o continuar avanzando, entonces crean otros mecanismos que en su cerno, en su medula de motivaciones alberga lo mismo, el mismo motor despedazador. ¿Quién opera en legalidad y quién lo hace en semi legalidad? pero con los mismos beneficios y garantías. En Uruguay se llamó Juventud Uruguaya de Pié, o la siniestra Triple A en Argentina, en Aquellos tiempos, en los 60 y los 70 de la mano del Plan Cóndor y las administraciones de los estados. Todos compleja y ordenadamente arquitecturados, para cumplir los fines y la “paz” mandada por los de arriba.

Lo que no podrá hacer la policía y el ejército en la legalidad lo harán los Guerreros Unidos en la ilegalidad que a manos de los poderosos se justifican, se encubren. ¿Y quien protege eso?, ¿porqué Guerreros unidos se solidariza con los 22 policías presos y exige su liberación?, ¿Por qué este grupo narco para militar asume la responsabilidad de los asesinatos a estudiantes y más y más?. El estado mandó la represión, el estado los detuvo y secuestró, y el estado mantiene el silencio del destino y sostiene a los responsables (halla sido legal con la policía y el ejército, o ilegal con los Guerreros Unidos).

Buena parte de esa complejidad de terrorismo e impunidad estatal se muestra en la manipulación de la atención pública. El mismo gobierno aparece lanzando a la noticia sobre la captura de tres miembros de Guerreros unidos quienes confirmaron recibir a los rehenes, asesinarlos y reducirlos a cenizas. Sin evidencias firmes se buscó poner otro fin a esta tragedia dejándolo como episodio e incluso dejando exenta a la policía de desaparecer a los estudiantes, y sí al grupo narco – paramilitar. Previamente se anunció también el hallazgo de fosas comunes con restos de personas que podrían ser los estudiantes. En todos los casos el Equipo Argentino de Antropología Forense mediante sus estudios rechazó que fueran ellos los estudiantes desaparecidos.

Es responsabilidad de todo ese conjunto. De la policía y el ejército, de los narcos y sus paramilitares, no de cada uno de ellos, sino de todos, y son el peso de sus relaciones lo que distribuye sus poderes de un sector al otro. Toda la operativa mediática no es ajena a esta despreciable represión, así como los resortes administrativos del estado que a sabiendas o no de lo que ha sucedido también operan en sentido de la confusión y las infundadas hipótesis y conjeturas.

Lo han sido ayer y seguirán intentando sostenerse mañana. Sin lugar a dudas que esto no es un hecho aislado, y con la misma certeza es que observamos, con datos oficiales, que esta operativa sucede desde hace un buen tiempo atrás y legitimado por los mismos procederes y mecanismos administrativos. Con el mismo brazo gordo de los grupos para militares, el ejército y la policía.

Y sin ir muy lejos en la historia, y allí mismo, ¿Qué explicación tienen entonces las muertes de los cuerpos hallados en fosas comunes, o en bolsas que no son de los estudiantes desaparecidos?, son cientos en el estado de Guerrero, y no se ha abordado antes la existencia de fosas clandestinas de los diferentes carteles de las drogas. Así encubre el estado y la narco burguesía, alimentado ideológicamente por un motor con lo peor del desprecio a la vida misma, el acumular a cualquier precio, el egoísmo a todo nivel, y la impunidad como tutela.

¿Que podrán pensar los jefes de los carteles de droga sobre el campesinado organizado, sobre los sindicatos y el movimiento estudiantil?. ¿Qué ideas formaran las cabezas de los dueños del sistema cuando los movimientos reclaman sus derechos, o salen a la calle buscando nuevas conquistas?. Podrán pensar lo mismo si son narcos en el estado de Guerrero, o industriales en China, o dueños de las cuentas más pesadas del casino financiero de Wall Street. Podrán pensar lo mismo si los que rigen son los patrones dominantes a la escala que sea, tanto a nivel sistema mundo como a niveles locales. Esos están cargados con las armas más egoístas y temerarias que ha conocido la humanidad. Ellos tienen los ejércitos para las guerras, las cárceles, las mil formas represivas exclusivas o asociadas con sus sicarios de turno.

Hay una alternativa, la resistencia de un pueblo fuerte

Pero hay un cerco que se rompió. Las leyes que dictaban que allí se controlaba todo han sido quebradas. Aún con toques de queda, y en al menos 14 de los 80 municipios de Guerrero con intervención de fuerzas federales la movilización ha sido la constante, con paros de 48 horas en más de 70 escuelas y en las facultades de la UNAM, la Ibero, la UAM, Chapingo, las universidades de Tlaxcala, Guanajuato, Michoacán, Zacatecas, la Universidad Pedagógica, varias normales de Guerrero, por mencionar sólo algunas. El descontento popular ante tanta injusticia dio fuego a edificios estatales como el de Chilapancingo y otros edificios del poder ejecutivo.

Ha sido la lucha la que ha puesto en la opinión de la región y el mundo este bestial atropello contra los estudiantes de la Escuela Normal. Ha sido la resistencia la que ha puesto su poder de sobreponerse y establecerse firme cuando ese poderoso enemigo más fuerte se creyó, y terminó tastabillando.

Allí están también sus límites, por poderosa que sea la maquinaria asesina. Están en la fuerza que se sea capaz de sobreponerle el pueblo. La firmeza del pueblo mejicano, y todos los países donde se está solidarizando es clave en esta pelea. Porque no podrán con un pueblo fuerte entramado, organizado en los tiempos que sean dando pelea con todo el poder de sus aspiraciones de igualdad y solidaridad entre los de abajo, y el desprecio contra esa bestia opresiva, violenta y sangrienta como lo son estos crímenes de terrorismo de estado.

Será en Méjico pero también aquí y en todas partes, “de todas partes vienen” dice la poeta Idea Vilariño. Estamos pisando las calles con los 43 estudiantes. Estamos con nuestras fuerzas en los movimientos estudiantiles, sindicales, de derechos humanos, ambientales y emergentes. Estamos en las formas políticas que nos damos y creamos. Somos un mismo puño, somos del mismo hilo que hilvana la lucha y resistencia de nuestra América Latina, nos unen las pérdidas, el sufrimiento pero también los levantamientos y las rebeldías, las conquistas de nuestra gente, de nuestra clase. Nos unen los anhelos por un mundo más justo, proyecto de nueva sociedad que elimine las desigualdades y que barra con toda la escoria nauseabunda de este sistema asesino.

Son ellos parte de las historias estudiantiles que han dado lo mejor para nuestro pueblo y sus sistemas educativos. Son ellos y somos nosotros en todos los tiempos porque esta es una historia de lucha y resistencia, desde abajo contra la impunidad, la desigualdad. Allí está la tarea junto a los 43 estudiantes que nos faltan a todo el continente.

Arriba la lucha del pueblo de Guerrero y todo Méjico.

Ya los 43 son millones!.

Ni olvido ni perdón!.

Arriba los que luchan!!.

federación Anarquista uruguaya.

Federación Anarquista Gaúcha.

Coordinación Anarquista Brasilera.

[CABN] Boletim CABN out/2014

Retirado de: http://www.cabn.libertar.org/boletim-cabn-out2014/

Salve companheiras e companheiros!

Neste boletim de outubro: 11 anos da ocupação na Univille; Dia nacional de luta pelo Passe Livre; Eleições; Campanha “Protesto não é Crime!”; Resistência Curda; Terrorismo de Estado no México

11 anos da Ocupação na Univille

No dia 30 de outubro, relembramos a Ocupação da Reitoria da Univille em 2003, ação de grande repercussão na cidade e que foi vitoriosa em impedir o aumento das mensalidades na Universidade. Leia aqui:
http://www.cabn.libertar.org/joinville-memoria-do-movimento-estudantil-da-univille/

Dia Nacional de Luta pelo Passe Livre

O 26 de outubro, Dia Nacional de Luta pelo Passe Livre, marcou em 2014 os 10 anos da primeira Revolta da Catraca em Florianópolis. O Movimento Passe Livre de Joinville e de Florianópolis realizaram atos para marcar a data, para defender a bandeira da Tarifa Zero e lutar contra a criminalização de militantes em Joinville. Leia mais em:
http://www.cabn.libertar.org/dia-nacional-de-luta-pelo-passe-livre-uma-decada-da-revolta-da-catraca/
Relato da manifestação em Joinville:
http://www.amargem.info/mpl-entrega-dobradica-de-ouro-a-sociedade-harmonia-lyra/

Eleições

Reproduzimos em nossa página uma análise do resultado eleitoral produzida pelo Coletivo Anarquista Luta de Classe, do Paraná, que pode ser lida aqui:
http://www.cabn.libertar.org/breve-analise-socialista-libertaria-dobre-o-resultado-das-urnas-em-2014/

Chamamos também atenção para uma nota da Coordenação Anarquista Brasileira denunciando as calúnias e difamações realizadas por indivíduos e grupos que se consideram libertários, mas dedicaram seu tempo a inventar mentiras para desmerecer a atuação da CAB:
http://www.cabn.libertar.org/cab-nota-de-repudio-a-difamacao-politica/

Campanha Protesto Não é Crime!

Em Joinville, uma ampla campanha com distintos setores da esquerda combativa foi lançada, com o mote “Protesto Não é Crime!”. A iniciativa é uma resposta à série de processos políticos a militantes sociais da cidade, uma tentativa de silenciar as lutas populares. A campanha começou com um debate na Ielusc e uma manifestação em conjunto com o Movimento Passe Livre. Leia mais aqui:
http://www.cabn.libertar.org/joinville-debate-criminalizacao-dos-movimentos-sociais-com-eloisa-samy/
http://www.cabn.libertar.org/joinville-campanha-protesto-nao-e-crime-2/

Resistência Curda

Divulgamos aqui uma importante iniciativa de apoio e solidariedade à aguerrida luta popular curda, que nesse momento enfrenta o fascismo teocrático do Estado Islâmico na fronteira entre a Turquia e a Síria, território de maioria curda. Apesar do apoio dúbio e atrasado de algumas nações, a população curda organizou uma forte luta armada com grande protagonismo das mulheres para enfrentar o inimigo, pré-requisito para garantir seu território e as medidas progressistas e libertárias que vêm sendo tomadas. Mais informações aqui:
http://anarquismorj.wordpress.com/2014/10/14/solidariedade-a-resistencia-popular-curda/
http://resistenciacurda.wordpress.com/
https://www.facebook.com/resistenciacurda

Terrorismo de Estado no México

Já passa de um mês desde que sumiram 43 estudantes secundaristas mexicanos da região rural de Guerrero. Neste momento, há uma grande mobilização em todo o país e ações de solidariedade em todo o mundo. Por todas as ruas do México, a palavra de ordem é: “Vivos os levaram, vivos os queremos de volta!” Leia mais em:
http://www.coletivocompa.org/2014/11/solidariedade-ao-povo-mexicano-na-luta.html

Saudações libertárias!

Coletivo Anarquista Bandeira Negra, integrante da Coordenação Anarquista Brasileira

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