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[CQM] Manifestação contra o aumento da tarifa em Curitiba é marcada por VIOLÊNCIA POLICIAL

Retirado de: https://quebrandomuros.wordpress.com/2017/02/07/manifestacao-contra-o-aumento-da-tarifa-em-curitiba-e-marcada-por-violencia-policial/

Na última sexta-feira (3), a Prefeitura de Curitiba anunciou o novo valor da tarifa do transporte coletivo na capital paranaense. O reajuste, de R$ 3,70 para R$ 4,25 – inclusive aos domingos, cuja tarifa anteriormente custava RS 2,50 – representa um aumento de quase 15% e torna Curitiba a capital com a passagem mais cara do país.

Em 2013, tanto o Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) quanto a CPI do Transporte da Câmara de Curitiba apontaram diversas irregularidades no processo de licitação de nosso sistema de transporte, apresentando fortes indícios de fraudes no contrato com as empresas, além do superfaturamento da tarifa que, de acordo com o TCE, não deveria passar de R$ 2,25 naquele momento, ou seja, a tarifa cobrada hoje é dois reais mais cara. A URBS, empresa responsável pelo gerenciamento do sistema de transporte público de Curitiba, não apresenta informações claras sobre os gastos com o transporte, sendo, então, injustificável aumentar a passagem para cobrir esses gastos. Cabe questionar: se os gastos com o transporte são tão grandes a ponto de serem necessários tantos aumentos para as empresas não saírem no prejuízo, por qual motivo uma só família acharia proveitoso controlar quase 70% dos consórcios de ônibus de Curitiba?

Além disso, estamos cansados de saber que os consecutivos e injustificados aumentos não influenciam na qualidade do transporte ou na melhoria nas condições de trabalho e salários dos trabalhadores da categoria, apenas aumentam os já exorbitantes lucros da máfia do transporte, importante financiadora das campanhas eleitorais. A prefeitura alega que o aumento da tarifa tornará viável a renovação da frota de ônibus, ignorando que já há um percentual previsto na tarifa destinado a isso – mais um indício de superfaturamento.

O reajuste começou a valer nesta segunda-feira (6) e uma manifestação contrária ao aumento e à máfia do transporte já havia sido convocada pelo CWB Resiste em conjunto com a Frente de Luta pelo Transporte. A partir das 18h30, cerca de 700 pessoas começaram a se concentrar na Praça 19 de Dezembro para decidir o rumo do ato. O trajeto mais votado foi seguir para a URBS ao invés de ir até à Prefeitura ou à casa de Rafael Greca, já que, apesar do prefeito ter responsabilidade em aumentar os lucros dessa máfia, é a mando deles que o aumento foi acatado pela atual gestão da prefeitura, bem como as anteriores. Outro ponto que pesou para a escolha do trajeto foi a possibilidade de passar pelo Terminal do Guadalupe e Praça Rui Barbosa, locais com grande circulação de usuários do transporte coletivo. Nestes pontos algumas das estações-tubo foram ocupadas por manifestantes e tiveram suas catracas liberadas, para que a população pudesse usufruir por alguns momentos do direito de ir e vir, que deveria ser assim: livre!

Durante o trajeto, algumas vidraças de bancos foram quebradas, mas, ao contrário do que a mídia local tem noticiado, não foi o “vandalismo” que marcou o ato, e sim a repressão desmedida da Polícia Militar, que chegou tempos depois dos tais atos de vandalismo já cercando toda a manifestação na Avenida Sete de Setembro. Bombas de efeito moral, de gás e balas de borracha foram lançadas na direção dos manifestantes que se viram encurralados por todos os lados durante várias quadras sem poderem se dispersar de forma segura. Além disso, algumas pessoas foram agredidas diretamente por policiais com cassetetes e spray de pimenta que também estavam prendendo de forma arbitrária as pessoas que alcançavam aleatoriamente. Há relatos de pessoas feridas e a informação de 11 detidos até o momento. Companheiros(as) contam que foram espancados(as), mesmo depois de rendidos(as),  antes de serem levados(as) ao 1º distrito policial.

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É de extrema importância que neste momento não façamos coro com a grande mídia em responsabilizar as pessoas que jogaram pedras contra vidraças de bancos pela injustificável e violenta atuação da Polícia Militar no ato desta segunda-feira. Ainda que sejam, por vezes, ações individuais, são indivíduos que cerram fileiras conosco e lutam por dignidade e justiça. Que as divergências sejam tratadas dentro do movimento com responsabilidade, mas sem recair em generalizações e caracterizações que em nada contribuem para uma ação unitária e ainda reforçam a criminalização de alguns grupos em detrimento de outros.

É sintomático que, no primeiro ato da gestão de Rafael Greca como prefeito, a ação policial tenha sido tão diferente dos atos anteriores em que também houve quebra de vidraças, quando os policiais mais acompanhavam o ato e marcavam os rostos dos manifestantes, muitas vezes os fotografando e filmando. É também sintomático perceber o prazer com que alguns policiais militares agrediam e ameaçavam os manifestantes, parecendo muito satisfeitos que agora possuem o aval para fazê-lo.

Greca, aliado de Beto Richa, mostrou que, assim como ele, está disposto a fazer qualquer coisa para defender os interesses dos de cima – inclusive massacrar os de baixo. Nesse contexto, vale relembrar a ação truculenta da Polícia Militar no dia 29 de abril de 2015, dia do massacre promovido pelo governador Beto Richa contra professoras e professores da rede estadual de ensino que reivindicavam por seus direitos ao se levantarem contra as mudanças na Previdência Social (PL 252/2015). Não podemos nos esquecer de que a Polícia Militar é de responsabilidade do Governo do Estado, mas essa aliança política entre prefeito e governador já se provou bastante perigosa para os que lutam – bem como para os mais marginalizados com ações de higienização.

A data do ato (6 de fevereiro) coincide com os dois anos da chacina do Cabula, quando 12 jovens negros foram executados em um campo de futebol em Salvador, na Bahia (onde o governo do estado está nas mãos do PT). Serve para nos lembrar que os gestores políticos são os gestores da violência. A verdadeira violência é a estatal, fruto de uma estratégia perversa que coloca o povo trabalhador sobre seu domínio. Não há um político que não tenha suas mãos manchadas de sangue. Há pouco tempo assistimos um cenário de guerra em Brasília durante as manifestações nas duas votações da PEC 55 no Senado. O Estado tem sido o espaço que garante a fartura dos ricos e a exploração dos pobres, a extensão política da exploração econômica. Em nossa “democracia” vivenciamos nossos direitos negligenciados. Nossas vidas marginalizadas, descartáveis. E a polícia é o seu maior recurso, é com a desculpa da “segurança” que em tempos de cortes em áreas fundamentais os investimentos no aparato repressivo não cessam, pelo contrário, são ampliados e engatilhados contra os que produzem e sustentam toda a riqueza e dela acabam usurpados. Dias piores vem chegando, o aumento da passagem chegou a um preço exorbitante em Curitiba (ainda mais na Região Metropolitana), assim como em outras cidades do Brasil. Não é por acaso que endurece a repressão. As condições de vida cada vez mais precárias instigam a revolta daqueles que, embora não estejam organizados e que muitas vezes possam agir “espontaneamente”, enxergam cada vez mais nítido seu inimigo e a necessidade de combatê-lo com todas as forças.

Portanto, é necessário que estejamos unidos e organizados contra os ataques dos de cima, sejam de forma mais implícita como o aumento da tarifa ou mais explícita como a violência policial e o impedimento ao direito de manifestação. É direito da população lutar por acesso e qualidade nos serviços públicos.

Precisamos prestar solidariedade àqueles que foram detidos ou feridos durante esta manifestação e àqueles que já são perseguidos e investigados há tanto tempo pelas polícias por participarem ativamente das lutas pela garantia de nossos direitos. Além disso, precisamos fortalecer ainda mais a revolta contra o aumento da tarifa, organizar coletivamente um calendário de lutas com panfletagens, catracaços e atos cada vez mais combativos.

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Rodear de solidariedade aqueles que lutam!

Pelo direito à cidade! Por uma vida sem catracas!

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Opinião Anarquista #7: Frente aos ataques, a inovação das táticas

Novo Opinião Anarquista do Coletivo Anarquista Luta de Classe sobre a luta por transporte público e de qualidade:

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Baixe em PDF: Opinião Anarquista 7
Frente aos ataques, a inovação das táticas

Mais uma vez, o aumento da tarifa do transporte coletivo pegou o povo de “surpresa”. Apesar do espanto, os ataques ao bolso das pessoas que andam que ônibus já não é mais novidade. Ano após ano, a máfia do transporte de Curitiba aumenta o valor da tarifa e quem sai perdendo são sempre os de baixo, trabalhadores (as) e estudantes em sua maioria.

No último dia 1º de fevereiro, a tarifa dos ônibus de Curitiba passou de R$ 3,30 para R$ 3,70. Um aumento de 40 centavos! Aos domingos, que era cobrado R$ 1,50 passa a ser R$ 2,50. Um aumento de 66%!

A Prefeitura, para tentar minimizar o choque e a revolta da população com esse aumento absurdo, diz que os outros serviços públicos – como água e luz – subiram ainda mais que a passagem de ônibus. Parece brincadeira, não é?

 Os ricos empresários do transporte alegam que não têm mais condições de arcar com os custos de manutenção e operação dos ônibus que circulam na região. O motivo deles é o mesmo de sempre: o aumento no preço de insumos e o reajuste salarial dos (as) trabalhares (as) do transporte.

Desde o último aumento a integração de Curitiba com a Região Metropolitana também foi ameaçada. A prefeitura e os empresários alegam, mais uma vez, que para manter a integração é necessário aumentar ainda mais o preço das passagens. Cidades como Colombo, Piraquara e São José dos Pinhais já não têm integração com Curitiba e possuem preços mais caros que o cobrado na capital.

Com o novo aumento, a tarifa em Piraquara e Fazenda Rio Grande chegou ao patamar de R$ 3,90! Quem mora longe paga cada vez mais caro para andar de ônibus. Com a criação dos chamados “degraus tarifários”, a tarifa cobrada em Bocaiúva do Sul, Contenda, Rio Branco do Sul e Itaperuçu chega ao inaceitável valor de R$ 4,70!

Os ataques ao nosso bolso são cada vez mais intensos e não vemos melhorias concretas na qualidade dos ônibus ou na quantidade de linhas do transporte coletivo. Os ônibus continuam demorando a passar e quando chegam estão quase sempre lotados.

Alguns terminais de ônibus, como o Terminal Santa Cândida, ainda estão em fase de término da obra. Na Linha Verde as obras foram retomadas há pouco tempo, sendo que a promessa era que estivessem prontas antes da Copa do Mundo de 2014! Outros tantos terminais que precisam de reformas urgentes são ignorados pelos governantes.

MOBILIZAÇÃO E AÇÃO DIRETA

No início deste ano vimos várias cidades do país irem às ruas contra o aumento da tarifa do ônibus. São Paulo, Rio de Janeiro, Joinville, Belo Horizonte e Florianópolis tiveram grandes atos. Em Curitiba também tivemos mobilização, chamadas pela Frente de Luta pelo Transporte (FLPT), a campanha “3,70 de nem tenta!” e o Movimento de Acompanhamento ao Transporte Urbano (MATU). No dia 2 de fevereiro, o povo mobilizado foi às ruas e trancou algumas das principais vias do centro da capital. O ato seguiu até a Prefeitura de Curitiba para pressionar o prefeito Gustavo Fruet (PDT) a negociar com o movimento.

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RENOVAR AS TÁTICAS, APRENDER COM OS MAIS NOVOS

No final de 2015 vimos em São Paulo um movimento protagonizado por estudantes secundaristas que foi forte e saiu vitorioso. Foi mais de 200 escolas ocupadas em sinal de resistência ao fechamento de escolas e à “reorganização escolar” planejado pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB).

O processo de ocupações organizado pelo movimento estudantil secundarista retomou instrumentos de organização da classe oprimida até então abandonados pela esquerda tradicional: ação direta, independência de classe, autonomia e autogestão dos espaços de luta. Foram essas as ferramentas que levaram os/as secundaristas à vitória!

Se, para além de muita luta, também queremos vitórias econômicas e políticas, devemos olhar para esse movimento e aprender com ele. Devemos construir o movimento de luta pelo transporte a partir das bases. As escolas são locais muito importantes para a militância na luta por transporte público.

Além das tradicionais e indispensáveis panfletagens nas portas das escolas, é necessário que o movimento esteja nas escolas, construindo diálogo com os/as estudantes e trazendo toda essa galera para a luta.

Hoje, a cada três estudantes que abandonam os estudos, 1 é decorrente dos altos gastos que as famílias têm com o transporte. O transporte é a terceira maior despesa das famílias no Brasil.

Temos visto que existe certo esgotamento do modelo comum de atos de rua, que iniciam em um ponto do centro da cidade e caminham até a Prefeitura, se encerrando com algumas palavras de ordem ou encaminhando uma nova reunião.

O movimento secundarista foi vitorioso porque sua dinâmica de atuação foi diferente do que até então se vinha experimentando. O movimento foi criativo, inovador, combativo e eficaz!

O movimento contra o fechamento das escolas em SP representou um avanço político-organizativo que deve ser observado por toda a esquerda, levando esse acúmulo não apenas para seus grupos de estudos, mas também, para suas ações nas ruas.

Uma tática histórica do movimento pelo transporte é o “catracasso”, abrindo os tubos de ônibus para que as pessoas usufruam de Tarifa Zero! O Movimento de Curitiba tem se utilizado dessa tática, que dialoga com a população e beneficia quem mais precisa.

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CRISE ECONÔMICA x DIREITO À CIDADE

Para entendermos melhor o cenário em que estamos inseridos, é necessário compreender o caminho desde os cortes no orçamento nacional (conhecidos como “ajuste fiscal”) promovidos pela presidenta Dilma Rouseff (PT), até o aumento da tarifa na catraca.

Basicamente, os enormes cortes em saúde, educação e programas sociais por exemplo foram realizados para se alcançar o superávit primário, que é aquilo que o governo “economiza” para o pagamento de juros da impagável divida pública.

O Ministério das Cidades, em conjunto com o Ministério dos Transportes, foram os que, no final do ano passado, sofreram os maiores cortes. Isso quer dizer que os municípios e estados passaram a receber ainda menos dinheiro da União para arcar com os custos do transporte coletivo e demais serviços públicos.

Apesar disso, não podemos cair no erro de achar que é a “falta de dinheiro” o problema central da questão do transporte coletivo em Curitiba. Não é de hoje que estão escancaradas as enormes taxas de lucro dos empresários do transporte na capital paranaense. Eles, além de lucrarem dentro do marco legal do capitalismo (o que, em nossa opinião, já representa roubo aos de baixo), ainda se utilizam de fraudes para ganhar ainda mais à custa do povo.

Desde a década de 70 movimentos sociais de luta por transporte público denunciam a formação de cartel no processo de licitação das linhas de transporte curitibanas. Atualmente, apenas uma família é dona de 70% do sistema de transporte da Grande Curitiba. O poder econômico da família Gulin concede a eles grande influência também no meio político. Por isso, sai prefeito e entra prefeito, mudam os mandatos dos vereadores, mas os Gulin continuam mantendo seu lugar de privilégio. Para se mantiverem ricos, roubam do povo, que perde seu direito à cidade.

Nesse ano de eleição, muitos políticos tentarão construir sua campanha querendo usar a pauta do transporte como alavanca eleitoral em seu próprio beneficio. Serão muitos os charlatões, oportunistas e políticos de má-fé. Nós não devemos acreditar que é votando no candidato A ou B que a vida do povo vai, de fato, mudar.

O Coletivo Anarquista Luta de Classe (CALC) entende que não importa se o candidato (a) veste a roupagem “mais popular” ou “menos popular”, pois todos representam os interesses dos de cima e da máfia do transporte. O que faz a diferença e traz conquistas concretas para a vida do povo é a organização e a luta nas ruas, e será somente isso que trará a vitória para o movimento por transporte verdadeiramente público.

Será com nossas próprias mãos, com nossa força social, que conseguiremos barrar esse aumento. De cima só vêm ataques e migalhas.

Somente com Poder Popular é que as condições de vida irão melhorar e por isso é sempre hora de lutar e reagir. Política se faz todos os dias e de baixo pra cima! Sem nenhuma ilusão na farsa eleitoral, pois o prefeito, os vereadores, a presidenta, e todos os representantes do Estado tem um lado, e não é o nosso!

Por uma vida sem catracas!

Nossas urgências não cabem nas urnas!

CALC, Fevereiro 2016

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[FARJ] O que sobrou de junho? Uma reflexão sobre o “pós-2013”

Retirado de:  https://anarquismorj.wordpress.com/2015/08/22/reflexao-pos-2013/

Candelária, Avenida Rio Branco, Avenida Presidente Vargas, Cinelândia, Avenida Primeiro de Março… O preço da passagem, o aluguel, a alimentação, o custo de vida aumenta para a classe trabalhadora. A política de segurança no Rio de Janeiro, com as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), mata jovens negros trabalhadores e oprime o povo que mora nas favelas. A milícia cresce com a “vista grossa” do poder público. Greves pipocam e são reprimidas pelas forças de segurança, ou são freadas pela burocracia sindical e patrões. A Copa do Mundo de 2014 se aproxima apresentando um Brasil que não existe e é vitrine da propaganda das elites. O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional Sul-Americana (ou plano IIRSA) motivam grandes obras que beneficiam empreiteiros enquanto povos e comunidades são violentamente despejados. Camponeses, indígenas e quilombolas perdem espaço com o avanço do agronegócio, direitos são retirados por um legislativo conservador, que ataca os LGBTT’s. Os alimentos transgênicos são liberados, assim como a barragem de Belo Monte e a Transposição do São Francisco.

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A população, que parecia amortecida pela máquina de propaganda midiática começa a se movimentar e apresentar sua insatisfação com a situação social. Centenas de milhares de pessoas ocupam as ruas, os punhos se elevam até mais de um milhão (com a direita disputando os atos), e os gritos abalam a sociedade brasileira de uma maneira que nunca teríamos pensado. O povo de outras cidades também se mobiliza e o movimento ganha o país.

Há exatos dois anos atrás o Movimento Passe Livre (MPL) iniciava sua vitoriosa jornada de lutas, que terminou com a derrubada do aumento das passagens. Vitória essa que é patrimônio das e dos de baixo, vitória que foi arrancada ao preço de muito gás lacrimogêneo, balas de borracha e luta nas ruas. Junho de 2013 significou não só que o povo ainda está disposto a lutar com unhas e dentes, mas que este é o único caminho possível para a conquista e a defesa de direitos, e para transformar a realidade a partir das demandas populares em direção ao socialismo libertário.

Mas se olharmos para hoje, depois desses dois anos, a conjuntura mudou. O que era esperança, virou decepção. A direita “tradicional” entendeu que o PT, essa direita envergonhada já não tem condição de controlar e domesticar totalmente a raiva das ruas. O avanço das forças conservadoras, os ataques aos direitos dos trabalhadores, o assanhamento da extrema-direita, mostram que os tempos são nebulosos. O governo PT/PMDB continua garantindo o lucro para o capital empresarial e financeiro (nacional e internacional). Não há e nunca houve possibilidade de disputa desse governo, bancado como qualquer outro pelos grandes empresários, empreiteiras, latifúndios e pelo capital financeiro. Governo que pôs o exército nas favelas e prosseguiu com a política de genocídio da população negra e pobre. Governo que beneficia o agronegócio, realiza o menor número de assentamentos na história da reforma agrária no país e impõe um ajuste fiscal de corte neoliberal que faz com que as/os mais pobres paguem a conta da crise internacional. Governo que bem alinhado à classe dominante (vingando-se de 2013) propõe a PL 2.016, que sob a desculpa de combater o “terrorismo” atacará os movimentos populares, organizações políticas e qualquer rebelde que questione o sistema capitalista. O PT portanto, é parte dessa onda conservadora. Um governo que preparou o terreno para a direita mais tacanha avançar com pautas conservadoras, como a da redução da maioridade penal e a tentativa de excluir o debate de gênero da educação. Dentro ou fora do governo, a direita faz sua festa e o povo é convidado a assistir.

Abaixo e à Esquerda: reconstruir o campo independente das/os de baixo

Somos chamados a refletir sobre a conjuntura e a necessidade da organização. Por mais que os momentos da revolta sejam importantes não são suficientes por si só para mudar a correlação de forças da sociedade capitalista. A ilusão de que tudo mudaria tomando o Estado e elegendo um partido “dos trabalhadores” escorre como água das mãos de seus defensores. 2013 também mostrou que a classe dominante não vai entregar nada de bandeja para as oprimidas e oprimidos, e sem resistência. E que as revoltas pontuais se perdem diante da repressão e da organização da classe dominante quando não canalizam e acumulam para uma estratégia coerente. Parte da esquerda tenta seguir o caminho derrotado do PT, reeditando a tentativa fracassada de eleger “deputados combativos” que logo se tornam burocratas desavergonhados e que vão dar a linha nos movimentos e partidos ditos revolucionários.

Velhos e novos gerentes do capitalismo.

A espontaneidade da luta também dá lugar à frustração e à decepção quando não acumula para movimentos populares e organismos de base sindical independentes, classistas e anticapitalistas. Quantos revolucionários/as de junho não se decepcionaram com o refluxo do ano que se seguiu? Com muita modéstia sabemos que o campo anticapitalista e autônomo ainda tem muito que avançar para influenciar e gerar força social. O momento é de trabalhar para uma reconstrução urgente do campo combativo dos movimentos populares e sindicatos. Isso não será feito de um dia para o outro mas deve ser construído desde já. O que propomos, sabendo que essa não é só uma tarefa nossa mas de todo o campo anticapitalista, é a construção permanente de movimentos populares bem organizados, independentes e com um projeto bem definido de luta (no campo sindical, comunitário, camponês, estudantil e outros) que supere o governismo pelo método e pela prática. Defendemos o federalismo como metodologia para garantir a autonomia e a democracia direta na luta dos organismos populares.

Para isso é necessário trabalhar para superarmos a fragmentação das lutas que o capitalismo nos impõe cotidianamente, pois nenhum/a militante ou experiência de poder popular é capaz de resistir isolada e sem apontar para um horizonte estratégico e coletivo. “Cada um fazendo o seu”, mesmo com boas intenções, é tudo o que poderosos querem para nos explorar e esmagar com mais força. Quaisquer experiências, por mais importantes que sejam, se não confluem para um projeto coletivo, autogestionário e federalista, perdem-se no pragmatismo e no imediatismo do cotidiano.

É preciso abandonar a crença de que o Estado pode ser disputado e que a opção das eleições pode andar junto da opção da luta popular. A única disputa em curso é a disputa interna entre os velhos e novos gerentes do capitalismo. O campo anticapitalista deve ajudar os movimentos a romper com o governismo e propor uma pauta própria e independente. É a rebeldia popular, trancando ruas, ocupando terras e prédios e se organizando com um trabalho de base constante e permanente (nas escolas, fábricas e nos bairros/favelas e no campo) que faz a classe dominante tremer, apontando para o poder popular (autogoverno). E isso só pode ser feito com movimentos populares organizados e com o horizonte de independência e luta. Não vamos fechar fileiras com a velha direita e os raivosos reacionários que marcham apenas para trocar os opressores de lugar. Tampouco vamos defender um governo que desarmou a classe trabalhadora e dela só se alimenta para gerir o modelo de dominação. Nossa saída é a das lutas populares no campo e na cidade. São essas lutas que disputam um projeto de transformação radical de sociedade e que combatem os velhos conservadores e o governismo.

Organizar e lutar com as/os de baixo. Muralismo na cidade do Rio de Janeiro.

Não há tempo certo nem errado para se construir movimentos populares. A organização não vai cair do céu nem vem com quem lança mais comunicados “radicais”, sem base na realidade concreta. A realidade que desejamos é construída com a vontade permanente das/os de baixo em iniciativas de organização e luta. É dever das/os anarquistas trabalhar como combustível na organização do povo superando o espontaneísmo, o ativismo sem estratégia e a burocracia nos espaços sindicais e populares. Convidamos as/os anarquistas e militantes populares à participar estrategicamente dessa etapa de resistência. Para isso serve o anarquismo, a FARJ e a CAB como ferramentas de organização e luta do povo.

 

Construir federalismo popular / libertário!

Povo na rua pra resistir e lutar,

Povo que avança para o Poder Popular!

Viva a luta popular no campo e na cidade!

[FAG] Periferia do Vale do Gravataí se levanta contra o governo e o patrão

Retirado de: http://www.federacaoanarquistagaucha.org/?p=1127

20304_1010062269005331_5515766845836631583_nA última semana foi marcada por focos de resistência que ganharam expressão local e estadual lutando contra o governo municipal e a máfia do transporte metropolitano. Nos referimos aqui, principalmente, a luta travada pela periferia em oposição ao fechamento arbitrário de Unidades Básicas de Saúde e ao piquete promovido na zona norte da cidade contra a empresa laranja de transporte metropolitano, a Transcal, que opera há alguns anos com nova razão social da mesma máfia que comanda o serviço há décadas na região do Vale do Gravataí.

No caso de Cachoeirinha, é importante registrar que em ambos os processos de luta popular, além da presença libertária, operam interesses escusos de forças políticas que são base de apoio do governo federal. Citamos aqui principalmente o PT e o PCdoB que almejam aprofundar o desgaste político do PSB que há quase uma década comanda a Prefeitura desde o racha do “irmão bastardo” Stédile, sendo Cachoeirinha a maior base do partido no Estado do RS. No entanto, sempre é bom ressaltar que, independente do jogo partidário, a luta popular e as suas respectivas pautas são completamente legítimas, embora a coligação que governa o município tente deslegitimar toda e qualquer resistência dos de baixo.

O desafio que sempre esteve na ordem do dia é o de garantir, além da independência de classe, a permanência e coordenação ao longo do tempo dessas expressões de resistência do povo em luta na região, pois há inúmeros processos que resultaram dispersos após a conquista da necessidade imediata. Isso sem falar na fragmentação por força da cooptação e da intimidação.

Entre esses processos de resistência temos exemplos recentes que vão desde a vitoriosa luta contra a privatização da água em 2010 reunindo diversos sujeitos e tendo na comunicação popular o catalisador da revolta; as ações diretas com algumas vitórias pontuais da Frente de Luta pelo Transporte Público nos anos de 2012, 2013 e 2014; a conquista da moradia pela comunidade Arinos de Gravataí em 2014 e as lutas pela água de diversas comunidades; a resistência dos trabalhadores municipários de Cachoeirinha por meio do sindicato da categoria, sendo a oposição política de mais expressão e estabilidade ao longo dos últimos sete anos.

Porém, longe de simplesmente contar histórias onde o anarquismo operou como motor desses processos de luta na região, queremos fazer memória dessa resistência para que, a partir da experiência política acumulada, possamos superar os limites que foram comuns a essas lutas. Até mesmo porque na atual conjuntura onde partidos com origem de esquerda e hoje estão no governo federal aplicando as medidas de ajuste fiscal, não representam alternativa de poder real para solucionar as demandas dos de baixo, pois o aparente engajamento e dedicação militante tem prazo de validade até a disputa eleitoral de 2016. Portanto, fazemos essa reflexão e análise para debate junto as companheiras e companheiros que constroem conosco no dia a dia a necessidade de engajamento para mudança e transformação desse sistema de dominação que em nossa região opera com algumas características singulares.

A luta da saúde é uma pauta comum dos usuários e trabalhadores do ramo

Nas últimas semanas em Cachoeirinha, a pauta da saúde tem sido protagonizada pela periferia que luta contra o fechamento e a reestruturação arbitrária das Unidades Básicas. A ação direta realizada em frente è prefeitura municipal e que ocupou por iniciativa popular o gabinete do chefe do poder executivo pra fazer pressão, rendeu no dia seguinte a promessa do Secretário de Saúde de manutenção das atividades dos postos sem cessar o atendimento. Vitória parcial do povo organizado. No entanto, o desafio neste momento é colocar em movimento usuários e trabalhadores do ramo, pois as ações antipopulares do governo municipal são apenas parte da estratégia de tratar o serviço de saúde como um negócio privado. Isso irá afetar tanto a comunidade quanto os trabalhadores do ramo, pois a lógica a ser implantada é a da meritocracia, do fazer mais com menos recursos e impor ao trabalhador a disputa competitiva sob o engodo da premiação por produtividade. Portanto, é urgente e necessário unificar os interesses dos trabalhadores e usuários numa perspectiva classista.

A luta pelo transporte público é das comunidades, dos estudantes e dos rodoviários

O piquete da última sexta-feira em frente à garagem da Transcal durou bravamente mais de cinco horas, inviabilizou a circulação dos ônibus na região metropolitana na região e ganhou repercussão em todo o Estado do RS. Foi uma experiência ímpar de enfrentamento direto com a patronal do transporte, tendo a comunidade como sujeito protagonista desse processo que enfrentou sem medo a intimidação truculenta da empresa e da Brigada Militar. Na pauta de reivindicações, para além da revolta em virtude da redução dos horários e mudança de itinerário de algumas linhas, incorporaram-se solidariamente demandas dos trabalhadores rodoviários que não são defendidas pelo sindicato metropolitano, tão pelego e mafioso quanto o da capital. Como conquista imediata obteve-se o retorno do itinerário comum da linha que circula pelo bairro Granja Esperança naquele mesmo dia. As demais pautas ficaram na promessa de serem atendidas pela empresa até a próxima semana, mas todos cientes da necessidade de manter a mobilização permanente para pressionar a Transcal no cumprimento dessas demandas. O cenário deste próximo mês torna imprescindível a necessidade de unificar a luta pelo transporte público desde as comunidades, dos estudantes e dos trabalhadores rodoviários, pois está anunciado o aumento das passagens de ônibus concomitante ao dissídio da categoria, tanto a nível municipal, quanto na região metropolitana. Sabemos que a empresa irá tentar justificar o aumento jogando trabalhadores contra usuários, portanto, essa experiência recente do piquete abre um precedente na luta pelo transporte público de aliança entre os distintos segmentos e que deve ser mantida a todo o custo.

A luta pela água é contra a privatização do saneamento

Como parte das lutas na região, as diversas mobilizações da comunidade no ano de 2014 em virtude da falta da água expuseram a precariedade dos serviços prestados pela CORSAN. Estivemos dentro desse processo, porém com uma linha firme de defesa do caráter público do serviço e contra a privatização:http://www.federacaoanarquistagaucha.org/?p=245

Naquela circunstância o prefeito Marco Alba já insinuava o rompimento do contrato com a CORSAN para abertura de licitação e privatização do saneamento. Nessa semana, porém, num cenário distinto em relação ao do ano passado onde vivemos um considerável descenso das diversas lutas na cidade, o prefeito do PMDB anunciou que fará o rompimento do contrato com a CORSAN. Está na ordem do dia, portanto, o movimento popular e sindical tomar parte dessa pauta sob o risco de sofrermos uma enorme derrota enquanto classe.

Potencializar a luta sindical para além do corporativismo e coordenar as lutas na região para fortalecer o poder dos de baixo

Diante do contexto de mobilizações nacionais contra as terceirizações (PL 4330) e o ajuste fiscal (MPs 664 e 665), que flexibiliza diversos direitos, como o seguro desemprego, a atual conjuntura torna-se ímpar para que as mobilizações locais ganhem amplitude e repercussão ao mesmo tempo em que serão fortalecidas. Nossa modesta força militante está atuante nesses processos de luta com uma linha e conduta coerente de fortalecimento do poder de baixo. Não trocamos nossa independência política por cargos e tampouco nos engajamos nas lutas com pretensões políticas-eleitorais. Nossa estratégia de mudança passa pela construção do Poder Popular que vem sendo gestado e criado a partir das experiências concretas acumuladas ao longo dos 20 anos que completa nossa organização. Está na hora de coordenamos as experiências de luta na região com critérios de independência, solidariedade de classe e protagonismo de base.

Todos à luta no dia 29 de Maio, contra a terceirização do PL 4330 e o ajuste fiscal das MPs 664 e 665!
Por uma coordenação das lutas na região para fecharmos o punho contra o inimigo de classe e superarmos a fragmentação!
Que a ofensa feita a um seja a luta de todos!

Federação Anarquista Gaúcha – FAG – Organização integrante da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)
20 anos (1995-2015)
24 de Maio de 2015

[FLPT] ACAMPAMENTO NA PREFEITURA: NENHUM CENTAVO A MAIS PARA A MÁFIA DO TRANSPORTE!

Retirado de: https://www.facebook.com/FLPTCuritiba/photos/a.129749317232027.1073741828.128982840642008/343408039199486/?type=1&fref=nf

Nas Jornadas de Junho de 2013, milhares de pessoas foram às ruas por todo pais para lutar por transporte público e depois por outras pautas como saúde e educação. Aqui em Curitiba o povo também ocupou a cidade e conseguimos reduzir o preço da tarifa do transporte coletivo.

Hoje, dia 10 de fevereiro de 2015, diante do absurdo aumento do preço da passagem para R$3,30 – sabendo de seu superfaturamento – estamos novamente nas ruas! Depois de 3 manifestações contra o aumento da tarifa ainda não conseguimos diálogo com a Prefeitura, que prefere ignorar a população e beneficiar os empresários da máfia do transporte.

Por isso, estamos acampados em frente ao Palácio das Araucárias, no Centro Cívico, esperando que a Prefeitura venha ouvir as demandas daqueles que dependem do transporte público para trabalhar, estudar, cuidar da saúde, ter lazer, enfim, viver em Curitiba.

Aqui ao lado, na Assembleia Legislativa, milhares de professores, servidores da educação, saúde e diversas outras categorias do funcionalismo público do Estado permanecem em Greve Geral e acampam para exigir seus direitos. Nos colocamos lado a lado também desses lutadores e convidamos a todas e todos que se solidarizam às nossas lutas para virem até aqui unir forças para conquistar vitórias!

Compartilhe e venha para o acampamento contra o aumento!

ESSA LUTA TAMBÉM É SUA!

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[FAG] Não se intimidar, não desmobilizar! Toda nossa solidariedade ao companheiro Vicente!

Retirado  de: http://www.federacaoanarquistagaucha.org/?p=1077

Janeiro de 2015, às vésperas da retomada das lutas contra o aumento das passagens e em defesa de um transporte 100% púbico em Porto Alegre, recebemos a notícia da sentença dada ao companheiro Vicente, militante da FAG e lutador social do Bloco de Luta pelo Transporte Público de Porto Alegre. Vicente está sendo condenado a um ano e meio de prisão por dano ao patrimônio público e crime ambiental, “crimes” que teria cometido em Abril de 2013 durante uma manifestação do Bloco de Luta em frente a Prefeitura de Porto Alegre. Trata-se da primeira condenação em Porto Alegre e para nós uma clara tentativa de intimidar e colocar medo no conjunto de lutadores e organizações que estão rearticulando as lutas nesse início de 2015. Um expediente político e histórico utilizado pelos setores dominantes de nossa cidade e de todo o mundo: o encarceramento dos que se levantam. Não nos desmobilizaremos e a nossa solidariedade será militante e nas ruas!!!

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E a criminalização continua…

O fato de a condenação nos ter sido comunicada apenas uma semana antes do primeiro protesto do ano do Bloco de Lutas pelo Transporte Público é tudo menos uma obra do acaso ou de um processo regular do poder judiciário. Inicia-se o ano e ao mesmo tempo se começa a mexer nos processos que estavam tramitando desde 2013: adicionando nomes à alguns, novos crimes à outros. O processo neste contexto busca ter o mesmo efeito de uma bala de borracha ou de uma bomba de efeito moral: uma tentativa de intimidar e freiar as lutas nas ruas que ousam questionar os lucros dos empresários e os conchavos já evidente das empresas com os poderes públicos.

A situação está longe de ser apenas uma situação local: quem achou que a conjuntura de criminalização havia se esgotado em virtude do descenso das mobilizações de rua após a Copa do Mundo em 2014, a recente movimentação dos governos e dos aparelhos repressivos indicam o contrário. Em São Paulo, Rio de Janeiro e uma série de outras cidades no Brasil que iniciaram o ano com mobilizações contra o aumento das tarifas de ônibus a repressão tem usado dos mesmos expedientes contra os manifestantes: gás lacrimogênio, bala de borracha e detenções arbitrárias. O carioca Rafael Braga Vieira, que era até então o único condenado dos protestos de junho de 2013 continua preso e em Porto Alegre os processos voltam a ser movidos, novos nomes são inseridos e agora a primeira sentença é dada, sem prova alguma. É a velha justiça burguesa tomando lado em uma luta entre opressores e oprimidos que está longe de acabar.

Contudo, a luta e organização dos de baixo não começou hoje e também continuará. Mobilizam-se os jovens, os trabalhadores, os sem tetos e as comunidades de periferia. As mobilizações de rua de 2013 abriram novas possibilidades na gestação de experiências organizativas e de luta que o conjunto da esquerda combativa e anti capitalista precisa ajudar a fomentar e impulsionar, descartando as velhas práticas vanguardistas, sectárias e impositivas que infelizmente ainda permeiam discursos e práticas de muitas organizações. Acreditamos que só assim podemos criar força social que desde baixo vá gestando mecanismos de auto-organização e cravando em seu horizonte a necessidade de transformação social do conjunto da sociedade. Uma verdadeira frente de oprimidas e oprimidos solidária a todo e qualquer companheiro preso, torturado, assassinado e desaparecido.

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2015: avançar em organização, cercar ainda mais de solidariedade @s que lutam!

A seletividade do sistema penal também se torna evidente neste caso. Ao longo desse processo que começa com mais de uma dezena de acusados pelos danos realizados em uma manifestação com mais de mil pessoas, vimos arquivarem um a um todos os suspeitos, responsabilizarem o único rapaz negro de ideologia anarquista que estava entre os acusados e agora incluírem outro militante negro do Pstu. Sabemos que o motivo central dessa condenação é de ordem político-ideológica mas não podemos omitir o fato de que a cor negra dos acusados tem um peso importante.

Os últimos processos tiveram como destaque a criminalização contra os coletivos e movimentos anarquistas. Em 2013, tivemos os nossos espaços públicos invadidos e nossos livros recolhidos, passando por pesados processos de inquéritos onde o que era avaliado era nossa posição em relação a temas como autoridade, governo, forças policiais e outros assuntos caros à ideologia anarquista. Panfletos, cartazes e literatura foram anexadas nos processos, como se fossem provas circunstanciais que mostrassem algum papel de mentor intelectual da nossa ideologia nas depredações ou saques realizados nas manifestações de 2013, que contavam com mais de 50 mil pessoas em Porto Alegre.

O companheiro Vicente, assim como os demais militantes e lutadores de outras organizações, coletivos e ideologias, não foi o primeiro e não será o último jovem negro e anarquista a ser condenado nesse Brasil racista. São milhares de homens e mulheres negros/as e pobres exterminados e condenados diariamente pelas polícias militares e pela justiça burguesa e racista. É a elas e eles que nossa solidariedade militante é direcionada e será junto de cada trabalhador/a que cerraremos nossos punhos. Não nos intimidaremos e em cada marcha de rua, piquete, greve, ocupação estaremos ombro a ombro com todos e todas que lutam!

Solidariedade à todos e todas companheiros e companheiras perseguidos por lutar!

Pelo fim da polícia militar!

Nossa ideologia anarquista não se presta a caricaturas!!!

Federação Anarquista Gaúcha – FAG

[FLPT e CTZ – Curitiba] 2° ATO CONTRA O AUMENTO DA TARIFA! QUINTA FEIRA 5/2, 18HRS, NA BOCA MALDITA!

Retirado de:                                          https://tarifazerocuritiba.wordpress.com/2015/02/04/2-ato-contra-o-aumento-da-tarifa-quinta-feira-22-18hrs-na-boca-maldita-flpt-e-ctz/

E o prefeito continua com seu jogo sujo e desonesto com a população curitibana. Temos visto nos jornais, na internet, na tv e nos meios de comunicação de massa noticiarem o aumento da tarifa para cima do valor dos 3 reais, e aterrorizando a população com a ameaça do fim da Rede Integrada de Transporte – RIT, pauta histórica do movimento desde junho de 2013, quando tentaram também acabar com a integração com as 14 cidades da região metropolitana que se beneficiam com a integração e a força do povo nas ruas impediu mais essa falta de respeito ao trabalhador. E agora vemos o final de mais um episódio da novela já conhecida por todos, a tarifa aumenta e o prefeito sai de bonzinho por ainda ter conseguido manter a integração com tarifa unica. Passando ainda por cima de decisões judiciais, com a implementação da tarifa diferenciada para pagamento em cartão transporte e pagamento em dinheiro, que sera respectivamente, de 3,15 e 3,30 em dinheiro, o que não tem nenhuma justificativa concreta para essa diferença, pois o serviço é o mesmo, independentemente da forma de pagamento, e é o Ministério Público do Paraná que tem afirmada isso ( http://www.bonde.com.br/?id_bonde=1-3–87-20150203 ) que alega ser ilegal tal situação que também ocorre de forma similar em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro.

A tarifa técnica paga aos empresários que antes era de 3,15 passa ao patamar agora de 3,60, tarifa essa que é completada com subsídios estaduais e municipais, o que nós do Coletivo Tarifa Zero nos posicionamos contra, pois a política de subsídios só serve para desmobilizar a população em torna da pauta, pois alivia o pagamento da tarifa na catraca para a população mas engrossa o pagamento com dinheiro publico! Subsídios nada mais são, do que dinheiro do bolso do trabalhador também, pois são frutos das arrecadações de impostos que nos roubam diariamente! E agora com essa tarifa Curitiba chega a estar entre as três capitais que tem a tarifa mais cara do país, perdendo apenas para São Paulo e Rio de Janeiro. Curitiba e Paraná sempre na frente, agora alem de termos o governador estadual mais bem pago do país, o prefeito mais bem pago do país, logo teremos a mafia do transporte coletivo mais bem paga do país!

Na segunda feira, dia 2 de fevereiro fomos para as ruas contra o aumento da tarifa, e continuaremos nas ruas até a tarifa cair!

CONJUNTAMENTE COM A FRENTE DE LUTA PELO TRANSPORTE CONVOCAMOS A TODA POPULAÇÃO CURITIBANA A SOMAR NESSA LUTA QUE É DE TODXS!

2° ATO CONTRA O AUMENTO DA TARIFA!

QUINTA FEIRA DIA 5 DE FEVEREIRO! CONCENTRAÇÃO AS 18HRS NA BOCA MALDITA!

https://www.facebook.com/events/638107769651990/

– Contra o aumento da tarifa que a elevou para 3,30! Redução imediata para 2,70;
– Quatro relatórios apontam superfaturamento na tarifa (TCE, CPI do Transporte, URBS e Sindicatos), tais relatórios apontam que a tarifa pode chegar a 2,25, assim, 2,25 já!; ( http://www.bandab.com.br/jornalismo/relatorio-cpi-tarifa-ate-r-222-licitacao-dezenas-indiciamentos/ )
– Congelamento da tarifa em 2,25;
– Rompimento dos contratos devido a irregularidades, dentre elas formação de cartel na licitação pela família Gulin;
– Fim do subsídio nas passagens (cobrança direta), quem paga os impostos são os trabalhadores, destinar dinheiro público a empresas é sobretaxar os trabalhadores, desviando dinheiro da saúde, educação, etc.
– Contratação de cobradores;
– Supressão de cobranças para compra e abastecimento do cartão magnético;
– Controle social com estatização do transporte público;

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[CTZ – Curitiba] Ato nacional de luta contra o aumento da tarifa, MPL

Retirado de:                                             https://tarifazerocuritiba.wordpress.com/2015/01/25/ato-nacional-de-luta-contra-o-aumento-da-tarifa-mpl/

Dia 23 de janeiro foi estipulado pela federação do Movimento Passe Livre o dia nacional de luta contra o aumento da tarifa. No começo desse ano de 2015 varias cidades do país tiveram aumento na tarifa de ônibus, como em São Paulo, Rio de Janeiro, Florianópolis, Joinville e Curitiba não ficou fora dessa onda, tivemos um aumento na tarifa em novembro de 2014, que era de 2,70 e passou a ser 2,85 e como se não bastasse junto com esse aumento veio o anuncio de mais um aumento para o inicio de 2015, por volta de fevereiro/março, período esse de reajuste salarial da categoria dos trabalhadores do transporte coletivo e também coincide com o carnaval, o que faz a mafia do transporte aproveitar esse momento para fazer um jogo sujo e jogar a culpa do aumento em cima dos trabalhadores do transporte enquanto a população esta festando o carnaval. Mas sabemos da mentira desse discurso, sabemos que o aumento não vem para melhorar as condições de trabalho da categoria mas sim para aumentar ainda mais os exorbitante lucros dos empresários.

Sabemos disso porque existem provas concretas que apontam para o superfaturamento da tarifa, a formação de carteis, irregularidades nos itens da planilha de custo.. que são o relatório do TCE-Tribunal de Contas do estado do Paraná ( http://www1.tce.pr.gov.br/noticias/tce-recomenda-em-relatorio-queda-de-167-na-tarifa-do-onibus-em-curitiba/2104/N ), o relatório da própria URBS, empresa reguladora do transporte coletivo na cidade, relatório da CPI do Transporte (http://www.cmc.pr.gov.br/docs/RELATORIO_final_CPI_TRANSP_CTBA_26-11-2013.pdf ), que ocorreu na Câmara dos Vereadores, fruto da luta pelo transporte de junho de 2013. Portanto sabemos que mais um aumento na tarifa só beneficiária os empresários do transporte e que a população mais uma vez pagará a conta e o luxo dos ricos. E para impedir isso somente o poder das ruas fara a o poder público retroceder nesse aumento e cancelar o próximo!

Por isso realizamos uma aula publica com o professor Lafaiete Neves, doutor em Economia pela UFPR e antigo militante na luta pelo transporte na cidade de Curitiba, para esclarecer melhor a população sobre o aumento na tarifa e convidamos também a todos a se juntarem a nós nas mobilizações que faremos nesse inicio de ano, contra o aumento da tarifa e por um transporte de qualidade! No final do ato realizamos uma caminhada até a Estação Central, onde realizamos um catracaço no tubo de ônibus, liberamos as catracas para a população ir embora de graça por pelo menos uma hora, a população teve a oportunidade de ver na pratica a tarifa zero acontecer, a ação direta mexendo com o imaginário da população, isso nunca havia acontecido na historia de luta pelo transporte público da cidade, realizamos um ato histórico!

NENHUM CENTAVO A MAIS PARA A MAFIA DO TRANSPORTE!

2,85 É ROUBO! MAIS QUE 3 REAIS É ABSURDO!

POR UMA VIDA SEM CATRACAS!

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[CTZ – CURITIBA] Projeto do Passe Livre para estudantes e desempregados vai para Audiência Pública

Retirado de:                                                http://tarifazerocuritiba.wordpress.com/2014/12/15/projeto-do-passe-livre-para-estudantes-e-desempregados-vai-para-audiencia-publica/

Hoje, dia 15 de dezembro, a comissão legislativa da Câmara de Vereadores de Curitiba (CMC), se reuniu para para deliberar acerca do destino do Projeto de Lei, por iniciativa popular, do Passe Livre para estudantes e desempregados. Existiam duas propostas, uma que exigia o arquivamento do projeto, e outra que indicava uma audiência publica. É sempre importante lembrar que este projeto só circula devido a ocupação da CMC ainda em 2013.

Por meio da mobilização e pressão da militância que se agrupa da Frente de Luta pelo Transporte, sobre a comissão, o Projeto foi encaminhado para uma audiência pública que deve ocorrer no inicio do ano que vem. Mais uma vez ficou provado que sem a mobilização e organização, não será possível a aprovação de tal projeto, afinal na CMC, como na prefeitura “falam” mais alto os interesses da máfia do transporte, todavia por nossa mobilização fazemos possível as mudanças que atendem a população.

Ano que vem teremos assim muita luta, a luta para barrar o aumento da tarifa ainda no mês de fevereiro, e a luta pela aprovação do PL do Passe Livre.

Por uma vida sem catracas!

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